Quanto tempo duram os fios de PDO
Fios de sustentação

Quanto tempo duram os fios de PDO

Absorção do fio e duração do resultado são perguntas diferentes, e a paciente quase sempre faz a segunda achando que é a primeira. Abaixo, o que se sabe do polímero, da resposta do tecido e do efeito clínico medido em estudos, o que encurta a duração e como decidir o retoque.

O fio de PDO tem dois relógios, e eles não andam juntos: o do material, que é absorvido em cerca de 6 a 8 meses, e o do efeito clínico, que os estudos medem por outra régua e que, no fio espiculado, perde força ao longo do primeiro ano. A força de preensão das espículas cai bem antes de o polímero sumir, e a resposta de colágeno e fibrose em volta do fio fica depois dele. Por isso "o fio dura 6 meses" e "o resultado dura 6 meses" são frases diferentes — e só a segunda interessa à paciente.

Dois relógios: material e efeito

A polidioxanona é o mesmo polímero do fio de sutura absorvível. No tecido, ela é degradada por hidrólise, e a referência que vale para a conversa com a paciente é a absorção em cerca de 6 a 8 meses. Esse número responde a uma pergunta só: por quanto tempo existe material no subcutâneo. Ele não diz por quanto tempo o tecido fica no lugar para onde foi tracionado, nem por quanto tempo a pele fica com a qualidade que ganhou.

O efeito clínico depende de três coisas que mudam em velocidades próprias: a força mecânica das espículas, que segura o tecido nas primeiras semanas; a reação do tecido ao fio, com colágeno novo e fibrose em volta dele; e o envelhecimento, que continua puxando o tecido para baixo durante todo o período. A soma das três é o que a paciente vê no espelho.

Fio de PDO espiculado no plano subcutâneo em bloco de tecido — Dr. Thiago Perfeito
Bloco de tecido com um fio espiculado no plano subcutâneo. Nas primeiras semanas, o que segura o tecido são as espículas presas aos septos da gordura; à medida que o polímero se degrada, essa preensão diminui, e o que permanece é a resposta do tecido em volta do trajeto.

O material: a força cai antes da massa

Os dados mais antigos sobre a polidioxanona vêm da sutura cirúrgica, e mostram o comportamento do polímero. Ray e colaboradores (1981, Surg Gynecol Obstet) descreveram que a sutura de PDO conservava 58% da resistência à tração em quatro semanas e 14% em oito, enquanto as outras suturas sintéticas absorvíveis da época tinham de 1% a 5% em quatro semanas e nada em oito; a absorção se dava por hidrólise simples, com pouca reação tecidual. Bourne e colaboradores (1988, Can J Surg), comparando quatro suturas absorvíveis in vivo, mediram meia-vida de resistência à tração de 6 semanas para a polidioxanona.

O fio estético tem outro calibre e outro desenho, então esses números não se transferem como prazo de lifting. O que se transfere é o princípio: a capacidade de segurar carga cai em semanas, muito antes de a massa do fio ser absorvida em meses. Em modelo animal, Ha e colaboradores (2022, J Cosmet Dermatol) observaram que o PDO precisou de cerca de 24 semanas para absorção e degradação, enquanto o fio de policaprolactona permaneceu no tecido por mais de um ano — diferença de material que explica por que a escolha do polímero muda a conversa sobre duração. A comparação entre famílias está em fios de PLLA: o que muda em relação ao PDO.

O tecido: a resposta que fica depois do fio

Enquanto a força do fio cai, o tecido reage. Os estudos em animal descrevem essa resposta com uma curva própria:

É essa resposta que sustenta parte do resultado depois que a preensão mecânica se foi — e é ela que explica por que o fio liso, que quase não traciona, ainda tem indicação em qualidade de pele (ver fios de PDO lisos para qualidade de pele).

Linha do tempo da neocolagênese na derme com colágeno progressivamente mais denso — Dr. Thiago Perfeito
Quatro cortes da derme com colágeno progressivamente mais denso, da esquerda para a direita — o princípio da neocolagênese. Nos modelos animais com fio de PDO, a formação de colágeno subiu nas primeiras semanas e caiu depois da 12ª, enquanto o fio ainda estava no tecido.

