Artéria labial superior e inferior: profundidade
Anatomia e segurança

Artéria labial superior e inferior: profundidade

O desenho clássico põe a artéria labial atrás do orbicular, colada à mucosa, longe da agulha que trabalha no vermelhão. Os estudos de dissecção, ultrassom e tomografia confirmam essa posição como a mais comum — e mostram também a artéria dentro do músculo em boa parte dos lábios, mudando de camada no caminho e variando de posição no centro e na região paramediana. Esta página reúne as camadas e as profundidades medidas, lábio a lábio.

Na maior parte das pessoas, as artérias labiais correm atrás do músculo orbicular da boca, entre ele e a mucosa, a cerca de 4 a 6 mm da superfície do lábio. Mas em uma parcela grande elas estão dentro do músculo, raramente no subcutâneo, e a posição muda ao longo do próprio lábio — da comissura para a linha média, e do lábio superior para o inferior. Para quem preenche lábio, o número que interessa não é a média: é quanto espaço sobra entre a ponta da agulha e o vaso, num lábio de cerca de um centímetro de espessura em que a camada acima do músculo tem menos de um milímetro.

A técnica clássica, os planos e o volume estão em preenchimento labial: técnica, volume e planos; a técnica russa, em técnica russa passo a passo; o mapa de superfície, em lábio por subunidades. Esta página olha só para o vaso: de onde ele entra, em que camada corre, a que profundidade, e como isso varia.

Por onde as artérias entram no lábio

As duas labiais nascem da artéria facial perto da comissura — a superior acima dela, a inferior abaixo — e correm em direção à linha média, onde se ligam às do outro lado.

O lábio inferior, portanto, tem mais de uma fonte, e o desenho de uma artéria única do canto até o centro é mais fiel ao lábio superior do que ao inferior. Os cinco tipos de labial inferior descritos por Tansatit e colaboradores (2019, Plast Reconstr Surg Glob Open), que aparecem combinados entre si no mesmo rosto, reforçam isso: três deles foram considerados mais vulneráveis à lesão durante o preenchimento, e a combinação presente influenciou a gravidade da necrose quando a artéria foi atingida.

Entre o orbicular e a mucosa — na maioria

A camada em que a artéria corre foi medida por dissecção, por ultrassom e por tomografia, e os números mudam com o método e a população. Lado a lado:

EstudoAmostra e métodoAtrás do músculo (submucosa)Dentro do músculoSubcutâneo
Cotofana et al., 2017193 cabeças, dissecção78,1%17,5%2,1%
Cotofana et al., 202041 voluntários, ultrassom58,5%36,2%5,3%
Lee KL et al., 202060 voluntários, ultrassommucosa úmida: 35% a 57% (superior), 28% a 55% (inferior)labial superior: 20% a 45%—
Milla et al., 2026meta-análise de 4 estudos + cadáveres brasileiroslabial superior: 33,3% a 53,3%labial superior: 40,0% a 46,7%; labial inferior na linha média: 73,3%labial superior: 0,0% a 26,7%

O padrão é consistente — submucosa primeiro, músculo em segundo, subcutâneo raro —, mas a fatia intramuscular cresce nos estudos com ultrassom em vivos e na meta-análise mais recente. Lee KL e colaboradores encontraram pontos do lábio superior em que a artéria estava mais vezes dentro do músculo do que na mucosa, e a labial inferior aparecendo na mucosa seca do vermelhão em 5% a 27% dos casos, muitas vezes na junção entre a mucosa seca e a úmida. Na meta-análise brasileira de Milla e colaboradores (2026, Aesthetic Plast Surg), a labial inferior foi a mais variável, e a conclusão dos autores é direta: nem a linha média nem a região paramediana podem ser consideradas livres de risco.

Corte sagital da boca com as artérias labiais entre o orbicular e a mucosa — Dr. Thiago Perfeito
Corte sagital da boca em perfil: em cada lábio, o músculo orbicular em cinza e, entre ele e a mucosa voltada para os dentes, a artéria labial em destaque — a superior no lábio de cima, a inferior no de baixo.
Corte histológico sagital do lábio com orbicular, vaso labial, glândulas e vermelhão — figura de estudo — Dr. Thiago Perfeito
Corte histológico sagital do lábio. Do lado da boca, a mucosa oral com as glândulas labiais e a lâmina própria; no centro, o músculo orbicular da boca; o vaso labial aparece na transição entre o músculo e a camada glandular da mucosa. No alto, o vermelhão vai da linha vermelha, na junção com a mucosa úmida, à linha branca, na junção com a pele, que desce com seus folículos pilosos. Figure 1 de Wu WT et al., J Cosmet Dermatol 2025 (PMID 40200858), reproduzida sob licença CC BY.

