Preenchimento de queixo e mandíbula em homens
No homem, o preenchimento de queixo e mandíbula serve para reforçar o que o esqueleto masculino já tem: face inferior mais larga, ramo alto, ângulo nítido e mento quadrado, largo na base. A técnica é a mesma das páginas de mandíbula e mento; o que muda é o alvo. Gel no ângulo para marcar o vértice e a largura bigonial, mento trabalhado nas laterais e na altura antes da ponta, e cuidado para não levar volume ao malar lateral nem afinar o masseter que dá largura ao rosto.
Este texto trata do planejamento masculino: proporções, alvos e erros que feminizam. Pontos, planos e instrumento estão em preenchimento de mandíbula: pontos, produto e técnica e em preenchimento de mento: projeção, altura e técnica; os volumes de bula, em quanto ácido hialurônico na mandíbula e no mento.
O que o esqueleto masculino tem de diferente
As medidas de tomografia dão número ao que o olho percebe. Lin e colaboradores (2026, J Oral Maxillofac Surg) compararam 50 adultos com face sem alteração, metade homens. Nos homens, a distância entre os tragos foi de 159,5 mm contra 148,2 mm nas mulheres, e a distância entre os ângulos goníacos, de 97,2 mm contra 89,5 mm. Os ângulos também diferiram: o goníaco ficou em 125,0° nos homens e 129,8° nas mulheres, e o ângulo do mento, em 136,8° e 148,0°. Os autores resumem: mandíbula mais larga e ângulos mais agudos no homem.
Rames e colaboradores (2024, Aesthetic Plast Surg), com modelos estatísticos de forma montados a partir de 98 tomografias de adultos jovens (45 homens), confirmaram a mandíbula masculina mais larga entre os ângulos e entre os côndilos, com ramo mais alto e corpo mais longo. Num ponto, porém, o resultado foi outro: a medida do ângulo goníaco não diferiu entre os sexos. O que separou os grupos foi o desenho. O mento masculino saiu mais quadrado, com mais projeção lateral e menos projeção anterior, e a mandíbula feminina mostrou uma transição mais suave no ângulo.
Os dois estudos concordam na largura, na altura do ramo e no mento quadrado; discordam no valor do ângulo. Para o planejamento, a leitura que sobra é prática: no homem, o ângulo se marca pela nitidez do vértice e pela largura, mais do que por um número de graus.

Do número ao alvo de tratamento
Yanes e Keaney (2022, Clin Dermatol), em revisão sobre injetáveis em homens, colocam o objetivo de forma direta: o preenchedor deve acentuar o formato ideal da face masculina, que inclui a mandíbula quadrada e a projeção da bochecha mais inferior e medial. Na prática do consultório, isso aparece nos registros. Wang e colaboradores (2021, J Cosmet Dermatol) compararam 100 homens e 100 mulheres pareados por idade: os homens receberam mais preenchimento na mandíbula, as mulheres mais em lábio e região perioral, e a bochecha masculina foi tratada em pontos mais inferiores e mediais.
Com esses dados, o plano masculino se escreve em quatro alvos:
- Vértice do ângulo. Ângulo nítido, sem a transição arredondada que os modelos de Rames associaram à mandíbula feminina.
- Largura bigonial. O guia de ultrassom de Vasconcelos-Berg e colaboradores (2025, Diagnostics) descreve o bolus no ângulo, sobre o osso, justamente para aumentar a largura bigonial, efeito procurado em procedimentos de masculinização facial. A primeira autora é palestrante da Galderma; uma coautora tem bolsa de pesquisa da Merz.
- Altura do ramo e borda horizontal. Ramo curto e borda inclinada encurtam o terço inferior; a borda masculina corre mais reta do ângulo ao mento.
- Mento largo e quadrado. No homem, as laterais do mento e a altura vêm antes da ponta. Projeção só no pogônio, sem largura, desenha um queixo pontudo.

Análise masculina antes da seringa
A avaliação do homem pede algumas leituras que, na mulher, pesam menos:
- Largura da mandíbula em relação ao terço médio. Compare a distância entre os ângulos com a largura das maçãs. Mandíbula estreita sob um terço médio largo deixa o rosto afinando para baixo, longe da mandíbula quadrada que Yanes e Keaney descrevem como alvo masculino.
- Nitidez do ângulo, de frente e de perfil. Palpe o vértice e veja a sombra que ele faz com luz lateral. Ângulo apagado é o primeiro alvo.
- Mento de frente, não só de perfil. No perfil se mede projeção; de frente se mede largura e altura, que são o que mais masculiniza.
- Masseter em contração. Peça para o paciente cerrar os dentes. Parte da largura do terço inferior masculino é músculo, e ela entra no desenho final.
- Barba e pele. A barba esconde a borda e o mento nas fotos e na mesa; marque com o paciente barbeado ou com a barba afastada, e prepare a pele de toda a área por onde a cânula vai passar.
