Posicionamento e transição

Frase de posicionamento da clínica: o modelo de uma linha para bio, site e recepção

A bio diz "Atendimento humanizado e de excelência". O site repete a frase, e a recepção, ao telefone, responde algo diferente a cada ligação. Troque o nome da clínica pelo da vizinha e a frase continua verdadeira — e não ajuda ninguém a decidir nada.

A resposta direta: a frase de posicionamento é uma linha só, montada em 4 peças nesta ordem: "Para [PARA QUEM] [EM QUE MOMENTO]: [O QUE A CLÍNICA FAZ], com [COMO]." O público deixa o leitor saber se está fora; o momento é a situação de antes da consulta; o serviço é algo que se agenda; o como traz um dado do seu consultório que o paciente confere, sem promessa. Antes de publicar, a frase passa por uma lista de corte de seis itens: superlativo; qualidade autoproclamada; promessa de resultado; "especialista" como qualificação; órgão, sistema ou doença sem RQE na área; gratuidade, preço e desconto. A mesma frase é o texto de posicionamento da bio, vai para a página inicial do site e para a recepção, onde só o "Para" do começo vira "Aqui a gente atende".

Em que estágio da clínica este tema pesa

  1. 0Improvisar
  2. 1Monetizar
  3. 2Atrair
  4. 3Estabilizar
  5. 4Priorizar
  6. 5Produtizar
  7. 6Otimizar
  8. 7Organizar
  9. 8Especializar
  10. 9Capitalizar

Estágio 4 · Priorizar

A clínica diz sim para tudo, e isso custa margem. Aqui se escolhe o paciente ideal, o preço e o que deixar de fazer.

Seu papel
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Por que "atendimento humanizado e de excelência" não posiciona a clínica

Faça o teste da troca: copie a frase da sua bio, ponha no lugar do seu o nome de outra clínica — a do outro lado da rua, a de outra área — e leia de novo. Se continua verdadeira com qualquer nome, não posiciona nada. "Humanizado", "excelência" e "moderno" continuam verdadeiros em qualquer endereço: são qualidades que a clínica afirma sobre si, e o paciente não confere nenhuma delas antes de marcar.

Quem lê a bio quer saber outra coisa: "isto é para mim, agora?". A frase genérica não responde, e o paciente manda mensagem, liga ou fecha o perfil. E, sem frase escrita, cada lugar improvisa: a bio diz uma coisa, o site outra, a recepção o que lembrar na hora. O paciente ouve três clínicas.

O mecanismo: quatro peças que deixam alguém de fora, e uma lista de corte

Uma frase posiciona quando cada pedaço exclui algo — o público exclui quem não está nele; o momento, quem não está naquela situação; o serviço, o que a clínica não faz; o como descreve um passo que outra clínica pode não ter. Preenchidas com os seus dados, as quatro peças deixam de servir para qualquer nome; diante da vizinha da mesma área, quem separa as duas é o [COMO], quando traz um passo que ela não tem.

A outra parte é o que não entra. A frase da bio e a do site são publicidade: o art. 1º da Resolução CFM nº 2.336/2023 entende por publicidade ou propaganda médica "a comunicação ao público, por qualquer meio de divulgação da atividade profissional, com iniciativa, participação e/ou anuência do médico, nos segmentos público, privado e filantrópico". As vedações do art. 11 vêm sob o chapéu "É vedado ao médico e, naquilo que couber, às pessoas jurídicas, entes sindicais e associativos de natureza médica:". A lista de corte tem seis itens:

