Tenting labial: o que é e como fazer
Preenchimento com ácido hialurônico

Tenting labial: o que é e como fazer

Tenting é o vetor vertical na sua versão mínima: hastes curtas de gel que partem da linha branca e evertem o vermelhão sem empurrar o lábio para a frente. Esta página explica de onde vem a técnica, como ela se diferencia do contorno linear e da técnica russa, para que lábio serve, o passo a passo e o que o ultrassom mostra sobre a profundidade que o vetor vertical costuma atingir.

O que é o tenting labial

Tenting é o preenchimento labial feito com injeções quase verticais que partem da linha branca do lábio, em vez de fios paralelos ao contorno. Cada passagem funciona como uma haste curta sob a borda: a soma das hastes levanta e everte o vermelhão como a lona de uma tenda, com pouco gel e controle fino de forma.

O nome vem de Braun, Braun e van Eijk (2010, J Drugs Dermatol), que partiram de um problema comum, o resultado em “bico de pato”, e propuseram injetar quase na vertical a partir da linha branca em vez de paralelamente ao contorno. Os autores apresentaram o tenting como um jeito de ter controle sobre forma e volume ao mesmo tempo, com utilidade particular em lábios assimétricos, em lábios com depressões localizadas e na correção de aumentos anteriores insatisfatórios. Desde então, o gesto vertical a partir da borda foi incorporado a vários protocolos de lábio, às vezes com outro nome — e é por isso que muita gente faz tenting sem chamar assim.

Esta página trata do tenting como técnica de eversão e definição. O mapa das partes do lábio está em lábio por subunidades; a técnica russa, que também usa vetores verticais mas com outro objetivo, está em técnica russa, passo a passo.

Tenting, contorno linear e técnica russa: o que muda

As três técnicas usam a mesma região e o mesmo gel; o que muda é o vetor e, com ele, o efeito.

Na prática, o tenting é a versão mínima do vetor vertical: menos punções, menos gel, foco na borda. Isso o torna útil como acabamento depois de um volume discreto no corpo do lábio, ou como tratamento único em quem quer apenas “abrir” o lábio superior.

Vetores verticais de injeção no lábio superior com gotícula na margem para eversão do vermelhão — figura de estudo — Dr. Thiago Perfeito
Vetores verticais no lábio superior, desenhados sobre a área dos tubérculos: a agulha entra pela margem e o gel forma colunas curtas sob o vermelhão, com uma pequena gota deixada na margem quando se quer elevar a linha branca. O corte mostra o orbicular da boca e o plano superficial em que os vetores correm; o detalhe no alto mostra as zonas geométricas da técnica. Figure 5 de Menezes MVA et al., J Cosmet Dermatol 2025 (PMID 40931930), reproduzida sob licença CC BY.

Para quem o tenting serve

O tenting entrega mais no lábio com volume razoável e vermelhão “enrolado” para dentro, em que falta exposição e definição, não massa. É o lábio que de frente mostra pouca mucosa vermelha, mas de perfil já tem corpo; aumentar o volume ali empurra o lábio para a frente sem resolver o que a paciente percebe.

Antes de marcar, vale fotografar de frente, perfil e oblíquo, em repouso e em sorriso. O tenting muda principalmente a vista frontal; quem espera ganho de perfil vai se frustrar com ele.

O que os protocolos publicados fazem com o vetor vertical

Três descrições recentes usam o vetor vertical curto como etapa de eversão — e ajudam a entender onde ele cabe no plano do lábio.

Menezes e colaboradores (2025, J Cosmet Dermatol) analisaram retrospectivamente 253 mulheres tratadas em cinco centros brasileiros com uma técnica de múltiplos vetores organizada em formas geométricas. A média de gel foi de 1,06 mL por paciente, a satisfação média foi de 3,92 numa escala de 1 a 4, e os eventos adversos registrados foram edema (15,8%) e hematoma (11,1%), sem complicação maior nem oclusão vascular. No texto completo, a etapa de eversão do lábio superior é feita com vetores verticais sobre os tubérculos, limitados à porção central — os autores não recomendam vetor vertical na porção lateral, onde o efeito perde precisão. Os autores observam que, com o vetor vertical, o lábio não precisa ser projetado para everter — o volume fica pequeno e a eversão vem da diferença de resistência entre pele e mucosa. O produto do estudo é da AbbVie, e dois autores são palestrantes da empresa.

