Polinucleotídeos na olheira
Na olheira, o polinucleotídeo (PN) trata a pele da pálpebra inferior: elasticidade, hidratação, linhas finas, textura e parte do escurecimento. Não substitui o ácido hialurônico na correção do sulco com perda de suporte e não corrige bolsa de gordura. Ele se aplica na derme, que na pálpebra inferior tem cerca de meio milímetro, em séries de sessões. Os estudos periorbitais usaram tanto agulha quanto microcânula, com cerca de 1 mL por lado por sessão.
A técnica geral de PN e PDRN, com a diferença entre as duas moléculas, a dor e o relevo, está em polinucleotídeos e PDRN: técnica de aplicação. O preenchimento do sulco com ácido hialurônico tem página própria em preenchimento de olheira: técnica e seleção do paciente. Aqui não se repete nenhuma das duas.
O que o PN faz na pálpebra, e o que não faz
A pálpebra inferior junta numa área pequena tudo o que complica um injetável: derme fina, vascularização rica, tendência a edema e pouca tolerância a irregularidade de contorno. A revisão de Khan e Hafeez (2026, J Clin Med), dedicada à comparação entre ácido hialurônico e PN na olheira, resume a divisão de trabalho assim: o ácido hialurônico continua sendo a referência para corrigir volume, mas tem limites na qualidade da pele e traz riscos como o efeito Tyndall e o edema malar, e foi isso que levou ao interesse pelos regenerativos. O PN, segundo os autores, melhora de forma consistente a qualidade da derme, com ganhos de elasticidade, hidratação e rugas finas, e tem perfil de segurança favorável. Para o próximo passo, os autores pedem protocolos padronizados, seguimento longo e ensaios que comparem as duas moléculas lado a lado.
A revisão sistemática multiespecialidade de Beer e colaboradores (2026, Dermatol Surg) chega à mesma divisão por outro caminho. Com 50 estudos organizados por tipo de tratamento, ela coloca o preenchedor como base para perda de volume, o laser para melanina, vasos e flacidez, o microagulhamento e o PN para textura e rugas finas, os peelings e tópicos para a discromia superficial, a toxina para a hipertrofia do orbicular e a cirurgia para gordura herniada e suporte palpebral ruim. A conclusão prática dos autores é que a decisão depende da integridade das bolsas de gordura, da qualidade da pele e do suporte da pálpebra, avaliados paciente a paciente.

Qual olheira responde ao PN
A palavra “olheira” cobre queixas diferentes, e a primeira tarefa é separar o que é pele, o que é volume e o que é gordura. A tabela organiza a decisão a partir da revisão de Beer e colaboradores:
| O que a paciente chama de olheira | O que está por trás | Onde o PN entra |
|---|---|---|
| Pele fina, enrugada, de crepe | Derme fina e perda de qualidade da pele | Ferramenta principal |
| Linhas finas da pálpebra inferior | Derme fina e movimento do orbicular | Ferramenta principal; a hipertrofia do orbicular é assunto da toxina |
| Escurecimento da pálpebra | Pigmento, vaso aparente e sombra, muitas vezes juntos | Opção estudada, com resposta melhor no subtipo estrutural; laser e tópicos entram para pigmento e vaso |
| Sulco fundo, olho “afundado” | Perda de volume e de suporte | Complemento da pele; o volume vem do ácido hialurônico |
| Bolsa que aparece com a luz de cima | Gordura orbital herniada | Não corrige; a revisão de Beer coloca a cirurgia como preferida |
| Pálpebra que cede, sem apoio | Suporte palpebral ruim | Não corrige; também é território cirúrgico |
O escurecimento merece uma nota à parte. Num estudo multinacional de vida real com 61 pessoas de 20 a 67 anos (Amado e colaboradores, 2026, Clin Cosmet Investig Dermatol), um PN de alta purificação a 7,5 mg/mL aplicado em três sessões deslocou a olheira escura para graus menos intensos, com diferença altamente significativa na análise digital das fotos (p < 0,001), numa amostra que incluía todos os subtipos de olheira. O efeito foi mais claro nas pessoas tratadas com agulha que tinham o subtipo estrutural. Os autores atribuem ao PN de baixa concentração um efeito imediato sobre o vazio da região, somado à reestruturação mais lenta do tecido; para a correção estrutural do sulco, a revisão de Khan e Hafeez mantém o ácido hialurônico como superior. Parte dos autores, inclusive o autor correspondente, declara verbas de pesquisa e consultorias de produtores de preenchedores, entre eles a Mastelli.
