Radiofrequência microagulhada para cicatriz de acne
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Radiofrequência microagulhada para cicatriz de acne

Somar calor à agulha muda a lesão na base da cicatriz, o desconforto da sessão e o tempo de pele vermelha — mas não garante resultado maior em toda cicatriz. Abaixo, o que os estudos de acne mostraram, como a técnica se saiu contra o CO2 e contra o microagulhamento simples, e como montar a série no Morpheus8.

A radiofrequência microagulhada trata a cicatriz atrófica de acne somando à microlesão uma coluna de calor na derme. Nos estudos citados nesta página, ela melhorou os escores de cicatriz em séries curtas e chegou a resultado equivalente ao do laser de CO2 fracionado numa sessão única de hemiface, com menos reação na pele e mais dor. Na conduta do Dr. Thiago Perfeito, o Morpheus8 trabalha entre 2 e 4 mm na face, com pelo menos 30 dias entre uma sessão e a seguinte; a cicatriz presa por trave continua pedindo subcisão.

A versão sem energia está em microagulhamento com radiofrequência ou sem; o mecanismo da coagulação e o papel da agulha isolada em radiofrequência microagulhada: como funciona; a regulagem do Morpheus8 por região em Morpheus8: profundidade e energia por região. Aqui, o assunto é a cicatriz: o que os estudos de acne mostraram, contra o que a técnica foi comparada e como montar a série.

O que o calor acrescenta na cicatriz

A cicatriz atrófica é falta de matriz na derme, muitas vezes com traves fibrosas puxando a superfície para baixo. A agulha sozinha reabre o reparo; a radiofrequência entregue pela ponta da agulha soma uma zona de coagulação na profundidade escolhida. Na prática, isso permite levar o estímulo até a base da cicatriz sem a ablação de superfície do laser, o que explica dois achados que se repetem nos estudos: menos reação de superfície do que no laser ablativo, e mais desconforto durante a sessão.

Corte da pele com microagulhas entregando radiofrequência na derme — cicatriz de acne — Dr. Thiago Perfeito
Corte da pele com cinco microagulhas e as zonas de energia formadas na derme, abaixo da superfície. Na cicatriz atrófica, é essa profundidade que se busca: a base da depressão, e não a epiderme.

O que os estudos de acne mostraram

EstudoAparelho no resumoPacientesSessões e intervaloResultado
Navyadevi, 2024Legend Pro (Lumenis), ponteiras de agulha não isolada44, fototipos III a V4, a cada 3 semanasAvaliação global boa a excelente em 70%; satisfação boa a excelente em 82,5%
Ding, 2024Não nomeia126, vida real590 sessões no total; 82 fizeram 4 ou maisEscore ECCA médio de 85,6 para 35,0
Hamadani, 2025Morpheus8 (InMode)139 no braço de radiofrequência, de 3563Recaída menor em 3 anos que isotretinoína e laser
Hendel, 2023Não nomeia15, hemiface contra CO21Mesma melhora de textura que o CO2

O ensaio prospectivo de Navyadevi e colaboradores (2024, J Cutan Aesthet Surg) trabalhou numa população de pele morena, de fototipos III a V, que é justamente onde o laser ablativo assusta. Quarenta pacientes completaram a série. Na escala qualitativa de Goodman e Baron, 85% estavam nos graus 3 e 4 no início; no fim, 60% estavam no grau 2 e 12,5% no grau 1. Mesmo assim, 7 pacientes não melhoraram, e é esse número que merece ir para a conversa de consentimento, ao lado do eritema, que todos tiveram, e da mancha pós-inflamatória, que apareceu em 2.

O estudo de vida real de Ding e colaboradores (2024, Lasers Surg Med), com 126 pacientes tratados entre 2018 e 2022, olhou o que pesa na resposta. Pela escala de melhora estética, 45,2% tiveram boa melhora e 35,7% melhora significativa; 73% tiveram redução moderada a significativa do escore de cicatriz. Duas variáveis se associaram a resultado melhor: a largura de pulso mais longa e o número de sessões — quem fez mais de 3 sessões teve chance 4 vezes maior de bom resultado do que quem fez 3 ou menos. Não houve crosta, infecção nem bolha; 6 pacientes tiveram eritema em grade cerca de um mês depois, e 1 teve hiperpigmentação, ambos resolvidos em 1 a 3 meses. O resumo não nomeia o aparelho; o estudo teve financiamento público chinês, e quatro dos oito autores têm vínculo com uma clínica estética privada em Nanjing.

