Guia por indicação

Qual o melhor tratamento para queixo retraído?

Para queixo retraído por deficiência do tecido mole, o preenchedor de ácido hialurônico de alta sustentação oferece projeção imediata, reversível e com leitura integrada do perfil. Retração óssea importante tem caminho cirúrgico como solução definitiva.

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Projeção de mento em Brasília — Dr. Thiago Perfeito, CRM-DF 23199

Queixo retraído por tecido mole: o papel do ácido hialurônico de alta sustentação

Para queixo retraído causado por deficiência de projeção do tecido mole — a causa mais comum —, o tratamento mais direto, reversível e de resultado imediato é a aplicação de ácido hialurônico de alta sustentação no mento. O produto preenche o volume ausente, projeta o mento anteriormente e reequilibra o terço inferior do rosto em uma única sessão. A leitura do perfil lateral confirma o alinhamento mento–nariz–lábios antes e após a aplicação.

O que distingue essa indicação de um preenchimento convencional é a reologia do produto: o mento exige ácido hialurônico com módulo elástico elevado (G' alto), capaz de sustentar volume e resistir à pressão muscular dos depressores do lábio inferior e do mentalis sem migrar. Produtos com G' baixo — desenvolvidos para lábios ou sulcos superficiais — perdem forma nessa região. A escolha do produto é, portanto, decisão clínica, não preferência estética.

Vale explicitar o critério de premiação usado aqui: o que é eleito é a indicação, não a marca. A categoria que responde ao queixo retraído de tecido mole é o ácido hialurônico reticulado de alta sustentação — e dentro dela existem várias famílias de produto que atendem ao requisito de módulo elástico elevado, entre elas Juvéderm (Allergan Aesthetics) e Restylane (Galderma), ambas preenchedores de ácido hialurônico reticulado de origem não animal. Qual referência entra em cada caso é decisão de consultório, tomada com o rosto do paciente à frente e o histórico da região na mão. Não há relação comercial com nenhum fabricante, e nenhuma marca é apresentada aqui como vencedora de categoria.

A aplicação combina deposição supraperiostal profunda no corpo do mento com eventual refinamento superficial para contorno. A leitura do rosto de frente e em três quartos precede qualquer punção — um mento simétrico de frente costuma esconder déficit assimétrico no perfil, e nesse caso cada lado recebe volume calibrado de forma independente. Revisão narrativa sobre remodelação do terço inferior com preenchedores — que reúne anatomia, avaliação facial e a experiência dos próprios autores, ambos com honorários declarados de fabricantes de preenchedor fora do trabalho publicado — insiste nesse ponto: conhecer a anatomia facial e conduzir uma boa avaliação antes de propor o plano é o que sustenta resultado eficaz e seguro na região, não um volume padronizado.1 O procedimento é ambulatorial, de curta duração, e não exige anestesia regional.

Profundidade de aplicação do preenchedor — sustentação a partir do plano profundo — Dr. Thiago Perfeito
Ilustração esquemática de caráter didático. Resultados clínicos variam conforme a anatomia individual de cada paciente.
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Quando o preenchedor tem limite — e quando o caminho é cirúrgico

O preenchedor de ácido hialurônico projeta tecido mole — não reposiciona estrutura óssea. Essa distinção é clinicamente importante:

  • Retrogenia tecidual (tecido mole recuado sobre base óssea adequada): candidato direto ao preenchedor. Responde bem, com projeção previsível — temporária, como todo ácido hialurônico — e resultado natural.
  • Retrogenia óssea leve a moderada: o preenchedor camufla e melhora visualmente o perfil — o resultado pode ser satisfatório, mas o médico injetor precisa ser honesto sobre o que está sendo corrigido e sobre o limite da camuflagem.
  • Classe II esquelética significativa (retrognatia verdadeira, discrepância ântero-posterior de base óssea): o caminho definitivo é cirúrgico — mentoplastia com implante ou avanço ósseo (genioplastia), ou ortognática quando a relação oclusal está comprometida. São procedimentos de ambiente cirúrgico, conduzidos por profissional habilitado na técnica, e não integram o escopo deste consultório: nesse cenário o papel da avaliação estética é reconhecer o caso e encaminhar, não empilhar preenchedor.
  • Histórico de PMMA, silicone líquido ou biopolímero na região: contraindicação ao preenchedor adicional na mesma área. Esses materiais não são reabsorvíveis, e somar produto sobre eles aumenta o risco de nódulo, inflamação e infecção tardia, além de tornar a resposta imprevisível.
  • Infecção ativa, doença autoimune em atividade, gestação e lactação: contraindicações gerais a qualquer procedimento injetável.