A ordem do plano segue o mesmo raciocínio do sexo feminino, com outro peso em cada etapa: mento, quando ele limita o perfil; ângulo, para a largura e o vértice; borda, para ligar os dois numa linha reta.
O que feminiza o rosto do homem
Os erros mais comuns no homem não são de técnica: são de alvo.
- Volume no malar lateral. Kempa e colaboradores (2025, J Plast Reconstr Aesthet Surg) alteraram digitalmente regiões da face e pediram a 50 voluntários que avaliassem as fotos, com rastreamento do olhar. Acentuar o arco zigomático reduziu a atratividade e a masculinidade, sobretudo nos rostos masculinos, e aumentou levemente a feminilidade. No homem, o terço médio entra com volume baixo e mais medial, como descrevem Yanes e Keaney.
- Queixo pontudo. Gel só no pogônio projeta sem alargar. O desenho masculino pede base larga.
- Ângulo arredondado. Volume espalhado sobre o ângulo, em vez de concentrado no vértice, suaviza a transição que se queria marcar.
- Excesso. Mandíbula larga demais para o crânio, ou mento que avança além do nariz, deixam o rosto pesado. O quadro está em síndrome da face sobrepreenchida.
Masseter: largura que o homem quer manter
No terço inferior masculino, o masseter faz parte do contorno. A toxina no músculo afina o rosto, e isso, na mulher, costuma ser o objetivo; no homem, pode tirar justamente a largura que o preenchedor viria reforçar. No homem, a toxina no masseter entra quando há indicação própria, como bruxismo ou assimetria, e o afinamento que ela produz se conversa antes. Indicação e acompanhamento estão em botox para bruxismo, e o planejamento de toxina no rosto masculino, em botox em homens.

O que os estudos mostram em homens
No ensaio do Juvéderm Volux XC na mandíbula, os homens foram minoria, e a leitura por sexo vem de subanálise. Burgess e colaboradores (2024, Aesthet Surg J) reanalisaram o ensaio randomizado do Juvéderm Volux XC (VYC-25L) na mandíbula por fototipo, sexo e idade: os resultados foram semelhantes entre os subgrupos, com incidência numericamente maior de reações no local da injeção nas mulheres do que nos homens. Os próprios autores ponderam que o grupo masculino, menor, pode ter influenciado essas diferenças. O estudo foi financiado pela Allergan Aesthetics, e dois dos autores são funcionários da AbbVie.
O dado útil para o consultório é duplo: o gel de alta sustentação funciona no homem como na mulher, e o número de bula, estudado sobretudo em mulheres, não muda de teto por causa do sexo. No Volux XC, o registro americano não estudou volumes acima de 9 mL na mandíbula; mandíbula mais larga não autoriza passar desse teto.
Produto e volume no paciente masculino
A pele mais espessa e a força de mastigação pedem o gel mais firme do portfólio, com pouca tendência a espalhar; o raciocínio está em reologia do ácido hialurônico. Na rotina da clínica, a mandíbula do Dr. Thiago Perfeito recebe Restylane Lyft; é o produto em uso na casa, e a bula americana dele não traz a mandíbula entre as indicações. Qualquer marca entra pela indicação, não por preferência.
O volume do homem tende a acompanhar a área maior, mas o plano continua o das bulas: começar abaixo do total previsto, retocar depois que o edema assenta e manter com menos. Em rosto masculino largo, priorizar o ângulo e o mento na primeira sessão e completar a borda no retoque costuma resolver melhor do que tentar tudo de uma vez.
Sem vínculo: nenhum fabricante de preenchedor, incluindo Galderma e Allergan Aesthetics/AbbVie, mantém relação comercial com o Dr. Thiago Perfeito. Os nomes de produto aparecem só para mostrar o critério.
Segurança: o que não muda com o sexo
A anatomia de risco não tem sexo. A artéria facial sobe sobre o osso logo adiante do masseter, e o mento recebe ramos da artéria mentual e da labial inferior, no homem como na mulher; o gel que alarga a base do mento masculino trabalha perto desses ramos. Com preenchedor, o Dr. Thiago aspira antes de todo depósito, esperando mais quando o calibre é fino, e trata esse gesto como uma camada de proteção ao lado do plano certo e da pressão baixa. O mapa vascular está em anatomia vascular da face para injetáveis; os sinais e o protocolo, em oclusão vascular por ácido hialurônico, com as doses em dose de hialuronidase por cenário.
Contorno masculino na Pós Prática
Ler um rosto masculino e decidir para onde o gel aponta é conteúdo do bloco de contorno do módulo B1 · Toxina e Preenchimento Essencial, na Pós Prática do Dr. Thiago Perfeito (médico, CRM-DF 23199, Medicina Estética e Regenerativa), que separa a abordagem do homem da abordagem da mulher. A base teórica chega antes, no pré-work gravado. No sábado em Brasília, a teoria é a demonstração comentada e a prática é cada aluno injetando em paciente modelo, sob supervisão, com no máximo oito médicos por turma. Detalhes em módulo B1.
