Hip dips: como tratar sem cirurgia
Corpo e glúteo

Hip dips: como tratar sem cirurgia

A depressão lateral do quadril parece pedir só volume, mas quem a desenha é a anatomia da região: osso, tendão e as convexidades vizinhas. Escolher a rota certa começa por saber qual delas manda no caso.

Hip dip é a depressão lateral do quadril, na altura do trocânter maior, entre a convexidade do flanco e a da coxa. Ela nasce do arcabouço (pelve, fêmur, músculo e as inserções tendíneas da região), e não só de gordura que falta; por isso o tratamento sem cirurgia começa pelo diagnóstico da causa. As rotas injetáveis são três: ácido hialurônico corporal para volume imediato, bioestimulador de colágeno para espessura e qualidade do tecido, e gordura da própria paciente, enxertada no subcutâneo. Nenhuma delas muda osso nem inserção: elas suavizam a transição. Esta página organiza a anatomia, a seleção, o que cada rota oferece e onde o tratamento para.

Anatomia: por que a lateral do quadril afunda

A depressão fica sobre uma região em que, abaixo do subcutâneo, predomina tendão e aponeurose, não ventre muscular. Mena-Chávez e Cárdenas-Camarena (2015, Plast Reconstr Surg Glob Open) dissecaram quatro cadáveres masculinos e estudaram 79 pacientes para delimitar o que chamaram de área musculoaponeurótica do quadril. A face anterior dessa área corresponde ao tensor da fáscia lata, com seu tendão, e à aponeurose do glúteo médio; a face posterior, ao trato iliotibial e às inserções tendíneas do glúteo máximo. Nos cadáveres, a área mediu em média 17,5 cm de comprimento por 11,5 cm de largura; pelo sistema clínico-fotográfico dos autores, 14,9 cm por 10,3 cm. É uma placa de tecido denso sobre o trocânter maior, cercada por zonas que acumulam gordura.

Esse desenho explica a forma da queixa. Lewis (1992, Aesthetic Plast Surg) observou que a lipoaspiração das saliências da crista ilíaca e da região femoral lateral, o método tradicional, não corrigia a depressão profunda que fica entre as duas; em 12 pacientes, ele somou à lipoaspiração o enxerto de gordura na própria depressão e relatou correção do contorno, com seguimento máximo de um ano. A depressão, portanto, é em parte relativa: quanto mais marcadas as convexidades acima e abaixo, mais funda ela parece.

Lourenco e colaboradores (2024, Skin Health Dis) descrevem duas origens frequentes para a depressão trocantérica acentuada: a definição muscular da paciente atlética e o envelhecimento. Quando o envelhecimento entra na conta, o raciocínio muda: o tecido que cobre a placa aponeurótica afina, e a transição entre quadril e coxa tende a ficar mais marcada mesmo sem mudança de peso.

Seleção: qual depressão você tem na frente

Antes de escolher produto, classifique a depressão pela causa dominante. A classificação de Mendieta (2006, Clin Plast Surg) para avaliação glútea parte do mesmo princípio: identificar o tipo de arcabouço, o tipo de músculo glúteo e a relação entre os dois. Na prática do exame:

  1. Paciente em pé, de costas, de frente e de perfil, com luz lateral e a mesma distância em todas as fotos. A depressão muda com a postura; padronize ao máximo para comparar depois.
  2. Músculo relaxado e contraído. Se a depressão aprofunda muito na contração, a definição muscular é parte da causa.
  3. Palpação do trocânter e da borda da crista ilíaca. O quanto a moldura óssea desenha a curva define o teto do resultado.
  4. Pinçamento do tecido na depressão e nas convexidades vizinhas: tecido fino e frouxo sobre a placa pede um raciocínio; saliências gordurosas acima e abaixo, outro.
  5. História de produto prévio no glúteo. Material desconhecido muda a indicação. O mapeamento por ultrassom de Ducati e colaboradores (2025, J Cosmet Dermatol), feito em 110 pacientes, incluiu a depressão trocantérica entre as regiões examinadas e mostrou o método capaz de identificar e diferenciar os preenchedores da região glútea.

Para organizar o raciocínio, esta página usa três perfis, um esquema didático e não uma classificação publicada. Na depressão de moldura, o arcabouço ósseo ou a musculatura definida desenham a curva, e o tecido tem espessura normal: o volume suaviza, não apaga. Na depressão de tecido, a pele e o subcutâneo afinaram e cederam: qualidade e espessura importam tanto quanto volume. Na depressão relativa, as convexidades vizinhas dominam o desenho, e preencher só o centro pode alargar a silhueta sem a paciente perceber melhora.

