Volumização facial

Juvéderm ou Restylane: qual usar em cada área do rosto?

Juvéderm (Allergan Aesthetics/AbbVie) e Restylane (Galderma) são portfólios de ácido hialurônico reticulado — cada um com géis firmes e géis flexíveis. A escolha se faz por área e por propriedade do gel, não por marca.

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Aplicação de preenchedor de ácido hialurônico em lábio, em Brasília — Dr. Thiago Perfeito

A comparação certa não é entre as marcas — é entre os géis

Nem "Juvéderm" nem "Restylane" descreve um produto único. Juvéderm é o portfólio de preenchedores de ácido hialurônico reticulado da Allergan Aesthetics (AbbVie) e Restylane é o portfólio equivalente da Galderma. Dentro de cada um convivem géis com comportamento físico oposto: há gel firme, feito para sustentar projeção sobre plano ósseo, e há gel deformável, feito para acompanhar mímica. Perguntar qual marca é melhor equivale a perguntar qual fabricante de pneu é melhor sem dizer se o carro vai andar na chuva ou na pista seca.

Cada fabricante usa mais de uma tecnologia de reticulação, com nomes comerciais próprios. Na Allergan, a linha Juvéderm Ultra é produzida por Hylacross e os produtos da série Vol- (Voluma, Vollure, Volbella, Volux) por Vycross, que combina cadeias de alto e de baixo peso molecular. Na Galderma, os géis de partícula estabilizada — Restylane e Restylane Lyft — usam NASHA, enquanto os géis desenhados para flexibilidade — Refyne, Defyne, Kysse e Contour — usam XpresHAn (também chamada OBT). Ou seja: dizer "Restylane é NASHA" ou "Juvéderm é Vycross" descreve mal os dois portfólios, e é o erro que sustenta boa parte das comparações que circulam na internet.

O que realmente separa um gel do outro é reologia. Três medidas descrevem quase tudo o que importa na cadeira: o módulo elástico G', que mede a resistência do gel à deformação e prediz sua capacidade de sustentar projeção; a coesividade, que mede o quanto o gel se mantém unido em vez de se dispersar entre os planos; e a viscosidade, ligada ao esforço de extrusão e à difusão no tecido. Essas propriedades variam de forma ampla entre preenchedores comerciais e não são descritas com uniformidade pelos fabricantes, o que torna a leitura reológica — e não o rótulo da caixa — o critério técnico de escolha.1 Um ensaio que mediu coesividade de seis preenchedores de ácido hialurônico com escala validada de cinco pontos mostrou justamente isso: produtos de fabricantes diferentes se distribuem ao longo de um espectro contínuo, sem separação limpa por marca.2

A composição básica é a mesma dos dois lados. Ambos os portfólios partem de ácido hialurônico não animal reticulado com BDDE e quase todos os produtos já vêm com lidocaína incorporada à seringa. Essa lidocaína pré-incorporada reduz a dor da injeção sem prejuízo de eficácia ou de perfil de segurança — o achado é consistente em ensaio multicêntrico randomizado de face dividida4 e em meta-análise de estudos em sulco nasogeniano.5 É um ganho de conforto que independe de qual marca está na bandeja.

Esta página não tem relação comercial, patrocínio, contrato de consultoria ou qualquer contrapartida da Allergan Aesthetics/AbbVie, da Galderma ou de qualquer outro fabricante de preenchedores. Marcas e produtos são citados porque são o vocabulário que o paciente encontra na consulta; nenhuma delas é apresentada como vencedora.

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Melhor opção por área: o que a região exige do gel

O quadro abaixo premia a indicação, não a marca. Em cada linha, o critério declarado é a propriedade reológica que a região exige — projeção sustentada sobre osso, integração em tecido móvel ou difusão controlada em plano superficial. Os produtos listados nas duas colunas são os que os fabricantes posicionam para aquele perfil; onde há mais de uma opção viável, elas aparecem lado a lado justamente porque nenhuma é a resposta universal.

