Botox para nariz que cai ao sorrir: avaliação e conduta
Toxina botulínica

Botox para nariz que cai ao sorrir (depressor do septo)

O nariz que desce no sorriso parece pedir um ponto de toxina na columela, mas nem todo caso é músculo. Os ensaios que cortaram, transpuseram ou preservaram o depressor do septo durante a rinoplastia mostram o que o injetor precisa medir antes de decidir.

Quando o nariz "cai" no sorriso, a toxina no depressor do septo nasal trata só uma parte do movimento: a tração muscular sobre a columela. Antes de marcar o ponto, o injetor precisa medir o sorriso, separar o que é músculo do que é falta de suporte e reconhecer o que pertence a outros músculos, como a narina que alarga. A literatura cirúrgica sobre esse músculo — com ensaios randomizados que cortaram, transpuseram ou preservaram o depressor — serve de bússola para decidir quem se beneficia de um ponto de toxina e quem precisa de estrutura.

A aplicação na columela é um uso fora da bula: nenhuma bula de toxina estética traz o nariz entre as indicações aprovadas. A técnica do ponto, a anatomia fina das fibras e a dose de consenso estão detalhadas em botox no nariz para ponta caída. Esta página trata do passo anterior: o diagnóstico do sorriso e o que ele muda na conduta.

A análise do sorriso: cinco medidas que separam os casos

O ensaio randomizado de Kalantar-Hormozi e Beiraghi-Toosi (2014, Plast Reconstr Surg) acompanhou 100 pacientes de rinoplastia em dois grupos de 50 e propôs um roteiro que se adapta ao consultório de injetáveis. Em fotos de repouso e de sorriso máximo, eles mediram:

  1. comprimento nasal;
  2. diagonal nasal;
  3. projeção da ponta;
  4. altura do lábio superior;
  5. presença de prega transversal no lábio superior ao sorrir.

Antes da cirurgia, a projeção da ponta e a altura do lábio superior diminuíam de forma significativa com o sorriso. A recomendação dos autores é usar essa análise antes e depois do tratamento, e tratar o depressor quando a perda de projeção da ponta, o encurtamento do lábio ou a prega transversal no sorriso forem acentuados ou incomodarem.

Para quem injeta, isso vira uma regra prática: a indicação se escreve com números do próprio paciente, não com impressão. Fotografe o perfil em repouso e em sorriso amplo, na mesma distância, luz e posição de cabeça, e compare os cinco itens. O padrão de foto está em como fotografar e documentar o paciente de toxina, e o roteiro geral de expressões, em avaliação dinâmica antes do botox.

Depressor do septo nasal entre a base da columela e o lábio superior — avaliação do nariz que cai ao sorrir — Dr. Thiago Perfeito
Nariz em três quartos. A faixa vertical em destaque, entre a base da columela e o lábio superior, é o depressor do septo nasal: quando ele contrai no sorriso, puxa a columela para baixo e aprofunda a junção entre nariz e lábio. A faixa em destaque sobre o dorso é a porção transversa do nasal, que responde por outra queixa.

Narina que alarga é outro problema

Muitos pacientes descrevem "o nariz que cresce no sorriso" e misturam dois fenômenos. Beiraghi-Toosi, Rezaei e Zanjani (2016, World J Plast Surg) mediram 50 pessoas em repouso e em sorriso máximo:

O dado que interessa ao injetor vem a seguir: a mudança do comprimento nasal não se correlacionou com a mudança da base alar nem com a abertura das asas, e essas duas medidas não diferiram entre os casos com e sem hiperatividade do depressor. Em termos de conduta, bloquear o depressor do septo trata a columela e a ponta; não se deve esperar dele o estreitamento da narina no sorriso.

Quando a queixa principal é a asa que abre, o alvo muda. O consenso coreano de Ahn e colaboradores (2013, Dermatol Surg), escrito para pacientes asiáticos, descreve, para o alargamento da narina, um ponto no meio de cada asa nasal (2 U no total), separado do ponto da columela. Essa distinção evita a frustração mais comum da consulta: tratar a ponta e o paciente voltar dizendo que "o nariz continua abrindo".