Goldie e colaboradores (2025, Aesthet Surg J Open Forum), num painel de cinco injetores, organizaram o aumento labial em oito técnicas básicas; uma delas é a de fios verticais para altura e eversão do lábio superior, separada da técnica de borda, que trabalha com fio sob o vermelhão para definir sem acrescentar volume. É uma proposta de painel, ilustrada com três casos, financiada pela Merz, e todos os autores integram ou integraram conselhos consultivos da empresa.

Oito técnicas de injeção no lábio com pontos de entrada e direção dos fios — figura de estudo — Dr. Thiago Perfeito
Oito técnicas de injeção no lábio, em desenho: (A) comissuras; (B) arquitetura da borda, com fio sob o vermelhão; (C) exposição lateral; (D) altura do lábio superior, com fios verticais curtos no centro, que aumentam altura e eversão — o mesmo vetor vertical do tenting; (E) curvatura do lábio superior; (F) altura e eversão do lábio inferior, em leque; (G) estrutura lateral; (H) arco do cupido. Os “x” marcam as entradas e as setas, a direção dos fios. Figure 1 de Goldie K et al., Aesthet Surg J Open Forum 2025 (PMID 41608464), reproduzida sob licença CC BY.

Kichler e colaboradores (2026, Plast Reconstr Surg Glob Open) descreveram uma técnica que combina marcação dos tubérculos, alongamento vertical e eversão da borda em dez mulheres, com satisfação relatada verbalmente por todas e efeitos leves e transitórios, como edema. No texto completo, a etapa de eversão é chamada pelo nome — tenting — e feita com agulha fina inserida ao longo do contorno, orientada em direção à junção entre mucosa seca e úmida, com gel de baixa elasticidade em alíquotas mínimas e superficiais ao músculo, repetidas da comissura para o centro e poupando a área das colunas do filtro. Uma das autoras é consultora científica da Ilikia, que forneceu o produto e pagou a taxa de publicação.

Como fazer: passo a passo

  1. Diagnóstico e marcação. Com a paciente sentada, marque o segmento em que falta eversão e os pontos de entrada ao longo da linha branca. A distribuição segue o lábio dela: no superior, o centro e os tubérculos costumam concentrar as entradas; a porção lateral pede pouco ou nada.
  2. Gel. Prefira gel de baixa a média elasticidade e boa integração, que não forme cordão sob a mucosa. No lábio, os géis da rotina do Dr. Thiago são o Restylane Lido e o Restylane Volyme (Galderma) — informação de rotina, não indicação de marca; ele não tem relação comercial com fabricantes.
  3. Entrada na linha branca. Agulha fina, entrando exatamente na borda e avançando quase na vertical, rasa, em direção à junção seca-úmida — no lábio superior, de cima para baixo.
  4. Aspirar. Com preenchedor, o Dr. Thiago aspira sempre antes de injetar, e por mais tempo nas agulhas de 29–30G. A aspiração não garante ponta fora do vaso; a discussão está em aspiração antes de injetar.
  5. Depositar na retirada. Alíquota mínima, pressão baixa, a maior parte logo abaixo da borda. O objetivo é uma haste curta, não uma coluna que atravesse o vermelhão.
  6. Repetir em intervalos curtos. Entradas próximas e regulares dão eversão uniforme; entradas espaçadas demais deixam a borda ondulada.
  7. Conferir a cada lado. Frente, perfil e sorriso. Pare quando a eversão estiver um pouco aquém do desejado: o edema do dia exagera o resultado.

A direção importa. Na comparação retrospectiva de Buhsem (2024, Cureus), com 216 mulheres e quatro desenhos de injeção no lábio superior, a maior satisfação ficou com a agulha orientada de cima para baixo (4,78 de 5) e a menor com a orientada de baixo para cima (3,70 de 5); no texto completo, o grupo de cima para baixo foi o que não teve migração do gel para a pele do lábio superior. O tenting, no lábio superior, é por definição um gesto de cima para baixo.

Quanto ao volume, as bulas trazem referências do lábio inteiro, não do tenting. A IFU americana do Restylane Kysse limita o tratamento a 1,5 mL por lábio, retoque incluído; no estudo da bula do Juvéderm Volbella XC, as medianas foram de 1,0 mL no lábio superior e 0,8 mL no inferior. O tenting usa uma fração disso, e é justamente essa economia que o separa das técnicas de volume.