  1. Superlativo — "o melhor", "referência em", "número 1", "o único". O art. 11, XVI, inclui entre as vedações a de "portar-se de forma sensacionalista ou autopromocional", e o § 3º entende por promocional "referir-se a si próprio, a serviço onde atue ou a técnicas e procedimentos de modo a conferir-se propriedades e qualidades privilegiadas".
  2. Qualidade autoproclamada — "excelência", "humanizado", "completo", "moderno". Sai por decisão deste modelo, sem invocar norma: essas palavras continuam verdadeiras com o nome de qualquer clínica no teste da troca.
  3. Promessa de resultado — "resultado garantido", "sua melhor versão", "acabe com a dor", "rejuvenesça". É o art. 11, XII: "garantir, prometer ou insinuar bons resultados do tratamento".
  4. "Especialista" como qualificação — "especialista em", "especializada em". O art. 13, sob o chapéu "É direito do médico e de estabelecimentos de natureza médica:", dá no inciso VI o direito de "divulgar sua qualificação técnica", e o § 2º diz: "Para os efeitos da aplicação desse artigo, é considerado especialista e detentor de título em área de atuação todo aquele que apresentar RQE." Na divulgação da qualificação, sem RQE o médico não é considerado especialista. Com RQE, a palavra fica fora da frase por decisão deste modelo, assim como "especializada", dita da clínica: a qualificação vai na linha de identificação.
  5. Órgão, sistema ou doença sem RQE na área, em qualquer peça. O art. 11, I, veda "divulgar, quando não especialista, que trata de sistemas orgânicos, órgãos ou doenças específicas, por induzir à confusão com a divulgação de especialidades". A régua deste modelo é mais estreita e fácil de conferir: só nomeia órgão, sistema ou doença quem tem RQE na área; sem RQE, a frase diz o tipo de atendimento. A régua é sobre anunciar; para atender, a habilitação é o CRM ativo.
  6. Gratuidade, preço e desconto — "avaliação gratuita", "consulta a partir de". Para a gratuidade, o art. 11, XVI, inclui entre as vedações a de "praticar concorrência desleal", e o § 4º, c, entende por concorrência desleal "anunciar a prestação de serviços médicos gratuitos em seu consultório privado, aplicando-se este mesmo princípio a empresas de qualquer ramo que contrate médico para prestação de serviços em medicina". Preço e desconto saem por decisão deste modelo: a frase é fixa, e preço muda.
Modelo: Frase em 4 Peças — para quem, em que momento, o que a clínica faz, como
  1. Escreva [PARA QUEM]. Nomeie o público por idade, fase de vida ou situação de quem chega. Pronto quando um leitor consegue dizer, só por essa peça, se está fora dela — "toda a família" não passa.
  2. Escreva [EM QUE MOMENTO]. Descreva o ponto em que a pessoa procura a clínica: um exame alterado, uma decisão a tomar, um sintoma que atrapalha a rotina. Pronto quando a peça descreve uma situação de antes da consulta, e não um resultado de depois dela.
  3. Escreva [O QUE A CLÍNICA FAZ]. Use o nome que o paciente pediria ao telefone: consulta, avaliação, acompanhamento, exame, procedimento. Pronto quando a peça nomeia algo que se agenda.
  4. Escreva [COMO], sem promessa. Diga um passo que o paciente confere na própria consulta: duração, o que leva por escrito, quando é o retorno, quem pode estar na sala. Pronto quando a peça traz pelo menos um dado do seu consultório entre colchetes, preenchido antes de publicar, e nenhuma palavra sobre o resultado do tratamento.
  5. Passe a frase na lista de corte. Divida-a em trechos — cada um é o pedaço que preenche uma peça ou o que cai num item da lista; o que sobrar fica num trecho à parte — e classifique cada um: preenche uma peça, cai num dos seis itens, ou nenhum dos dois. Trecho que cai na lista sai; trecho que não preenche peça também. Pronto quando sobraram só trechos que preenchem peça e as quatro peças estão preenchidas.
  6. Publique a mesma frase nos três lugares. Na bio, como o texto de posicionamento; abaixo do nome da clínica, na página inicial do site; e na recepção, como resposta a "o que vocês fazem aí?", na forma falada: "Aqui a gente atende [PARA QUEM] [EM QUE MOMENTO]: [O QUE A CLÍNICA FAZ], com [COMO]." Pronto quando os três lugares trazem as quatro peças, na mesma ordem e com os mesmos dados; na fala, só o "Para" do começo vira "Aqui a gente atende", e nada se acrescenta. Pronto na bio quando a frase, já preenchida, cabe no limite que a própria plataforma mostra ao editar o perfil; se não couber, encurte as palavras de cada peça — nunca tire uma peça nem o dado do [COMO] — e use a versão encurtada também no site e na recepção.

Frase em 4 Peças: a ordem da linha

  1. 1[PARA QUEM] — o público, escrito de modo que o leitor saiba se está fora dela
  2. 2[EM QUE MOMENTO] — a situação de antes da consulta, e não um resultado de depois dela
  3. 3[O QUE A CLÍNICA FAZ] — algo que se agenda: consulta, avaliação, acompanhamento, exame, procedimento
  4. 4[COMO], sem promessa — um dado do seu consultório que o paciente confere na própria consulta
Depois, a lista de corte de seis itens: superlativo; qualidade autoproclamada; promessa de resultado; especialista como qualificação; órgão, sistema ou doença sem RQE na área; gratuidade, preço e desconto.
Exemplo ilustrativo