A profundidade em milímetros

Medida a partir da superfície, a artéria fica, conforme o estudo, entre 3 e 6 mm:

EstudoMétodoProfundidade
Lee SH et al., 2015dissecçãolabial superior a cerca de 3 mm, ao longo da borda do vermelhão
Tansatit et al., 2014dissecçãolabial superior a 4,5 mm, entre a mucosa e o orbicular
Lee KL et al., 2020ultrassom5,3 mm no lábio superior; 4,2 mm no inferior
Cotofana et al., 2020ultrassom5,6 mm no lábio superior; 5,2 mm no inferior
Zhu et al., 2024tomografia com contraste, 52 cabeçaslabial superior a 5,68 mm em média, da comissura à linha média
Tansatit et al., 2019ultrassomlabial inferior a cerca de 6 mm
Trzeciak et al., 2026meta-análisemédias de 4,59 a 4,90 mm nos pontos estudados

Dois dados dão escala a esses números. No ultrassom de Lee KL, o lábio media 9,4 mm de espessura no superior e 10,9 mm no inferior, tomados na borda do vermelhão: a artéria corre perto da metade do caminho entre a superfície e a mucosa da boca. E a meta-análise de Trzeciak e colaboradores (2026, Aesthet Surg J), que comparou a labial superior entre a comissura e o pico do arco do cupido, no próprio pico e na linha média, encontrou profundidades parecidas em todos os pontos; daí a régua dos autores, de injeção até 3,5 mm na maior parte do lábio e até 4 mm no vermelhão superior, com ultrassom antes de aumentos extensos.

O outro lado da conta é a camada de cima. No ultrassom de 126 participantes de Harris e colaboradores (2026, Plast Reconstr Surg), o subcutâneo do lábio teve, em média, menos de 1 mm nos dois lábios, e na maioria dos tratados o preenchedor tinha ido parar dentro do músculo. As técnicas de injeção vertical se associaram a depósito mais profundo, hipervascularização e sinais de migração, e a anatomia variou com sexo, etnia, IMC e idade. Entre os autores, dois são sócios de uma empresa de cursos de ultrassom facial, um dirige uma empresa de ensino de anatomia e uma é consultora da Galderma. Em resumo: entre a superfície e o vaso há poucos milímetros, e o plano "acima do músculo" é mais fino do que a mão imagina.

Como a posição muda ao longo do lábio

Lábios vistos de frente com a borda do vermelhão em destaque — Dr. Thiago Perfeito
Lábios vistos de frente, com a borda do vermelhão em destaque, do arco do cupido até as comissuras; no vermelho, o tubérculo central do lábio superior e os dois tubérculos laterais do inferior, e acima do arco, as colunas do filtro.

O que a profundidade muda no preenchimento labial

Modelo · Seis consequências da posição da artéria labial

  1. Contar em milímetros, não em "raso" e "fundo". Com a artéria a 4–6 mm e o subcutâneo com menos de 1 mm, a margem real é de poucos milímetros, e ela muda de paciente para paciente.
  2. O centro e a faixa ao lado pedem mais cautela que a média sugere. Na dissecção de Cotofana, é onde a artéria mais troca de camada; no ultrassom, ela estava na altura do vermelhão em todos os examinados; e é onde as duas labiais se ligam. A região paramediana, ao lado, também variou na série de Milla.
  3. A comissura é a porta de entrada do vaso. A labial superior nasce, em média, cerca de 1,2 cm lateral ao canto da boca e entra no lábio em plano profundo; o túnel de uma cânula que parte da comissura começa justamente aí — o trajeto está em preenchimento labial com cânula.
  4. Direção da agulha é escolha de risco. Cotofana (2020) sugeriu que a abordagem perpendicular, vinda da pele do lábio, pode aumentar a segurança porque a artéria fica mais no vermelho; Harris (2026) associou as técnicas verticais a depósito mais profundo e migração. As duas observações juntas pedem controle de profundidade em qualquer direção.
  5. Lábio inferior não é a metade fácil. Mais fontes arteriais, posição mais variável e, na linha média, artéria dentro do músculo na maioria dos casos da meta-análise brasileira.
  6. Volume e velocidade. Pouco produto por depósito, injeção lenta, e o teto de bula por sessão — os números por produto estão em quanto ácido hialurônico usar nos lábios.