O ponto de atenção: profundidade e vasos

O vetor vertical cruza camadas, e o lábio tem pouco espaço acima do músculo — por isso a profundidade é o que mais se perde no tenting.

Harris e colaboradores (2026, Plast Reconstr Surg), com ultrassom de alta frequência em 126 pessoas, mediram camada subcutânea média abaixo de 1 mm nos dois lábios e encontraram gel intramuscular na maior parte dos lábios tratados. As técnicas de injeção vertical se associaram a depósito mais profundo, hipervascularização e sinais de migração. É um estudo transversal, com histórico de técnica em parte relatado pelos pacientes, e dois autores são sócios de uma empresa de cursos de ultrassom facial; ainda assim, ele mede exatamente o risco do vetor vertical, e o tenting é um vetor vertical. A consequência prática é conservadora: agulha rasa, haste curta, alíquota mínima e nenhum avanço da ponta além do necessário.

No eixo vascular, a artéria labial corre profunda junto à comissura e sobe para camadas mais superficiais perto da linha média: no mapeamento por ultrassom de Kim (2024, Aesthet Surg J) em 50 pacientes, apareceram ramos superficiais na submucosa perto do centro do lábio. O centro é onde o tenting concentra entradas. O princípio vale para todo preenchimento — hialuronidase na sala antes de abrir a seringa, injeção lenta, ponta em movimento — e palidez, livedo ou dor fora do esperado levam ao protocolo de oclusão vascular por ácido hialurônico. O mapa das áreas de risco está em zonas de risco vascular da face.

Antes e depois de preenchimento labial em Brasília — Dr. Thiago Perfeito
Cada caso é individual e os resultados variam de pessoa para pessoa.

Erros típicos do tenting

O resultado do preenchimento labial se mantém, em média, de 6 a 12 meses, com variação individual que depende do metabolismo, da reticulação do gel, da mobilidade da boca e do volume aplicado. Como o tenting usa pouco gel, a perda de eversão costuma ser percebida antes da perda de volume — e a manutenção pede reavaliação, não repetição automática.

Como o tenting é treinado

Haste curta, profundidade constante e alíquota igual em cada entrada são habilidades de mão que se fixam fazendo, com alguém corrigindo o ângulo na hora. Na Pós Prática do Dr. Thiago Perfeito, o lábio — proporção entre superior e inferior, técnicas por plano, materiais — faz parte do Módulo A1 · Face Avançada, que também trata da anatomia vascular de risco. O pré-work gravado leva a teoria antes do encontro; no sábado, a demonstração comentada compõe a parte teórica e o aluno executa, sob supervisão, em paciente modelo na parte prática, com no máximo 8 médicos por turma. Detalhes em /cursos/.

Perguntas frequentes

O que é tenting labial?

É uma técnica de preenchimento em que o gel entra por injeções quase verticais a partir da linha branca do lábio, em vez de fios paralelos ao contorno. As pequenas hastes de gel sob a borda evertem o vermelhão, como a lona de uma tenda, com pouco produto.

Qual a diferença entre tenting e técnica russa?

As duas usam vetor vertical. O tenting faz hastes curtas a partir da borda para everter e definir, com pouco gel; a técnica russa faz colunas que percorrem o vermelhão, concentradas no centro, para ganhar altura e mudar o formato.

Tenting deixa o lábio maior?

Pouco. O ganho é de exposição do vermelhão e de definição da borda na vista de frente; de perfil o lábio avança menos que com técnicas de volume. Quem quer volume precisa de tratamento do corpo do lábio antes.

Em que direção se injeta no tenting?

A agulha entra na linha branca e avança quase na vertical em direção à junção entre mucosa seca e úmida — no lábio superior, de cima para baixo. No estudo de Buhsem (2024), essa orientação teve a maior satisfação entre quatro desenhos de injeção.

Quanto gel se usa no tenting?

Uma fração do que se usa num lábio inteiro. Como referência, a IFU americana do Restylane Kysse limita o tratamento a 1,5 mL por lábio, e o estudo da bula do Juvéderm Volbella XC teve medianas de 1,0 mL no lábio superior e 0,8 mL no inferior — tetos e medianas de aumento labial completo, não do tenting.

Quais os riscos do tenting labial?

Haste profunda demais (gel no músculo e migração), relevo em contas na borda, gel acima da linha branca, eversão excessiva, Tyndall e, como em todo preenchimento labial, oclusão vascular, mais provável no centro do lábio, onde as artérias ficam mais rasas.