Síntese
O homem tem mandíbula mais larga, ramo mais alto e mento mais quadrado; o valor do ângulo varia entre estudos, mas a nitidez do vértice é sempre masculina. O preenchedor reforça esses traços: ângulo e largura bigonial, borda reta, mento largo na base. O que feminiza é malar lateral, queixo pontudo, ângulo arredondado e masseter afinado sem necessidade. Técnica e volume seguem as mesmas páginas da Biblioteca; o que muda é para onde o gel aponta. Mais textos na Biblioteca.
Perguntas frequentes
O preenchimento de mandíbula no homem é diferente do da mulher?
A técnica é a mesma; o alvo muda. No homem, o gel marca o vértice do ângulo, aumenta a largura bigonial e alarga a base do mento. Na mulher, o ângulo costuma ficar mais suave e o mento, mais estreito.
O ângulo da mandíbula do homem é mais fechado?
Depende do estudo. Lin e colaboradores (2026) mediram ângulo goníaco de 125,0° nos homens e 129,8° nas mulheres; Rames e colaboradores (2024) não encontraram diferença no ângulo, mas sim mandíbula mais larga, ramo mais alto e mento mais quadrado no homem.
O que deixa o rosto do homem feminino depois do preenchimento?
Volume no malar lateral, queixo pontudo e ângulo arredondado. Num estudo com rastreamento do olhar, acentuar o arco zigomático reduziu a masculinidade percebida dos rostos masculinos (Kempa et al., 2025).
Posso aplicar toxina no masseter do homem junto com o preenchimento?
Pode, com indicação clara. No homem, o masseter faz parte da largura do terço inferior. A toxina entra quando há indicação própria, como bruxismo ou assimetria, e o afinamento que ela produz se conversa antes.
O homem precisa de mais ácido hialurônico na mandíbula?
A área é maior, mas o teto da bula não muda. O registro do Juvéderm Volux XC não estudou volumes acima de 9 mL na mandíbula. Dividir em sessão inicial e retoque costuma ser o caminho.
Qual gel usar no queixo e na mandíbula do homem?
Gel firme, de elasticidade alta, que não se espalha com a mastigação. Na rotina do Dr. Thiago, a mandíbula recebe Restylane Lyft, sem vínculo comercial com a Galderma; a marca se escolhe pela indicação.
Referências
- Lin E, Khoury H, Russel SM, Wetherill R, Desai S, Fisher EL, Frank-Ito DO. A Quantitative Analysis of Sex-Related Differences of the Lower Facial Third. J Oral Maxillofac Surg. 2026 (online ahead of print) · PMID 42697534 · DOI 10.1016/j.joms.2026.08.010
- Rames JD, Hussein SM, Shehab AA, Pazelli AM, Sears VA, Wentworth AJ, et al. Mandibular Gender Dimorphism: The Utility of Artificial Intelligence and Statistical Shape Modeling in Skeletal Facial Analysis. Aesthetic Plast Surg. 2024;48(21):4272-4279 · PMID 39187587 · DOI 10.1007/s00266-024-04300-x
- Yanes DA, Keaney TC. Refining male injectables in aesthetics. Clin Dermatol. 2022;40(3):256-258 · PMID 34838660 · DOI 10.1016/j.clindermatol.2021.11.008
- Wang JV, Valiga A, Albornoz CA, Geronemus RG. Comparison of injectable filler locations in men and women: An age-matched case analysis. J Cosmet Dermatol. 2021;20(8):2469-2471 · PMID 34129719 · DOI 10.1111/jocd.14293
- Kempa J, Kasielska-Trojan A, Antoszewski B, Rohrich RJ, Lim TS, Cotofana MV, et al. Measuring the effects of facial regional changes following excessive aesthetic treatments: a survey and eye-tracking-based investigation. J Plast Reconstr Aesthet Surg. 2025;105:270-280 · PMID 40318363 · DOI 10.1016/j.bjps.2025.04.027
- Burgess C, Dayan S, Bank D, Weinkle S, Sartor M, Chawla S, Keaney T. Hyaluronic Acid Filler VYC-25L for Jawline Restoration Yields High Satisfaction, Improved Jawline Measurements, and Sustained Effectiveness Across Skin Types, Age, and Gender for up to 12 Months. Aesthet Surg J. 2024;45(1):98-107 · PMID 39141784 · DOI 10.1093/asj/sjae172
- Vasconcelos-Berg R, Desyatnikova S, Bonavia P, Navarini A, Chammas MC, Sigrist R. Best Practices for the Use of High-Frequency Ultrasound to Guide Esthetic Filler Injections-Part 3: Lower Third of the Face. Diagnostics (Basel). 2025;15(7):921 · PMID 40218271 · DOI 10.3390/diagnostics15070921
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