Financeiro e unit economics

O paciente novo paga o próprio anúncio em 30 dias? A conta de caixa que decide se a clínica pode crescer

O painel diz que o custo por contato caiu. A agenda de avaliações encheu, e a verba do mês seguinte foi renovada no automático. No fim do trimestre, o extrato conta outra história: o dinheiro que pagou os anúncios saiu do resto da operação, e parte dele do bolso do sócio.

A resposta direta: paga, se a receita líquida em 30 dias que ele deixa no caixa for igual ou maior que o custo para trazê-lo. Receita líquida em 30 dias é o valor bruto de avaliação e de primeiro procedimento depositado nos 30 dias contados da avaliação, menos insumo, taxa de cartão e imposto. Custo para trazer é o anúncio do mês mais a parcela da recepção, dividido pelos pacientes novos do anúncio que sentaram na avaliação. A razão entre os dois dá três faixas: abaixo de 1, não se paga; de 1 até abaixo de 2, se paga; a partir de 2, paga o próximo, porque o excedente cobre o custo para trazer mais um paciente. Os 30 dias são o critério deste modelo, não prazo de mercado. Custo por contato não entra na conta.

Em que estágio da clínica este tema pesa

  1. 0Improvisar
  2. 1Monetizar
  3. 2Atrair
  4. 3Estabilizar
  5. 4Priorizar
  6. 5Produtizar
  7. 6Otimizar
  8. 7Organizar
  9. 8Especializar
  10. 9Capitalizar

Estágio 4 · Priorizar

A clínica diz sim para tudo, e isso custa margem. Aqui se escolhe o paciente ideal, o preço e o que deixar de fazer.

Seu papel
Gestor
Equipe
5 a 9 pessoas
O gargalo
Você faz de tudo, para todo tipo de paciente
Você sai quando
A agenda está cheia do paciente ideal e dos procedimentos de maior margem
Veja os 10 estágios e em qual está a sua clínica →

Por que o custo por contato engana: o anúncio parece barato e o caixa não fecha

O painel mede cliques, mensagens e custo por mensagem — nada que passe pela porta do consultório. Quem perguntou o preço e sumiu pesa no painel o mesmo que quem sentou e marcou o procedimento. Decidir a verba pelo custo por contato é otimizar quem escreve, não quem paga.

O segundo erro é olhar faturamento em vez de caixa: o procedimento parcelado no cartão sem antecipação aparece inteiro no relatório de vendas e chega ao extrato aos poucos, enquanto a fatura do anúncio, para quem paga a plataforma mês a mês, sai no mês. A diferença sai do resto da operação sem decisão de ninguém. O terceiro erro é a mistura: o faturamento soma paciente antigo, indicação e paciente do anúncio; esta conta acompanha só os do anúncio.

O mecanismo: o paciente novo como financiador do próximo anúncio

A pergunta que decide a verba é se o paciente novo devolve no caixa, dentro da janela, o que custou trazê-lo. Se devolve, o anúncio que o trouxe se pagou, e o excedente cobre parte do próximo; se devolve em dobro, cobre o próximo inteiro. Se não devolve, cada mês de anúncio é um empréstimo do dono à clínica, e aumentar a verba aumenta o empréstimo.

A janela de 30 dias é decisão do médico, não regra de mercado: funciona melhor quando o anúncio é pago mês a mês, porque é o intervalo entre uma fatura e a seguinte. Trocá-la é legítimo se a troca for declarada antes de medir e mantida entre coortes. O fator 2 da terceira faixa também é aritmética, não referência de mercado: com razão 1, o paciente devolveu o que custou; com razão 2, sobra outro custo para trazer inteiro, que paga o custo para trazer o paciente seguinte.

Duas contas ficam fora, de propósito. O custo fixo da sala e da agenda existe com ou sem anúncio e pertence à conta do custo por paciente atendido; o que o paciente gasta ao longo dos anos é a conta de valor de vida. A recepção entra, embora o salário seja pago de qualquer forma, porque as horas com os contatos do anúncio saem de outra tarefa.