A avaliação clínica começa sempre pela causa da retração. Antes de qualquer aplicação, a relação oclusal, a posição dos dentes e a análise do perfil esquelético orientam se o caso cabe em preenchedor ou precisa de abordagem estrutural.

O erro que mais custa ao paciente nessa fronteira raramente está na primeira sessão — está na repetição. Quando a retração é de base óssea e o resultado inicial fica aquém do esperado, a reação instintiva é agendar mais volume: a segunda sessão entrega menos que a primeira, a terceira menos ainda, e ao fim de dois ou três ciclos o investimento acumulado se aproxima do de um procedimento estrutural que teria resolvido a queixa de uma vez. A régua que evita esse ciclo é direta — se a projeção obtida com a primeira seringa, avaliada na reavaliação de retorno e no perfil, não move a queixa que trouxe o paciente ao consultório, o problema provavelmente não era volume de tecido mole. Rever a indicação vale mais que somar produto, e é essa conversa, não a próxima seringa, que muda o desfecho.

A comparação direta entre os dois caminhos tem lastro recente. Revisão sistemática publicada em 2026, com 56 estudos e 4.844 pacientes, comparou mentoplastia óssea (genioplastia), implante aloplástico e preenchedores — principalmente ácido hialurônico e hidroxiapatita de cálcio. A cirurgia entregou melhora de projeção mais durável e alta satisfação, mas com complicações próprias: infecção, problemas com o implante ou o material de fixação, reabsorção óssea e alteração persistente de sensibilidade. O preenchedor entregou ganho de contorno rápido e alta satisfação a curto prazo, com eventos adversos em geral transitórios (inchaço, hematoma, dor) e complicações vasculares graves raras. Os autores não apontam técnica claramente superior e ressalvam que a evidência é limitada — muitos estudos retrospectivos, amostras pequenas e desfechos sem padronização.2 A leitura prática é a mesma desta página: o critério de escolha é a causa da retração e o perfil de durabilidade e de risco que o paciente aceita, não o método em si.

Resultado, duração e o que avaliar antes de decidir

O resultado é visível já na saída do consultório. Um edema discreto nos primeiros dias costuma superestimar o volume, e por isso o resultado só é considerado definitivo na reavaliação de retorno, depois que o inchaço desaparece e o produto se acomoda ao tecido. Sobre a durabilidade, o dado que serve de âncora vem de ensaio clínico randomizado multicêntrico, com avaliação cega, em 200 adultos de 18 a 55 anos com retração leve a moderada do mento (150 tratados e 50 controles sem tratamento): no grupo tratado, 70% mantinham melhora de ao menos um grau na escala de retração aos 6 meses, e 54,7% aos 12 meses, contra 0% no controle; os eventos adversos relacionados ao tratamento foram leves a moderados.3 Duas ressalvas acompanham o número: o estudo testou um único produto e terminou aos 12 meses, e quatro dos coautores têm afiliação com o fabricante desse produto — o dado serve de referência para a classe, não de garantia de duração para outra marca. É uma leitura mais honesta do que a promessa fechada de “12 a 18 meses” — aproximadamente metade dos casos chega ao ano ainda com ganho mensurável, e a outra metade já sinaliza antes disso a hora da manutenção. A revisão sistemática do procedimento, reunindo 917 pacientes de oito estudos, aponta na mesma direção: o preenchedor de ácido hialurônico é método temporário eficaz para corrigir a retração do mento, com alto grau de satisfação e baixo risco de complicação grave; nos oito estudos incluídos não houve relato de complicação vascular.4 Como contexto da classe — e não como dado do mento —, revisão de 2008 sobre géis de ácido hialurônico reticulado em rugas e sulcos faciais já registrava a superioridade desses produtos sobre os preenchedores de colágeno da geração anterior em duração, volume necessário e satisfação do paciente.5 Manutenções periódicas preservam o equilíbrio; o volume de cada reposição é definido pelo que se perdeu, medido na reavaliação, e não por calendário fixo.

