Bloqueio infraorbital e mentual no preenchimento labial
Preenchimento com ácido hialurônico

Bloqueio anestésico para preenchimento labial (infraorbital e mentual)

Bloquear os nervos infraorbital e mentual deixa o lábio insensível sem tocar no vermelhão: a forma fica intacta para marcar e o movimento continua, porque o músculo é do nervo facial. Em troca, some a dor que avisaria de uma isquemia e soma-se anestésico ao que vem no gel. Esta página mostra quando o bloqueio vale, onde estão os forames, como chegar a eles e o que vigiar.

O que o bloqueio faz — e o que ele não faz

O bloqueio do nervo infraorbital anestesia o lábio superior e o do nervo mentual anestesia o lábio inferior, sem infiltrar o vermelhão — o lábio fica insensível e mantém a forma que o injetor precisa ler. Os dois são nervos sensitivos, ramos do trigêmeo; o orbicular da boca é inervado pelo nervo facial. Por isso o lábio bloqueado continua se movendo: a paciente sorri, fala e faz bico, e a avaliação dinâmica segue possível durante a sessão.

O preço também precisa estar claro desde o início. O bloqueio tira a dor do procedimento e, junto com ela, a dor que avisaria de um evento vascular. E ele soma anestésico ao que já vem no gel. Nenhuma das duas coisas contraindica a técnica; as duas mudam o que se vigia.

A técnica do preenchimento em si está em preenchimento labial: técnica, volume e planos e em técnica russa passo a passo. Aqui o assunto é só a anestesia por bloqueio: quando ela vale, onde estão os forames, como chegar a eles e o que muda na sessão.

Antes de bloquear: as alternativas que já resolvem

Boa parte dos lábios se trata com conforto sem bloqueio — o bloqueio é um degrau, não o ponto de partida. O que costuma vir antes:

O bloqueio entra quando a paciente tem baixa tolerância à dor, quando o plano prevê muitas punções no vermelhão — colunas verticais, contorno extenso, tubérculos — ou quando a experiência anterior dela com lábio foi ruim. A infiltração local direta no lábio também anestesia, mas incha justamente a área que precisa ser marcada e avaliada; o bloqueio, longe do vermelhão, preserva o desenho.

Forame infraorbital: onde está e quanto varia

O nervo infraorbital sai pelo forame infraorbital, na face anterior da maxila, alguns milímetros abaixo do rebordo orbital inferior, e se abre em ramos para a pálpebra inferior, a asa do nariz e o lábio superior. A artéria e a veia infraorbitais saem pelo mesmo forame — por isso o bloqueio também é uma injeção perto de vaso.

A posição tem referência, mas não é fixa. Nanayakkara e colaboradores (2016, Anat Res Int), medindo crânios secos de uma população do Sri Lanka, encontraram o forame a uma distância média de 6,52 ± 2,03 mm abaixo do rebordo orbital inferior do lado direito e 7,30 ± 1,57 mm do esquerdo; em relação aos dentes, a posição mais frequente foi o mesmo eixo vertical da cúspide vestibular do segundo pré-molar superior (37,5% à direita e 55,9% à esquerda), e forames acessórios apareceram em 7,4% dos crânios. Koç Direk e Acar (2026, Front Med), em 103 crânios secos (206 hemimaxilas), registraram diferenças significativas entre os lados e entre os sexos nas coordenadas do forame e encontraram forame infraorbital acessório em 18,4% das hemimaxilas.

Sistema de coordenadas para localizar o forame infraorbital a partir do násio e da espinha nasal anterior — figura de estudo — Dr. Thiago Perfeito
(A) Desenho do crânio com as referências usadas para localizar o forame infraorbital: linha horizontal pelo násio (N) e linha mediana até a espinha nasal anterior (ANS); a distância horizontal e a vertical do forame (IOF) a essas linhas dão as coordenadas, e o forame acessório (AIOF) aparece medial a ele. (B) Esquema das relações descritas no estudo: dimensões craniofaciais, assimetria entre os lados, diferença entre os sexos e forames acessórios influenciam a posição do forame. Figure 1 de Koç Direk F et al., Front Med (Lausanne) 2026 (PMID 42620689), reproduzida sob licença CC BY.