Caixa em 30 Dias: em que faixa está o paciente novo

receita líquida em 30 dias por paciente÷custo para trazer 1 paciente=razão que define a faixa
Modelo: Caixa em 30 Dias — o paciente novo devolve, no primeiro mês, o que custou trazê-lo
  1. Fechar a coorte do mês. Liste os pacientes novos que vieram do anúncio e sentaram na avaliação em [MÊS], com a data da avaliação de cada um e a origem anotada no cadastro. Pronto quando ninguém da lista estiver sem data ou sem origem.
  2. Calcular o custo para trazer 1 paciente. Some o gasto com anúncio do mês e a parcela da recepção e divida pelo número de pacientes da coorte. Pronto quando as horas da recepção vierem de cronômetro, não de memória.
  3. Somar o que entrou no caixa dentro da janela. A janela de cada paciente vai da data da avaliação até 30 dias depois. Some o valor bruto dos depósitos de avaliação e de primeiro procedimento dentro dela; parcela que cai depois não entra. Pronto quando todas as janelas da coorte estiverem encerradas.
  4. Descontar insumo, taxa de cartão e imposto. Pronto quando a receita líquida em 30 dias da coorte estiver calculada e dividida pelo número de pacientes.
  5. Classificar a coorte na faixa. Divida a receita líquida em 30 dias por paciente pelo custo para trazer 1 paciente. Pronto quando a razão e a faixa estiverem escritas.
  6. Decidir a verba pela faixa. Aplique a linha da faixa na tabela de decisão abaixo. Pronto quando a verba do mês que começa após o fechamento estiver registrada ao lado da razão. Até a coorte fechar, a verba fica a da última faixa registrada.

A planilha Caixa em 30 Dias, do anúncio à faixa

LinhaO que entraPreencha com
1. Coorte do mêsPacientes novos do anúncio que sentaram na avaliação em [MÊS]contagem no cadastro
2. Gasto com anúncioTudo o que a plataforma cobrou no mêsfatura da plataforma
3. Custo da hora da recepçãoCusto mensal da recepção ÷ horas contratadas no mêsfolha de pagamento
4. Horas com contatos do anúncioTempo da recepção respondendo quem veio do anúnciocronômetro de uma semana × semanas do mês
5. Parcela da recepçãoLinha 3 × linha 4calcule
6. Custo para trazer 1 paciente(Linha 2 + linha 5) ÷ linha 1calcule
7. Avaliação que entrouAvaliações da coorte depositadas dentro da janelavalor bruto de cada depósito: cartão no extrato do adquirente, Pix e transferência no extrato bancário
8. Primeiro procedimento que entrouPrimeiro ato pago após a avaliação (procedimento, exame feito na clínica ou retorno cobrado), só o depositado na janelavalor bruto de cada depósito: cartão no extrato do adquirente, Pix e transferência no extrato bancário
9. InsumoMaterial dos primeiros procedimentos da linha 8nota de compra
10. Taxa de cartãoTaxa descontada nos depósitos das linhas 7 e 8, inclusive antecipaçãoextrato do adquirente
11. Imposto(Linha 7 + linha 8) × alíquota efetiva do regimecontador
12. Receita líquida em 30 dias por paciente(Linha 7 + linha 8 − linha 9 − linha 10 − linha 11) ÷ linha 1calcule
13. Razão e faixaLinha 12 ÷ linha 6abaixo de 1 · de 1 até abaixo de 2 · a partir de 2
Exemplo ilustrativo

Números fictícios — troque cada um pelo seu. Uma clínica gastou R$ 6.000 em anúncio no mês e recebeu 120 contatos: custo por contato de R$ 6.000 ÷ 120 = R$ 50. A recepção custa R$ 4.400 por mês para 176 horas contratadas, R$ 4.400 ÷ 176 = R$ 25 por hora, e passou 40 horas com os contatos do anúncio: parcela de 40 × R$ 25 = R$ 1.000. Sentaram na avaliação 20 pacientes. Custo para trazer 1 paciente: (R$ 6.000 + R$ 1.000) ÷ 20 = R$ 350. Nas janelas entraram 20 avaliações de R$ 250, ou R$ 5.000. Sete fizeram o primeiro procedimento, de R$ 1.800: cinco pagaram por Pix, R$ 9.000; dois parcelaram em três vezes sem antecipação, e o extrato do adquirente mostra, em valor bruto, uma parcela de R$ 600 de cada na janela, R$ 1.200. Entrou: R$ 5.000 + R$ 9.000 + R$ 1.200 = R$ 15.200. Insumo: 7 × R$ 280 = R$ 1.960. Taxa de cartão, lida no extrato do adquirente: R$ 180. Imposto a 6% de alíquota efetiva: R$ 15.200 × 0,06 = R$ 912. Receita líquida em 30 dias da coorte: R$ 15.200 − R$ 1.960 − R$ 180 − R$ 912 = R$ 12.148, ou R$ 12.148 ÷ 20 = R$ 607,40 por paciente. Razão: R$ 607,40 ÷ R$ 350 ≈ 1,74, faixa "se paga". Excedente da coorte: R$ 12.148 − R$ 7.000 = R$ 5.148. Para pagar o próximo, a receita líquida em 30 dias teria de chegar a 2 × R$ 7.000 = R$ 14.000; faltam R$ 1.852: se o custo da próxima coorte, linha 2 + linha 5, repetir os R$ 7.000, é o quanto dele sai do resto da operação. As parcelas restantes, R$ 2.400, entram depois das janelas e ficam fora.

