Ultraformer MPT: cartuchos e técnica de aplicação
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Ultraformer MPT: cartuchos e técnica

Saber a profundidade de cada cartucho é metade do Ultraformer MPT. A outra metade é técnica: em que modo disparar, como mover o transdutor, em que ordem empilhar as profundidades e o que deixar fora do mapa. É ela que faz dois médicos com o mesmo aparelho entregarem resultados diferentes.

No Ultraformer MPT, o cartucho escolhe a camada e a técnica decide o que acontece nela: o modo de disparo (Normal ou MP), a forma de mover o transdutor, a ordem das profundidades, o vetor das linhas e o que fica de fora do mapa. O fabricante, a Classys, da Coreia do Sul, declara 10 cartuchos intercambiáveis, de 1,5 a 13 mm, organizados em três linhas — Face, Body e Booster, esta última de padrão circular — e regulagem de energia por disparo entre 0,1 e 2,0 J. Na clínica INTI, ele é um dos dois ultrassons focalizados em uso. A profundidade de cada cartucho e o mapa por região já estão no guia de profundidades dos cartuchos; esta página trata do gesto: como cada tipo de cartucho é disparado, o que muda entre os modos e como se monta a sessão.

Três famílias de cartucho, dois jeitos de disparar

Quem pega o aparelho pela primeira vez costuma tratar todos os cartuchos como iguais, só com profundidades diferentes. Na prática, as três linhas se comportam de forma diferente na pele.

FamíliaPadrão de emissãoPara que costuma entrar
FaceUma linha de disparo por vez, no modo Normal (pontos discretos) ou MP (aquecimento mais amplo da zona de coagulação)Derme, gordura superficial e, nos mais profundos da linha, a vizinhança do SMAS
BodyOs mesmos modos, em áreas largasTecido espesso do corpo, onde há profundidade que comporte o foco
BoosterPadrão circular, segundo o fabricante; no protocolo publicado de Kim (2024), o Booster raso desliza sobre a peleDo raso ao profundo: superfície, compartimentos de gordura e, no Booster mais profundo, SMAS e gordura profunda

O protocolo de Kim (2024, Plast Reconstr Surg Glob Open), feito com o Ultraformer MPT em 50 pacientes e com o plano de cada área definido depois de examinar o ultrassom do tecido, mostra bem essa diferença. No texto completo, o autor descreve o cartucho Booster mais raso passando pela face em zigue-zague, devagar no início e mais rápido quando o paciente refere formigamento ou calor; o Booster intermediário trabalhando os compartimentos de gordura, na horizontal e na vertical; e um "método estático", com o transdutor parado, no submento e na gordura do jowl, onde ele queria emissão mais concentrada. O desfecho medido foi a elevação imediata ao escâner tridimensional, maior no pescoço e menor na testa, onde o tecido é fino.

Normal e MP: o que muda no ponto

O modo Normal entrega a energia em pontos discretos. O MP, segundo o fabricante, aquece de forma mais ampla a zona de coagulação. Hwang e colaboradores (2025, J Cosmet Dermatol), que testaram quatro cartuchos do aparelho, do de 2,0 ao de 6,0 mm, em pele suína, descrevem no texto completo o modo micropulsado como pontos com microespaçamento entre si, o que concentra mais energia num único disparo, e mediram área de coagulação maior no MP do que no Normal. Na histologia, os autores viram aumento de colágeno tipo I e III, de fibras elásticas e redução de gordura.

A consequência prática é simples: trocar Normal por MP sem rever a energia e a densidade de linhas é mudar a dose térmica da sessão. Ponto maior significa margem menor até a camada vizinha — o mesmo raciocínio que vale para subir a energia.

O MP também aparece no tratamento de gordura submentoniana. Goo e colaboradores (2025, Aesthetic Plast Surg) trataram 30 pacientes de 25 a 60 anos, 20 mulheres e 10 homens, com transdutores de 4,5 e 6,0 mm em modo MP, numa sessão, e reavaliaram com 4 semanas. Na escala do avaliador, o grupo partiu de 10 casos leves, 10 moderados, 8 graves e 2 extremos e chegou a 16 leves, 8 moderados, 5 graves e 1 extremo; na autoavaliação, o nível de melhora foi de 82%, e os efeitos esperados regrediram em até 2 semanas. Um dos autores é funcionário da Classys, o resumo não nomeia o aparelho e o seguimento foi curto.

