Dizer ao paciente o que ele não precisa fazer: como a indicação negativa entra na consulta e no prontuário

O paciente chega com uma lista: o que viu numa rede social, o que a amiga fez, um "já que estou aqui, dá para incluir?". A consulta termina com a lista inteira no plano e mais um item. Ele sai com uma folha que só soma e leva para casa uma pergunta que não é clínica: "isso foi indicação ou venda?".
A resposta direta: antes de prescrever o indicado, o médico diz o que não indica, com o motivo, e escreve isso. Pelo Cardápio Prescrito, quando algum pedido fica fora, a parte do plano abre com a frase "Antes do que eu indico, vou dizer o que não indico para você agora, e por quê."; cada item pedido que fica fora, inteiro ou em parte, recebe uma das cinco falas, entra no bloco "Não indicado agora" da folha de plano, acima do indicado, e ganha uma linha no prontuário com data, hora, motivo, reavaliação, nome, CRM e assinatura. O veredito é técnico e do médico. Quando é o paciente quem recusa ou adia o que foi indicado, o registro é outro e fica fora desta página.
Em que estágio da clínica este tema pesa
- 0Improvisar
- 1Monetizar
- 2Atrair
- 3Estabilizar
- 4Priorizar
- 5Produtizar
- 6Otimizar
- 7Organizar
- 8Especializar
- 9Capitalizar
Estágio 4 · Priorizar
A clínica diz sim para tudo, e isso custa margem. Aqui se escolhe o paciente ideal, o preço e o que deixar de fazer.
- Seu papel
- Gestor
- Equipe
- 5 a 9 pessoas
- O gargalo
- Você faz de tudo, para todo tipo de paciente
- Você sai quando
- A agenda está cheia do paciente ideal e dos procedimentos de maior margem
Por que a consulta que só acrescenta é lida como venda
Na consulta eletiva, o paciente não avalia a técnica; avalia o que o médico faz com o pedido dele. Se tudo o que pediu entrou no plano, e mais um pouco, a folha mostra uma lista que cresceu, não um critério. Indicação e oferta ficam com a mesma cara, porque a indicação nunca apareceu fazendo o que só ela faz, que é tirar algo da lista.
O "não" que não foi dito também custa depois. O item que ninguém comentou segue aberto: o paciente volta pedindo o mesmo ou faz em outro lugar, achando que foi esquecimento. E o prontuário, sem linha sobre o que foi pedido e desaconselhado, não diz a quem o reler se o item foi discutido. Desaconselhar de passagem, sem escrever, tem o mesmo defeito: o paciente leva para casa só a parte do sim.
O mecanismo: o não dito antes torna o sim legível
Quando o médico começa pelo que não entra e diz por quê, o que vem depois é o que sobrou de uma seleção feita diante do paciente. Cada item fora tem motivo técnico escrito, nunca preço. O modelo controla o que o paciente vê do raciocínio, não a decisão dele sobre o indicado.
O Código de Ética Médica arrola, sob o chapéu "É vedado ao médico:", "praticar ou indicar atos médicos desnecessários ou proibidos pela legislação vigente no País" (art. 14). O pedido do paciente não muda essa régua: quem decide se um item entra é a avaliação. Dizer o veredito em voz alta é decisão deste modelo. Sob o mesmo chapéu, em outro capítulo, está "exagerar a gravidade do diagnóstico ou do prognóstico, complicar a terapêutica ou exceder-se no número de visitas, consultas ou quaisquer outros procedimentos médicos" (art. 35) — a vedação que a fala 2, para quem pede mais do que precisa, respeita.
Para o registro, o art. 87, § 1º, diz que "o prontuário deve conter os dados clínicos necessários para a boa condução do caso, sendo preenchido, em cada avaliação, em ordem cronológica com data, hora, assinatura e número de registro do médico no Conselho Regional de Medicina". Se a indicação negativa é dado necessário à boa condução do caso, quem julga é o médico; este modelo a trata como tal, e a linha de registro traz os campos que o parágrafo nomeia. Nenhum dos três artigos desenha a folha: bloco e linha são proposta de organização. Valide a redação com seu assessor jurídico e verifique junto ao CRM da sua jurisdição.
- Anote o pedido. No início da consulta, pergunte: "Antes de eu examinar: o que você gostaria de fazer, ou já pensou em fazer?" Cada item entra numa lista com as palavras do paciente, inclusive "o pacote completo"; item mencionado mais tarde entra na hora. No pedido que cita outra pessoa, cada coisa que o paciente diz que ela fez é um item; se ele não souber dizer, o item é o próprio pedido, como "o que a minha amiga fez", e, se ele disser mais tarde, esse item sai da lista e entram as coisas que ele disser. Está pronto quando todo item que o paciente nomeou está na lista.
