Publicidade médica e CFM

Nome, placa e fachada da clínica: o que pode estar escrito

O arquiteto entrega a fachada, o gráfico manda a prova da placa e o texto chega pronto: nome fantasia grande, um adjetivo que soou bem na reunião, talvez uma frase de efeito. Ninguém confere a peça contra a norma de publicidade médica antes de furar a parede. A dúvida aparece depois, quando a placa já está instalada e refazer custa outra vez.

A resposta direta: Placa de clínica: nome do estabelecimento com registro no CRM + nome do Diretor Técnico-Médico com inscrição no CRM (e especialidade com RQE onde for exigível), em local visível (Res. CFM 2.336/2023, art. 5º, I). Placa de consultório de médico pessoa física: nome + registro no CRM + a palavra MÉDICO + especialidade ou área de atuação só quando registrada no CRM, com RQE quando o for (art. 4º). Nome fantasia pode entrar como marca, desde que venha junto da identificação obrigatória. Ficam de fora a frase que garanta, prometa ou insinue resultado (art. 11, XII), o adjetivo que confira qualidades privilegiadas (art. 11, XVI e § 3º) e a especialidade não registrada (CEM, art. 114).

Em que estágio da clínica este tema pesa

  1. 0Improvisar
  2. 1Monetizar
  3. 2Atrair
  4. 3Estabilizar
  5. 4Priorizar
  6. 5Produtizar
  7. 6Otimizar
  8. 7Organizar
  9. 8Especializar
  10. 9Capitalizar

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Por que a placa sai errada: ela é desenhada como marca, não como peça de publicidade médica

A placa costuma nascer no mesmo briefing do logotipo. Quem a desenha pensa em leitura a distância, contraste e memorização do nome — e a fachada vira a peça mais comercial da clínica. O problema é que a Resolução CFM 2.336/2023 trata a identificação como dados que as peças "deverão conter, obrigatoriamente" (art. 4º, médico) ou que nelas "deverá constar" (art. 5º, estabelecimento, "em ambiente físico ou virtual"). A placa fica anos no mesmo lugar, vista por quem passa e por paciente.

O erro típico tem três formas. A primeira é a falta: placa de clínica com o nome fantasia e sem o Diretor Técnico-Médico, ou placa de consultório sem a palavra MÉDICO. A segunda é a sobra: adjetivo de superioridade ("a melhor", "referência em"), frase que promete resultado. A terceira é a troca de objeto: aplicar à placa da clínica a lista do consultório de pessoa física, ou o contrário. As duas listas existem em artigos diferentes da mesma Resolução e não pedem os mesmos dados.

Há ainda uma confusão que gera placa pior do que precisava: a ideia de que nome fantasia não pode. Não há, entre os dispositivos citados nesta página, um que trate de nome fantasia. O desenho que funciona melhor é usar a marca normalmente, desde que ela venha acompanhada da identificação obrigatória. A marca não substitui a identificação; ela convive com ela.

O mecanismo: duas listas, dois sujeitos

A Resolução separa quem responde pela peça. O art. 3º, II diz que "responde o Diretor Técnico-Médico pela divulgação de matérias dos estabelecimentos de hospitalização e assistência médica de qualquer natureza". Em termos de fachada: quem responde pela fachada da clínica é o Diretor Técnico-Médico. Já o médico que atende em consultório como pessoa física responde pela própria placa (art. 3º, I).

Para a clínica, o art. 5º, I pede, "em local visível": "a) o nome do estabelecimento com número de cadastro ou registro no CRM; b) o nome do Diretor Técnico-Médico com o respectivo número de inscrição no CRM e, onde for exigível, a especialidade com o RQE."

Para o consultório de médico pessoa física, o art. 4º lista: "I – nome, número(s) de registro(s) no(s) CRM(s) onde esteja exercendo a medicina, acompanhados da palavra MÉDICO; II – especialidade e/ou área de atuação, quando registrada no CRM, seguida pelo número de Registro de Qualificação de Especialista (RQE), quando o for."

