Microagulhamento para cicatriz de acne: tipos e sessões
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Microagulhamento para cicatriz de acne

A mesma agulha que melhora uma cicatriz ondulada quase não muda uma cicatriz em picador de gelo. Abaixo, como classificar as cicatrizes antes de começar, quantas sessões os estudos usaram, como o microagulhamento se compara ao laser e quando somar subcisão ou PRP.

O microagulhamento sem energia trata a cicatriz atrófica de acne pela indução de colágeno, e responde melhor nas cicatrizes onduladas (rolling) e em caixa (boxcar) do que nas em picador de gelo (icepick). Nos estudos citados nesta página, as séries foram de 3 a 6 sessões, com intervalo de 2 semanas a 1 mês. Nos ensaios comparativos, ele causou menos mancha pós-inflamatória do que o laser comparado; na cicatriz presa por traves, rende mais somado à subcisão.

Esta página trata da agulha sem radiofrequência. A comparação entre as duas técnicas está em microagulhamento com radiofrequência ou sem, a escolha entre caneta e rolo em dermapen ou rolo, e o calendário geral de sessões em microagulhamento: quantas sessões e intervalo. Aqui, o foco é a cicatriz: que tipo responde, quantas sessões os estudos usaram e com o que vale associar.

Primeiro, o tipo de cicatriz

A classificação que organiza a conversa é a de Jacob, Dover e Kaminer (2001, J Am Acad Dermatol), que propõe três tipos de cicatriz atrófica: icepick, rolling e boxcar. O valor dela é prático: os autores escrevem que, uma vez definido o tipo, o protocolo de tratamento pode ser montado para ele, e o algoritmo que propõem reúne técnicas diferentes — excisão e elevação com punch, subcisão e resurfacing a laser. Ou seja, desde a origem, a cicatriz de acne é tratada como um conjunto de lesões que pede ferramentas diferentes, e não como uma superfície uniforme.

Corte da pele com epiderme, derme em destaque, gordura e músculo — cicatriz atrófica de acne — Dr. Thiago Perfeito
Bloco de pele em corte: epiderme, derme (em destaque), gordura e músculo. Os três tipos de cicatriz atrófica são defeitos da derme; o que muda entre eles é a largura, a profundidade e a presença de trave fibrosa ligando a pele ao plano de baixo.

Os estudos de microagulhamento confirmam essa diferença. No ensaio de hemiface de El-Domyati e colaboradores (2024, J Cosmet Laser Ther), em 10 pacientes tratados em seis sessões com duas semanas de intervalo, as cicatrizes boxcar e rolling melhoraram mais do que as icepick. Na série de Bhargava e colaboradores (2019, J Clin Aesthet Dermatol), que associou subcisão ao microagulhamento, a conclusão foi a mesma: rolling e boxcar responderam mais do que icepick. Antes de prometer resultado, portanto, conte e classifique as cicatrizes da paciente; uma face dominada por icepick vai pedir outra ferramenta para esses pontos.

Por que a agulha melhora a cicatriz

A cicatriz atrófica é um defeito da derme: faltou matriz onde houve inflamação. A microlesão repetida põe o reparo para trabalhar de novo, agora de forma controlada. El-Domyati e colaboradores (2015, J Clin Aesthet Dermatol) mediram isso em biópsia: em 10 pacientes com tipos variados de cicatriz atrófica, tratados com seis sessões a cada duas semanas, os colágenos dos tipos I, III e VII e o colágeno recém-sintetizado aumentaram de forma significativa ao fim do tratamento, enquanto a elastina total diminuiu. A avaliação dos próprios pacientes mostrou melhora clínica perceptível das cicatrizes.

Fibras de colágeno passando de desorganizadas a organizadas na remodelação da cicatriz — Dr. Thiago Perfeito
Três painéis de fibras de colágeno, das desorganizadas às organizadas. É a sequência que a série de microagulhamento tenta repetir dentro da cicatriz atrófica: cada sessão reabre o reparo, e a matriz nova se acumula de uma sessão para a outra.

A profundidade importa mais aqui do que em qualidade de pele, porque o alvo é a derme marcada pela cicatriz. No ensaio de El-Domyati e colaboradores (2024, Int J Dermatol), em 14 pacientes, com caneta em hemiface, 2,5 mm de um lado e 1,5 mm do outro, o lado mais profundo teve melhora percentual maior. Esse resultado é de pele da face com cicatriz atrófica e não se transfere para a pálpebra ou o dorso nasal; a regulagem por região está em microagulhamento facial: profundidade por região.