Cenário fictício: uma clínica de ginecologia, com médica com RQE na área, tem na bio "Referência em saúde da mulher. Atendimento humanizado para mulheres de [FAIXA DE IDADE], com consulta de [DURAÇÃO] e resultados que você sente." Pelo passo 5, trechos: 5 — "Referência em saúde da mulher", "Atendimento humanizado", "para mulheres de [FAIXA DE IDADE]", "com consulta de [DURAÇÃO]" e "e resultados que você sente". Caem na lista: 3 (itens 1, 2 e 3). Preenchem peça: 2 (o [PARA QUEM] e o [COMO]). Trechos que ficam: 5 − 3 = 2. Peças a escrever: 4 − 2 = 2 ([EM QUE MOMENTO] e [O QUE A CLÍNICA FAZ]). Trechos da frase nova: 2 + 2 = 4, um por peça. A frase nova é a linha de ginecologia da tabela: "Para mulheres de [FAIXA DE IDADE] na revisão anual: exame preventivo, com consulta de [DURAÇÃO]." Contra os seis itens, nenhum aparece, e o item 5 não se aplica porque a médica tem RQE na área. Troque cada número pela contagem da sua frase.

Aplicação prática: dez frases prontas, por área da clínica

A coluna do meio é o que não publicar; a da direita sai pelo modelo e passa na lista de corte. As outras nove linhas podem nomear órgão, sistema ou doença e por isso pressupõem médico com RQE na área (item 5); a de estética não nomeia nenhum dos três.

Área da clínicaVersão genérica (não publicar)Versão pelo modelo
Estética"Referência em estética: realce sua melhor versão.""Para adultos que notaram o rosto mudar com a idade: procedimentos não cirúrgicos, com plano por escrito em consulta de [DURAÇÃO]."
Nutrologia"Nutrologia moderna para conquistar o corpo dos sonhos.""Para adultos que já tentaram mudar o peso sozinhos: acompanhamento nutrológico, com exames revisados e retorno a cada [INTERVALO]."
Ginecologia"Ginecologia humanizada e de excelência.""Para mulheres de [FAIXA DE IDADE] na revisão anual: exame preventivo, com consulta de [DURAÇÃO]."
Pediatria"O melhor cuidado para o seu filho.""Para famílias com recém-nascido ou trocando de pediatra: acompanhamento, com a curva de crescimento mostrada e retorno em [PRAZO]."
Ortopedia"Ortopedia de excelência: volte a se movimentar sem dor.""Para adultos com dor articular que atrapalha o trabalho ou o esporte: avaliação ortopédica, com retorno em [PRAZO]."
Cardiologia"Cardiologia completa e moderna.""Para adultos com exame cardíaco alterado ou antes de treinar: consulta cardiológica, com laudo explicado na consulta de [DURAÇÃO]."
Psiquiatria"Psiquiatria humanizada: reencontre o seu equilíbrio.""Para adultos com ansiedade, tristeza ou insônia que atrapalham a rotina: acompanhamento psiquiátrico, com consulta de [DURAÇÃO]."
Cirurgia plástica"A melhor cirurgia plástica da cidade: rejuvenesça.""Para adultos que avaliam uma cirurgia de [REGIÃO] sem pressa: consulta cirúrgica, com riscos por escrito e retorno em [PRAZO]."
Clínica médica"Clínica médica completa, com excelência.""Para adultos com várias doenças crônicas e vários médicos: acompanhamento, com os remédios revisados e [O QUE LEVA POR ESCRITO]."
Geriatria"Geriatria humanizada para quem você ama.""Para idosos e suas famílias, quando surgem quedas ou esquecimento: avaliação geriátrica, com consulta de [DURAÇÃO]."

Nuances por área: em pediatria, o [PARA QUEM] é a família, que lê a bio e liga; em psiquiatria, o [EM QUE MOMENTO] descreve o que atrapalha a rotina, não um diagnóstico que a pessoa talvez não tenha; em geriatria, a frase nomeia os dois leitores, paciente e cuidador; em estética, descreve mudança com a idade, não a aparência de depois, que seria promessa (item 3).

A frase não substitui a identificação que a peça publicitária traz nem as demais regras de anúncio — o quadro do que a Resolução permite e veda está em o que o médico pode anunciar. E o [COMO] vale o que a consulta entrega — o desenho dessa parte está em experiência do paciente no consultório.

Perguntas frequentes

Como escrever a frase de posicionamento de uma clínica médica?

