Ácido hialurônico corporal: quanto por lado no glúteo
Não existe um volume de ácido hialurônico por lado do glúteo fixado em bula: nenhum dos documentos de fabricante que a Biblioteca usa como fonte traz esse número, e os estudos de glúteo publicam o volume quase sempre por paciente, com produtos e critérios de seleção diferentes. O volume de cada lado, portanto, é uma decisão de planejamento, tomada por critérios que se medem no exame. Esta página mostra como os estudos reportaram o volume, por que dividir o total por dois engana e quais critérios definem quanto vai em cada lado.
Por que a pergunta “quanto por lado” não tem número de bula
As indicações de uso dos géis corporais descrevem a área tratada, não uma dose por nádega. No Brasil, entre os volumizadores corporais de ácido hialurônico estão o UPmax (Ilikia/CGBio, ácido hialurônico de alta densidade com lidocaína) e o Sofiderm corporal (alta coesividade, formulado sem anestésico); o Shape Lido, da Rennova, é outro preenchedor corporal, com lidocaína. Nos documentos de fabricante que constam nas fontes da Biblioteca, não há volume por lado do glúteo, e esta página não atribui a bula nenhum número desse tipo.
Na face e nas mãos, ao contrário, algumas bulas declaram teto por sessão ou por região, e é por isso que a pergunta parece ter resposta pronta. No glúteo, o que existe são as séries clínicas, e elas usaram volumes muito diferentes, com produtos diferentes, em pacientes selecionadas de formas diferentes. A página irmã como aplicar ácido hialurônico no glúteo descreve a técnica; aqui o assunto é a conta.
O que os estudos reportaram, e em que unidade
A unidade em que o volume foi publicado importa tanto quanto o número. A tabela separa o que cada resumo realmente diz. São volumes de estudos, com produtos e pacientes específicos, e não uma dose para copiar:
| Estudo | Como o volume aparece no resumo | Número | Dá para ler como “por lado”? |
|---|---|---|---|
| De Meyere et al., 2014 (61 pacientes) | Total por paciente, em 1 ou 2 visitas | Média de 340 mL (200 a 420 mL) | Não; o resumo não separa os lados |
| Hur et al., 2026 (26 pacientes) | Total por paciente | 200 a 360 mL | Não |
| Crabai et al., 2025 (35 pacientes) | Média por paciente | 85,1 ± 42,2 mL | Não |
| Bussade et al., 2025 (30 pacientes) | Média por paciente, teto por paciente | 43,60 ± 11,48 mL (até 60 mL) | Não |
| Iribarren-Moreno et al., 2025 (26 pacientes) | Média e teto por paciente | 40,4 mL (máximo de 100 mL) | Não |
| Robles, 2024 (25 pacientes) | Por área de aplicação, com teto por paciente | 50 a 100 mL por área; até 200 mL no glúteo | Não; “área” não é sinônimo de lado |
| Santorelli et al., 2023 (43 pacientes) | Em frascos | 8 a 12 frascos × 14 a 20 frascos | Não; o resumo não dá o volume do frasco |
Três observações mudam a leitura da tabela. Primeiro, os produtos não são os mesmos: o gel NASHA corporal Macrolane no estudo de De Meyere, UP Max no de Bussade, HYAcorp MLF2 no de Crabai, um ácido hialurônico reticulado que o resumo de Hur não nomeia, e reologia diferente significa volume diferente para o mesmo efeito. Segundo, a média do grupo esconde a dispersão: no estudo de Crabai, o desvio-padrão é metade da média. Terceiro, vários trabalhos têm vínculo com o fabricante. O estudo multicêntrico de De Meyere (NCT01331408) foi patrocinado pela Galderma R&D, e o de Camenisch, citado mais abaixo, é um subestudo com o mesmo gel; o de Bussade teve apoio da Ilikia Brasil, que forneceu o gel; um dos autores de Hur preside a JETEMA; dois autores de Crabai 2025 e três de Crabai 2024 são funcionários da BioScience, que apoiou as duas análises; Iribarren-Moreno e dois coautores são consultores da MONALISA-GENOSS; e o Europe PMC registra a MR Devices como financiadora da série de Santorelli.
A revisão sistemática de Mortada e colaboradores (2023, Aesthetic Plast Surg), com 10 estudos e 168 pacientes, calculou um volume médio de 206,71 mL e uma duração estimada de 16,16 meses. A própria variação dos estudos incluídos mostra que essa média descreve a literatura, não uma paciente.

