Profhilo: técnica BAP dos 5 pontos
A técnica BAP (Bio Aesthetic Points) distribui o Profhilo em cinco pontos fixos de cada lado do rosto, em bolus, e não numa grade de microinjeções. No método publicado por Koppert e colaboradores, os cinco pontos de cada hemiface ficam sobre a proeminência zigomática, na base nasal, na região do trágus, no mento e no ângulo da mandíbula, com o produto no subcutâneo superficial e uma segunda sessão cerca de um mês depois, como nos outros estudos da técnica. Funciona com poucos pontos porque o gel se espalha no tecido depois de depositado. Abaixo, o que é o produto, onde fica cada ponto e o que muda na mão, o calendário que os estudos usaram e o que eles mediram.
O passo a passo do skinbooster em grade intradérmica está em skinbooster: como aplicar e quantas sessões. O lugar dos bioremodeladores entre as outras ferramentas de qualidade de pele está no texto sobre o melhor curso de skinbooster e medicina regenerativa facial. Esta página trata só da técnica dos pontos.
O que é o Profhilo e por que ele pede outra técnica
O Profhilo, da IBSA Farmaceutici, é um gel de complexos cooperativos híbridos de ácido hialurônico de alto e de baixo peso molecular. A revisão de Humzah e colaboradores (2024, Int J Mol Sci) descreve a origem desses complexos num processo térmico, a tecnologia NAHYCO; três dos seis autores eram funcionários da IBSA. A revisão de Tintor e colaboradores (2025, Pharmaceuticals), em que um dos sete autores declarou honorários educacionais do representante local de uma marca comercial, resume as propriedades que interessam ao injetor:
- Sem agente estranho na fórmula: os complexos se mantêm por ligações de hidrogênio cooperativas, e não por reticulação química adicionada.
- Mais resistência à hialuronidase do que o ácido hialurônico de alto peso molecular isolado, o que estende a permanência no tecido.
- Passa fácil pela agulha e se difunde no tecido melhor do que o ácido hialurônico de alto peso isolado.
- Em cultura, os complexos aumentaram a vitalidade de fibroblastos, queratinócitos e adipócitos e estimularam a produção de colágeno e elastina.
É a terceira propriedade que explica a técnica. Um preenchedor reticulado é feito para ficar onde foi colocado, e por isso cada milímetro de depósito conta. Um skinbooster de grade precisa de dezenas de microdepósitos para cobrir a área. O bioremodelador de complexos híbridos é depositado em poucos bolus e se distribui sozinho pela região ao redor. Daí o nome da categoria, bioremodelador: ele não preenche nem levanta, ele remodela a pele por onde se espalha.

Os cinco pontos, um a um
A tabela segue a descrição do método no texto completo de Koppert e colaboradores (2026, Sci Rep). As referências anatômicas da terceira coluna são o que o injetor precisa ter em mente em cada ponto; para o trajeto dos vasos, consulte o mapa de zonas de risco vascular da face.
| Ponto | Onde fica | O que observar |
|---|---|---|
| 1. Zigomático | Sobre a proeminência do osso zigomático | Ponto de apoio ósseo: palpe o osso antes de entrar e mantenha o depósito raso, sem procurar o periósteo |
| 2. Base nasal | Ao lado da base da asa do nariz | É o ponto mais próximo do território da artéria facial e da angular: injeção lenta, pouca pressão e atenção à cor da pele (ver artéria facial e artéria angular) |
| 3. Trágus | Região pré-auricular, à frente do trágus | A artéria temporal superficial sobe logo à frente do trágus, e a parótida fica embaixo: o depósito é superficial |
| 4. Mento | No queixo | O bolus forma um relevo palpável sobre o queixo; avise a paciente de que ele assenta |
| 5. Ângulo da mandíbula | Sobre o ângulo mandibular | A artéria facial cruza a borda inferior da mandíbula mais à frente, na margem anterior do masseter (incisura antegonial); o ponto fica no ângulo, atrás desse cruzamento |
O desenho tem uma lógica: os cinco pontos contornam o terço médio e o inferior, a maior parte deles sobre referência óssea fácil de palpar (zigoma, mento e ângulo), o que ajuda a repetir o mapa de um lado para o outro e de uma sessão para a seguinte. O ganho de padronizar é duplo. Para o estudo, reduz a variação entre pacientes; para o consultório, dá ao médico iniciante um mapa reprodutível, com distância conhecida das estruturas que importam. A mesma lógica de pontos fixos tem versão para o pescoço, a BAP Neck, descrita por Sparavigna e colaboradores (2022, ScientificWorldJournal) com pontos dispostos em três linhas verticais e depósito na derme, e não no subcutâneo.
