Bioestimulador na linha da mandíbula
Na linha da mandíbula, o bioestimulador define o contorno de dois jeitos: a hidroxiapatita de cálcio concentrada sustenta o ângulo e a borda já no dia, apoiada no osso ou logo abaixo da pele, e o ácido poli-L-láctico firma a pele da borda e da transição do jowl ao longo de semanas. Em qualquer dos dois, o mapa é o mesmo: masseter atrás, ligamento mandibular na frente e, entre eles, a incisura antegonial, onde a artéria facial cruza a borda do osso. A quantidade não vem de tabela, porque as bulas não fixam mililitros para a região; vem do exame e dos estudos que mediram o que fizeram.
O que o bioestimulador acrescenta ao contorno
O ácido hialurônico projeta; o bioestimulador projeta menos e trata o tecido que cobre o osso. Com a idade, a borda mandibular perde nitidez por três motivos que se somam: o osso recua, a gordura desce e forma o jowl e a pele afina e cede. Quando o problema é só falta de projeção — ângulo pouco marcado num paciente jovem, mento curto —, o ácido hialurônico de alta sustentação resolve, e o desenho dessa técnica está em preenchimento de mandíbula. Quando o gel escolhido é ácido hialurônico, o que a clínica do Dr. Thiago Perfeito usa na mandíbula é o Restylane Lyft — produto de rotina da casa, embora a mandíbula não conste da bula americana desse gel.
O bioestimulador entra quando há flacidez junto com a perda de definição — o retrato comum da paciente de 45 a 60 anos, em que o contorno se desfaz mais pela pele e pelo peso do terço inferior do que pela falta de osso. Nesse quadro, cada classe tem um papel:
- Hidroxiapatita de cálcio concentrada — correção imediata do ângulo e da borda, com estímulo de colágeno nos meses seguintes. A bula americana do Radiesse (+) traz a mandíbula entre as indicações.
- Ácido poli-L-láctico — sem volume imediato; firma a pele da borda e da zona de transição do jowl ao longo das sessões.
- Híbrido de ácido hialurônico com hidroxiapatita — um pouco de volume e um pouco de estímulo, em quem tem as duas queixas pequenas.
A anatomia, resumida para o bioestimulador

Três estruturas organizam a linha da mandíbula para quem injeta bioestimulador. O detalhe de cada uma, com os pontos de ácido hialurônico, está no texto de preenchimento de mandíbula; aqui entra o que muda a técnica com um produto que não se dissolve.
- Masseter, atrás. Cobre o ângulo e o ramo. O produto sobre o osso do ângulo fica abaixo dele; produto no ventre do músculo não desenha contorno. Se a largura do terço inferior vem do próprio músculo, a ferramenta é toxina, como em toxina no masseter.
- Incisura antegonial, no meio. É o entalhe da borda inferior da mandíbula, à frente da inserção do masseter, por onde os vasos faciais costumam passar. Kitagawa e colaboradores (2023, Anat Cell Biol) mostraram que o mesmo entalhe aparece na literatura como incisura pré-massetérica, antegonial ou dos vasos faciais, conforme a área. Em 18 hemifaces de cadáver, Hazani e colaboradores (2011, Aesthet Surg J) encontraram a artéria facial, em média, 3,05 cm à frente da tuberosidade massetérica, ao longo da mandíbula — cerca de um quarto da distância entre essa tuberosidade e a linha média do mento, de 11,3 cm em média —, com o ramo marginal da mandíbula do nervo facial cruzando por cima da artéria nesse ponto. O trajeto da artéria da borda até o canto do olho está em artéria facial e artéria angular.
- Ligamento mandibular, na frente. Ancora a pele ao osso na mandíbula anterior e marca o limite entre o jowl e o sulco pré-jowl. No estudo de dissecção e ultrassom de Hong e colaboradores (2026, J Craniofac Surg), que examinou as regiões dos ligamentos zigomático, mandibular e platisma-auricular, preenchedor colocado sob o SMAS junto a essas zonas de ancoragem aumentou a densidade fibrosa local e a tensão do SMAS, com elevação de contorno usando pouco volume; o resumo não especifica o produto, e os autores pedem validação clínica. O papel de cada ligamento está em ligamentos de retenção da face.

O plano de cada produto
A bula da hidroxiapatita com lidocaína autoriza dois planos na mandíbula; o ácido poli-L-láctico trabalha na derme profunda e no subcutâneo.
