EMFACE: como funciona
O EMFACE é um aparelho da BTL que aplica, pelas mesmas placas adesivas e ao mesmo tempo, radiofrequência sincronizada, que aquece a pele, e estimulação elétrica facial de alta intensidade (HIFES), que faz contrair os músculos da mímica logo abaixo. As placas são descartáveis e ficam coladas na testa e nas bochechas durante a sessão, sem ponteira na mão do operador e sem agulha. A proposta é tratar duas camadas que envelhecem juntas: a derme, que perde colágeno e elastina, e o músculo, que perde massa e tônus. O EMFACE está entre os aparelhos da clínica INTI. A seguir: o que cada energia faz, o que os estudos mediram na testa, no terço médio e na pele, para quem o aparelho é indicado e como é a sessão.
Duas energias, duas camadas
O EMFACE é o parente facial do Emsculpt Neo, da mesma fabricante. No corpo, o Emsculpt Neo contrai o músculo com campo eletromagnético focalizado, aplicado por uma placa grande presa por cinta; na face, o EMFACE usa placas adesivas finas, e a energia muscular recebe o nome de HIFES — expandido na maioria dos estudos como estimulação elétrica facial de alta intensidade e, no de Kinney, como estimulação eletromagnética. A radiofrequência sai das mesmas placas, sincronizada com o estímulo; o título do estudo de Chilukuri (2024) a descreve como radiofrequência monopolar. No texto completo de Frank e colaboradores (2025, Aesthet Surg J), depois de posicionar a placa na testa, um eletrodo neutro foi colocado no abdome do paciente — o circuito de retorno da radiofrequência monopolar.
O efeito muscular foi primeiro estudado em animais. Kinney e colaboradores (2023, Aesthet Surg J) trataram 6 porcas com 4 sessões de 20 minutos e compararam com 2 animais não tratados: a densidade de massa muscular subiu 19,2%, o número de mionúcleos 21,2%, e a contagem de fibras musculares individuais passou de 56,8 para 68,0, sem evento adverso. A BTL patrocinou o estudo e forneceu o aparelho, e dois dos três autores são investigadores clínicos da empresa.
O efeito na pele foi medido em biópsia humana. Goldberg e Lal (2024, J Cosmet Dermatol) fizeram 4 sessões semanais de 20 minutos em 6 pessoas, com 1 controle sem tratamento, e quantificaram as fibras da derme. A área ocupada por colágeno aumentou 25,32% em 1 mês e 30,00% em 3 meses; a de elastina, 67,23% e 102,80%. O escore de rugas caiu de moderado para leve. Sem declaração de vínculos no resumo; no estudo de glúteo de DiBernardo (2023), patrocinado pela BTL, o mesmo Goldberg se declara investigador clínico da empresa.
Testa e sobrancelha
Na testa, o músculo-alvo é o frontal, o único elevador do terço superior: tudo o que sobe a sobrancelha depende dele. Frank e colaboradores trataram a testa de 37 pessoas com 4 sessões espaçadas de 7 dias e acompanharam por 24 semanas com imagem tridimensional, eletromiografia de superfície e ultrassom de alta resolução. As rugas da testa e do canto dos olhos melhoraram em todas as visitas, e a sobrancelha subiu 3,18 mm na porção medial, 3,02 mm na central e 2,27 mm na lateral na semana 24. O mesmo resumo traz o dado que pede leitura cuidadosa: na semana 24, a espessura do frontal e da gordura sobre ele não mudou de forma significativa. A elevação aconteceu sem músculo mais grosso ao ultrassom. O estudo, não randomizado, foi financiado pela BTL.

Para quem injeta toxina, a consequência prática é de planejamento. A toxina no frontal reduz a ruga às custas da força do único elevador; o EMFACE propõe o caminho inverso, de estimular esse músculo. As duas coisas na mesma testa pedem desenho: a técnica para não baixar a sobrancelha com a toxina está em botox na testa sem baixar a sobrancelha. O único estudo desta série feito em pacientes que tinham recebido toxina é o de Chilukuri (2024, J Drugs Dermatol): 10 tratados e 2 controles, 4 sessões, com redução de 37,4% na gravidade das rugas e ganho de 1,5 mL de volume nas bochechas aos 3 meses, maior melhora na expressão do sorriso e nenhum evento adverso. O resumo não informa o intervalo entre a toxina e o aparelho nem traz declaração de vínculos; no estudo de glúteo de DiBernardo, Chilukuri se declara investigador clínico da BTL.
