Tratamento de flacidez

Morpheus8 ou Ultraformer: qual é melhor para flacidez?

Um entrega calor por microagulhas que atravessam a pele; o outro, por ultrassom focado que não a rompe. A escolha depende menos da tecnologia e mais do tipo de flacidez que se tem.

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Dr. Thiago Perfeito realizando Morpheus8 em Brasília

Como cada tecnologia age na pele

A diferença entre os dois não é de potência: é de via de entrega. O Morpheus8 leva calor à pele por microagulhas que atravessam a superfície; o Ultraformer MPT entrega calor por ultrassom focado, sem romper a pele em nenhum momento. Dessa escolha decorre todo o resto — a profundidade alcançada, o tipo de flacidez que responde, o desconforto, o tempo de recuperação e o custo. Não são concorrentes diretos. Na maioria das avaliações que faço, a pergunta útil não é qual é melhor, e sim qual dos dois problemas aquele rosto tem mais: pele que perdeu firmeza, ou tecido que desceu.

O Morpheus8 é radiofrequência fracionada bipolar entregue por microagulhas. As agulhas atravessam a epiderme e a corrente de radiofrequência circula entre elas, depositando calor de forma controlada na derme e no subcutâneo superficial — a profundidade é regulável no próprio aparelho, e as ponteiras corporais alcançam planos mais profundos do que as que uso na face. O calor produz coagulação imediata do colágeno existente e, nas semanas seguintes, neocolagênese e remodelamento da matriz extracelular. O ganho é contração dérmica progressiva, refinamento de textura e algum efeito sobre gordura superficial. Como a agulha rompe a pele, há microcrostas e há período de recuperação.

O Ultraformer MPT trabalha com ultrassom microfocado (HIFU) e não usa agulha. O transdutor atravessa a pele sem rompê-la e concentra energia em pontos focais de coagulação térmica em profundidades fixas — tipicamente 4,5 mm (SMAS), 3,0 mm (derme profunda) e 1,5 mm (derme). As camadas entre um ponto e outro ficam preservadas, e é por isso que não existe ferida na superfície. O SMAS — sistema músculo-aponeurótico superficial, o plano que os cirurgiões tracionam em um lifting — contrai e cicatriza ao longo de meses, e daí vem o efeito de sustentação. Vale dizer com todas as letras: esse efeito é uma fração do que uma cirurgia produz, e é exatamente assim que apresento a expectativa em consulta.

Traduzindo para a clínica: perda de firmeza e piora de textura, com o tecido ainda no lugar, respondem melhor ao Morpheus8. Descida de tecido — papada, jowl, ângulo mandibular que sumiu — responde melhor ao ultrassom microfocado. As duas tecnologias têm literatura revisada por pares: a radiofrequência microagulhada tem estudo multicêntrico internacional de face média e inferior publicado em Lasers in Surgery and Medicine, periódico da American Society for Laser Medicine and Surgery (ASLMS)[1]; o ultrassom microfocado com visualização foi avaliado em flacidez de mandíbula e submento com medidas biofísicas de elasticidade acompanhadas até 24 semanas[2].

O que a literatura sustenta — e o que ela não sustenta

Vale um cuidado que costuma passar batido em material de divulgação. A evidência dessas duas tecnologias é, em boa parte, evidência de classe: vem de aparelhos da mesma família, não necessariamente do modelo que está na sala. E, sobretudo, ela não é intercambiável entre face e corpo.

Do lado da radiofrequência microagulhada, o estudo que de fato fala de face é o multicêntrico internacional de Gold e colaboradores: 49 pacientes, três sessões mensais, escala de rugas de Fitzpatrick caindo de 5,04 para 3,5 três meses após a última sessão (p < 0,001), melhora significativa pela escala GAIS em 65% dos casos, com firmeza e lifting descritos em face média e inferior[1]. Já o ensaio prospectivo multicêntrico de Alexiades e colaboradores — muito citado quando se fala em radiofrequência subcutânea com controle de temperatura — foi conduzido em celulite de coxa póstero-lateral: 50 pacientes, sessão única a 67 °C, 93% de sucesso na avaliação cega por três avaliadores em seis meses[3]. É um dado sólido, e é um dado corporal. Sustenta o comportamento da radiofrequência no subcutâneo; não sustenta desfecho facial, e eu não o cito como se sustentasse.

Do lado do ultrassom, a avaliação de Kerscher e colaboradores acompanhou 22 pacientes com flacidez moderada a grave de mandíbula e submento após sessão única de ultrassom microfocado com visualização: elasticidade cutânea significativamente aumentada em 12 e 24 semanas, sem alteração da barreira epidérmica e sem eventos adversos no período[2]. É amostra pequena e sem grupo controle. O que ela mostra bem é o perfil de segurança e o tempo que o efeito leva para aparecer — não a magnitude do resultado.