- Dê um veredito a cada item, depois da avaliação. São três: indicado agora (inteiro no plano); indicado em quantidade menor (a parte indicada no plano, o que passa dela no bloco); não indicado agora (inteiro no bloco, com motivo e reavaliação). O veredito é técnico e do médico; preço não entra. Para cada item do bloco, escolha a fala nesta ordem: pedido que cita outra pessoa, fala 3, e, se o item é o próprio pedido, com o veredito não indicado agora; pedido de "tudo" sem nomear itens, fala 4, com o veredito não indicado agora, sem reavaliação prevista; nos demais, decide o veredito — não indicado agora sem reavaliação prevista, fala 1; quantidade menor, fala 2; não indicado agora com data ou condição de reavaliação, fala 5. Está pronto quando nenhum item da lista está sem veredito.
- Diga o não indicado primeiro. Abra a parte do plano com a frase fixa "Antes do que eu indico, vou dizer o que não indico para você agora, e por quê." e diga, item a item, a fala escolhida no passo 2 (as cinco estão na tabela abaixo); só então, o indicado. Se nenhum item pedido ficou fora, a frase fixa não é dita. Está pronto quando todo item do bloco foi dito, com o motivo, antes da primeira etapa indicada.
- Escreva o bloco "Não indicado agora" acima do indicado. Na folha de plano, antes das etapas: "NÃO INDICADO AGORA. Itens que você pediu ou perguntou nesta consulta e que não entram neste plano, por indicação médica: [ITEM PEDIDO, COM AS PALAVRAS DO PACIENTE] — motivo: [MOTIVO TÉCNICO, EM LINGUAGEM COMUM] — reavaliar: [DATA OU CONDIÇÃO DE REAVALIAÇÃO, OU 'sem reavaliação prevista']. O que está indicado, se houver, vem a seguir, nesta mesma folha. A decisão de fazer o que está indicado é sua." Uma linha por item. No veredito de quantidade menor, o item é a parte que passa do indicado: "pedido: [QUANTIDADE PEDIDA]; indicado: [QUANTIDADE INDICADA]". No pedido de "tudo", o motivo é "o plano reúne só o que foi indicado para o seu caso". No pedido que cita outra pessoa sem dizer o que ela fez, o motivo é "sem saber o que foi feito, não há o que avaliar para o seu caso" e o reavaliar é "quando você souber dizer o que foi feito". Está pronto quando a conferência fecha: indicados inteiros + divididos + fora inteiros = itens pedidos. Não fechou: volte ao passo 2 antes de entregar.
- Registre cada linha do bloco no prontuário. Uma linha de registro por linha do bloco: "[DATA], [HORA]. Pedido do paciente: [ITEM PEDIDO, COM AS PALAVRAS DO PACIENTE]. Não indicado agora: [ITEM OU PARTE DO PEDIDO QUE NÃO ENTRA]. Motivo: [MOTIVO ESCRITO NO BLOCO]. Reavaliar: [DATA OU CONDIÇÃO DE REAVALIAÇÃO, OU 'sem reavaliação prevista']. Paciente informado do motivo nesta consulta, antes da apresentação do plano; item escrito no bloco 'Não indicado agora' da folha de plano entregue a ele. [NOME DO MÉDICO], CRM-[UF] [NÚMERO DO CRM]. [ASSINATURA DO MÉDICO]." Está pronto quando o número de linhas de registro é igual ao número de linhas do bloco.
Cardápio Prescrito: a ordem na consulta
- Início da consultaPasso 1 · Anote o pedido, com as palavras do paciente.
- Depois da avaliaçãoPasso 2 · Dê um veredito a cada item: indicado agora, indicado em quantidade menor ou não indicado agora.
- Antes do planoPasso 3 · Diga o não indicado primeiro, com o motivo, e só então o indicado.
- Na folhaPasso 4 · Escreva o bloco Não indicado agora acima do indicado.
- No prontuárioPasso 5 · Uma linha de registro por linha do bloco.
