Botox ou Dysport: qual a diferença e qual é melhor?
Nenhum dos dois é superior ao outro. Botox e Dysport são a mesma toxina botulínica tipo A em formulações diferentes, e a unidade de cada um é definida pelo próprio produto: nenhuma das duas bulas autoriza converter unidades de uma marca para a outra. O que determina difusão, início e duração do resultado é a dose calculada e a técnica, não a marca impressa no frasco.
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A diferença molecular entre Botox e Dysport
Botox (onabotulinumtoxinA, da Allergan) e Dysport (abobotulinumtoxinA, produzido pela Ipsen e comercializado no Brasil pela Galderma) são formulações distintas da mesma molécula ativa — a toxina botulínica tipo A, de 150 kDa. O que difere entre os frascos são as proteínas que acompanham a toxina no complexo e os excipientes: o Botox é purificado até um complexo cristalino que reúne a proteína ativa e hemaglutinina, com albumina humana e cloreto de sódio; o Dysport é um complexo toxina-hemaglutinina com albumina humana e lactose, e suas doses são expressas em unidades Speywood, uma escala própria do produto.
Essa última frase não é detalhe de bula: é a origem do mal-entendido mais comum do paciente. Cada fabricante define a própria unidade pelo próprio ensaio de potência, e as três bulas dizem isso com todas as letras. A do Botox afirma que as unidades de atividade biológica do produto não podem ser comparadas nem convertidas em unidades de qualquer outra toxina botulínica; a do Dysport afirma que as unidades Speywood são específicas da preparação e não são intercambiáveis. Não existe, portanto, conversão autorizada em bula entre os dois.
A diferença com consequência clínica mais bem documentada não é o espalhamento — é a potência por unidade. Um estudo experimental em modelo animal, que comparou os três principais produtos medindo a paresia induzida em camundongos, estimou a onabotulinumtoxinA como cerca de duas vezes mais potente por unidade que a abobotulinumtoxinA3. É um modelo pré-clínico, não um ensaio em pacientes — mas aponta na mesma direção das bulas: 10 unidades de um não significam a mesma coisa que 10 unidades do outro.
Sobre a conversão entre os dois, é preciso ser honesto quanto ao que se sabe e ao que não se sabe. A revisão que comparou nove consensos clínicos dos Estados Unidos, da Rússia e da Europa encontrou a maioria das diretrizes trabalhando em torno de 1 unidade de Botox para 2,5 de Dysport, com média de 1:2,8 nos documentos norte-americanos — e registrou que a razão sobe e desce conforme a zona da face, sem uniformidade internacional. A recomendação final da própria autora é que o médico se guie pela diretriz nacional, não por consenso internacional4. Vale notar o que esse número é e o que ele não é: uma média de documentos de consenso — literatura secundária, com busca encerrada em 2008 —, não uma equivalência declarada por fabricante. A bula brasileira do Dysport vai na mesma direção por outro caminho: registra que a razão de 3:1 usada no passado pode ser inadequada. Ou seja: essa faixa é referência de literatura, não regra de dose — a dose de cada paciente é calculada na avaliação presencial, não por conta de conversão lida na internet.
Já a fama de que o Dysport "espalha mais" merece um parágrafo próprio, porque é o ponto onde convenção de mercado virou dado técnico repetido sem lastro. Um ensaio randomizado duplo-cego com 19 participantes testou exatamente isso: aplicou a mesma dose rotulada dos dois produtos — 2 unidades de cada —, em volumes iguais, em lados opostos da fronte da mesma paciente, e mediu os campos de efeito anidrótico e muscular aos 28 dias. O campo de efeito foi significativamente maior para o Botox — o oposto do que se costuma afirmar — e não houve diferença entre os lados na escala de gravidade da ruga. A conclusão dos autores é que a difusão é dependente da dose, não do produto: difunde mais a dose mais potente1.
