Tabela de materiais para preenchimento e toxina
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Tabela de materiais para preenchimento e toxina

Uma bandeja bem montada é uma tabela que alguém conferiu antes da agenda. Abaixo, item por item, o que vai em cada procedimento, para que serve e o detalhe que costuma falhar, com calibres e volumes só quando estão na bula ou na conduta registrada do Dr. Thiago.

Os materiais de preenchimento e toxina se organizam em seis blocos: o que é comum a todo procedimento (preparo da pele, marcação, descarte e foto), o kit de toxina botulínica, o de preenchedor de ácido hialurônico, o de bioestimulador, o de hialuronidase e o de emergência clínica. As tabelas abaixo listam cada item com a função e o detalhe que costuma dar problema. Número de calibre, volume ou diluição só aparece quando está declarado em bula ou quando é conduta registrada do Dr. Thiago.

Como usar estas tabelas

A tabela é uma bandeja escrita. Ela serve para montar a sala antes da agenda, para conferir a reposição no fim do dia e para treinar a equipe. Não substitui a bula: quando a apresentação do produto que está na sua bancada traz outro volume, outro diluente ou outra agulha, vale a bula. A estrutura que recebe estes materiais, isto é, sala, geladeira, coletor e kits, é outro assunto; aqui o foco é item a item.

O consenso australiano sobre preparo e cuidados após injeções faciais (Goodman e colaboradores, 2020, Australas J Dermatol) resume a lógica: seleção de paciente, consentimento e orientação, preparo e técnica impecável são as estratégias que reduzem risco com toxina e com ácido hialurônico. Preparo, nesse texto, inclui ter o material certo antes de precisar dele.

Bloco 1 · Comum a todo procedimento

ItemPara que serveDetalhe que importa
Removedor de maquiagem e gazeLimpar a pele antes da antissepsiaAntisséptico sobre maquiagem não desinfeta o que está por baixo
Antisséptico definido em protocoloAntissepsia da área tratadaO mesmo produto e o mesmo tempo de contato em toda sessão
Luvas de procedimento e luvas estéreisBarreira; estéril quando a técnica pede campoTrocar entre a marcação e a aplicação se a luva tocou superfície
Lápis dermográfico brancoMarcar pontos e zonas de riscoMarcar com o paciente sentado e a expressão ativa quando o alvo é músculo
Gaze estéril e compressa friaCompressão de ponto que sangra; confortoCompressão leve, sem massagear área de toxina
Espelho de mãoMostrar ao paciente o plano e o resultadoUsado antes, para combinar o objetivo, e depois
Coletor de perfurocortanteDescarte imediato da agulhaAo alcance do braço que aplica; nunca reencapar
Câmera ou celular em suporte fixoFoto padronizada antes e no retornoMesma luz, fundo, distância e ângulos

A antissepsia merece uma linha a mais. O consenso do grupo CARE sobre reações tardias ao ácido hialurônico (Baranska-Rybak e colaboradores, 2024, Dermatol Ther) inclui a técnica asséptica entre os fatores ligados ao procedimento e aponta infecção introduzida na injeção, ou biofilme dormente ativado depois, como uma das hipóteses para reações que aparecem meses mais tarde. O item de material é barato; a disciplina de usá-lo sempre do mesmo modo é o que custa.

Bloco 2 · Toxina botulínica

ItemPara que serveDetalhe que importa
Frasco de toxina botulínicaO medicamentoMarca, lote e validade vão ao prontuário antes da reconstituição
Cloreto de sódio 0,9% sem conservanteDiluenteÉ o diluente que a bula americana do Botox Cosmetic declara; volume conforme a bula de cada marca
Seringa graduada e agulha para reconstituirMedir o diluente e levá-lo ao frascoO diluente desce pela parede do frasco, sem jato
EtiquetaData e hora da reconstituiçãoO prazo de uso conta a partir dela
Seringa de aplicação de pequeno volumeDosar a alíquota de cada pontoA bula americana do Botox Cosmetic indica de preferência seringa de tuberculina, sem bolhas no corpo da seringa
Agulha de aplicação 30 a 33GInjeção intramuscular ou superficialFaixa declarada na bula americana do Botox Cosmetic; na conduta do Dr. Thiago, 30 a 32G
Mapa de pontos impresso ou na fichaRegistrar unidades por pontoRegistrar em unidades, nunca só em volume