Plano e gesto: o que muda em relação à grade
No skinbooster de grade, a meta é a pápula intradérmica pequena, repetida dezenas de vezes. No BAP, o gesto é outro:
- Marcação antes de abrir a seringa. Os cinco pontos de cada lado são desenhados com a paciente sentada, comparando os dois lados. Assimetria de marcação vira assimetria de resultado nos primeiros dias.
- Antissepsia ampla. São só dez entradas, mas em cinco regiões diferentes do rosto, inclusive perto da orelha e do nariz.
- Plano raso, abaixo da derme. Os estudos do rosto colocaram o produto no subcutâneo: Laurino e colaboradores (2015, Eplasty) descrevem a camada subcutânea da região malar e submalar; Koppert e colaboradores, o subcutâneo superficial. Fundo demais, o gel se perde para o objetivo de pele; raso demais, o bolus marca.
- Bolus lento, sem pressa no êmbolo. O produto passa fácil pela agulha, e é justamente por isso que a velocidade precisa ser controlada: injeção lenta e com pouca pressão é uma das barreiras contra o depósito intravascular. Sobre aspirar antes de injetar, o que a literatura mostra está em aspiração antes de injetar.
- Quantidade igual nos dez pontos. No método de Koppert, todos os pontos recebem a mesma quantidade de produto; o médico não “carrega” o lado que achou mais flácido.
- A difusão fica por conta do gel. A técnica conta com a propriedade do próprio produto de se espalhar no tecido, e não com massagem, para distribuí-lo a partir de cada ponto. O pequeno relevo sobre o ponto é esperado; na revisão sistemática de Sparavigna e colaboradores (2026), os eventos locais desse tipo costumaram desaparecer em até 72 horas.
- Registro. Produto, lote, data e os pontos tratados vão para o prontuário, com a foto padronizada. A segunda sessão repete o mesmo mapa.

Calendário: duas sessões com um mês de intervalo
Os estudos da técnica convergem num esquema de duas aplicações separadas por cerca de um mês:
- Sparavigna e Tenconi (2016, Clin Cosmet Investig Dermatol) trataram 64 mulheres de 38 a 60 anos com injeções em cinco pontos predeterminados de cada lado do rosto, com 4 semanas entre a primeira e a segunda aplicação. A melhora nas escalas clínicas, na avaliação das pacientes e na maioria das medidas instrumentais já era significativa na 4ª ou na 8ª semana e continuava significativa na 16ª, três meses depois da segunda sessão. Reações locais leves e passageiras apareceram em 23% das pacientes.
- Laurino e colaboradores (2015) aplicaram 2 mL por sessão na região malar e submalar dos dois lados, uma vez por mês durante dois meses, em 11 mulheres. Hidratação, elasticidade e perda transepidérmica de água melhoraram de forma significativa com 1 e com 3 meses, sem efeitos colaterais locais.
- Koppert e colaboradores (2026) fizeram duas sessões pelo protocolo BAP em 10 adultos e acompanharam até o 180º dia. A melhora dos poros chegou ao pico no 120º dia na maioria dos participantes e regrediu em parte até o 180º, com a qualidade da pele ainda melhor do que no início. Os autores sugerem usar a mudança dos poros como marcador clínico do momento da manutenção.

A leitura prática do gráfico: a segunda sessão faz parte do desenho de todos esses estudos, e no piloto de Koppert o resultado continuou subindo semanas depois dela. Marque a reavaliação para depois desse pico, e não para a semana seguinte à segunda aplicação.
O que os estudos mediram
A revisão sistemática de Sparavigna e colaboradores (2026, Plast Aesthet Nurs) reuniu nove estudos com 278 participantes, com o produto do rosto e a versão corporal: houve melhora ou tendência de melhora em viscoelasticidade, hidratação, densidade da pele e flacidez, e na face também nas escalas de rugas e de perda de volume. Três dos cinco autores eram funcionários da IBSA.
Fora do mapa BAP, o resultado foi menos favorável. No ensaio randomizado, triplo-cego e de hemiface de Zanella e colaboradores (2026, Aesthetic Plast Surg), feito no Brasil, 12 mulheres de 45 a 65 anos receberam Profhilo de um lado da boca e soro fisiológico do outro, em duas sessões com 30 dias de intervalo, 1 mL por sessão, em três pontos na pele do lábio superior e dois no inferior. Rugas e poros melhoraram do lado tratado, mas a espessura da derme aumentou nos dois lados, sem superar o placebo, e 54,5% das participantes se declararam insatisfeitas com o resultado. É um estudo pequeno, numa região com outro desenho de pontos, e o recado para o consultório é de expectativa: bioremodelador melhora textura e poros, não substitui o preenchedor nas rugas periorais marcadas.