O alcance prático desse achado é deslocar a variável de controle do rótulo para a mão de quem aplica: quem define o raio de ação é a dose por ponto, a diluição, o volume injetado e o mapeamento do músculo. O produto entra na conta, mas entra depois — e bem depois — dessas quatro decisões. Quando um paciente diz que "prefere Dysport porque distribui melhor na testa", o que ele costuma estar descrevendo é a experiência de ter recebido uma dose melhor calculada naquela vez.
A consequência que pesa no bolso: como a unidade de cada marca é definida em escala própria, comparar dois orçamentos pelo número de unidades é comparar grandezas diferentes. O mesmo tratamento aparece com um número de unidades naturalmente maior quando feito com Dysport — e um preço por unidade mais baixo, nesse caso, não significa tratamento mais barato, do mesmo modo que um número maior de unidades não significa tratamento maior. A comparação que faz sentido é entre planos: quais músculos serão tratados, com que objetivo, com qual dose total por área e com qual previsão de reavaliação. Peça isso por escrito em qualquer clínica, aqui inclusive.
Qual escolher para cada área — o critério que realmente decide
Tabelas que distribuem marcas por região do rosto circulam muito, mas partem de uma premissa que o ensaio de campo de efeito não sustenta. Como a difusão acompanha a dose e não o rótulo1, o que muda o resultado por área não é qual frasco foi aberto: é o que se decide sobre aquele músculo. A tabela abaixo é organizada por indicação, e a coluna que importa é a do critério — não a da marca.
| Área tratada | O que de fato decide o resultado | Risco a controlar |
|---|---|---|
| Fronte (linhas horizontais) | Número de pontos e distribuição ao longo do ventre do frontal; dose reduzida na porção inferior. | Queda de sobrancelha em quem já usa o frontal para abrir o olhar. Avaliar antes, não depois. |
| Glabela (linhas verticais entre sobrancelhas) | Dose por ponto no corrugador e no prócero; é a região com mais evidência de eficácia para os dois produtos. | Ptose palpebral por difusão para o levantador da pálpebra — função de volume e profundidade da injeção. |
| Canto dos olhos (pés de galinha) | Injeção superficial, volume pequeno por ponto, distância adequada da borda orbitária. | Alcance do zigomático maior, que altera o sorriso. Controlado por volume e ponto, não por marca. |
| Masséter (hipertrofia / bruxismo) | Dose total alta e distribuída em profundidade, com sessões seriadas para afinar o contorno. | Perda de força mastigatória e assimetria por dose desigual entre os lados. |
| Platisma / bandas cervicais | Mapeamento das bandas com o músculo em contração e dose fracionada ao longo de cada banda. | Dose cervical elevada em músculo longo — área que pede parcimônia e reavaliação. |
| Aplicação antes de um evento | Antecedência: em ensaio randomizado na glabela, o tempo médio até o início do efeito foi praticamente igual entre os dois — 5,29 e 5,32 dias em mulheres2. Margem de duas semanas é prudência de agenda, não promessa. | Marcar em cima da data esperando que uma marca "aja mais rápido". Não age. |
Contraindicações valem igualmente para os dois: gestação, lactação, doenças neuromusculares (miastenia gravis, síndrome de Lambert-Eaton) e hipersensibilidade conhecida a qualquer componente da formulação. O paciente com histórico consistente de resposta reduzida a um produto específico é a situação em que a troca de marca tem justificativa clínica objetiva — e mesmo aí a decisão vem depois de rever dose e mapeamento, não antes.
O Dr. Thiago Perfeito não mantém relação comercial, patrocínio nem contrato de consultoria com os fabricantes citados nesta página. Botox, Dysport e Xeomin são utilizados na prática clínica e a comparação aqui apresentada se baseia exclusivamente nas bulas aprovadas pela Anvisa e na literatura referenciada ao final.
