Laser Er:YAG: indicações
O Er:YAG, de 2.940 nm, é o laser cujo comprimento de onda fica mais perto do pico de absorção da água: deposita quase toda a energia na epiderme e na derme papilar e, por isso, faz ablação superficial com menos dano térmico residual do que o CO2. Mudando a duração do pulso, o mesmo laser deixa de vaporizar e passa a aquecer. As indicações com estudo são o fotoenvelhecimento e a textura, a cicatriz de acne, lesões epidérmicas benignas como a queratose seborreica, as estrias e, como coadjuvante, a alopecia androgenética; no modo térmico, também a mucosa oral. Na clínica INTI, onde o Dr. Thiago Perfeito atende, o Er:YAG está no Fotona 4D, na plataforma SP Dynamis, ao lado do Nd:YAG.
Por que o Er:YAG trabalha tão perto da superfície
A revisão de Riggs e colaboradores (2007, Clin Dermatol) resume a física: CO2 e Er:YAG emitem no infravermelho e têm a água como alvo, mas o comprimento de onda do Er:YAG, 2.940 nm, fica mais próximo do pico de absorção da água, em torno de 3.000 nm. O resultado é ablação mais superficial e menos dano térmico na derme abaixo. Para o médico, isso tem duas consequências práticas. A primeira: cada passada remove uma lâmina fina, e o controle de profundidade vem da soma de passadas e da fluência. A segunda: como sobra menos calor na derme, o estímulo de colágeno de um pulso ablativo curto é menor — e é aí que entra a duração do pulso.
Pulso curto vaporiza; pulso longo aquece. Wanitphakdeedecha e colaboradores (2009, Dermatol Surg) trataram 24 pacientes de fototipos III a V com cicatriz de acne do tipo saca-bocado e ondulada, com Er:YAG de pulso quadrado variável: 4 passadas, ponteira de 7 mm, fluência de 0,4 J/cm², 2 sessões mensais. Metade recebeu pulso de 300 µs; a outra metade, de 1.500 µs. Os dois grupos melhoraram a lisura da pele, mas só o de pulso extralongo melhorou também o volume da cicatriz. Os efeitos adversos foram hiperpigmentação pós-inflamatória transitória (18%) e erupção acneiforme (9%). A conclusão dos autores vale para qualquer protocolo com Er:YAG: largura de pulso e energia decidem a eficácia e o risco.

As indicações, com o que cada estudo mostrou
| Indicação | Como o Er:YAG entra | O que o estudo mostrou |
|---|---|---|
| Fotoenvelhecimento e textura | Fracionado ablativo, fluência alta, várias passadas | Melhora de 26% a 75% e recuperação social de 3 a 4 dias (Khatri, 2012) |
| Cicatriz de acne | Ablativo de baixa fluência com pulso curto ou longo; fracionado | Pulso longo melhorou volume da cicatriz (Wanitphakdeedecha, 2009); CO2 com taxa de eficácia maior na metanálise (Liu, 2024) |
| Lesão epidérmica benigna | Ablação da lesão | Queratose seborreica: igual a CO2 e eletrocoagulação, melhor que crioterapia (Zaresharifi, 2021); xantelasma: CO2 precisou de menos sessões (Tuan, 2021) |
| Estrias | Fracionado ablativo | Resultado semelhante ao da radiofrequência fracionada bipolar (Shen, 2024) |
| Couro cabeludo | Fracionado ablativo ou modo não ablativo, como coadjuvante | Somado a finasterida e minoxidil, superou só a medicação (Dai, 2024) |
| Mucosa oral | Modo térmico não ablativo, por dentro da boca | Ver a etapa intraoral na página sobre Fotona 4D |
Fotoenvelhecimento e textura. Khatri e colaboradores (2012, J Cosmet Laser Ther) trataram 8 pessoas com fotodano facial moderado a grave usando Er:YAG fracionado em fluência alta e várias passadas, em 1 ou 2 sessões. Na revisão das fotos pelo investigador, a melhora global variou de 26% a 75%; o tempo de recuperação social foi de 3 a 4 dias, com desconforto moderado e só anestésico tópico. Duas sessões renderam escores bem maiores do que uma, e as fluências mais altas, a maior melhora média. É uma série pequena, mas mostra o desenho clássico do Er:YAG fracionado: poucas sessões, recuperação curta, ganho que soma.