- Radiesse (+) (Merz). A bula americana manda injetar na mandíbula no plano subdérmico ou supraperiosteal, com fator de correção 1:1 — sem sobrecorrigir. Uma forma de usar os dois planos: depósitos pequenos sobre o osso no ângulo e fios subdérmicos na borda.
- Sculptra (Galderma) e Elleva (Rennova). A bula do Sculptra descreve derme profunda e subcutâneo, sem desenho próprio para a mandíbula; a do Elleva tem reconstituição própria, que não se copia de um para o outro. No estudo de Yen e colaboradores (2026, J Craniofac Surg), o ácido poli-L-láctico foi aplicado com cânula em quatro territórios: bochecha lateral baixa, transição da zona do ligamento mandibular, sulco pré-jowl e borda mandibular no subdérmico.
- HarmonyCa (Allergan). A página do fabricante cita os ramos ascendente e descendente da mandíbula entre as regiões injetáveis; a bula descreve derme profunda e subdérmico e não avaliou o produto diluído. O encaixe do híbrido está em HarmonyCa.
- Ellansé (Sinclair). O guia do profissional lista a linha mandibular entre as áreas de uso; os volumes que aparecem no guia são de casos ilustrados, não posologia.
Quanto produto: bula e estudo, não tabela
A bula do Radiesse (+) define plano e técnica para a mandíbula, mas não fixa volume em mililitros; no estudo que ela descreve, o retoque era permitido 4 semanas depois da aplicação inicial. A bula global da Merz recomenda ainda no máximo 10 mL por ano para indicações faciais e de mãos, dose que ela mesma admite adaptar, e pede pelo menos 4 semanas entre aplicações no mesmo local. Os números de casos de antes e depois do site do fabricante ilustram pacientes, não são posologia.
O que os estudos mostram:
- Ensaio de registro da hidroxiapatita com lidocaína. Moradi e colaboradores (2021, J Drugs Dermatol) randomizaram 2:1 pacientes com contorno moderado ou grave na escala de mandíbula da Merz, com injeção profunda, subdérmica e/ou supraperiosteal. Na 12ª semana, 75,6% dos tratados (93 de 123) melhoraram pelo menos 1 ponto, contra 8,8% do controle (5 de 57); dos que responderam na 12ª semana, 67,3% mantinham a melhora 48 semanas depois da aplicação. Quatro dos oito autores são da Merz.
- Seguimento longo do mesmo ensaio. Green e colaboradores (2024, J Cosmet Dermatol) analisaram 175 pacientes tratados: a taxa de resposta foi de 77,9%, 78,7% e 62,9% na 12ª, 24ª e 48ª semanas. O retratamento era opcional depois da 48ª semana: na 60ª, respondiam 74,6% dos que o fizeram e 43,5% dos que ficaram só com a aplicação inicial e o retoque. O estudo foi financiado pela Merz, e dois autores são funcionários da empresa.
- Face dividida. Boen e colaboradores (2022, Dermatol Surg) aplicaram, em 10 pacientes, de uma a duas seringas de hidroxiapatita com lidocaína — 3 mL no total — num lado da mandíbula, com cânula e agulha, equilibrando o outro lado um mês depois. A melhora média foi de 1,3 ponto na escala de mandíbula no dia e no 30º dia, e o lado tratado seguia melhor que o basal aos 3 meses.
- Ácido poli-L-láctico no terço inferior. No estudo de braço único de Yen e colaboradores (2026), com 80 adultos asiáticos e o ácido poli-L-láctico identificado no resumo como PLLA-SCA, as sessões foram no início e na 6ª semana, com uma terceira na 12ª só para flacidez de grau 4 ou resposta inicial fraca. Na 24ª semana, o volume do terço inferior tinha aumentado em média 1,64 mL, a descida do jowl caiu 0,96 mm, a espessura da derme mandibular aumentou 0,18 mm, e 97,5% foram classificados como bem melhores ou muito melhores na escala global de melhora estética, sem evento vascular relacionado ao tratamento. Os próprios autores lembram que o desenho sem controle não prova causalidade.

No ácido poli-L-láctico, a bula do Sculptra põe no máximo 0,1–0,2 mL em cada injeção em fios, espaçadas de 0,5 a 1 cm, e manda corrigir pouco na primeira sessão, com reavaliação não antes de 4 semanas; a reconstituição está em diluição do Sculptra. Volumes de ácido hialurônico para a mesma região estão em quanto ácido hialurônico na mandíbula e no mento e não se transferem para o bioestimulador.
