Preenchimento de pescoço com ácido hialurônico
No pescoço, o preenchedor de ácido hialurônico tem um alvo estreito: o sulco horizontal que ficou gravado na pele e não some quando a paciente estende o pescoço. Ele não trata banda de platisma, papada nem pele que sobra. Dentro desse alvo, os estudos mostram melhora consistente: uma metanálise de 11 estudos e 379 pacientes encontrou ganho médio de 1,75 ponto na escala global de melhora estética, com complicações leves e passageiras em 14% e retratamento em metade dos casos dentro de 12 meses. O que decide o resultado é escolher o pescoço certo, um gel macio, depósitos pequenos no plano dérmico e respeito às veias superficiais da região.
Qual pescoço é caso de preenchedor
A paciente chega dizendo "meu pescoço envelheceu", e essa frase reúne problemas diferentes. Antes de abrir a seringa, vale separar o que é sulco, o que é músculo e o que é sustentação:
- Sulco horizontal fixo. A linha continua marcada com o pescoço em posição neutra e mesmo com leve extensão; ao esticar a pele entre dois dedos, ela aparece como um vinco com fundo. É o caso típico do preenchedor.
- Linha só dinâmica. Aparece na flexão e na fala, some em repouso. Responde melhor à toxina aplicada de forma superficial; a técnica está em toxina nas linhas do pescoço.
- Bandas verticais. São as bordas mediais do platisma. O tratamento é toxina, como em toxina no platisma.
- Pele fina, opaca, de textura crepe. O problema está na qualidade da derme, e o caminho é o skinbooster no pescoço e colo ou o bioestimulador no pescoço.
- Flacidez com excesso de pele ou papada. Preencher sulco num pescoço que cede só deixa o gel visível. Essa paciente precisa de outra conversa.
Para registrar o ponto de partida, os ensaios usam escalas próprias do pescoço. A Allergan Transverse Neck Lines Scale (ATNLS) apareceu em vários dos estudos citados aqui; o ensaio tailandês de Rongthong usou a Horizontal Neck Wrinkle Severity Scale. Fotografar sempre na mesma posição de cabeça e de luz é o que permite comparar a sessão seguinte com a primeira.
Anatomia: pele fina, platisma raso e veias logo abaixo
Três fatos de anatomia mudam a técnica em relação ao rosto. A derme do pescoço é fina, então o gel depositado raso demais aparece como relevo ou como reflexo azulado. O platisma fica logo abaixo do subcutâneo delgado, e o sulco horizontal se forma justamente na dobra repetida da pele sobre ele. E o pescoço anterior é atravessado por veias superficiais calibrosas.

O mapa venoso mais útil para quem injeta no pescoço vem de um estudo de dissecção. Lee e colaboradores (2019, Dermatol Surg) dissecaram 30 lados de pescoço de cadáveres coreanos para localizar a veia jugular anterior, a jugular externa e a veia comunicante entre elas. Encontraram quatro padrões: em um terço dos lados, a veia comunicante corria junto à borda anterior do esternocleidomastóideo; em 23,3%, uma única veia ligava a comunicante à jugular externa na altura da proeminência laríngea; em 13,3%, a comunicante corria medialmente à borda do músculo; e em 30% ela não existia, restando a jugular externa e a anterior. A recomendação dos autores é redobrar a cautela a cerca de 10, 30 e 60 mm da linha média, de cada lado.
Na prática, as veias superficiais do pescoço pedem cuidado com equimose e hematoma. O raciocínio vascular é o mesmo da face, e quem injeta precisa conhecer os sinais de comprometimento descritos em anatomia vascular da face para injetáveis. Com preenchedor, o Dr. Thiago aspira sempre antes de depositar, e por mais tempo quando o calibre é fino.
Que gel e o que as bulas dizem
O sulco do pescoço pede um gel que se acomode na derme fina sem formar cordão. Os estudos que nomeiam o produto usaram géis macios, o Belotero Balance e o VYC-12, e não os géis de alta sustentação feitos para mandíbula e mento. A lógica de escolha por G′ e coesividade está em reologia do ácido hialurônico.
Um ponto que o injetor precisa saber antes de prometer número: nas bulas de preenchedor reticulado reunidas para esta Biblioteca, o pescoço não aparece como indicação nem tem volume declarado. Para as linhas da face, a bula europeia do Belotero Balance Lidocaine declara injeção na derme superficial a média, admite a técnica de blanching e pede intervalo mínimo de 2 semanas entre tratamentos na mesma região; o pescoço não está na lista. A bula americana do Belotero Balance (+) pede correção só até 100% do volume desejado, sem sobrecorreção. São referências de princípio. Os números de volume para o pescoço vêm dos estudos, e cada um vale para o produto e o protocolo que usou.
