Nanofat: o que é e por que ele não preenche
Nanofat é vocabulário técnico da cirurgia plástica para gordura autóloga processada até virar uma suspensão fina, sem adipócito viável no estudo que descreveu a técnica — por isso ele não substitui preenchimento nem enxertia de volume. Veja o que os estudos citados descrevem, e onde ele entra na conduta.
Agendar ConsultaO que é, em uma frase
Nanofat é gordura do próprio paciente, colhida por lipoaspiração e processada por emulsificação e filtragem até virar uma suspensão fina, na qual o estudo de laboratório original não observou adipócito viável — por isso ele não substitui um preenchedor nem uma enxertia para repor volume.
O termo nasceu de uma técnica descrita em 2013 por um grupo de cirurgiões plásticos da Bélgica: a gordura era colhida como microfat, com uma cânula fina de múltiplos orifícios, e depois passava por uma etapa adicional de emulsificação e filtragem. O resultado era fino o bastante para ser injetado com agulhas de até 27G, o calibre descrito no próprio estudo.
O nome descreve o tamanho da parcela final, não uma marca nem um produto de prateleira: é vocabulário técnico da cirurgia plástica para uma forma específica de processar gordura autóloga, ao lado de outros termos da mesma família, como microfat e millifat, que descrevem parcelas maiores. Uma revisão de 2017 sobre o uso de células regenerativas em cirurgia facial reúne esses termos numa classificação por tamanho de parcela, capacidade de injeção e quantidade de células da fração estromal vascular — nanofat é a parcela mais fina dessa escala, com faixa de 400 a 600 μm.
A colheita da gordura, em qualquer um desses processamentos, é feita por lipoaspiração de uma área doadora, com anestesia — não é um procedimento sem intervenção, mesmo quando a agulha final de injeção é fina.
Por que ele não preenche — o que o artigo original encontrou
No estudo de laboratório que descreveu a técnica, nenhum adipócito — a célula de gordura — viável foi observado na amostra de nanofat. As células-tronco derivadas do tecido adiposo, por outro lado, seguiam ricamente presentes.
O grupo que descreveu o nanofat comparou três amostras da mesma gordura: o lipoaspirado clássico (macrofat), a microfat colhida com cânula de múltiplos orifícios, e a microfat processada em nanofat, por emulsificação e filtragem. As três amostras foram analisadas quanto à viabilidade dos adipócitos e à quantificação de células da fração estromal vascular, incluindo a subfração CD34+. Os autores também cultivaram essas células em meio padrão e em meio adipogênico para testar a qualidade das células-tronco, e encontraram capacidade de proliferação e diferenciação equivalente entre as três amostras — inclusive a de nanofat.
Esse é o achado de laboratório do artigo. O raciocínio que se segue é desta página: sem adipócito viável, não sobra célula de gordura para ocupar espaço físico onde há sulco ou perda de volume. É por isso que, nesta leitura, a indicação de nanofat aponta para outro alvo, que não é volume.
O nível de evidência aqui é o de uma descrição técnica: uma nova forma de processar a gordura, um estudo laboratorial de três amostras e a experiência clínica com 67 casos, três deles descritos em detalhe.
O que ele faz então: qualidade de pele
Nos dois estudos clínicos citados nesta página, o benefício descrito é sobretudo de qualidade de pele — textura, viço, aspecto.
No mesmo artigo que descreveu a técnica, o grupo relata ter aplicado nanofat em 67 casos (rugas superficiais, cicatrizes e pálpebra inferior escura), descreve três em detalhe e registra melhora marcante da qualidade da pele nas aplicações clínicas aos seis meses, sem infecção, cisto de gordura, granuloma ou outro efeito colateral indesejado observado pelos autores.
Uma série de casos publicada em 2020 acompanhou 50 pacientes (48 mulheres e 2 homens, de 35 a 65 anos), sem grupo controle. O produto injetado foi nanofat acrescido de 20% de plasma rico em plaquetas (PRP), aplicado com cânula de 25G no plano subcutâneo da face. Os pacientes foram fotografados antes e 1, 3 e 6 meses depois, e responderam a um questionário de autoavaliação. O resultado clínico ficou aparente entre duas e quatro semanas, com melhora observada continuamente até seis meses; todos os pacientes confirmaram melhora de qualidade de pele. Na análise histológica, biópsias de pele do antebraço, feitas antes e seis meses após a injeção de nanofat sem PRP, mostraram aumento de celularidade dérmica, densidade vascular e de fibras elásticas e colágenas. A fração estromal vascular foi caracterizada em três dos pacientes.
Os autores dessa série também descrevem um efeito de sustentação ('lifting'), identificado, segundo o artigo, pela análise das fotos antes e depois — dentro de uma série de casos sem grupo controle. Na discussão, atribuem esse efeito à injeção do produto em várias áreas do rosto e, citando o artigo de 2013, escrevem que a técnica levou a melhora da aparência facial "sem mudança de volume". É um achado distinto do de laboratório de 2013: aquele trata da ausência de adipócito viável na amostra; este, da aparência do rosto. Os autores concluem que o método 'parece ser' eficaz e que são necessários estudos adicionais.
