Botox para hiperidrose plantar e craniofacial
Toxina botulínica

Botox para hiperidrose plantar e craniofacial

Fora da axila, a hiperidrose cobra do injetor coisas diferentes em cada território. No pé, a pele espessa transforma cada punção em teste de tolerância. Na testa, a derme fina deixa o músculo frontal a milímetros do alvo, e o suor que some pode levar junto parte da expressão. A técnica é a mesma intradérmica; o cuidado é outro.

Na planta do pé e na região craniofacial (testa e couro cabeludo), a toxina botulínica trata a hiperidrose da mesma forma que na axila: injeção intradérmica em grade de pontos sobre a área que o teste de Minor marca. Nenhuma das duas está em bula, e cada dose citada aqui pertence a um estudo e ao produto dele. Na planta, o problema é a dor numa pele espessa; na testa, é o músculo frontal logo abaixo da derme, cuja fraqueza aparece no rosto. O mecanismo, o teste de Minor e a dose de bula da axila estão em Botox na axila (hiperidrose); aqui entra só o que muda.

Por que as duas regiões são fora de bula

A bula americana do Botox aprova a hiperidrose axilar primária grave e declara que segurança e eficácia em outras áreas do corpo não foram estabelecidas. Ela cita, nominalmente, a blefaroptose como efeito que pode ocorrer no tratamento da hiperidrose facial. A bula americana do Dysport afirma que a segurança do produto para hiperidrose não foi estabelecida, e a do Xeomin não lista a hiperidrose entre as indicações. Fora da axila, portanto, o número de unidades é sempre o do estudo e do produto do estudo.

Nas três bulas, as unidades são declaradas não intercambiáveis entre marcas. A formação do Dr. Thiago ensina a ponte prática: para o Dysport, multiplicar a dose de Botox por 2,5; para o Xeomin, manter a mesma dose; começar no equivalente ou um pouco abaixo e acertar pela resposta. Quando a dose de partida já é de estudo, como na planta e na testa, essa conversão é o primeiro palpite, e o retorno é quem confirma.

Glândula sudorípara écrina em corte da pele com novelo secretor e ducto — Dr. Thiago Perfeito
A glândula écrina é o mesmo alvo na planta e na testa: o novelo secretor na derme profunda, com o ducto subindo até o poro e a fibra nervosa que a ativa. O que muda entre as regiões é o que fica embaixo da derme — a planta espessa no pé, o músculo frontal na testa.

Hiperidrose plantar

Quem tratar

Como na palma, a toxina plantar entra depois das medidas tópicas. Na escada terapêutica proposta por Schreiner e colaboradores (2026, Dtsch Arztebl Int), a toxina vem depois do cloreto de alumínio e dos anticolinérgicos. Antes de tratar o pé, vale examinar a pele: infecção no local da injeção — micose incluída — é contraindicação nas três bulas.

O que os estudos fizeram

A curva de Tsiogka é útil para a conversa com o paciente: o efeito na planta vai caindo mês a mês, e, com duração média de 6,16 meses, reaplicações ao longo do ano fazem parte do plano.

Dor e anestesia na planta

A pele plantar é mais espessa que a palmar, e a injeção intradérmica dói. Nasser e colaboradores (2021, Dermatol Surg) revisaram as opções de analgesia para mãos e pés juntos e chegaram a uma divisão útil: os recursos sem agulha (creme anestésico, frio, vibração) são os mais simples e seguros; os bloqueios — de nervo periférico ou de Bier — e os injetores sem agulha dão anestesia mais completa, à custa de treino e aparelhagem.

Hiperidrose craniofacial: testa e couro cabeludo

Diagnóstico antes da técnica

Suor excessivo na cabeça tem diagnósticos diferenciais que a axila não tem. A forma primária existe — Kinkelin e colaboradores a descrevem como predominante em homens —, mas há também a hiperidrose craniofacial da pós-menopausa, descrita em mulheres a partir dessa fase, e a sudorese gustativa (síndrome de Frey), que surge após cirurgia na região da parótida e já foi descrita na testa e no couro cabeludo depois de cirurgia da articulação temporomandibular (Caliò e colaboradores, 2023, Clin Auton Res). Excluir causa secundária, como pede a bula para toda hiperidrose, é o primeiro passo.