O dado do Morpheus8 vem da revisão retrospectiva de Hamadani e Vranis (2025, Aesthet Surg J), que comparou três abordagens em 356 pacientes: isotretinoína tópica em alta dose (128), série de 6 sessões de laser ablativo (89) e série de 3 sessões de radiofrequência microagulhada (139). No subgrupo com 3 anos de seguimento, a recaída foi menor no braço do aparelho. O título fala em remissão da acne a longo prazo, e o resumo não separa a recaída da acne ativa da evolução da cicatriz; os próprios autores escrevem que, nas cicatrizes antigas, a radiofrequência funcionou associada a outras técnicas. Os dois autores são consultores da InMode, fabricante do Morpheus8, e o artigo saiu em suplemento patrocinado pela empresa.

Contra o laser, e contra o microagulhamento simples

O ensaio de Hendel e colaboradores (2023, Lasers Surg Med) fez a comparação mais limpa: em 15 pacientes com cicatriz moderada a grave, duas áreas semelhantes foram sorteadas para uma sessão única de laser de CO2 fracionado ou de radiofrequência microagulhada, com técnica em várias camadas, primeiro na base da cicatriz e depois na área toda. Em 3 meses, as duas melhoraram a textura em 1 ponto na mediana, sem diferença. O CO2 deixou mais eritema e mais perda de integridade da pele nos dias 2 a 4; a radiofrequência doeu mais, com escala de dor de 7,0 contra 5,5. A revisão sistemática de Cai e colaboradores (2026, Aesthetic Plast Surg) chegou a uma leitura parecida com os quatro estudos de hemiface que preencheram seus critérios: a radiofrequência microagulhada melhora a cicatriz e pode ter recuperação mais curta que alguns lasers ablativos, mas os dados não mostram superioridade uniforme sobre todos os lasers fracionados. A comparação com CO2 em pele de fototipo alto está em Morpheus8 em pele negra, e os parâmetros do CO2 em laser de CO2 fracionado.

O dado que equilibra vem da metanálise de Shen e colaboradores (2022, Aesthetic Plast Surg), que reuniu 12 ensaios randomizados de microagulhamento contra outros tratamentos de cicatriz de acne. No subgrupo do microagulhamento sem energia, a melhora objetiva foi superior à dos comparadores; no subgrupo da radiofrequência microagulhada, a diferença não alcançou significância. A leitura útil é que a energia não é garantia de resultado maior: ela muda a lesão, o desconforto e o calendário, e a escolha entre as duas técnicas depende da cicatriz, da pele e da tolerância da paciente.

Remodelação do colágeno de fibras desorganizadas a organizadas após radiofrequência microagulhada — Dr. Thiago Perfeito
Três painéis de fibras de colágeno, de desorganizadas a organizadas. A coluna de calor de cada sessão entra nesse ciclo de reparo, e a matriz nova da cicatriz se forma ao longo de semanas, não no dia da sessão.

Subcisão, isotretinoína e preenchedor

Subcisão. No ensaio de hemiface de Faghihi e colaboradores (2017, J Cosmet Dermatol), 25 pacientes de fototipos II a IV com cicatriz moderada a grave receberam subcisão com agulha Nokor de um lado; duas semanas depois, os dois lados entraram na série de radiofrequência microagulhada (o resumo não nomeia o aparelho), com sessões a cada 4 semanas. O lado com subcisão teve melhora maior na avaliação cega (P = 0,009) e maior satisfação (P = 0,001). Na cicatriz mista, com componente de trave, o calor não substitui a liberação mecânica.

Isotretinoína. A espera de 6 meses depois da isotretinoína foi testada por Gallo e colaboradores (2024, Lasers Surg Med) em ensaio randomizado de três braços com radiofrequência fracionada (o resumo não nomeia o aparelho nem diz se era microagulhada). O grupo tratado durante a isotretinoína teve o volume de cicatriz reduzido de 151,1 para 97,0, melhor que o grupo que esperou 6 meses depois do fim do remédio (155,4 para 122,0) e que a isotretinoína sozinha. Trinta e oito pacientes completaram o estudo, a maioria de fototipos II e III. É um dado de um ensaio, em pele clara, e não autoriza generalizar a outras tecnologias.