Na paciente madura, entre 45 e 60 anos, é comum encontrar as duas coisas ao mesmo tempo: sulco com perda de suporte e uma pele fina que denuncia qualquer gel colocado raso demais. É exatamente nesse cenário que a revisão de Khan e Hafeez trata PN e ácido hialurônico como complementares, e não como concorrentes.
O que vai na seringa
PN são fragmentos de DNA altamente purificados, de peixe. A origem varia conforme o produto: o PN do estudo de Ziade e colaboradores (2026, J Cosmet Dermatol) vem de DNA de esperma de salmão; o PN de alta purificação do estudo de Amado vem de gônadas de truta. Os produtos dos estudos periorbitais de Ziade e de Amado tinham a mesma concentração, 7,5 mg/mL, e Amado a descreve como baixa. Para comparação, o PN da mesma tecnologia de alta purificação avaliado em face, pescoço e colo no estudo de vida real de Eliana e colaboradores (2026, J Cosmet Dermatol) traz 40 mg em seringa de 2 mL. A leitura prática é que, na pálpebra, os estudos escolheram a versão mais leve.
- Regulação. Na Europa, o PN de alta purificação avaliado por Eliana é dispositivo médico de classe III com marcação CE, segundo o resumo do estudo. O registro no Brasil é do produto, não da molécula: confira o do frasco que vai usar antes de comprar.
- Produtos híbridos. Existem complexos que juntam PN e ácido hialurônico não reticulado pensados para a região periocular. No trabalho de Abuyousif e colaboradores (2025, Polymers), um desses complexos foi comparado em laboratório com outros produtos de ácido hialurônico para qualidade de pele e testado em dois casos clínicos; três autores eram funcionários de uma empresa do setor regenerativo e um, de empresas de fabricação. Quando há ácido hialurônico na seringa, o raciocínio de segurança do ácido hialurônico volta junto.
- Alergia. Por ser DNA de peixe, pergunte e registre alergias antes da primeira sessão e siga a bula do produto escolhido.
Plano: a derme da pálpebra tem cerca de meio milímetro
O número que organiza a técnica vem de um estudo com ultrassom de 33 MHz. Kim e Atchima (2025, Plast Reconstr Surg Glob Open) mediram a espessura da derme em 31 pacientes, com idade média de 48 anos, em várias regiões da face: a pálpebra inferior foi a mais fina, com 0,53 mm em média, contra 1,18 mm na têmpora e na bochecha posterior. No mesmo estudo, um injetor automático com agulha de 0,8 mm depositou o PN a 0,55 mm de profundidade média. Na pálpebra inferior, portanto, o alvo intradérmico é uma faixa de cerca de meio milímetro, e pouco mais de profundidade já tira o produto da derme.

Como os estudos aplicaram
- Agulha ou cânula, três sessões. No estudo de Amado, o PN foi aplicado com agulha ou com cânula no início, depois de duas a três semanas e de novo duas a três semanas depois, em geral 1 mL na região periorbicular de cada lado, com doses menores permitidas a critério do injetor. As fotos foram analisadas 1 e 3 meses depois da última sessão.
- Microcânula, gotas e fios de produto. Adel e colaboradores (2025, Plast Reconstr Surg Glob Open) trataram o sulco de cinco mulheres de 35 a 50 anos com 1 mL de um PN por lado, usando microcânula 23G de 30 mm e combinando microgotas com retroinjeção linear para distribuir o produto. Houve melhora leve a moderada do sulco, da lisura e do pigmento, sem eventos adversos até o 3º mês. Os autores pedem, como próximo passo, coortes maiores e seguimento além de 6 meses. Os autores declaram não ter interesse financeiro no produto.
- Intradérmico, 2 mL por sessão. No estudo prospectivo de Ziade e colaboradores, 42 pacientes que procuravam tratar a pálpebra inferior receberam PN a 7,5 mg/mL por via intradérmica, 2 mL por sessão. Os questionários FACE-Q da pálpebra inferior e dos pés de galinha melhoraram em todos os retornos, de 1 a 6 meses (p < 0,001), com o maior ganho e a maior satisfação aos 3 meses, depois de duas sessões; os eventos adversos foram mínimos. Os autores declaram não ter conflito de interesse.
