Indicação de pacientes

Chegou um paciente indicado: o que a recepção diz no primeiro contato

No WhatsApp da clínica: "Oi, a Ana me indicou, ela fez botox aí e amou". Os dois impulsos da recepção erram: responder como a qualquer contato, ou responder "Ah, a Ana! Ficou ótima mesmo". Esta página trata só do lado de quem chegou indicado; a pergunta de quem indicou, que quer saber se o amigo veio, fica fora, assim como pedir e agradecer a indicação e a leitura mensal da origem.

A resposta direta: a recepção só fala em indicação se o próprio paciente a mencionar, e então acolhe sem dizer nada sobre quem indicou, nem o nome, nem que é paciente: "Que bom que você chegou até nós por indicação, [NOME DO PACIENTE]." Comentário ou pergunta sobre quem indicou recebe uma recusa gentil, e a conversa volta ao caso de quem chegou; a pergunta ainda vai, registrada, ao médico responsável. Valor e agenda são os de qualquer paciente novo. Depois vêm a explicação da primeira consulta, dois horários e a pergunta de origem, registrada sem o nome do paciente que indicou e sem nada do tratamento dele.

Em que estágio da clínica este tema pesa

  1. 0Improvisar
  2. 1Monetizar
  3. 2Atrair
  4. 3Estabilizar
  5. 4Priorizar
  6. 5Produtizar
  7. 6Otimizar
  8. 7Organizar
  9. 8Especializar
  10. 9Capitalizar

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Por que o contato frio e o comentário simpático erram

Quem chega indicado traz confiança emprestada, e a resposta de contato frio ignora justamente isso. O erro oposto parece caloroso e é pior: "Ah, a Ana! Ela fez o preenchimento com a gente, ficou ótimo" confirma que a Ana é paciente, conta o que ela fez e avalia o resultado. Três fatos sobre outra pessoa, ditos a quem a clínica ainda nem atendeu. E quem ouve a clínica comentar a amiga conclui que o próprio caso também vai ser comentado com ela.

O Código de Ética Médica, no capítulo do sigilo profissional, sob o chapéu "É vedado ao médico:", lista no art. 78: "Deixar de orientar seus auxiliares e alunos a respeitar o sigilo profissional e zelar para que seja por eles mantido." A recepção que comenta o tratamento de quem indicou é o auxiliar de que o artigo fala, e o dever de orientá-la é do médico. O script escrito é uma das formas de orientá-la.

O script do primeiro contato, fala por fala

Abertura, perguntas sobre o caso e objeções comuns seguem o script de atendimento padrão da clínica; abaixo, só o que muda quando o paciente chega indicado.

O que muda por canal. No WhatsApp, F7 usa a versão escrita, e uma situação só existe ali: o paciente manda print de conversa ou foto do resultado de outra pessoa. A resposta é "Recebi, [NOME DO PACIENTE]. Sobre o atendimento de outras pessoas eu não comento; aqui a gente cuida do seu.", e a imagem não é salva, encaminhada nem comentada. Ao telefone e no balcão, nenhuma fala muda de texto; F7 usa a versão falada.

O registro da origem. A resposta a F7 vai para o campo de origem do cadastro ou da planilha de pacientes novos, numa lista fechada de opções; as duas de indicação são "indicação de paciente" e "indicação de colega" (outro profissional de saúde), marcadas conforme o que o paciente disser. Em "indicação de colega", o detalhe pode trazer o nome do colega. Não se registra, no campo de origem nem no detalhe: o nome do paciente que indicou; nada do que o paciente contou sobre o tratamento, o resultado ou o valor de quem indicou. E, durante a conversa, a recepção não procura no cadastro a pessoa citada. O registro é interno: não vai impresso em cartão, não gera código e ninguém o consulta para definir valor ou horário. O registro de quem indicou, que serve ao agradecimento, é outro documento e fica fora desta página.