O efeito clínico: o que os estudos mediram

Na clínica, a duração foi medida por fotos, escalas de rugas e satisfação. Os números convergem para um efeito que é visível logo após o procedimento e se reduz ao longo de meses:

EstudoQuem e o quêO que foi medido
Bertossi et al., 2019, Aesthet Surg J160 pacientes consecutivos, fio espiculado de PDO no malar, no sulco nasogeniano e na mandíbulaMelhora do primeiro mês reduzida de forma visível aos 6 meses e ausente em 1 ano; complicação precoce em 34%
Jia et al., 2026, Aesthetic Plast Surg151 pacientes com sulco nasogeniano moderado a grave, ensaio randomizado; controle com fio de PDO já comercializadoResposta (melhora de 1 grau ou mais na escala de rugas) aos 7 meses: 62,7% no grupo do PDO e 71,6% no fio experimental (material não nomeado no resumo), que foi não inferior
Niu et al., 2021, Aesthetic Plast SurgMetanálise de 26 estudos de fios faciaisSatisfação de 98% logo após o procedimento e de 88% aos 6 meses
Wan et al., 2025, J Cosmet DermatolEstudo piloto com 11 pacientes, ácido hialurônico mais fio de PDO no terço médio; em correção publicada, os autores declararam ser consultores clínicos da empresa que fabrica o preenchedor e fornece o fioLargura do terço médio de 149,27 para 145,00 mm em 24 meses; 9 de 11 com satisfação mantida

Cada linha pede uma leitura própria. A série de Bertossi tem o achado mais duro: o reposicionamento desaparece em um ano, e um terço dos pacientes teve alguma intercorrência precoce, o que levou os autores a recomendar o fio apenas para quem tem contraindicação a uma cirurgia facial mais invasiva. O ensaio de Jia mostra que, aos 7 meses, cerca de seis em cada dez pacientes tratados com PDO ainda tinham ao menos um grau de melhora no sulco. E o estudo de Wan combina dois tratamentos, então os 24 meses não podem ser atribuídos ao fio sozinho — os autores relacionam o resultado à neocolagênese e ao remodelamento do tecido além do tempo de dissolução dos materiais. Uma correção publicada em 2025 trocou a declaração de conflito do artigo: todos os autores atuaram como consultores clínicos da Jetema, fabricante do preenchedor e fornecedora do fio usados no estudo.

Liso e espiculado não medem a mesma coisa

A pergunta "quanto dura" tem respostas diferentes conforme o desenho do fio. No espiculado, o desfecho é posição: o contorno subiu e por quanto tempo ficou. Esse efeito depende da preensão das espículas, que perde força junto com o polímero, e por isso a curva clínica cai ao longo do primeiro ano. No liso, o desfecho é qualidade de pele — textura, firmeza, linhas finas —, que depende da resposta de colágeno e não de tração. Misturar os dois na mesma frase produz expectativa errada: a paciente que fez fio liso e espera contorno se frustra, e a que fez espiculado e espera anos de lifting também. Os critérios de indicação de cada desenho estão em tipos de fio de PDO e indicação e, para o terço médio, em fios espiculados no terço médio.

O que encurta a duração

Tecido pesado demais para o fio. Quando a ptose é acentuada ou sobra pele, a carga sobre cada espícula é maior, e a preensão cede mais cedo. É a indicação, e não o fio, que encurta o resultado.

Tensão concentrada. No estudo de Song, o padrão de implante em cruzamento produziu fibrose cinco vezes mais larga e densa que o padrão em leque, e os autores propõem que distribuir a carga entre fios que se cruzam reduz a tensão sobre cada um e prolonga o resultado. É uma hipótese construída em camundongo, que ajuda a pensar o desenho dos vetores.

Idade e número de fios. No levantamento de Okumura e colaboradores (2025, Plast Reconstr Surg Glob Open), com 1.500 pacientes tratados com PDO, 3,4% voltaram por resultado insuficiente, e idade e número de fios foram preditores independentes desse retorno. Os autores pedem estratégia de fios adaptada à idade e ao volume e conversa prévia para alinhar a expectativa — somar fios não é a resposta para um tecido que já passou da indicação.

Contato com ácido hialurônico não reticulado. Em bancada, Suárez-Vega e colaboradores (2019, J Cutan Aesthet Surg) mergulharam segmentos de fio de PDO 23G em ácido hialurônico não reticulado e viram degradação estrutural a partir de 24 horas, com desfibrilação ao longo do fio em 72 horas. É um achado in vitro, que alerta contra embeber o fio em gel antes da inserção.

Escolha do material. Em 106.639 casos de 105 clínicas de uma mesma rede no Japão, Okumura e colaboradores (2026, Aesthetic Plast Surg) viram o PDO concentrado nos pacientes de 20 a 39 anos e a policaprolactona mais usada nos mais velhos, com média de 10,52 fios por caso no PDO contra 6,57 no PCL. O dado descreve prática, não duração: nessa rede, a escolha do polímero acompanha a idade do paciente, e o PCL é o material que, no modelo animal de Ha, ficou mais de um ano no tecido.

Retoque: quando e como decidir

O retoque de fio não segue calendário; segue reavaliação. A paciente volta, é fotografada no mesmo padrão das fotos iniciais, e a comparação responde a duas perguntas: o reposicionamento se perdeu? O tecido continua sendo indicação de fio? Se a primeira resposta é sim e a segunda também, uma nova sessão faz sentido. Se a flacidez avançou para sobra de pele, o retoque com mais fios repete o problema com custo maior.