Ultraformer MPT — transdutor apoiado no terço inferior da face com a outra mão estabilizando a pele — Dr. Thiago Perfeito
Transdutor do Ultraformer MPT apoiado no terço inferior da face, enquanto a outra mão estabiliza a pele. Contato completo e pressão uniforme são o que garante que cada disparo chegue à profundidade do cartucho.

Antes do primeiro disparo

Modelo · Preparo da sessão em 5 passos

  1. Queixa e camada. Contorno, flacidez, gordura localizada ou textura — cada uma aponta para uma família de cartucho.
  2. Espessura. Medida ao ultrassom diagnóstico, quando houver, ou estimada por idade, sexo e biotipo.
  3. Mapa de exclusão desenhado na pele. Trajetos dos ramos do nervo facial, região periocular, cartilagem tireoide, proeminências ósseas, áreas com tendência a afundar.
  4. Histórico. Preenchedor e bioestimulador recentes, pele com ferida ou erosão no campo.
  5. Conforto e foto. Anestesia tópica conforme a área e fotografia padronizada antes de começar.

O passo 2 tem estudo. Yi e colaboradores (2026, Sci Rep) compararam, em 20 mulheres com 60 anos ou mais, três sessões de ultrassom focalizado com 4 semanas de intervalo feitas por protocolo convencional ou por protocolo guiado pela anatomia, individualizado com ultrassom de alta frequência; o resumo não nomeia o aparelho. Os dois reduziram a espessura dos tecidos no terço inferior e no submento; o guiado reduziu mais, e a melhora "muito melhor ou mais" na avaliação do investigador foi de 40% no convencional contra 60% no individualizado. Os próprios autores lembram que as diferenças foram submilimétricas e a amostra pequena — o que o estudo sustenta é o hábito de medir antes de escolher, não um ganho grande.

Sobre dor, Ko e colaboradores (2017, Skin Res Technol), com coautor da Classys e sem o aparelho nomeado no resumo, trataram bochechas, abdome inferior e coxas de 32 pacientes coreanos: a nota média de dor logo após a sessão foi de 3,00 ± 1,586, e ninguém referiu dor com 4 e com 12 semanas. A elasticidade medida ao cutômetro melhorou em todos os locais na 12ª semana, sem evento adverso grave. No estudo de Hwang, a face recebeu anestésico tópico antes da sessão.

A técnica do disparo

Contato. O transdutor apoia por inteiro, perpendicular à pele, com gel suficiente e pressão constante. Borda levantada é energia que não chega aonde o cartucho promete, e o ponto que sai torto pode cair fora do plano.

Ordem das profundidades. Não há uma ordem única. O protocolo de Kim começou pelo Booster mais raso, passou ao intermediário e ao profundo e terminou com cartuchos de foco raso e intermediário para reforçar o lifting; outros protocolos de ultrassom focalizado vão do plano mais profundo para o mais raso. O que vale nos dois casos é decidir a sequência antes de começar e manter o mesmo mapa da área entre as passadas.

Linhas. Linhas paralelas, lado a lado, sem empilhar disparo sobre disparo na mesma faixa. Em pele fina, empilhar é somar calor no mesmo ponto.

Vetor. Kim descreve varrer a pele de baixo para cima e inclinar levemente a ponta para tracionar o tecido no sentido do lifting — a manobra que ele chama de "inclinar e empurrar". É técnica de autor, sem comparação controlada, mas traduz um princípio útil: a linha segue o vetor que se quer reposicionar, não a conveniência do braço.

