Linear Z: modos Dot e Linear — como escolher
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Linear Z: modos Dot e Linear

O Linear Z tem duas formas de entregar a mesma energia: em pontos separados ou numa faixa contínua. Parece um detalhe de painel, mas é a decisão que define se uma zona do rosto ganha sustentação ou perde volume — e por isso se toma zona a zona, antes do primeiro disparo.

No Linear Z, o cartucho define a profundidade e o modo define a geometria do calor: o Dot entrega pontos de coagulação separados, numa fileira de comprimento ajustável; o Linear entrega uma faixa contínua de 25 mm, sem intervalo entre os pontos. No estudo clínico publicado com o aparelho, o Dot ficou com as zonas centrais, que pedem energia focal, e o Linear com as zonas laterais convexas, que pedem compactação em faixa. O aparelho é um ultrassom focalizado de alta intensidade (HIFU) da Jeisys Medical, da Coreia do Sul — a grafia oficial é LinearZ —, e está na clínica INTI desde outubro de 2026, ao lado do Ultraformer MPT. Abaixo, o que o fabricante declara sobre cada modo, o que os estudos com o aparelho mediram e como se decide entre um e outro em cada zona do rosto.

O que o fabricante declara

O modo é escolhido na própria peça de mão, cujos LEDs mostram o modo, a profundidade, o tempo de disparo, a posição do transdutor e a temperatura do cartucho. Segundo a Jeisys:

ItemDotLinear
GeometriaPontos separados numa fileiraFaixa contínua, sem espaço entre os focos
Espaçamento1,0 a 2,0 mm, em passos de 0,1 mmNão se aplica (onda contínua)
Comprimento5 a 25 mm, em passos de 5 mm25 mm, fixo

Os quatro cartuchos — Basic, Essential, Core e Contour — cobrem de 1,5 a 13 mm. Pelo alvo que o fabricante declara, o Basic mira a derme e a gordura subcutânea superior; o Essential, a derme, a gordura subcutânea e o SMAS; o Core, a gordura subcutânea e o SMAS; e o Contour, a gordura profunda. A energia regulável vai de 0,1 a 3,0 J por disparo, e um sistema de troca de água desgaseificada (DWR) estabiliza a temperatura dentro do cartucho. O fabricante não publica um mapa de frequência por profundidade, e os artigos que trazem esse par divergem entre si; para a decisão clínica, o que conta é a profundidade focal escrita no cartucho.

A palavra "linear" engana quem vem de outro aparelho. No Linear Z, ela não descreve o formato do cartucho, e sim a ausência de intervalo entre os focos: o Dot também dispara em fileira, só que de pontos isolados. A pergunta, então, não é "linha ou ponto", e sim "quero ilhas de tecido coagulado com tecido íntegro entre elas, ou uma faixa contínua de calor?".

Ultrassom focalizado — fileiras de pontos de coagulação em três profundidades da pele — Dr. Thiago Perfeito
Fileiras de pontos de coagulação térmica em três profundidades — derme, gordura subcutânea e SMAS —, com tecido íntegro entre um ponto e outro. É a geometria do modo Dot; no modo Linear, os focos se encostam e cada fileira vira uma faixa contínua.

O que a geometria muda no tecido

Os dados que comparam os dois modos lado a lado vêm de laboratório. Oh e colaboradores (2023, Cells) aplicaram o aparelho em fibroblastos tornados senescentes em cultura e na pele de camundongos de 12 meses, nos modos Linear e Dot, com 0,3, 0,5 ou 0,7 J. Nos dois modelos, a caveolina-1 — proteína ligada à senescência do fibroblasto — caiu; na pele dos camundongos, aumentaram a expressão de colágeno e elastina, o acúmulo de fibras colágenas e a densidade de fibras elásticas, e o efeito mais nítido apareceu com 0,5 J no modo Linear. O grupo recebeu verba de pesquisa da Jeisys, e o achado é de célula e de camundongo: indica mecanismo, não dose para paciente.

Esquema do modo Linear do ultrassom focalizado na derme e da cascata que leva a mais colágeno e elastina — estudo de Oh — Dr. Thiago Perfeito
Resumo esquemático do estudo: o transdutor apoiado na pele entrega uma faixa contínua de calor na derme (modo Linear); a queda da caveolina-1 libera a proliferação de fibroblastos, aumenta a síntese de colágeno e elastina e reduz a degradação da matriz. Figure 9 de Oh S et al., Cells 2023 (PMID 37759497), reproduzida sob licença CC BY.

Na gordura, o mesmo grupo coreano mostrou que o efeito depende do ajuste. Nos dois trabalhos abaixo, o resumo não nomeia o aparelho; o texto completo nomeia o LinearZ, cedido pela Jeisys, e há autores da empresa. Em ratos alimentados com dieta rica em gordura, Byun e colaboradores (2023, Biomolecules) viram o ultrassom aumentar apoptose e autofagia dos adipócitos e reduzir a espessura do tecido subcutâneo. Já Oh e colaboradores (2022, Int J Mol Sci), com 0,2 J na pele de ratos, encontraram o contrário: mais adipócitos e tecido subcutâneo mais espesso, por estímulo às células-tronco do tecido adiposo. A lição para quem programa a sessão é que profundidade, energia e geometria não são detalhe: com o mesmo aparelho, o ajuste decide se a gordura do alvo diminui ou se é estimulada.