Há um custo de longo prazo a pesar. Yordanov (2025, Aesthetic Plast Surg) operou 10 pacientes que tinham feito duas ou mais sessões de fios absorvíveis e encontrou fibrose, aderência entre camadas e SMAS menos móvel, com cirurgia mais demorada; segundo o autor, as alterações de tecido duraram mais que o efeito de tração e que o próprio fio. Para a paciente que talvez opere no futuro, cada nova sessão entra nessa conta.

Fibras de colágeno passando de desorganizadas a organizadas na remodelação do tecido — Dr. Thiago Perfeito
Três painéis de fibras de colágeno, de desorganizadas a organizadas. A fibrose que se forma em volta do trajeto do fio se reorganiza com o tempo e pode permanecer depois que a tração e o próprio polímero já se foram — por isso sessões repetidas pesam na decisão de retoque.

Modelo · O que escrever no termo sobre duração

  1. Absorção do material: o fio de PDO é absorvido em cerca de 6 a 8 meses.
  2. Duração do efeito: a tração é visível logo após o procedimento, diminui ao longo dos meses e não é permanente.
  3. Variação individual: idade, qualidade do tecido, grau de flacidez e número de fios mudam a duração.
  4. Retoque: decidido em reavaliação com foto padronizada, e não por data.
  5. Alternativas: o que foi oferecido além do fio, inclusive a indicação cirúrgica, quando existir.

Da curva de duração para a prática

Explicar dois relógios à paciente exige que o médico domine o material, o desenho e a indicação — e isso se treina com o fio na mão. No Módulo A1, Face Avançada, da Pós Prática do Dr. Thiago Perfeito (médico, CRM-DF 23199, Medicina Estética e Regenerativa), os fios entram discriminados por produto e por região — PDO mono, multi, espiralado e espiculado, PLA/PCL e Aptos —, com materiais e mecanismos, vetor contra a queda, anatomia de risco, inserção, tensionamento, dimpling e extrusão, e a anestesia dos fios no mesmo bloco. Antes do sábado, o médico cumpre o pré-work gravado; no dia, em Brasília, a parte teórica tem demonstração comentada e a parte prática tem execução supervisionada em paciente modelo, para no máximo oito médicos por turma. Para comparar cursos de fios, veja os critérios de escolha; a formação completa está em Cursos. Esta página não tem relação comercial com nenhum fabricante.

Perguntas frequentes

Em quanto tempo o fio de PDO é absorvido?

Em cerca de 6 a 8 meses. A polidioxanona é degradada por hidrólise, como a sutura absorvível feita do mesmo polímero. Esse prazo diz quanto tempo há material no tecido, não quanto tempo dura o resultado.

O efeito acaba quando o fio é absorvido?

Não exatamente. A força de preensão das espículas cai antes de o fio ser absorvido, e a resposta de colágeno e fibrose em volta do trajeto continua depois. O que a paciente vê é a soma dessa resposta com o envelhecimento, que segue acontecendo.

Quanto tempo dura o efeito lifting do fio espiculado de PDO?

Meses, com redução ao longo do primeiro ano. Bertossi acompanhou 160 pacientes: a melhora caiu de forma visível até o sexto mês e não era mais percebida em um ano, com complicação precoce em 34% — dado que levou os autores a recomendar o fio só para quem tem contraindicação a cirurgia facial mais invasiva. No ensaio de Jia, 62,7% dos tratados com PDO tinham melhora de ao menos um grau no sulco nasogeniano aos 7 meses.

Fio liso dura o mesmo que o espiculado?

Eles medem coisas diferentes. O espiculado é avaliado pela posição do tecido, que depende da preensão das espículas. O liso é avaliado pela qualidade da pele, que depende da resposta de colágeno. A duração de um não serve de promessa para o outro.

Quando fazer o retoque dos fios?

Quando a reavaliação com foto padronizada mostrar que o reposicionamento se perdeu e o tecido ainda for indicação de fio. Se a flacidez evoluiu para sobra de pele, mais fios não resolvem, e sessões repetidas deixam fibrose que pode dificultar uma cirurgia futura.

O que faz o fio de PDO durar menos?

Indicação além do limite, idade, qualidade do tecido e a forma como a carga se distribui entre os fios. Em 1.500 pacientes, Okumura viu idade e número de fios associados a retorno por resultado insuficiente. Em bancada, o contato com ácido hialurônico não reticulado acelerou a degradação do PDO.

Referências

  1. Bertossi D, Botti G, Gualdi A, et al. Effectiveness, Longevity, and Complications of Facelift by Barbed Suture Insertion. Aesthet Surg J. 2019;39(3):241-247. · PMID 29474522 · DOI 10.1093/asj/sjy042
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Dr. Thiago Perfeito, CRM-DF 23199
Dr. Thiago Perfeito · CRM-DF 23199
Medicina estética e regenerativa, Brasília–DF. Anatomia aplicada, complicações em injetáveis e medicina regenerativa.

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