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Quem se beneficia de cada tecnologia

A indicação não é binária — frequentemente as duas tecnologias se complementam no mesmo protocolo. Mas há perfis de candidato com resposta preferencial a cada uma:

  • Indicação primária do Morpheus8 — flacidez cutânea leve a moderada, textura irregular, poros dilatados, melhora de estrias e cicatrizes, gordura localizada superficial (papada incipiente, jowl leve). Funciona bem em pele mais jovem com perda de firmeza sem ptose significativa. Excelente para pescoço e região perioral.
  • Indicação primária do Ultraformer — ptose de contorno com descida de sobrancelha, jowl estabelecido, papada moderada, flacidez cervical com perda de definição do ângulo mandibular. Candidatos que querem efeito de reposicionamento sem cirurgia.
  • Protocolo combinado — casos com ptose E perda de qualidade cutânea. Ultraformer na sessão 1 para estrutura, Morpheus8 na sessão 2 (com intervalo de 4 a 6 semanas) para refinamento de pele.
  • Contraindicações comuns — implantes metálicos na área tratada, marca-passo, gestação, infecção ativa, coagulopatias não controladas, expectativa de resultado cirúrgico em flacidez grave.

Flacidez intensa com excesso cutâneo real não responde adequadamente a nenhuma das duas tecnologias isoladas — nesses casos, a avaliação de lifting cirúrgico é mandatória para resultado duradouro e proporcional ao grau de ptose.

Depois do tipo de flacidez, o critério que mais pesa na minha decisão é a espessura e o comportamento da pele. Pele fina, com pouca gordura de sustentação e transparência aumentada, costuma se comportar melhor com a radiofrequência microagulhada: ganho de espessura dérmica é o que aquela face está pedindo, e o ultrassom, num tecido já rarefeito, encontra pouco a que se agarrar. Pele espessa, oleosa, com gordura preservada e o problema concentrado no contorno, é o cenário em que o ultrassom microfocado rende mais — há massa para reposicionar. No consultório isso se resolve com exame, não com folheto: peço que o paciente franza e relaxe, seguro o tecido com os dedos para ver quanto ele sobe e quanto volta, comparo com uma foto de cinco anos atrás quando ela existe. Esses trinta segundos costumam decidir mais do que qualquer comparativo de fabricante.

A segunda conversa é sobre expectativa e número de sessões, e ela precisa acontecer antes do agendamento, não depois. Morpheus8 é protocolo: em geral três sessões espaçadas por quatro semanas, com resultado que se constrói aos poucos e que só é justo avaliar em foto padronizada aos noventa dias. Ultraformer costuma ser uma sessão, às vezes duas ao ano, com efeito que começa a aparecer entre a quarta e a sexta semana e segue se organizando até o terceiro ou sexto mês. Quem quer ver diferença no espelho na semana seguinte tende a se frustrar com as duas — e é melhor ouvir isso de mim antes de pagar do que descobrir sozinho depois. Ter os dois equipamentos disponíveis na INTI ajuda justamente aqui: a indicação não precisa se ajustar ao que por acaso existe na sala.

Equipamento para Comparativo Morpheus8 versus Ultraformer — Dr. Thiago Perfeito, medicina estética em Brasília.
Produto utilizado em consultório por Dr. Thiago Perfeito (CRM-DF 23199).

Protocolo, recuperação e o que esperar ao longo do tempo

O Morpheus8 é realizado com anestesia tópica (creme anestésico por 45 a 60 minutos antes). Durante o procedimento, há sensação de calor e pressão pontual. Vermelhidão e edema leves persistem por 24 a 72 horas; microcrústas nas agulhas somem em 3 a 5 dias. Maquiagem pode ser usada após 48 horas. Protocolo padrão: 3 sessões com intervalo de 4 semanas, manutenção anual.

O Ultraformer é tolerado sem anestesia na maioria dos pacientes, embora algumas regiões — como o osso zigomático e a mandíbula — sejam mais sensíveis. Não há período de downtime relevante: eritema discreto por algumas horas é o único efeito esperado. O resultado começa a aparecer em 4 a 6 semanas e se consolida em 3 a 6 meses, conforme o remodelamento do SMAS progride. Protocolo padrão: 1 a 2 sessões anuais.

A avaliação clínica define qual tecnologia — ou qual combinação — é a mais eficiente para cada caso. Fotografias padronizadas antes e 90 dias após são essenciais para documentar resultado e orientar o próximo ciclo de tratamento.

Custo em Brasília e por que ele varia tanto

Em Brasília, o Morpheus8 de face em sessão isolada fica entre R$ 6.000 e R$ 9.000. Face e pescoço tratados na mesma sessão vão de R$ 9.500 a R$ 15.000, e o pacote de três sessões de face — formato em que a tecnologia costuma de fato ser indicada — fica entre R$ 19.000 e R$ 45.000. O Ultraformer MPT varia de R$ 1.900 a R$ 9.000 por sessão, e essa amplitude não é arbitrária: depende da área tratada e do número de disparos programado.

Essa última frase é a chave para ler qualquer orçamento de tecnologia. Em injetável, o que se compra é produto; em energia, o que se compra é quantidade de disparos e de passadas — quanto de energia efetivamente entra no tecido. Orçamento de ultrassom muito abaixo da faixa raramente é desconto: costuma ser a mesma área tratada com um terço dos disparos, o que custa um terço e entrega proporcionalmente menos. A lógica vale igual para o Morpheus8, em que profundidade, cobertura e número de passadas mudam o custo por sessão. Quando um valor destoa muito para baixo, a pergunta útil não é "por que está mais barato", e sim "quantos disparos estão incluídos".