Dois avisos de bula acompanham este bloco. Os volumes de diluente são os da bula de cada marca: a do Botox Cosmetic, por exemplo, declara uma concentração única de 4 U por 0,1 mL. Na troca de marca, a bula declara que as unidades não são intercambiáveis, e a formação do Dr. Thiago ensina a conversão de referência (Botox:Dysport 1:2,5; Botox:Xeomin 1:1), com a primeira dose igual ou levemente abaixo e ajuste pela resposta. Também não entra aspiração nesta bandeja: com toxina ele não aspira, e trabalha com 30 a 32G, microbolus, ponto e plano certos. Para os volumes de cada frasco, ver as páginas de Botox, Dysport e Xeomin.

Reconstituição de toxina botulínica com diluente injetado no frasco — Dr. Thiago Perfeito
Reconstituição da toxina: a seringa graduada leva o diluente ao frasco de pó liofilizado. São três itens da tabela num gesto só, o frasco, o diluente sem conservante e a seringa de reconstituição, e a etiqueta com a hora vem logo depois.

Bloco 3 · Preenchedor de ácido hialurônico

ItemPara que serveDetalhe que importa
Seringa do preenchedorO produtoEtiqueta de rastreabilidade colada no prontuário
Agulha que acompanha o produtoPontos de depósito com precisãoTrocar quando a ponta perder o corte; cada passagem pela pele desgasta o bisel
Cânula de ponta rombaDistribuir o produto em plano, com menos risco de perfurar vasoNa prática do Dr. Thiago com cânula, a 22G responde pela maior parte dos casos; a 25G aparece raramente, na olheira ou no lábio
Agulha de pertuito para a cânulaAbrir a entrada na peleCalibre um pouco maior que o da cânula, para ela entrar sem forçar
Anestésico local, quando o produto não tem lidocaínaConforto no ponto de entradaVolume mínimo, para não distorcer o relevo que se quer tratar
Hialuronidase na salaReverter o ácido hialurônico em intercorrênciaConferida por validade antes da agenda; ver a tabela do kit de oclusão

Duas observações sobre agulha e cânula neste bloco. A primeira é de conduta: com preenchedor e bioestimulador, o Dr. Thiago aspira antes de injetar, inclusive com cânula 22G, e em calibres finos, de 29 a 30G, aspira por mais tempo. A segunda é de material: a ponta da agulha se desgasta a cada passagem. Num estudo de microscopia eletrônica de agulhas usadas em preenchimento facial (Pineiro e colaboradores, 2021, Aesthet Surg J), o fator que mais deformou a ponta foi o número de passagens pela pele: a cada injeção o dano à superfície da ponta aumentou 4,7%, e tocar o osso deformou a ponta em 9,6%. Ter agulhas de reposição na bandeja faz parte do material, não é luxo. Quando usar cada instrumento está em cânula ou agulha no preenchimento.

Cânula de ponta romba afastando um vaso e bisel de agulha junto ao vaso — Dr. Thiago Perfeito
À esquerda, o bisel de uma agulha junto a um vaso; à direita, a ponta romba de uma cânula, com a saída lateral, afastando o vaso. Por isso a bandeja de preenchimento tem os dois instrumentos, e a cânula vem com a agulha de pertuito.