Quanto tempo dura o tenting?

O preenchimento labial dura, em média, de 6 a 12 meses, e varia de pessoa para pessoa com o metabolismo, a reticulação do gel, a mobilidade da boca e o volume aplicado. Com pouco gel, a perda da eversão costuma ser notada antes.

Referências

  1. Braun M, Braun S, van Eijk T. Lip tenting: a simple technique for better lip enhancement. J Drugs Dermatol. 2010;9(5):559-560 — descrição original: injeção quase vertical a partir da linha branca, em vez de paralela ao contorno; controle de forma e volume, útil em assimetria e correção de aumentos prévios. · PMID 20480801
  2. Menezes MVA, Dezanetti CBG, Penna FWP, Cury RSL, de Aquino SBG. Aesthetic Treatment of the Lips With Hyaluronic Acid Filler: The Multi Vector Lip Technique. J Cosmet Dermatol. 2025;24(9):e70445 — 253 pacientes, média de 1,06 mL; satisfação 3,92 (1–4); edema 15,8% e hematoma 11,1%; sem oclusão vascular. Vínculos declarados: dois autores palestrantes da AbbVie. Figure 5 reproduzida sob licença CC BY. · PMID 40931930 · DOI 10.1111/jocd.70445
  3. Goldie K, Ferland-Caron G, Vachiramon V, Viscomi B, Sattler S. Universal Lip Integrity, Proportion, and Structure: A Framework for Achieving Consistent, Natural-Looking Lip Augmentation Using Hyaluronic Acid Fillers. Aesthet Surg J Open Forum. 2025;7:ojaf131 — painel de 5 injetores; 8 técnicas básicas, incluindo altura e eversão do lábio superior; 3 casos. Financiado pela Merz; todos os autores em conselhos consultivos da Merz. Figure 1 reproduzida sob licença CC BY. · PMID 41608464 · DOI 10.1093/asjof/ojaf131
  4. Kichler M, Barros M, de Freitas C, Viana R, Nogueira M, Bussade M. 4D Lips Technique Based on Anatomy for Naturalization. Plast Reconstr Surg Glob Open. 2026;14(1):e7270 — 10 pacientes; marcação de tubérculos, alongamento vertical e eversão da borda; sem complicação maior. Vínculos declarados: uma autora consultora científica da Ilikia; a Ilikia forneceu o produto e pagou a taxa de publicação. Errata (2026;14(3):e7652) corrige apenas o layout das Figuras 3 e 4. · PMID 41550081 · DOI 10.1097/GOX.0000000000007270
  5. Harris S, Schelke L, Orlovska M, Wortsman X, Cotofana S, Velthuis P. Ultrasound Evaluation of Lip Anatomy and Filler Placement: A Cross-Sectional Study of Injection Accuracy, Migration, and Demographic Variation. Plast Reconstr Surg. 2026;158(1):65e-75e — 126 participantes; subcutâneo < 1 mm; gel intramuscular na maioria dos tratados; técnicas verticais associadas a depósito mais profundo, hipervascularização e migração. Vínculos: Schelke e Velthuis sócios de empresa de cursos de ultrassom; Wortsman consultora Galderma; Cotofana CEO de empresa de ensino de anatomia. · PMID 41494527 · DOI 10.1097/PRS.0000000000012772
  6. Buhsem O. Comparing the Effects of Different Injection Techniques Used in Lip Augmentation on Filler Migration and Patient Satisfaction. Cureus. 2024;16(7):e64716 — 216 mulheres, 4 grupos de 54; satisfação 4,78/5 com agulha de cima para baixo e 3,70/5 de baixo para cima. · PMID 39021739 · DOI 10.7759/cureus.64716
  7. Kim JS. 9-point Injection Technique for Lip Augmentation and Lip Corner Lifting Using Sonographic Imaging of the Labial Artery Pathway. Aesthet Surg J. 2024;44(10):1080-1090 — 50 pacientes; artérias labiais profundas na lateral e superficiais em direção à linha média, com ramos na submucosa perto do centro. · PMID 38649792 · DOI 10.1093/asj/sjae086
Dr. Thiago Perfeito, CRM-DF 23199
Dr. Thiago Perfeito · CRM-DF 23199
Medicina estética e regenerativa, Brasília–DF. Anatomia aplicada, complicações em injetáveis e medicina regenerativa.

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