Por que dividir o total por dois engana
É comum a paciente ter diferenças entre um glúteo e o outro. Diferença de altura do sulco infraglúteo, depressão trocantérica mais funda de um lado, quadril mais alto, escoliose leve, assimetria de gordura: tudo isso aparece na foto de costas com a paciente em pé e relaxada. Se o plano parte de “X mL por lado”, ele começa simétrico num corpo assimétrico, e o resultado tende a manter ou acentuar a diferença.
O raciocínio que funciona é o inverso: o volume de cada lado é a soma dos volumes de cada quadrante daquele lado, e cada quadrante recebe o que o déficit dele pede. Bussade e colaboradores (2025, J Cosmet Dermatol) planejaram por quadrantes, guiados por referências anatômicas; Iribarren-Moreno e colaboradores (2025, Plast Reconstr Surg Glob Open) marcaram uma base ovoide com três áreas-chave e propuseram justamente concentrar o produto onde ele rende, para chegar ao resultado com o menor volume possível. Nesse trabalho, logo após a aplicação, a medida do quadril cresceu 1,1 cm no nível da sínfise púbica e 2,2 cm dois centímetros acima, com 40,4 mL por paciente em média.
Os critérios que decidem o volume de cada lado
- Assimetria medida, não estimada. Foto padronizada de costas, de perfil dos dois lados e em 3/4, sempre com a mesma luz e distância; quando disponível, imagem em 3D. A fita métrica em alturas fixas, como no estudo de Iribarren-Moreno, dá um número para comparar os lados antes e depois.
- Déficit por quadrante. Superolateral, superomedial, inferolateral, inferomedial e, quando indicada, a depressão trocantérica. Na série coreana de Hur e colaboradores (2026), a melhora que mais apareceu nas fotos foi a do polo superior e da área superolateral. A depressão lateral tem raciocínio próprio em hip dips.
- Espessura do subcutâneo de cada lado. O gel vai no subcutâneo, e é a espessura dessa camada que acomoda o volume. Cotofana e colaboradores (2020, J Drugs Dermatol) mediram por ultrassom a camada de gordura superficial do glúteo: média de 20,52 mm, com faixa de 6,10 a 38,40 mm entre as pessoas avaliadas. Uma paciente magra, com camada fina, aceita menos volume por túnel e por sessão do que uma com camada espessa.
- Pele e ptose. O ácido hialurônico trata volume, não flacidez. A série de Santorelli e colaboradores (2023, Aesthetic Plast Surg) só incluiu quem tinha IMC de no máximo 30 e glúteo sem ptose ou com ptose discreta. Quando a pele está frouxa, a conduta do Dr. Thiago Perfeito associa bioestimulador de colágeno para a flacidez e ácido hialurônico para o volume, em vez de compensar a flacidez com mais gel.
- Produto e reologia. Lourenço e colaboradores (2022, J Cosmet Dermatol) atribuem a capacidade de projeção do gel que usaram ao G′ alto e à molécula maior, que resistem à deformação. Géis com reologia diferente não entregam a mesma forma por mililitro, e trocar de produto no meio do plano muda a conta. O tema está em reologia do ácido hialurônico.
- O que já foi injetado ali. Na série de longo prazo de Crabai e colaboradores (2024, Plast Reconstr Surg Glob Open), com 91 participantes, os eventos adversos foram mais frequentes em quem tinha tratamento anterior com outras substâncias na área. Produto prévio desconhecido pede ultrassom antes de qualquer conta.
- Meta da paciente e número de sessões. O volume total pode ser dividido em visitas, como no estudo de De Meyere, que distribuiu o gel em uma ou duas. A segunda sessão é a oportunidade de corrigir a assimetria residual com o gel já acomodado.

Na maca: como o lado mais vazio recebe mais sem perder a simetria
O volume diferente entre os lados se planeja na marcação e se registra por quadrante. Um roteiro prático:
- Marque os dois lados com a paciente em pé e anote, para cada quadrante, se o déficit é leve, moderado ou acentuado. A conta do volume nasce dessa ficha.
- Distribua em túneis, em retroinjeção, sem grandes depósitos num ponto. O plano é sempre o subcutâneo. Turin e colaboradores (2020, Aesthet Surg J) localizaram por ressonância a veia glútea inferior colada à face profunda do glúteo máximo, a 56 mm da superfície em média, e por isso descartam qualquer “zona segura” dentro ou abaixo do músculo.
- Use o instrumento da rotina. Para preenchedor e bioestimulador no corpo, a rotina do Dr. Thiago é a cânula 18G na maior parte das vezes, com a 22G em alguns casos, sempre com aspiração prévia. A cânula de 4 mm ou mais que ele usa no glúteo é a do Lipocube, para enxertar gordura.