Proteção do que não é alvo. No mesmo protocolo, o cartucho de 4,5 mm não foi disparado na testa nem sobre a cartilagem tireoide, e durante o tratamento nessa profundidade os pacientes inflavam as bochechas: como o ultrassom não atravessa o ar, a bolsa de ar afasta a energia dos dentes. Nas pálpebras, o protocolo usou apenas os cartuchos mais rasos.

Camadas da face com o SMAS em destaque entre a gordura superficial e a profunda — Dr. Thiago Perfeito
Bloco em camadas da face: pele e gordura superficial em cima, a lâmina fibrosa do SMAS em destaque e, abaixo dela, gordura profunda e músculo. Os cartuchos mais profundos da linha Face miram a vizinhança dessa lâmina; logo abaixo dela correm os ramos do nervo facial.

Cartucho raso em série

Nem todo protocolo de ultrassom focalizado é de sessão única e profunda. Han e colaboradores (2022, Dermatol Ther), também com coautor da Classys e sem o aparelho nomeado no resumo, trataram 102 pessoas, 34 por região — periorbital, perioral e pescoço —, com um transdutor de 2,0 mm de profundidade focal, em três sessões com 2 semanas de intervalo. A elasticidade medida pelo índice R7 do cutômetro subiu na 10ª semana nos três grupos, e as medidas de rugas e a autoavaliação também melhoraram com 10 e com 16 semanas, sem efeito adverso permanente. O desenho é diferente do de lifting: profundidade única na derme, repetida, voltada para rugas e textura.

Esse é o ponto que a escolha de cartucho esconde: cartucho raso trata superfície; cartucho profundo, de qualquer linha, trata sustentação e volume — no protocolo de Kim, até o Booster mais profundo foi usado no SMAS e na gordura profunda. Misturar as duas lógicas na mesma área, no mesmo dia, sem critério, é a forma mais comum de sessão longa com resultado difuso.

Antes e depois de Ultraformer MPT no contorno da mandíbula em Brasília — Dr. Thiago Perfeito
Cada caso é individual e os resultados variam de pessoa para pessoa.

Quantas sessões, e com que intervalo para os injetáveis

Na INTI, o rosto costuma receber 1 a 2 sessões e o corpo, 2 a 3; a duração esperada do resultado fica entre 12 e 18 meses. Esses números vêm da rotina da clínica, não de um ensaio. A combinação com injetáveis segue a conduta do Dr. Thiago Perfeito: bioestimulador ou preenchedor de um lado, sessão de aparelho de energia do outro, com 2 a 4 semanas entre eles. Esse prazo não se confunde com o intervalo entre duas sessões do próprio Ultraformer.

A clínica também tem o Linear Z, outro ultrassom focalizado, de outro fabricante, com dois modos de disparo e cartuchos próprios. Qual dos dois entra depende do paciente e da indicação, não de hierarquia entre aparelhos.

Onde isso entra na formação

A formação do Dr. Thiago Perfeito, a Pós Prática, é dividida em quatro sábados presenciais independentes, cada um precedido de pré-work gravado que o aluno precisa assistir, para no máximo 8 médicos por turma. O Ultraformer MPT faz parte do bloco de tecnologias do Módulo B2: o que o aparelho faz, em que camada age, quando entra no plano de tratamento e o que oferecer ao paciente quando o consultório ainda não tem o aparelho. Ele reaparece de forma breve no Módulo B1 e no Módulo A1, como complemento ou alternativa ao lifting e aos injetáveis. A física das camadas fica no material gravado; no sábado, a parte teórica é demonstração comentada e a parte prática é execução supervisionada em paciente modelo. Para comparar cursos de tecnologia por critério, veja o guia de cursos de Morpheus8, Fotona e ultrassom microfocado; os módulos estão em /cursos/.

Declaração de ausência de relação comercial: nenhum vínculo do Dr. Thiago Perfeito com a Classys ou com os demais fabricantes mencionados aqui.

Perguntas frequentes

Quantos cartuchos tem o Ultraformer MPT?

O fabricante declara 10 cartuchos intercambiáveis, cobrindo de 1,5 a 13 mm, distribuídos nas linhas Face, Body e Booster (padrão circular), com regulagem de 0,1 a 2,0 J por disparo.

