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Como escolher aparelho estético para a clínica: os 7 critérios antes de assinar

A proposta chegou com prazo para assinar: preço, fotos da demonstração, projeção de faturamento. Faltam a indicação declarada por área, o registro, o preço de reposição da ponteira e quem conserta o aparelho depois da garantia. Sem esses campos, ela não se compara com outra.

A resposta direta: sete critérios, nesta ordem. Indicação: declaração escrita para cada área que a clínica atende, como flacidez de face. Registro: número, nome comercial, detentor e situação vigente conferidos na Anvisa e, se o nome do aparelho não consta, o documento que os liga. Consumível por sessão = preço da ponteira ou cartucho ÷ sessões da área que ele atende, somados os consumíveis. Investimento cotado, com instalação, treinamento e acréscimo do parcelamento. Garantia e assistência. Sem resposta escrita, a opção sai. Margem por sessão: zero ou negativa tira a opção. Sessões para pagar = investimento ÷ margem: fica a de menos, até o teto que você aceita; empate, a de menor consumível; nenhuma até o teto, nenhuma se compra nesta rodada. Quando as áreas não chegam ao mesmo resultado, a conta não decide a compra.

Vale para qualquer aparelho estético comprado para vender sessão, sem nomear marca. Ficam fora eficácia comparada, protocolo clínico, avaliação do treinamento, divulgação do aparelho, financiamento fora da cotação ou leasing e a formação do preço da sessão, aqui dado de entrada. Manutenção e prazo em meses ficam fora da conta de sessões para pagar.

Em que estágio da clínica este tema pesa

  1. 0Improvisar
  2. 1Monetizar
  3. 2Atrair
  4. 3Estabilizar
  5. 4Priorizar
  6. 5Produtizar
  7. 6Otimizar
  8. 7Organizar
  9. 8Especializar
  10. 9Capitalizar

Estágio 4 · Priorizar

A clínica diz sim para tudo, e isso custa margem. Aqui se escolhe o paciente ideal, o preço e o que deixar de fazer.

Seu papel
Gestor
Equipe
5 a 9 pessoas
O gargalo
Você faz de tudo, para todo tipo de paciente
Você sai quando
A agenda está cheia do paciente ideal e dos procedimentos de maior margem
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Por que a proposta não decide a compra

A proposta responde "por que este aparelho"; a sua pergunta é "qual opção, para as indicações que eu atendo, com qual custo". Três coisas impedem a comparação.

A área. O material de venda cita usos; a compra precisa do documento que declara a indicação em cada área que a clínica atende, e de quem declara: fabricante ou distribuidor.

O consumível. Um distribuidor cota a ponteira pela peça, outro pela caixa, outro o cartucho por disparos. Sem as sessões da área que cada um atende, declaradas por escrito, o consumível "mais barato" é só a etiqueta menor.

O registro. Certificação de outro país não é registro na Anvisa, e o nome no registro brasileiro pode não ser o comercial do aparelho.

O mecanismo: indicação, registro e só então o custo

Cada etapa elimina opções que a seguinte trataria como válidas: custo calculado para aparelho sem a sua área declarada, ou com registro que não bate, é conta em vão. No custo por sessão, critérios 3 a 7, a unidade de decisão é a sessão, não o preço do aparelho nem o do consumível: aparelho mais caro com consumível mais barato por sessão pode levar mais sessões para se pagar.

A [MARGEM DA HORA DESLOCADA] é a margem do procedimento que a hora ocupada pela sessão já vendia antes do aparelho; zero quando essa hora hoje fica vaga.

