Como aplicar Radiesse na face: planos e regiões
Bioestimuladores de colágeno

Como aplicar Radiesse na face

O Radiesse concentrado é o bioestimulador que também preenche: corrige no dia e deixa colágeno quando o gel é absorvido. Funciona quando encontra apoio — osso, plano profundo, região com margem anatômica — e cria problema quando é posto raso ou no lugar errado. O que decide o resultado é o plano, não a seringa.

Aplicar Radiesse na face é, antes de tudo, escolher o plano. A hidroxiapatita de cálcio pura é um gel firme, que sustenta melhor quando apoiado em estrutura: sobre o periósteo do zigoma, do corpo da mandíbula e do mento, ou no subdérmico profundo de um sulco. Ali ela corrige no dia e, nos meses seguintes, estimula colágeno ao redor das microesferas. A técnica se organiza em quatro decisões, nessa ordem: qual região precisa de sustentação, em que plano o produto vai, com que instrumento e quanto por ponto. Esta página trata do Radiesse concentrado, o que trabalha contorno; a versão misturada com soro, para qualidade de pele, tem texto próprio sobre Radiesse hiperdiluído.

O que as bulas da Merz declaram para a face

O Radiesse é hidroxiapatita de cálcio (CaHA) em microesferas, cerca de 30% do produto, num gel carreador de carboximetilcelulose, fabricado pela Merz Aesthetics. As bulas descrevem plano, técnica e alguns volumes medidos nos estudos que aprovaram cada indicação, e é bom separar o que é posologia do que é dado de estudo.

Face — o que está escrito nas bulas da Merz

Na mandíbula, portanto, não existe posologia de bula: o volume sai do exame — perda de definição, espessura da pele, quanto do contorno é osso e quanto é tecido mole — e dos volumes usados nos ensaios, citados mais abaixo. Números de mandíbula que circulam como se fossem de bula não vêm dela. Antes de aplicar, vale conferir a bula que acompanha o lote em uso.

Onde o Radiesse concentrado entra e onde não entra

A revisão sistemática de Guida e Galadari (2024, Int J Dermatol), focada na face, classificou o produto como opção segura e eficaz para bochechas, mandíbula, lipoatrofia do HIV e sulco nasogeniano, e encontrou boa resposta também em linhas de marionete, mento, sulco pré-mandibular (pre-jowl) e comissura oral. O consenso norte-americano de Graivier e colaboradores (2007, Plast Reconstr Surg) já organizava o uso pelas mesmas regiões do terço médio e inferior: sulco nasogeniano, regiões malar, submalar e zigomática, comissuras, marionetes e pre-jowl.

O mapa do que fica de fora é tão importante quanto o do que entra. Na revisão de Young e colaboradores (2026, Aesthetic Plast Surg) sobre perda visual com bioestimuladores, a hidroxiapatita somava pelo menos 11 casos publicados de oclusão vascular com comprometimento da visão, a maioria no dorso nasal. Para o nariz, o produto de escolha é o ácido hialurônico, que a hialuronidase consegue degradar; a hidroxiapatita não responde à enzima. A regra prática que sai daí: Radiesse concentrado vai onde existe osso ou plano profundo para apoiar o gel e onde há margem anatômica, não em região de pele fina sobre artéria terminal.

Mandíbula e mento em destaque no crânio em vista oblíqua — suporte ósseo para Radiesse — Dr. Thiago Perfeito
Crânio em três quartos com a mandíbula em destaque: ramo, ângulo, corpo e mento. É o arcabouço sobre o qual o Radiesse concentrado trabalha no terço inferior — depósitos supraperiosteais que redesenham ângulo, borda e mento, complementados por fios subdérmicos onde a pele precisa de suporte.

Os dois planos do Radiesse na face

Supraperiosteal, para projetar; subdérmico profundo, para sustentar e suavizar. São os dois planos que as bulas e os estudos de face descrevem, e cada um tem o seu gesto.

Camadas da face separadas, com a camada de sustentação em destaque — planos de aplicação do Radiesse — Dr. Thiago Perfeito
As camadas da face afastadas umas das outras, com a camada de sustentação em destaque. Na face, o Radiesse concentrado trabalha sobretudo em dois níveis dessa pilha: logo abaixo da derme, em fios, ou na base, sobre o osso. Quando passa pelas camadas do meio — como no leque submalar —, é com cânula, em volume pequeno e com a ponta em movimento.