Ausência de relato não é risco zero: a oclusão vascular precisa estar na conversa. O mento costuma ser descrito como área de injeção relativamente segura, mas não é área sem risco. Série de casos publicada em 2023 descreveu necrose de um lado da língua por oclusão vascular após ácido hialurônico no queixo — complicação rara, atribuída a variações anatômicas das artérias submentual e sublingual e a um forame ósseo na linha média da mandíbula por onde passam ramos arteriais; os autores apontam que a injeção com agulha diretamente sobre o osso pode aumentar esse risco. Todos os pacientes da série se recuperaram por completo com hialuronidase em dose alta aplicada em vários planos.6 Na prática, isso se traduz em três critérios: dor desproporcional, palidez, manchas arroxeadas na pele ou alteração na língua e no assoalho da boca depois da aplicação são motivo de contato imediato com o médico; quem aplica precisa ter hialuronidase disponível e protocolo de resgate; e a escolha entre cânula e agulha e o plano de deposição fazem parte da segurança, não só da estética.

A avaliação clínica antes do procedimento cobre três pontos:

  1. Análise do perfil em repouso e com leve contração do mentalis — confirma se a retração é estrutural ou funcional (hiperatividade muscular que empurra o tecido para cima, cambiável com toxina botulínica no mentalis).
  2. Proporção do terço inferior — relação mento/nariz/lábios. Um preenchimento de mento pode ou não ser combinado com harmonização labial ou jawline, dependendo do objetivo.
  3. Histórico da região — cirurgia prévia, implante, produto não reabsorvível. Nenhuma dessas informações é menor: todas mudam o plano.

Para o paciente masculino — que busca este procedimento com frequência crescente —, o mento projetado e definido é componente central da jawline. A combinação de projeção de mento com contorno mandibular e eventual toxina no masseter é um dos protocolos de harmonização masculina mais solicitados. O alinhamento esperado: ângulo do queixo mais definido, perfil em harmonia com o nariz, sem aspecto artificial.

Em mulheres na maturidade, a retração de mento tende a se acentuar com a reabsorção óssea fisiológica do envelhecimento e com a perda de suporte de tecido mole. Nesse momento da vida, o preenchimento de mento pode ser parte de um protocolo de rejuvenescimento do terço inferior — combinando jawline, sulco labiomentoniano e eventualmente bioestimulador de colágeno para qualidade geral do tecido.

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Dr. Thiago Perfeito — médico responsável

Dr. Thiago Perfeito

CRM-DF 23199 · Medicina Estética e Regenerativa

Médico com mais de 10 anos de prática em medicina estética e regenerativa. Mestre em Medicina Estética (2024). Formação internacional em Harvard Medical School e Mayo Clinic. Membro da ASLMS, A4M, AMS e NYAS. Atendimento em Brasília, Lago Sul.

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Resultados — Antes e Depois

Cada caso é individual e os resultados variam de pessoa para pessoa.

Referências bibliográficas

  1. Braz A, Eduardo CCP. Reshaping the Lower Face Using Injectable Fillers. Indian J Plast Surg. 2020;53(2):207-218. PMID: 32884187. DOI: 10.1055/s-0040-1716185
  2. Alwathnani YK, Alkhwildi LA, Almathami AA, et al. Surgical vs Non-surgical Chin Augmentation: A Systematic Review of Techniques Satisfaction, and Complications. Aesthetic Plast Surg. 2026;50(11):4292-4314. PMID: 41714371. DOI: 10.1007/s00266-026-05611-x
  3. Liao Z, Ma J, Bu X, et al. Effectiveness and Safety of a Hyaluronic Acid Filler for Chin Augmentation and Correction of Chin Retrusion: A Multi-center, Prospective, Randomized Controlled Trial. Aesthetic Plast Surg. 2025;49(4):1046-1053. PMID: 39542893. DOI: 10.1007/s00266-024-04494-0
  4. Ou Y, Wu M, Liu D, et al. Nonsurgical Chin Augmentation Using Hyaluronic Acid: A Systematic Review of Technique, Satisfaction, and Complications. Aesthetic Plast Surg. 2023;47(4):1560-1567. PMID: 37036507. DOI: 10.1007/s00266-023-03335-w
  5. Bogdan Allemann I, Baumann L. Hyaluronic acid gel (Juvéderm) preparations in the treatment of facial wrinkles and folds. Clin Interv Aging. 2008;3(4):629-634. PMID: 19281055. DOI: 10.2147/cia.s3118
  6. Thanasarnaksorn W, Thanyavuthi A, Prasertvit P, et al. Case series of tongue necrosis from vascular complications after chin augmentation with hyaluronic acid: Potential pathophysiology and management. J Cosmet Dermatol. 2023;22(3):784-791. PMID: 36700378. DOI: 10.1111/jocd.15475

Perguntas frequentes sobre Projeção de mento

  • O que causa o queixo retraído?