Área e critério declaradoPortfólio Juvéderm (Allergan Aesthetics)Portfólio Restylane (Galderma)
Malar (maçã do rosto)
Critério: G' alto e coesividade alta para sustentar projeção em plano supraperiosteal
Voluma (Vycross)Lyft (NASHA)
Lábios
Critério: deformabilidade sob mímica intensa, com difusão lateral controlada
Volbella (Vycross)Kysse (XpresHAn)
Sulco nasogeniano
Critério: G' intermediário — corrige o sulco sem enrijecer a região ao sorrir
Vollure (Vycross)Defyne (XpresHAn)
Mandíbula e mento
Critério: máxima resistência à deformação para definir borda óssea
Volux (Vycross)Lyft (NASHA)
Linhas finas periorais e perioculares
Critério: G' baixo e boa integração em plano dérmico superficial
Volbella (Vycross)Refyne (XpresHAn)

Duas leituras erradas costumam sair de tabelas como essa. A primeira é ler a linha como equivalência: os produtos de uma mesma linha atendem ao mesmo critério, mas não são intercambiáveis dose a dose — mudam o volume necessário, a técnica e o comportamento no pós. A segunda é ler a coluna como ranking: não existe portfólio que vença todas as linhas, e a distribuição acima mostra por quê.

Como a decisão é tomada, e onde ela costuma dar errado

Na consulta, a sequência é sempre a mesma: define-se primeiro a área e o plano de injeção, depois a propriedade que aquele plano exige, e só então o produto que entrega essa propriedade — o nome comercial é a última variável, não a primeira. O erro mais comum inverte essa ordem: o paciente chega pedindo uma marca que viu em rede social e o gel acaba aplicado numa região que não pede aquele comportamento. Gel de alto G' em plano superficial de lábio produz irregularidade palpável e contorno endurecido; gel de baixo G' em plano supraperiosteal de malar consome seringas sem entregar projeção, encarecendo o tratamento sem resolver a queixa. O segundo erro frequente é tratar o sulco nasogeniano isoladamente quando a origem é perda de suporte malar — nesse caso, preencher o sulco aprofunda o aspecto pesado do terço médio em vez de aliviá-lo.

Também há quem não seja candidato no momento da consulta. Infecção ativa ou lesão cutânea na área, incluindo herpes labial em atividade, adia a aplicação. Gestação e amamentação ficam fora por ausência de dados de segurança. Histórico de reação adversa a preenchedor prévio, doença autoimune em atividade ou tratamento odontológico recente na região exigem avaliação antes de qualquer agulha. E há a contraindicação que não é clínica: expectativa desalinhada — quem chega pedindo uma transformação que o volume não entrega sai melhor de uma conversa franca do que de uma seringa.

Antes e depois de preenchimento labial com ácido hialurônico em Brasília — Dr. Thiago Perfeito
Cada caso é individual e os resultados variam de pessoa para pessoa.

Reversibilidade, duração e custo comparado

Reversibilidade. O ácido hialurônico reticulado é degradável por hialuronidase, o que permite corrigir assimetria, excesso de volume ou posicionamento indesejado — possibilidade que não existe em produtos permanentes como PMMA, silicone líquido e metacrilato. A capacidade de degradação é comparável entre os dois portfólios: em ensaio laboratorial que expôs Juvéderm Ultra e Restylane à hialuronidase testicular ovina em seis tempos, ambos foram completamente degradados em 24 horas, com taxas semelhantes entre os produtos.3 Vale registrar a distância entre o tubo de ensaio e a cadeira: no paciente, a resposta depende da dose de enzima, do volume implantado, do tempo desde a aplicação e do plano em que o gel está — reversível não significa instantâneo, e mais de uma sessão de dissolução é desfecho possível.