- Reavalie em pé no meio do procedimento, antes de completar o lado mais vazio, e de novo ao final, depois de modelar com a mão.
- Registre o volume por quadrante e por lado, com produto e lote. É o que permite planejar o retoque com precisão. Ver registro em prontuário.

A absorção muda a conta do retoque
O volume que entra não é o volume que fica. As imagens de ressonância do trabalho de Camenisch (2013, Plast Reconstr Surg) mostraram 56% do gel ainda presente aos 6 meses, 36% aos 12 e 24% aos 24, localizado principalmente na gordura subcutânea e sem deslocamento para fora do glúteo; ainda assim, 60% das pacientes se avaliaram como melhores até os 24 meses. Na série multicêntrica de De Meyere e colaboradores (2014, Aesthetic Plast Surg), a proporção que se avaliou como melhorada caiu de 80% no sexto mês para 40% no vigésimo quarto, e uma paciente teve deslocamento do gel para a região sacral. No de Bussade, a satisfação chegou a 90% no 30º dia e ficou em 62% aos 12 meses, o que os autores atribuem à degradação do ácido hialurônico.
Na prática, o retoque se planeja lado a lado, pelo que restou em cada quadrante, e não pela repetição do volume da primeira sessão. Uma paciente que absorveu mais de um lado precisa de mais desse lado no retoque.
Segurança: volume maior não muda o plano
A segurança no glúteo depende do plano, da pressão e da técnica, e não fica maior com volume menor nem menor com volume maior de forma automática. A revisão de Mortada registra que, apesar da taxa modesta de complicação, a aplicação de ácido hialurônico no glúteo pode ter desfechos graves, como hemorragia alveolar difusa e morte. Dispneia, dor no tórax, dessaturação ou alteração do nível de consciência nas horas seguintes pedem atendimento de emergência. A lista de prevenção está em preenchimento glúteo: complicações e como evitar, e a lógica de dose da hialuronidase, em dose de hialuronidase por cenário.
O Dr. Thiago Perfeito declara não ter relação comercial com nenhum fabricante dos produtos citados nesta página.
A conta por lado na formação
Transformar a ficha de quadrantes em mililitros por lado, decidir o que fica para a segunda sessão e reconhecer quando a queixa é flacidez e não volume é o tipo de raciocínio que só se consolida diante de pacientes reais. No Módulo A2 da Pós Prática, o Dr. Thiago Perfeito (médico, CRM-DF 23199, Medicina Estética e Regenerativa), com mais de 500 casos de glúteo, trabalha volumizadores e bioestimuladores corporais, a anatomia vascular da região e o planejamento por área. O aluno chega com o pré-work gravado visto e passa um sábado presencial na INTI, em Brasília, em turma de até oito médicos: primeiro a demonstração comentada, depois a execução supervisionada em paciente modelo. Para quem está comparando cursos de corpo, a lista de critérios objetivos fica em como escolher um curso de bioestimulador corporal e glúteo, e a grade completa da Pós Prática, em Cursos.
Perguntas frequentes
Quantos mL de ácido hialurônico se aplicam por lado no glúteo?
Não há número por lado fixado em bula. O volume de cada lado é definido pelo déficit de cada quadrante, pela espessura do subcutâneo, pela pele e pelo produto. Os estudos de glúteo publicam o volume quase sempre por paciente, e esse total não se divide por dois.
Posso dividir o volume total por dois para saber quanto vai em cada glúteo?
Não é o recomendável. Assimetria entre os lados é frequente, e um plano simétrico num corpo assimétrico mantém a diferença. O volume de cada lado é a soma do que cada quadrante daquele lado precisa.
Qual o volume médio de ácido hialurônico no glúteo nos estudos?
Varia muito. Por paciente, as médias foram desde cerca de 40 a 44 mL, nas séries mexicana e brasileira de 2025, até 85,1 mL na italiana de Crabai e 340 mL no estudo multicêntrico de 2014. A revisão sistemática de Mortada e colaboradores (2023) calculou média de 206,71 mL.
O lado com menos volume deve receber mais gel?
Sim, quando o déficit é de volume. A conta é feita por quadrante, e o lado mais vazio recebe mais. Reavaliar em pé no meio do procedimento e registrar o volume por quadrante e por lado permite corrigir a assimetria residual na segunda sessão.
Quanto do ácido hialurônico permanece no glúteo com o tempo?
No acompanhamento por ressonância de 2013, a fração de gel remanescente foi de 56% aos 6 meses, 36% aos 12 e 24% aos 24. Por isso o retoque se planeja pelo que restou em cada lado, e não repetindo o volume da primeira sessão.