O que a cirurgia do depressor ensina a quem injeta

Como o depressor é tratado há décadas na rinoplastia — por secção, transposição ou liberação —, os ensaios cirúrgicos respondem a uma pergunta que interessa diretamente à toxina: quanto do "nariz que cai" é músculo e quanto é estrutura?

A leitura conjunta orienta a consulta de toxina. O componente muscular existe e é tratável, mas a queda dinâmica também depende do suporte da ponta: quanto mais frágil a estrutura, menos a toxina sozinha resolve. E mexer na musculatura da base do nariz repercute no lábio — razão a mais para um depósito único, pequeno e preciso, em vez de vários pontos ao redor da narina.

Orbicular da boca e elevadores do lábio superior chegando à base do nariz — vista frontal — Dr. Thiago Perfeito
Terço inferior em vista frontal. Em cinza, o orbicular da boca e os feixes que sobem em direção à base do nariz e ao lábio superior: o depressor do septo, que não aparece neste desenho, desce da columela até essa vizinhança, e por isso o ponto precisa ficar na linha média. Em destaque, o depressor do ângulo da boca e o mentual, alvos de outras indicações.

Um músculo que também trabalha na narina

O depressor do septo não é só um músculo de expressão. Seyed Resuli, Oktem e Ataus (2020, Aesthetic Plast Surg) estudaram 29 pacientes de rinoplastia aberta com rinomanometria e eletromiografia. Quando o ligamento dermocartilaginoso — o tendão do depressor — não foi reparado, o fluxo de ar das narinas direita e esquerda ficou significativamente menor no pós-operatório (562,92 e 548,57 cm³/s); no grupo em que foi reparado, as medidas de rinomanometria não mudaram, e a amplitude elétrica do músculo depois da cirurgia foi maior que no grupo sem reparo. Os autores concluem que o músculo ajuda a abrir a válvula nasal externa.

Traçados de eletromiografia do depressor do septo nasal antes e depois da rinoplastia — Dr. Thiago Perfeito
Traçados de eletromiografia do depressor do septo nasal, lado esquerdo e direito, antes e depois da rinoplastia aberta: de a a d, no grupo sem reparo do ligamento dermocartilaginoso; de e a h, no grupo com reparo. Fig. 5 de Seyed Resuli A et al., Aesthetic Plast Surg 2020 (PMID 32246212), reproduzida sob licença CC BY.

Na prática, isso entra na anamnese: pergunte por obstrução nasal, cirurgia prévia e queixa respiratória antes de bloquear o músculo, e registre a resposta no prontuário. O paciente com nariz operado e ponta instável segue para avaliação de quem o operou.

O mito do nariz que alonga com os anos

É comum ouvir que o depressor hiperativo "vai alongar o nariz com o tempo" e que a toxina serviria para prevenir isso. Beiraghi-Toosi e colaboradores (2013, Aesthetic Plast Surg) compararam 80 pares de filhos e pais, com e sem hiperatividade do músculo. O nariz alongou com a idade nos dois grupos, e o aumento dos pais em relação aos filhos foi maior justamente no grupo sem hiperatividade. Os autores concluem que a hiperatividade do depressor não foi um fator nesse alongamento. A indicação, portanto, é a queixa dinâmica atual — não uma suposta prevenção.

Da avaliação ao ponto: como a análise vira conduta

Com as cinco medidas na mão, o caso se encaixa em um de quatro cenários:

  1. Queda dinâmica com ponta bem sustentada em repouso, prega transversal no lábio e encurtamento do lábio no sorriso: é o candidato da toxina na columela.
  2. Ponta baixa já em repouso, que piora no sorriso: há componente estrutural. A toxina pode entrar como complemento, mas o suporte vem do preenchedor na columela e no ângulo nasolabial ou da cirurgia. Os planos seguros estão em columela e ângulo nasolabial: preenchimento seguro.
  3. Narina que alarga, com ponta estável: o alvo é a asa, não a columela.
  4. Sorriso gengival somado à queda da ponta: o levantador do lábio superior e da asa do nariz entra no plano, e cada ponto é planejado com o vizinho em mente — ver botox no sorriso gengival.

