Quantas unidades de botox na testa, glabela e pés de galinha segundo a bula
Pelas bulas americanas, a glabela recebe 20 U de Botox Cosmetic, 50 U de Dysport ou 20 U de Xeomin; os pés de galinha, 24 U (12 U por lado) de Botox Cosmetic ou de Xeomin; e a testa, 20 U de Botox Cosmetic ou de Xeomin, sempre somadas às 20 U da glabela. O Dysport, nos Estados Unidos, só tem indicação estética para a glabela. Esses números valem cada um para o seu produto: as três bulas declaram que as unidades não são intercambiáveis entre marcas. No consultório brasileiro, quem manda é a bula do frasco que está na sua bancada — os números abaixo são o mapa de partida, não um atalho para pular a leitura dela.
A tabela das três bulas, área por área
As linhas abaixo saem das Prescribing Information americanas do Botox Cosmetic (onabotulinumtoxinA, Allergan/AbbVie), do Dysport (abobotulinumtoxinA, fabricado pela Ipsen) e do Xeomin (incobotulinumtoxinA, Merz). Cada célula é a dose daquele produto — ler a tabela na horizontal, como se fosse uma equivalência, é o erro que a própria bula proíbe.
| Área | Botox Cosmetic | Dysport | Xeomin |
|---|---|---|---|
| Glabela (2 pontos em cada corrugador + 1 no prócero) | 4 U por ponto × 5 = 20 U (0,5 mL) | 10 U por ponto × 5 = 50 U | 4 U por ponto × 5 = 20 U (dose máxima recomendada) |
| Pés de galinha (orbicular lateral, 3 pontos por lado) | 4 U por ponto × 6 = 24 U (12 U por lado; 0,6 mL) | sem indicação no rótulo americano | 4 U por ponto × 6 = 24 U (12 U por lado) |
| Testa (frontal, 5 pontos), sempre com a glabela | 4 U por ponto × 5 = 20 U; com a glabela, 40 U (1 mL) | sem indicação no rótulo americano | 4 U por ponto × 5 = 20 U (máximo); com a glabela, 40 U |
| Glabela + pés de galinha na mesma sessão | 44 U (20 + 24) | — | — |
| Terço superior inteiro (glabela + testa + pés de galinha) | — | — | 64 U, dose máxima declarada para o tratamento simultâneo (20 + 20 + 24) |
Três observações que a tabela esconde se você ler rápido. A primeira: no Botox Cosmetic, a bula fixa uma única concentração, 4 U em 0,1 mL, e por isso consegue expressar cada área também em volume. A segunda: o Xeomin escreve “dose máxima recomendada” onde o Botox Cosmetic escreve “dose total recomendada” — no Xeomin, o número é teto. A terceira: o Dysport usa a sua própria unidade (Speywood) e a bula dele fala em 50 U totais em cinco alíquotas iguais “para atingir o efeito clínico”.

O que as bulas dizem além da dose
A unidade é só uma parte da instrução. As mesmas bulas trazem detalhes de posição que mudam o resultado:
- Glabela, Dysport: agulha 30 G, avançada pela pele até o músculo enquanto o dedo pressiona a borda orbital superior medial.
- Pés de galinha, Botox Cosmetic: bisel para cima e voltado para longe do olho; o primeiro ponto fica a cerca de 1,5 a 2,0 cm temporal ao canto lateral, logo além da borda orbital. A bula mostra dois desenhos, escolhidos conforme as linhas estejam acima e abaixo do canto ou principalmente abaixo dele.
- Pés de galinha, Xeomin: o ponto central na extensão horizontal do canto lateral, a cerca de 1 cm da borda orbital óssea, e os outros dois cerca de 1 cm acima e abaixo; evitar a proximidade do zigomático maior para não baixar o lábio.
- Testa, Xeomin: 5 pontos em linha horizontal, a pelo menos 2 cm da borda orbital.
- Testa, Botox Cosmetic e Xeomin: tratamento obrigatoriamente em conjunto com a glabela, para minimizar o potencial de ptose da sobrancelha.
- Intervalo, as três: não reaplicar com frequência maior que a cada 3 meses.