- Contra o ácido hialurônico não reticulado. No ensaio randomizado e duplo-cego de hemiface de Lee e colaboradores (2022, J Dermatolog Treat), com 27 pessoas e três aplicações a cada duas semanas, a nota estética global foi semelhante entre os lados; elasticidade, hidratação, aspereza e volume de poros melhoraram mais do lado do PN, e a densidade da derme não diferiu.
- Por via tópica, depois da microlesão. Yogya e colaboradores (2022, Dermatol Ther) trataram o rosto inteiro de 30 pessoas de fototipo III a V com radiofrequência microagulhada em três sessões a cada duas semanas e sortearam um lado para receber PN tópico e o outro, soro. A melhora das rugas periorbitais apareceu mais cedo do lado do PN na medida em 3D aos 2 meses, e a dor média foi de 2,2 numa escala de 10.
Passo a passo na pálpebra inferior
- Marcação com a paciente sentada. Desenhe o rebordo orbital e a área de pele a tratar; mantenha distância segura da margem palpebral e da linha dos cílios.
- Foto e conforto. Foto com luz e distância padronizadas, porque o escurecimento muda muito com a luz; anestésico tópico removido por completo antes da antissepsia.
- Agulha rasa ou cânula fina. Com agulha, bisel para cima e depósitos pequenos e regulares na derme. Com cânula, o trajeto também é superficial, sob a pele fina, distribuindo o produto em gotas e em linha, como no estudo de Adel.
- Ritmo lento no êmbolo. Pressa vira depósito grande e relevo que demora a assentar na pele mais fina da face.
- Volume dentro do que o estudo e a bula descrevem. Na olheira os estudos ficaram em torno de 1 mL por lado por sessão; o volume e o intervalo do produto escolhido vêm da bula dele.
- Compressão leve e orientação por escrito. Relevo, edema leve e equimose podem aparecer; a paciente sai sabendo o que é esperado e por qual canal falar se a dor ou a cor da pele mudarem.
Riscos que a região acrescenta
A pálpebra inferior não muda o perfil do produto, mas muda o que cada erro produz:
- Tyndall. O tom azulado da olheira tratada é o efeito clássico do gel de ácido hialurônico colocado raso, e é por isso que a revisão de Khan e Hafeez o lista entre as limitações do ácido hialurônico na região. O PN é um produto diferente, aplicado de propósito na derme. A exceção são os produtos híbridos: quando a seringa contém ácido hialurônico, o risco do gel superficial volta a ser considerado. O mecanismo e a conduta estão em efeito Tyndall.
- Edema. A região incha com facilidade. Paciente com edema malar ou bolsa que varia ao longo do dia precisa dessa conversa antes de qualquer injetável; os cenários estão em quando não fazer preenchimento de olheira.
- Vasos. A rede venosa e arterial da região é densa e superficial; equimose é frequente e toda injeção perto do canto medial respeita o trajeto vascular. Veja o mapa de zonas de risco vascular antes de mexer no terço medial.
- Relevo. Na pele mais fina da face, a pápula do PN aparece mais. A paciente precisa saber disso antes de sair.

PN ou preenchimento de olheira: a decisão
Modelo · Antes de oferecer PN na olheira
- A queixa é pele ou sulco? Pele de crepe, linhas finas e derme fina: PN. Sulco com perda de suporte: ácido hialurônico, pela técnica de cânula na olheira.
- Tem bolsa ou suporte palpebral ruim? Nenhum injetável corrige; a paciente precisa ouvir isso na primeira consulta.
- O escurecimento é sombra, pigmento ou vaso? O PN tem dado no escurecimento, melhor no subtipo estrutural; pigmento e vaso também pedem laser ou tópico.
- O produto tem ácido hialurônico na fórmula? Se tiver, vale a lógica de segurança do ácido hialurônico, inclusive a hialuronidase à mão.
- A paciente aceita uma série? O PN constrói resultado ao longo das sessões; quem quer mudança no mesmo dia vai se frustrar.
Erros que mais se repetem
- Vender PN como preenchedor de olheira para quem tem sulco estrutural.
- Usar na pálpebra a profundidade de outras áreas: ali a derme tem menos da metade da espessura medida na têmpora.
- Tratar bolsa de gordura com injetável em vez de encaminhar.
- Esquecer que o produto híbrido tem ácido hialurônico e baixar a guarda sobre Tyndall e risco vascular.
- Julgar o resultado na primeira sessão de um protocolo desenhado em série.