Na prática, isso quer dizer palpar sempre, dos dois lados. O rebordo orbital inferior é palpável; o forame costuma ser percebido como uma depressão discreta abaixo dele, na linha que desce pela pupila. A medida de um estudo não substitui o dedo na paciente que está na maca.

Bloqueio infraorbital: via intraoral ou via cutânea

As duas vias anestesiam o lábio superior; no ensaio que as comparou lado a lado, a anestesia do lábio durou mais com a via intraoral, e a diferença na taxa de sucesso não alcançou significância. Lynch e colaboradores (1994, Acad Emerg Med) fizeram um ensaio cruzado randomizado em 12 voluntários, com bloqueio intraoral de um lado e cutâneo do outro, agulha de 27G e 2,5 mL de lidocaína a 2% tamponada em cada lado. A via intraoral, precedida de anestésico tópico na mucosa, anestesiou o lábio superior em 12 de 12 voluntários, contra 9 de 12 na cutânea, que foi feita sem tópico — diferença sem significância estatística; a anestesia durou 1,6 ± 0,8 hora contra 0,9 ± 0,4 hora. A dor da aplicação foi menor na via intraoral, mas a diferença não alcançou significância.

Karkut e colaboradores (2010, J Am Dent Assoc), em 40 adultos e desenho cruzado, compararam as duas vias com 1,8 mL de lidocaína a 2% com epinefrina 1:100.000. O foco era a polpa dentária — e ali os bloqueios falharam nos incisivos centrais e laterais —, mas um achado vale para o lábio: a dor da punção e as queixas depois do procedimento foram mais comuns na via cutânea.

O roteiro da via intraoral, em princípio:

  1. Anestésico tópico no fundo do vestíbulo, na altura dos pré-molares superiores, com a mucosa seca.
  2. Dedo indicador da outra mão sobre o forame, abaixo do rebordo, protegendo o olho e servindo de alvo.
  3. Lábio afastado, agulha no fundo de sulco, avançando em direção ao dedo, rente ao osso.
  4. Aspiração antes de depositar — o feixe tem artéria e veia — e injeção lenta junto ao forame. O princípio corrente é não avançar a agulha para dentro do canal.
  5. Massagem leve sobre o forame e espera da latência antes de testar o lábio.
  6. Bilateral. Pelo princípio da técnica, os dois lados são bloqueados: a linha média do lábio pode receber inervação do lado oposto, e o bloqueio de um lado só tende a deixar o centro sensível.

Forame e bloqueio mentual

O nervo mentual sai pelo forame mentual, no corpo da mandíbula, e inerva a pele do mento e o lábio inferior; o bloqueio é feito pelo vestíbulo inferior, na altura dos pré-molares. Kim e Hur (2025, Diagnostics), em 32 hemimandíbulas de 16 cadáveres coreanos dentados, encontraram o forame mais frequentemente abaixo do segundo pré-molar (75%), seguido da região entre o segundo pré-molar e o primeiro molar (15,6%). As distâncias médias do forame à margem gengival, à borda inferior da mandíbula e à linha média foram de 16,6 mm, 15,5 mm e 26,5 mm. Na tomografia, o canal mentual se abriu em direção posterolateral em metade das peças e lateral na outra metade.

Mandíbula em vista oblíqua com o corpo e o mento em destaque — região do forame mentual — Dr. Thiago Perfeito
Crânio em 3/4 com a mandíbula em destaque — ramo, ângulo, corpo e mento. O forame mentual fica no corpo da mandíbula, em geral abaixo do segundo pré-molar; é por ali que o nervo mentual sai para o lábio inferior e o mento, e é para essa região que a agulha se dirige, pelo vestíbulo, no bloqueio.

O roteiro segue a mesma lógica do superior: tópico no vestíbulo, dedo palpando a região do forame por fora, agulha no fundo de sulco entre os pré-molares inferiores, avanço curto até a vizinhança do forame, aspiração e injeção lenta, junto ao forame e não dentro do canal. O bloqueio também se faz dos dois lados, pelo mesmo raciocínio da linha média.