O estudo de Pavicic (2015, Clin Cosmet Investig Dermatol) mostra os dois gestos lado a lado no terço médio de uma paciente de 50 anos. De um lado, 1,6 mL em 5 a 7 pequenos depósitos de 0,1 a 0,2 mL, com agulha 28G de 3/4 de polegada, pela técnica de depósito vertical supraperiosteal; do outro, os mesmos 1,6 mL por três pontos de entrada, com cânula romba 27G de 1 1/2 polegada, em leque. A ressonância feita logo depois mostrou distribuição simétrica; a de 2,5 anos não mostrou mais produto, mas o volume do tecido continuava aumentado — o retrato do que se espera da hidroxiapatita: o gel some, o colágeno fica.

Região por região

Zigoma e terço médio

O maior ensaio de bochecha com o produto é o de Moers-Carpi e colaboradores (2012, Dermatol Surg): 116 pacientes randomizados entre tratamento imediato e controle sem tratamento, com bochecha definida como as regiões malar, submalar, zigomática, pré-auricular e infraorbital. O volume total médio foi de 4,7 mL; aos 12 meses, 92% dos médicos e 80% das pacientes se declaravam satisfeitos, sem evento adverso grave. Uma sequência comum no terço médio vai de lateral para medial: primeiro o apoio sobre o arco e o corpo do zigoma, depois, se ainda faltar, a transição para a região submalar. O depósito no corpo do zigoma é supraperiosteal; o submalar, que não tem osso por baixo, pede fios em leque no subcutâneo profundo e volume menor.

Mandíbula e mento

A indicação de mandíbula do Radiesse (+) foi testada no ensaio randomizado de Moradi e colaboradores (2021, J Drugs Dermatol): pacientes com contorno mandibular moderado ou grave na escala da Merz foram randomizados 2:1 entre tratamento e controle, com injeção profunda, subdérmica e/ou supraperiosteal. Na semana 12, responderam 75,6% dos tratados contra 8,8% dos controles; 67,3% dos que responderam na semana 12 mantinham a melhora 48 semanas depois da aplicação inicial. No ensaio de face dividida de Boen e colaboradores (2022, Dermatol Surg), 10 pacientes receberam uma a duas seringas, até 3 mL, num lado da mandíbula, com agulha e cânula combinadas, e o outro lado foi equilibrado um mês depois; a melhora média na escala de mandíbula foi de 1,3 ponto no dia e aos 30 dias, e seguia acima do basal aos 3 meses.

Uma sequência comum no terço inferior: o ângulo (supraperiosteal, sobre o osso, para marcar o vértice), a borda do corpo da mandíbula (fios subdérmicos ou depósitos supraperiosteais, conforme a pele), o pre-jowl e, por fim, o mento, com depósitos supraperiosteais na linha média e paramedianos. Volume de ácido hialurônico por região, quando o produto for outro, tem página própria sobre quanto ácido hialurônico na mandíbula e no mento.

Têmpora

Barbarino (2021, J Cosmet Dermatol) tratou 10 pacientes com depressão temporal grau 2 ou mais com Radiesse (+) supraperiosteal, em bolus. Um mês depois, os avaliadores classificaram a aparência como muito melhor em 80% e bem melhor em 20%; 90% passaram a grau 1 na escala de depressão temporal, sem complicação. O plano é o mesmo do bolus de ácido hialurônico na têmpora: sobre o osso, abaixo do músculo temporal, longe dos vasos temporais superficiais.

Sulco nasogeniano

É a indicação original do produto, e a bula pede plano subdérmico, não supraperiosteal. A régua de volume vem dos estudos de bula: média de 1,2 mL na fase inicial com o Radiesse e de 0,84 mL por sulco com o Radiesse (+). Sulco profundo em paciente com perda de sustentação do terço médio responde melhor quando o apoio malar vem antes: tratar só o sulco num rosto que desceu costuma pesar a região.

Instrumento, aspiração e segurança

Agulha para o depósito pontual sobre o osso; cânula para o leque. A agulha dá precisão ao bolus supraperiosteal; a cânula percorre o subdérmico e o subcutâneo profundo com poucas entradas, empurrando os vasos em vez de cortá-los. Na rotina do Dr. Thiago Perfeito com bioestimulador, a cânula 22G responde por cerca de 80% das aplicações, e ele aspira sempre antes de injetar — inclusive com cânula, e por mais tempo quando a agulha é fina, de 29 ou 30G. Calibre e comprimento da cânula por região estão no texto sobre como escolher a cânula.