E o Botulift? O que muda de formulação e de unidade
Botox e Dysport não são as duas únicas toxinas botulínicas tipo A registradas no Brasil. Outra marca registrada é o Botulift, e a resposta honesta sobre ela começa por onde a bula começa. O Botulift é toxina botulínica tipo A — a mesma classe e a mesma molécula-alvo do Botox e do Dysport —, tem albumina humana sérica, cloreto de sódio e água para injetáveis como excipientes e é apresentado em frascos-ampola de 50 U, 100 U, 150 U e 200 U de pó liofilizado5.
O Botulift é citado aqui como informação de mercado, não como serviço oferecido — não está entre os produtos utilizados na prática clínica do Dr. Thiago Perfeito.
A parte que raramente aparece no material comercial é quem está atrás do frasco. O Botulift é fabricado pela Medytox, Inc., em Cheongwon-gu, Coreia do Sul, e importado e embalado pelo Laboratório Químico Farmacêutico Bergamo Ltda., empresa que consta nos dizeres legais da bula sob o registro MS 1.0646.0180 (Anvisa nº 106460180)5. Em outubro de 2024, a própria Bergamo publicou no site da Anvisa uma carta aos profissionais de saúde reforçando as orientações de uso correto do produto6. Nada disso é defeito nem selo de qualidade: é ficha técnica — e é o caminho que responde "é bom?" sem cair em opinião, porque parte do que está declarado em bula.
O ponto decisivo para quem compara orçamentos é o mesmo desta página inteira, agora com uma terceira entrada: a unidade de cada produto é definida pelo próprio produto. No Botulift, uma Unidade (U) corresponde à dose letal intraperitoneal média (DL50) calculada em ratos, e a bula é explícita ao afirmar que as unidades de potência da atividade biológica do produto não podem ser comparadas nem convertidas em unidades de nenhum outro produto de toxina botulínica5. É a mesma advertência que Botox e Dysport trazem nas bulas deles. Consequência prática: nenhuma bula autoriza conversão de unidades entre Botulift, Botox e Dysport, e um orçamento "com mais unidades" pode ser apenas um produto cuja unidade é definida em outra escala — não um tratamento maior.
Sobre eficácia, o lastro disponível é o que a própria bula descreve. O registro do Botulift para linhas faciais hipercinéticas (adultos entre 20 e 65 anos) se apoia em estudos comparativos, duplo-cegos e randomizados contra outra toxina botulínica do mercado, cuja conclusão em bula é de não inferioridade ao grupo controle: no estudo multicêntrico com 299 pacientes, a melhora na intensidade das linhas glabelares em quatro semanas foi de 93,75% no grupo tratado com Botulift e 94,56% no grupo controle, sem diferença estatisticamente significante5. Vale reparar no que esse desenho responde e no que ele não responde: ele sustenta que o produto não é pior que o comparador na indicação registrada; ele não elege vencedor. Um desenho de não inferioridade não autoriza chamar nenhuma dessas três marcas de "a melhor".
Por isso a pergunta útil não é "Botulift, Botox ou Dysport?", e sim: a indicação está certa, a dose foi calculada para o seu músculo e o produto é rastreável? Rastreável quer dizer registro Anvisa válido, com lote e validade conferíveis no frasco aberto na sua frente. Esse é o pedido que muda o resultado de uma aplicação — e ele vale igual para as três marcas.
Vale registrar a mesma ficha para as outras duas marcas comparadas aqui: o Botox é fabricado pela Allergan Pharmaceuticals Ireland e registrado e importado no Brasil pela Allergan Produtos Farmacêuticos Ltda., com albumina humana e cloreto de sódio como excipientes declarados em bula; o Dysport é produzido pela Ipsen Biopharm Ltd., no Reino Unido, registrado e importado pela Beaufour Ipsen Farmacêutica Ltda. e comercializado no Brasil pela Galderma, e suas doses são expressas em unidades Speywood, específicas da preparação. É por isso que a tabela abaixo compara ficha técnica, e não resultado.