Converse sobre o objetivo, porque ele não é universal. Num levantamento com 2.348 respostas na China, Cao e colaboradores (2024, Aesthetic Plast Surg) registraram que 90,1% preferiam o glúteo sem a depressão lateral; os próprios autores concluem que as preferências estéticas variaram com o sexo e a idade de quem respondeu. No estudo de Vartanian e colaboradores (2018, Aesthet Surg J), com 1.034 respostas, 43,8% escolheram, na vista posterior, o ângulo mais aberto na junção entre glúteo e coxa. O alvo é uma transição contínua, desenhada com a paciente diante do espelho, e não uma régua de beleza.

Três rotas, e quando cada uma entra

No contorno corporal, o Dr. Thiago Perfeito separa as ferramentas pela queixa: o ácido hialurônico corporal entra para volume; o bioestimulador, para flacidez e qualidade de pele; a gordura da própria paciente, no protocolo dele com a plataforma Lipocube, faz as duas coisas, com o microfat dando volume e o nanofat agindo na qualidade da pele. Quando a paciente reúne mais de uma queixa, as rotas se associam. Com preenchedor e bioestimulador no corpo, a cânula da rotina dele é, em geral, a 18G; em alguns casos, a 22G. E ele aspira antes de injetar, também com cânula.

Ácido hialurônico corporal: volume na mesma sessão

É a rota com descrição específica para hip dips. Lourenco e colaboradores (2024) trataram 11 pacientes com depressão trocantérica moderada a grave usando marcação e planejamento próprios e um ácido hialurônico de partícula grande, o Sofiderm Subskin, aplicado no subcutâneo intermediário. Os autores relatam resultado estético favorável e alta satisfação, e atribuem o desempenho ao G' alto e ao tamanho grande da partícula, que resistem à deformação. Na discussão, eles fazem uma ressalva útil para quem planeja: a depressão lateral é segura para injeção, mas pode ser difícil de expandir. Os autores declaram não ter conflito de interesse.

Ultrassom da depressão lateral do quadril com depósitos de ácido hialurônico acima da fáscia glútea superficial — Dr. Thiago Perfeito
Ultrassom da depressão lateral do quadril: os depósitos de gel aparecem como áreas escuras arredondadas, marcadas com asterisco, no subcutâneo; todos ficam acima da fáscia glútea superficial, a linha clara horizontal apontada pelo traço vertical. FIGURE 4 de Lourenco L et al., Skin Health Dis 2024 (PMID 39624740), reproduzida sob licença CC BY.

Três cuidados práticos. O Sofiderm é ácido hialurônico, não bioestimulador; e a linha corporal dele não traz lidocaína, ao contrário de UPmax e Shape Lido, de modo que, com ele, o conforto vem da anestesia local infiltrada. Nenhuma bula traz volume para hip dip: o volume sai do déficit medido no exame e do quanto o tecido aceita expandir, e completar em segunda sessão é mais previsível do que forçar uma área densa. Plano, produto e marcação para o glúteo inteiro estão em como aplicar ácido hialurônico no glúteo.

Bioestimulador: espessura e qualidade, com tempo

O bioestimulador não preenche no dia; ele espessa o tecido ao longo das semanas. Por isso cabe melhor na depressão de tecido, ou como complemento do volume. A depressão lateral já aparece na rotina de quem usa ácido poli-L-láctico fora da face: na revisão retrospectiva de prontuários de nove centros americanos publicada por Durairaj e colaboradores (2026, Aesthet Surg J Open Forum), com 498 pacientes, a região glútea, somando glúteo e hip dip, respondeu por 60,3% das sessões; a reconstituição foi em geral de 10 mL ou mais por frasco, o evento adverso mais comum foi equimose no local (5,0%) e houve nódulo em uma única paciente. O estudo foi financiado pela Galderma, e há funcionários da empresa entre os autores.

Há também um ensaio randomizado e duplo-cego específico da depressão, o SPLASH, de Zubair e colaboradores (2024, Dermatol Surg), com 15 mulheres e soro no lado controle. Além do ganho de espessura da derme e da gordura no lado tratado, os autores propõem que o ácido poli-L-láctico possa estimular adipogênese e elastogênese, o que ajuda a entender por que ele serve a uma depressão sem ser um volumizador. Os números do ensaio e a diluição corporal estão em Sculptra no glúteo.