Os 7 critérios antes de assinar, nesta ordem

  1. 1Indicação: declaração escrita para cada área que a clínica atende
  2. 2Registro: número, nome comercial, detentor e situação vigente conferidos na consulta da Anvisa e, se o nome do aparelho não aparece no registro, o documento escrito que os liga
  3. 3Consumível por sessão = preço da ponteira ou cartucho ÷ sessões da área que ele atende, somados os consumíveis da sessão
  4. 4Investimento cotado: aparelho + instalação e treinamento + acréscimo do parcelamento
  5. 5Garantia e assistência depois dela, respondidas por escrito
  6. 6Margem por sessão: zero ou negativa tira a opção
  7. 7Sessões para pagar = investimento cotado ÷ margem por sessão; fica a de menos sessões, até o teto que você aceita; empate, a de menor consumível por sessão; nenhuma até o teto, nenhuma se compra nesta rodada
Sem resposta escrita do distribuidor, a opção sai. Quando as áreas não chegam ao mesmo resultado, a conta não decide a compra.
Modelo: IRC-7 — Indicação, Registro e Custo por sessão, nessa ordem, até as sessões para pagar
  1. Filtrar pela indicação (critério 1). Escreva [INDICAÇÕES E REGIÕES QUE A CLÍNICA JÁ ATENDE], uma por linha, como flacidez de face: cada linha é uma área no resto do modelo. Para cada aparelho, anote área por área o documento que declara a indicação naquela região e quem declara: fabricante ou distribuidor. Fica só o aparelho com declaração escrita para cada área que você atende. Pronto quando: cada área tem um documento e uma fonte ao lado.
  2. Conferir o registro (critério 2). Envie ao distribuidor: "Qual o número do registro Anvisa deste aparelho, o nome comercial que consta nele e quem é o detentor? Se o nome do aparelho não aparece no registro, qual documento liga um ao outro?" Confira [NÚMERO DO REGISTRO ANVISA], [NOME COMERCIAL NO REGISTRO] e [DETENTOR DO REGISTRO] na consulta de produtos para saúde do portal da Anvisa, com a situação vigente. Pronto quando: os campos batem com a consulta e, se o nome do aparelho não aparece no registro, o documento que liga os dois chegou por escrito; senão, a opção saiu.
  3. Converter a cotação em campos (critérios 3, 4 e 5). [CONSUMÍVEL POR SESSÃO] = [PREÇO DA PONTEIRA OU CARTUCHO] ÷ [SESSÕES DA ÁREA QUE O CONSUMÍVEL ATENDE], declarado por escrito pelo distribuidor, para cada consumível que a sessão da área usa; se usa mais de um, some as contas; se não usa nenhum, zero. Quando o rendimento é declarado em disparos ou outra unidade, [SESSÕES DA ÁREA QUE O CONSUMÍVEL ATENDE] = [RENDIMENTO DECLARADO] ÷ [USO POR SESSÃO DA ÁREA, NA MESMA UNIDADE, PELO SEU PROTOCOLO]. [INVESTIMENTO COTADO] = [PREÇO DO APARELHO COTADO] + [INSTALAÇÃO E TREINAMENTO COTADOS] + [ACRÉSCIMO DO PARCELAMENTO], zero se à vista. Pronto quando: todas as perguntas da tabela de perguntas ao distribuidor têm resposta escrita; opção sem resposta escrita sai.
  4. Calcular a margem por sessão (critério 6). [MARGEM POR SESSÃO] = [PREÇO DA SESSÃO] − [CONSUMÍVEL POR SESSÃO] − [IMPOSTO E OUTROS CUSTOS VARIÁVEIS DA SESSÃO] − [MARGEM DA HORA DESLOCADA]. Em pacote, [PREÇO DA SESSÃO] = valor do pacote ÷ sessões incluídas; se a área se vende em mais de um formato, avulsa ou em pacotes, use o menor desses preços. Pronto quando: cada opção restante tem a sua margem, área por área; margem zero ou negativa tira a opção.
  5. Decidir pelas sessões para pagar (critério 7). [SESSÕES PARA PAGAR] = investimento ÷ margem. Escreva [TETO DE SESSÕES QUE VOCÊ ACEITA]. Fica a opção com menos sessões para pagar, até o teto; empate, a de menor consumível por sessão. Nenhuma até o teto: nenhuma se compra nesta rodada. Com mais de uma área, decida área por área; quando as áreas não chegam ao mesmo resultado, a conta não decide a compra. Pronto quando: o resultado de cada área está escrito ao lado dos números das opções.
Exemplo ilustrativo

Números fictícios, sem relação com nenhuma marca: as opções se chamam A, B e C. A clínica fictícia atende uma área só, flacidez de face, e vende só sessão avulsa.

Critérios 1 e 2: as três declaram flacidez de face por escrito, e os três registros conferem na consulta.

Critérios 3 a 5: A e B respondem tudo por escrito; C não responde por escrito quem faz a assistência depois da garantia: C sai. Em A, ponteira de R$ 1.000 ÷ 4 sessões declaradas = R$ 250 por sessão; aparelho de R$ 146.000 + instalação e treinamento de R$ 4.000, à vista = R$ 150.000. Em B, cartucho de R$ 3.000 com rendimento declarado de 15.000 disparos; com 1.000 disparos por sessão, hipótese da simulação, 15.000 ÷ 1.000 = 15 sessões, e 3.000 ÷ 15 = R$ 200 por sessão; aparelho de R$ 163.000 + R$ 6.000, à vista = R$ 169.000.

Critério 6: sessão a R$ 1.800 nas duas, imposto e outros custos variáveis de R$ 300 e hora hoje vaga, margem deslocada zero. Margem de A: 1.800 − 250 − 300 − 0 = R$ 1.250; de B: 1.800 − 200 − 300 − 0 = R$ 1.300.

