Precificação e ticket

Quanto cobrar no plano mensal de acompanhamento da clínica: a conta da mensalidade

O médico soma o que o paciente pagaria pelas sessões do ano, tira um pedaço para o plano parecer vantajoso, divide por doze e anuncia. Meses depois, a sobra do plano está menor que a do avulso, e o primeiro paciente que saiu cedo levou consulta e sessão pelo preço de uma mensalidade.

A resposta direta: a mensalidade sai da margem anual, não do avulso com desconto. Liste os encontros previstos no ciclo, cada um com indicação clínica, e some o custo deles (C). Divida C por (1 − t − m), com t as taxas, em percentual do preço, e m a margem desejada, em percentual da receita do plano: isso dá a receita anual do plano, R. Divida R pelas cobranças reais: 12 na mensal, 13 na cobrança a cada 4 semanas. Se t + m for igual ou maior que 100%, não existe mensalidade com essa margem. Mostre a mensalidade ao lado do preço avulso de cada encontro. Se em alguma cobrança o custo acumulado passar a receita líquida acumulada, a clínica adianta custo: cubra-o com taxa de adesão na entrada ou compromisso de n cobranças com a taxa isenta.

Em que estágio da clínica este tema pesa

  1. 0Improvisar
  2. 1Monetizar
  3. 2Atrair
  4. 3Estabilizar
  5. 4Priorizar
  6. 5Produtizar
  7. 6Otimizar
  8. 7Organizar
  9. 8Especializar
  10. 9Capitalizar

Estágio 4 · Priorizar

A clínica diz sim para tudo, e isso custa margem. Aqui se escolhe o paciente ideal, o preço e o que deixar de fazer.

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O sistema invisível: a mensalidade que é só o avulso com desconto

É a conta da abertura. Tem três defeitos, e nenhum aparece na conta do anúncio.

E, anunciado como desconto, o plano vira benefício de assinante; acompanhamento clínico é um escopo de cuidado, com o preço avulso de cada encontro ao lado.

O mecanismo: a conta do ano, dividida pelas cobranças reais

Cada termo tem uma definição só:

Plano novo não tem histórico: C usa o escopo e os custos por encontro de hoje, e a conta inteira se refaz a cada renovação; se o custo por encontro mudar no meio do ciclo, a conta refeita vale para planos novos e para a próxima renovação, e o contrato em curso mantém a mensalidade. Trocar mensal por 4 semanas muda a mensalidade e F, porque o calendário é outro.

Mensalidade pela Margem Anual

C: custo anual previsto÷(1 − t − m)÷n: cobranças no ciclo=Mensalidade
Modelo: Mensalidade pela Margem Anual — o preço do plano sai do ano inteiro, não do avulso com desconto
  1. Escreva o escopo anual. Pronto quando cada encontro tem tipo, quantidade, indicação clínica e número da cobrança em que cai; nenhum encontro antes dela.
  2. Some C. Pronto quando C está em reais, sem percentual do preço.
  3. Teste o divisor e calcule R. Se 1 − t − m não for positivo, reduza m ou as taxas e refaça. Pronto quando R × (1 − t) − C dá m × R.
  4. Divida R pelas cobranças reais. Pronto quando o n do divisor é o n escrito no contrato: 12 na cobrança mensal, 13 a cada 4 semanas.
  5. Calcule F, A e o anexo. Cobrança a cobrança, custo acumulado menos receita líquida acumulada; a diferença positiva ÷ (1 − t) é o valor de saída da cobrança, zero se não, e o maior é A. Pronto quando A × (1 − t) dá F, ou A é zero se F não for positivo, e o anexo de calendário e tabela de saída, fechado na assinatura, traz por cobrança os encontros e o valor de saída, e o valor de referência de cada tipo de encontro: custo ÷ (1 − t).
  6. Ponha o avulso ao lado e escolha a forma de A. Some o preço avulso do escopo. Se R, mais A quando cobrada na entrada, igualar ou passar essa soma, o plano não tem vantagem de preço: reveja m ou o escopo, sem inventar desconto. Pronto quando o paciente vê a mensalidade ao lado do preço avulso de cada encontro e o contrato traz uma forma só de A.
Exemplo ilustrativo

Todos os números abaixo são fictícios; cada linha se troca pelo número do seu consultório.

