Fotona SmoothLiftin: técnica intraoral
O SmoothLiftin é o Er:YAG de 2.940 nm no modo SMOOTH, não ablativo, disparado sobre a mucosa de dentro da boca para aquecer o tecido que fica por trás do sulco nasolabial e da região perioral, sem tocar a pele. A técnica se resume a quatro decisões: quem é candidato, como expor a mucosa, como conduzir a ponteira sem contato e quando parar. Os estudos da via intraoral usaram séries de sessões espaçadas e medem o resultado meses depois; os estudos do mesmo modo SMOOTH aplicado em outra mucosa da boca, no tratamento do ronco, mostram que o procedimento costuma ser tolerado sem anestesia. No Fotona 4D, é a primeira das quatro etapas; na clínica INTI, a plataforma é o SP Dynamis.
O nome aparece escrito de dois jeitos: SmoothLifting, como no estudo de Burmann citado na página do Fotona 4D, e SmoothLiftin, como circula no Brasil. É a mesma etapa. Esta página não repete o protocolo de quatro etapas: fica só na parte que acontece dentro da boca.
O que o modo SMOOTH faz na mucosa
O Er:YAG é absorvido pela água com avidez. Com pulso curto e energia suficiente, vaporiza uma lâmina fina de tecido; no modo SMOOTH, a energia chega em pulsos que aquecem sem remover o epitélio. Na mucosa do lábio e da bochecha, que não tem a camada córnea da pele, esse calor alcança o tecido logo abaixo do epitélio. Dois estudos ajudam a imaginar o que acontece ali, ambos fora da face:
- Contração imediata da mucosa. Unver e colaboradores (2016, Photomed Laser Surg) aplicaram Er:YAG com a ponteira de ronco (PS04), sem contato, no palato mole de 10 ratos, por 2 minutos, com 1,15 W, 2 Hz e 1,5 J/cm²; o aparelho foi o LightWalker AT, da Fotona. A mucosa contraiu logo depois do disparo, houve alterações inflamatórias às 3 semanas, e a contração foi diminuindo, mas ainda estava presente no fim da quinta semana.
- Epitélio mais espesso meses depois. Gaspar e colaboradores (2020, Climacteric) trataram 10 mulheres com atrofia vaginal grave com duas sessões de Er:YAG não ablativo separadas por 4 semanas e biopsiaram antes e 3 meses depois da segunda: a espessura do epitélio passou de 45 µm (10–106) para 153 µm (97–244), sem evento adverso. Um dos autores é da Fotona.
Nenhum dos dois é estudo de rejuvenescimento facial, e os números não se transferem para a boca de um paciente. O que eles mostram é o tipo de resposta: contração térmica imediata e remodelação que leva semanas — e é por isso que a avaliação do resultado intraoral se faz meses depois da última sessão.

O que a via intraoral mostrou no sulco nasolabial
Os dois estudos de rejuvenescimento por dentro da boca estão descritos com detalhe na página do Fotona 4D. Para a técnica, interessam três lições do desenho deles:
- É tratamento em série. Ebrahim e Gharib (2018, J Cosmet Laser Ther) fizeram 6 sessões a cada 2 semanas em 20 pacientes; Moftah e colaboradores (2020, Skin Res Technol), 5 sessões mensais em 20 mulheres.
- O resultado se mede tarde. No primeiro estudo, a melhora na escala de rugas foi avaliada 6 meses depois da última sessão; no segundo, a diferença de espessura da derme a favor do lado intraoral só apareceu aos 4 meses; às 2 semanas, os dois lados não diferiam.
- O paciente percebe menos do que a medida mostra. No ensaio em hemiface, o lado tratado por dentro teve mais espessura de derme na tomografia de coerência óptica, mas a satisfação foi maior do lado tratado pela pele. Quem oferece só a via intraoral precisa combinar essa expectativa antes.
A via intraoral também tem sido descrita para outras queixas do terço inferior: Miron e colaboradores (2026, J Cosmet Dermatol) publicaram casos e a metodologia de um protocolo de laser intraoral para sulco nasolabial, linhas de marionete e papada lateral (os jowls).
A boca tolera o modo SMOOTH: o que o ronco ensina
A maior parte dos dados de segurança do Er:YAG SMOOTH dentro da boca vem de outra indicação: o tratamento do ronco, em que o laser aquece o palato mole e a úvula. É outra região e outro objetivo, mas é a mesma mucosa oral e o mesmo modo de pulso — e o que esses estudos medem é justamente o que o médico quer saber antes da primeira sessão intraoral: dói, precisa de anestesia, dá complicação?