Comparação de ficha técnica, conforme as bulas aprovadas pela Anvisa.
| Produto | Molécula e excipientes declarados em bula | Quem fabrica e quem registra no Brasil | Como a unidade é definida |
|---|---|---|---|
| Botox | OnabotulinumtoxinA — toxina botulínica tipo A, purificada até um complexo cristalino com a proteína ativa e hemaglutinina; albumina humana e cloreto de sódio. | Fabricado pela Allergan Pharmaceuticals Ireland; registrado e importado pela Allergan Produtos Farmacêuticos Ltda. | Unidades próprias. A bula declara que não podem ser comparadas nem convertidas em unidades de outras toxinas. |
| Dysport | AbobotulinumtoxinA — complexo toxina-hemaglutinina tipo A; albumina humana e lactose. Doses em unidades Speywood, específicas do produto. | Produzido pela Ipsen Biopharm Ltd. (Reino Unido); registrado e importado pela Beaufour Ipsen Farmacêutica Ltda.; comercializado no Brasil pela Galderma. | Unidades Speywood, específicas da preparação e não intercambiáveis. |
| Botulift | Toxina botulínica tipo A; albumina humana sérica, cloreto de sódio e água para injetáveis. Frascos de 50 U, 100 U, 150 U e 200 U. | Fabricado pela Medytox, Inc. (Cheongwon-gu, Coreia do Sul); importado, embalado e registrado pelo Laboratório Químico Farmacêutico Bergamo Ltda. — MS 1.0646.0180. | Uma Unidade (U) corresponde à DL50 intraperitoneal média em ratos. A bula veda comparação e conversão com qualquer outra toxina. |
Duração, resistência e mito dos anticorpos
A duração média é similar entre os dois produtos — 4 a 6 meses no rosto para a maioria dos pacientes — com variação dependendo de dose, músculo tratado, metabolismo e força contráctil individual. Não há evidência de que um dure consistentemente mais que o outro quando usados em doses biologicamente equivalentes: no modelo animal já citado, doses equipotentes de onabotulinumtoxinA e abobotulinumtoxinA produziram não só a mesma intensidade de efeito, mas a mesma duração3. O ensaio randomizado que acompanhou pacientes por 180 dias depois de uma única aplicação na glabela chegou a um achado convergente: o tempo até o início do efeito não previu quanto tempo o efeito duraria2. Ou seja: o que define quanto tempo o resultado dura é a dose certa para a sua musculatura, não a marca impressa no frasco. Vale lembrar que as bulas dos dois produtos recomendam intervalo mínimo de três meses entre aplicações — essa, sim, é uma baliza declarada pelo fabricante.
O tema dos anticorpos neutralizantes merece clareza, porque é onde mais se inventa explicação. Pacientes que relatam "perda de efeito com o tempo" raramente desenvolvem anticorpos: o fenômeno existe, mas é incomum. Convém não comprar o argumento de marketing que atribui menor risco de anticorpos a esta ou àquela formulação — nenhuma bula faz essa promessa. O que as bulas de fato advertem é que doses muito frequentes de toxina botulínica podem resultar em formação de anticorpos, e a mitigação que elas apontam é usar a menor dose eficaz com o maior intervalo possível, não trocar de marca. A causa mais frequente de efeito curto é, de longe, dose subdimensionada. Dose conservadora aplicada "pra parecer natural" produz resultado que dura menos — não porque o paciente ficou resistente, mas porque a dose foi insuficiente desde o início.
Daí a conduta diante da queixa mais comum da área — "o Botox parou de funcionar, quero trocar de marca". Trocar o rótulo antes de rever a dose costuma reproduzir o mesmo resultado com outro nome. A sequência que faz diferença é outra: (1) conferir a dose total efetivamente aplicada por área na sessão anterior, que é o dado que quase nunca está anotado; (2) reavaliar o mapeamento — músculo forte tratado com poucos pontos devolve movimento antes; (3) checar o intervalo real entre as sessões, porque quem espera o movimento voltar por completo relata "durou pouco" comparando com um ponto de partida diferente; (4) só então considerar a troca de produto. Nessa ordem, a troca de marca vira decisão informada em vez de tentativa.