No capítulo dos skinboosters a situação é outra: o fabricante do SKINVIVE, o skinbooster usado pelo Dr. Thiago, declara o pescoço entre as áreas de uso. O skinbooster é desenhado para qualidade de pele, e no pescoço o estudo de Renga e Ryder, descrito abaixo, usou justamente um gel dessa família, o Volite, com melhora das linhas. O SKINVIVE é outro produto, de mesma finalidade, com dados próprios. Esta página trata dos géis de ácido hialurônico aplicados no sulco, organizados por indicação e não por marca. O Dr. Thiago não tem relação comercial com nenhum fabricante.
Técnica: agulha fina, depósitos pequenos, plano dérmico
Os estudos publicados usaram dois caminhos, e os dois funcionam quando o plano está certo.

Agulha fina, ponto a ponto ao longo do sulco. Lee e Kim (2018, J Cosmet Dermatol) revisaram 28 hemipescoços de 14 pacientes de fototipos IV e V tratados em sessão única com seringa de insulina de 0,3 mL e agulha 31G de 8 mm. Compararam duas técnicas: a retroinjeção linear ao longo da linha e a que os autores chamam de técnica vertical. O volume médio foi de 1,01 mL por lado. Aos 2 meses, a nota de melhora estética foi 4,27 com a técnica vertical e 3,60 com a linear (p = 0,027). Irregularidade de pele e acentuação das linhas apareceram, mas foram passageiras.
Cânula de ponta romba na derme profunda. Rongthong e colaboradores (2023, J Cosmet Dermatol) trataram 30 pacientes, homens e mulheres de 20 a 69 anos, com Belotero Balance aplicado por cânula na derme profunda, cerca de 3 mL para toda a área tratada, numa única sessão. O pico de melhora foi no primeiro mês, houve queda significativa aos 3 meses e o resultado se manteve até os 6 meses. Houve um caso de equimose.
Desses dados e das bulas sai um roteiro de princípio:
- Marcar o sulco com o pescoço em posição neutra, porque é nela que a linha precisa desaparecer.
- Antissepsia da pele como em qualquer preenchimento, detalhada em assepsia no preenchimento.
- Entrar na derme, não abaixo dela. Gel no subcutâneo do pescoço não sustenta o fundo do sulco e fica mais perto das veias.
- Depósitos pequenos e distribuídos, sem bolus. Volume grande num ponto vira cordão ou nódulo visível na pele fina.
- Aspirar antes de cada depósito, como conduta do preenchedor.
- Corrigir até 100%, não além. A sobrecorreção no pescoço não se esconde.
- Moldar com leveza e reavaliar com o pescoço em repouso antes de liberar a paciente.
A escolha entre agulha e cânula segue os critérios gerais de cânula ou agulha no preenchimento, e as técnicas de depósito estão em técnicas de injeção.

O que esperar: resposta, duração e repetição
A revisão sistemática de Wong e colaboradores (2026, Aesthet Surg J Open Forum) reuniu 11 estudos com 379 pacientes. A melhora média na escala global de melhora estética foi de 1,75 ponto, e a nota das rugas melhorou em média 1,43 ponto. As medidas instrumentais também mostraram ganho de hidratação, elasticidade e estrutura da derme. A taxa agrupada de retratamento em 12 meses foi de 50%, e a de complicações, 14%, todas leves e passageiras. Os autores classificam a evidência como nível 4.
Um dos estudos dessa base mostra o comportamento ao longo do tempo. Renga e Ryder (2022, Dermatol Surg) trataram 50 mulheres, com idade média de 55 anos, com o VYC-12 (Volite), skinbooster de ácido hialurônico de baixa coesividade da linha Juvéderm, cerca de 1 mL por paciente. As 8 pacientes com o grau mais alto da escala receberam o gel associado a ultrassom microfocado. No primeiro mês, 92% melhoraram ao menos um grau na ATNLS, e a nota média caiu de 2,64 para 1,44. Aplicações repetidas a cada 9 a 12 meses trouxeram melhora progressiva, e não houve evento adverso ligado ao tratamento. O resumo não informa financiamento; o segundo autor é afiliado à Biological Communications Limited, de Londres.