Quantas sessões os estudos usaram

EstudoPacientesSessões e intervaloO que mediu
Cachafeiro, 201646, randomizados contra laser não ablativo de 1.340 nm3, mensaisMelhora nos dois braços, sem diferença entre eles
Bhargava, 201945, fototipos III a V; subcisão junto4, a cada 4 semanas95,6% melhoraram ao menos 1 grau
Dogra, 201436 (30 concluíram), fototipos IV e V; rolo5, mensaisEscore de cicatriz de 11,73 para 6,5
El-Domyati, 201510, tipos variados6, a cada 2 semanasColágeno I, III e VII aumentaram na biópsia
El-Domyati, 202410, hemiface rolo × caneta, agulha de 2,5 mm6, a cada 2 semanasOs dois lados melhoraram; boxcar e rolling mais que icepick

A tabela descreve esses cinco estudos, não fixa um número. O que ela mostra é que a cicatriz de acne foi tratada em séries de 3 a 6 sessões e que, nos desenhos mais curtos, o intervalo foi mensal. A estimativa para a paciente parte da quantidade e do tipo de cicatriz e é revista com foto padronizada ao longo da série. O estudo de Dogra e colaboradores (2014, J Cosmet Dermatol) dá a dimensão da resposta numa população de pele morena: com o rolo, sob anestesia tópica, 22 pacientes avaliaram a resposta como boa e 4 como excelente ao fim da série, e o investigador viu melhora de 50% a 75% na maioria.

A comparação com o laser

A pergunta que a paciente traz é se o microagulhamento chega perto do laser. O ensaio randomizado de Cachafeiro e colaboradores (2016, Dermatol Surg) respondeu para um laser específico: 46 pacientes receberam três sessões mensais de microagulhamento ou de laser fracionado não ablativo de érbio a 1.340 nm. Os dois grupos melhoraram, sem diferença estatística entre eles, e o eritema depois de cada sessão durou mais no grupo do laser, em que 13,6% tiveram hiperpigmentação pós-inflamatória; no grupo do microagulhamento, ninguém teve.

A metanálise de Shen e colaboradores (2022, Aesthetic Plast Surg), com 12 ensaios randomizados e 414 participantes, reforçou o achado de pigmento: no conjunto, o microagulhamento sem radiofrequência teve melhora objetiva da cicatriz superior à dos tratamentos comparados, e a hiperpigmentação pós-inflamatória favoreceu a agulha. A revisão sistemática de Mujahid e colaboradores (2020, Dermatol Surg) acrescenta a nuance: os 33 artigos analisados mostraram melhora da cicatriz com o microagulhamento, mas a evidência foi inconsistente quando a comparação era com terapias combinadas ou com laser fracionado. O microagulhamento é, portanto, uma opção forte quando o risco de mancha pesa ou quando a paciente não pode parar a rotina, e o laser continua no repertório para outros perfis.

Com o que associar

Subcisão, quando há trave. Na cicatriz rolling, a pele está presa por baixo, e a agulha superficial não solta essa trave. A série de Bhargava associou as duas técnicas na mesma sessão, quatro vezes com quatro semanas de intervalo, em 45 pacientes de fototipos III a V: 95,6% melhoraram pelo menos um grau, com eritema, edema e dor leves por 1 a 2 dias. Em quanto cada paciente percebeu de melhora, 17,8% relataram de 75% a 100%, 24,4% de 50% a 74% e a maioria, 55,5%, de 25% a 49%.

PRP sobre a pele. A metanálise de Kang e Lu (2021, Front Med), com 4 ensaios randomizados e 10 estudos de hemiface não randomizados, somando 472 pacientes, encontrou maior chance de melhora acima de 50% na escala qualitativa de Goodman quando o PRP foi somado ao microagulhamento, e maior satisfação dos pacientes. Eritema e edema intensos não foram diferentes entre os grupos. Como todo produto que fica sobre a pele aberta, o PRP precisa ser estéril e preparado na hora.