A troca de produto (Botox para Dysport ou vice-versa) é clinicamente justificável quando há suspeita real de resposta reduzida a um deles depois de dose e técnica revistas, ou quando o objetivo é reajustar o padrão de dose de uma área. Trocar produto como estratégia de marketing ou por demanda do paciente sem justificativa clínica não é prática baseada em evidência.
Onde a escolha entre as duas pesa — e onde é indiferente. Na maior parte das indicações estéticas de rotina, com dose bem calculada, a escolha entre Botox e Dysport é clinicamente indiferente e não deveria ocupar a consulta: no ensaio de campo de efeito, os escores de gravidade da ruga não diferiram entre os lados tratados com um e com outro1. A escolha passa a pesar em três situações concretas. Primeira: quando existe histórico documentado de resposta insatisfatória a um dos produtos com dose comprovadamente adequada — aí a troca testa uma hipótese, não um palpite. Segunda: quando a área tratada tem dose declarada em bula para um produto e não para o outro, caso em que optar pelo que tem posologia registrada é a decisão mais conservadora. Terceira: quando o paciente vem de outra clínica e não sabe informar qual produto nem qual dose recebeu — situação em que recomeçar com um protocolo rastreável vale mais que reproduzir um tratamento desconhecido. Fora disso, a escolha pela marca é o erro clássico: o que decide o resultado é a indicação correta e a dose certa para aquele músculo, e a literatura comparativa entre os dois, ajustada a equivalência, não aponta superioridade de nenhum deles para rugas dinâmicas4.
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Dr. Thiago Perfeito
CRM-DF 23199 · Medicina Estética e Regenerativa
Médico com mais de 10 anos de prática em medicina estética e regenerativa. Mestre em Medicina Estética (2024). Formação internacional em Harvard Medical School e Mayo Clinic. Membro da ASLMS, A4M, AMS e NYAS. Atendimento em Brasília, Lago Sul.
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Cada caso é individual e os resultados variam de pessoa para pessoa.
Perguntas frequentes sobre Toxina botulínica — Botox vs Dysport
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Qual a diferença entre Botox e Dysport?
Botox (Allergan) contém onabotulinumtoxinA, purificada até um complexo cristalino com a proteína ativa e hemaglutinina, tendo albumina humana e cloreto de sódio como excipientes; Dysport (produzido pela Ipsen; no Brasil, comercializado pela Galderma) contém abobotulinumtoxinA, um complexo toxina-hemaglutinina com albumina humana e lactose, dosado em unidades Speywood. A toxina ativa é a mesma molécula de 150 kDa nos dois. A diferença mais bem documentada é de potência por unidade: em estudo experimental em modelo animal, a onabotulinumtoxinA mostrou-se cerca de duas vezes mais potente por unidade que a abobotulinumtoxinA3. Por isso as unidades não são intercambiáveis — e nenhuma das duas bulas autoriza converter unidades de uma marca para a outra.
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Dysport age mais rápido que o Botox?
Essa é uma convenção de mercado que o ensaio randomizado duplo-cego que comparou os produtos na glabela não confirmou: o tempo médio até o início do efeito foi praticamente idêntico — 5,29 dias para onabotulinumtoxinA e 5,32 dias para abobotulinumtoxinA em mulheres, com as doses ajustadas na razão 1:32. Nesse mesmo estudo, a diferença entre os sexos no tempo de início foi maior que a diferença entre essas duas marcas. Na prática: planejar qualquer aplicação com pelo menos duas semanas de antecedência do evento é margem de segurança de agenda, não promessa de resultado.
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Botox ou Dysport dura mais tempo?
