O que acontece com o glúteo durante o uso de GLP-1
Ozempic Butt é o nome popular para a perda de volume e flacidez glútea após emagrecimento rápido com análogos de GLP-1. A gordura subcutânea do glúteo é um dos primeiros compartimentos a ser mobilizado durante o déficit calórico intenso — independentemente do agente utilizado. Com GLP-1, a velocidade e a intensidade do emagrecimento aceleram esse processo, tornando o impacto estético mais pronunciado e mais rápido do que no emagrecimento convencional por dieta.
Os agonistas de GLP-1 — como semaglutida (Ozempic, Wegovy) e tirzepatida (Mounjaro) — reduzem o apetite e aumentam a saciedade por mecanismo central e periférico, criando déficit calórico sustentado. Esse déficit mobiliza gordura sistêmica de forma não seletiva. O glúteo perde volume proporcional ao emagrecimento total — e, em mulheres com menor massa muscular glútea basal, o impacto visual é mais acentuado: o músculo não sustenta a silhueta quando o suporte adiposo desaparece.
Dois estudos clínicos de fase 3 com GLP-1 documentam a magnitude do emagrecimento que leva ao Ozempic Butt: Wilding et al. (NEJM, 2021) demonstraram redução média de 14,9% do peso corporal com semaglutida em 68 semanas — com até 30-40% da perda proveniente de massa magra (doi: 10.1056/NEJMoa2032183). Jastreboff et al. (NEJM, 2022) reportaram redução média de 20,9% com tirzepatida (doi: 10.1056/NEJMoa2206038). Em ambos os estudos, a velocidade do emagrecimento supera a capacidade de retração espontânea da pele glútea — especialmente em mulheres acima dos 45 anos.
O impacto glúteo é mais relevante em mulheres que perderam mais de 10% do peso corporal, especialmente quando tinham pouca massa muscular glútea pré-emagrecimento. O perfil típico: mulher 45-60 anos, perda de 12-20 kg com GLP-1, queixa de achatamento e ptose glútea desproporcional à perda de gordura corporal global.
A pele glútea, sem o suporte da gordura subcutânea, desenvolve ptose (queda) e rugosidade. O colágeno dérmico, já em declínio após a menopausa, responde mal ao estiramento abrupto seguido de esvaziamento. O resultado é uma superfície irregular com sulcos horizontais — chamada popularmente de "banana roll pós-Ozempic" — e perda de projeção lateral.