Duração. A variável que mais desloca a duração não é a marca, é a combinação entre reticulação do gel, plano de aplicação e mímica da região. O mesmo produto rende mais em plano profundo de malar, onde a movimentação é baixa, do que em lábio, onde a musculatura trabalha o dia inteiro. As faixas divulgadas por cada fabricante vêm dos estudos de registro do produto e descrevem a média do grupo estudado, com critério de avaliação próprio de cada estudo — não são promessas transferíveis para um rosto específico. O parâmetro laboratorial que ajuda a ler essas faixas é o peso molecular: no ensaio comparativo citado acima, a fração de polímero de alto peso molecular diferiu significativamente entre Juvéderm Ultra e Restylane, enquanto a fração de baixo peso molecular não mostrou diferença estatística.3 Metabolismo individual, volume aplicado e intensidade da mímica completam a explicação de por que dois pacientes tratados no mesmo dia, com o mesmo produto, retornam em momentos diferentes.

Onset e o que esperar nas primeiras semanas. O volume aparece no mesmo momento da aplicação, mas o resultado que conta não é o da cadeira. Edema e eventual equimose ocupam os primeiros dias, e o gel leva algumas semanas para acomodar-se ao tecido e assentar no formato definitivo — em lábio, região de maior resposta inflamatória, esse intervalo é o que separa o susto do resultado. Julgar simetria, avaliar necessidade de retoque ou decidir por dissolução antes desse período leva a intervenção desnecessária sobre um resultado que ainda estava se organizando. Por isso a reavaliação é marcada, e não improvisada.

Custo. Em Brasília, a faixa praticada é de R$ 1.900 a R$ 2.800 por seringa, com valores comparáveis entre os dois portfólios. O custo total do tratamento depende do número de seringas e das áreas tratadas, não da marca: a diferença de preço entre Voluma e Lyft, por exemplo, costuma ser menor do que a variação entre clínicas para o mesmo produto. Quando o valor anunciado está muito abaixo dessa faixa, vale desconfiar — costuma sinalizar diluição além do recomendado, fracionamento do frasco entre pacientes ou pouca experiência de quem aplica. Antes de fechar por preço, cabe verificar o registro do médico no CRM ativo em cfm.org.br e conferir a embalagem lacrada do produto na própria sessão.

É por isso que "Juvéderm ou Restylane?" raramente é a pergunta que resolve alguma coisa. A que resolve é "qual gel, em qual plano, para qual região" — e a resposta com frequência usa produtos dos dois portfólios na mesma face, em áreas diferentes, porque cada gel se comporta melhor num lugar específico.

Dr. Thiago Perfeito — médico responsável

Dr. Thiago Perfeito

CRM-DF 23199 · Medicina Estética e Regenerativa

Médico com mais de 10 anos de prática em medicina estética e regenerativa. Mestre em Medicina Estética (2024). Formação internacional em Harvard Medical School e Mayo Clinic. Membro da ASLMS, A4M, AMS e NYAS. Atendimento em Brasília, Lago Sul.

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Perguntas frequentes sobre Juvéderm vs Restylane

  • Juvéderm é melhor que Restylane?

    A pergunta não tem resposta técnica, porque nenhum dos dois nomes descreve um único produto. Juvéderm (Allergan Aesthetics/AbbVie) e Restylane (Galderma) são portfólios que reúnem géis de ácido hialurônico reticulado com propriedades reológicas bem diferentes entre si — há gel firme e gel flexível dentro de cada um. A comparação útil é entre produtos específicos, para uma área específica, e não entre as duas marcas.

  • Qual a diferença entre as tecnologias de reticulação Vycross, Hylacross, NASHA e XpresHAn?

    São nomes comerciais dos processos de reticulação declarados pelos próprios fabricantes. A Allergan usa Hylacross na linha Juvéderm Ultra e Vycross nos produtos Vol- (Voluma, Vollure, Volbella, Volux). A Galderma usa NASHA nos géis de partícula estabilizada (Restylane, Lyft) e XpresHAn/OBT nos géis desenhados para flexibilidade (Refyne, Defyne, Kysse, Contour). O que interessa clinicamente não é a sigla, e sim o que ela produz: módulo elástico (G'), coesividade e capacidade de sustentar projeção versus integrar-se ao tecido em movimento.

  • Qual preenchedor é indicado para cada área do rosto?