Critério 7: A, 150.000 ÷ 1.250 = 120; B, 169.000 ÷ 1.300 = 130. Teto declarado de 140 sessões; as duas cabem, e fica A, com 120.

A tabela comparativa: os sete critérios para cada opção

Uma linha por critério e uma coluna por opção; com mais de uma área, uma tabela por área. A opção que sai numa linha não entra na seguinte.

Critério e campo[OPÇÃO A][OPÇÃO B][OPÇÃO C]A opção sai quando
1. Indicação: [DOCUMENTO QUE DECLARA A INDICAÇÃO NA REGIÃO] e quem declara, fabricante ou distribuidorfalta declaração escrita para uma área que a clínica atende
2. Registro Anvisa: os três campos do passo 2 e a situação vigenteos campos não batem com a consulta, ou falta o documento que liga o nome do aparelho ao registro
3. Consumível por sessão: [PREÇO DA PONTEIRA OU CARTUCHO], [SESSÕES DA ÁREA QUE O CONSUMÍVEL ATENDE] e [CONSUMÍVEL POR SESSÃO]com ponteira ou cartucho, o preço de reposição, ou as sessões da área ou o rendimento, não vêm por escrito
4. Investimento cotado: [INVESTIMENTO COTADO]instalação, treinamento ou total parcelado não vêm por escrito
5. Garantia e assistência: prazo e cobertura da garantia; quem atende depois dela, onde, em quanto tempo e a que custoa resposta não vem por escrito
6. Margem por sessão: [MARGEM POR SESSÃO]a margem é zero ou negativa
7. Sessões para pagar: [SESSÕES PARA PAGAR] ao lado de [TETO DE SESSÕES QUE VOCÊ ACEITA]passa do teto; até ele, fica a de menos sessões e, no empate, a de menor consumível por sessão

As perguntas ao distribuidor: versão fraca e versão do modelo

A pergunta fraca recebe a resposta da demonstração; a do modelo exige número, documento ou nome que entra num campo.

AssuntoVersão fracaVersão do modelo
Registro"Ele tem Anvisa?""Qual o número do registro, o nome comercial que consta nele e o detentor? Se o nome do aparelho não aparece, qual documento liga um ao outro?"
Indicações e regiões"Serve para corpo?""Para cada área que eu atendo, como flacidez de face, qual documento declara a indicação naquela região, e é do fabricante ou só do distribuidor?"
Ponteira ou cartucho"Quanto custa a ponteira?""Quais ponteiras ou cartuchos da versão vendida no Brasil entram em [PREÇO DO APARELHO COTADO] e quais são vendidos à parte? Qual o preço de reposição de cada um, até quando vale e quantas sessões da área cada um atende, ou o rendimento declarado, por escrito?"
Investimento"Qual o valor do aparelho?""Quanto custam, à parte, a instalação e o treinamento, e qual o total pago se eu parcelar?"
Garantia"Tem garantia?""Qual o prazo, o que ela cobre e o que fica fora: ponteira, cartucho, peça de mão ou console?"
Assistência"Tem assistência técnica?""Depois da garantia, quem faz a assistência, em que cidade, em quanto tempo o aparelho volta a funcionar e quanto custa o contrato por ano?"

Checklist de compra

Antes de assinar, cada critério tem documento ou número:

O consumível muda com a área, porque indicação e região podem pedir ponteiras ou cartuchos diferentes: por isso a conta se faz por área. Onde só o distribuidor declara a área, o documento entra no contrato. E a escolha por indicação não cria indicação: o Código de Ética Médica veda ao médico praticar ou indicar atos médicos desnecessários (art. 14), e o número de sessões para pagar é critério de compra, nunca de indicação ao paciente.

O [PREÇO DA SESSÃO] avulsa que entra no critério 6 se calcula como em como precificar um procedimento. Se o aparelho entra na abertura do consultório, o [INVESTIMENTO COTADO] é linha do bloco de montagem de quanto custa montar um consultório.

Perguntas frequentes

Como escolher aparelho estético para a clínica?

Sete critérios, nesta ordem. Indicação: declaração escrita para cada área que a clínica atende, como flacidez de face. Registro: número, nome comercial, detentor e situação vigente conferidos na consulta da Anvisa e, se o nome do aparelho não consta, o documento que os liga. Consumível por sessão: preço da ponteira ou cartucho dividido pelas sessões da área que ele atende, somados os consumíveis. Investimento cotado. Garantia e assistência. Sem resposta escrita, a opção sai. Margem por sessão: zero ou negativa tira a opção. Sessões para pagar: investimento dividido pela margem; fica a de menos, até o teto que você aceita; empate, a de menor consumível por sessão; nenhuma até o teto, nenhuma se compra nesta rodada. Quando as áreas não chegam ao mesmo resultado, a conta não decide a compra.