As três faixas e o que mexer em cada uma

FaixaCondiçãoO que mexer
Não se pagaRazão abaixo de 1Não aumentar a verba. Escrever o teto mensal que o sócio aceita financiar. Na linha 6, cortar o anúncio cujos contatos não sentam. Na linha 7, rever a avaliação gratuita, que zera essa linha.
Se pagaRazão de 1 até abaixo de 2Manter a verba. Na linha 8, o paciente sai da avaliação com o orçamento escrito do procedimento indicado e uma data proposta. O parcelado sem antecipação empurra caixa para fora da janela (linha 8); antecipar traz o caixa para dentro e tem custo, lançado na linha 10.
Paga o próximoRazão a partir de 2O excedente da coorte é o teto do custo da próxima coorte (linha 2 + linha 5) pago pelo caixa. Aumentar a verba até esse teto e refazer a conta na coorte seguinte antes de outro aumento, porque com verba maior o custo para trazer pode mudar.

A janela mede o que o paciente decidiu com a indicação do médico; procedimento não se indica para a coorte subir de faixa. O Código de Ética Médica, sob o chapéu "É vedado ao médico:", traz no art. 14: "Praticar ou indicar atos médicos desnecessários ou proibidos pela legislação vigente no País". A alavanca da linha 8 é outra, o orçamento escrito na avaliação. Com chapéu de mesma redação, no capítulo da remuneração, o art. 61 traz: "Deixar de ajustar previamente com o paciente o custo estimado dos procedimentos". O artigo pede o ajuste prévio, não a forma; o orçamento escrito é a forma que este modelo adota.

Aplicação prática: a mesma conta, vozes diferentes

A frase que renova a verba no automático muda conforme a especialidade.

EspecialidadeVersão fracaVersão pelo modelo
Medicina estética"O custo por contato caiu; vou aumentar a verba do anúncio.""A coorte deste mês deixou no caixa, em 30 dias, menos do que custou trazê-la. A verba fica onde está, e o anúncio cujos contatos não sentam sai."
Cirurgia plástica"O anúncio não trouxe cirurgia este mês, então não funciona.""Na janela entrou a consulta; a cirurgia decidida depois fica fora. Sem ela, a receita líquida por paciente não cobriu o custo para trazer: a coorte não se paga em 30 dias, e o teto mensal que o sócio financia está escrito."
Ortopedia"O faturamento do mês subiu depois da campanha.""A conta usa só a coorte do anúncio e o que entrou no extrato na janela, não o faturamento, que mistura paciente antigo e novo."
Nutrologia"O paciente parcelou o programa no cartão, então o anúncio já se pagou.""Do programa parcelado sem antecipação, entra na janela só a parcela que o extrato mostra; o resto não paga o anúncio deste mês."

Entre especialidades, o que muda é a linha 8: o primeiro ato pago pode ser procedimento, retorno cobrado ou exame feito na clínica. Quando a decisão sai depois da janela, como a cirurgia marcada para depois dela, só a consulta e o que mais for pago na janela entram nas linhas 7 e 8; se a receita líquida por paciente que isso deixa não cobrir o custo para trazer, a coorte cai em "não se paga" mesmo com a cirurgia já decidida. O modelo não manda parar: manda escrever o teto mensal que o sócio financia, ou declarar antes uma janela mais longa.

O excedente, ou a falta, desta conta aparece no caixa dos meses seguintes: o mapa mês a mês está em fluxo de caixa do consultório. E quando a clínica vende bem e não sobra dinheiro, o anúncio que não se paga é um dos suspeitos, como mostra clínica fatura, mas não sobra dinheiro.

Perguntas frequentes

Como calcular o custo de aquisição de um paciente novo na clínica?

Some o gasto com anúncio do mês e a parcela da recepção, que são as horas que ela passou com os contatos do anúncio multiplicadas pelo custo da hora dela, e divida pelo número de pacientes novos do anúncio que sentaram na avaliação naquele mês. Esse é o custo para trazer 1 paciente. Dividir pelo número de contatos, em vez de pacientes sentados, produz o custo por contato, que parece mais baixo porque inclui quem perguntou o preço e nunca apareceu. A conta usa a fatura da plataforma, a folha e o cronômetro da recepção e o cadastro, sem estimativa de mercado.