O plano decide o efeito. Cotofana e colaboradores (2020, J Drugs Dermatol) mediram por ultrassom, em 150 pessoas, a distância entre a pele e a fáscia superficial: a região glútea teve a camada gordurosa superficial mais espessa entre as estudadas, com média de 20,52 mm e faixa de 6,10 a 38,40 mm. Os autores concluem que o bioestimulador injetado mais fundo do que essa camada pode perder eficácia, porque deixa de atingir o sistema fascial superficial. Na prática, isso quer dizer subcutâneo superficial, com a cânula paralela à pele. O calibre e o manejo da cânula estão em cânula para bioestimulador. Na conduta do Dr. Thiago, o bioestimulador pode ser feito inclusive durante o emagrecimento, sem espera de peso estável (detalhes em bioestimulador em pacientes magros e no pós-emagrecimento).

Gordura própria com a plataforma Lipocube: enxertia

O Lipocube é enxertia de gordura autóloga: a gordura é coletada de uma área doadora, processada e devolvida como enxerto. No protocolo do Dr. Thiago com a plataforma, a coleta chega a cerca de 250 mL, mais perto de uma mini-lipoaspiração do que de uma lipoaspiração tradicional, feita com anestesia local. No glúteo, a gordura vai só no plano subcutâneo, nunca no músculo, com cânula de 4 mm ou mais. O planejamento assume perda de 30% a 40% da gordura enxertada, e ele injeta volume a mais para compensar a reabsorção.

Seringas de gordura conectadas ao dispositivo Lipocube Nano — Dr. Thiago Perfeito
Seringas de 20 mL com gordura alaranjada conectadas ao dispositivo Lipocube Nano, sobre campo azul.

A seleção para gordura tem uma regra a mais: o peso. A paciente precisa estar com o peso estável há 3 meses antes do Lipocube e não deve emagrecer depois, porque a perda de peso consome a gordura enxertada. Essa espera é só do Lipocube: para o bioestimulador, como visto acima, a conduta dele não exige peso estável. A literatura dá suporte à indicação: a revisão de segurança da associação britânica de cirurgia plástica estética, de Tillo e colaboradores (2023, Aesthet Surg J), define o lipofilling glúteo superficial como o procedimento de enxertia feito para corrigir a depressão trocantérica e o esvaziamento do glúteo, e reúne evidência crescente de segurança quando a gordura fica no subcutâneo.

Segurança: o plano é a regra

Lourenco e colaboradores consideram a depressão lateral segura para injeção, mas a regra do plano não muda por isso. No mapeamento por tomografia de feixe cônico de Seabra Robalo Gomes Jorge e colaboradores (2024, Aesthetic Plast Surg), com 32 pacientes, os vasos intramusculares do glúteo tiveram calibre mediano de 1,47 mm, contra 1,09 mm no subcutâneo, e ocupavam 4,5% da área do músculo, contra 0,3% do tecido adiposo. Os autores recomendam injetar gordura apenas no plano subcutâneo.

A revisão narrativa de Ghadbane e colaboradores (2026, JPRAS Open) junta o calibre da cânula à conta. Dados de levantamentos e de autópsia ligam a embolia gordurosa fatal à injeção intramuscular profunda, à cânula angulada para baixo e a cânulas menores que 4 mm. Os vasos subcutâneos medem cerca de 1 mm, enquanto as veias glúteas superior e inferior medem cerca de 7,6 mm e 13,7 mm. O consenso descrito pelos autores é injeção só no subcutâneo, com cânula romba, rígida e de 4 mm ou mais, em movimento contínuo, baixa pressão e confirmação por ultrassom em tempo real, e apoiam esse consenso em levantamentos, autópsias, estudos em cadáver e dados biomecânicos. Na mesma linha, a revisão britânica de 2023 lembra que a estimativa de mortalidade por embolia gordurosa no BBL, a lipoenxertia glútea tradicionalmente associada à transferência intramuscular, foi revista de 1 em 2.500 para perto de 1 em 15.000, e destaca a utilidade do ultrassom intraoperatório para manter a gordura no subcutâneo.

Corte do glúteo com cânula no plano subcutâneo e vasos profundos abaixo do músculo — Dr. Thiago Perfeito
Corte em camadas do glúteo: pele no alto, gordura subcutânea em amarelo com a cânula de ponta romba correndo paralela à superfície, músculo em cinza e, sob ele, os vasos profundos. A depressão lateral se trata na camada amarela.

A regra de 4 mm é da gordura; o raciocínio de plano vale para qualquer material. Os sinais de alarme e a conduta diante de cada complicação estão em complicações do preenchimento glúteo.

