Polinucleotídeos e PDRN: técnica de aplicação
Polinucleotídeo e PDRN se aplicam na derme, em microdepósitos com agulha fina e técnica de punção seriada, numa série de sessões espaçadas — e a primeira decisão técnica é saber qual dos dois está na seringa, porque o tamanho da molécula muda a forma do produto e a via. No consultório os nomes viraram sinônimos; na bancada eles não são. Esta página explica a diferença, o passo a passo da injeção, o calendário que os estudos usam e o que fazer com a dor e o relevo que esse produto costuma deixar.
O panorama de qualidade de pele, com o lugar de cada ferramenta regenerativa, está na página do melhor curso de skinbooster e medicina regenerativa facial. Aqui o assunto é só a técnica de PN e PDRN.
PN e PDRN: o tamanho da cadeia decide a forma do produto
Os dois são fragmentos de DNA purificado, e a confusão de nomes é antiga. A revisão de Marques e colaboradores (2025, Biomolecules) propõe um corte objetivo: PDRN para as cadeias pequenas e médias, abaixo de 1.500 kDa, e PN para as cadeias longas, de 1.500 kDa para cima. Os autores lembram que esses biopolímeros costumam ficar entre 50 e 1.500 kDa, mas que já se descreveram fragmentos de 1 kDa a 10.000 kDa, e que eles chegam ao mercado como gel, creme, sérum, máscara e injetável. Parte dos autores trabalhava em empresas do setor.

Para a mão do injetor, isso se traduz assim: o PDRN em solução líquida espalha com facilidade; o PN em hidrogel é mais viscoso e pede ritmo mais lento no êmbolo. Saber qual dos dois está no frasco evita aplicar um como se fosse o outro.
O que acontece depois da injeção
O mecanismo descrito passa pelo receptor de adenosina A2A. No estudo de Ziade e colaboradores (2026, J Cosmet Dermatol), os polinucleotídeos são descritos como fragmentos de DNA de esperma de salmão, altamente purificados, com ação de reparo tecidual e anti-inflamatória mediada pela ativação desse receptor. O esquema de mecanismo da revisão de Marques e colaboradores detalha o caminho: nucleases do próprio organismo degradam PN e PDRN em nucleotídeos, que se ligam aos receptores A2A dos fibroblastos e disparam uma cascata que reduz a inflamação e estimula migração e crescimento celular, angiogênese e maturação da matriz extracelular. É um efeito de reparo e de remodelação da derme, não de volume, e por isso o resultado se constrói ao longo das sessões.

Indicação e quem não tratar
Uma pesquisa com 235 médicos coreanos que trabalham com skinbooster (Rho e colaboradores, 2024, J Cosmet Dermatol) mostra onde o produto é mais usado: 88% dos participantes aplicavam polinucleotídeo, e as seis indicações mais citadas foram linhas finas na bochecha, linhas finas infraorbitárias, linhas finas periorbitais, textura irregular, pele seca e linhas finas na fronte.
- Bons candidatos: pele fina e seca, linhas finas da pálpebra inferior e do canto do olho, textura irregular.
- Não tratar: infecção ou inflamação ativa na área, lesão aberta e hipersensibilidade a componente do produto. A origem é DNA de peixe: pergunte e registre alergias, e siga a bula do produto escolhido.
- Não prometer volume: olheira com depressão estrutural pede outra ferramenta; o PN melhora a pele que cobre o sulco, não o sulco.
Para as situações que adiam qualquer injetável, veja quando não aplicar injetável.
Técnica passo a passo
- Foto e mapa. Registro padronizado e desenho da área. No periorbital, marque a borda da órbita e trabalhe com margem segura em relação à margem palpebral.
- Anestesia e conforto. A injeção de PN pode doer bastante (veja os números abaixo). Anestésico tópico com tempo de ação respeitado e conversa prévia com a paciente fazem diferença.
