Artéria labial superior e inferior: profundidade
Na maior parte das pessoas, as artérias labiais correm atrás do músculo orbicular da boca, entre ele e a mucosa, a cerca de 4 a 6 mm da superfície do lábio. Mas em uma parcela grande elas estão dentro do músculo, raramente no subcutâneo, e a posição muda ao longo do próprio lábio — da comissura para a linha média, e do lábio superior para o inferior. Para quem preenche lábio, o número que interessa não é a média: é quanto espaço sobra entre a ponta da agulha e o vaso, num lábio de cerca de um centímetro de espessura em que a camada acima do músculo tem menos de um milímetro.
A técnica clássica, os planos e o volume estão em preenchimento labial: técnica, volume e planos; a técnica russa, em técnica russa passo a passo; o mapa de superfície, em lábio por subunidades. Esta página olha só para o vaso: de onde ele entra, em que camada corre, a que profundidade, e como isso varia.
Por onde as artérias entram no lábio
As duas labiais nascem da artéria facial perto da comissura — a superior acima dela, a inferior abaixo — e correm em direção à linha média, onde se ligam às do outro lado.
- Lábio superior. Na dissecção de 60 hemifaces de Lee e colaboradores (2015, Plast Reconstr Surg), a origem da labial superior ficou, em média, 12,1 mm lateral ao canto da boca, dentro de um quadrado de 1,5 cm acima e lateral à comissura. Em 56,7% ela e o ramo da asa do nariz nasceram separados da facial; em 21,7%, a labial deu o ramo alar; em 15,0%, era o ramo terminal da facial; em 6,7%, não existia. A partir da origem, correu ao longo da borda do vermelhão até a linha média, a cerca de 3 mm de profundidade.
- Lábio inferior. No cadáver, Tansatit e colaboradores (2014, Aesthetic Plast Surg) viram a labial inferior sair de um tronco comum com a labiomentual; esse tronco corria ao longo da borda alveolar, entre o orbicular e os depressores do lábio, e dele saía a labial inferior, que acompanhava o nervo mentual até o lábio. Na dissecção de 48 hemifaces de Swancutt e colaboradores (2025, J Clin Med), a labial inferior apareceu em 90% dos doadores, a labiomentual em 75% e a mentual em todos; 88% das labiais inferiores, 43% das labiomentuais e 96% das mentuais supriam diretamente o lábio de baixo.
O lábio inferior, portanto, tem mais de uma fonte, e o desenho de uma artéria única do canto até o centro é mais fiel ao lábio superior do que ao inferior. Os cinco tipos de labial inferior descritos por Tansatit e colaboradores (2019, Plast Reconstr Surg Glob Open), que aparecem combinados entre si no mesmo rosto, reforçam isso: três deles foram considerados mais vulneráveis à lesão durante o preenchimento, e a combinação presente influenciou a gravidade da necrose quando a artéria foi atingida.
Entre o orbicular e a mucosa — na maioria
A camada em que a artéria corre foi medida por dissecção, por ultrassom e por tomografia, e os números mudam com o método e a população. Lado a lado:
| Estudo | Amostra e método | Atrás do músculo (submucosa) | Dentro do músculo | Subcutâneo |
|---|---|---|---|---|
| Cotofana et al., 2017 | 193 cabeças, dissecção | 78,1% | 17,5% | 2,1% |
| Cotofana et al., 2020 | 41 voluntários, ultrassom | 58,5% | 36,2% | 5,3% |
| Lee KL et al., 2020 | 60 voluntários, ultrassom | mucosa úmida: 35% a 57% (superior), 28% a 55% (inferior) | labial superior: 20% a 45% | — |
| Milla et al., 2026 | meta-análise de 4 estudos + cadáveres brasileiros | labial superior: 33,3% a 53,3% | labial superior: 40,0% a 46,7%; labial inferior na linha média: 73,3% | labial superior: 0,0% a 26,7% |
O padrão é consistente — submucosa primeiro, músculo em segundo, subcutâneo raro —, mas a fatia intramuscular cresce nos estudos com ultrassom em vivos e na meta-análise mais recente. Lee KL e colaboradores encontraram pontos do lábio superior em que a artéria estava mais vezes dentro do músculo do que na mucosa, e a labial inferior aparecendo na mucosa seca do vermelhão em 5% a 27% dos casos, muitas vezes na junção entre a mucosa seca e a úmida. Na meta-análise brasileira de Milla e colaboradores (2026, Aesthetic Plast Surg), a labial inferior foi a mais variável, e a conclusão dos autores é direta: nem a linha média nem a região paramediana podem ser consideradas livres de risco.