Nenhum dos dois dura mais que o outro quando aplicados em doses biologicamente equivalentes: em estudo experimental em modelo animal, doses equipotentes de onabotulinumtoxinA e abobotulinumtoxinA produziram não só a mesma intensidade de efeito, mas também a mesma duração3. A faixa clínica esperada é de 4 a 6 meses no rosto, com variação por músculo tratado, dose aplicada e metabolismo individual; as bulas dos dois produtos recomendam intervalo mínimo de três meses entre aplicações. Quem relata duração curta quase sempre recebeu dose subdimensionada, não desenvolveu resistência.
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É verdade que o Dysport espalha mais que o Botox?
Não como regra de produto. Em ensaio randomizado duplo-cego que aplicou a mesma dose rotulada dos dois produtos, em volumes iguais, em lados opostos da fronte da mesma paciente, o campo de efeito foi significativamente maior para a onabotulinumtoxinA — o contrário do que se costuma afirmar. A conclusão dos autores é que a difusão acompanha a dose e a potência injetada, não a marca1. Quem controla o raio de ação é o médico: dose, diluição, volume por ponto e mapeamento muscular.
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Quantas unidades de Dysport equivalem a uma de Botox?
Não existe fator de conversão autorizado em bula, e esta informação não substitui prescrição médica. A maioria dos consensos internacionais trabalha em torno de 1 unidade de onabotulinumtoxinA para 2,5 unidades de abobotulinumtoxinA, com média de 1:2,8 nos consensos norte-americanos — e a própria revisão que compilou esses documentos mostra que a razão varia conforme a zona da face, sem uniformidade internacional, recomendando que o médico siga a diretriz nacional4. Isso é literatura secundária, não equivalência declarada por fabricante: a bula brasileira do Dysport registra que a razão de 3:1 usada no passado pode ser inadequada. Tratar a conversão como número fixo é simplificação — a dose de cada paciente é definida na avaliação presencial.
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Qual dos dois é melhor para cada área do rosto?
Não há marca vencedora por área. As duas toxinas tratam as mesmas indicações — fronte, glabela, pés de galinha, masséter, platisma — e o que muda o resultado é o cálculo de dose para aquele músculo, o número de pontos, o volume por ponto e a leitura da anatomia. A troca de marca tem justificativa clínica objetiva em duas situações: suspeita real de resposta reduzida a um produto específico e necessidade de reajustar o padrão de dose em uma área. Fora disso, trocar de rótulo sem rever a dose costuma reproduzir o mesmo resultado.
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O Botulift é bom?
O que se pode afirmar com lastro é o que está em bula. O Botulift é toxina botulínica tipo A com registro na Anvisa (MS 1.0646.0180), fabricado pela Medytox, Inc. na Coreia do Sul e importado, embalado e registrado no Brasil pelo Laboratório Químico Farmacêutico Bergamo Ltda.; tem indicação registrada para linhas faciais hipercinéticas em adultos entre 20 e 65 anos, e os estudos que embasam esse registro concluíram em bula não inferioridade contra outra toxina do mercado — no estudo multicêntrico com 299 pacientes, 93,75% de melhora nas linhas glabelares em quatro semanas contra 94,56% do controle, sem diferença estatisticamente significante5. Um desenho de não inferioridade não autoriza eleger uma marca de toxina como "a melhor". A pergunta que muda o resultado é se a indicação está correta, se a dose foi calculada para o seu músculo e se o frasco é rastreável (registro, lote e validade conferíveis). O Botulift não está entre os produtos utilizados na prática clínica do Dr. Thiago Perfeito, que aplica Botox, Dysport e Xeomin.
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O Botulift é a mesma coisa que o Botox ou o Dysport?