Monte uma linha só, em quatro peças nesta ordem: Para [PARA QUEM] [EM QUE MOMENTO]: [O QUE A CLÍNICA FAZ], com [COMO]. O público é escrito de modo que o leitor consiga dizer se está fora dele; o momento descreve a situação de antes da consulta, e não um resultado de depois dela; o serviço é algo que se agenda, como consulta, avaliação ou acompanhamento; o como traz pelo menos um dado do seu consultório que o paciente confere na própria consulta, como a duração ou o retorno, e nenhuma palavra sobre o resultado do tratamento. Depois, passe a frase na lista de corte de seis itens publicada na página.

O que escrever na bio da clínica?

O texto de posicionamento da bio é a frase de posicionamento: para quem a clínica atende, em que momento a pessoa procura, o que a clínica faz e como, com um dado do seu consultório que o paciente confere. A mesma frase vai abaixo do nome da clínica, na página inicial do site, e é a resposta da recepção quando alguém pergunta o que vocês fazem. Ela não substitui a identificação que a peça publicitária traz; é a linha que diz a quem a clínica serve. Se, preenchida, não couber no limite que a plataforma mostra ao editar o perfil, encurte as palavras de cada peça, sem tirar peça nem o dado do [COMO]. Atendimento humanizado e de excelência não entra: continua verdadeiro com o nome de qualquer clínica.

Posso escrever atendimento humanizado na bio da clínica?

Pelo modelo da página, não. Humanizado, excelência, completo e moderno estão no item 2 da lista de corte, qualidade autoproclamada, e saem por decisão do modelo, sem invocar norma. O teste é a troca: ponha no lugar do seu o nome de outra clínica, de qualquer área, e leia de novo; se a frase continua verdadeira com qualquer nome, ela não posiciona. No lugar do adjetivo, escreva o [COMO]: um passo do atendimento que o paciente confere na própria consulta, com dado do seu consultório entre colchetes, como a duração da consulta ou o prazo do retorno.

A clínica pode usar a palavra especialista na frase de posicionamento?

No modelo da página, não. A palavra está no item 4 da lista de corte, com o dispositivo da Resolução CFM nº 2.336/2023 transcrito na página: na divulgação da qualificação, sem RQE o médico não é considerado especialista; com RQE, a palavra fica fora da frase por decisão do modelo, porque a qualificação vai na linha de identificação. Veja também o item 5, que reserva a quem tem RQE na área a frase que nomeia órgão, sistema ou doença. As duas réguas são sobre o que se anuncia; para atender, a habilitação é o CRM ativo.

A frase de posicionamento pode prometer resultado?

Pelo modelo da página, não. Promessa de resultado é o item 3 da lista de corte, e o dispositivo é o art. 11, XII da Resolução CFM nº 2.336/2023, sob o chapéu É vedado ao médico e, naquilo que couber, às pessoas jurídicas, entes sindicais e associativos de natureza médica: garantir, prometer ou insinuar bons resultados do tratamento. Na frase, isso alcança expressões como resultado garantido, sua melhor versão, acabe com a dor e rejuvenesça. O modelo fecha a porta em duas peças: o [EM QUE MOMENTO] descreve a situação de antes da consulta, e o [COMO] não traz palavra sobre o resultado do tratamento.

Como a recepção usa a frase de posicionamento ao telefone?

A recepção responde à pergunta o que vocês fazem aí com a mesma frase da bio, na forma falada: Aqui a gente atende [PARA QUEM] [EM QUE MOMENTO]: [O QUE A CLÍNICA FAZ], com [COMO]. Só o Para do começo vira Aqui a gente atende; as quatro peças ficam na mesma ordem e com os mesmos dados, e nada se acrescenta. Assim, quem leu a bio, abriu o site e depois ligou encontra a mesma clínica nos três lugares, em vez de três versões improvisadas.

Referências

  1. Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.336/2023 — arts. 1º, 11 (chapéu, I, XII, XVI, §§ 3º e 4º, c) e 13 (chapéu, VI e § 2º), transcritos acima: sustentam que a frase da bio e a do site são publicidade, os itens 1 e 3 da lista de corte e a parte normativa dos itens 4, 5 e 6; o que esses três acrescentam por decisão deste modelo está dito em cada item.

Conteúdo educacional de gestão para médicos. Não substitui orientação jurídica, contábil ou a consulta ao CRM da sua jurisdição.

Dr. Thiago Perfeito, CRM-DF 23199
Dr. Thiago Perfeito · CRM-DF 23199
Médico, dono de consultório particular em Brasília–DF. Escreve sobre gestão, precificação e operação de consultório a partir da própria prática — não de teoria de consultoria.

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