Cicatriz de acne — e a comparação com o CO2. Além do estudo de largura de pulso, há a metanálise de Liu e colaboradores (2024, J Cosmet Dermatol), com 8 estudos (7 randomizados) e 418 pacientes com cicatriz atrófica de acne. Nos resultados, o CO2 fracionado teve taxa de eficácia maior (OR 1,81) e tempo de recuperação menor, mas dor mais intensa e eritema mais duradouro que o Er:YAG fracionado; a duração da dor e a incidência de hiperpigmentação não diferiram entre os dois. Na conclusão, os autores escrevem que o CO2 pode trazer risco maior de pigmentação depois do tratamento. A leitura para o consultório: em cicatriz, o Er:YAG tende a ser a escolha de quem prioriza conforto e eritema mais curto, aceitando a taxa de eficácia menor dessa comparação; quem precisa de mais efeito e aceita mais dor tende a ir para o CO2.
Lesões epidérmicas benignas. No ensaio de Zaresharifi e colaboradores (2021, Dermatol Ther), 30 pacientes com quatro queratoses seborreicas faciais semelhantes tiveram cada lesão sorteada para crioterapia, eletrocoagulação, CO2 ou Er:YAG. Aos 2 meses, CO2, Er:YAG e eletrocoagulação ficaram equivalentes e melhores do que a crioterapia, sem diferença de pigmento ou textura residual; o eritema durou mais no grupo do Er:YAG, sem eritema prolongado em ninguém. No xantelasma, o ensaio em hemiface de Tuan e colaboradores (2021, Photobiomodul Photomed Laser Surg), com 39 pacientes e 82 lesões, até 5 sessões a cada 4 semanas, favoreceu o CO2: melhora excelente em 90,24% das lesões contra 63,41% do Er:YAG na quarta visita, com recidiva parecida em 12 a 25 meses (22% e 24%). Lesão pigmentada ou de diagnóstico duvidoso não entra nessa lista antes de diagnóstico firmado.

Estrias. Shen e colaboradores (2024, J Cosmet Dermatol) trataram 20 voluntários com estrias abdominais: metade do abdome com Er:YAG fracionado ablativo, a outra metade com radiofrequência fracionada bipolar, 3 sessões a cada 4 semanas. Os dois lados melhoraram, sem diferença estatística entre eles; nas biópsias de dois participantes, 3 meses depois, epiderme e derme estavam mais espessas, com mais colágeno e elastina. Estria é tratamento de série, e o laser é uma das ferramentas, não a única.
Couro cabeludo. No estudo retrospectivo de Dai e colaboradores (2024, Lasers Med Sci), 192 homens com alopecia androgenética usaram finasterida oral e minoxidil tópico; 67 deles somaram 6 sessões de Er:YAG fracionado ablativo a cada 2 semanas. Na 24ª semana, o grupo combinado teve melhor avaliação global do investigador, melhor satisfação e mais fios totais e terminais, com fios mais grossos, sem evento adverso grave. Em modo não ablativo, Day e colaboradores (2022, J Cosmet Dermatol) trataram 16 pacientes com o modo SMOOTH (ponteira de 7 mm, 7,00 J/cm², 3,3 Hz), sozinho ou associado a plasma rico em plaquetas, minoxidil e suplementos: na avaliação cega de fotos, a qualidade do cabelo melhorou em 93% (14% muito melhor, 79% melhor), com dor mediana 2 numa escala de 10. Os próprios autores lembram que o efeito do minoxidil e dos suplementos associados não pode ser separado; um dos autores é da Laser and Health Academy, de Ljubljana. Em couro cabeludo, o laser entra somado à terapia de base, não no lugar dela.