As duas condicionais do inciso II — "quando registrada" e "quando o for" — são o ponto que mais se lê errado. Elas dizem o que a placa informa; não dizem quem pode atender nem quais procedimentos um médico com CRM ativo realiza. O médico sem especialidade registrada tem placa completa com nome, CRM e a palavra MÉDICO. O que ele não faz é anunciar uma especialidade que não tem registrada: o Código de Ética Médica, art. 114, veda ao médico "anunciar títulos científicos que não possa comprovar e especialidade ou área de atuação para a qual não esteja qualificado e registrado no Conselho Regional de Medicina".

Placa de clínica × placa de consultório

Placa de clínica (art. 5º, I)

  • Nome: do estabelecimento
  • Registro CRM: número de cadastro ou registro do estabelecimento no CRM
  • Responsável: Diretor Técnico-Médico com inscrição no CRM
  • Especialidade/RQE: do Diretor Técnico-Médico, onde for exigível

Placa de consultório PF (art. 4º)

  • Nome: do médico, com a palavra MÉDICO
  • Registro CRM: número de registro no CRM onde exerce
  • Responsável: o próprio médico
  • Especialidade/RQE: quando registrada no CRM, com RQE quando o for
Modelo: IAP — Identificação Antes de Promessa
  1. Classifique a peça. Placa de clínica ou de consultório de pessoa física? A resposta define a lista: art. 5º, I para o estabelecimento, art. 4º para o médico. Não misture itens das duas.
  2. Identificação obrigatória primeiro. Clínica: nome do estabelecimento com registro no CRM e nome do Diretor Técnico-Médico com inscrição no CRM. Consultório: nome, CRM e a palavra MÉDICO. Esse bloco entra antes de qualquer outro texto e não é cortado para caber a marca.
  3. Especialidade só quando registrada. Na clínica, a especialidade do Diretor Técnico-Médico com RQE entra onde for exigível. No consultório, a especialidade entra quando registrada no CRM, seguida do RQE quando o for. Sem registro, a linha não existe — e a placa continua completa.
  4. Nome fantasia e marca depois. A marca entra livremente, no tamanho que o projeto pedir, desde que a identificação dos passos 2 e 3 esteja na mesma peça, em local visível.
  5. Nada de adjetivo de resultado. Retire superlativo, adjetivo de superioridade e qualquer frase que prometa ou insinue resultado. O que sobrar na placa é identificação e marca.

O checklist, pronto para mandar ao gráfico

Copie o bloco do tipo da sua peça. O dispositivo vai ao lado de cada item para que o gráfico, o arquiteto ou o Diretor Técnico-Médico confira a fonte antes de aprovar a prova.

DEVE CONSTAR — placa ou fachada de CLÍNICA (Res. CFM 2.336/2023, art. 5º, I, "em local visível")
[ ] Nome do estabelecimento com número de cadastro ou registro no CRM — art. 5º, I, a
[ ] Nome do Diretor Técnico-Médico com o respectivo número de inscrição no CRM — art. 5º, I, b
[ ] Onde for exigível: especialidade do Diretor Técnico-Médico com o RQE — art. 5º, I, b

DEVE CONSTAR — placa de CONSULTÓRIO de médico pessoa física (Res. CFM 2.336/2023, art. 4º)
[ ] Nome do médico — art. 4º, I
[ ] Número de registro no CRM onde exerce a medicina — art. 4º, I
[ ] A palavra MÉDICO — art. 4º, I
[ ] Especialidade e/ou área de atuação, quando registrada no CRM, seguida do RQE, quando o for — art. 4º, II

NÃO PODE CONSTAR — qualquer das duas placas
[ ] Frase que garanta, prometa ou insinue bons resultados do tratamento — Res. CFM 2.336/2023, art. 11, XII (o caput alcança o médico e, "naquilo que couber", as pessoas jurídicas)
[ ] Adjetivo ou expressão que confira ao serviço "propriedades e qualidades privilegiadas" — Res. CFM 2.336/2023, art. 11, XVI ("portar-se de forma sensacionalista ou autopromocional") e § 3º, que define promocional
[ ] Especialidade ou área de atuação para a qual o médico não esteja qualificado e registrado no CRM — CEM 2019, art. 114

Fora da norma de publicidade médica, a fachada também responde à regra da prefeitura. Verifique a de sua cidade antes de encomendar a peça.

Quatro placas reescritas lado a lado

Os quatro casos abaixo são fictícios e cobrem os erros descritos acima. A terceira coluna é a placa completa, na ordem do modelo IAP, com os placeholders [NOME], [CRM-UF 00000] e [RQE 00000] para substituir.