A Lei Geral de Proteção de Dados, no art. 6º, sob o chapéu "As atividades de tratamento de dados pessoais deverão observar a boa-fé e os seguintes princípios:", enuncia no inciso III a necessidade: "limitação do tratamento ao mínimo necessário para a realização de suas finalidades, com abrangência dos dados pertinentes, proporcionais e não excessivos em relação às finalidades do tratamento de dados". O campo existe para saber de onde o paciente veio; o nome do paciente que indicou e o tratamento dele não são dados pertinentes a essa finalidade.

O valor e a agenda iguais são regra deste modelo, pela mesma fronteira que o site aplica ao cartão de indicação: vantagem que depende de ter chegado indicado fica fora. Verifique junto ao CRM da sua jurisdição como ele lê a vantagem condicionada à indicação.

Modelo: ACS — Acolhimento com Sigilo
  1. Espere a menção. A recepção fala em indicação só depois que o paciente a menciona; não pergunta "alguém te indicou?" nem usa o que soube por outro caminho, como o aviso de quem indicou. Pronto quando nenhuma fala cita indicação antes do paciente.
  2. Acolha sem nomear. Responda à menção com F1, sem repetir o nome de quem indicou e sem dizer nada sobre essa pessoa, nem que é paciente. Pronto quando a resposta tem F1 e não tem esse nome.
  3. Recuse o que é de quem indicou. Comentário sem pergunta: F2, depois de F1. Pergunta, com ou sem comentário: F3 no lugar de F2. Print ou foto no WhatsApp: a fala da imagem, ou F3 se vier pergunta. Pronto quando nenhuma resposta confirma, nega ou avalia nada sobre quem indicou e, se houve F3, o pedido está registrado.
  4. Mantenha valor e agenda. Pedido de desconto, do valor de quem indicou ou de encaixe por ter sido indicado: F4. Pronto quando o valor dito é o de qualquer paciente novo e o horário não depende de ter sido indicado.
  5. Explique e marque. F5, depois F6; o resto segue o script padrão da clínica. Pronto quando o paciente recebeu as duas opções de horário.
  6. Registre a origem. Faça F7 antes de confirmar e marque a resposta no campo de origem. Pronto quando a linha tem a origem e o detalhe não tem nada sobre quem indicou, salvo o nome do colega em "indicação de colega".
Exemplo ilustrativo

Conversa fictícia; os nomes são inventados. Pelo WhatsApp, Júlia escreve: "Oi! A Ana me indicou, ela fez botox aí e amou. Ela é paciente da doutora faz tempo, né?" A mensagem traz menção (passo 1 libera F1), comentário e pergunta (passo 3: F3 no lugar de F2). Resposta, numa mensagem só: "Que bom que você chegou até nós por indicação, Júlia. Isso eu não consigo te dizer, Júlia: a clínica não comenta o atendimento de outras pessoas, nem diz quem é atendido aqui. Vou deixar registrado o seu pedido para a Dra. Helena.", seguida de F5. O pedido entra no registro e chega à Dra. Helena até o fim do dia de atendimento. A resposta não contém "Ana", "botox" nem "faz tempo". Na F7, Júlia responde "pela Ana, que se trata aí". Pelo passo 6, a origem é "indicação de paciente", o detalhe fica vazio e ninguém procura a Ana no cadastro durante a conversa. Refaça com a conversa que chegou à sua recepção.

A mesma regra em especialidades diferentes

O que o paciente diz muda com a especialidade; a versão do modelo sai sempre das falas acima.