Mucosa oral. No modo térmico não ablativo, o Er:YAG é aplicado por dentro da boca para aquecer o tecido perioral sem tocar a pele. Os estudos dessa via e o lugar dela no protocolo de quatro etapas estão na página sobre Fotona 4D.

Quem não é bom candidato e o que costuma dar errado
- Expectativa de efeito profundo numa sessão. O Er:YAG trabalha camada por camada; flacidez marcada e perda de volume pedem outras ferramentas, e o laser entra como acabamento de superfície.
- Pele com tendência a manchar. No estudo de largura de pulso, em fototipos III a V, 18% tiveram hiperpigmentação transitória. Fluência, pulso e intervalo se ajustam a essa pele, e a pele recém-bronzeada espera.
- Acne em atividade. A erupção acneiforme apareceu em 9% no mesmo estudo; acne controlada antes da sessão.
- Lesão sem diagnóstico. Ablação apaga a lesão e, com ela, a chance de examiná-la depois.
Proteção ocular de todos na sala vale como no resto dos lasers; os cuidados com olho e pálpebra no contexto da plataforma estão descritos na página do Fotona 4D.
Como escolher o modo, em quatro perguntas
Modelo · Er:YAG por objetivo
- O alvo está na superfície ou na derme? Superfície e lesão epidérmica pedem ablação; derme pede pulso que deixe calor.
- Quanto tempo de recuperação o paciente aceita? Ablação plena, fracionada ou modo térmico têm recuperações muito diferentes.
- A pele mancha? Se sim, menos agressividade por sessão e mais sessões espaçadas.
- Existe tratamento de base? Em cabelo e estria, o laser é coadjuvante da terapia que já funciona.
Onde isso entra na formação
Na Pós Prática do Dr. Thiago Perfeito, médico de Medicina Estética e Regenerativa, CRM-DF 23199, o Fotona aparece em dois módulos. No Módulo B2, o bloco de tecnologias da clínica explica o que cada aparelho faz, em que camada age, quando entra no plano de qualidade de pele e o que fazer sem ele. No Módulo A2, entram o Fotona capilar e o laser fracionado nas estrias. Cada módulo é um sábado presencial com pré-work gravado obrigatório, para no máximo 8 médicos; no sábado, a demonstração comentada é a parte teórica e a parte prática é execução supervisionada em paciente modelo. O comparativo de cursos de tecnologia por critério está no guia de cursos de Morpheus8, Fotona e ultrassom microfocado; os módulos, em /cursos/.
Declaração de ausência de relação comercial: o Dr. Thiago Perfeito não tem vínculo comercial com nenhum fabricante de laser citado aqui.
Perguntas frequentes
Para que serve o laser Er:YAG?
Para ablação superficial e aquecimento controlado da pele. Há estudos em fotoenvelhecimento e textura, cicatriz de acne, queratose seborreica, xantelasma, estrias e, como coadjuvante, alopecia androgenética; no modo térmico, também na mucosa oral.
Qual a diferença entre Er:YAG e CO2?
O Er:YAG (2.940 nm) fica mais perto do pico de absorção da água e faz ablação mais superficial, com menos calor residual. Na metanálise de cicatriz de acne de Liu (2024), o CO2 teve taxa de eficácia maior e o Er:YAG, menos dor e eritema mais curto; nos resultados, a incidência de hiperpigmentação não diferiu, embora a conclusão dos autores aponte risco possivelmente maior de pigmentação com o CO2.
O Er:YAG pode ser não ablativo?
Sim. A duração do pulso decide: pulso curto vaporiza, pulso longo aquece sem remover tecido. É assim que o mesmo laser trata a superfície e, em modo térmico, a mucosa oral ou o couro cabeludo.