O desenho completo de cada área — onde o músculo está, em que profundidade e o que costuma dar errado — está nas páginas de técnica: como aplicar botox na glabela, como aplicar botox na testa sem baixar a sobrancelha e como aplicar botox nos pés de galinha. Esta página fica com a pergunta do número.
De onde vêm esses números: os ensaios por trás da bula
Dose de bula não é opinião do fabricante: é a dose que foi testada contra placebo nos estudos de registro. Ler esses ensaios ajuda a entender o que o número garante e o que ele não garante.
- Dysport na glabela. A análise de Baumann e colaboradores (2009, Aesthetic Surgery Journal) reuniu quatro estudos de fase III, com 1.116 pacientes (720 tratados com a toxina e 396 com placebo). Os estudos de dose fixa usaram 50 U; um estudo de dose variável usou de 50 a 80 U, conforme sexo e avaliação da massa muscular. A duração mediana da resposta foi de 85 dias com dose fixa e de 109 dias com dose variável, e os homens precisaram de doses maiores que as mulheres. O início de efeito apareceu a partir de 24 horas, com mediana de três dias.
- Botox Cosmetic nos pés de galinha. No ensaio de fase 3 de Moers-Carpi e colaboradores (2015, Dermatol Surg), 917 pacientes foram randomizados para 24 U nos pés de galinha com a glabela tratada (44 U no total), 24 U só nos pés de galinha ou placebo. As taxas de resposta pelo investigador e pelo paciente foram de 54,9% e 45,8% só com os pés de galinha, 59,0% e 48,5% com a glabela junto, e 3,3% com placebo.
- Botox Cosmetic na testa. Solish e colaboradores (2016, Dermatol Surg) compararam 40 U (20 na testa e 20 na glabela), 30 U (10 na testa e 20 na glabela) e placebo. As taxas de resposta foram de 91,2% e 89,5% no grupo de 40 U e de 86,4% e 81,4% no de 30 U, contra 1,7% e 5,1% com placebo; a dose de 40 U mostrou tendência a benefício mais sustentado e duração maior, com eventos adversos semelhantes.
- Xeomin no terço superior. Os estudos de fase III ULTRA I e ULTRA II, relatados por Joseph e colaboradores (2025, Aesthetic Surgery Journal), trataram 362 e 368 participantes com até 64 U em injeções simultâneas na glabela, na testa e nos pés de galinha, com superioridade sobre placebo em todos os desfechos primários e sem achado novo de segurança.
O padrão se repete: a dose de bula funciona na média de uma população de estudo. O ensaio de Solish mostra que metade da dose na testa ainda funciona, com tendência a durar menos; a análise de Baumann mostra que o homem com mais massa muscular pede mais. Entre o número da bula e o paciente da sua cadeira, existe uma avaliação.

Unidade de uma marca não é unidade de outra — e a conversão que se usa na prática
As três bulas são explícitas: a unidade de atividade biológica de cada produto é específica do método de ensaio daquele fabricante e não pode ser comparada nem convertida em unidades de outra toxina. Isso não é formalidade. Field e colaboradores (2018, Toxins) mediram o conteúdo de neurotoxina de 150 kDa por frasco e encontraram 2,69 ng no frasco de 500 U de Dysport, 0,90 ng no de 100 U de Botox e 0,40 ng no de 100 U de Xeomin, com atividade de cadeia leve semelhante entre os três. A mesma “unidade” corresponde a quantidades diferentes de proteína ativa conforme a marca.
Ainda assim, pacientes trocam de marca, e o injetor precisa de um ponto de partida. A formação do Dr. Thiago ensina a conversão de referência — Botox : Dysport = 1 : 2,5 e Botox : Xeomin = 1 : 1 — com uma regra de uso: na troca, começar na dose equivalente ou levemente abaixo dela e ajustar pela resposta do paciente. A razão de 1 : 2,5 tem lastro na revisão sistemática de Dashtipour e colaboradores (2016, Movement Disorders Clinical Practice), feita em estudos de distúrbios do movimento: com 1 : 2,5, eficácia e efeitos adversos foram semelhantes; com 1 : 3, eficácia semelhante ou maior, com mais efeitos adversos; com 1 : 4, eficácia maior, mas com taxa excessiva de efeitos adversos intoleráveis.