Há uma série de casos nessa direção. Ramos e colaboradores (2024, Aesthetic Plast Surg) analisaram retrospectivamente 227 pacientes tratados com um padrão de toxina na face inteira, incluindo os músculos nasais, e relataram melhora da queda da ponta e encurtamento do filtro no sorriso. A explicação proposta pelos autores é que, com a porção nasal do levantador do lábio superior e da asa do nariz bloqueada, a porção que eleva o lábio passa a predominar. É uma série retrospectiva, sem grupo de comparação, e serve como hipótese de planejamento, não como regra.

A revisão anatômica de Yi e colaboradores (2023, Anat Cell Biol) organiza os pontos de injeção do depressor do septo, do nasal e do levantador do lábio superior e da asa do nariz a partir de referências externas do nariz — útil para quem vai tratar mais de um desses músculos na mesma sessão sem sobrepor difusão.

Dose de consenso e troca de marca

O consenso de Ahn e colaboradores recomenda, para a ponta deprimida, um único ponto profundo na columela com 3 U, numa concentração final de 50 U por mL. O resumo fala em toxina botulínica tipo A, sem vincular o número a uma marca. As bulas de Botox, Dysport e Xeomin afirmam que suas unidades não se comparam nem se convertem nas de outro produto. Na formação do Dr. Thiago, a troca de marca parte de uma equivalência de referência — 1 U de Botox corresponde a cerca de 2,5 U de Dysport e a 1 U de Xeomin —, começando na dose equivalente ou um pouco abaixo dela e ajustando pelo que o retorno mostra.

A aplicação, na rotina dele, usa agulha de 30 a 32 G e microbolus no plano e no ponto certos, sem aspiração, que em toxina não é necessária. O paciente volta entre 15 e 30 dias para a revisão, com as mesmas fotos de repouso e sorriso; se ainda houver atividade, o retoque é pontual e de dose pequena. O efeito costuma durar de 3 a 4 meses, e as bulas americanas pedem no mínimo 3 meses entre aplicações.

Sinais de que a escolha não foi a melhor

Nota de transparência: o Dr. Thiago não tem relação comercial com nenhum fabricante de toxina botulínica.

Formação: treinar o olho para o sorriso

A decisão desta página acontece antes da agulha: medir o sorriso, reconhecer o componente estrutural e escolher o músculo certo. Na Pós Prática do Dr. Thiago Perfeito, médico com CRM-DF 23199 em Medicina Estética e Regenerativa, cada módulo é um sábado presencial em Brasília, com pré-work gravado obrigatório antes e no máximo 8 médicos por turma. Na parte teórica, ele conduz a demonstração comentada; na prática, cada aluno executa sob supervisão em paciente modelo. A avaliação dinâmica e a toxina nos três terços estão no módulo de Toxina e Preenchimento; o suporte da ponta com ácido hialurônico, no módulo de face avançada. Todos os módulos estão em /cursos/.

Perguntas frequentes

Por que o nariz cai quando a pessoa sorri?

Porque o depressor do septo nasal, preso à base da columela, contrai junto com a mímica do sorriso e puxa a columela e a ponta para baixo. No ensaio de Kalantar-Hormozi e Beiraghi-Toosi (2014), a projeção da ponta e a altura do lábio superior diminuíam de forma significativa com o sorriso antes do tratamento. A firmeza do suporte da ponta também pesa no quanto ela desce.

Como avaliar o paciente com nariz que cai ao sorrir antes da toxina?

Com fotos de perfil em repouso e em sorriso máximo, comparando comprimento nasal, diagonal nasal, projeção da ponta, altura do lábio superior e a prega transversal no lábio. Essa é a análise do sorriso proposta por Kalantar-Hormozi e Beiraghi-Toosi, e as mesmas fotos servem para medir o resultado na revisão.

A toxina no depressor do septo diminui a narina que abre ao sorrir?

Não é esse o alvo dela. No estudo de Beiraghi-Toosi e colaboradores (2016), a mudança do comprimento nasal no sorriso não se correlacionou com o alargamento da base alar nem com a abertura das asas. Para a narina que alarga, o consenso de Ahn e colaboradores (2013) descreve um ponto no meio de cada asa.

Botox no nariz previne que ele alongue com a idade?