Consulta fictícia, para conferir a folha. O paciente pediu quatro itens, A, B, C e D, com B em 6 sessões; nenhum cita outra pessoa nem pede "tudo". Vereditos fictícios: D indicado agora; B indicado em 3 sessões; A não indicado agora, sem reavaliação prevista; C não indicado agora, reavaliar em [DATA]. Conferência do passo 4: indicados inteiros (D) + divididos (B) + fora inteiros (A e C) = 1 + 1 + 2 = 4, igual aos 4 pedidos: a folha pode sair. Linhas do bloco: divididos + fora inteiros = 1 + 2 = 3, e a de B traz "pedido: 6 sessões; indicado: 3 sessões". Linhas de registro: 3. Falas, pela ordem do passo 2: A, fala 1; B, fala 2; C, fala 5. Se a soma desse 3, um item teria ficado sem veredito e a folha voltaria ao passo 2. Troque itens, quantidades e vereditos pelos do seu caso e refaça as duas contas.
As cinco falas: a versão que soa venda × a versão pelo Cardápio Prescrito
A linha sai da ordem do passo 2, e cada fala vale para um item do bloco. Todo fato clínico sobre o paciente está entre colchetes; a frase que fecha as cinco é a mesma, porque todo item fora vai para o mesmo bloco.
| Situação | Versão que soa venda | Fala pelo Cardápio Prescrito |
|---|---|---|
| 1. Pede um procedimento que não é indicado (sem reavaliação prevista) | "Pode fazer, sim. E já aproveito para incluir [OUTRO PROCEDIMENTO]." | "Você pediu [ITEM PEDIDO]. Esse eu não indico para você, porque [MOTIVO TÉCNICO, EM LINGUAGEM COMUM]. Isso fica escrito na sua folha, na parte 'Não indicado agora', com o motivo." |
| 2. Pede mais do que precisa | "Se você quer [QUANTIDADE PEDIDA], a gente faz [QUANTIDADE PEDIDA]." | "Você pediu [QUANTIDADE PEDIDA] de [ITEM]. Eu indico [QUANTIDADE INDICADA], porque [MOTIVO TÉCNICO, EM LINGUAGEM COMUM]. O que passa disso não entra no plano. Isso fica escrito na sua folha, na parte 'Não indicado agora', com o motivo." |
| 3. Compara com a amiga | "Se ficou bom nela, vai ficar bom em você também." | "Sobre o tratamento de outra pessoa eu não comento. Para você, o que decide é a sua avaliação. [ITEM QUE NÃO INDICO] eu não indico para você, porque [MOTIVO TÉCNICO, EM LINGUAGEM COMUM]. Isso fica escrito na sua folha, na parte 'Não indicado agora', com o motivo." |
| 4. Pede "o pacote completo" | "Fecho o pacote completo para você, com tudo o que a gente faz aqui." | "Um plano com tudo o que a clínica faz eu não monto: o plano tem só o que eu indico para o seu caso. Se você tinha em mente algum item específico, me diga qual, que eu digo se entra ou não, e por quê. Isso fica escrito na sua folha, na parte 'Não indicado agora', com o motivo." |
| 5. Pede algo fora do momento (com reavaliação) | "Dá para fazer hoje mesmo, se você quiser." | "[ITEM PEDIDO] eu não indico agora, porque [MOTIVO TÉCNICO PARA NÃO SER AGORA, EM LINGUAGEM COMUM]. Reavaliamos em [DATA OU CONDIÇÃO DE REAVALIAÇÃO]; até lá, ele não entra no plano. Isso fica escrito na sua folha, na parte 'Não indicado agora', com o motivo." |
O conteúdo dos colchetes muda com a especialidade (exame, medicação, sessão, procedimento, retorno); a ordem e a frase de fechamento, não. Na fala 3, o médico não confirma nem comenta o tratamento de outra pessoa, mesmo que ela seja paciente da clínica. Na fala 4, fica de fora o "tudo", não o pacote de sessões de um tratamento indicado. Se o paciente insistir, fala e linha não mudam: o veredito só muda numa nova avaliação do médico. E dois registros vizinhos são outros: quando o paciente adia uma fase indicada, o campo é o "Adiado por escolha do paciente"; quando recusa o indicado, o documento é o termo de recusa.
Se, com a folha na mão, o paciente diz que vai pensar, a resposta é abrir a dúvida que ficou, como mostra o que o "vou pensar" revela sobre a sua consulta. E a folha com o não indicado escrito pertence à consulta, um dos pontos de contato da jornada desenhada em a experiência do paciente no consultório.
Perguntas frequentes
Como dizer não ao paciente que pede um procedimento que não é indicado?