Técnica, passo a passo
- Examine em três posições. De frente, de perfil e de baixo, com a paciente sentada. No apertamento dentário, o masseter que salta muda o plano do ângulo. Pince a pele da borda para medir flacidez e espessura.
- Marque o mapa antes da assepsia. Ângulo, borda, jowl, sulco pré-jowl e o ponto da incisura antegonial, pelo pulso da facial ou com Doppler. A referência de Hazani — cerca de 3 cm à frente da tuberosidade massetérica — ajuda a encontrar a região, mas a palpação do paciente à frente decide.
- Escolha as entradas para não atravessar a incisura às cegas. Uma entrada posterior, perto do ângulo, serve ao ângulo e à borda até antes da incisura; outra, anterior, serve ao pré-jowl e ao segmento à frente do vaso. A escolha de calibre e comprimento por região está em como escolher a cânula, e o lugar de cada entrada, em ponto de entrada da cânula por região.
- Use o instrumento do plano. A cânula 22G é o instrumento de cerca de 80% dos bioestimuladores que o Dr. Thiago Perfeito aplica; a aspiração prévia faz parte da conduta dele em todo bioestimulador e preenchedor, mesmo com cânula, e se prolonga quando a agulha é de 29 a 30G. Para o depósito supraperiosteal do ângulo com hidroxiapatita, agulha perpendicular até o osso, aspiração, injeção lenta.
- Deposite em fios na borda, pouco junto do vaso. Retroinjeção linear no subdérmico, em fios finos e cruzados. Perto da incisura, menos produto por fio e nenhum depósito parado.
- Molde e confira. Modelagem leve, palpação da borda inteira e foto de baixo. Sem sobrecorreção: a bula do Radiesse (+) trabalha com fator 1:1.
- Retoque com data. A partir de 4 semanas para a hidroxiapatita, o intervalo do estudo descrito na bula e o mínimo que a bula global pede no mesmo local; no ácido poli-L-láctico, na reavaliação da sessão seguinte.

Complicações e como conduzir
- Cordão visível ou palpável. Produto raso demais ou concentrado na borda de pele fina. Distribuição em fios finos e plano certo previnem; a classificação e o manejo estão em nódulos de Sculptra e em nódulos após preenchimento.
- Largura demais. Ângulo projetado para fora masculiniza a face feminina. Com bioestimulador, a correção é mais lenta que com ácido hialurônico; por isso o volume da primeira sessão fica abaixo do que o caso parece pedir.
- Evento vascular. O bioestimulador não tem enzima de resgate. Wollina e Goldman (2024, J Cutan Aesthet Surg) descrevem a degradação desses materiais por hidrólise e por enzimas osteoclásticas; o tiossulfato de sódio apressa a da hidroxiapatita, mas devagar demais para uma urgência. Young e colaboradores (2026, Aesthetic Plast Surg), ao revisar os casos publicados, registraram, para a policaprolactona, nenhum caso publicado de cegueira e um de embolia da artéria facial. Os sinais e a conduta estão em oclusão vascular, com o raciocínio que vale também para o produto que não se dissolve.
Quem não tratar agora
- Cirurgia plástica facial marcada para os 6 meses seguintes. É regra do Dr. Thiago não aplicar bioestimulador nessa janela, porque a fibrose induzida pode prejudicar o descolamento e a cicatrização.
- Largura que vem do masseter. Toxina primeiro; contorno depois.
- Jowl de gordura pesada ou excesso de pele. Bioestimulador melhora a pele, não retira tecido; peso grande no terço inferior pede avaliação cirúrgica.
- Contraindicações gerais de injetável — estão em quando não aplicar injetável.
Nenhum fabricante tem relação comercial com o Dr. Thiago Perfeito; as marcas aparecem porque publicaram bula ou estudo da região.
O contorno mandibular na Pós Prática
A linha da mandíbula aparece em dois módulos da formação do Dr. Thiago Perfeito, médico com CRM-DF 23199 e atuação em Medicina Estética e Regenerativa. O Módulo B1 trata o contorno — mandíbula, mento e ângulo goníaco — com ácido hialurônico de alta sustentação e hidroxiapatita de cálcio; o Módulo B2 lê o bioestimulador pela face em terços, com planos indicados e planos a evitar. Os dois seguem o mesmo formato: pré-work gravado obrigatório e um sábado presencial na INTI, no Lago Sul, em Brasília, para até oito médicos, em que a demonstração comentada fecha a parte teórica e a prática é feita pelo aluno, supervisionado, em paciente modelo. Os módulos estão em /cursos/; a Biblioteca técnica, em /cursos/blog/.