Preenchedor e bioestimulador. Na cicatriz larga que não sobe com a remodelação, o volume pode vir de injetável. Quando a série de Morpheus8 e o injetável dividem a mesma área, o Dr. Thiago separa um do outro por 2 a 4 semanas — um prazo diferente do piso de 30 dias entre sessões do aparelho. O raciocínio está em tecnologia e injetável: intervalo de 2 a 4 semanas.

Ponteira de Morpheus8 aplicada na pele com eritema ao redor da área tratada — Dr. Thiago Perfeito
Ponteira de Morpheus8 sobre a pele do joelho, com o eritema e as pápulas da passada na área tratada. O eritema é a reação imediata que os estudos de acne registraram em todos os pacientes; a remodelação da cicatriz continua por semanas depois dele.

A série no Morpheus8, passo a passo

Roteiro · Cicatriz de acne com radiofrequência microagulhada

  1. Classificar a face. Contar e separar icepick, boxcar e rolling na foto inicial; rolling com trave entra no plano de subcisão antes da série.
  2. Olhar o fototipo e a acne. Pele morena pede regulagem conservadora e vigilância de mancha; acne ativa e uso de isotretinoína entram na anamnese.
  3. Regular na faixa da face. No Morpheus8, entre 2 e 4 mm, buscando a base da cicatriz; a energia sobe só depois de ver como a pele respondeu.
  4. Marcar o intervalo. Nunca antes de 30 dias entre sessões, na conduta do Dr. Thiago; os estudos espaçaram de 3 a 4 semanas.
  5. Estimar a série e revisar. As séries de número fixo nos estudos foram de 3 a 4 sessões, e no estudo de Ding mais de 3 sessões se associaram a resultado melhor; revisar com foto antes de cada retorno.
  6. Registrar o que não mudou. Cicatriz que não responde depois de algumas sessões pede outra ferramenta, não mais calor.

O número de sessões e o calendário geral do aparelho estão em Morpheus8: quantas sessões e intervalo.

Na formação

Na Pós Prática do Dr. Thiago Perfeito, médico de Medicina Estética e Regenerativa com CRM-DF 23199, a cicatriz de acne faz parte do Módulo B2, o mesmo sábado do bloco dedicado às tecnologias da clínica, com o Morpheus8 entre elas; a física dos aparelhos chega antes, no pré-work gravado. No sábado presencial, a demonstração comentada compõe a parte teórica e a execução supervisionada em paciente modelo compõe a parte prática, com no máximo oito médicos por turma. O Dr. Thiago não tem relação comercial com nenhum fabricante, inclusive o do Morpheus8.

Síntese

Na cicatriz de acne, a radiofrequência microagulhada leva calor à base da depressão sem a ablação de superfície do laser: os estudos mostram melhora em séries curtas, equivalência ao CO2 numa sessão de hemiface e mais dor durante o procedimento. A energia não substitui a subcisão na cicatriz com trave, e nem toda revisão mostra vantagem sobre a agulha simples. No Morpheus8, a série se monta entre 2 e 4 mm na face, com 30 dias no mínimo entre sessões, e se revê pela foto. Mais temas de tecnologia estão na Biblioteca, e a grade presencial em Cursos.

Perguntas frequentes

Radiofrequência microagulhada funciona para cicatriz de acne?

Os estudos mostram melhora dos escores de cicatriz. No estudo de vida real de Ding e colaboradores (2024), com 126 pacientes, o escore ECCA médio caiu de 85,6 para 35,0; no de Navyadevi e colaboradores (2024), 7 de 40 pacientes não melhoraram, o que entra no consentimento.

Quantas sessões de Morpheus8 para cicatriz de acne?

Os ensaios com número fixo de sessões citados aqui usaram de 3 a 4; o de Hendel testou uma sessão única. No estudo de vida real de Ding, o número variou de paciente para paciente, e quem fez mais de 3 sessões teve chance 4 vezes maior de bom resultado. Na conduta do Dr. Thiago, o intervalo entre sessões é de no mínimo 30 dias.

Qual a profundidade do Morpheus8 na cicatriz de acne?

