Preenchimento de mandíbula: pontos, produto e técnica
Preenchimento com ácido hialurônico

Preenchimento de mandíbula: pontos, produto e técnica

Mandíbula bem tratada não parece maior: parece desenhada. O resultado vem de três segmentos ligados (ângulo, borda e transição até o mento), de um gel que aguenta a mastigação e de respeito a um único ponto vascular que se repete em todo paciente.

O preenchimento de mandíbula funciona quando o gel firme vai para o osso nos pontos que desenham o contorno: o ângulo goníaco, o ramo e a borda inferior do corpo, com a transição até o mento. O produto é um ácido hialurônico de alta sustentação e pouco espalhamento; a técnica combina bolus pequenos sobre o periósteo no ângulo com cânula ao longo da borda, sempre conhecendo o ponto em que a artéria facial cruza a mandíbula, logo à frente do masseter.

Esta página trata do desenho do tratamento: diagnóstico, anatomia que define os pontos, escolha do gel e execução. O raciocínio de volume por bula fica para outro texto; aqui, o número entra só como limite de segurança.

O que a mandíbula precisa: definição, e não volume

O pedido mais comum não é "aumentar" a mandíbula, e sim recuperar a linha que separa o rosto do pescoço. Com o envelhecimento, o osso da mandíbula recua, o ângulo perde nitidez, a gordura superficial desce e forma o jowl, e a borda deixa de ser uma linha contínua. Na paciente entre 45 e 60 anos, esse conjunto aparece como rosto "pesado" no terço inferior, mesmo sem ganho de peso. No paciente mais jovem, a queixa costuma ser estrutural: ângulo pouco marcado ou ramo curto.

Hong e colaboradores (2025, J Craniofac Surg), em revisão sobre diagnóstico anatômico e técnica no mento e na mandíbula, lembram que o objetivo varia: parte dos pacientes busca definição de contorno, outra parte precisa sobretudo de projeção do mento. O diagnóstico decide qual segmento recebe gel e em que ordem. Quatro perguntas organizam o exame:

  1. O ângulo existe? Palpe o ângulo goníaco e veja o perfil: ângulo apagado pede ponto no ângulo e no ramo.
  2. A borda é contínua? Olhe de baixo e em três quartos: degrau no pré-jowl ou depressão no corpo pedem ajuste ao longo da borda.
  3. O mento acompanha? Mandíbula marcada com mento retruído desequilibra o perfil; muitas vezes o mento vem antes.
  4. O volume é de músculo ou de gordura? Masseter hipertrofiado e gordura submentual não se resolvem com preenchedor.
Mandíbula e mento em vista oblíqua com a borda mandibular em destaque — Dr. Thiago Perfeito
Mandíbula e mento em vista oblíqua, com a borda mandibular e o mento em destaque. O contorno se desenha em três segmentos ligados: ângulo e ramo atrás, corpo e borda no meio, mento à frente.

A anatomia que decide os pontos

A região é generosa em osso e cobertura, mas tem um ponto que exige atenção em toda sessão: o cruzamento da artéria facial com a borda da mandíbula, na margem anterior do masseter. Ali o vaso é calibroso. No estudo com Doppler de Shen e colaboradores (2023, J Plast Reconstr Aesthet Surg), em 66 hemifaces, o diâmetro médio da artéria facial na origem mandibular foi de 1,56 mm, maior do que na comissura e na asa nasal. A veia facial corre logo atrás da artéria.

Doppler da região anterior da mandíbula com artéria facial, veia facial e masseter — figura de estudo — Dr. Thiago Perfeito
Doppler em corte transversal da região anterior da mandíbula: a artéria facial (em vermelho e amarelo), tortuosa, atravessa o compartimento de gordura profunda; a veia facial (em azul) fica mais atrás, perto do masseter; à esquerda, o depressor do ângulo da boca. Figure 2 de Vasconcelos-Berg R et al., Diagnostics (Basel) 2025 (PMID 40218271), reproduzida sob licença CC BY.

Os outros elementos que entram no planejamento:

Vasconcelos-Berg e colaboradores (2025, Diagnostics; a primeira autora declara vínculo de palestrante com a Galderma, e uma coautora, bolsa de pesquisa da Merz) descrevem o ultrassom da terça parte inferior como ferramenta para localizar a artéria facial, a parótida e o masseter antes de injetar e durante a injeção. O trajeto completo da facial e as variações estão em artéria facial e artéria angular; o mapa geral, em zonas de risco vascular da face.

Os pontos, segmento por segmento

Ângulo goníaco

É o ponto que mais muda o contorno. O gel vai sobre o periósteo, em bolus pequenos, com agulha perpendicular ao osso, tocando o plano ósseo antes de injetar. O objetivo é marcar o vértice do ângulo, sem alargar a face: em mulheres, costuma-se manter o ângulo mais suave e projetar menos para fora.

