Fotona 4D: as quatro etapas e parâmetros
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Fotona 4D: as quatro etapas e parâmetros

O Fotona 4D não é um disparo: é uma sequência de quatro etapas com dois lasers, cada uma apontada para uma camada, da mucosa da boca à superfície da pele. Quem decora a sequência repete a receita em todo paciente; quem entende o que cada etapa aquece sabe quando reforçar, encurtar ou pular uma delas.

O Fotona 4D é uma sequência de quatro etapas na mesma sessão — SmoothLifting, FRAC3, PIANO e SupErficial —, feita com dois lasers no mesmo aparelho: o Er:YAG de 2.940 nm e o Nd:YAG de 1.064 nm. Cada etapa aquece uma profundidade diferente, da mucosa da boca à superfície da pele. O que se aprende primeiro não é a fluência de cada passo: é o alvo de cada um, porque é ele que diz quando uma etapa precisa ser reforçada, encurtada ou deixada de fora naquele paciente. Na clínica INTI, a plataforma é o Fotona SP Dynamis.

Dois lasers, quatro alvos

O comprimento de onda decide onde a luz é absorvida. O Er:YAG, de 2.940 nm, é avidamente absorvido pela água e gasta a energia nas primeiras camadas: conforme o pulso, aquece sem remover tecido ou remove uma lâmina fina da epiderme. O Nd:YAG, de 1.064 nm, é muito menos absorvido pela água, e por isso chega mais fundo. No relato de Chua e colaboradores (2019, JAMA Ophthalmol), a penetração máxima do sistema de Nd:YAG de pulso longo usado foi estimada em cerca de 4 mm — dado que, como se verá adiante, pesa na região dos olhos.

Balighi e colaboradores (2020, J Cosmet Laser Ther) resumem o desenho do 4D: os dois comprimentos de onda são usados em quatro modos, não ablativos e ablativo fracionado, para produzir aquecimento em volume em diferentes camadas da pele da face. A sigla vem daí: quatro etapas, quatro alvos.

Laser — comprimentos de onda alcançando profundidades diferentes da pele — Dr. Thiago Perfeito
Três feixes de laser chegando a alvos em profundidades diferentes: um vaso na derme superficial, uma glândula na derme média e, em dourado, o bulbo do folículo já na gordura. O comprimento de onda e aquilo que absorve a luz decidem até onde a energia vai — é por isso que o 4D alterna Er:YAG e Nd:YAG.

As quatro etapas, uma por uma

Burmann e colaboradores (2024, J Cosmet Dermatol), de Porto Alegre, descrevem a plataforma que usaram, o Fotona SP Spectro, como a combinação dos dois comprimentos de onda em quatro tratamentos distintos: SmoothLifting, FRAC3, PIANO e SupErficial. A sequência abaixo segue essa ordem.

EtapaLaser e pulsoAlvoO que o médico decide
1 · SmoothLiftingEr:YAG, modo SMOOTH, não ablativoMucosa oral e tecido perioral, por dentro da bocaÁreas da mucosa a cobrir e número de passadas
2 · FRAC3Nd:YAG de pulso submilissegundoDermeFluência conforme fototipo e espessura
3 · PIANONd:YAG de pulso longoDerme profunda e subcutâneo, em aquecimento de volumeTempo de aquecimento e tolerância térmica do paciente
4 · SupErficialEr:YAG ablativo leveCamada mais externa da epidermeProfundidade da ablação e tempo de recuperação aceito

1. SmoothLifting — o laser por dentro da boca. O nome segue a grafia do estudo de Burmann; no Brasil a etapa também circula como SmoothLiftin. É o Er:YAG no modo SMOOTH, não ablativo, aplicado sobre a mucosa para aquecer o tecido do sulco nasolabial e da região perioral sem tocar a pele. Os estudos com essa via mostram duas coisas. Ebrahim e Gharib (2018, J Cosmet Laser Ther) trataram 20 pacientes com o Er:YAG intraoral em 6 sessões a cada 2 semanas, e a escala de rugas avaliada por dois avaliadores cegos melhorou de forma significativa 6 meses depois da última sessão. Moftah e colaboradores (2020, Skin Res Technol) compararam, em 20 mulheres e 5 sessões mensais, a via intraoral num lado do rosto com a via pela pele no outro: aos 4 meses, o lado intraoral teve aumento significativo da espessura da derme medida por tomografia de coerência óptica em comparação com o outro, sem efeito adverso, enquanto a satisfação das pacientes foi maior do lado tratado pela pele. A leitura útil: a via intraoral mudou a estrutura medida da derme, e a paciente percebeu mais o que acontece na superfície — o que ajuda a entender por que o protocolo combina a via intraoral com etapas aplicadas na pele.