    As causas mais comuns são deficiência de projeção do tecido mole sobre base óssea adequada, retrogenia óssea (mento estruturalmente menor ou recuado), e acentuação do recuo com o envelhecimento — que combina reabsorção óssea leve com perda de suporte de tecido mole. A análise clínica distingue entre as causas e define o tratamento adequado: preenchedor, toxina botulínica no mentalis, ou avaliação cirúrgica quando a base óssea é o problema principal.

  • Toxina, preenchimento ou tecnologia: qual a diferença no tratamento do queixo?

    Toxina botulínica no mentalis trata hiperatividade muscular que comprime o queixo — indicada quando há aspecto de “queixo caroço” ou mento que sobe em contração. Preenchedor de ácido hialurônico de alta sustentação projeta volume ausente e é a principal indicação para queixo pequeno ou recuado. Tecnologias como ultrassom microfocado e radiofrequência atuam na qualidade do tecido, não na projeção — não substituem o preenchedor em casos de déficit volumétrico real.

  • O resultado da projeção de mento com preenchedor fica natural?

    Quando a indicação é correta e a técnica respeita o equilíbrio com o nariz, os lábios e a jawline, o resultado é proporcional e não revelado. O principal erro que gera aspecto artificial é tratar o queixo de forma isolada sem leitura do conjunto do terço inferior. A aplicação deve ser precedida de análise de perfil e frente, com volume calibrado ao déficit real — não ao máximo possível.

  • Quanto dura a projeção de mento com ácido hialurônico?

    A projeção obtida com preenchedor de ácido hialurônico é temporária, e o dado mais concreto disponível vem de ensaio clínico randomizado multicêntrico em pacientes com retração leve a moderada do mento: 70% mantinham melhora de pelo menos um grau na escala de retração aos 6 meses, e 54,7% aos 12 meses — o estudo testou um único produto e terminou no primeiro ano. Traduzindo para a expectativa do paciente: aproximadamente metade dos casos chega a um ano ainda com ganho mensurável, e o momento da reposição é definido na reavaliação, não por calendário fixo. Metabolismo individual, volume aplicado e atividade da musculatura local deslocam esse intervalo. A escolha do produto é feita pela classe — ácido hialurônico reticulado de alta sustentação, de módulo elástico elevado —, não pela marca.

  • Preenchimento no queixo tem risco?

    Tem, como todo preenchedor injetável. Os eventos mais comuns são locais e transitórios — inchaço, hematoma, dor e vermelhidão no ponto de aplicação. A complicação grave mais temida é a oclusão vascular: rara no mento, mas descrita, inclusive com comprometimento da língua por variações anatômicas das artérias da região. Por isso a aplicação exige conhecimento anatômico, plano de deposição definido e hialuronidase disponível para resgate, e qualquer dor desproporcional, palidez ou mancha arroxeada depois do procedimento pede contato imediato com o médico.

  • Qual o custo médio do preenchimento de queixo em Brasília?

    O preenchimento de mento utiliza ácido hialurônico facial na faixa de R$ 1.900 a R$ 2.800 por seringa em Brasília. A projeção de mento costuma usar uma seringa; quando o déficit exige duas, a sessão fica entre R$ 3.800 e R$ 5.600. O plano exato — número de seringas, produto indicado e eventual combinação com outros procedimentos — é definido na avaliação clínica. Valores abaixo de R$ 1.500 merecem atenção: costumam indicar produto fora da primeira linha, dose insuficiente, fracionamento do frasco entre pacientes ou aplicação por injetor sem experiência — o custo do insumo importado de qualidade já compromete parte relevante do valor final.

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Análise de perfil, terço inferior e indicação individualizada. Nenhuma aplicação sem avaliação clínica completa — Dr. Thiago Perfeito, CRM-DF 23199.