Quem é boa candidata e quem não é
- Boa candidata: pele fina, desidratada, com perda de elasticidade e textura irregular no terço médio e no inferior, sem grande perda de estrutura.
- Precisa de outra ferramenta primeiro: perda de volume e de suporte ósseo ou de gordura. O bioremodelador não reposiciona; a estrutura vem antes (ver compartimentos de gordura da face).
- Não tratar: infecção ou inflamação ativa na área, lesão aberta e hipersensibilidade conhecida a componente do produto. A lista geral está em quando não aplicar injetável.
Segurança
A análise de farmacovigilância de Salti e colaboradores (2025, J Cosmet Dermatol), feita com dados de 2018 a 2023, projetou 1.091.956 pacientes tratados no rosto e registrou 371 eventos adversos, ou 0,034% dos pacientes. Os mais comuns foram edema, eritema e desconforto, ligados ao modo e ao local da aplicação. Cinco dos nove autores eram funcionários da IBSA, e o dado vem de notificação espontânea, que depende de o evento ser relatado. Na revisão sistemática de Sparavigna e colaboradores, os eventos (equimose, edema, sensação de beliscão, pequeno relevo e hematoma localizado) foram leves e costumaram desaparecer em até 72 horas.
Nada disso tira o produto da regra de todo ácido hialurônico injetado: o ponto da base nasal fica em território vascular, e branqueamento, livedo ou dor desproporcional pedem parada imediata. Tenha hialuronidase na sala e o protocolo treinado; a conduta está em oclusão vascular por ácido hialurônico e as doses em dose de hialuronidase por cenário.
Erros que mais se repetem
- Aplicar o bioremodelador em grade, como skinbooster, e gastar a seringa em dezenas de pápulas que o gel não precisa.
- Massagear para “espalhar” e deslocar o produto para fora do ponto.
- Deslizar o ponto do ângulo para a frente ao longo da borda da mandíbula, até a margem anterior do masseter, onde a artéria facial cruza o osso.
- Prometer volume a quem precisa de estrutura.
- Pular a segunda sessão e julgar o produto antes do pico de resposta.
O Dr. Thiago Perfeito declara não ter relação comercial com qualquer fabricante; a marca aparece aqui porque é o produto em que a técnica BAP foi descrita e estudada.
Da tabela ao rosto da paciente
Cinco pontos parecem fáceis no papel. A dificuldade está em achar o mesmo ponto nos dois lados de um rosto assimétrico, sentir a profundidade certa sem enxergar a ponta e dosar a velocidade do êmbolo perto da asa do nariz. Na Pós Prática do Dr. Thiago Perfeito, médico de Medicina Estética e Regenerativa com CRM-DF 23199, a técnica BAP dos bioremodeladores faz parte do Módulo B2, Colágeno, Qualidade de Pele e Tecnologias, ao lado dos skinboosters, dos peelings e do microbotox. O médico estuda o pré-work gravado antes; no sábado presencial na clínica INTI, no Lago Sul, a parte teórica é a demonstração comentada e a parte prática é a execução supervisionada da técnica em paciente modelo, numa turma de até oito médicos. As demais formações estão em /cursos/.
Perguntas frequentes
O que significa BAP na técnica do Profhilo?
Bio Aesthetic Points: pontos estéticos predeterminados em que o bioremodelador é depositado em bolus. No rosto são cinco de cada lado: proeminência zigomática, base nasal, região do trágus, mento e ângulo da mandíbula, conforme o método descrito por Koppert e colaboradores (2026).
Em que plano se aplica o Profhilo pela técnica BAP?
No subcutâneo raso. Os estudos do rosto descrevem o depósito na camada subcutânea da região malar e submalar (Laurino, 2015) ou no subcutâneo superficial (Koppert, 2026). Fundo demais, o produto se perde para o objetivo de pele; raso demais, o bolus marca.
Quantas sessões de Profhilo os estudos usaram?
Duas, com cerca de um mês de intervalo. Sparavigna e Tenconi (2016) aplicaram com 4 semanas entre as sessões e ainda viam melhora significativa na 16ª semana; no estudo de Koppert, a melhora dos poros chegou ao pico no 120º dia e recuou em parte até o 180º.