Ramo

Ao longo da borda posterior do ramo, pequenos depósitos supraperiosteais definem a altura da mandíbula. No estudo de Taub e Callender (2024, Dermatol Surg), com 15 mulheres, o gel aplicado apenas no ângulo e no ramo melhorou o jowl em escala validada, de forma independente da aplicação na bochecha lateral. É um dado útil: tratar a parte de trás do contorno já reduz a percepção do peso na frente.

Corpo e borda inferior

Entre o ângulo e o pré-jowl, a borda se desenha por retroinjeção linear. A cânula é a ferramenta mais usada aqui: Hong e colaboradores (2025) apontam que, na mandíbula, ela reduz complicações e distribui o gel de maneira mais uniforme. A entrada costuma ficar próxima ao ângulo, e a cânula corre ao longo da borda, no subcutâneo profundo, logo acima do osso.

Ultrassom de cânula no subcutâneo ao longo da mandíbula — figura de estudo — Dr. Thiago Perfeito
Cânula (asterisco) correndo no tecido subcutâneo ao longo da mandíbula, acima do osso e à frente da parótida, em imagem obtida durante a injeção. Figure 5 de Vasconcelos-Berg R et al., Diagnostics (Basel) 2025 (PMID 40218271), reproduzida sob licença CC BY.

Transição com o pré-jowl e o mento

Se o contorno para no pré-jowl, o degrau aparece. A borda precisa encontrar o mento numa linha contínua, e é por isso que mandíbula e mento se planejam juntos. Quando o mento está retruído, ele costuma ser o primeiro ponto do plano.

Produto: o gel mais firme do portfólio

A mandíbula é a região que mais exige sustentação do gel. Pele espessa, masseter por baixo e força de mastigação pedem ácido hialurônico de elasticidade alta e pouca tendência a espalhar. Hong e colaboradores (2025) resumem a regra: géis de alta viscosidade para suporte estrutural profundo, géis mais macios para acabamento de superfície. O raciocínio de reologia está em reologia do ácido hialurônico.

O estudo de referência da indicação é o ensaio randomizado de Rivkin e colaboradores (2024, Aesthet Surg J) com o Juvéderm Volux XC (VYC-25L). No sexto mês, a taxa de resposta na escala de perda de definição da mandíbula foi de 69,0% no grupo tratado, contra 38,0% no controle; 88,4% dos participantes e 89,0% dos investigadores avaliaram o resultado como melhorado. A maioria das reações no local da injeção foi leve ou moderada e se resolveu em até duas semanas, e o efeito se manteve em um ano.

Como dado de rotina, e não como ranking, o gel em uso na clínica do Dr. Thiago Perfeito para a mandíbula é o Restylane Lyft. Os números de estudo e de bula desta página vêm dos produtos que tiveram a mandíbula estudada no registro americano. A bula do Juvéderm Volux XC informa que mais de 9 mL na mandíbula não foi estudado, e esse é o tipo de número que funciona como limite, e não como meta.

Declaração: o Dr. Thiago Perfeito não tem relação comercial com nenhum fabricante, incluindo Galderma e Allergan Aesthetics/AbbVie. As marcas aparecem para ilustrar o critério de escolha pela indicação.

Técnica passo a passo

  1. Foto e marcação com o paciente sentado. Frente, perfil e três quartos. Marque o ângulo, a borda, o pré-jowl e o ponto em que a artéria facial cruza a mandíbula (palpação do pulso ou Doppler).
  2. Assepsia ampla. A região tem barba em homens e recebe cânula longa: preparo da pele em toda a área percorrida.
  3. Ângulo com agulha. Agulha perpendicular até o osso, aspiração, bolus pequeno, injeção lenta e com pressão baixa. A conduta do Dr. Thiago é aspirar sempre com preenchedor, por mais tempo em agulhas finas; a aspiração ajuda, mas não substitui o plano e a anatomia.
  4. Borda com cânula. Entrada próxima ao ângulo, cânula no subcutâneo profundo ao longo da borda, retroinjeção linear em fios finos. Ao chegar perto do cruzamento da artéria facial, menos volume e mais atenção ao plano.
  5. Moldagem e conferência. Modelagem leve com os dedos, conferência de simetria de frente e de baixo, e foto final. Hong e colaboradores (2025) incluem massagem e retorno programado no manejo pós-tratamento.
  6. Retorno. Reavaliação depois que o edema assenta, com ajuste pequeno onde faltou definição.

A comparação entre cânula e agulha, com vantagens de cada uma por região, está em cânula ou agulha no preenchimento.

Crânio em perfil com masseter e temporal em destaque — Dr. Thiago Perfeito
Crânio em perfil com o masseter (do arco zigomático ao ângulo da mandíbula) e o temporal em destaque. No ângulo, o gel fica sobre o osso, por baixo do masseter; quando a largura vem do músculo, a ferramenta é outra.