Terço médio: o zigomático e o modíolo
No terço médio, a placa da bochecha é colada entre o osso zigomático e a borda da mandíbula, segundo o texto completo de Manuskiatti, e o músculo de referência dos estudos é o zigomático maior, um dos elevadores do canto da boca. Em outro estudo do mesmo grupo de Frank (2025), também financiado pela BTL e sem randomização, 37 participantes receberam 4 sessões em 24 semanas. A espessura do zigomático maior ao ultrassom passou de 2,06 para 2,80 mm, o sinal da eletromiografia subiu 39,3%, a pele se deslocou 0,90 mm na horizontal e 1,01 mm na vertical, sobretudo na lateral, e o volume do terço médio aumentou 1,43 cm³ na semana 24.
Um estudo independente da fabricante mediu o mesmo efeito por outro caminho. Liew e colaboradores (2026, Aesthet Surg J Open Forum) localizaram o modíolo por ultrassom em 8 participantes e mediram sua distância a dois pontos fixos, o trago e o canto lateral do olho, antes e 3 meses depois de 4 sessões semanais. A distância ao trago caiu 0,56 cm à direita e 0,31 cm à esquerda, com significância estatística; a distância ao canto do olho também diminuiu, sem significância. O modíolo subiu num vetor oblíquo em direção ao trago, compatível com a tração do complexo zigomático. Dois autores declaram consultoria e honorários de outras empresas de estética — nenhuma delas a BTL —, e o estudo não recebeu financiamento; é preliminar, com amostra pequena.

A leitura combinada com a toxina fica mais clara nesse desenho: o EMFACE se propõe a dar tônus ao lado que puxa para cima, e a toxina pode enfraquecer o lado que puxa para baixo — a técnica no depressor do ângulo da boca e no mentual está em botox no queixo, mentual e DAO.
Rugas e qualidade de pele
Os ensaios clínicos que mediram rugas e firmeza usaram o mesmo esquema de 4 sessões e acompanharam até 3 ou 6 meses.
| Estudo | Quem e quanto | Resultado no resumo | Vínculo com a fabricante |
|---|---|---|---|
| Gentile e Halaas, 2024 | 24 pessoas, 4 sessões, rugas faciais | Escala de Fitzpatrick −2,3 pontos aos 3 meses; redução média de rugas de 20,4% em 1 mês e 36,6% em 3 meses na análise 3D | Ensaio patrocinado pela BTL no registro NCT05519124; o resumo não nomeia o aparelho, que o registro identifica pelo código BTL-785F |
| Robb, 2025 | 33 pessoas, 4 sessões, multicêntrico | Melhora de rugas de 20,13% ao fim das sessões, 23,15% em 1 mês e 35,36% em 3 meses; 88% com ao menos 1 ponto na escala global; Fitzpatrick de 5,6 para 3,8 | Todos os autores declaram honorários por palestras e eventos, sem nomear a empresa; o coautor McCoy se declara investigador clínico da BTL no estudo de DiBernardo |
| Manuskiatti, 2025 | 15 tailandeses de 40 a 65 anos, flacidez leve a moderada, 4 sessões semanais, avaliador cego | Elevação da sobrancelha de 1,39 mm aos 3 meses e 1,31 mm aos 6 meses; firmeza da pele (R0) +81,24% aos 6 meses; dor de 3,5 para 1,6 na quarta sessão | Sem conflito declarado pelos autores; o texto completo identifica o aparelho como EMFACE |
Nas rugas, o padrão se repete: a melhora não termina na última sessão e continua até a reavaliação de 3 meses, compatível com o aumento de colágeno que Goldberg e Lal viram na biópsia de 3 meses. O estudo de Manuskiatti acrescenta duas coisas úteis. É o único da tabela que declara avaliador cego e ausência de conflito, e mostrou que a dor cai ao longo das sessões. E, no texto completo, os autores comparam a elevação, um pouco menor que a de um estudo anterior feito em pacientes caucasianos, e sugerem que a resposta pode variar com as características da pele.

Para quem o EMFACE é indicado
O candidato dos estudos é o adulto com flacidez leve a moderada e rugas, que quer melhora sem agulha e aceita um resultado gradual. No estudo de Manuskiatti, a faixa foi de 40 a 65 anos, e quem tinha flacidez grave ou pele de má qualidade na face e no pescoço ficou de fora. É coerente com o mecanismo: o aparelho trabalha tônus e qualidade de tecido; perda de volume e sobra de pele pedem preenchedor, bioestimulador ou cirurgia. Os próprios autores tailandeses escrevem, no texto completo, que o efeito principal parece ser tônus muscular e elevação da pele, e não volume de áreas deprimidas.