Algoritmo de tratamento combinado da cicatriz de acne por tipo: icepick, boxcar e rolling — Dr. Thiago Perfeito
Algoritmo que parte do diagnóstico do tipo de cicatriz. Para icepick, a figura põe o TCA CROSS em primeiro lugar; para boxcar, o laser fracionado, com microagulhamento associado a PRP como segunda opção; para rolling, a subcisão com preenchedor. Embaixo, opções de preenchimento (PLLA, nanofat, hidroxiapatita de cálcio). Figure 2 de Zhang M et al., Front Med (Lausanne) 2025 (PMID 40950966), reproduzida sob licença CC BY.

A revisão de Zhang e colaboradores (2025, Front Med) resume a tendência que o algoritmo acima desenha: o tratamento da cicatriz de acne caminha para a combinação de peeling químico, laser e preenchedor, buscando mais resultado com menos carga de tratamento. Para o injetor, isso significa planejar a face por tipo de cicatriz, e não aplicar a mesma técnica em todas.

A sessão, passo a passo

Roteiro · Microagulhamento em cicatriz atrófica de acne

  1. Acne controlada. Lesão inflamatória ativa na área fica fora da sessão; a cicatriz se trata em pele sem foco ativo.
  2. Mapear e classificar. Marcar as cicatrizes na foto inicial e separar icepick, boxcar e rolling; as rolling com trave entram no plano de subcisão.
  3. Perguntar por herpes. História de herpes labial ou facial muda o preparo da sessão.
  4. Anestesiar e preparar a pele. Anestésico tópico, retirado por completo; antissepsia ampla; só produto estéril sobre a pele durante a passada.
  5. Regular por região. Mais profundo na bochecha com cicatriz, mais raso onde a pele afina.
  6. Registrar. Regulagem, passadas, reação da pele e o que foi aplicado, para a sessão seguinte partir do que funcionou.
  7. Revisar a série. Foto na mesma luz antes de cada sessão; se as icepick não mudam, elas pedem outra ferramenta, não mais passadas.

Complicações a conhecer

As complicações descritas nos estudos foram, em geral, leves. Na série de Dogra, em fototipos IV e V, 5 pacientes tiveram hiperpigmentação pós-inflamatória e 2 tiveram cicatriz em trilho, o desenho linear que o rolo pode deixar. Fora dos estudos, Wu e colaboradores (2022, Clin Cosmet Investig Dermatol) relataram eczema herpético depois de microagulhamento com PRP num caso de cicatriz atrófica, o que justifica a pergunta sobre herpes na anamnese. Reação granulomatosa e o papel do que vai sobre a pele estão discutidos em dermapen ou rolo, e o que pode ir na pele aberta em drug delivery após laser e microagulhamento.

Na formação

A cicatriz de acne entrou na grade do Módulo B2 da Pós Prática do Dr. Thiago Perfeito, médico de Medicina Estética e Regenerativa (CRM-DF 23199), ao lado da microinfusão MMP e do bloco de tecnologias; a indução percutânea de colágeno, a entrega de ativo e a escolha de profundidade do microagulhamento são ensinadas no bloco regenerativo do Módulo A2. O aluno chega ao sábado presencial depois do pré-work gravado; ali, a demonstração comentada é a parte teórica, e a prática é execução supervisionada em paciente modelo, em turmas de até oito médicos. O Dr. Thiago não tem relação comercial com nenhum fabricante.

Síntese

Microagulhamento em cicatriz de acne começa pela classificação: rolling e boxcar respondem, icepick pede outra ferramenta, e a trave da rolling pede subcisão. Os estudos usaram séries de 3 a 6 sessões, e a agulha sem energia se compara bem a um laser não ablativo, com menos mancha em pele morena. PRP somado melhora a chance de resposta. Os demais temas de tecnologia estão na Biblioteca, e a grade presencial em Cursos.

Perguntas frequentes

Microagulhamento funciona para qualquer cicatriz de acne?

Funciona melhor nas cicatrizes rolling e boxcar do que nas icepick. Foi o que observaram El-Domyati e colaboradores (2024) e Bhargava e colaboradores (2019). As icepick, estreitas e fundas, costumam precisar de outra ferramenta associada.

Quantas sessões de microagulhamento para cicatriz de acne?

Nos estudos citados nesta página, de 3 a 6 sessões. O intervalo foi de 2 semanas nos estudos com 6 sessões e mensal nos de 3 a 5. O número de cada paciente depende da quantidade e do tipo de cicatriz e se revê com foto ao longo da série.