A profundidade em milímetros
Medida a partir da superfície, a artéria fica, conforme o estudo, entre 3 e 6 mm:
| Estudo | Método | Profundidade |
|---|---|---|
| Lee SH et al., 2015 | dissecção | labial superior a cerca de 3 mm, ao longo da borda do vermelhão |
| Tansatit et al., 2014 | dissecção | labial superior a 4,5 mm, entre a mucosa e o orbicular |
| Lee KL et al., 2020 | ultrassom | 5,3 mm no lábio superior; 4,2 mm no inferior |
| Cotofana et al., 2020 | ultrassom | 5,6 mm no lábio superior; 5,2 mm no inferior |
| Zhu et al., 2024 | tomografia com contraste, 52 cabeças | labial superior a 5,68 mm em média, da comissura à linha média |
| Tansatit et al., 2019 | ultrassom | labial inferior a cerca de 6 mm |
| Trzeciak et al., 2026 | meta-análise | médias de 4,59 a 4,90 mm nos pontos estudados |
Dois dados dão escala a esses números. No ultrassom de Lee KL, o lábio media 9,4 mm de espessura no superior e 10,9 mm no inferior, tomados na borda do vermelhão: a artéria corre perto da metade do caminho entre a superfície e a mucosa da boca. E a meta-análise de Trzeciak e colaboradores (2026, Aesthet Surg J), que comparou a labial superior entre a comissura e o pico do arco do cupido, no próprio pico e na linha média, encontrou profundidades parecidas em todos os pontos; daí a régua dos autores, de injeção até 3,5 mm na maior parte do lábio e até 4 mm no vermelhão superior, com ultrassom antes de aumentos extensos.
O outro lado da conta é a camada de cima. No ultrassom de 126 participantes de Harris e colaboradores (2026, Plast Reconstr Surg), o subcutâneo do lábio teve, em média, menos de 1 mm nos dois lábios, e na maioria dos tratados o preenchedor tinha ido parar dentro do músculo. As técnicas de injeção vertical se associaram a depósito mais profundo, hipervascularização e sinais de migração, e a anatomia variou com sexo, etnia, IMC e idade. Entre os autores, dois são sócios de uma empresa de cursos de ultrassom facial, um dirige uma empresa de ensino de anatomia e uma é consultora da Galderma. Em resumo: entre a superfície e o vaso há poucos milímetros, e o plano "acima do músculo" é mais fino do que a mão imagina.
Como a posição muda ao longo do lábio
- Da comissura à linha média. Na tomografia de Zhu e colaboradores (2024, Aesthetic Plast Surg), a labial superior seguiu de profunda a mais superficial à medida que se aproximava do centro, com diâmetro médio de 1,36 mm.
- Linha média e região paramediana. Na dissecção de Cotofana e colaboradores (2017, Plast Reconstr Surg), a artéria trocou de camada ao longo do trajeto em 29% dos lábios superiores e 32% dos inferiores, e a linha média foi o ponto mais variável, com a artéria em posição superficial com mais frequência; os autores apontaram o subcutâneo paramediano como o lugar mais seguro para volumizar e pediram cuidado no centro. Na parte de cadáver de Milla e colaboradores (2026), a variabilidade de posição foi maior na região paramediana, com anastomose constante na linha média — e a conclusão foi que nenhuma das duas zonas está livre de risco.
- Dentro do vermelhão, no sentido vertical. No ultrassom de Cotofana e colaboradores (2020, Aesthet Surg J), as artérias estavam, na projeção vertical, mais vezes na altura do lábio vermelho do que na da pele do lábio — 83% no superior e 86,2% no inferior —, e na linha média correram na altura do vermelhão em todos os voluntários.
- Lábio inferior na borda. O mesmo grupo publicou duas leituras, que ficam lado a lado. Em 2014, na dissecção, Tansatit e colaboradores consideraram as bordas do vermelhão dos dois lábios seguras para injeção superficial e todas as áreas do lábio inferior seguras, pelo calibre pequeno dos ramos ascendentes. Em 2019, com o ultrassom de 20 voluntários, o grupo encontrou a labial inferior a cerca de 6 mm, na altura da borda do vermelhão, e apontou essa posição como o plano perigoso; no cadáver, classificou três dos cinco tipos de labial inferior como mais vulneráveis à lesão.

O que a profundidade muda no preenchimento labial
Modelo · Seis consequências da posição da artéria labial
- Contar em milímetros, não em "raso" e "fundo". Com a artéria a 4–6 mm e o subcutâneo com menos de 1 mm, a margem real é de poucos milímetros, e ela muda de paciente para paciente.