Somando os dados, a conversa honesta com a paciente é esta: o pico vem no primeiro mês, parte do efeito cede nos meses seguintes e o pescoço costuma pedir manutenção dentro de um ano.
Subcisão associada ao ácido hialurônico
Ni e colaboradores (2025, J Cosmet Dermatol) randomizaram 30 mulheres com ATNLS 3 ou 4 em três grupos: subcisão com agulha-bisturi, ácido hialurônico e as duas técnicas juntas, uma vez por mês durante 3 meses. Todos os grupos melhoraram. Aos 6 meses, o grupo combinado teve mais pacientes com resultado benéfico e ganho significativo de elasticidade e de colágeno. Como raciocínio clínico, o sulco em que a pele parece presa ao plano de baixo é o candidato natural à associação.
Complicações próprias do pescoço
- Equimose e hematoma. As veias superficiais do pescoço pedem cuidado: compressão imediata e cautela redobrada nas faixas descritas por Lee e colaboradores. Entre os estudos clínicos citados, Rongthong e colaboradores registraram um caso de equimose.
- Relevo, cordão e acentuação da linha. Vêm de gel raso ou de volume grande num ponto; no estudo coreano, foram passageiros. Quando persistem, o raciocínio segue nódulos após preenchimento.
- Reflexo azulado. Na pele fina do pescoço, gel superficial pode mostrar o efeito Tyndall; diagnóstico e conduta em efeito Tyndall.
- Comprometimento vascular. Dor desproporcional, palidez ou livedo pedem interrupção imediata e o protocolo de oclusão vascular por ácido hialurônico. As doses de hialuronidase estão em dose de hialuronidase por cenário.
Combinar com toxina, skinbooster e aparelhos
O pescoço raramente se resolve com uma ferramenta só. O plano costuma juntar a toxina para a parte dinâmica e as bandas, o preenchedor para os sulcos gravados e um tratamento de qualidade de pele para a derme fina. A sequência mais simples é tratar primeiro o componente muscular e reavaliar quais sulcos continuam marcados em repouso, porque é neles que o gel rende.
Quando o plano inclui aparelho de energia, como ultrassom microfocado ou radiofrequência microagulhada, o Dr. Thiago separa a sessão do aparelho e a do preenchedor por 2 a 4 semanas. Para pescoço com flacidez de verdade, as opções de tecnologia e de fio estão em Morpheus8 na papada e no pescoço e em fios no pescoço e papada.
Quem não tratar agora
- Pescoço em que o problema dominante é pele sobrando, papada ou banda: o sulco preenchido vai continuar dentro de um pescoço que cede.
- Infecção ou inflamação ativa da pele na área.
- Paciente que espera o pescoço liso de uma vez: o ganho médio dos estudos é de um a dois graus na escala, com manutenção.
- Histórico de nódulo ou reação tardia a preenchedor ainda sem diagnóstico.
Onde isso se treina
Preencher o pescoço é exercício de controle fino: sentir a agulha na derme fina, depositar quantidades pequenas e saber onde passam as veias antes de entrar. Na Pós Prática do Dr. Thiago Perfeito, médico, CRM-DF 23199, Medicina Estética e Regenerativa, a base disso está no Módulo B1, com reologia do ácido hialurônico, segurança vascular, Tyndall e nódulo, além da toxina na plataforma cervical. O Módulo B2 cobre bioestimulador no pescoço e skinboosters. Cada módulo tem pré-work gravado e um sábado presencial em Brasília, com demonstração comentada na parte teórica e execução supervisionada pelo aluno em paciente modelo, para turmas de até oito médicos.
Síntese
O preenchedor no pescoço resolve o sulco horizontal gravado na pele e pouco mais. Quem acerta separa o sulco da banda e da flacidez, escolhe gel macio, deposita pouco por ponto no plano dérmico, aspira, respeita as faixas venosas e corrige só até o necessário. Os estudos mostram ganho real com efeitos leves, mas também mostram que o resultado cede e que metade dos pacientes volta dentro de um ano. Planejar a manutenção faz parte do tratamento.
Perguntas frequentes
Preenchedor de ácido hialurônico funciona nas linhas do pescoço?
Funciona no sulco horizontal fixo. A metanálise de Wong e colaboradores (2026), com 11 estudos e 379 pacientes, mostrou melhora média de 1,75 ponto na escala global de melhora estética, com complicações leves e passageiras em 14%. Linha só dinâmica e banda de platisma respondem melhor à toxina.