Dot ou Linear: decidir pela intenção da zona

O maior estudo clínico publicado com o aparelho nomeado organizou a face zona a zona. Song e colaboradores (2026, Plast Reconstr Surg Glob Open) trataram 38 adultos coreanos numa sessão única, em 7 zonas predefinidas — 4 faciais e 3 submentonianas —, e deram a cada zona uma intenção e um modo: Dot para sustentação focal, Linear para compactação mais ampla. Trinta e dois completaram as 12 semanas.

O volume, medido por estereofotogrametria, mudou no sentido planejado. A zona perioral e das linhas de marionete, tratada em Dot para sustentação, ganhou 0,7 cm³. As zonas programadas para reduzir volume perderam: a zigomática-nasolabial, zona central tratada em Dot (−2,4 cm³), a zigomática lateral (−2,1 cm³) e a borda mandibular (−1,5 cm³), estas duas em Linear, e o submento (central, em Dot, −3,3 cm³; laterais, em Linear, −1,9 e −2,0 cm³). O ângulo cervicomentual melhorou 6,4°, o índice de definição da mandíbula subiu 17,1%, 93,7% foram avaliados como "melhor ou mais" e a satisfação média foi de 4,5 ± 0,4; os eventos adversos foram leves e transitórios. Não houve grupo controle, e dois autores têm afiliação à Jeisys.

O texto completo do estudo descreve a lógica que um injetor pode levar para a cadeira:

O mesmo protocolo examinou cada zona com ultrassom de alta frequência antes de disparar, para confirmar a espessura da camada-alvo e excluir depressões focais, com cautela redobrada nas regiões com tendência a afundar — temporal, infrazigomática, bucal, pré-auricular e o sulco pré-jowl —, e evitou disparar sobre os trajetos dos ramos supraorbital, temporal, marginal da mandíbula e cervical. Rostos que já afundam em repouso ficaram fora do estudo. É nessas regiões que a compactação em faixa tem mais chance de deixar irregularidade.

Modelo · Escolher o modo em 4 perguntas

  1. A zona é central ou lateral? No estudo de Song, a central recebeu Dot — energia focal, para sustentar ou para reduzir uma convexidade pequena — e a lateral convexa recebeu Linear, para compactar em faixa.
  2. A zona é larga e regular ou pequena e curva? Faixa contínua de 25 mm pede superfície que a acomode; o Dot permite encurtar a fileira.
  3. Há espessura para o cartucho escolhido? Medida ou estimada antes do primeiro disparo.
  4. A região tende a afundar? Se sim, pede cautela redobrada, e a compactação em faixa costuma não ser a melhor escolha ali.

Regiões delicadas

Perto do olho, o Dot foi o modo escolhido. Kim e colaboradores (2026, Clin Cosmet Investig Dermatol) trataram 3 pacientes com protrusão da gordura infraorbital, depois de ultrassonografia prévia, com focos de 4,5 e 9,0 mm, 0,6 J por disparo em modo Dot e anestesia local. Aos 3 meses, as notas na escala de melhora estética foram 4, 5 e 4, com eritema e edema passageiros. Os próprios autores classificam a série como preliminar e geradora de hipótese. Para quem está começando, o que ela ensina é o cuidado do desenho — imagem antes, modo de pontos, energia moderada —, não um protocolo para copiar ao lado do globo ocular, que nunca fica ao alcance do feixe.

O modo contínuo também aparece em plano raso. Song e colaboradores (2026, J Craniofac Surg) revisaram 30 mulheres asiáticas tratadas na face e no pescoço com ultrassom focalizado linear na derme superficial; na 12ª semana, a profundidade das rugas caiu 19,3%, a rugosidade 15,9%, e a elasticidade subiu 21,6% (bruta) e 18,1% (líquida); 93% foram avaliadas como melhores, com eritema em 10% e edema em 6%. O resumo não nomeia o aparelho, e por isso o estudo entra aqui como dado sobre a geometria linear rasa, não sobre o Linear Z.

Antes e depois de Linear Z no contorno do rosto e da mandíbula em Brasília — Dr. Thiago Perfeito
Cada caso é individual e os resultados variam de pessoa para pessoa.

Corpo, combinação e o que a INTI usa

Para o corpo, a indicação — abdome, flancos e papada — é declarada pelo distribuidor no Brasil; a lógica de modo e camada é a mesma do rosto, com cartuchos mais profundos onde a espessura do tecido os comporta. A combinação com injetáveis segue a conduta do Dr. Thiago Perfeito: entre bioestimulador ou preenchedor e uma sessão de aparelho de energia, como o Linear Z, ficam 2 a 4 semanas. A INTI tem dois ultrassons focalizados, o Linear Z e o Ultraformer MPT, e a escolha entre eles é feita paciente a paciente. A escolha de cartucho por camada e região está no guia de profundidades do ultrassom microfocado.