Microagulhamento ou laser para cicatriz de acne?

Contra o laser não ablativo de 1.340 nm, o resultado foi equivalente. No ensaio de Cachafeiro e colaboradores (2016), os dois grupos melhoraram sem diferença entre eles, e só o grupo do laser teve hiperpigmentação pós-inflamatória (13,6%).

Microagulhamento é seguro em pele morena?

É uma das opções com menor risco de mancha. Na metanálise de Shen e colaboradores (2022), a hiperpigmentação pós-inflamatória favoreceu o microagulhamento. Na série de Dogra e colaboradores (2014), em fototipos IV e V, 5 pacientes tiveram mancha e 2 tiveram cicatriz em trilho.

Vale associar PRP ao microagulhamento na cicatriz de acne?

A metanálise de Kang e Lu (2021) favoreceu a associação. Com 472 pacientes, o PRP somado aumentou a chance de melhora acima de 50% e a satisfação, sem aumentar eritema ou edema intensos.

Quando fazer subcisão junto com o microagulhamento?

Quando há cicatriz rolling presa por trave fibrosa. Na série de Bhargava e colaboradores (2019), subcisão e microagulhamento na mesma sessão, quatro vezes com quatro semanas de intervalo, melhoraram pelo menos um grau em 95,6% dos 45 pacientes.

Precisa de profilaxia para herpes antes do microagulhamento facial?

A história de herpes precisa ser perguntada antes da sessão. Há relato de eczema herpético depois de microagulhamento com PRP em paciente com cicatriz de acne (Wu e colaboradores, 2022); a conduta preventiva se decide caso a caso.

Referências

  1. Jacob CI, Dover JS, Kaminer MS. Acne scarring: a classification system and review of treatment options. J Am Acad Dermatol. 2001;45(1):109-17. · PMID 11423843 · DOI 10.1067/mjd.2001.113451
  2. El-Domyati M, Fathi MME, Abdel-Aziz RTA. Atrophic facial acne scars; bilateral comparison of two microneedle devices. J Cosmet Laser Ther. 2024;26(5-8):129-135. · PMID 39591948 · DOI 10.1080/14764172.2024.2433219
  3. El-Domyati M, Barakat M, Awad S, Medhat W, El-Fakahany H, Farag H. Microneedling Therapy for Atrophic Acne Scars: An Objective Evaluation. J Clin Aesthet Dermatol. 2015;8(7):36-42. · PMID 26203319
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  5. Dogra S, Yadav S, Sarangal R. Microneedling for acne scars in Asian skin type: an effective low cost treatment modality. J Cosmet Dermatol. 2014;13(3):180-7. · PMID 25196684 · DOI 10.1111/jocd.12095
  6. Cachafeiro T, Escobar G, Maldonado G, Cestari T, Corleta O. Comparison of Nonablative Fractional Erbium Laser 1,340 nm and Microneedling for the Treatment of Atrophic Acne Scars: A Randomized Clinical Trial. Dermatol Surg. 2016;42(2):232-41. · PMID 26845539 · DOI 10.1097/DSS.0000000000000597
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  8. Mujahid N, Shareef F, Maymone MBC, Vashi NA. Microneedling as a Treatment for Acne Scarring: A Systematic Review. Dermatol Surg. 2020;46(1):86-92. · PMID 31356435 · DOI 10.1097/DSS.0000000000002020
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  11. Wu R, Leng M, Sa Q, Mu Q, Zhao H. Eczema Herpeticum Following Skin Microneedling Plus Platelet-Rich Plasma Therapy in a Patient with Atrophic Acne Scars. Clin Cosmet Investig Dermatol. 2022;15:653-655. · PMID 35444444 · DOI 10.2147/CCID.S359618
  12. Zhang M, Liu C, Zhang S, Chu R, Ren X. Advances in the treatment of acne scars. Front Med (Lausanne). 2025;12:1643035. · PMID 40950966 · DOI 10.3389/fmed.2025.1643035
Dr. Thiago Perfeito, CRM-DF 23199
Dr. Thiago Perfeito · CRM-DF 23199
Medicina estética e regenerativa, Brasília–DF. Anatomia aplicada, complicações em injetáveis e medicina regenerativa.

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