Placa original (fictícia)O que falta ou sobraPlaca corrigida
"CLÍNICA [NOME FANTASIA] — A melhor clínica de [CIDADE]"Falta o nome do estabelecimento com registro no CRM e falta o Diretor Técnico-Médico com CRM (art. 5º, I). Sobra "a melhor", que confere qualidade privilegiada (art. 11, XVI e § 3º)."[NOME DO ESTABELECIMENTO] — Registro no CRM [00000] · Diretor Técnico-Médico: [NOME] — [CRM-UF 00000] · [ESPECIALIDADE] — [RQE 00000] (linha a manter só onde for exigível) · [NOME FANTASIA]"
"Dr. [NOME] — [ESPECIALIDADE] — [CRM-UF 00000]", de médico sem especialidade registrada no CRMSobra a especialidade, que não está registrada (CEM, art. 114). Falta a palavra MÉDICO (art. 4º, I)."[NOME] — MÉDICO — [CRM-UF 00000]"
"Dr. [NOME] · [ESPECIALIDADE] · [CRM-UF 00000] · [RQE 00000]", de médico com especialidade registradaFalta a palavra MÉDICO (art. 4º, I). Especialidade e RQE estão corretos (art. 4º, II)."[NOME] — MÉDICO — [CRM-UF 00000] · [ESPECIALIDADE] — [RQE 00000]"
"[NOME FANTASIA] — Rejuvenesça 10 anos"Sobra a promessa de resultado (art. 11, XII). Falta toda a identificação da clínica: estabelecimento com registro no CRM e Diretor Técnico-Médico com CRM (art. 5º, I)."[NOME DO ESTABELECIMENTO] — Registro no CRM [00000] · Diretor Técnico-Médico: [NOME] — [CRM-UF 00000] · [ESPECIALIDADE] — [RQE 00000] (linha a manter só onde for exigível) · [NOME FANTASIA]"

Repare que nenhuma das placas corrigidas perdeu o nome fantasia. Nas placas de clínica ele continua lá, depois da identificação; no consultório, se o médico usa uma marca, ela entra ao fim da linha, pelo mesmo passo 4. O que saiu foi só o que não tem lugar na peça: o superlativo, a promessa e a especialidade não registrada. O tamanho da letra da marca é decisão de projeto — o que o art. 5º, I pede é que a identificação da clínica esteja "em local visível".

Exemplo ilustrativo

Cenário fictício, para você refazer com o orçamento do seu gráfico. Uma fachada em ACM com letra-caixa custa, neste exemplo inventado, R$ 6.000 para produzir e R$ 1.500 para instalar. Se a placa precisar ser refeita depois de pronta, o custo do erro é produzir e instalar de novo: R$ 6.000 + R$ 1.500 = R$ 7.500. Conferir a prova contra o checklist acima custa o tempo de ler o bloco DEVE CONSTAR do seu tipo de peça e o bloco NÃO PODE CONSTAR antes de aprovar. Troque os dois valores pelos do seu orçamento: a soma é o que uma placa refeita custa de novo.

Nuances que mudam a placa

Clínica com vários médicos. A placa da clínica identifica o estabelecimento e o Diretor Técnico-Médico. Se a porta de cada sala traz o nome de um médico, o desenho mais seguro é tratá-la como peça daquele médico e seguir a lista do art. 4º: nome, CRM, a palavra MÉDICO e especialidade só quando registrada.

Marca diferente do nome cadastrado. Quando o nome fantasia não é o nome com que o estabelecimento está registrado no CRM, o desenho mais usado é trazer os dois: a marca para o paciente reconhecer, o nome cadastrado com o número para a identificação. Verifique junto ao CRM da sua jurisdição qual nome consta no cadastro.

A lista do art. 4º vale fora da parede. O art. 6º diz que as informações do art. 4º devem estar dispostas "na página principal do perfil (pessoa física ou jurídica) ou equivalente" em redes sociais e sites. Se a placa foi corrigida, a bio do perfil costuma precisar da mesma revisão.

A placa é a primeira peça de publicidade da clínica, mas não a única. Para o que pode entrar no resto do material, veja o que o médico pode anunciar, e, se a dúvida é colocar valores na vitrine ou no site, se o médico pode divulgar preço.