Escopo: 3 consultas de acompanhamento, custo de R$ 150 cada, e 6 sessões, custo de R$ 250 cada. C = 3 × 150 + 6 × 250 = 450 + 1.500 = R$ 1.950.

Taxas: tributo de 16%, o percentual que o contador informou nesta simulação, + 4% do meio de pagamento: t = 20%. Margem desejada: m = 30%. Divisor: 1 − 0,20 − 0,30 = 0,50.

R = 1.950 ÷ 0,50 = R$ 3.900. Conferência: 3.900 × 0,80 − 1.950 = R$ 1.170, e 0,30 × 3.900 = R$ 1.170.

Mensalidade: 3.900 ÷ 12 = R$ 325 na cobrança mensal; 3.900 ÷ 13 = R$ 300 a cada 4 semanas. R$ 300 a cada 4 semanas deixa 30% da receita anual do plano (R$ 1.170) depois de custo e taxas, se os 9 encontros previstos acontecerem. É o preço que esta margem exige, não recomendação.

O divisor trocado: R$ 325 a cada 4 semanas somam 13 × 325 = R$ 4.225, R$ 325 acima da conta. R$ 300 por mês somam 12 × 300 = R$ 3.600; lucro 3.600 × 0,80 − 1.950 = R$ 930, ou 930 ÷ 3.600 ≈ 25,8% do recebido (arredondado), não 30%.

Avulso de tabela: consulta R$ 400, sessão R$ 500. Escopo pelo avulso: 3 × 400 + 6 × 500 = R$ 4.200.

Calendário, modo de 13 cobranças: consultas nas cobranças 1, 7 e 13; sessões nas 1, 3, 5, 7, 9 e 11. Receita líquida por cobrança: 300 × 0,80 = R$ 240. Cobrança 1: custo 150 + 250 = R$ 400 contra R$ 240 de receita líquida, falta de R$ 160. Da cobrança 2 à 13, a receita líquida acumulada fica acima do custo acumulado (na 2, R$ 480 contra R$ 400; na 3, R$ 720 contra R$ 650).

F = R$ 160; A = 160 ÷ 0,80 = R$ 200; conferência, 200 × 0,80 = R$ 160. A taxa de R$ 200 cobre, depois das taxas, os R$ 160 que a primeira cobrança adianta.

Taxa na entrada: no ciclo completo, 3.900 + 200 = R$ 4.100, abaixo dos R$ 4.200 do avulso. Compromisso com a taxa isenta: R$ 3.900 no ciclo completo.

No anexo de calendário e tabela de saída, o valor de saída da cobrança 1 é (400 − 240) ÷ 0,80 = R$ 200, o próprio A; o das cobranças 2 a 13 é zero, e quem sai depois de qualquer uma delas não deve nada. Valor de referência: consulta 150 ÷ 0,80 = R$ 187,50; sessão 250 ÷ 0,80 = R$ 312,50. Quem sai depois da cobrança 1 com consulta e sessão feitas deve R$ 200; pagou 300 + 200 = R$ 500 por encontros que no avulso somam 400 + 500 = R$ 900. Sem a sessão feita, 200 − 312,50 = −112,50, abaixo de zero: nada devido (custo realizado de R$ 150 contra R$ 240 de receita líquida).