Mais volume aumenta o risco no glúteo?
O que define a segurança é o plano e a técnica. O gel fica na gordura subcutânea. As veias glúteas calibrosas passam rente à face profunda do glúteo máximo, e o estudo de ressonância de 2020 que as mapeou descarta zona segura dentro ou abaixo do músculo. A revisão de Mortada registra, apesar da taxa modesta de complicação, desfechos graves como hemorragia alveolar difusa e morte.
Referências
- Camenisch CC, Tengvar M, Hedén P. Macrolane for volume restoration and contouring of the buttocks: magnetic resonance imaging study on localization and degradation. Plast Reconstr Surg. 2013;132(4):522e-529e. · PMID 24076699 · DOI 10.1097/PRS.0b013e31829fe47e
- De Meyere B, Mir-Mir S, Peñas J, et al. Stabilized hyaluronic acid gel for volume restoration and contouring of the buttocks: 24-month efficacy and safety. Aesthetic Plast Surg. 2014;38(2):404-412. · PMID 24464121 · DOI 10.1007/s00266-013-0251-9
- Hur JH, Cho YK, Song JK, et al. Clinical Evaluation of Hyaluronic Acid Filler for Gluteal Augmentation: A Retrospective Study. Plast Reconstr Surg Glob Open. 2026;14(7):e7962. · PMID 42517060 · DOI 10.1097/GOX.0000000000007962
- Crabai P, Campos-Martínez L, Marchetti F, et al. Evaluating the Safety and Satisfaction of HYAcorp MLF2 for Noninvasive Buttock Augmentation: A Multicenter Study. Plast Reconstr Surg Glob Open. 2025;13(1):e6415. · PMID 39839444 · DOI 10.1097/GOX.0000000000006415
- Crabai P, Marchetti F, Santacatterina F, et al. Nonsurgical Gluteal Volume Correction with Hyaluronic Acid: A Retrospective Study to Assess Long-term Safety and Efficacy. Plast Reconstr Surg Glob Open. 2024;12(5):e5792. · PMID 38726041 · DOI 10.1097/GOX.0000000000005792
- Bussade M, Faria G, Barros M, et al. Assessment of Hyaluronic Acid Filler in Gluteal Augmentation and Contouring: A 1-Year Prospective Study. J Cosmet Dermatol. 2025;24(12):e70600. · PMID 41423732 · DOI 10.1111/jocd.70600
- Iribarren-Moreno R, Pradel-Mora JJ, Marin G, et al. Hyaluronic Acid Gluteal Augmentation: New Marking and Application Technique. Plast Reconstr Surg Glob Open. 2025;13(11):e7252. · PMID 41282456 · DOI 10.1097/GOX.0000000000007252
- Robles MF. Safety and Efficacy Study of the Application of Redensified Cross-Linked Hyaluronic Acid for Filling Gluteal Volume and Cellulite Depressions. Aesthetic Plast Surg. 2024;48(6):1181-1192. · PMID 38110737 · DOI 10.1007/s00266-023-03739-8
- Santorelli A, Cerullo F, Salti G, et al. Gluteal Augmentation with Hyaluronic Acid Filler: A Retrospective Analysis Using the BODY-Q Scale. Aesthetic Plast Surg. 2023;47(3):1175-1181. · PMID 36385435 · DOI 10.1007/s00266-022-03166-1
- Lourenço LM, de Noronha MGO, Colla LA, et al. LL body contour technique - A new way of gluteal contouring and augmentation with hyaluronic acid filler. J Cosmet Dermatol. 2022;21(5):1967-1972. · PMID 35049130 · DOI 10.1111/jocd.14763
- Mortada H, Alkadi D, Saqr H, et al. Effectiveness and Role of Using Hyaluronic Acid Injections for Gluteal Augmentation: A Comprehensive Systematic Review of Techniques and Outcomes. Aesthetic Plast Surg. 2023;47(6):2719-2733. · PMID 37407710 · DOI 10.1007/s00266-023-03458-0
- Turin SY, Fracol M, Keller E, et al. Gluteal Vein Anatomy: Location, Caliber, Impact of Patient Positioning, and Implications for Fat Grafting. Aesthet Surg J. 2020;40(6):642-649. · PMID 31574144 · DOI 10.1093/asj/sjz260
- Cotofana S, Hexsel D, Avelar LE, et al. Calculating the Thickness of the Superficial Fatty Layer of the Body Using Age, Gender, and Body Mass Index. J Drugs Dermatol. 2020;19(1):36-44. · PMID 31985910 · DOI 10.36849/JDD.2020.4619
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