As doses de glabela de cada bula vieram de ensaios separados, cada um feito com o seu produto, e nenhuma bula as apresenta como equivalência entre marcas — a conversão é ensino clínico, não informação de bula. O que as bulas dizem sobre a unidade de cada produto está detalhado em por que não existe tabela de conversão entre Botox, Dysport e Xeomin, e as diferenças práticas entre as duas marcas mais usadas, em Botox ou Dysport: diferenças que importam para o injetor.

Da bula para o paciente: quando o número se ajusta
A tabela responde “quanto, em média”. A consulta responde “quanto, nesta pessoa”. Os pontos de ajuste mais comuns:
- Massa muscular. O estudo de dose variável do Dysport, com 50 a 80 U conforme sexo e massa muscular, é o exemplo mais claro de que homens e músculos fortes pedem mais.
- Distribuição, não só total. Um frontal que contrai mais de um lado, um corrugador mais forte que o outro: o total pode ficar o mesmo e a dose por ponto mudar.
- Quem usa a testa para abrir o olho. Nesse paciente, a dose de testa da bula pode ser excessiva — a página de técnica da testa explica como reconhecer.
- Retoque. Na rotina do Dr. Thiago, a revisão é feita entre 15 e 30 dias, com o efeito já estabelecido; se ficou atividade, o retoque é pontual, de dose pequena, só onde ela ficou.
- Intervalo. Na experiência de consultório do Dr. Thiago, o efeito na face dura de 3 a 4 meses; o intervalo mínimo entre aplicações continua o das bulas, de 3 meses.
Nada disso apaga a bula. Ela é o ponto de partida e o registro do que foi testado; o ajuste é responsabilidade de quem aplica e precisa ficar anotado no prontuário — produto, lote, diluição, pontos e unidades por ponto. A conta de quanto soro usar para chegar a cada concentração está nas páginas de diluição do Botox, do Dysport e do Xeomin.
Erros de leitura mais frequentes
- Ler a tabela na horizontal. As colunas não são equivalências; cada uma é a dose de um produto.
- Atribuir ao Dysport doses de testa ou de pés de galinha “da bula”. No rótulo americano, essas doses não existem; quem as usa está fora da indicação aprovada e precisa saber disso.
- Tratar a testa sem a glabela. As duas bulas que trazem dose para a testa só a preveem junto com a glabela.
- Confundir dose total com dose por ponto. As 24 U dos pés de galinha são para os dois lados — 12 U por lado.
- Esquecer que o número de bula é teto no Xeomin. “Dose máxima recomendada” não é dose obrigatória.
- Converter e não ajustar. A conversão de referência é ponto de partida; o ajuste pela resposta faz parte da regra.
Nota de transparência: o Dr. Thiago não tem relação comercial com nenhum fabricante de toxina botulínica.
Onde a tabela vira mão
Saber de cor 20, 24 e 50 é o começo; distribuir essas unidades num rosto que se mexe de um jeito próprio é o que se treina. Na Pós Prática do Dr. Thiago Perfeito, cada módulo é um sábado presencial, precedido de pré-work gravado obrigatório, para turmas de até 8 médicos. No módulo de Toxina e Preenchimento, as marcas do mercado brasileiro, a conversão, as doses de referência e o mapa de pontos dos três terços entram na parte teórica com demonstração comentada; na parte prática, cada aluno executa a aplicação em paciente modelo sob supervisão. Os outros módulos estão em /cursos/.
Perguntas frequentes
Quantas unidades de botox vão na glabela segundo a bula?
Na bula americana do Botox Cosmetic, 20 U em 5 pontos de 4 U (dois em cada corrugador e um no prócero). No Xeomin, também 20 U em 5 pontos de 4 U, como dose máxima recomendada. No Dysport, 50 U em 5 alíquotas de 10 U. Cada número vale só para o seu produto.
Quantas unidades de botox vão nos pés de galinha?