A revisão sistemática de Nicholas e colaboradores (2015, Am J Clin Dermatol), com 27 estudos sobre hiperidrose craniofacial primária, recomendou como primeira linha o glicopirrolato tópico, a oxibutinina oral e a toxina botulínica intradérmica. A simpatectomia torácica ficou para os casos refratários; nos estudos de simpatectomia, a sudorese compensatória incomodou de 8% a 95,4% dos operados.

O que os estudos mostram na testa

Kinkelin e colaboradores (2000, Br J Dermatol) trataram 10 homens com hiperidrose frontal usando Botox em múltiplos pontos distribuídos por igual na testa, com dose média de 86 U. O suor caiu de 173,8 para 53,7 mg por minuto em 4 semanas, e o efeito durou pelo menos 5 meses em 9 dos 10 pacientes. Os efeitos colaterais foram dor na injeção e fraqueza transitória do músculo frontal, sem ptose.

Na revisão de Nicholas, os dois estudos com toxina na região craniofacial — um ensaio randomizado e um observacional — mostraram eficácia de 100%, com duração mediana de 5 a 6 meses. A inibição do músculo frontal foi o principal efeito adverso, em 50% a 100% dos pacientes. Duas revisões mais recentes vão na mesma direção. Perez e colaboradores (2025, Toxins), sobre toxina em doenças do couro cabeludo, descrevem eficácia consistente na hiperidrose craniofacial, com efeitos colaterais mínimos. Farah e colaboradores (2026, Clin Dermatol), sobre hiperidrose fora da axila, relatam melhora significativa dos sintomas e perfil de segurança aceitável na testa, na face e no couro cabeludo, com grande variação de doses e técnicas entre os estudos.

Músculo frontal em destaque na testa com corrugador, prócero e orbicular — Dr. Thiago Perfeito
O músculo frontal em destaque, com corrugador, prócero e orbicular em cinza. Na hiperidrose da testa, a toxina vai para a derme acima dele; o que desce até o frontal produz a fraqueza que as séries descrevem — e, perto da sobrancelha, pode baixá-la.

A técnica na testa: ficar na derme

Na estética, a toxina da testa é intramuscular e mira o frontal. Na hiperidrose, o alvo é a glândula, e o frontal é o tecido a poupar. Três cuidados decorrem disso:

  1. Injeção intradérmica rasa, em pápula. Quanto mais superficial, menos toxina chega ao músculo.
  2. Mapa de Minor na testa e na linha do cabelo. A área que sua define a grade; a borda inferior merece distância da sobrancelha, porque a fraqueza do frontal baixo derruba o supercílio — e a bula do Botox registra blefaroptose no tratamento facial.
  3. Conversa prévia sobre a expressão. O paciente que espera só "parar de suar" precisa saber que a testa pode ficar menos móvel por meses, porque é o efeito mais relatado nas séries.

Para quem já injeta a testa por indicação estética, o raciocínio inverso está em Como aplicar botox na testa sem baixar a sobrancelha — a mesma anatomia, com outro alvo.

Couro cabeludo

Patrick e colaboradores (2024, Cureus) relataram uma paciente de 68 anos com hiperidrose craniofacial pós-menopausa que não respondeu aos tópicos e não tolerou o anticolinérgico oral. Ela recebeu 100 U de onabotulinumtoxinA ao longo da testa, da linha do cabelo frontal e do couro cabeludo ao redor da orelha, com melhora importante dos sintomas e da qualidade de vida.

Desenho dos pontos de toxina na testa alta, linha do cabelo e região ao redor da orelha na hiperidrose craniofacial — Dr. Thiago Perfeito
Mapa desenhado dos pontos de um caso de hiperidrose craniofacial: fileiras na parte alta da testa e na linha do cabelo frontal (à esquerda) e, no perfil, ao longo da linha do cabelo temporal e ao redor da orelha até a mastoide. Repare que a grade fica longe das sobrancelhas. Figure 1 de Patrick B et al., Cureus 2024 (PMID 39360116), reproduzida sob licença CC BY.