O avulso com desconto, para comparar: 4.200 − 30% = R$ 2.940; ÷ 12 = R$ 245 por mês. Lucro 2.940 × 0,80 − 1.950 = R$ 402, ou 402 ÷ 2.940 ≈ 13,7% do recebido (arredondado). Sem regra de saída, quem sai depois da primeira cobrança, com consulta e sessão feitas, deixa 245 × 0,80 = R$ 196 de receita líquida contra 150 + 250 = R$ 400 de custo: R$ 204 abaixo do custo.

O contrato do plano: modelo estrutural para o assessor jurídico revisar

Cada bloco traz redação-base para o seu assessor jurídico revisar, não texto pronto para assinar:

Neste desenho, valor, preço avulso, forma da taxa e o anexo se combinam por escrito com o paciente antes do primeiro encontro. O Código de Ética Médica, no Capítulo VIII, sob o chapéu "É vedado ao médico:", traz no art. 62 "Subordinar os honorários ao resultado do tratamento ou à cura do paciente", o objeto do bloco sem vínculo com resultado.

Aplicação prática: a mesma conta, especialidades diferentes

EspecialidadeO avulso com descontoPela margem anual
Clínica de procedimentos estéticos"Somei as sessões do ano, tirei um desconto e dividi por doze.""C = custo em reais do escopo; R = C ÷ (1 − t − m); mensalidade = R ÷ n."
Nutrologia"Calculei o valor por mês e cobro a cada 4 semanas.""Cobrança a cada 4 semanas: R ÷ 13. Mensal: R ÷ 12."
Cardiologia"Se o paciente sair no segundo mês, a gente conversa.""F mede o custo adiantado; o contrato traz taxa na entrada ou compromisso com a taxa isenta."
Ortopedia"No site, o plano aparece como o avulso com desconto de assinante.""A mensalidade aparece ao lado do preço avulso de cada encontro, sem percentual de diferença."

Onde avaliação e procedimento caem juntos na primeira cobrança, F cresce; onde os encontros se espalham pelo ciclo, F pode ficar em zero ou abaixo, sem taxa de adesão.

Por que oferecer acompanhamento contínuo e como estruturá-lo estão em plano de manutenção e receita recorrente; esta página fica com o preço. E vender o tratamento inteiro de uma vez ou sessão por sessão está em pacote de tratamento ou sessão avulsa.

Perguntas frequentes

Como calcular a mensalidade de um plano de acompanhamento na clínica?

Liste os encontros previstos no ciclo, consultas e sessões, cada um com indicação clínica, e some o custo deles em reais: insumo, descartáveis e hora de sala. Esse é C. Divida C por (1 − t − m), com t as taxas em percentual do preço (tributo no percentual que o contador informar, meio de pagamento e comissão percentual, se houver) e m a margem desejada em percentual da receita do plano. O resultado é R, a receita anual do plano. Divida R pelo número de cobranças que de fato acontecem no ciclo: 12 na cobrança mensal, 13 na cobrança a cada 4 semanas. Se t + m for igual ou maior que 100%, não existe mensalidade com essa margem.

É melhor cobrar o plano por mês ou a cada 4 semanas?

As duas formas funcionam; o que não funciona é misturar. Na cobrança mensal o ciclo tem 12 meses e a mensalidade é R dividido por 12. Na cobrança a cada 4 semanas o ciclo tem 52 semanas, são 13 cobranças, e a mensalidade é R dividido por 13. Calcular por mês e cobrar a cada 4 semanas cobra do paciente uma parcela a mais do que o anunciado; calcular por 4 semanas e cobrar por mês deixa de receber uma. Trocar de forma também muda o calendário dos encontros por cobrança, e por isso a falta acumulada máxima e a taxa de adesão têm de ser refeitas.

Posso anunciar o plano como desconto sobre as sessões avulsas?