Bloco 4 · Bioestimulador de colágeno

ItemPara que serveDetalhe que importa
Frasco de PLLA (Sculptra)Bioestimulador de colágeno em póReconstituído com água estéril para injeção; o volume e o tempo de hidratação variam entre a bula americana e a internacional
Agulha 18GReconstituição e aspiração do PLLACalibre declarado nas bulas do Sculptra para essa etapa
Agulha 25G ou 26GInjeção do PLLA25G ou 26G pela bula internacional; 26G pela bula americana
Seringa pronta de CaHA ou de híbrido (HA + CaHA)Bioestimulador ou híbrido em gel, sem reconstituiçãoNo HarmonyCa (híbrido), a IFU declara caixa com duas seringas de 1,25 mL e duas agulhas 27G de meia polegada, de parede fina
Cânula 22G e, no corpo, 18GDistribuição do bioestimuladorCalibres da prática do Dr. Thiago: 22G na maior parte dos casos, 18G no corporal

Os números desta tabela vêm das bulas dos fabricantes e da prática declarada do Dr. Thiago. Volume de reconstituição e tempo de hidratação do PLLA mudam entre a bula americana e a internacional; a escolha entre as duas versões é registrada no prontuário. O passo a passo está em diluição do Sculptra.

Bloco 5 · Hialuronidase e kit de oclusão

ItemPara que serveDetalhe que importa
Hialuronidase em estoqueDegradar o ácido hialurônicoQuantidade suficiente para um caso de oclusão, não só para um nódulo
Diluente e seringas para reconstituirPreparar a hialuronidase na horaMontados na mesma caixa, para não procurar nada no momento
Agulhas e cânula para aplicar a hialuronidaseInfiltrar o território acometidoDoses por cenário na página de dose de hialuronidase
Protocolo de oclusão impressoRoteiro do que fazer em ordemAfixado na sala; inclui o contato oftalmológico de referência
Relógio e ficha de evoluçãoRegistrar horário de início, doses e reavaliaçõesA evolução por estágios orienta as próximas condutas

A diretriz de manejo da oclusão por ácido hialurônico de Murray e colaboradores (2021, J Clin Aesthet Dermatol) descreve estágios identificáveis de isquemia que ajudam a estimar o tempo desde o início e a decidir quando o caso vai pedir cuidado de ferida; por isso a ficha de evolução com horário está na tabela. Doses ficam fora desta página de propósito: estão em dose de hialuronidase por cenário, e o mecanismo da oclusão em oclusão vascular por ácido hialurônico. Um detalhe do consenso CARE vale para quem monta o kit: hialuronidase não é tratamento de primeira linha para infecção, que pede drenagem, cultura e antibiótico.

Bloco 6 · Emergência clínica

ItemPara que serveDetalhe que importa
Medicação para anafilaxiaTratar reação alérgica graveDentro da validade, com dose e via no roteiro afixado
Oxigênio e material básico de via aéreaSuporte até a chegada do serviço de emergênciaTestado periodicamente
Oxímetro, esfigmomanômetro e glicosímetroAvaliar o paciente que passa malDistingue síncope vasovagal de hipoglicemia e de crise hipertensiva
Maca que deita o pacienteConduta da síncope vasovagalÉ item de emergência, não só de conforto
Roteiro de quem faz o quêOrganizar a equipeQuem liga, quem fica com o paciente, qual endereço se dita

O consenso espanhol de prevenção de complicações com preenchedores (Urdiales-Gálvez e colaboradores, 2017, Aesthetic Plast Surg) começa pela história clínica e pela fotografia padronizada e trata o estado da sala e o preparo da pele como críticos para evitar infecção. O bloco de emergência é a outra ponta da mesma ideia: o material que não se usa quase nunca é o que precisa estar mais bem conferido.

Reposição: a conferência do fim do dia

Conferência rápida antes de fechar a sala

Onde a bandeja é montada com o aluno

Na Pós Prática do Dr. Thiago Perfeito (médico, CRM-DF 23199, Medicina Estética e Regenerativa), a bandeja não chega pronta ao aluno. No sábado presencial do módulo de Toxina e Preenchimento, a demonstração comentada mostra o que está na mesa e por quê, e na parte prática o médico executa, sob supervisão, em paciente modelo, com o material da clínica INTI, em Brasília, em turma de até oito alunos. O pré-work gravado obrigatório traz farmacologia, reologia e tabelas de dose; o sábado transforma a lista em gesto. A visão geral dos quatro módulos está em Cursos.