As bulas americanas do Botox Cosmetic e do Xeomin declaram 24 U no total: 3 pontos de 4 U de cada lado, ou 12 U por lado, no orbicular lateral. O rótulo americano do Dysport não tem indicação para os pés de galinha.
Quantas unidades de botox vão na testa?
Pelas bulas americanas do Botox Cosmetic e do Xeomin, 20 U em 5 pontos de 4 U no frontal, sempre junto com as 20 U da glabela — 40 U no total. As duas bulas exigem a glabela junto para minimizar o risco de ptose da sobrancelha.
Qual a dose total do terço superior inteiro?
A bula americana do Xeomin declara 64 U como dose máxima para o tratamento simultâneo de glabela, testa e pés de galinha (20 + 20 + 24). A bula do Botox Cosmetic traz as combinações glabela + pés de galinha (44 U) e glabela + testa (40 U).
Posso usar a dose do Botox para o Dysport ou o Xeomin?
Não diretamente: as bulas declaram que as unidades não são intercambiáveis. Na prática, a formação do Dr. Thiago ensina a conversão de referência — Botox : Dysport = 1 : 2,5 e Botox : Xeomin = 1 : 1 — começando na dose equivalente ou levemente abaixo e ajustando pela resposta do paciente.
Homem precisa de mais unidades?
Com frequência, sim. No estudo de dose variável do Dysport na glabela, que usou de 50 a 80 U conforme sexo e massa muscular, os homens precisaram de doses maiores. O ajuste é feito na avaliação, e, se ficar atividade, o retoque é pontual, de dose pequena, na revisão de 15 a 30 dias.
De quanto em quanto tempo posso reaplicar?
As três bulas orientam não reaplicar com frequência maior que a cada 3 meses. Na experiência de consultório do Dr. Thiago, o efeito na face dura de 3 a 4 meses.
Referências
- Baumann L, Brandt FS, Kane MA, Donofrio LM. An analysis of efficacy data from four phase III studies of botulinum neurotoxin type A-ABO for the treatment of glabellar lines. Aesthet Surg J. 2009;29(6 Suppl):S57-65. · PMID 19945006 · DOI 10.1016/j.asj.2009.09.012
- Moers-Carpi M, Carruthers J, Fagien S, Lupo M, et al. Efficacy and safety of onabotulinumtoxinA for treating crow's feet lines alone or in combination with glabellar lines: a multicenter, randomized, controlled trial. Dermatol Surg. 2015;41(1):102-112. · PMID 25485803 · DOI 10.1097/DSS.0000000000000220
- Solish N, Rivers JK, Humphrey S, Muhn C, et al. Efficacy and Safety of OnabotulinumtoxinA Treatment of Forehead Lines: A Multicenter, Randomized, Dose-Ranging Controlled Trial. Dermatol Surg. 2016;42(3):410-419. · PMID 26863598 · DOI 10.1097/DSS.0000000000000626
- Joseph J, Sudimac V, Mersmann S, Kerscher M. IncobotulinumtoxinA in the Treatment of Upper Facial Lines: Results From Two Randomized, Double-Blind, Placebo-Controlled, Phase III Studies. Aesthet Surg J. 2025;45(3):293-304. · PMID 39475143 · DOI 10.1093/asj/sjae222
- Field M, Splevins A, Picaut P, van der Schans M, et al. AbobotulinumtoxinA (Dysport), OnabotulinumtoxinA (Botox), and IncobotulinumtoxinA (Xeomin) Neurotoxin Content and Potential Implications for Duration of Response in Patients. Toxins (Basel). 2018;10(12):535. · PMID 30551641 · DOI 10.3390/toxins10120535
- Dashtipour K, Chen JJ, Espay AJ, Mari Z, et al. OnabotulinumtoxinA and AbobotulinumtoxinA Dose Conversion: a Systematic Literature Review. Mov Disord Clin Pract. 2016;3(2):109-115. · PMID 27110585 · DOI 10.1002/mdc3.12235
Pós Prática em Medicina Estética Avançada
Formação médico-exclusiva: anatomia, ultrassom, complicações e prática supervisionada — sem atalhos.
Conhecer a formação →