Precisa massagear depois do bolus?
A técnica não depende de massagem para espalhar o produto. A difusão no tecido é propriedade do gel de complexos híbridos, e o pequeno relevo sobre cada ponto é esperado; na revisão sistemática de Sparavigna e colaboradores (2026), eventos locais desse tipo costumaram desaparecer em até 72 horas. A paciente precisa ser avisada disso antes de sair.
Profhilo substitui o preenchedor?
Não. Ele melhora hidratação, elasticidade, textura e poros; não repõe volume nem suporte. No ensaio de Zanella e colaboradores (2026) na região perioral, a espessura da derme não superou o placebo e mais da metade das participantes ficou insatisfeita com o resultado.
Qual o ponto de maior risco na técnica BAP?
O da base nasal. Ele fica no território da artéria facial e da angular. Injeção lenta, pouca pressão, atenção à cor da pele e hialuronidase na sala, como em qualquer ácido hialurônico injetado. No ponto do ângulo, o cuidado é não deslizar para a frente, até onde a artéria facial cruza a borda da mandíbula.
Onde treinar a técnica BAP em paciente?
Em prática supervisionada. Na Pós Prática do Dr. Thiago Perfeito, a técnica BAP dos bioremodeladores está no Módulo B2, com pré-work gravado e sábado presencial: demonstração comentada na parte teórica e execução supervisionada em paciente modelo na parte prática, numa turma de até oito médicos.
Referências
- Koppert E, Zamin RZ, Lee S, Yi KH. Hybrid cooperative complex treatment is associated with reduced facial pore size in a pilot study. Sci Rep. 2026;16(1):26913. · PMID 42286046 · DOI 10.1038/s41598-026-56454-0
- Sparavigna A, Tenconi B. Efficacy and tolerance of an injectable medical device containing stable hybrid cooperative complexes of high- and low-molecular-weight hyaluronic acid: a monocentric 16 weeks open-label evaluation. Clin Cosmet Investig Dermatol. 2016;9:297-305. · PMID 27713647 · DOI 10.2147/CCID.S114450
- Laurino C, Palmieri B, Coacci A. Efficacy, Safety, and Tolerance of a New Injection Technique for High- and Low-Molecular-Weight Hyaluronic Acid Hybrid Complexes. Eplasty. 2015;15:e46. · PMID 26491508
- Tintor G, Cohadzic T, Bukic J, et al. Hybrid Cooperative Complexes of Low- and High-Molecular-Weight Hyaluronic Acid in Aesthetic Medicine. Pharmaceuticals (Basel). 2025;19(1):73. · PMID 41599673 · DOI 10.3390/ph19010073
- Humzah D, Molina B, Salti G, Cigni C, Bellia G, Grimolizzi F. Intradermal Injection of Hybrid Complexes of High- and Low-Molecular-Weight Hyaluronan: Where Do We Stand and Where Are We Headed in Regenerative Medicine? Int J Mol Sci. 2024;25(6):3216. · PMID 38542191 · DOI 10.3390/ijms25063216
- Sparavigna A, Cigni C, Tanzini L, Lualdi R, Grimolizzi F. A Systematic Review of the Efficacy and Safety of Profhilo® and Profhilo® Body. Plast Aesthet Nurs (Phila). 2026;46(2):80-92. · PMID 41920062 · DOI 10.1097/PSN.0000000000000637
- Zanella G, de Souza Ataíde FT, de Lima Bonato TC, et al. Effects of Profhilo® Tissue Bioremodeling on Skin Texture and Perioral Wrinkles: A Randomized Controlled Triple-Blind Clinical Trial. Aesthetic Plast Surg. 2026;50(11):4324-4332. · PMID 41731228 · DOI 10.1007/s00266-026-05634-4
- Salti G, Tateo A, Cassuto D, et al. Hyaluronic Acid Hybrid Cooperative Complexes Nearing 10 Years of Use: Update on Safety Assessment Based on Post-Marketing Surveillance Data. J Cosmet Dermatol. 2025;24(7):e70197. · PMID 40654100 · DOI 10.1111/jocd.70197
- Sparavigna A, Bombelli L, Giori AM, Bellia G. Efficacy and Tolerability of Hybrid Complexes of High- and Low-Molecular-Weight Hyaluronan Intradermal Injections for the Treatment of Skin Roughness and Laxity of the Neck. ScientificWorldJournal. 2022;2022:4497176. · PMID 36164489 · DOI 10.1155/2022/4497176
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