Onde isso entra na formação

Escolher entre ponto e faixa é a mesma pergunta de anatomia que o médico faz ao escolher cartucho: qual camada, com quanta espessura, ao lado de quê. Esse raciocínio é o fio do bloco de tecnologias do Módulo B2 da Pós Prática do Dr. Thiago Perfeito, trabalhado ali com o ultrassom microfocado e com as demais tecnologias da clínica — o que cada uma faz, em que camada, quando entra no plano e o que fazer sem ela. A formação tem quatro módulos de um sábado presencial cada, pré-work gravado obrigatório e turmas pequenas, de até 8 médicos; os módulos estão em /cursos/, e os critérios para comparar cursos de tecnologia, no guia de cursos de tecnologias.

Sem relação comercial: o Dr. Thiago Perfeito não tem vínculo com a Jeisys Medical nem com nenhum fabricante citado.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre os modos Dot e Linear do Linear Z?

No Dot, a energia sai em pontos separados numa fileira, com espaçamento de 1,0 a 2,0 mm e comprimento de 5 a 25 mm, segundo o fabricante. No Linear, sai numa faixa contínua de 25 mm, sem espaço entre os focos. A profundidade é do cartucho nos dois casos.

Quando usar o modo Dot e quando usar o modo Linear?

No estudo clínico de Song (2026), o Dot ficou com as zonas centrais — para sustentar a região perioral ou reduzir uma convexidade localizada, como a zigomática-nasolabial e o submento central — e o Linear com as zonas laterais convexas e a borda da mandíbula, para compactar o plano de gordura em faixa. Decidem a posição, o tamanho e a intenção de cada zona.

Quantos cartuchos tem o Linear Z?

Quatro, segundo a Jeisys: Basic, Essential, Core e Contour, cobrindo de 1,5 a 13 mm, da derme à gordura profunda. A energia vai de 0,1 a 3,0 J por disparo.

O modo Linear é mais forte que o Dot?

Ele entrega calor contínuo, sem tecido íntegro entre os focos, e compacta uma faixa inteira a cada disparo. Num estudo em camundongos (Oh, 2023), o maior aumento de colágeno e elastina veio do modo Linear com 0,5 J — dado de laboratório, que não se transfere como dose para o paciente.

Linear Z serve para a região dos olhos?

Há uma série preliminar de 3 casos (Kim, 2026) com o modo Dot para protrusão de gordura infraorbital, com ultrassom prévio e anestesia local. Os autores a tratam como geradora de hipótese. O globo ocular nunca pode ficar ao alcance do feixe.

Linear Z e Ultraformer MPT são a mesma coisa?

São dois ultrassons focalizados de fabricantes diferentes, com cartuchos e modos próprios. A clínica INTI tem os dois, e a escolha é clínica, caso a caso.

Quanto tempo esperar entre preenchimento e Linear Z?

Na conduta do Dr. Thiago Perfeito, de 2 a 4 semanas entre bioestimulador ou preenchedor e a sessão de aparelho de energia.

Referências

  1. Song JK, Park Y, Jalali A, et al. Dual-approach High-intensity Focused Ultrasound for Facial Contour Modulation and Submental Reduction. Plast Reconstr Surg Glob Open. 2026;14(7):e7919. · PMID 42488921 · DOI 10.1097/GOX.0000000000007919
  2. Kim HM, Oh SM, Oh M, et al. High-Intensity Focused Ultrasound for the Treatment of Infraorbital Fat Protrusion: A Preliminary Case Series. Clin Cosmet Investig Dermatol. 2026;19:643854. · PMID 42835765 · DOI 10.2147/CCID.S643854
  3. Oh S, Rhee DY, Batsukh S, et al. High-Intensity Focused Ultrasound Increases Collagen and Elastin Fiber Synthesis by Modulating Caveolin-1 in Aging Skin. Cells. 2023;12(18):2275. · PMID 37759497 · DOI 10.3390/cells12182275
  4. Byun KA, Park HJ, Oh S, et al. High-Intensity Focused Ultrasound Decreases Subcutaneous Fat Tissue Thickness by Increasing Apoptosis and Autophagy. Biomolecules. 2023;13(2):392. · PMID 36830763 · DOI 10.3390/biom13020392
  5. Oh S, Kim HM, Batsukh S, et al. High-Intensity Focused Ultrasound Induces Adipogenesis via Control of Cilia in Adipose-Derived Stem Cells in Subcutaneous Adipose Tissue. Int J Mol Sci. 2022;23(16):8866. · PMID 36012125 · DOI 10.3390/ijms23168866
  6. Song JK, Park Y, Oh EJ, et al. Clinical Efficacy and Safety of Shallow-Dermal Linear HIFU for Fine-Wrinkle Reduction in Asian Skin. J Craniofac Surg. 2026. · PMID 41940941 · DOI 10.1097/SCS.0000000000012744
Dr. Thiago Perfeito, CRM-DF 23199
Dr. Thiago Perfeito · CRM-DF 23199
Medicina estética e regenerativa, Brasília–DF. Anatomia aplicada, complicações em injetáveis e medicina regenerativa.

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