Quando a toxina entra no plano

Se a largura do terço inferior vem do masseter, o preenchedor no ângulo deixa a face mais quadrada. Nesse caso, a toxina no músculo afina o contorno, e o preenchimento entra depois, para definir a borda sem alargar. A técnica e o risco de sorriso assimétrico estão em botox no masseter.

Complicações e como conduzir

O contorno do terço inferior na formação

Contorno de mandíbula, mento e ângulo goníaco, com ácido hialurônico de alta sustentação e hidroxiapatita de cálcio, faz parte do módulo B1 · Toxina e Preenchimento Essencial da Pós Prática, a formação do Dr. Thiago Perfeito (médico, CRM-DF 23199, Medicina Estética e Regenerativa). A anatomia e o planejamento chegam antes, no pré-work gravado. No sábado presencial, em Brasília, a parte teórica é a demonstração comentada e a parte prática é a execução supervisionada pelo próprio aluno em paciente modelo, em turma de até oito médicos.

Síntese

A mandíbula se trata pelo contorno: ângulo e ramo com bolus sobre o osso, borda com cânula no subcutâneo profundo, transição contínua até o mento. O gel é o mais firme disponível, e a escolha se faz pela indicação. O ponto de atenção é sempre o mesmo: o cruzamento da artéria facial à frente do masseter. Outros textos técnicos estão na Biblioteca.

Perguntas frequentes

Qual o melhor ponto para começar o preenchimento de mandíbula?

Na maioria dos casos, o ângulo goníaco. É o ponto que mais muda o contorno com pouco gel. Se o mento estiver retruído, ele costuma entrar no plano antes ou junto, para que a borda termine numa linha contínua.

Mandíbula se faz com cânula ou com agulha?

Com as duas. Agulha perpendicular ao osso para bolus no ângulo; cânula no subcutâneo profundo ao longo da borda, onde ela distribui o gel de forma mais uniforme e reduz complicações (Hong et al., 2025).

Onde fica o maior risco vascular na mandíbula?

No ponto em que a artéria facial cruza a borda da mandíbula, à frente do masseter. Ali o vaso tem cerca de 1,56 mm de diâmetro médio (Shen et al., 2023). Marcar esse ponto antes de injetar é parte da técnica.

Qual ácido hialurônico usar na mandíbula?

Um gel de alta sustentação e pouco espalhamento, para plano profundo. O Juvéderm Volux XC é um gel com ensaio randomizado publicado na indicação (Rivkin et al., 2024). Na clínica do Dr. Thiago, o gel em uso na mandíbula é o Restylane Lyft, sem relação comercial com fabricante.

Quanto tempo dura o preenchimento de mandíbula?

No ensaio de Rivkin e colaboradores (2024), o efeito se manteve por um ano. A duração varia de pessoa para pessoa conforme o gel, o volume, o metabolismo e a mastigação.

Preenchimento de mandíbula dói ao mastigar depois?

Pode haver sensibilidade por alguns dias. Taub e Callender (2024) descreveram dor ao mastigar por dois a três dias após aplicação no ângulo e no ramo. Avisar o paciente evita a ligação de retorno.

Referências

  1. Rivkin A, Green JB, Bruce S, Cox SE, Hevia O, Chawla S, Sartor M. Safe and Effective Restoration of Jawline Definition With Hyaluronic Acid Injectable Gel VYC-25L: Results From a Randomized Controlled Study. Aesthet Surg J. 2024;44(12):1341-1349 · PMID 38985546 · DOI 10.1093/asj/sjae147
  2. Hong GW, Wan J, Yoon SE, Yi KH. Anatomic-Based Diagnosis and Filler Injection Techniques: Chin Augmentation and Jawline Contouring. J Craniofac Surg. 2025;36(2):688-694 · PMID 39804055 · DOI 10.1097/SCS.0000000000011075
  3. Vasconcelos-Berg R, Desyatnikova S, Bonavia P, Navarini A, Chammas MC, Sigrist R. Best Practices for the Use of High-Frequency Ultrasound to Guide Esthetic Filler Injections-Part 3: Lower Third of the Face. Diagnostics (Basel). 2025;15(7):921 · PMID 40218271 · DOI 10.3390/diagnostics15070921
  4. Shen WW, Jiao CB, Ma JX, Xia YC, Cui LG. Evaluation of facial artery course variations, diameters, and depth by Doppler ultrasonography. J Plast Reconstr Aesthet Surg. 2023;84:79-86 · PMID 37327736 · DOI 10.1016/j.bjps.2023.05.017
  5. Taub AF, Callender VD. Jowl Improvement With Injectable Fillers: Jawline Injections Alone Versus Jawline and Cheek Injections. Dermatol Surg. 2024;50(12):1149-1154 · PMID 39078942 · DOI 10.1097/DSS.0000000000004308
Dr. Thiago Perfeito, CRM-DF 23199
Dr. Thiago Perfeito · CRM-DF 23199
Medicina estética e regenerativa, Brasília–DF. Anatomia aplicada, complicações em injetáveis e medicina regenerativa.

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