EspecialidadeO paciente dizVersão fracaVersão do modelo
Ginecologia"A Bia me indicou, a doutora fez o pré-natal dela.""A Bia! A gente acompanhou a gestação dela todinha.""Que bom que você chegou até nós por indicação, [NOME DO PACIENTE]. Sobre o atendimento de outras pessoas eu não comento, [NOME DO PACIENTE]; aqui a gente cuida do seu."
Psiquiatria"Foi o Marcos que me falou de vocês. Ele faz tratamento aí?""Faz sim, mas fica tranquilo que aqui tudo é sigiloso.""Que bom que você chegou até nós por indicação, [NOME DO PACIENTE]. Isso eu não consigo te dizer, [NOME DO PACIENTE]: a clínica não comenta o atendimento de outras pessoas, nem diz quem é atendido aqui. Vou deixar registrado o seu pedido para [NOME DO MÉDICO RESPONSÁVEL]."
Cardiologia"Meu tio me indicou. Quero pagar o mesmo que ele pagou.""O seu tio pagou o valor antigo, faço igual para você.""Que bom que você chegou até nós por indicação, [NOME DO PACIENTE]. Para quem chega por indicação, o valor e a agenda são os mesmos de qualquer paciente novo, [NOME DO PACIENTE]."
Procedimentos estéticosManda no WhatsApp, sem falar em indicação, a foto do resultado da prima."Ficou lindo mesmo, foi o doutor que fez.""Recebi, [NOME DO PACIENTE]. Sobre o atendimento de outras pessoas eu não comento; aqui a gente cuida do seu."
PediatriaNão fala em indicação; a mãe que indicou tinha avisado a clínica."Você é a amiga da Fernanda, né? Ela avisou que você ia ligar.""Vou te explicar como funciona a primeira consulta: ela é com [NOME DO MÉDICO], dura [DURAÇÃO DA PRIMEIRA CONSULTA] e inclui [O QUE A PRIMEIRA CONSULTA INCLUI]. O que fazer no seu caso se decide nessa avaliação." (F5, sem F1)

Em psiquiatria, confirmar que alguém é paciente já revela dado de saúde, e a versão fraca o faz prometendo sigilo. Em pediatria, quem indica e quem liga são os responsáveis, e o paciente é a criança: a regra cobre a outra criança do mesmo jeito.

O que a regulação permite e veda num programa de indicação está lido em programa de indicação de pacientes dentro do CFM; o script de atendimento em que estas falas se encaixam está em script de atendimento no WhatsApp da clínica.

Acolhimento com Sigilo: o que a recepção diz e o que não diz ao paciente indicado

Diz

  • Que bom que você chegou até nós por indicação (só depois que o paciente menciona)
  • Sobre o atendimento de outras pessoas eu não comento
  • O valor e a agenda são os mesmos de qualquer paciente novo
  • Como funciona a primeira consulta e dois horários
  • Para o nosso controle: como você conheceu a clínica?

Não diz

  • Indicação que o paciente não mencionou
  • O nome de quem indicou
  • Que quem indicou é paciente
  • O que quem indicou fez, o resultado ou quanto pagou
  • Desconto ou encaixe por ter sido indicado

Perguntas frequentes

A recepção pode perguntar se o paciente veio por indicação?

Não com a pergunta "alguém te indicou?". Pelo modelo Acolhimento com Sigilo, a recepção fala em indicação só depois que o próprio paciente a menciona, e não usa o que soube por outro caminho, como o aviso de quem indicou. O que ela faz, antes de confirmar o horário, é a pergunta de origem: "Para o nosso controle: como você conheceu a clínica?", ou, por escrito, "Antes de confirmar, uma pergunta rápida para o nosso controle: como você conheceu a clínica?". Ela vale também para quem já falou da indicação, porque o registro sai desta resposta.

O que a recepção responde quando o paciente indicado comenta o tratamento de quem indicou?

Se o paciente falou da indicação, primeiro a acolhe, sem repetir o nome de quem indicou: "Que bom que você chegou até nós por indicação, [NOME DO PACIENTE]." Depois, se veio só o comentário, sem pergunta: "Sobre o atendimento de outras pessoas eu não comento, [NOME DO PACIENTE]; aqui a gente cuida do seu." A resposta não confirma, não nega e não avalia nada sobre quem indicou. Se o paciente manda pelo WhatsApp print de conversa ou foto do resultado de outra pessoa, a resposta é "Recebi, [NOME DO PACIENTE]. Sobre o atendimento de outras pessoas eu não comento; aqui a gente cuida do seu.", e a imagem não é salva, encaminhada nem comentada.