2. FRAC3 — pulsos curtíssimos de Nd:YAG na derme. Byalakere Shivanna e colaboradores (2022, J Cosmet Dermatol) definem o FRAC3 como o pulso submilissegundo do Nd:YAG de 1.064 nm. No estudo deles, usado para depilação facial em 10 mulheres de fototipo IV e V, os avaliadores cegos viram resultado excelente em 55% com o pulso curto e em 20% com o longo, sem diferença significativa na redução percentual de pelos, e os autores concluíram que o pulso curto é pelo menos tão seguro e eficaz quanto o longo. Para o 4D, importam o princípio — pulso curto concentra o calor em estruturas pequenas da derme — e o fato de os dados de segurança virem de fototipos IV e V, a pele morena que o injetor brasileiro atende todo dia.

Camadas da pele em corte — epiderme, derme em destaque, gordura e músculo — Dr. Thiago Perfeito
Bloco de pele em corte: epiderme no topo, derme em destaque, gordura subcutânea e músculo embaixo. FRAC3 e PIANO trabalham a derme e o que está abaixo dela com o Nd:YAG; SupErficial atua só na lâmina mais externa, com o Er:YAG; SmoothLifting chega ao mesmo tecido por dentro da boca.

3. PIANO — aquecimento lento e em volume. É o Nd:YAG de pulso longo, que Kukovič e Zorman (2025, J Cosmet Dermatol) descrevem como usado em rejuvenescimento e firmeza da pele, contorno corporal e lipólise transdérmica por aquecimento do tecido em volume. É a etapa que mais conversa com o injetável. Como a ligação entre as cadeias da toxina botulínica é sensível ao calor, os autores testaram o PIANO de um lado só, em dois pacientes tratados com toxina para hiperidrose: o teste de iodo e amido não mostrou diferença entre os lados nos retornos. São dois casos, e o achado vai na mesma direção de outros trabalhos citados por eles. A favor do Nd:YAG de pulso longo como etapa de pouco tempo de recuperação, o ensaio randomizado em meia face de Dadkhahfar e colaboradores (2019, Lasers Med Sci), com 25 pacientes e 3 sessões mensais, comparou Nd:YAG de pulso longo com Er:YAG fracionado: os dois melhoraram rugas periorbitais, sulco nasolabial, discromia, flacidez e queda do contorno mandibular, sem diferença notável entre eles, e o lado do Nd:YAG teve recuperação significativamente mais curta.

4. SupErficial — o acabamento. A sessão termina com o Er:YAG na superfície, em ablação leve da camada mais externa da epiderme. É a etapa da textura de superfície e a que mais depende do fototipo e do tempo de recuperação que o paciente aceita.

Parâmetros: o que se fixa e o que se ajusta

O que se fixa é o desenho: as quatro etapas, a ordem e o intervalo entre sessões. O que se ajusta, em cada paciente e em cada área, é a fluência, o número de passadas e, quando o aparelho permite, a duração do pulso. O guia de cursos de tecnologias traz um exemplo de estudo de Er:YAG periocular que publica fluência, frequência e modo de pulso — bom ponto de partida para entender como esses números aparecem num artigo.

Nos estudos clínicos do protocolo e das suas etapas, o desenho mais usado foi de 3 a 5 sessões com intervalo de 1 mês, e de 6 sessões a cada 2 semanas na série só com a via intraoral:

Neocolagênese — derme com colágeno progressivamente mais denso ao longo das semanas — Dr. Thiago Perfeito
Quatro cortes da derme, da esquerda para a direita, com as fibras de colágeno cada vez mais densas e organizadas. É o tempo dessa remodelação que explica o intervalo de semanas entre sessões e a avaliação do resultado meses depois da última.