No consultório do Dr. Thiago Perfeito, a aspiração antes de cada depósito de preenchedor é feita sempre — mais demorada em agulha fina, de 29 a 30G —, ao lado da injeção lenta e do volume pequeno; nenhuma dessas medidas basta sozinha. O ultrassom, quando disponível, mostra em que camada está o vaso daquela paciente: o protocolo de varredura está em ultrassom na prevenção da oclusão vascular. Se o lábio empalidecer, ficar violáceo ou doer além do esperado, a leitura dos sinais está em sinais de alerta de oclusão e a conduta, em oclusão vascular por ácido hialurônico e hialuronidase em alta dose pulsada. Gel que se deslocou com o tempo é outro problema, tratado em migração do ácido hialurônico nos lábios.

Do número à mão que segura a seringa

Saber que a artéria está a 5 mm é diferente de saber onde está a ponta da agulha quando ela entra no vermelhão. Essa calibragem se faz com supervisão, lábio a lábio. Na Pós Prática do Dr. Thiago Perfeito, médico (CRM-DF 23199), o lábio é um dos blocos do módulo de Face Avançada — proporção entre lábio superior e inferior, técnicas por plano, materiais e profilaxia herpética —, ao lado da anatomia vascular de risco por região; o protocolo de oclusão e a hialuronidase fazem parte do bloco de segurança do módulo de Toxina e Preenchimento. O formato é o mesmo nos quatro módulos: pré-work gravado obrigatório antes e um sábado presencial em Brasília, na clínica INTI, em que a demonstração comentada abre a parte teórica e a parte prática é a execução supervisionada pelo aluno em paciente modelo, com no máximo 8 médicos por turma. Detalhes em /cursos/.

Perguntas frequentes

Em que camada do lábio corre a artéria labial?

Na maioria das pessoas, atrás do músculo orbicular, entre ele e a mucosa. Na dissecção de 193 cabeças de Cotofana e colaboradores (2017), foi assim em 78,1%; dentro do músculo em 17,5% e no subcutâneo em 2,1%. No ultrassom de 41 voluntários (Cotofana, 2020), os números foram 58,5%, 36,2% e 5,3%.

Qual é a profundidade da artéria labial superior?

Entre 3 e 6 mm conforme o estudo. A meta-análise de Trzeciak e colaboradores (2026) encontrou médias de 4,59 a 4,90 mm nos pontos estudados; no ultrassom de Cotofana (2020), foi de 5,6 mm, e na tomografia de Zhu (2024), de 5,68 mm.

A artéria labial inferior é mais rasa que a superior?

Nos estudos com ultrassom, ficou um pouco mais rasa: 4,2 mm contra 5,3 mm em Lee KL e colaboradores (2020), e 5,2 mm contra 5,6 mm em Cotofana (2020). Ela também é mais variável e, na linha média, apareceu dentro do músculo em 73,3% na meta-análise de Milla e colaboradores (2026).

A linha média do lábio é mais perigosa?

É um dos trechos mais variáveis. Na dissecção de Cotofana (2017), a linha média foi o ponto em que a artéria mais apareceu em posição superficial, e no ultrassom de Cotofana (2020) ela correu na altura do vermelhão em todos os voluntários nesse ponto. Já na parte de cadáver de Milla (2026), a variação de posição foi maior na região paramediana, e os autores concluíram que nenhuma das duas zonas está livre de risco.

Até que profundidade é seguro injetar no lábio?

A meta-análise de Trzeciak e colaboradores (2026) propõe até 3,5 mm na maior parte do lábio e até 4 mm no vermelhão superior, com ultrassom antes de aumentos extensos. Harris (2026) lembra que o subcutâneo tem menos de 1 mm, e o gel muitas vezes acaba no músculo.

Onde nasce a artéria labial superior?