Perguntas frequentes
Bioestimulador na mandíbula é indicação de bula?
Para a hidroxiapatita com lidocaína, sim: a bula americana do Radiesse (+) traz a mandíbula, com injeção subdérmica ou supraperiosteal e fator de correção 1:1. Para o ácido poli-L-láctico, a técnica na região vem de estudo clínico.
Quantos mL de Radiesse na linha da mandíbula?
A bula não fixa volume em mL para a mandíbula. No estudo de face dividida de Boen e colaboradores (2022), cada lado tratado recebeu de uma a duas seringas, 3 mL no total. A bula global recomenda no máximo 10 mL por ano para indicações faciais e de mãos.
Onde a artéria facial cruza a mandíbula?
Na incisura antegonial, à frente do masseter. Em cadáver, Hazani e colaboradores (2011) a encontraram em média 3,05 cm à frente da tuberosidade massetérica, com o ramo marginal da mandíbula passando por cima dela.
Sculptra define a mandíbula?
Ele firma a pele da borda e da transição do jowl, sem volume imediato. No estudo de Yen e colaboradores (2026), o volume do terço inferior subiu em média 1,64 mL e a descida do jowl caiu 0,96 mm na 24ª semana, em estudo sem grupo controle.
Quanto tempo dura o Radiesse na mandíbula?
No seguimento de Green e colaboradores (2024), financiado pela Merz, 62,9% ainda respondiam na 48ª semana. Na 60ª, respondiam 74,6% dos retratados e 43,5% de quem não fez retratamento.
Qual cânula usar no contorno mandibular com bioestimulador?
Cânula de ponta romba para os fios da borda e agulha para o depósito sobre o osso do ângulo. O Dr. Thiago Perfeito usa a 22G em cerca de 80% dos bioestimuladores que aplica e aspira antes de cada injeção.
Quando fazer o retoque do Radiesse na mandíbula?
No estudo descrito na bula do Radiesse (+), o retoque era permitido 4 semanas depois da aplicação inicial, e a bula global pede o mesmo intervalo mínimo entre aplicações no mesmo local.
Referências
- Moradi A, Green J, Cohen J, Joseph J, Dakovic R, Odena G, Verma A, Scher R. Effectiveness and Safety of Calcium Hydroxylapatite With Lidocaine for Improving Jawline Contour. J Drugs Dermatol. 2021;20(11):1231-1238. · PMID 34784131 · DOI 10.36849/jdd.6442
- Green JB, Del Campo R, Durkin AJ, Funt DK, Nasrallah N, Martinez K, Moradi A. Long-term duration and safety of Radiesse (+) for the treatment of jawline. J Cosmet Dermatol. 2024;23(10):3202-3209. · PMID 38934231 · DOI 10.1111/jocd.16436
- Boen M, Alhaddad M, Goldman MP, Kollipara R, Hoss E, Wu DC. A Randomized, Evaluator-Blind, Split-Face Study Evaluating the Safety and Efficacy of Calcium Hydroxylapatite for Jawline Augmentation. Dermatol Surg. 2022;48(1):76-81. · PMID 33731569 · DOI 10.1097/DSS.0000000000002582
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- Kitagawa N, Fukino K, Matsushita Y, Ibaragi S, Tubbs RS, Iwanaga J. The notch of the mandible: what do different fields call it? Anat Cell Biol. 2023;56(3):308-312. · PMID 37106571 · DOI 10.5115/acb.23.022
- Hong GW, Swift A, Corrêa MC, Liang BC, Yi KH. How Does Injecting Filler Into Facial Ligaments Result in Facial Lifting? J Craniofac Surg. 2026. · PMID 41532639 · DOI 10.1097/SCS.0000000000012336
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- Young SM, Goh ASC, Jeyabal P, Ooi ASH. Visual Loss in Biostimulator Injectables: A Review of Incidence, Risk Factors, Etiology and Management Proposal. Aesthetic Plast Surg. 2026;50(5):1994-2005. · PMID 41263987 · DOI 10.1007/s00266-025-05418-2
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