Agulha com bisel cortante à esquerda e cânula de ponta romba afastando um vaso à direita — Radiesse na face — Dr. Thiago Perfeito
À esquerda, o bisel da agulha, que corta o tecido no caminho; à direita, a ponta romba da cânula, que desloca o vaso para o lado. Com um produto que a hialuronidase não degrada, como a hidroxiapatita, essa diferença pesa mais: o que entra na luz de um vaso não tem enzima que o desfaça.

A oclusão com hidroxiapatita existe fora do nariz também. Soares e Blevins (2022, Plast Reconstr Surg Glob Open) relataram lesão isquêmica da pele do território infraorbital com necrose da mucosa de metade do palato depois de injeção na bochecha — um território arterial que o injetor não vê. Por isso o Radiesse concentrado segue o mapa de anatomia vascular da face: volume pequeno por depósito, injeção lenta, sem pressão, com a ponta em movimento no leque. Os sinais de alarme e a conduta de oclusão estão em oclusão vascular; a hialuronidase só tem papel quando há ácido hialurônico no mesmo território.

Intervalos e combinação com aparelho

Pela bula global, 4 semanas é o mínimo entre aplicações no mesmo local da face, e o retoque da mandíbula no Radiesse (+) também foi permitido a partir de 4 semanas. O colágeno induzido se forma ao longo de meses, então o retoque precoce corrige forma, não efeito biológico. Quando o plano inclui ultrassom microfocado, radiofrequência microagulhada ou outro aparelho de energia, o Dr. Thiago separa bioestimulador e aparelho por 2 a 4 semanas.

Quatro cortes da derme com colágeno cada vez mais denso — neocolagênese após Radiesse — Dr. Thiago Perfeito
Quatro cortes da derme em sequência, com fibras de colágeno cada vez mais densas da esquerda para a direita. É o tempo biológico do bioestimulador: a correção do dia vem do gel, e a que permanece depois que ele é absorvido vem do colágeno que se formou ao redor das microesferas.

Erros comuns com Radiesse na face

Nódulo e irregularidade depois de injetável têm texto próprio sobre nódulos após preenchimento, e a escolha entre as classes de bioestimulador está em Sculptra, Radiesse ou HarmonyCa. O Dr. Thiago Perfeito declara não ter relação comercial com a Merz nem com nenhum outro fabricante de bioestimulador.

Onde a técnica vira mão

Ler a bula leva minutos; achar o periósteo do zigoma com a ponta da agulha, manter o leque da cânula no plano certo e parar no 1:1 exigem repetição supervisionada. Na Pós Prática do Dr. Thiago Perfeito — médico, CRM-DF 23199, de Medicina Estética e Regenerativa —, a hidroxiapatita aparece em dois módulos: no B1, dentro do preenchimento de contorno (mandíbula, mento e ângulo goníaco), e no módulo B2, de bioestimuladores, em que a face é lida por terços e cada região ganha o seu plano — e os planos em que o produto não deve ir. Cada módulo é um sábado presencial na INTI, no Lago Sul, em Brasília, precedido de pré-work gravado obrigatório: na parte teórica, demonstração comentada; na parte prática, execução supervisionada pelo próprio aluno em paciente modelo, em turma de até oito médicos. O módulo de toxina e preenchimento está em /cursos/modulo-toxina-preenchimento/, e a Biblioteca completa em /cursos/blog/.

Perguntas frequentes

Em que plano se aplica o Radiesse na face?

Em dois planos. Supraperiosteal, sobre o osso, para projetar zigoma, ângulo e corpo da mandíbula, mento e têmpora; e subdérmico profundo, em fios lineares, no sulco nasogeniano e como complemento na borda mandibular. A bula do Radiesse (+) declara subdérmico no sulco e subdérmico ou supraperiosteal na mandíbula.

Quantos mL de Radiesse no sulco nasogeniano?

Nos estudos das bulas, a média foi de 1,2 mL na fase inicial com o Radiesse (mínimo 0,3; máximo 2,7) e de 0,84 mL por sulco com o Radiesse (+). São médias de estudo, não dose fixa: o volume depende da profundidade do sulco e do apoio do terço médio.

Quanto Radiesse se usa na mandíbula?

A bula do Radiesse (+) define plano e técnica para a mandíbula, mas não fixa volume em mL. A referência são os ensaios: no de Boen e colaboradores (2022), cada paciente recebeu uma a duas seringas, até 3 mL, num lado da mandíbula; pelo estudo descrito na bula do Radiesse (+), o retoque foi permitido a partir de 4 semanas. O volume final sai do exame de cada contorno.