Quanto tempo leva para recuperar o investimento em anúncio na clínica?

Não existe prazo de mercado que sirva para toda clínica, e o modelo Caixa em 30 Dias não publica um. Ele testa uma janela escolhida pelo médico: os 30 dias contados da avaliação de cada paciente novo. A janela funciona melhor quando o anúncio é pago mês a mês, porque é o intervalo entre uma fatura e a seguinte. Se a receita líquida que o paciente deixa no caixa nessa janela for igual ou maior que o custo para trazê-lo, o anúncio se paga dentro dela. Trocar a janela é legítimo, desde que a troca seja declarada antes de medir e mantida entre coortes.

Por que o anúncio da clínica não se paga mesmo trazendo muitos contatos?

Porque contato não é paciente e venda não é caixa. O painel da plataforma conta mensagens, e quem pergunta o preço e some pesa ali o mesmo que quem senta na avaliação. Além disso, procedimento parcelado no cartão sem antecipação aparece inteiro no relatório de vendas, mas chega ao extrato aos poucos, enquanto a fatura do anúncio, para quem paga a plataforma mês a mês, sai no mês. A planilha Caixa em 30 Dias trata esses dois pontos: divide o custo pelos pacientes que sentaram e soma só o que o extrato mostra dentro da janela.

Paciente que parcela no cartão entra na conta dos 30 dias?

Entra, pelo valor bruto, só a parte que o extrato do adquirente mostra depositada dentro da janela de 30 dias contados da avaliação. Se o procedimento foi parcelado sem antecipação, as parcelas que caem depois da janela ficam fora da conta: elas vão entrar no caixa, mas não pagam o anúncio deste mês. Se a clínica antecipa o recebimento, o valor antecipado entra pelo bruto, e o custo da antecipação vai para a linha da taxa de cartão. O insumo do procedimento, por outro lado, é descontado inteiro, porque o material foi gasto na hora.

O que fazer quando o paciente novo não paga o próprio anúncio?

Na faixa não se paga, a razão entre a receita líquida em 30 dias por paciente e o custo para trazer 1 paciente fica abaixo de 1. A primeira decisão é não aumentar a verba e escrever o teto mensal que o sócio aceita financiar. Depois, na linha do custo para trazer, cortar o anúncio cujos contatos não sentam. Na linha da avaliação, rever a avaliação gratuita, que zera essa entrada. O que não se faz é indicar procedimento para a coorte subir de faixa: a janela mede o que o paciente decidiu com a indicação do médico.

E se na minha especialidade o paciente leva mais de 30 dias para decidir?

Onde a decisão sai depois da janela, como a cirurgia marcada para depois dela, entram na conta só a consulta e o que mais for pago na janela; se a receita líquida por paciente que isso deixa não cobrir o custo para trazer, a coorte cai em não se paga mesmo com a cirurgia já decidida. O modelo não manda parar o anúncio: manda escrever o teto mensal que o sócio financia, ou declarar antes uma janela mais longa e mantê-la entre coortes. Em especialidade de consulta, o primeiro ato pago depois da avaliação pode ser o retorno cobrado ou o exame feito na clínica, e é isso que entra na linha do primeiro procedimento.

Referências

  1. Conselho Federal de Medicina. Código de Ética Médica (CEM 2019) — art. 14 (Capítulo III, "É vedado ao médico:"): sustenta que não se indica procedimento para a coorte subir de faixa.
  2. CFM. Código de Ética Médica (CEM 2019) — art. 61 (Capítulo VIII, "É vedado ao médico:"): sustenta o ajuste prévio do custo estimado com o paciente, que o orçamento na avaliação formaliza.

Os números do exemplo são fictícios e ilustrativos, não constituindo promessa de resultado. Cada consultório tem realidade própria. Este conteúdo não substitui orientação contábil, jurídica ou de proteção de dados (LGPD) específica para o seu caso.

Dr. Thiago Perfeito, CRM-DF 23199
Dr. Thiago Perfeito · CRM-DF 23199
Médico, dono de consultório particular em Brasília–DF. Escreve sobre gestão, precificação e operação de consultório a partir da própria prática — não de teoria de consultoria.

Quer implementar esse sistema na sua clínica?

A Mentoria Clínica Empresarial leva o roadmap de faturamento à prática, fase a fase, no seu consultório — para dono de clínica de qualquer especialidade.

Conhecer a Mentoria →