Qual aparelho estético comprar primeiro?

O critério não é a categoria nem a marca: é a conta da clínica. Escreva as indicações e regiões que a clínica já atende, uma por linha, como flacidez de face. Fica só o aparelho com declaração escrita para cada uma, do fabricante ou do distribuidor, e registro conferido na consulta da Anvisa. Entre os que restam, com as respostas escritas do distribuidor e margem por sessão acima de zero, fica o de menos sessões para pagar, investimento cotado dividido pela margem por sessão, até o teto que você aceita; empate, o de menor consumível por sessão; nenhum até o teto, nenhum se compra nesta rodada. Quando as áreas não chegam ao mesmo resultado, a conta não decide a compra.

Como comparar o custo da ponteira ou do cartucho entre aparelhos?

Pelo consumível por sessão, não pelo preço da peça. Divida o preço da ponteira ou do cartucho pelas sessões da área que ele atende, número que o distribuidor declara por escrito. Quando o rendimento vem em disparos ou outra unidade, as sessões da área são o rendimento declarado dividido pelo uso por sessão da área, na mesma unidade, pelo seu protocolo. Se a sessão usa mais de um consumível, some as contas. Esse consumível entra na margem por sessão, junto com o preço da sessão, o imposto e outros custos variáveis e a margem da hora deslocada. Aparelho mais caro com consumível mais barato por sessão pode levar mais sessões para se pagar: faça a conta por área.

Como calcular o payback de um aparelho estético em número de sessões?

Sessões para pagar é o investimento cotado dividido pela margem por sessão. O investimento cotado soma o preço do aparelho, a instalação e o treinamento e o acréscimo do parcelamento, zero se à vista. A margem por sessão é o preço da sessão menos o consumível por sessão, o imposto e outros custos variáveis e a margem da hora deslocada, que é zero quando essa hora hoje fica vaga. Em pacote, o preço da sessão é o valor do pacote dividido pelas sessões incluídas; se a área se vende em mais de um formato, avulsa ou em pacotes, use o menor desses preços. Margem zero ou negativa tira a opção. Manutenção e prazo em meses ficam fora desta conta.

Que perguntas fazer ao distribuidor antes de comprar um aparelho estético?

Seis assuntos, todos com resposta por escrito. Registro: número, nome comercial, detentor e o documento que liga o nome do aparelho ao registro. Indicações e regiões: para cada área, como flacidez de face, o documento que declara a indicação naquela região, e se é do fabricante ou só do distribuidor. Ponteira ou cartucho: quais da versão vendida no Brasil entram no preço cotado, preço de reposição, validade da cotação e sessões da área que cada um atende, ou rendimento declarado. Investimento: instalação, treinamento e total pago se parcelar. Garantia: prazo, o que cobre e o que fica fora. Assistência: quem atende depois da garantia, em que cidade, em quanto tempo o aparelho volta a funcionar e quanto custa o contrato. Opção sem resposta escrita sai da comparação.

Como conferir o registro Anvisa de um aparelho estético antes de comprar?

Peça ao distribuidor, por escrito, o número do registro, o nome comercial que consta nele e o detentor, e confira os três na consulta de produtos para saúde do portal da Anvisa, com a situação vigente. Certificação de outro país não é registro na Anvisa, e o nome no registro brasileiro pode não ser o nome comercial do aparelho: quando não é, peça o documento escrito que liga um ao outro. Com campos que não batem com a consulta, ou sem esse documento, a opção sai antes de qualquer conta de custo, porque custo calculado para aparelho com registro que não bate é conta em vão.

Referências

  1. Conselho Federal de Medicina. Código de Ética Médica (2019) — Capítulo III, art. 14, que veda ao médico praticar ou indicar atos médicos desnecessários: sustenta a frase de que o número de sessões para pagar é critério de compra, nunca de indicação ao paciente.

Os números deste artigo são fictícios e ilustrativos, não constituindo promessa de resultado. Cada consultório tem realidade própria de demanda, ticket e perfil de paciente. Este conteúdo não substitui orientação contábil, jurídica ou de proteção de dados (LGPD) específica para o seu caso.

Dr. Thiago Perfeito, CRM-DF 23199
Dr. Thiago Perfeito · CRM-DF 23199
Médico, dono de consultório particular em Brasília–DF. Escreve sobre gestão, precificação e operação de consultório a partir da própria prática — não de teoria de consultoria.

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