Quanto anestésico — e como somar

O limite que importa é o da soma: anestésico dos bloqueios, lidocaína do gel e tópico, na mesma sessão. A bula europeia do Belotero Balance Lidocaine traz a conta pronta: o volume máximo de preenchedor por sessão para a face inteira, de 8 mL, corresponde a 24 mg de lidocaína. E as bulas europeias da linha Belotero com lidocaína lembram que, quando outro anestésico local é usado junto, a recomendação para adultos saudáveis é que a dose total de lidocaína sem epinefrina não passe de 300 mg (ou 4,5 mg/kg) por sessão.

Os estudos de bloqueio citados acima usaram 2,5 mL de lidocaína a 2% tamponada (Lynch) e 1,8 mL de lidocaína a 2% com epinefrina (Karkut) por bloqueio — volumes de estudos odontológicos e de pronto-socorro, que servem de referência de ordem de grandeza, não de protocolo de lábio. O raciocínio prático: o menor volume que anestesia, aspiração antes de cada depósito, e a soma anotada na ficha.

Mapa de densidade da posição do forame infraorbital com os forames acessórios sobrepostos — figura de estudo — Dr. Thiago Perfeito
(A) Mapa de densidade da posição do forame infraorbital em 206 hemimaxilas: os contornos P50, P75 e P90 delimitam onde estão metade, três quartos e nove décimos dos forames. (B) O mesmo mapa com os forames acessórios (triângulos azuis) sobrepostos, em sua maioria do lado medial da nuvem principal e espalhados na vertical. A dispersão dos pontos mostra por que a palpação vence a medida fixa. Figure 2 de Koç Direk F et al., Front Med (Lausanne) 2026 (PMID 42620689), reproduzida sob licença CC BY.

O que muda na sessão com o lábio bloqueado

Complicações do bloqueio

Paciente com herpes labial recorrente tem a profilaxia antiviral definida antes da sessão, com ou sem bloqueio.

Onde a anestesia do lábio é ensinada

Na Pós Prática do Dr. Thiago Perfeito, a anestesia não é aula separada: ela entra dentro de cada técnica, e no bloco do lábio isso significa as opções de anestesia do próprio lábio. O lábio está no Módulo A1 · Face Avançada, ao lado das artérias labiais, das técnicas por plano e da profilaxia herpética. No sábado presencial, a demonstração comentada responde pela parte teórica e a execução supervisionada pelo aluno, em paciente modelo, pela parte prática, numa turma de até 8 médicos. A grade dos quatro módulos está em /cursos/.

Perguntas frequentes

Qual nervo se bloqueia para anestesiar o lábio superior e o inferior?

O infraorbital para o lábio superior e o mentual para o lábio inferior. Os dois são sensitivos, ramos do trigêmeo, e o bloqueio se faz dos dois lados, porque a linha média do lábio pode receber inervação do lado oposto.

O bloqueio deixa o lábio paralisado?

Não. O movimento do lábio depende do nervo facial, que o bloqueio não atinge. A paciente continua sorrindo e fazendo bico, o que permite conferir simetria durante a sessão.

Via intraoral ou pela pele?

No ensaio de Lynch e colaboradores, a via intraoral, feita depois de anestésico tópico na mucosa, anestesiou o lábio superior em 12 de 12 voluntários, contra 9 de 12 na cutânea, sem significância estatística; a anestesia durou mais na intraoral. No estudo de Karkut e colaboradores, a dor da punção e as queixas posteriores foram mais comuns na via cutânea.

Onde fica o forame infraorbital?

Na face anterior da maxila, alguns milímetros abaixo do rebordo orbital inferior; num estudo de crânios secos, a média foi de 6,52 a 7,30 mm abaixo do rebordo, e a posição mais frequente em relação aos dentes foi o eixo do segundo pré-molar superior. Forames acessórios e diferenças entre os lados existem, por isso se palpa sempre.

Quanto anestésico se pode usar somando bloqueio e gel?