Er:YAG funciona para queda de cabelo?
Como coadjuvante. Em 192 homens com alopecia androgenética, 6 sessões de Er:YAG fracionado somadas a finasterida e minoxidil superaram só a medicação na 24ª semana. O laser não substitui a terapia de base.
Quanto tempo de recuperação depois do Er:YAG fracionado?
Depende da agressividade da sessão. Numa série com fluência alta e várias passadas no rosto, o tempo de recuperação social foi de 3 a 4 dias.
Fotona 4D é Er:YAG?
O Fotona 4D combina dois lasers na mesma plataforma: o Er:YAG de 2.940 nm e o Nd:YAG de 1.064 nm. Na clínica INTI, a plataforma é o SP Dynamis.
Referências
- Riggs K, Keller M, Humphreys TR. Ablative laser resurfacing: high-energy pulsed carbon dioxide and erbium:yttrium-aluminum-garnet. Clin Dermatol. 2007;25(5):462-473. · PMID 17870524 · DOI 10.1016/j.clindermatol.2007.07.003
- Wanitphakdeedecha R, Manuskiatti W, Siriphukpong S, Chen TM. Treatment of punched-out atrophic and rolling acne scars in skin phototypes III, IV, and V with variable square pulse erbium:yttrium-aluminum-garnet laser resurfacing. Dermatol Surg. 2009;35(9):1376-1383. · PMID 19549185 · DOI 10.1111/j.1524-4725.2009.01244.x
- Khatri KA, Mahoney D, Hakam L. High-fluence fractional treatment of photodamaged facial skin using a 2940 nm erbium:yttrium-aluminum-garnet laser. J Cosmet Laser Ther. 2012;14(6):260-266. · PMID 23057567 · DOI 10.3109/14764172.2012.738911
- Liu F, Zhou Q, Tao M, Shu L, Cao Y. Efficacy and safety of CO2 fractional laser versus Er:YAG fractional laser in the treatment of atrophic acne scar: A meta-analysis and systematic review. J Cosmet Dermatol. 2024;23(9):2768-2778. · PMID 38733085 · DOI 10.1111/jocd.16348
- Zaresharifi S, Robati RM, Dadkhahfar S, et al. Efficacy and safety of cryotherapy, electrodesiccation, CO2 laser, and Er:YAG laser in the treatment of seborrheic keratosis. Dermatol Ther. 2021;34(5):e15083. · PMID 34342933 · DOI 10.1111/dth.15083
- Tuan H, Chen Y, Yang S, et al. A Comparison of Efficacy and Safety of Fractional Carbon Dioxide Laser and Fractional Er:YAG Laser for the Treatment of Xanthelasma Palpebrarum: A Two-Center Randomized Split-Face Controlled Trial. Photobiomodul Photomed Laser Surg. 2021;39(2):131-136. · PMID 33449843 · DOI 10.1089/photob.2020.4874
- Shen J, Jin JJ, Huang JH, et al. Efficacy and safety of bipolar fractional radiofrequency vs. 2940-nm Er:YAG ablative fractional laser in striae distensae treatment: A split abdomen study. J Cosmet Dermatol. 2024;23(6):2022-2029. · PMID 38385807 · DOI 10.1111/jocd.16243
- Dai R, Yang X, Su Y, Wu X. Effectiveness and safety of the ablative fractional 2940-nm Er:YAG laser for the treatment of androgenetic alopecia. Lasers Med Sci. 2024;39(1):128. · PMID 38724798 · DOI 10.1007/s10103-024-04074-3
- Day D, McCarthy M, Talaber I. Non-ablative Er:YAG laser is an effective tool in the treatment arsenal of androgenetic alopecia. J Cosmet Dermatol. 2022;21(5):2056-2063. · PMID 34435735 · DOI 10.1111/jocd.14370
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