Os critérios de exclusão dos ensaios servem de roteiro de anamnese, ainda que não sejam uma lista de contraindicações. No texto completo de Frank, ficaram de fora pessoas com imunidade comprometida, doença autoimune de pele, cicatriz na área, implante metálico, marca-passo ou desfibrilador interno e câncer de pele atual ou prévio. No de Manuskiatti, além dos dispositivos elétricos implantados, foram excluídos quem tinha recebido recentemente na área toxina, preenchedor, bioestimulador, laser, radiofrequência monopolar ou ultrassom microfocado, e quem tinha feito lifting ou blefaroplastia recente. Essa janela é desenho de estudo, feita para isolar o efeito do aparelho; ela não define a rotina clínica.
Na rotina do Dr. Thiago Perfeito, o que vale entre injetável e aparelho de energia é outra regra: quem recebeu preenchedor ou bioestimulador espera de 2 a 4 semanas até a sessão do aparelho. A lógica está em bioestimulador e tecnologias.
Como é a sessão
O texto completo de Frank descreve o passo a passo na testa: limpar a pele com álcool para tirar a oleosidade que atrapalha a adesão, colar a placa descartável, que é de uso único, posicionar o eletrodo neutro no abdome e tratar por 20 minutos, com a intensidade subindo até o máximo depois de alguns segundos de adaptação à sensação. No estudo de Manuskiatti, as placas foram coladas ao mesmo tempo na testa e nas duas bochechas, evitando cabelo, sobrancelha e lábio.
Modelo · EMFACE em 5 passos de decisão
- Diagnóstico de camada. Ruga e tônus respondem; sulco por perda de volume e sobra de pele, não.
- Anamnese de exclusão. Metal, marca-passo, desfibrilador, doença autoimune de pele, câncer de pele, cicatriz na área.
- Plano com a toxina. Decidir quais músculos se enfraquecem e quais se estimulam antes da primeira sessão.
- Esquema. Os estudos usaram 4 sessões, semanais ou a cada 7 dias.
- Reavaliação. Foto padronizada na linha de base e de novo em 3 meses, quando o efeito costuma ser maior.
A sensação é de calor somado a contrações rítmicas da testa e das bochechas. No estudo de Manuskiatti, a dor média caiu de 3,5 para 1,6 até a quarta sessão, não houve evento adverso grave e nenhum cuidado específico foi prescrito depois da sessão; nos estudos de Chilukuri e de Goldberg e Lal, não houve evento adverso.
EMFACE entre as tecnologias da face
O EMFACE não substitui as tecnologias que aquecem em profundidade. O ultrassom microfocado coagula pontos no SMAS, e a radiofrequência monopolar de ponteira, como o XERF, aquece a derme para tensionar a pele sem agulha; o EMFACE se diferencia pela proposta de trabalhar também o músculo da mímica. O gesto do ultrassom microfocado está em cartuchos e técnica do Ultraformer MPT. A escolha entre eles é clínica, pela camada que mais pesa no envelhecimento daquele rosto.
Onde isso entra na formação
Na Pós Prática, conduzida pelo Dr. Thiago Perfeito, médico, CRM-DF 23199, o EMFACE aparece em dois módulos. No Módulo B1, de toxina e preenchimento, ele entra de forma breve, junto do Emsculpt Neo facial e do Ultraformer MPT: quando essas tecnologias somam ao injetável e o que fazer sem elas. No Módulo B2, faz parte do bloco dedicado às tecnologias da clínica, com a camada em que cada uma age. Os módulos são independentes; cada um tem pré-work gravado, que é obrigatório, e um sábado na INTI, em Brasília, para até 8 médicos, em que a demonstração comentada é a parte teórica e a execução supervisionada em paciente modelo, a parte prática. Há também o guia de cursos de tecnologias, com os critérios para comparar formações; os módulos estão em /cursos/.
Transparência: nenhum fabricante tem relação comercial com o Dr. Thiago Perfeito.
Perguntas frequentes
Como o EMFACE funciona?
Ele aplica ao mesmo tempo, por placas adesivas descartáveis na testa e nas bochechas, radiofrequência sincronizada, que aquece a derme, e estimulação elétrica facial de alta intensidade (HIFES), que faz contrair os músculos da mímica. A proposta é tratar pele e músculo na mesma sessão, sem agulha.
Quantas sessões de EMFACE os estudos usaram?
Os estudos citados usaram 4 sessões, semanais ou a cada 7 dias, com reavaliação em 3 meses e, em alguns, até 6 meses ou 24 semanas. A melhora de rugas continuou depois da última sessão e foi maior aos 3 meses.
O EMFACE engrossa o músculo da testa?
No estudo de Frank (2025) na testa, a sobrancelha subiu entre 2,27 e 3,18 mm na semana 24, mas a espessura do frontal e da gordura não mudou de forma significativa. No terço médio, outro estudo do mesmo grupo mediu o zigomático maior passando de 2,06 para 2,80 mm. Os dois foram financiados pela BTL.