Limites: o que nenhuma seringa muda

Injetável não move osso nem inserção. Na depressão de moldura, a promessa honesta é suavizar a transição, e às vezes isso pede mais de uma sessão; o próprio grupo que descreveu a técnica com ácido hialurônico registra que a área é difícil de expandir. Na depressão relativa, as convexidades vizinhas continuam lá: Lewis tratou as duas coisas, lipoaspiração das saliências e enxerto na depressão. Na musculatura muito definida, a curva reaparece na contração. E, na gordura enxertada, a variação de peso futura mexe no resultado.

Os erros que mais frustram: tratar o centro da depressão sem olhar as convexidades; usar bioestimulador quando a queixa é volume imediato; aprofundar a cânula para "ganhar projeção"; enxertar gordura em paciente que ainda vai emagrecer; e prometer uma linha reta onde o arcabouço desenha uma curva.

Declaração de independência: o Dr. Thiago não tem relação comercial com nenhum fabricante; os produtos aparecem aqui pelo que dizem os estudos.

Do diagnóstico à mão na cânula

Saber dizer se a depressão é de moldura, de tecido ou relativa é o que separa um resultado natural de um quadril alargado. O Dr. Thiago Perfeito, médico com CRM-DF 23199, de Medicina Estética e Regenerativa, realiza gluteoplastia não cirúrgica e já passou de 500 casos de glúteo. Na Pós Prática, esse raciocínio está no Módulo A2 (corporal, glúteo, lipoenxertia e regenerativa): volumizadores e bioestimuladores corporais, anatomia vascular e planos da região glútea, a regra absoluta do plano e a lipoenxertia com a plataforma Lipocube, da seleção de candidata às intercorrências. A teoria chega antes, em pré-work gravado. No sábado, na clínica INTI, em Brasília, a demonstração comentada abre caminho para a execução supervisionada em paciente modelo, numa turma de até oito médicos. Para comparar formações dessa área, os critérios estão em melhor curso de bioestimulador corporal e glúteo; os quatro módulos estão em Cursos.

Perguntas frequentes

O que causa o hip dip?

A forma da lateral do quadril, mais do que falta de gordura. A depressão fica sobre o trocânter maior, numa área de tendão e aponeurose (tensor da fáscia lata, glúteo médio, trato iliotibial e inserções do glúteo máximo), entre as convexidades do flanco e da coxa. Definição muscular e envelhecimento a acentuam.

Qual o melhor tratamento para hip dips sem cirurgia?

Depende da causa. Para volume na mesma sessão, ácido hialurônico corporal de partícula grande; para tecido fino e frouxo, bioestimulador; para volume e qualidade de pele com material próprio, enxertia de gordura no subcutâneo. As rotas podem ser associadas.

Ácido hialurônico funciona no hip dip?

Há uma técnica descrita para isso. Lourenco e colaboradores (2024) trataram 11 pacientes com um ácido hialurônico de partícula grande no subcutâneo intermediário e relataram resultado favorável e alta satisfação, com a ressalva de que a área pode ser difícil de expandir.

Bioestimulador resolve hip dip?

Melhora espessura e qualidade, com o tempo. O ácido poli-L-láctico já é usado na região: numa revisão de prontuários de 498 pacientes, em estudo financiado pela Galderma, glúteo e hip dip somaram 60,3% das sessões. Ele não dá volume imediato; para isso entram o ácido hialurônico ou a gordura.

Enxerto de gordura no hip dip vai no músculo?

Não. No protocolo do Dr. Thiago com a plataforma Lipocube, a gordura no glúteo vai só no plano subcutâneo, com cânula de 4 mm ou mais. A literatura liga a embolia gordurosa fatal à injeção intramuscular profunda e a cânulas menores que 4 mm.

Quem está emagrecendo pode tratar o hip dip?

Com bioestimulador, sim; com gordura, ainda não. Na conduta do Dr. Thiago, o bioestimulador pode ser feito inclusive durante o emagrecimento. Para o Lipocube, a paciente precisa de 3 meses de peso estável antes e não deve emagrecer depois.

Dá para eliminar o hip dip por completo?

Nem sempre. Quando o osso ou a musculatura definida desenham a curva, o injetável suaviza a transição, mas não muda o arcabouço. O objetivo é uma linha contínua e natural, combinada com a paciente antes de começar.

Referências

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Dr. Thiago Perfeito, CRM-DF 23199
Dr. Thiago Perfeito · CRM-DF 23199
Medicina estética e regenerativa, Brasília–DF. Anatomia aplicada, complicações em injetáveis e medicina regenerativa.

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