- Ensaio randomizado contra placebo. Picavet e colaboradores (2023, Eur Arch Otorhinolaryngol) randomizaram 40 roncadores primários para 3 sessões de Er:YAG SMOOTH, no protocolo NightLase, ou laser simulado. Ninguém precisou de anestesia local, a dor média foi 3,0 numa escala de 10, não houve complicação, e os escores de ronco melhoraram só no grupo tratado.
- Série ambulatorial. Em 40 pacientes com 3 sessões, Fini Storchi e colaboradores (2018, Lasers Med Sci) descreveram dor quase ausente durante o disparo e, como único efeito colateral, dor de garganta muito leve em 1 dos 40.
- Duração e manutenção. A revisão sistemática com metanálise de Dembicka-Mączka e colaboradores (2025, J Clin Med), com 56 estudos, encontrou efeito que durou em geral de 12 a 24 meses, com 25% a 40% dos pacientes precisando de sessões de manutenção, e efeitos adversos em geral leves e passageiros.

Para o rejuvenescimento, a lição é dupla: a mucosa tolera o aquecimento sem anestesia na maioria dos pacientes, e o efeito de aquecimento não ablativo de mucosa tende a diminuir com o tempo, o que torna a manutenção uma conversa honesta desde o início.
Técnica, passo a passo
Os passos abaixo descrevem o raciocínio da via intraoral. Fluência, frequência e número de passadas dependem do aparelho, da ponteira e da resposta do paciente; os únicos parâmetros numéricos publicados nos resumos lidos para esta página são os do estudo em ratos, que não se aplicam à face humana.
- Indicação. Queixa no sulco nasolabial, na região perioral ou nas comissuras, com pele que ainda tem elasticidade. Sulco profundo por perda de volume ou queda do coxim malar pede outra ferramenta, e o laser entra como complemento.
- Exame da boca. Mucosa sem lesão ativa; afta, lesão herpética ou ferida adiam a sessão. O que fica na boca e atrapalha a exposição sai antes.
- Proteção ocular. Óculos adequados ao comprimento de onda para o paciente e para todos na sala. Na revisão sistemática de Biswas e Kaliyadan (2026, Indian Dermatol Online J), com 24 relatos e séries de casos, houve lesão ocular também em quem operava o laser, muitas vezes por acidente.
- Exposição. Com a mão enluvada, o lábio e a bochecha são afastados até a mucosa vestibular que fica atrás da área a tratar ficar visível e esticada.
- Ponteira sem contato. O feixe é conduzido sobre a mucosa em linhas, cobrindo a projeção interna do sulco nasolabial, da região perioral e da comissura, sem empilhar disparos no mesmo ponto.
- Ponto de parada. Calor percebido e tolerável. Dor que sobe muito é sinal para reduzir energia ou dar intervalo à área, não para insistir.
- Registro. Aparelho, ponteira, modo, passadas e áreas cobertas — sem isso, a terceira sessão não tem com o que ser comparada.

Onde a etapa intraoral entra no plano
No 4D, a etapa intraoral abre a sessão e as outras três trabalham a pele por fora. Fora do protocolo completo, ela pode entrar sozinha em quem quer tratar o sulco sem recuperação aparente, ou somada a injetáveis. Volume perdido continua sendo trabalho do preenchedor; o laser trata a qualidade do tecido. Quando o plano inclui preenchedor ou bioestimulador, a conduta do Dr. Thiago Perfeito é deixar de 2 a 4 semanas entre o injetável e a sessão do aparelho. A lógica de cada combinação está na página sobre tecnologia e injetável.
Modelo · Cinco perguntas antes da via intraoral
- A queixa é de tecido ou de volume? Tecido responde ao calor; volume perdido pede preenchedor.
- A mucosa está íntegra? Lesão ativa adia a sessão.
- O paciente aceita uma série? Os estudos usaram de 5 a 6 sessões, com resultado avaliado meses depois.
- O paciente sabe o que vai perceber? A medida da derme pode melhorar mais do que o espelho mostra.
- Há injetável recente ou programado? O intervalo entra na agenda antes de marcar o laser.
O SmoothLiftin na Pós Prática
Na formação do Dr. Thiago Perfeito, médico de Medicina Estética e Regenerativa com CRM-DF 23199, o Fotona é uma das sete tecnologias da clínica INTI apresentadas no bloco dedicado do Módulo B2: o que cada aparelho faz, em que camada age, em que momento entra no protocolo e o que se oferece quando ele não está na clínica do aluno. O B2 é um sábado presencial, com no máximo 8 médicos, e exige o pré-work gravado, onde fica a física das tecnologias. No sábado, a demonstração comentada compõe a teoria; na prática, cada aluno executa, supervisionado e em paciente modelo, os procedimentos injetáveis do módulo, como bioestimulador e skinbooster. Os outros três módulos estão em /cursos/.
Sobre vínculos: o Dr. Thiago Perfeito não recebe nada de fabricante de laser algum.