- O centro e a faixa ao lado pedem mais cautela que a média sugere. Na dissecção de Cotofana, é onde a artéria mais troca de camada; no ultrassom, ela estava na altura do vermelhão em todos os examinados; e é onde as duas labiais se ligam. A região paramediana, ao lado, também variou na série de Milla.
- A comissura é a porta de entrada do vaso. A labial superior nasce, em média, cerca de 1,2 cm lateral ao canto da boca e entra no lábio em plano profundo; o túnel de uma cânula que parte da comissura começa justamente aí — o trajeto está em preenchimento labial com cânula.
- Direção da agulha é escolha de risco. Cotofana (2020) sugeriu que a abordagem perpendicular, vinda da pele do lábio, pode aumentar a segurança porque a artéria fica mais no vermelho; Harris (2026) associou as técnicas verticais a depósito mais profundo e migração. As duas observações juntas pedem controle de profundidade em qualquer direção.
- Lábio inferior não é a metade fácil. Mais fontes arteriais, posição mais variável e, na linha média, artéria dentro do músculo na maioria dos casos da meta-análise brasileira.
- Volume e velocidade. Pouco produto por depósito, injeção lenta, e o teto de bula por sessão — os números por produto estão em quanto ácido hialurônico usar nos lábios.
No consultório do Dr. Thiago Perfeito, a aspiração antes de cada depósito de preenchedor é feita sempre — mais demorada em agulha fina, de 29 a 30G —, ao lado da injeção lenta e do volume pequeno; nenhuma dessas medidas basta sozinha. O ultrassom, quando disponível, mostra em que camada está o vaso daquela paciente: o protocolo de varredura está em ultrassom na prevenção da oclusão vascular. Se o lábio empalidecer, ficar violáceo ou doer além do esperado, a leitura dos sinais está em sinais de alerta de oclusão e a conduta, em oclusão vascular por ácido hialurônico e hialuronidase em alta dose pulsada. Gel que se deslocou com o tempo é outro problema, tratado em migração do ácido hialurônico nos lábios.
Do número à mão que segura a seringa
Saber que a artéria está a 5 mm é diferente de saber onde está a ponta da agulha quando ela entra no vermelhão. Essa calibragem se faz com supervisão, lábio a lábio. Na Pós Prática do Dr. Thiago Perfeito, médico (CRM-DF 23199), o lábio é um dos blocos do módulo de Face Avançada — proporção entre lábio superior e inferior, técnicas por plano, materiais e profilaxia herpética —, ao lado da anatomia vascular de risco por região; o protocolo de oclusão e a hialuronidase fazem parte do bloco de segurança do módulo de Toxina e Preenchimento. O formato é o mesmo nos quatro módulos: pré-work gravado obrigatório antes e um sábado presencial em Brasília, na clínica INTI, em que a demonstração comentada abre a parte teórica e a parte prática é a execução supervisionada pelo aluno em paciente modelo, com no máximo 8 médicos por turma. Detalhes em /cursos/.
Perguntas frequentes
Em que camada do lábio corre a artéria labial?
Na maioria das pessoas, atrás do músculo orbicular, entre ele e a mucosa. Na dissecção de 193 cabeças de Cotofana e colaboradores (2017), foi assim em 78,1%; dentro do músculo em 17,5% e no subcutâneo em 2,1%. No ultrassom de 41 voluntários (Cotofana, 2020), os números foram 58,5%, 36,2% e 5,3%.
Qual é a profundidade da artéria labial superior?
Entre 3 e 6 mm conforme o estudo. A meta-análise de Trzeciak e colaboradores (2026) encontrou médias de 4,59 a 4,90 mm nos pontos estudados; no ultrassom de Cotofana (2020), foi de 5,6 mm, e na tomografia de Zhu (2024), de 5,68 mm.
A artéria labial inferior é mais rasa que a superior?
Nos estudos com ultrassom, ficou um pouco mais rasa: 4,2 mm contra 5,3 mm em Lee KL e colaboradores (2020), e 5,2 mm contra 5,6 mm em Cotofana (2020). Ela também é mais variável e, na linha média, apareceu dentro do músculo em 73,3% na meta-análise de Milla e colaboradores (2026).
A linha média do lábio é mais perigosa?
É um dos trechos mais variáveis. Na dissecção de Cotofana (2017), a linha média foi o ponto em que a artéria mais apareceu em posição superficial, e no ultrassom de Cotofana (2020) ela correu na altura do vermelhão em todos os voluntários nesse ponto. Já na parte de cadáver de Milla (2026), a variação de posição foi maior na região paramediana, e os autores concluíram que nenhuma das duas zonas está livre de risco.