Da artéria facial, perto da comissura. Lee SH e colaboradores (2015) mediram a origem, em média, 12,1 mm lateral ao canto da boca, e encontraram a artéria ausente em 6,7% das hemifaces.

Referências

  1. Lee SH, Gil YC, Choi YJ, Tansatit T, Kim HJ, Hu KS. Topographic anatomy of the superior labial artery for dermal filler injection. Plast Reconstr Surg. 2015;135(2):445-450. · PMID 25626792 · DOI 10.1097/PRS.0000000000000858
  2. Tansatit T, Apinuntrum P, Phetudom T. A typical pattern of the labial arteries with implication for lip augmentation with injectable fillers. Aesthetic Plast Surg. 2014;38(6):1083-1089. · PMID 25355551 · DOI 10.1007/s00266-014-0401-8
  3. Swancutt MM, Allard AJ, Ho A, Sloan S. Filling the Gap: Facial Anatomy and Safe Lower Lip Injection Practices. J Clin Med. 2025;14(9):3214. · PMID 40364244 · DOI 10.3390/jcm14093214
  4. Tansatit T, Phumyoo T, McCabe H, Jitaree B. Translucent and Ultrasonographic Studies of the Inferior Labial Artery for Improvement of Filler Injection Techniques. Plast Reconstr Surg Glob Open. 2019;7(9):e2399. · PMID 31942380 · DOI 10.1097/GOX.0000000000002399
  5. Cotofana S, Pretterklieber B, Lucius R, et al. Distribution Pattern of the Superior and Inferior Labial Arteries: Impact for Safe Upper and Lower Lip Augmentation Procedures. Plast Reconstr Surg. 2017;139(5):1075-1082. · PMID 28092335 · DOI 10.1097/PRS.0000000000003244
  6. Cotofana S, Alfertshofer M, Schenck TL, et al. Anatomy of the Superior and Inferior Labial Arteries Revised: An Ultrasound Investigation and Implication for Lip Volumization. Aesthet Surg J. 2020;40(12):1327-1335. · PMID 32469050 · DOI 10.1093/asj/sjaa137
  7. Lee KL, Lee HJ, Youn KH, Kim HJ. Positional relationship of superior and inferior labial artery by ultrasonography image analysis for safe lip augmentation procedures. Clin Anat. 2020;33(2):158-164. · PMID 30912205 · DOI 10.1002/ca.23379
  8. Milla GL, Dos Santos HCS, de Sousa MC, et al. Anatomical Distribution of the Superior and Inferior Labial Arteries: A Cadaveric, Systematic Review, and Meta-analysis Study. Aesthetic Plast Surg. 2026;50(15):6446-6456. · PMID 42380308 · DOI 10.1007/s00266-026-06037-1
  9. Zhu GS, Liao ZF, Chen CL, et al. Three-Dimensional Computed Tomography Scanning Study of the Superior Labial Artery in Chinese Individuals for Assessing Filler Injection Safety. Aesthetic Plast Surg. 2024;48(19):3962-3970. · PMID 39048770 · DOI 10.1007/s00266-024-04187-8
  10. Trzeciak M, Lipski M, Gładysz T, et al. Anatomical Depth of Labial Arteries in Dermal Filler Procedures: A Meta-analysis With Clinical Implications. Aesthet Surg J. 2026;46(5):478-485. · PMID 40987454 · DOI 10.1093/asj/sjaf192
  11. Harris S, Schelke L, Orlovska M, Wortsman X, Cotofana S, Velthuis P. Ultrasound Evaluation of Lip Anatomy and Filler Placement: A Cross-Sectional Study of Injection Accuracy, Migration, and Demographic Variation. Plast Reconstr Surg. 2026;158(1):65e-75e. · PMID 41494527 · DOI 10.1097/PRS.0000000000012772
  12. Wu WT, Chang KV, Naňka O, et al. Lip Sonoanatomy and Relevance to Aesthetic Filler Injections: A Pictorial Review. J Cosmet Dermatol. 2025;24(4):e70164. · PMID 40200858 · DOI 10.1111/jocd.70164
Dr. Thiago Perfeito, CRM-DF 23199
Dr. Thiago Perfeito · CRM-DF 23199
Medicina estética e regenerativa, Brasília–DF. Anatomia aplicada, complicações em injetáveis e medicina regenerativa.

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