- Instrumento. Na pesquisa coreana, a maioria dos médicos usava agulha 33G e a técnica de punção seriada, mirando a derme.
- Plano e depósito. Agulha rasa, bisel para cima, microdepósitos pequenos e regulares. O relevo que aparece é o produto na derme.
- Ritmo. Injete devagar: o hidrogel de PN resiste, e pressa no êmbolo vira depósito grande e relevo que demora a assentar.
- Fechamento. Compressão leve onde sangrar, revisão de simetria, orientação por escrito e registro de produto, lote, volume e área.
Como os estudos aplicaram
- Periorbital, 2 mL por sessão. Ziade e colaboradores (2026) trataram 42 pacientes com injeções intradérmicas de um polinucleotídeo a 7,5 mg/mL, 2 mL por sessão. Houve melhora significativa nas escalas de pálpebra inferior e de pés de galinha em todos os retornos, e a maior melhora e a maior satisfação apareceram aos 3 meses, depois de duas sessões. Os eventos adversos foram mínimos.
- Periorbital, contra ácido hialurônico. No ensaio randomizado, duplo-cego e de hemiface de Lee e colaboradores (2022, J Dermatolog Treat), 27 pacientes receberam três aplicações com duas semanas de intervalo: polinucleotídeo de um lado, ácido hialurônico não reticulado do outro. A melhora estética global foi parecida; elasticidade e hidratação melhoraram mais do lado do PN, assim como rugosidade e volume de poros. Não houve evento adverso grave.
- Como preparo para o ácido hialurônico. Araco e colaboradores (2023, J Cosmet Dermatol) aplicaram 4 mL de polinucleotídeo intradérmico num sulco nasogeniano e 4 mL de soro no outro, em 20 mulheres de 40 a 65 anos. Depois de 3 e de 6 semanas, os dois lados receberam ácido hialurônico reticulado no plano subdérmico. Rugas e textura melhoraram no lado com PN já na fase de monoterapia, e o ácido hialurônico medido no lado tratado com PN ficou significativamente maior aos 3 e aos 6 meses.
Quantas sessões e com que intervalo
A resposta de consultório mais repetida vem da mesma pesquisa coreana: três sessões, espaçadas de 4 semanas, foi o esquema mais recomendado. Os ensaios variaram em torno disso, com três sessões a cada duas semanas no periorbital (Lee, 2022) e melhor resultado após duas sessões no estudo de Ziade (2026). Para uma família específica, os polinucleotídeos de alta purificação (PN-HPT), o consenso italiano de Cavallini e colaboradores (2021, J Cosmet Dermatol) chegou a recomendações com mais de 80% de concordância para face, região periocular, colo e pescoço, mãos, couro cabeludo e estrias, com técnica, volume, número de sessões e intervalo por área; só o ciclo inicial da face ficou em 60% e virou declaração de consenso.
Modelo · Antes de fechar o calendário de PN
- Qual molécula — PN em hidrogel ou PDRN líquido; a forma muda agulha, ritmo e relevo.
- Qual bula — volume por sessão e intervalo são do fabricante do produto escolhido.
- Qual área — periorbital, bochecha, pescoço e mãos têm pele, mapa e tolerância diferentes.
- Qual combinação — na pesquisa coreana, 79% dos usuários de PN o associavam a laser e luz, com radiofrequência e ultrassom microfocado à frente; registre a sequência no prontuário.
Dor e relevo: o que avisar à paciente
O relevo depois do PN é o efeito colateral que mais assusta quem não foi avisado. No ensaio randomizado de hemiface de Jeon e colaboradores (2026, Aesthetic Plast Surg), 15 pacientes receberam 1 mL de um polinucleotídeo convencional de um lado e 1 mL de uma versão com pH e força iônica ajustados do outro. A dor média foi de 5,04 com o produto convencional e de 3,39 com o ajustado, numa escala de 10; o relevo apareceu em 56,7% contra 13,3%, e o eritema em 60% contra 40%. A melhora das rugas do canto do olho foi semelhante nos dois lados.