Dá para fazer EMFACE em quem usa toxina botulínica?
Chilukuri (2024) tratou 10 pacientes que tinham recebido toxina, com 4 sessões, e registrou redução de 37,4% na gravidade das rugas, sem evento adverso. O resumo não informa o intervalo entre a toxina e o aparelho. Na prática, a toxina e o EMFACE precisam de um plano conjunto: quais músculos se enfraquecem e quais se estimulam.
O que perguntar na anamnese antes do EMFACE?
A lista formal de contraindicações está no manual do fabricante. Os critérios de exclusão dos estudos servem de roteiro de perguntas: ficaram de fora pessoas com implante metálico, marca-passo ou desfibrilador interno, dispositivos elétricos implantados, imunidade comprometida, doença autoimune de pele, cicatriz na área e câncer de pele, além de quem tinha flacidez grave.
Os estudos do EMFACE têm vínculo com a fabricante?
Vários têm: o estudo em porcos de Kinney (2023) foi patrocinado pela BTL, os dois estudos de Frank (2025) foram financiados por ela, e o ensaio de Gentile e Halaas (2024) tem a BTL como patrocinadora no registro. O de Manuskiatti (2025) declara ausência de conflito, e o de Liew (2026) não recebeu financiamento e não tem autor ligado à BTL.
Referências
- Kinney BM, Bernardy J, Jarošová R. Novel Technology for Facial Muscle Stimulation Combined With Synchronized Radiofrequency Induces Structural Changes in Muscle Tissue: Porcine Histology Study. Aesthet Surg J. 2023;43(8):920-927. · PMID 36883601 · DOI 10.1093/asj/sjad053
- Goldberg DJ, Lal K. Treatment with synchronized radiofrequency and facial muscle stimulation: Histologic analysis of human skin for changes in collagen and elastin fibers. J Cosmet Dermatol. 2024;23(5):1620-1628. · PMID 38468421 · DOI 10.1111/jocd.16273
- Gentile R, Halaas Y. Novel Approach to Facial Rejuvenation by Treating Cutaneous and Soft Tissue for Wrinkles Reduction: First Experience from Multicenter Clinical Trial. Facial Plast Surg Aesthet Med. 2024;26(1):1-6. · PMID 37379470 · DOI 10.1089/fpsam.2023.0015
- Manuskiatti W, Wannawittayapa T, Buranaporn P, et al. The Efficacy and Safety of Synchronized Radiofrequency and High Intensity Facial Electrical Stimulation in Improving Facial Skin Laxity and Quality in Asians. Lasers Surg Med. 2025;57(2):177-186. · PMID 39800907 · DOI 10.1002/lsm.23878
- Frank K, Kaye KO, Casabona G, et al. Impact of Synchronized Radiofrequency and High-intensity Facial Electrical Stimulation on Facial Muscles and the Superficial Fascial System in the Midface. Aesthet Surg J. 2025;45(4):422-428. · PMID 39749931 · DOI 10.1093/asj/sjae252
- Frank K, Kaye KO, Casabona G, et al. Effect of Synchronized Radiofrequency and High-Intensity Facial Electrical Stimulation (HIFES) of the Upper Face. Aesthet Surg J. 2025;45(5):525-530. · PMID 39888339 · DOI 10.1093/asj/sjaf009
- Robb CW, Cohen JL, Holden A, et al. Synchronized RF and HIFES Technology for Clinically Significant Wrinkle Reduction: A Multicenter 3D Evaluation. J Cosmet Dermatol. 2025;24(8):e70394. · PMID 40799122 · DOI 10.1111/jocd.70394
- Chilukuri S. Safety and Effectiveness of Synchronized Monopolar Radiofrequency and HIFES in Patients Injected With Botulinum Toxin. J Drugs Dermatol. 2024;23(11):937-942. · PMID 39496124 · DOI 10.36849/JDD.7938
- Liew S, Aziz F, Lurie N, Roberts S. Impact of High-Intensity Facial Electrical Stimulation Technology on Elevation of the Midface: A Prospective Study With Ultrasound. Aesthet Surg J Open Forum. 2026;8:ojag103. · PMID 42453158 · DOI 10.1093/asjof/ojag103
- DiBernardo B, Chilukuri S, McCoy JD, et al. High-Intensity Focused Electromagnetic Field With Synchronized Radiofrequency Achieves Superior Gluteal Muscle Contouring Than High-Intensity Focused Electromagnetic Field Procedure Alone. Aesthet Surg J Open Forum. 2023;5:ojac087. · PMID 36654971 · DOI 10.1093/asjof/ojac087
Pós Prática em Medicina Estética Avançada
Formação médico-exclusiva: anatomia, ultrassom, complicações e prática supervisionada — sem atalhos.
Conhecer a formação →