As bulas europeias da linha Belotero com lidocaína recomendam que, com anestésico local associado, a dose total de lidocaína sem epinefrina não passe de 300 mg, ou 4,5 mg/kg, por sessão em adultos saudáveis. A conta soma bloqueios, gel e tópico.

O bloqueio aumenta o risco de não perceber uma oclusão?

Ele tira a dor, que é um dos avisos. Por isso, com o lábio bloqueado, a vigilância passa a ser visual: cor do vermelhão, enchimento capilar, livedo e palidez que persiste.

Precisa de bloqueio em todo preenchimento labial?

Não. Gel com lidocaína, anestésico tópico na pele e na mucosa, vibração e frio resolvem boa parte dos casos. O bloqueio é reservado a baixa tolerância à dor ou a planos com muitas punções no vermelhão.

Referências

  1. Lynch MT, Syverud SA, Schwab RA, Jenkins JM, Edlich R. Comparison of intraoral and percutaneous approaches for infraorbital nerve block. Acad Emerg Med. 1994;1(6):514-9 — 12 voluntários; 27G, 2,5 mL de lidocaína 2% tamponada; lábio anestesiado em 12/12 (intraoral) × 9/12 (cutânea); duração 1,6 × 0,9 h. · PMID 7600397 · DOI 10.1111/j.1553-2712.1994.tb02543.x
  2. Karkut B, Reader A, Drum M, Nusstein J, Beck M. A comparison of the local anesthetic efficacy of the extraoral versus the intraoral infraorbital nerve block. J Am Dent Assoc. 2010;141(2):185-92 — 40 adultos; 1,8 mL de lidocaína 2% com epinefrina 1:100.000; dor de punção e sequelas mais comuns na via extraoral. · PMID 20123877 · DOI 10.14219/jada.archive.2010.0137
  3. Nanayakkara D, Peiris R, Mannapperuma N, Vadysinghe A. Morphometric Analysis of the Infraorbital Foramen: The Clinical Relevance. Anat Res Int. 2016;2016:7917343 — forame 6,52 ± 2,03 mm (direito) e 7,30 ± 1,57 mm (esquerdo) abaixo do rebordo orbital; acessórios em 7,4%. · PMID 28116162 · DOI 10.1155/2016/7917343
  4. Koç Direk F, Acar A. Morphometric analysis and spatial localization of the infraorbital foramen in adult dry human skulls: bilateral symmetry, sexual dimorphism, and accessory foramina. Front Med (Lausanne). 2026;13:1914818 — 206 hemimaxilas; forame acessório em 18,4%. Figuras 1 e 2 reproduzidas sob licença CC BY. · PMID 42620689 · DOI 10.3389/fmed.2026.1914818
  5. Kim YH, Hur MS. Anatomical and CBCT-Based Evaluation of the Mental Foramen in Korean Adults: Clinical Implications for Implant Surgery and Mental Nerve Block. Diagnostics (Basel). 2025;15(24):3109 — forame abaixo do segundo pré-molar em 75%; distâncias médias de 16,6 mm (margem gengival), 15,5 mm (borda inferior) e 26,5 mm (linha média). · PMID 41464109 · DOI 10.3390/diagnostics15243109
  6. Smith KC, Melnychuk M. Five percent lidocaine cream applied simultaneously to the skin and mucosa of the lips creates excellent anesthesia for filler injections. Dermatol Surg. 2005;31(11 Pt 2):1635-7 — creme de lidocaína 5% por 20 a 30 minutos na pele, vermelhão e mucosa. · PMID 16416650 · DOI 10.2310/6350.2005.31253
  7. Guney K, Sezgin B, Yavuzer R. The Efficacy of Vibration Anesthesia on Reducing Pain Levels During Lip Augmentation: Worth the Buzz? Aesthet Surg J. 2017;37(9):1044-1048 — 25 pacientes, lábio dividido; dor 3,82 × 5,6; 92% com menos dor. · PMID 29025227 · DOI 10.1093/asj/sjx073
Dr. Thiago Perfeito, CRM-DF 23199
Dr. Thiago Perfeito · CRM-DF 23199
Medicina estética e regenerativa, Brasília–DF. Anatomia aplicada, complicações em injetáveis e medicina regenerativa.

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