O Dr. Thiago Perfeito declara não ter relação comercial com qualquer fabricante; os produtos citados aparecem pelo que os estudos testaram, sem indicação de compra.
Onde a olheira e o PN entram na formação
Na Pós Prática do Dr. Thiago Perfeito, médico de Medicina Estética e Regenerativa com CRM-DF 23199, a olheira aparece em dois lugares. O preenchimento do sulco, com seleção rigorosa de candidato e técnica supraperiosteal, é conteúdo do Módulo A1, Face Avançada, que trabalha as zonas de risco máximo. A parte regenerativa, com o PDRN e a via do receptor A2A, está no Módulo A2, e as técnicas de skinbooster para qualidade de pele estão no Módulo B2. Cada módulo é um sábado presencial na clínica INTI, no Lago Sul, precedido por pré-work gravado e obrigatório; no sábado, a demonstração comentada responde pela teoria e a execução supervisionada em paciente modelo, pela prática, com no máximo oito médicos por turma. A lista completa está em /cursos/.
Perguntas frequentes
Polinucleotídeo preenche a olheira?
Não como o ácido hialurônico. O PN age na derme da pálpebra inferior: elasticidade, hidratação, linhas finas e textura. Amado e colaboradores (2026) descrevem também um efeito imediato sobre o vazio da região, mas, para o sulco com perda de suporte, a revisão de Khan e Hafeez (2026) mantém o ácido hialurônico no plano profundo como superior; os dois podem ser combinados.
Em que plano se aplica PN na olheira?
Na derme, que ali é muito fina. No estudo de ultrassom de Kim e Atchima (2025), a derme da pálpebra inferior teve 0,53 mm em média, a mais fina da face. O alvo intradérmico na região é uma faixa de cerca de meio milímetro.
PN na olheira se aplica com agulha ou com cânula?
Os estudos usaram as duas. Amado e colaboradores (2026) aplicaram com agulha ou cânula, com resposta mais clara nos tratados com agulha que tinham o subtipo estrutural; Adel e colaboradores (2025) usaram microcânula 23G de 30 mm com microgotas e retroinjeção linear.
Polinucleotídeo melhora olheira escura?
Melhorou no estudo que mediu isso. Em 61 pessoas tratadas com PN de alta purificação em três sessões, a análise digital das fotos mostrou deslocamento significativo para graus menos intensos de escurecimento (p < 0,001), mais claro no subtipo estrutural. Pigmento e vaso podem precisar também de laser ou tópico.
PN na olheira causa efeito Tyndall?
O Tyndall é o efeito clássico do ácido hialurônico superficial, e a revisão de Khan e Hafeez (2026) o lista entre as limitações do ácido hialurônico na região. O PN é aplicado na derme de propósito. A exceção são os produtos híbridos com ácido hialurônico na fórmula, que trazem de volta o raciocínio do gel superficial.
Quantas sessões de PN na olheira?
Os estudos usaram séries de três sessões, com intervalo de duas a três semanas no estudo de Amado e de duas semanas no ensaio de Lee. O número de sessões, o volume e o intervalo do produto escolhido vêm da bula dele.
Quem não deve fazer PN na olheira esperando corrigir tudo?
Quem tem bolsa de gordura herniada ou suporte palpebral ruim. A revisão sistemática de Beer e colaboradores (2026) coloca a cirurgia como a opção preferida nesses casos; o PN melhora a pele que cobre o problema, não o problema.
Referências
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- Beer J, Boghosian T, Sherif R, et al. What's New With Under Eye Treatment: A Multispecialty Systematic Review of Recent Under Eye Treatments. Dermatol Surg. 2026;52(2):155-163. · PMID 41615388 · DOI 10.1097/DSS.0000000000004964
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- Kim JS, Atchima S. Analysis of Dermal Thickness Across 10 Areas and Injection Depth After Polynucleotide Injection Using Rejumate Automatic 0.8-mm 9-pin Injector on the Face Using 33-MHz Sonography. Plast Reconstr Surg Glob Open. 2025;13(9):e7121. · PMID 41000432 · DOI 10.1097/GOX.0000000000007121
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- Yogya Y, Wanitphakdeedecha R, Wongdama S, et al. Efficacy and Safety of Using Noninsulated Microneedle Radiofrequency Alone versus in Combination with Polynucleotides for Treatment of Periorbital Wrinkles. Dermatol Ther (Heidelb). 2022;12(5):1133-1145. · PMID 35501660 · DOI 10.1007/s13555-022-00729-7
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