Perguntas frequentes

O que precisa estar escrito na placa de uma clínica médica?

Pela Resolução CFM 2.336/2023, art. 5º, I, a peça do estabelecimento traz em local visível o nome do estabelecimento com número de cadastro ou registro no CRM e o nome do Diretor Técnico-Médico com o respectivo número de inscrição no CRM. Onde for exigível, entra também a especialidade do Diretor Técnico-Médico com o RQE. O nome fantasia pode aparecer como marca, desde que venha junto dessa identificação. Verifique junto ao CRM da sua jurisdição o nome e o número que constam no cadastro da clínica.

O que deve constar na placa do consultório de um médico?

Para o médico pessoa física, o art. 4º da Resolução CFM 2.336/2023 lista o nome, o número de registro no CRM onde exerce a medicina, acompanhado da palavra MÉDICO, e a especialidade ou área de atuação quando registrada no CRM, seguida do RQE quando o for. Sem especialidade registrada, a placa fica completa com nome, CRM e a palavra MÉDICO. Essa regra trata do que a placa informa, e não de quais procedimentos um médico com CRM ativo pode realizar.

Clínica médica pode usar nome fantasia na fachada?

Os dispositivos citados nesta página não tratam de nome fantasia. O desenho que funciona melhor é usar a marca normalmente, desde que ela esteja na mesma peça que a identificação obrigatória: nome do estabelecimento com registro no CRM e Diretor Técnico-Médico com inscrição no CRM. Quando a marca é diferente do nome cadastrado no CRM, o desenho mais usado é trazer os dois. Verifique junto ao CRM da sua jurisdição qual nome consta no cadastro.

Médico sem RQE pode colocar especialidade na placa?

Não deve anunciar especialidade que não esteja registrada. O art. 4º, II da Resolução CFM 2.336/2023 inclui a especialidade quando registrada no CRM, com RQE quando o for, e o Código de Ética Médica, art. 114, veda anunciar especialidade ou área de atuação para a qual o médico não esteja qualificado e registrado no CRM. A placa desse médico fica completa com nome, CRM e a palavra MÉDICO. Isso rege o anúncio, não a prática: o médico com CRM ativo segue atendendo normalmente.

Posso escrever frase de resultado ou superlativo na fachada da clínica?

A Resolução CFM 2.336/2023, art. 11, XII, veda garantir, prometer ou insinuar bons resultados do tratamento, e o inciso XVI veda portar-se de forma autopromocional; o parágrafo 3º define promocional como conferir-se propriedades e qualidades privilegiadas. O caput alcança o médico e, naquilo que couber, as pessoas jurídicas. Frases como rejuvenesça 10 anos ou a melhor clínica da cidade saem da placa, e o que fica é identificação e marca.

Quem responde pelo que está escrito na fachada da clínica?

O art. 3º, II da Resolução CFM 2.336/2023 diz que responde o Diretor Técnico-Médico pela divulgação de matérias dos estabelecimentos de assistência médica. Na prática, quem responde pela fachada da clínica é o Diretor Técnico-Médico, e o desenho mais seguro é a prova da placa passar por ele antes de ir ao gráfico. Para a placa de consultório de médico pessoa física, o art. 3º, I diz que responde o próprio médico. Fora da norma médica, confira também a regra de fachada da prefeitura.

Referências

  1. Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.336/2023 — art. 3º, I e II (quem responde pela peça), art. 4º, I e II (placa de consultório de pessoa física), art. 5º, I, a e b (placa de clínica, "em local visível"), art. 6º (dados do art. 4º no perfil) e art. 11, XII, XVI e § 3º (promessa de resultado e qualidades privilegiadas).
  2. Conselho Federal de Medicina. Código de Ética Médica (2019) — art. 114, Capítulo XIII: especialidade não registrada no CRM não se anuncia.

Conteúdo educacional de gestão para médicos. Não substitui orientação jurídica, contábil ou a consulta ao CRM da sua jurisdição.

Dr. Thiago Perfeito, CRM-DF 23199
Dr. Thiago Perfeito · CRM-DF 23199
Médico, dono de consultório particular em Brasília–DF. Escreve sobre gestão, precificação e operação de consultório a partir da própria prática — não de teoria de consultoria.

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