Até que profundidade é seguro injetar no lábio?
A meta-análise de Trzeciak e colaboradores (2026) propõe até 3,5 mm na maior parte do lábio e até 4 mm no vermelhão superior, com ultrassom antes de aumentos extensos. Harris (2026) lembra que o subcutâneo tem menos de 1 mm, e o gel muitas vezes acaba no músculo.
Onde nasce a artéria labial superior?
Da artéria facial, perto da comissura. Lee SH e colaboradores (2015) mediram a origem, em média, 12,1 mm lateral ao canto da boca, e encontraram a artéria ausente em 6,7% das hemifaces.
Referências
- Lee SH, Gil YC, Choi YJ, Tansatit T, Kim HJ, Hu KS. Topographic anatomy of the superior labial artery for dermal filler injection. Plast Reconstr Surg. 2015;135(2):445-450. · PMID 25626792 · DOI 10.1097/PRS.0000000000000858
- Tansatit T, Apinuntrum P, Phetudom T. A typical pattern of the labial arteries with implication for lip augmentation with injectable fillers. Aesthetic Plast Surg. 2014;38(6):1083-1089. · PMID 25355551 · DOI 10.1007/s00266-014-0401-8
- Swancutt MM, Allard AJ, Ho A, Sloan S. Filling the Gap: Facial Anatomy and Safe Lower Lip Injection Practices. J Clin Med. 2025;14(9):3214. · PMID 40364244 · DOI 10.3390/jcm14093214
- Tansatit T, Phumyoo T, McCabe H, Jitaree B. Translucent and Ultrasonographic Studies of the Inferior Labial Artery for Improvement of Filler Injection Techniques. Plast Reconstr Surg Glob Open. 2019;7(9):e2399. · PMID 31942380 · DOI 10.1097/GOX.0000000000002399
- Cotofana S, Pretterklieber B, Lucius R, et al. Distribution Pattern of the Superior and Inferior Labial Arteries: Impact for Safe Upper and Lower Lip Augmentation Procedures. Plast Reconstr Surg. 2017;139(5):1075-1082. · PMID 28092335 · DOI 10.1097/PRS.0000000000003244
- Cotofana S, Alfertshofer M, Schenck TL, et al. Anatomy of the Superior and Inferior Labial Arteries Revised: An Ultrasound Investigation and Implication for Lip Volumization. Aesthet Surg J. 2020;40(12):1327-1335. · PMID 32469050 · DOI 10.1093/asj/sjaa137
- Lee KL, Lee HJ, Youn KH, Kim HJ. Positional relationship of superior and inferior labial artery by ultrasonography image analysis for safe lip augmentation procedures. Clin Anat. 2020;33(2):158-164. · PMID 30912205 · DOI 10.1002/ca.23379
- Milla GL, Dos Santos HCS, de Sousa MC, et al. Anatomical Distribution of the Superior and Inferior Labial Arteries: A Cadaveric, Systematic Review, and Meta-analysis Study. Aesthetic Plast Surg. 2026;50(15):6446-6456. · PMID 42380308 · DOI 10.1007/s00266-026-06037-1
- Zhu GS, Liao ZF, Chen CL, et al. Three-Dimensional Computed Tomography Scanning Study of the Superior Labial Artery in Chinese Individuals for Assessing Filler Injection Safety. Aesthetic Plast Surg. 2024;48(19):3962-3970. · PMID 39048770 · DOI 10.1007/s00266-024-04187-8
- Trzeciak M, Lipski M, Gładysz T, et al. Anatomical Depth of Labial Arteries in Dermal Filler Procedures: A Meta-analysis With Clinical Implications. Aesthet Surg J. 2026;46(5):478-485. · PMID 40987454 · DOI 10.1093/asj/sjaf192
- Harris S, Schelke L, Orlovska M, Wortsman X, Cotofana S, Velthuis P. Ultrasound Evaluation of Lip Anatomy and Filler Placement: A Cross-Sectional Study of Injection Accuracy, Migration, and Demographic Variation. Plast Reconstr Surg. 2026;158(1):65e-75e. · PMID 41494527 · DOI 10.1097/PRS.0000000000012772
- Wu WT, Chang KV, Naňka O, et al. Lip Sonoanatomy and Relevance to Aesthetic Filler Injections: A Pictorial Review. J Cosmet Dermatol. 2025;24(4):e70164. · PMID 40200858 · DOI 10.1111/jocd.70164
Pós Prática em Medicina Estética Avançada
Formação médico-exclusiva: anatomia, ultrassom, complicações e prática supervisionada — sem atalhos.
Conhecer a formação →