Duas lições para a prática: a formulação muda a dor e o relevo, e vale conhecê-la antes de escolher o produto; e o relevo é esperado, então a paciente precisa saber disso antes de sair, inclusive para não marcar compromisso social no mesmo dia.

Segurança: o que os ensaios randomizados mostram
A revisão sistemática de ensaios randomizados de Alhussain e colaboradores (2026, Cureus) reuniu 7 estudos com 183 participantes: quatro de rejuvenescimento, um de prevenção de cicatriz pós-operatória e dois de cicatrização de feridas. PN e PDRN melhoraram desfechos de rugas, qualidade de cicatriz, cicatrização e satisfação; o benefício mais consistente foi na cicatrização, em que o PDRN acelerou a reepitelização. Nenhum evento adverso grave relacionado ao tratamento foi relatado.
Isso não dispensa o cuidado de qualquer injeção intradérmica: antissepsia, produto no plano certo e atenção ao padrão de dor durante a aplicação. Quando o PN é usado como preparo para ácido hialurônico, como no estudo de Araco, o risco vascular volta a ser o do ácido hialurônico, e o protocolo de oclusão precisa estar pronto.
Erros comuns
- Tratar PN e PDRN como o mesmo produto e usar a mesma agulha, o mesmo ritmo e o mesmo volume.
- Não avisar sobre o relevo, que é o motivo mais comum de mensagem preocupada no dia seguinte.
- Aplicar fundo para “sumir com a pápula”: o produto sai da derme e o efeito cai.
- Prometer volume em olheira estrutural, que é indicação de outra ferramenta.
- Interromper a série antes do fim e julgar o produto pela primeira sessão.
Uma declaração de transparência: o Dr. Thiago Perfeito não tem relação comercial com qualquer fabricante, e nenhuma marca citada acima é recomendação de compra.
Onde a formação cobre PN e PDRN
A Pós Prática do Dr. Thiago Perfeito, médico de Medicina Estética e Regenerativa com CRM-DF 23199, põe a parte regenerativa no Módulo A2. O módulo trata do PRP com dupla centrifugação, do PDRN pela via do receptor A2A e do microagulhamento com entrega de ativo, e começa pelo pré-work gravado, obrigatório antes do sábado. No sábado, na INTI, no Lago Sul, o hands-on de regenerativa é PRP ou microagulhamento com o ativo aplicado na sequência, em paciente modelo e com supervisão, para até oito médicos. A técnica intradérmica de qualidade de pele, com skinbooster e bioremodelador, é treinada no Módulo B2. Os dois são independentes e podem ser feitos em qualquer ordem; a lista completa está em /cursos/.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre PN e PDRN?
O tamanho da cadeia de DNA. Na proposta de Marques e colaboradores (2025), PDRN são as cadeias pequenas e médias, abaixo de 1.500 kDa, e PN as cadeias longas, de 1.500 kDa para cima. No esquema da mesma revisão, o PN aparece como hidrogel e o PDRN de peso médio como solução líquida, o que muda a resistência sob o êmbolo.
Com que agulha e em que plano se aplica polinucleotídeo?
Agulha fina, na derme. Na pesquisa com 235 médicos coreanos de Rho e colaboradores (2024), a maioria usava agulha 33G e a técnica de punção seriada mirando a derme.
Quantas sessões de polinucleotídeo são feitas?
Em geral, uma série. O esquema mais recomendado na pesquisa coreana foi de três sessões espaçadas de 4 semanas. No periorbital, Lee e colaboradores (2022) usaram três sessões com duas semanas de intervalo, e Ziade e colaboradores (2026) viram a maior melhora aos 3 meses, após duas sessões. O volume e o intervalo do produto escolhido vêm da bula dele.
Polinucleotídeo deixa relevo na pele?