Síntese

Seis blocos, uma regra: cada item tem uma função e um detalhe que costuma falhar. O que é número vem da bula ou da conduta registrada; o resto é organização. A Biblioteca traz os textos técnicos de cada procedimento listado aqui.

Perguntas frequentes

Quais materiais são necessários para aplicar toxina botulínica?

Frasco de toxina, cloreto de sódio 0,9% sem conservante, seringa e agulha para reconstituir, etiqueta de horário, seringa de aplicação de pequeno volume e agulha de 30 a 33G, a faixa declarada na bula americana do Botox Cosmetic. Somam-se lápis branco, antisséptico, gaze, luvas e coletor de perfurocortante.

Quais materiais são necessários para preenchimento com ácido hialurônico?

A seringa do produto, a agulha que o acompanha, cânula de ponta romba com a agulha de pertuito, agulhas de reposição, anestésico local quando o produto não tem lidocaína e hialuronidase na sala. A conduta do Dr. Thiago com preenchedor é aspirar antes de injetar.

Que agulha se usa para reconstituir o Sculptra?

18G, pelas bulas do Sculptra. A injeção é feita com 25G ou 26G pela bula internacional, ou 26G pela bula americana. O volume de água estéril e o tempo de hidratação diferem entre as duas bulas.

Por que trocar a agulha durante o preenchimento?

Porque a ponta se deforma a cada passagem. Em microscopia eletrônica de agulhas usadas em preenchimento facial, a cada injeção o dano à ponta aumentou 4,7%, e tocar o osso deformou a ponta em 9,6%.

O que deve ter no kit de oclusão vascular?

Hialuronidase em quantidade suficiente para um caso de oclusão, diluente e seringas para reconstituí-la, agulhas e cânula para aplicá-la, protocolo impresso com o contato oftalmológico de referência e ficha de evolução com horário.

Hialuronidase trata infecção após preenchimento?

Não como primeira linha. O consenso CARE sobre reações tardias ao ácido hialurônico indica drenagem, cultura e antibiótico para infecção; a hialuronidase é recomendada para reações não inflamatórias, na ausência de infecção ativa.

Referências

  1. Goodman GJ, Liew S, Callan P, Hart S. Facial aesthetic injections in clinical practice: Pretreatment and posttreatment consensus recommendations to minimise adverse outcomes. Australas J Dermatol. 2020;61(3):217-225 · PMID 32201935 · DOI 10.1111/ajd.13273
  2. Pineiro ML, Green JB, Kaufman J, et al. Deformation of Needle Tips During Facial Soft Tissue Filler Injections: An Electron-Microscopic Study. Aesthet Surg J. 2021;41(12):NP2011-NP2019 · PMID 33942055 · DOI 10.1093/asj/sjab211
  3. Baranska-Rybak W, Lajo-Plaza JV, Walker L, Alizadeh N. Late-Onset Reactions after Hyaluronic Acid Dermal Fillers: A Consensus Recommendation on Etiology, Prevention and Management. Dermatol Ther (Heidelb). 2024;14(7):1767-1785 · PMID 38907876 · DOI 10.1007/s13555-024-01202-3
  4. Murray G, Convery C, Walker L, Davies E. Guideline for the Management of Hyaluronic Acid Filler-induced Vascular Occlusion. J Clin Aesthet Dermatol. 2021;14(5):E61-E69 · PMID 34188752
  5. Urdiales-Gálvez F, Delgado NE, Figueiredo V, et al. Preventing the Complications Associated with the Use of Dermal Fillers in Facial Aesthetic Procedures: An Expert Group Consensus Report. Aesthetic Plast Surg. 2017;41(3):667-677 · PMID 28411354 · DOI 10.1007/s00266-017-0798-y
Dr. Thiago Perfeito, CRM-DF 23199
Dr. Thiago Perfeito · CRM-DF 23199
Medicina estética e regenerativa, Brasília–DF. Anatomia aplicada, complicações em injetáveis e medicina regenerativa.

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