Quem não tratar e o que pode dar errado

A complicação mais frequente em laser facial é a hiperpigmentação pós-inflamatória. A revisão sistemática de Zhorov e colaboradores (2026, Lasers Med Sci), com 13 estudos e 2.010 casos, a encontrou sobretudo nos fototipos IV a VI; os lasers ablativos, Er:YAG incluído, tiveram o maior risco de cicatriz e infecção, e as lesões oculares, embora menos comuns, foram as mais graves. Daí saem as perguntas que se fazem antes de cada sessão:

Entre a etapa e a pálpebra, a regra é simples: proteção ocular para o paciente e para todos na sala, e Nd:YAG longe da pálpebra.

Aplicação de laser Fotona no pescoço e na linha da mandíbula — Dr. Thiago Perfeito
Ponteira do Fotona sobre o pescoço, abaixo da linha da mandíbula, com o feixe-guia vermelho marcando o ponto de disparo.

Combinação com injetáveis

Cada ferramenta resolve uma camada: volume perdido é trabalho do preenchedor, colágeno induzido em profundidade é do bioestimulador, músculo hiperativo é da toxina, e superfície e derme são do laser. Na conduta do Dr. Thiago Perfeito, entre bioestimulador ou preenchedor e uma sessão de aparelho de energia passam de 2 a 4 semanas — intervalo que não se confunde com o espaço entre duas sessões do próprio laser. A toxina, pela série de Kukovič e Zorman, não perde efeito pelo aquecimento do PIANO, mas o registro de dia, área e etapa no prontuário continua sendo o que permite saber o que causou o quê.

Onde isso se aprende

Laser se aprende por camada, e essa é a lógica da Pós Prática do Dr. Thiago Perfeito: módulos presenciais de um sábado, pré-work gravado obrigatório e turmas de até 8 médicos. O Fotona entra no bloco de tecnologias do Módulo B2, um panorama de cerca de 45 minutos com as outras tecnologias da clínica: o que cada uma faz, em que camada age, quando entra no plano de pele e o que dá para entregar sem ela. A física das modalidades vem antes, no pré-work gravado. O hands-on em paciente modelo desse sábado é de bioestimulador e de skinbooster ou Profhilo; operar o laser é treino do equipamento, à parte. O Dr. Thiago usa o Fotona SP Dynamis na rotina da clínica INTI, em Brasília. Os demais módulos estão em /cursos/.

Uma nota de transparência: o Dr. Thiago não tem relação comercial com a Fotona nem com qualquer outro fabricante de laser citado aqui.

Perguntas frequentes

Quais são as quatro etapas do Fotona 4D?

SmoothLifting (Er:YAG não ablativo aplicado por dentro da boca), FRAC3 (Nd:YAG de pulso submilissegundo na derme), PIANO (Nd:YAG de pulso longo, aquecimento em volume de camadas mais profundas) e SupErficial (Er:YAG em ablação leve da superfície). As quatro são feitas na mesma sessão.

Qual a diferença entre o Er:YAG e o Nd:YAG no 4D?

O Er:YAG, de 2.940 nm, é absorvido pela água e atua na superfície e na mucosa. O Nd:YAG, de 1.064 nm, chega mais fundo; num relato publicado, a penetração máxima de um sistema de pulso longo foi estimada em cerca de 4 mm. Por isso o 4D alterna os dois: cada um cobre uma faixa de profundidade.

Quantas sessões de Fotona 4D e com que intervalo?

Nos estudos do protocolo, o mais comum foi de 3 a 5 sessões com 1 mês de intervalo; num estudo com imagem 3D, 4 sessões mensais. A via intraoral isolada foi estudada também em 6 sessões a cada 2 semanas.

Quais parâmetros de fluência usar em cada etapa?

A fluência se ajusta ao fototipo, à espessura da pele, à área e à etapa. O que se fixa é o desenho: a ordem das quatro etapas e o intervalo entre sessões. O pulso é curto no FRAC3 e longo no PIANO.

Pode fazer Fotona no mesmo período da toxina botulínica?

Uma série de dois pacientes não mostrou perda de efeito da toxina com o aquecimento do PIANO, o Nd:YAG de pulso longo. Entre bioestimulador ou preenchedor e a sessão de aparelho de energia, a conduta do Dr. Thiago Perfeito é de 2 a 4 semanas.

Quem não deve fazer Fotona 4D sem preparo?