A toxina não se indica para isso. Num estudo com 80 pares de pais e filhos, Beiraghi-Toosi e colaboradores (2013) viram o nariz alongar com a idade com ou sem hiperatividade do depressor, e o alongamento foi até maior no grupo sem hiperatividade. A toxina trata a queixa dinâmica atual.

Quando a toxina não basta e é preciso preenchedor ou cirurgia?

Quando a ponta já está baixa em repouso ou o suporte da columela é fraco. Nos ensaios cirúrgicos, a sustentação da ponta reduziu a queda no sorriso tanto quanto a sustentação somada à transposição do músculo (Dasdar, 2025), e o enxerto de suporte somado à liberação rendeu mais que a liberação isolada (Brady, 2021).

Quantas unidades vão na columela e como trocar de marca?

O consenso de Ahn e colaboradores (2013) usa um ponto profundo com 3 U, a 50 U por mL, sem vincular o número a uma marca. As bulas dizem que as unidades de Botox, Dysport e Xeomin não são intercambiáveis; na formação do Dr. Thiago, a troca parte de uma equivalência de referência (1 U de Botox para cerca de 2,5 U de Dysport e 1 U de Xeomin), ajustada pela resposta na revisão de 15 a 30 dias.

Referências

  1. Kalantar-Hormozi A, Beiraghi-Toosi A. Smile analysis in rhinoplasty: a randomized study for comparing resection and transposition of the depressor septi nasi muscle. Plast Reconstr Surg. 2014;133(2):261-268. · PMID 24469161 · DOI 10.1097/01.prs.0000436850.86785.24
  2. Beiraghi-Toosi A, Rezaei E, Zanjani E. Relationship between hyperactivity of depressor septi nasi muscle and changes of alar base and flaring during smile. World J Plast Surg. 2016;5(1):45-50. · PMID 27308240
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  4. Toutounchi JS, Biroon SH, Banaem SM, Toutounchi NS, Nezami N, Salari B. Effect of the depressor septi nasi muscle modification on nasal tip rotation and projection. Aesthetic Plast Surg. 2015;39(3):294-299. · PMID 25795376 · DOI 10.1007/s00266-015-0469-9
  5. Dasdar S, Kianfar N, Kadkhoda-Mohammadi M, Saedi B. Effect of depressor septi transposition on preventing tip droop during smiling in tongue-in-groove tip plasty: a randomized controlled trial. Aesthetic Plast Surg. 2025;49(22):6271-6279. · PMID 40437118 · DOI 10.1007/s00266-025-04966-x
  6. Brady C, Berwick D, Uppal R. Tip droop prevention in rhinoplasty: dynamic effect of strut graft on smiling versus depressor muscle release. Plast Reconstr Surg Glob Open. 2021;9(4):e3462. · PMID 33868871 · DOI 10.1097/GOX.0000000000003462
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  8. Seyed Resuli A, Oktem F, Ataus S. The role of the depressor nasi septi muscle in nasal air flow. Aesthetic Plast Surg. 2020;44(5):1766-1775. · PMID 32246212 · DOI 10.1007/s00266-020-01693-3
  9. Beiraghi-Toosi A, Rezaei E, Jabbari Nooghabi M, Izadpanah S. Effect of depressor septi nasi muscle activity on nasal lengthening with time. Aesthetic Plast Surg. 2013;37(5):984-988. · PMID 23674225 · DOI 10.1007/s00266-013-0137-x
  10. Ramos HHA, Amaral V, de Oliveira Afonso LP, et al. Advanced injection of botulinum toxin in the nasal muscles: a novel dynamic change in facial expression. Aesthetic Plast Surg. 2024;48(8):1511-1521. · PMID 38191864 · DOI 10.1007/s00266-023-03751-y
  11. Yi KH, Lee JH, Kim SO, et al. Botulinum neurotoxin injection for treating plunged nose and post-rhinoplasty: anatomical perspectives of depressor septi nasi, nasalis, levator labii superioris alaeque nasi muscle. Anat Cell Biol. 2023;56(4):409-414. · PMID 37496386 · DOI 10.5115/acb.23.054
Dr. Thiago Perfeito, CRM-DF 23199
Dr. Thiago Perfeito · CRM-DF 23199
Medicina estética e regenerativa, Brasília–DF. Anatomia aplicada, complicações em injetáveis e medicina regenerativa.

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