    A indicação segue a propriedade do gel, não a marca. Áreas que exigem projeção sobre plano ósseo (malar profundo, mandíbula, mento) pedem gel de alto G' e alta coesividade — Voluma e Volux no portfólio Juvéderm, Lyft no portfólio Restylane. Áreas de mímica intensa (sulco nasogeniano, lábio, linhas periorais) pedem gel de menor G' e maior deformabilidade — Vollure e Volbella de um lado, Refyne, Defyne e Kysse do outro. Em muitos planejamentos, produtos dos dois portfólios são usados na mesma face, em regiões diferentes.

  • Quanto tempo dura o preenchimento e por quanto tempo o gel permanece?

    A duração varia por produto e por área, e não por marca. Géis de maior reticulação e maior coesividade, aplicados em plano profundo e em região de pouca mímica, tendem a durar mais do que géis flexíveis aplicados em lábio ou sulco. As faixas divulgadas vêm de estudos de registro de cada produto e descrevem a média do grupo estudado; metabolismo individual, intensidade da mímica, volume aplicado e plano de injeção deslocam o resultado real. Uma reavaliação após a acomodação do gel é o que define o intervalo de manutenção de cada pessoa.

  • Preenchimento com ácido hialurônico pode ser desfeito?

    O ácido hialurônico reticulado é degradável por hialuronidase, enzima aplicada no consultório. Em ensaio laboratorial que comparou Juvéderm Ultra e Restylane expostos à hialuronidase, ambos foram completamente degradados em 24 horas, com taxas semelhantes entre os produtos. Na prática clínica, a resposta depende da dose de enzima, do volume e do tempo de implante, e pode exigir mais de uma sessão — reversível não é sinônimo de instantâneo. Essa possibilidade de correção não existe em produtos permanentes, como PMMA e silicone líquido.

  • Quanto custa o preenchimento com Juvéderm ou Restylane em Brasília?

    A faixa praticada em Brasília é de R$ 1.900 a R$ 2.800 por seringa, com valores comparáveis entre os dois portfólios. O custo total depende do número de seringas e das áreas tratadas, não da marca: a variação de preço entre clínicas para o mesmo produto costuma ser maior do que a diferença entre marcas. Valor muito abaixo dessa faixa merece cautela — pode indicar diluição além do recomendado, fracionamento do frasco entre pacientes ou pouca experiência de quem aplica.

Referências bibliográficas

  1. Sundaram H, Cassuto D. Biophysical characteristics of hyaluronic acid soft-tissue fillers and their relevance to aesthetic applications. Plast Reconstr Surg. 2013;132(4 Suppl 2):5S-21S. PMID: 24077013
  2. Sundaram H, Rohrich RJ, Liew S, et al. Cohesivity of Hyaluronic Acid Fillers: Development and Clinical Implications of a Novel Assay, Pilot Validation with a Five-Point Grading Scale, and Evaluation of Six U.S. Food and Drug Administration-Approved Fillers. Plast Reconstr Surg. 2015;136(4):678-686. PMID: 26397245
  3. Flynn TC, Thompson DH, Hyun SH. Molecular weight analyses and enzymatic degradation profiles of the soft-tissue fillers Belotero Balance, Restylane, and Juvéderm Ultra. Plast Reconstr Surg. 2013;132(4 Suppl 2):22S-32S. PMID: 24077007
  4. Choi SY, Han HS, Yoo KH, et al. Reduced pain with injection of hyaluronic acid with pre-incorporated lidocaine for nasolabial fold correction: A multicenter, double-blind, randomized, active-controlled, split-face designed, clinical study. J Cosmet Dermatol. 2020;19(12):3229-3233. PMID: 32416026
  5. Wang C, Luan S, Panayi AC, et al. Effectiveness and Safety of Hyaluronic Acid Gel with Lidocaine for the Treatment of Nasolabial Folds: A Systematic Review and Meta-analysis. Aesthetic Plast Surg. 2018;42(4):1104-1110. PMID: 29740661

Preenchimento facial em Brasília

O produto é escolhido pelo médico conforme a área, o plano anatômico e o resultado esperado — não pela marca que o paciente traz na cabeça. Avaliação clínica antes de qualquer aplicação.