Em que plano se injeta o ácido hialurônico no pescoço?
Na derme. Os estudos usaram agulha fina com depósitos ao longo do sulco ou cânula na derme profunda. Gel no subcutâneo não sustenta o fundo do sulco, e gel muito raso aparece como relevo ou reflexo azulado.
Quanto ácido hialurônico se usa no pescoço?
Nas bulas de preenchedor reticulado reunidas para esta Biblioteca, o pescoço não tem volume declarado; os números vêm dos estudos. Lee e Kim (2018) usaram em média 1,01 mL por lado com agulha 31G; Renga e Ryder (2022), cerca de 1 mL por paciente; Rongthong e colaboradores (2023), cerca de 3 mL para toda a área com cânula. Cada número vale para o produto e o protocolo do estudo.
Agulha ou cânula no pescoço?
As duas funcionam quando o plano está certo. No estudo coreano com agulha 31G, a técnica vertical teve nota de melhora maior que a linear. No estudo tailandês, a cânula na derme profunda teve um único caso de equimose.
Quanto tempo dura o preenchimento das linhas do pescoço?
O pico vem no primeiro mês e parte do efeito cede depois. Rongthong e colaboradores viram queda aos 3 meses com manutenção até os 6; Renga e Ryder repetiram as aplicações a cada 9 a 12 meses, com melhora progressiva. Na metanálise, metade dos pacientes foi retratada em até 12 meses.
Quais riscos pedem mais atenção no pescoço?
As veias superficiais do pescoço pedem cuidado com equimose e hematoma. Um estudo de dissecção recomenda cautela a cerca de 10, 30 e 60 mm da linha média, onde passam a jugular anterior, a jugular externa e a veia comunicante. Nos estudos clínicos, Lee e Kim registraram irregularidade de pele e acentuação das linhas, passageiras, e Rongthong e colaboradores, um caso de equimose. O protocolo de comprometimento vascular precisa estar pronto como em qualquer preenchimento.
Dá para associar subcisão ao preenchedor no pescoço?
No ensaio de Ni e colaboradores (2025), em 30 mulheres com sulcos de grau 3 e 4 na ATNLS, subcisão e ácido hialurônico juntos deram mais pacientes com resultado benéfico aos 6 meses do que cada técnica isolada, além de maior ganho de elasticidade e colágeno.
Referências
- Wong ZY, Limbu S, Karanasios G, Monks F, Faderani R, Kanapathy M, Mosahebi A. Efficacy and Safety of Hyaluronic Acid Fillers for Horizontal Neck Lines: A Systematic Review and Meta-Analysis. Aesthet Surg J Open Forum. 2026;8:ojaf163. · PMID 41560960 · DOI 10.1093/asjof/ojaf163
- Renga M, Ryder TJ. Treatment of Horizontal Wrinkles of the Neck Using a Hyaluronic Acid Filler: Results From a Prospective Study. Dermatol Surg. 2022;48(3):322-326. · PMID 35093965 · DOI 10.1097/DSS.0000000000003310
- Rongthong A, Wanitphakdeedecha R, Maiprasert M, et al. Efficacy and safety of hyaluronic acid filler on the treatment of horizontal neck lines. J Cosmet Dermatol. 2023;22(2):433-438. · PMID 36575878 · DOI 10.1111/jocd.15539
- Lee SK, Kim HS. Correction of horizontal neck lines: Our preliminary experience with hyaluronic acid fillers. J Cosmet Dermatol. 2018;17(4):590-595. · PMID 28726351 · DOI 10.1111/jocd.12382
- Lee HJ, Ryu SY, Cong L, et al. Anatomy of the Superficial Venous Structures of the Neck: A Cadaveric Study to Guide Superficial Injections. Dermatol Surg. 2019;45(2):203-209. · PMID 30286001 · DOI 10.1097/DSS.0000000000001655
- Ni T, Ren F, Zhang T, Hua D, Chen G, Chen H. Evaluating the Efficacy of Acupotomy Subcision and Hyaluronic Acid Injections for Neck Wrinkles: A Randomized Trial. J Cosmet Dermatol. 2025;24(5):e70214. · PMID 40296541 · DOI 10.1111/jocd.70214
Pós Prática em Medicina Estética Avançada
Formação médico-exclusiva: anatomia, ultrassom, complicações e prática supervisionada — sem atalhos.
Conhecer a formação →