Qual a diferença entre o modo Normal e o modo MP?

O Normal entrega a energia em pontos discretos. O MP, micropulsado, aproxima os pontos e concentra mais energia por disparo; no estudo de Hwang (2025), a área de coagulação foi maior no MP. Trocar de modo sem rever energia e densidade muda a dose térmica.

O cartucho Booster se usa parado ou deslizando?

No protocolo de Kim (2024), feito com o aparelho, o Booster raso desliza sobre a pele, em zigue-zague, com velocidade ajustada à sensação do paciente; no submento e na gordura do jowl, o mesmo autor descreve um uso estático, com emissão concentrada.

Em que ordem se usam os cartuchos numa área tratada em duas profundidades?

Não há ordem única: o protocolo de Kim (2024) começou pelo Booster mais raso e foi aprofundando, enquanto outros protocolos de ultrassom focalizado vão do mais profundo para o mais raso. Em qualquer sequência, linhas paralelas, sem empilhar disparos na mesma faixa, e o mesmo mapa da área entre as passadas.

Por que pedir ao paciente que infle a bochecha durante o cartucho de 4,5 mm?

É uma manobra descrita por Kim (2024): o ultrassom não atravessa o ar, e a bolsa de ar afasta a energia dos dentes durante o tratamento profundo da bochecha.

Quantas sessões de Ultraformer MPT são necessárias?

No protocolo da clínica INTI, 1 a 2 sessões no rosto e 2 a 3 no corpo, com resultado que costuma durar de 12 a 18 meses. Os estudos usam desenhos diferentes, de sessão única a três sessões com 2 semanas de intervalo.

Pode fazer Ultraformer logo depois de preenchimento ou bioestimulador?

Na conduta do Dr. Thiago Perfeito, bioestimulador ou preenchedor e sessão de aparelho de energia ficam separados por 2 a 4 semanas.

Referências

  1. Kim JS. Three-dimensional Analysis of Lifting Effects after High-intensity Focused Ultrasound (Ultraformer-MPT) across Seven Facial Aesthetic Units Considering SonoAnatomy. Plast Reconstr Surg Glob Open. 2024;12(10):e6203. · PMID 39372881 · DOI 10.1097/GOX.0000000000006203
  2. Hwang Y, Wan J, Yi KH. Do Different High-Intensity-Focused Ultrasound Frequencies Have Different Effects? A Histological Analysis Correlated With Patients' Subjective Assessments. J Cosmet Dermatol. 2025;24(2):e70069. · PMID 39973106 · DOI 10.1111/jocd.70069
  3. Goo B, Kim E, Yoon SE, et al. Efficacy and Safety of High-Intensity Focused Ultrasound (HIFU) on Reduction of Unwanted Submental Fat in Asian Patients. Aesthetic Plast Surg. 2025;49(13):3750-3755. · PMID 40355620 · DOI 10.1007/s00266-025-04890-0
  4. Yi KH, Park Y, Song JK, et al. Individualized HIFU in women over 60: ultrasound assessment of layer-specific facial soft-tissue thickness changes. Sci Rep. 2026. · PMID 42469307 · DOI 10.1038/s41598-026-61092-7
  5. Ko EJ, Hong JY, Kwon TR, et al. Efficacy and safety of non-invasive body tightening with high-intensity focused ultrasound (HIFU). Skin Res Technol. 2017;23(4):558-562. · PMID 28543777 · DOI 10.1111/srt.12371
  6. Han HS, Park JW, Kim SY, et al. Safety and efficacy of high-intensity focused ultrasound for treatment of periorbital, perioral, and neck wrinkles: Prospective open single-center single-arm confirmatory clinical trial. Dermatol Ther. 2022;35(5):e15420. · PMID 35249260 · DOI 10.1111/dth.15420
Dr. Thiago Perfeito, CRM-DF 23199
Dr. Thiago Perfeito · CRM-DF 23199
Medicina estética e regenerativa, Brasília–DF. Anatomia aplicada, complicações em injetáveis e medicina regenerativa.

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