No couro cabeludo, o cabelo atrapalha a leitura do Minor e a marcação; separar em faixas e marcar ponto a ponto, como na linha do cabelo, mantém a grade regular.

Erros comuns fora da axila

Uma nota de transparência: o Dr. Thiago não tem relação comercial com nenhum fabricante de toxina botulínica.

Como isso se aprende na prática

A formação do Dr. Thiago Perfeito, médico (CRM-DF 23199), trata a hiperidrose — axilar, palmar e plantar — dentro do módulo de Toxina e Preenchimento da Pós Prática, com a anestesia ensinada junto de cada técnica. O conteúdo teórico vem em pré-work gravado, que o aluno conclui antes do sábado; no dia presencial, em Brasília, há demonstração comentada na parte teórica e execução supervisionada em paciente modelo na prática, para turmas de até 8 médicos. A grade dos outros módulos está em /cursos/.

Perguntas frequentes

Botox nos pés e na testa para suor é indicação de bula?

Não. Na bula americana do Botox, a única hiperidrose aprovada é a axilar; o texto diz que o uso em outras partes do corpo não teve segurança e eficácia estabelecidas e menciona blefaroptose quando a face é tratada. Planta, testa e couro cabeludo seguem doses publicadas em estudos.

Quantas unidades se usam na planta do pé?

Depende do estudo e do produto. Campanati e colaboradores (2007) e Sevim e colaboradores (2002) usaram 100 U de toxina tipo A por planta; Vadoud-Seyedi (2004), 50 U por pé com injetor sem agulha. Cada bula afirma que suas unidades não valem para outra marca; na troca, a formação do Dr. Thiago parte de Dysport em 2,5 vezes a dose de Botox e Xeomin na mesma dose, e corrige pelo resultado.

Quanto tempo dura a toxina na planta?

Na série de 129 pacientes de Tsiogka e colaboradores (2024), a duração média da resposta foi de 6,16 meses, com taxa de resposta pelo Minor de 71,67% no 1º mês e 34,13% no 9º.

Como reduzir a dor da injeção na planta?

Gelo no ponto e gelo ou vibração ao lado durante a punção (Smith, 2007) permitem tratar os dois pés na mesma sessão. O bloqueio dos nervos no tornozelo anestesia mais, mas exige treino e deixa o pé anestesiado depois da sessão.

A toxina na testa para suor muda a expressão?

Pode. Na série de Kinkelin e colaboradores (2000), houve fraqueza transitória do frontal, sem ptose, e na revisão de Nicholas e colaboradores (2015) a inibição do frontal foi o principal efeito adverso. Injeção intradérmica rasa e distância da sobrancelha reduzem o efeito.

Qual a dose na hiperidrose da testa?

Não há dose de bula. Kinkelin e colaboradores (2000) usaram, em média, 86 U de Botox distribuídas por igual na testa, com efeito de pelo menos 5 meses em 9 de 10 pacientes.

Suor na cabeça é sempre hiperidrose primária?

Não. Há a hiperidrose craniofacial da pós-menopausa e a sudorese gustativa (síndrome de Frey) após cirurgia da parótida ou da articulação temporomandibular, entre outras causas secundárias. O diagnóstico vem antes da toxina.

Referências

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  8. Smith KC, Comite SL, Storwick GS. Ice minimizes discomfort associated with injection of botulinum toxin type A for the treatment of palmar and plantar hyperhidrosis. Dermatol Surg. 2007;33(1 Spec No.):S88-S91. · PMID 17241420 · DOI 10.1111/j.1524-4725.2006.32337.x
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Dr. Thiago Perfeito, CRM-DF 23199
Dr. Thiago Perfeito · CRM-DF 23199
Medicina estética e regenerativa, Brasília–DF. Anatomia aplicada, complicações em injetáveis e medicina regenerativa.

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