Diga o que não indica antes de apresentar o que indica, com o motivo técnico, e escreva. Pelo Cardápio Prescrito, a parte do plano abre com a frase "Antes do que eu indico, vou dizer o que não indico para você agora, e por quê." e segue com a fala: "Você pediu [ITEM PEDIDO]. Esse eu não indico para você, porque [MOTIVO TÉCNICO, EM LINGUAGEM COMUM]. Isso fica escrito na sua folha, na parte 'Não indicado agora', com o motivo." O item entra no bloco Não indicado agora da folha de plano, acima do indicado, e ganha uma linha no prontuário. O motivo nunca é preço.
O que o médico responde quando o paciente quer fazer o mesmo que a amiga fez?
A fala começa por não comentar o caso de outra pessoa: "Sobre o tratamento de outra pessoa eu não comento. Para você, o que decide é a sua avaliação." O médico não confirma nem comenta o tratamento da amiga, mesmo que ela seja paciente da mesma clínica. Cada coisa que o paciente diz que a amiga fez é um item com veredito próprio; para o que não indica, a fala segue com o motivo técnico. O item que fica fora vai para o bloco Não indicado agora da folha e para uma linha do prontuário, como qualquer outro.
Paciente pediu o pacote completo: como responder sem montar um plano com tudo?
Pela fala 4 do Cardápio Prescrito: "Um plano com tudo o que a clínica faz eu não monto: o plano tem só o que eu indico para o seu caso. Se você tinha em mente algum item específico, me diga qual, que eu digo se entra ou não, e por quê." O pedido de tudo vira uma linha do bloco Não indicado agora, com o veredito não indicado agora, sem reavaliação prevista, e o motivo "o plano reúne só o que foi indicado para o seu caso". O que fica de fora é o tudo, não o pacote de sessões de um tratamento indicado. Item nomeado depois entra na lista e recebe veredito próprio.
Como registrar no prontuário que um procedimento pedido não foi indicado?
Com uma linha de registro para cada linha do bloco Não indicado agora: data e hora, o pedido com as palavras do paciente, o item ou a parte do pedido que não entra, o motivo escrito no bloco, a reavaliação (data, condição ou sem reavaliação prevista), a anotação de que o paciente foi informado do motivo antes da apresentação do plano e de que o item está na folha entregue, e nome, CRM e assinatura do médico. O art. 87, parágrafo 1, do Código de Ética Médica nomeia data, hora, assinatura e número de registro no CRM; tratar a indicação negativa como dado do caso é decisão do modelo. Valide a redação com seu assessor jurídico.
O Código de Ética Médica fala sobre indicar procedimento que o paciente não precisa?
Sob o chapéu "É vedado ao médico:", o art. 14 arrola "praticar ou indicar atos médicos desnecessários ou proibidos pela legislação vigente no País", e o art. 35 arrola "exagerar a gravidade do diagnóstico ou do prognóstico, complicar a terapêutica ou exceder-se no número de visitas, consultas ou quaisquer outros procedimentos médicos". O pedido do paciente não muda essa régua: quem decide se um item entra no plano é a avaliação. Nenhum dos dois artigos diz como desenhar a folha ou a fala: dizer o veredito em voz alta e escrever o bloco é proposta deste modelo. Verifique junto ao CRM da sua jurisdição.
E se o paciente insistir no procedimento que o médico não indicou?
A fala e a linha não mudam: o veredito só muda numa nova avaliação do médico. Para o item pedido fora do momento, a fala já traz quando ele é reavaliado, com data ou condição, e até lá ele não entra no plano. Dois registros vizinhos não se confundem com este. Quando é o paciente quem adia uma fase que foi indicada, o campo é o Adiado por escolha do paciente. Quando é o paciente quem recusa o que foi indicado, o documento é o termo de recusa. O Cardápio Prescrito cobre só o que o médico desaconselha diante do pedido do paciente.
Referências
- Conselho Federal de Medicina. Código de Ética Médica (2019), Capítulo III — art. 14, sob o chapéu "É vedado ao médico:": sustenta que o pedido do paciente não muda a régua de indicação.
- Conselho Federal de Medicina. Código de Ética Médica (2019), Capítulo V — art. 35, sob o mesmo chapéu: sustenta a fala para quem pede mais do que precisa.
- Conselho Federal de Medicina. Código de Ética Médica (2019), Capítulo X — art. 87, § 1º: sustenta os campos do prontuário (data, hora, assinatura e número de registro no CRM) que a linha de registro segue.
Os números do exemplo são fictícios e ilustrativos, não constituindo promessa de resultado. Cada consultório tem realidade própria. Este conteúdo não substitui orientação contábil, jurídica ou de proteção de dados (LGPD) específica para o seu caso.
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