São três marcas da mesma classe — toxina botulínica tipo A — em formulações e origens diferentes. O Botulift declara em bula albumina humana sérica, cloreto de sódio e água para injetáveis como excipientes, em frascos de 50 U, 100 U, 150 U e 200 U, fabricado pela Medytox, Inc. (Coreia do Sul) e registrado no Brasil pela Bergamo5; o Botox é onabotulinumtoxinA da Allergan, purificada até um complexo cristalino com a proteína ativa e hemaglutinina; o Dysport é abobotulinumtoxinA, complexo toxina-hemaglutinina produzido pela Ipsen e comercializado no Brasil pela Galderma, dosado em unidades Speywood. Mesma classe e mesma molécula-alvo, formulação e unidade diferentes — e nenhuma equivalência de rótulo entre elas.
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Quantas unidades de Botulift equivalem a uma de Botox ou de Dysport?
Não existe conversão, e esta informação não substitui prescrição médica. A bula do Botulift define a Unidade (U) como a dose letal intraperitoneal média (DL50) calculada em ratos e afirma que as unidades de potência da atividade biológica do produto não podem ser comparadas nem convertidas em unidades de nenhum outro produto de toxina botulínica5 — a mesma advertência que está nas bulas do Botox e do Dysport. Na prática: comparar dois orçamentos pelo número de unidades, quando os produtos são de marcas diferentes, é comparar grandezas diferentes. O que se compara é o plano — quais músculos, com que objetivo, com qual previsão de reavaliação. O Botulift não é utilizado na prática clínica do Dr. Thiago Perfeito.
Referências bibliográficas
- Hexsel D, Hexsel C, Siega C, Schilling-Souza J, Rotta FT, Rodrigues TC. Fields of effects of 2 commercial preparations of botulinum toxin type A at equal labeled unit doses: a double-blind randomized trial. JAMA Dermatology. 2013;149(12):1386-1391. Ensaio randomizado duplo-cego, 19 participantes, aplicação comparativa em lados opostos da fronte. PMID: 24108521 · doi:10.1001/jamadermatol.2013.6440
- Rappl T, Parvizi D, Friedl H, et al. Onset and duration of effect of incobotulinumtoxinA, onabotulinumtoxinA, and abobotulinumtoxinA in the treatment of glabellar frown lines: a randomized, double-blind study. Clinical, Cosmetic and Investigational Dermatology. 2013;6:211-219. Ensaio randomizado duplo-cego com 180 participantes e três braços (incobotulinumtoxinA, onabotulinumtoxinA e abobotulinumtoxinA), seguimento de 180 dias; as doses de abobotulinumtoxinA foram ajustadas na razão 1:3. PMID: 24098087 · doi:10.2147/CCID.S41537
- Kutschenko A, Manig A, Reinert MC, Mönnich A, Liebetanz D. In-vivo comparison of the neurotoxic potencies of incobotulinumtoxinA, onabotulinumtoxinA, and abobotulinumtoxinA. Neuroscience Letters. 2016;627:216-221. Estudo experimental em modelo animal (ensaio de corrida em roda em camundongos) — não é ensaio clínico em pacientes. PMID: 27268041 · doi:10.1016/j.neulet.2016.06.001
- Sharova AA. Comparison of different consensuses of BTXA in different countries. Journal of Cosmetic Dermatology. 2016;15(4):540-548. Revisão comparativa de nove documentos de consenso dos Estados Unidos, Rússia e Europa; busca em base de dados encerrada em 2008. PMID: 27699964 · doi:10.1111/jocd.12287
- BOTULIFT® (toxina botulínica A) — bula do profissional de saúde. Laboratório Químico Farmacêutico Bergamo Ltda. Registro MS 1.0646.0180. Bula aprovada pela Anvisa em 21/01/2023. Consulta pelo número de registro 106460180 no Bulário Eletrônico da Anvisa.
- Laboratório Químico Farmacêutico Bergamo Ltda. Carta aos Profissionais de Saúde — BOTULIFT® (toxina botulínica A) 50 U, 100 U, 150 U e 200 U. 31 de outubro de 2024. Publicada no site da Anvisa
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