Perguntas frequentes
O que é o SmoothLiftin do Fotona?
É o Er:YAG de 2.940 nm no modo SMOOTH, não ablativo, aplicado sobre a mucosa de dentro da boca para aquecer o tecido do sulco nasolabial e da região perioral sem tocar a pele. No Fotona 4D, é a primeira das quatro etapas; a grafia SmoothLifting aparece em estudo publicado.
O SmoothLiftin precisa de anestesia?
Nos estudos do mesmo modo SMOOTH dentro da boca, para ronco, ninguém precisou de anestesia local e a dor média foi 3,0 numa escala de 10 num ensaio randomizado. Na via intraoral para o sulco nasolabial, o estudo de 20 pacientes descreveu o procedimento como indolor.
Quantas sessões de laser intraoral os estudos usaram?
Seis sessões a cada 2 semanas num estudo e cinco sessões mensais em outro, com o resultado avaliado 4 a 6 meses depois da última sessão.
O paciente percebe o resultado do laser intraoral?
Num ensaio em hemiface, o lado tratado por dentro da boca teve maior espessura de derme medida por tomografia de coerência óptica, mas a satisfação das pacientes foi maior do lado tratado pela pele. Vale combinar a expectativa antes e considerar a combinação com etapas por fora.
O laser intraoral substitui o preenchimento do sulco nasolabial?
Não. O laser trata a qualidade do tecido; volume perdido é trabalho do preenchedor. Quando os dois entram no plano, a conduta do Dr. Thiago Perfeito é deixar de 2 a 4 semanas entre o injetável e a sessão de aparelho.
Quem não deve fazer SmoothLiftin naquele dia?
Quem está com lesão ativa na boca, como afta, lesão herpética ou ferida. A sessão é adiada até a mucosa estar íntegra.
Referências
- Ebrahim HM, Gharib K. Correction of nasolabial folds wrinkle using intraoral non-ablative Er:YAG laser. J Cosmet Laser Ther. 2018;20(6):364-368. · PMID 29482388 · DOI 10.1080/14764172.2018.1439964
- Moftah N, Samy N, Allam RSHM, et al. Optical coherence tomographic (OCT) evaluation of intraoral non-ablative erbium: YAG laser (SMOOTH mode) in rejuvenation of nasolabial folds; A prospective randomized split face comparative pilot study. Skin Res Technol. 2020;26(3):405-412. · PMID 31794102 · DOI 10.1111/srt.12816
- Miron RJ, McGilvray E, Paz AG, Ahmad P. Intra-Oral Lasering for the Treatment of Nasolabial Folds, Marionette Lines, and Jowls: Case Examples and Protocol Methodology. J Cosmet Dermatol. 2026;25(5):e70890. · PMID 42087409 · DOI 10.1111/jocd.70890
- Picavet VA, Dellian M, Gehrking E, Sauter A, Hasselbacher K. Treatment of snoring using a non-invasive Er:YAG laser with SMOOTH mode (NightLase): a randomized controlled trial. Eur Arch Otorhinolaryngol. 2023;280(1):307-312. · PMID 35867153 · DOI 10.1007/s00405-022-07539-9
- Fini Storchi I, Parker S, Bovis F, Benedicenti S, Amaroli A. Outpatient erbium:YAG (2940 nm) laser treatment for snoring: a prospective study on 40 patients. Lasers Med Sci. 2018;33(2):399-406. (Nome da primeira autora corrigido na errata PMID 30350122.) · PMID 29333582 · DOI 10.1007/s10103-018-2436-6
- Dembicka-Mączka D, Gryka-Deszczyńska M, Sitkiewicz J, et al. Effectiveness of the Er:YAG Laser in Snoring Treatment Based on Systematic Review and Meta-Analysis Results. J Clin Med. 2025;14(12):4371. · PMID 40566115 · DOI 10.3390/jcm14124371
- Unver T, Aytugar E, Ozturan O, et al. Histological Effects of Er:YAG Laser Irradiation with Snoring Handpiece in the Rat Soft Palate. Photomed Laser Surg. 2016;34(8):321-325. · PMID 27196421 · DOI 10.1089/pho.2015.4044
- Gaspar A, Silva J, Calderon A, Di Placido V, Vizintin Z. Histological findings after non-ablative Er:YAG laser therapy in women with severe vaginal atrophy. Climacteric. 2020;23(sup1):S11-S13. · PMID 33124455 · DOI 10.1080/13697137.2020.1764525
- Biswas K, Kaliyadan F. Ocular Complications of Cosmetic Laser Use in Patients and Treating Doctors/Estheticians: A Systematic Review of Case Reports and Case Series. Indian Dermatol Online J. 2026;17(3):340-346. · PMID 41854432 · DOI 10.4103/idoj.idoj_26_25
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