Paciente indicado pergunta se a amiga é paciente da clínica: o que dizer?

A recepção acolhe a indicação, se o paciente a mencionou, e responde: "Isso eu não consigo te dizer, [NOME DO PACIENTE]: a clínica não comenta o atendimento de outras pessoas, nem diz quem é atendido aqui. Vou deixar registrado o seu pedido para [NOME DO MÉDICO RESPONSÁVEL]." A pergunta segue a rota de pedido de informação do termo de sigilo da equipe: a recepção registra, uma vez por conversa, nome e contato de quem perguntou, a data e o que foi pedido, fora do cadastro e da planilha de origem, e entrega ao médico responsável até o fim do dia de atendimento em que a pergunta foi lida. Se o paciente insistir, a recepção repete a primeira frase e segue para a explicação da primeira consulta.

Paciente que chegou por indicação pode ter desconto ou passar na frente na agenda?

Neste modelo, não. A fala é: "Para quem chega por indicação, o valor e a agenda são os mesmos de qualquer paciente novo, [NOME DO PACIENTE]." Ela serve também para quem pede o valor que a outra pessoa pagou, e não confirma esse valor. Se a clínica faz encaixe, o critério é o mesmo para qualquer paciente; ter sido indicado não é critério. É regra deste modelo, pela mesma fronteira que o site aplica ao cartão de indicação. Verifique junto ao CRM da sua jurisdição como ele lê a vantagem condicionada à indicação.

O que registrar no cadastro quando o paciente veio por indicação?

A resposta à pergunta de origem vai para o campo de origem, numa lista fechada de opções; as duas de indicação são "indicação de paciente" e "indicação de colega" (outro profissional de saúde). Em "indicação de colega", o detalhe pode trazer o nome do colega. No campo de origem e no detalhe não se registra o nome do paciente que indicou nem nada do que o paciente contou sobre o tratamento, o resultado ou o valor de quem indicou, e, durante a conversa, a recepção não procura no cadastro a pessoa citada. O registro é interno: não vai impresso em cartão, não gera código e ninguém o consulta para definir valor ou horário. O registro de quem indicou, que serve ao agradecimento, é outro documento e fica fora deste script.

E se quem indicou avisou a clínica de que o amigo ia entrar em contato?

A recepção não usa esse aviso. Pelo primeiro passo do modelo, ela fala em indicação só depois que o paciente a menciona, e não usa o que soube por outro caminho. Se o paciente não fala em indicação, a fala de acolhimento não existe: a conversa segue o script padrão da clínica até a explicação da primeira consulta, "Vou te explicar como funciona a primeira consulta: ela é com [NOME DO MÉDICO], dura [DURAÇÃO DA PRIMEIRA CONSULTA] e inclui [O QUE A PRIMEIRA CONSULTA INCLUI]. O que fazer no seu caso se decide nessa avaliação.", e daí para os dois horários. A versão fraca, "Ela avisou que você ia ligar", é exatamente o que o modelo evita.

Referências

  1. Conselho Federal de Medicina. Código de Ética Médica (CEM 2019) — art. 78 (dever do médico de orientar seus auxiliares a respeitar o sigilo profissional e zelar para que seja por eles mantido), que sustenta o script como forma de orientar a recepção a não comentar o atendimento de quem indicou.
  2. Presidência da República. Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018) — art. 6º, III (necessidade), que sustenta deixar fora do registro de origem o nome do paciente que indicou e o que se contou sobre o tratamento dele.

Este material apresenta modelos de comunicação para organização do atendimento e não constitui orientação jurídica. A redação final das mensagens, o registro do contato e a guarda dos dados do paciente devem observar as normas do CFM, as orientações do CRM da sua jurisdição e a LGPD.

Dr. Thiago Perfeito, CRM-DF 23199
Dr. Thiago Perfeito · CRM-DF 23199
Médico, dono de consultório particular em Brasília–DF. Escreve sobre gestão, precificação e operação de consultório a partir da própria prática — não de teoria de consultoria.

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