Agulha ou cânula para Radiesse?

Agulha para o depósito pontual supraperiosteal; cânula para os fios em leque no subdérmico e no subcutâneo profundo. No estudo de Pavicic (2015), os dois gestos foram comparados no terço médio — agulha 28G em depósitos verticais de um lado e cânula 27G em leque do outro — com distribuição simétrica na ressonância.

Pode aplicar Radiesse no nariz?

Não é a escolha. Na revisão de Young e colaboradores (2026), a hidroxiapatita somava pelo menos 11 casos publicados de oclusão com comprometimento da visão, a maioria no dorso nasal. No nariz, o produto de escolha é o ácido hialurônico, que a hialuronidase consegue degradar.

Qual o intervalo entre sessões de Radiesse na face?

A bula global pede no mínimo 4 semanas entre aplicações no mesmo local da face e recomenda no máximo 10 mL por ano para face e mãos, dose que admite adaptar à indicação. No estudo de mandíbula descrito na bula do Radiesse (+), o retoque também foi permitido a partir de 4 semanas.

Hialuronidase desfaz Radiesse?

Não. A hialuronidase degrada ácido hialurônico, e o Radiesse é hidroxiapatita de cálcio em gel de carboximetilcelulose. Por isso a prevenção — anatomia, plano, cânula, aspiração e volume pequeno por depósito — pesa mais com ele do que com o ácido hialurônico.

Referências

  1. Guida S, Galadari H. A systematic review of Radiesse/calcium hydroxylapatite and carboxymethylcellulose: evidence and recommendations for treatment of the face. Int J Dermatol. 2024;63(2):150-160. · PMID 37897174 · DOI 10.1111/ijd.16888
  2. Graivier MH, Bass LS, Busso M, et al. Calcium hydroxylapatite (Radiesse) for correction of the mid- and lower face: consensus recommendations. Plast Reconstr Surg. 2007;120(6 Suppl):55S-66S. · PMID 18090343 · DOI 10.1097/01.prs.0000285109.34527.b9
  3. Young SM, Goh ASC, Jeyabal P, Ooi ASH. Visual Loss in Biostimulator Injectables: A Review of Incidence, Risk Factors, Etiology and Management Proposal. Aesthetic Plast Surg. 2026;50(5):1994-2005. · PMID 41263987 · DOI 10.1007/s00266-025-05418-2
  4. Pavicic T. Complete biodegradable nature of calcium hydroxylapatite after injection for malar enhancement: an MRI study. Clin Cosmet Investig Dermatol. 2015;8:19-25. · PMID 25709485 · DOI 10.2147/CCID.S72878
  5. Moers-Carpi M, Storck R, Howell DJ, et al. Physician and patient satisfaction after use of calcium hydroxylapatite for cheek augmentation. Dermatol Surg. 2012;38(7 Pt 2):1217-1222. · PMID 22759259 · DOI 10.1111/j.1524-4725.2012.02477.x
  6. Moradi A, Green J, Cohen J, et al. Effectiveness and Safety of Calcium Hydroxylapatite With Lidocaine for Improving Jawline Contour. J Drugs Dermatol. 2021;20(11):1231-1238. · PMID 34784131 · DOI 10.36849/jdd.6442
  7. Boen M, Alhaddad M, Goldman MP, et al. A Randomized, Evaluator-Blind, Split-Face Study Evaluating the Safety and Efficacy of Calcium Hydroxylapatite for Jawline Augmentation. Dermatol Surg. 2022;48(1):76-81. · PMID 33731569 · DOI 10.1097/DSS.0000000000002582
  8. Barbarino SC. Correction of temporal wasting using calcium hydroxylapatite with integral lidocaine: An underused procedure for enhancing overall facial appearance. J Cosmet Dermatol. 2021;20(1):62-66. · PMID 32441877 · DOI 10.1111/jocd.13505
  9. Soares DJ, Blevins LW. Distal Internal Maxillary Artery Occlusion with Palatal Necrosis following Cheek Injection with Calcium Hydroxylapatite. Plast Reconstr Surg Glob Open. 2022;10(3):e4164. · PMID 35265444 · DOI 10.1097/GOX.0000000000004164
Dr. Thiago Perfeito, CRM-DF 23199
Dr. Thiago Perfeito · CRM-DF 23199
Medicina estética e regenerativa, Brasília–DF. Anatomia aplicada, complicações em injetáveis e medicina regenerativa.

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