Quem tem acne ativa (há relato de reação granulomatosa depois de laser fracionado de rejuvenescimento; tratar a acne antes), fototipos altos ou pele bronzeada (mais risco de mancha) e quem tem implante na córnea, que precisa ser perguntado antes de qualquer Nd:YAG de pulso longo perto dos olhos.

Pode aplicar o Nd:YAG sobre as pálpebras?

Os autores de um relato de lesão de implante corneano após Nd:YAG de pulso longo nas pálpebras recomendam evitar o laser sobre elas e usar óculos ou protetor de córnea em todos os pacientes. A pálpebra superior é fina perto da profundidade que esse laser alcança.

Referências

  1. Burmann TG, Duarte FB, Akaishi PMS. Fox eyes lift-A new protocol for eyebrow elevation with laser Fotona. J Cosmet Dermatol. 2024;23(2):450-456. · PMID 37986696 · DOI 10.1111/jocd.16014
  2. Balighi K, Abedini R, Ghanadan A, et al. Self-limited acne agminate-like granulomatous reaction to facial laser rejuvenation in a patient with comedonal acne vulgaris. J Cosmet Laser Ther. 2020;22(6-8):241-243. · PMID 33944673 · DOI 10.1080/14764172.2021.1921810
  3. Chua D, Chan ASY, Mehta JS, et al. Corneal Inlay Damage After Cosmetic Laser Treatment of the Eyelid With Long-Pulsed Nd:YAG Laser. JAMA Ophthalmol. 2019;137(12):1440-1443. · PMID 31621798 · DOI 10.1001/jamaophthalmol.2019.4126
  4. Ebrahim HM, Gharib K. Correction of nasolabial folds wrinkle using intraoral non-ablative Er:YAG laser. J Cosmet Laser Ther. 2018;20(6):364-368. · PMID 29482388 · DOI 10.1080/14764172.2018.1439964
  5. Moftah N, Samy N, Allam RSHM, et al. Optical coherence tomographic (OCT) evaluation of intraoral non-ablative erbium: YAG laser (SMOOTH mode) in rejuvenation of nasolabial folds; A prospective randomized split face comparative pilot study. Skin Res Technol. 2020;26(3):405-412. · PMID 31794102 · DOI 10.1111/srt.12816
  6. Byalakere Shivanna C, Shenoy C, Lalitha S, et al. Comparison of submillisecond pulse (FRAC3) and long-pulse 1064 nm Nd:YAG laser hair removal. J Cosmet Dermatol. 2022;21(8):3393-3397. · PMID 35593528 · DOI 10.1111/jocd.15100
  7. Kukovič J, Zorman A. Concomitant Use of Botulinum Toxin and Super Long Nd:YAG Laser. J Cosmet Dermatol. 2025;24(3):e70042. · PMID 40052648 · DOI 10.1111/jocd.70042
  8. Dadkhahfar S, Fadakar K, Robati RM. Efficacy and safety of long pulse Nd:YAG laser versus fractional erbium:YAG laser in the treatment of facial skin wrinkles. Lasers Med Sci. 2019;34(3):457-464. · PMID 30117052 · DOI 10.1007/s10103-018-2614-6
  9. Qi J, Wang Q, Huang L, et al. Three-Dimensional Imaging of Dynamic Changes After Nd:YAG/Er:YAG Laser Skin Tightening: A Prospective Study. Lasers Surg Med. 2026;58(2):113-119. · PMID 41472528 · DOI 10.1002/lsm.70095
  10. Mohamadi F, Pourgholi E, Vahabi SM, et al. Comparative analysis of erbium: glass 1550 nm and combined erbium: YAG & Nd: YAG lasers for perioral rejuvenation: a prospective study. Lasers Med Sci. 2025;40(1):291. · PMID 40537663 · DOI 10.1007/s10103-025-04540-6
  11. Zhorov I, Goldstein M, Hasa A, et al. Facial laser complications (A Five Year Review). Lasers Med Sci. 2026;41(1):69. · PMID 41968192 · DOI 10.1007/s10103-026-04862-z
Dr. Thiago Perfeito, CRM-DF 23199
Dr. Thiago Perfeito · CRM-DF 23199
Medicina estética e regenerativa, Brasília–DF. Anatomia aplicada, complicações em injetáveis e medicina regenerativa.

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