Deixa, e a paciente precisa saber antes. No ensaio de Jeon e colaboradores (2026), o relevo apareceu em 56,7% dos casos com o polinucleotídeo convencional e em 13,3% com uma versão de pH e força iônica ajustados.
Polinucleotídeo substitui o ácido hialurônico na olheira?
Não, eles tratam coisas diferentes. O PN melhora a qualidade da pele fina da pálpebra inferior; o ácido hialurônico corrige depressão estrutural. No ensaio de Lee e colaboradores (2022), o PN teve melhora maior de elasticidade, hidratação, rugosidade e poros que o ácido hialurônico não reticulado, com melhora global parecida.
PN pode ser usado antes do preenchimento?
Há estudo com esse desenho. Araco e colaboradores (2023) aplicaram polinucleotídeo intradérmico no sulco nasogeniano e, depois de 3 e 6 semanas, ácido hialurônico subdérmico; o lado preparado com PN teve mais ácido hialurônico medido aos 3 e aos 6 meses.
PN e PDRN são seguros?
Nos ensaios randomizados reunidos por Alhussain e colaboradores (2026), 7 estudos com 183 participantes, nenhum evento adverso grave relacionado ao tratamento foi relatado. Os efeitos esperados são dor na aplicação, eritema e relevo passageiro.
Referências
- Marques C, Porcello A, Cerrano M, et al. From Polydeoxyribonucleotides (PDRNs) to Polynucleotides (PNs): Bridging the Gap Between Scientific Definitions, Molecular Insights, and Clinical Applications of Multifunctional Biomolecules. Biomolecules. 2025;15(1):148. · PMID 39858543 · DOI 10.3390/biom15010148
- Rho NK, Han KH, Cho M, Kim HS. A survey on the cosmetic use of injectable polynucleotide: The pattern of practice among Korean Dermatologists. J Cosmet Dermatol. 2024;23(4):1243-1252. · PMID 38093498 · DOI 10.1111/jocd.16125
- Ziade G, Keyrouz E, El Maalouf J, et al. Prospective Observational Study of Polynucleotide Injections for Periorbital Rhytides. J Cosmet Dermatol. 2026;25(2):e70736. · PMID 41689167 · DOI 10.1111/jocd.70736
- Lee YJ, Kim HT, Lee YJ, et al. Comparison of the effects of polynucleotide and hyaluronic acid fillers on periocular rejuvenation: a randomized, double-blind, split-face trial. J Dermatolog Treat. 2022;33(1):254-260. · PMID 32248707 · DOI 10.1080/09546634.2020.1748857
- Araco A, Araco F, Raichi M. Clinical efficacy and safety of polynucleotides highly purified technology (PN-HPT®) and cross-linked hyaluronic acid for moderate to severe nasolabial folds: A prospective, randomized, exploratory study. J Cosmet Dermatol. 2023;22(1):146-155. · PMID 35531796 · DOI 10.1111/jocd.15064
- Cavallini M, Bartoletti E, Maioli L, et al. Consensus report on the use of PN-HPT™ (polynucleotides highly purified technology) in aesthetic medicine. J Cosmet Dermatol. 2021;20(3):922-928. · PMID 32799391 · DOI 10.1111/jocd.13679
- Jeon W, Park M, Kim SW, Kim J. Efficacy of Ionization-Adjusted PN Filler in Minimizing Injection Pain: A Randomized, Patient-Blinded, Split-Face Study. Aesthetic Plast Surg. 2026;50(7):2723-2730. · PMID 41361144 · DOI 10.1007/s00266-025-05320-x
- Alhussain AM, Turki M Albusayys S, Alfhadi MA, et al. Polynucleotides and Polydeoxyribonucleotides for Skin Rejuvenation, Postoperative Scar Prevention, and Wound Healing: A Systematic Review of Randomized Clinical Trials. Cureus. 2026;18(7):e112403. · PMID 42572627 · DOI 10.7759/cureus.112403
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