O desenho desta conta não anuncia percentual de diferença. O paciente vê a mensalidade ao lado do preço avulso de cada encontro, que continua existindo e não muda por causa do plano, e compara os dois números. Acompanhamento clínico é um escopo de cuidado, não benefício de assinante. Se a receita anual do plano, somada à taxa de adesão quando ela é cobrada na entrada, igualar ou passar o que o mesmo escopo custaria pelo preço avulso, o plano não tem vantagem de preço para o paciente: o médico revê a margem desejada ou o escopo, sem inventar desconto.

Quando cobrar taxa de adesão no plano de acompanhamento?

Quando o calendário faz a clínica adiantar custo. Cobrança a cobrança, compare o custo acumulado dos encontros previstos com a receita líquida acumulada, que é o número da cobrança vezes a mensalidade vezes (1 − t). O maior valor dessa diferença, entre as cobranças 1 a n, é F, a falta acumulada máxima. Se F for zero ou negativo, não há taxa de adesão nem cobrança na saída. Se for positivo, a taxa é A = F dividido por (1 − t), porque ela também paga tributo e meio de pagamento. A protege o custo adiantado, não a margem. Ela é cobrada na entrada ou fica isenta com compromisso, conforme a forma escrita no contrato.

O que acontece se o paciente sair do plano antes do fim do ciclo?

Depende da forma de taxa de adesão escrita no contrato. Na taxa na entrada, a taxa é cobrada com a primeira mensalidade, o paciente sai quando quiser e as cobranças param a partir da seguinte ao aviso, sem outro acerto. No compromisso, a taxa fica isenta; em saída antes da n-ésima cobrança, é devido o valor de saída da última cobrança paga, fixado na assinatura no anexo de calendário e tabela de saída, menos o valor de referência de cada encontro previsto até ela e não realizado, até zero. O valor de saída é o custo previsto ainda adiantado naquela cobrança, dividido por (1 − t); o de referência, o custo do encontro dividido por (1 − t).

E o encontro que o paciente não fez ou o que ficou fora do plano?

Encontro previsto e não realizado por decisão do paciente continua disponível até o fim do ciclo ou até a saída do plano, e não passa para o ciclo seguinte. Nenhum encontro do escopo acontece antes da cobrança prevista no anexo; indicação clínica que peça antecipar vira encontro além do escopo, cobrado pelo preço avulso, e o encontro previsto continua disponível. Encontro além dos previstos, com indicação clínica, é cobrado pelo preço avulso. No fim do ciclo, o escopo é refeito pela indicação clínica e a conta inteira é refeita; se o custo por encontro mudar no meio do ciclo, a conta refeita vale para planos novos e para a próxima renovação, e o contrato em curso mantém a mensalidade.

Qual margem usar no plano mensal de acompanhamento?

A margem desejada m é decisão do médico, não recomendação desta página, e é medida em percentual da receita do plano. O que a conta impõe é o limite: se m somada às taxas t for igual ou maior que 100%, o divisor (1 − t − m) fica zero ou negativo e não existe mensalidade que entregue aquela margem. A saída é reduzir m ou as taxas que dependem do médico, como meio de pagamento e comissão percentual. Baixar o custo anual previsto não muda o divisor. Com o divisor positivo, a conferência é receita anual vezes (1 − t) menos o custo anual previsto igual a m vezes a receita anual.

Referências

  1. Conselho Federal de Medicina. Código de Ética Médica (CEM 2019) — Capítulo VIII, sob o chapéu "É vedado ao médico:", art. 62, transcrito no corpo: sustenta o bloco sem vínculo com resultado.

Os números do exemplo são fictícios e ilustrativos, não constituindo promessa de resultado. Cada consultório tem realidade própria. Este conteúdo não substitui orientação contábil, jurídica ou de proteção de dados (LGPD) específica para o seu caso.

Dr. Thiago Perfeito, CRM-DF 23199
Dr. Thiago Perfeito · CRM-DF 23199
Médico, dono de consultório particular em Brasília–DF. Escreve sobre gestão, precificação e operação de consultório a partir da própria prática — não de teoria de consultoria.

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