Na face, entre 2 e 4 mm, na conduta do Dr. Thiago. Dentro dessa faixa, a regulagem busca a base da cicatriz e se ajusta à espessura da pele de cada região.

Radiofrequência microagulhada ou laser de CO2 para cicatriz de acne?

Numa sessão única de hemiface, o resultado de textura foi o mesmo. No ensaio de Hendel e colaboradores (2023), o CO2 deixou mais eritema e perda de integridade da pele nos primeiros dias, e a radiofrequência doeu mais.

Radiofrequência microagulhada é melhor que microagulhamento simples na cicatriz?

Nem sempre. Na metanálise de Shen e colaboradores (2022), o microagulhamento sem energia superou os comparadores, e o subgrupo da radiofrequência microagulhada não alcançou significância. A escolha depende da cicatriz, da pele e da tolerância à dor.

Precisa fazer subcisão antes da radiofrequência microagulhada?

Quando há cicatriz presa por trave, sim, vale somar. No ensaio de Faghihi e colaboradores (2017), o lado que recebeu subcisão antes da série teve melhora maior e mais satisfação.

Dá para fazer radiofrequência microagulhada durante a isotretinoína?

Há um ensaio que testou e encontrou resultado melhor. Gallo e colaboradores (2024) trataram durante a isotretinoína, com radiofrequência fracionada, e o volume de cicatriz caiu mais do que no grupo que esperou 6 meses. Foram 38 pacientes, a maioria de pele clara; é dado de um estudo, a ser pesado caso a caso.

Referências

  1. Navyadevi U, Ganni S, Satya S, et al. Efficacy and safety of microneedling radiofrequency in acne scars. J Cutan Aesthet Surg. 2024;17(4):315-319. · PMID 39649759 · DOI 10.25259/jcas_175_23
  2. Ding Z, Guo Y, Guo Y, et al. Efficacy and safety of fractional microneedle radiofrequency for atrophic acne scars: A real-world clinical study of 126 patients. Lasers Surg Med. 2024;56(2):150-164. · PMID 38282120 · DOI 10.1002/lsm.23759
  3. Hamadani F, Vranis NM. The Role of Fractional Radiofrequency in Long-term Acne Remission and Reduction of Acne Scar Load. Aesthet Surg J. 2025;45(Suppl2):S23-S31. · PMID 39817790 · DOI 10.1093/asj/sjae150
  4. Hendel K, Karmisholt K, Hedelund L, Haedersdal M. Fractional CO2-laser versus microneedle radiofrequency for acne scars: A randomized, single treatment, split-face trial. Lasers Surg Med. 2023;55(4):335-343. · PMID 36934435 · DOI 10.1002/lsm.23655
  5. Cai W, Tang Z, Mu C. Microneedling Radiofrequency Versus Fractional Laser for the Treatment of Acne Scars: A Systematic Review with Descriptive Quantitative Synthesis. Aesthetic Plast Surg. 2026 (online ahead of print). · PMID 42834161 · DOI 10.1007/s00266-026-06312-1
  6. Shen YC, Chiu WK, Kang YN, Chen C. Microneedling Monotherapy for Acne Scar: Systematic Review and Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials. Aesthetic Plast Surg. 2022;46(4):1913-1922. · PMID 35426044 · DOI 10.1007/s00266-022-02845-3
  7. Faghihi G, Poostiyan N, Asilian A, et al. Efficacy of fractionated microneedle radiofrequency with and without adding subcision for the treatment of atrophic facial acne scars: A randomized split-face clinical study. J Cosmet Dermatol. 2017;16(2):223-229. · PMID 28432727 · DOI 10.1111/jocd.12346
  8. Gallo ES, Katz U, Artzi O. Fractional Radiofrequency and Oral Isotretinoin-A Prospective Randomized Controlled Split-Face Trial Comparing Concurrent Versus Delayed Fractional Radiofrequency Treatment for Acne Scars. Lasers Surg Med. 2024;56(6):574-580. · PMID 38890778 · DOI 10.1002/lsm.23811
Dr. Thiago Perfeito, CRM-DF 23199
Dr. Thiago Perfeito · CRM-DF 23199
Medicina estética e regenerativa, Brasília–DF. Anatomia aplicada, complicações em injetáveis e medicina regenerativa.

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