Dr. Thiago Perfeito — médico responsável

Dr. Thiago Perfeito

CRM-DF 23199 · Medicina Estética e Regenerativa

Médico com mais de 10 anos de prática em medicina estética e regenerativa. Mestre em Medicina Estética (2024). Formação internacional em Harvard Medical School e Mayo Clinic. Membro da ASLMS, A4M, AMS e NYAS. Atendimento em Brasília, Lago Sul.

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Resultados — Antes e Depois

Cada caso é individual e os resultados variam de pessoa para pessoa.

Perguntas frequentes sobre Comparativo Morpheus8 versus Ultraformer

  • Morpheus8 e Ultraformer podem ser feitos no mesmo dia?

    Não é o protocolo preferencial. O ideal é espaçar 4 a 6 semanas entre as duas tecnologias para permitir que a resposta inflamatória de cada uma seja processada adequadamente e os resultados sejam avaliados separadamente.

  • Qual dura mais, o resultado do Morpheus8 ou do Ultraformer?

    A janela costuma ser semelhante entre as duas, na ordem de 12 a 18 meses quando há manutenção — mas com naturezas diferentes: o Ultraformer costuma dar um efeito de sustentação mais percebido logo no início, enquanto o Morpheus8 entrega melhora de qualidade da pele que se sustenta enquanto o colágeno formado permanece ativo. Envelhecimento, peso e exposição solar seguem correndo em paralelo nos dois casos.

  • Qual é mais doloroso?

    O Morpheus8 requer anestesia tópica e é mais desconfortável durante a aplicação. O Ultraformer causa sensação de calor e pressão, mas geralmente é tolerado sem anestesia — com exceção de áreas ósseas mais sensíveis.

  • Flacidez severa responde a essas tecnologias?

    Flacidez intensa com excesso cutâneo real tem resposta limitada às duas tecnologias. Nesses casos, a avaliação para lifting cirúrgico é mais honesta e eficaz.

  • É possível combinar com preenchimento na mesma sessão?

    Tecnicamente sim, mas o protocolo preferencial é realizar preenchimentos 2 a 4 semanas antes ou após as tecnologias de energia, para evitar interferência no produto injetado pela resposta térmica e inflamatória.

  • Quanto custa Morpheus8 e quanto custa Ultraformer em Brasília?

    Em Brasília, o Morpheus8 de face em sessão isolada fica entre R$ 6.000 e R$ 9.000; face e pescoço na mesma sessão, entre R$ 9.500 e R$ 15.000; o pacote de 3 sessões de face, entre R$ 19.000 e R$ 45.000. O Ultraformer MPT varia de R$ 1.900 a R$ 9.000 por sessão, conforme a área tratada e o número de disparos. Valores muito abaixo dessas faixas costumam indicar número de disparos ou de passadas insuficiente para produzir a resposta térmica pretendida — em tecnologia, a conta que fecha barato demais quase sempre fecha com menos energia entregue.

Referências bibliográficas

  1. Gold M, Taylor M, Rothaus K, Tanaka Y. Non-insulated smooth motion, micro-needles RF fractional treatment for wrinkle reduction and lifting of the lower face: International study. Lasers Surg Med. 2016;48(8):727-733. PMID 27490716. DOI 10.1002/lsm.22546. — Estudo multicêntrico de radiofrequência fracionada microagulhada em face média e inferior. É a referência facial da classe; o sistema estudado usa agulhas não isoladas, portanto sustenta o comportamento da tecnologia, não um modelo específico de aparelho.
  2. Kerscher M, Nurrisyanti AT, Eiben-Nielson C, Hartmann S, Lambert-Baumann J. Skin physiology and safety of microfocused ultrasound with visualization for improving skin laxity. Clin Cosmet Investig Dermatol. 2019;12:71-79. PMID 30666145. DOI 10.2147/CCID.S188586. — Avaliação observacional de ultrassom microfocado com visualização em flacidez de mandíbula e submento (22 pacientes, sessão única, seguimento de 24 semanas). Citada pelo perfil de segurança e pela curva temporal do efeito; amostra pequena e sem grupo controle.
  3. Alexiades M, Munavalli G, Goldberg D, Berube D. Prospective Multicenter Clinical Trial of a Temperature-Controlled Subcutaneous Microneedle Fractional Bipolar Radiofrequency System for the Treatment of Cellulite. Dermatol Surg. 2018;44(10):1262-1271. PMID 30222637. DOI 10.1097/DSS.0000000000001593. — Estudo corporal: celulite de coxa póstero-lateral, sessão única de radiofrequência subcutânea com controle de temperatura. Os 93% de sucesso em seis meses referem-se a esse desfecho de celulite e não a flacidez facial; citado aqui exclusivamente pelo comportamento da radiofrequência no plano subcutâneo.

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Dr. Thiago Perfeito, CRM-DF 23199 — Medicina Estética e Regenerativa. Análise clínica individualizada.