Onde entra: olheira, textura, cicatriz
Olheira tem pelo menos duas origens diferentes, e elas pedem leituras diferentes: pele fina, pigmentada ou sem viço é queixa de qualidade de pele; sulco ou perda de volume na região é queixa estrutural.
O artigo que descreveu a técnica inclui 'pálpebra inferior escura' entre as indicações tratadas, ao lado de rugas superficiais e cicatrizes. Pela leitura desta página, essa queixa pode reunir pigmento, textura ou sombra por leve perda de volume, e cada componente pede uma resposta diferente. Quando o componente for sulco visível (o chamado tear trough) por perda de volume, a queixa é estrutural — e, pelo raciocínio desta página, sem adipócito viável não há célula de gordura para repor esse volume; essa indicação é discutida caso a caso na avaliação.
Com a idade, as duas queixas podem coexistir — pele mais fina e sem viço, somada a alguma perda de volume da região. Nesse cenário, a avaliação clínica é o que diferencia o que cada procedimento resolve, e pode indicar mais de uma conduta em conjunto.
Cicatriz é outra indicação registrada no mesmo artigo original, ao lado de rugas superficiais e pálpebra inferior escura; nas aplicações clínicas, a melhora registrada pelos autores é de qualidade de pele aos seis meses. O que se pode esperar numa cicatriz específica varia de caso a caso e é estimado na avaliação.
Nanofat, microfat e millifat: três tipos de enxerto
Nanofat, microfat e millifat não são sinônimos — são tipos de enxerto de gordura com tamanho de parcela diferente, numa mesma escala de processamento.
Uma revisão de 2017 sobre o uso de gordura e células regenerativas em cirurgia facial define três tipos de enxerto por tamanho de parcela, capacidade de injeção e quantidade de células da fração estromal vascular: millifat é a parcela maior; microfat vem a seguir, com parcela intermediária; nanofat é a parcela mais fina, de 400 a 600 μm. A obtenção do nanofat por emulsificação e filtragem da microfat é a descrita no artigo de 2013. A mesma revisão avalia que os efeitos regenerativos da fração estromal vascular em cirurgia estética parecem modestos — parece haver achados histológicos definidos de regeneração, mas eles podem não ser clinicamente aparentes para o paciente quando se compara enxerto enriquecido com células a enxerto de gordura simples.
A tabela abaixo resume o que cada fonte citada registra sobre cada tipo; não é uma comparação de resultado clínico entre eles.
| Tipo de gordura processada | Tamanho de parcela | O que as fontes citadas registram |
|---|---|---|
| Millifat | Parcela maior, segundo a revisão de 2017 | Uso clínico discutido na revisão de 2017, ao lado de microfat e nanofat |
| Microfat | Parcela intermediária, segundo a revisão de 2017 | Amostra de comparação no estudo de laboratório de 2013; uso clínico discutido na revisão de 2017 |
| Nanofat | 400–600 μm, segundo a revisão de 2017 | Nenhum adipócito viável observado na amostra de laboratório (2013); melhora de qualidade de pele registrada nas aplicações clínicas do artigo de 2013 e numa série de casos de 50 pacientes, sem grupo controle, com nanofat associado a PRP (2020) |
No consultório, a enxertia de gordura do próprio paciente é feita pelo Lipocube, sistema que permite preparar a gordura como microfat ou nanofat conforme o objetivo. Nesta página, nanofat e microfat são o vocabulário da literatura para essas formas de processar a gordura.
O que esperar e em quanto tempo
Os dois estudos clínicos citados nesta página — um deles com nanofat associado a PRP — relatam melhora perceptível de qualidade de pele entre duas semanas e seis meses após a aplicação, sem garantia de resultado individual.
No artigo que descreveu a técnica, a melhora de qualidade de pele foi registrada aos seis meses, nas aplicações clínicas descritas, sem infecção, cisto de gordura ou granuloma observado pelos autores. Na série de casos de 2020, com nanofat associado a PRP, o resultado clínico ficou aparente entre duas e quatro semanas após a aplicação, com melhora observada continuamente até os seis meses; biópsias de pele do antebraço, feitas antes e seis meses após a injeção de nanofat sem PRP, mostraram aumento de celularidade dérmica, densidade vascular e de fibras elásticas e colágenas.
O primeiro estudo é descrição técnica somada a estudo laboratorial e experiência clínica; o segundo é série de casos sem grupo controle. Os autores da série de 2020 concluem que o método 'parece ser' eficaz, que são necessários estudos adicionais e, na discussão, que a duração do efeito ainda não está clara.
A colheita por lipoaspiração que precede qualquer um desses processamentos envolve anestesia e uma área doadora — não é um procedimento isento de recuperação. Como, nesta leitura, a indicação de nanofat é qualidade de pele, e não volume, quem procura correção de sulco ou perda de volume relevante pode esperar que a avaliação considere outra conduta, seja preenchimento, seja enxertia de gordura voltada a repor volume. É a avaliação com médico habilitado — confira o CRM ativo em cfm.org.br — que define, caso a caso, qual processamento de gordura autóloga, ou outra técnica, responde à queixa apresentada.
Perguntas frequentes sobre nanofat
O que é nanofat?
Nanofat é gordura do próprio paciente, colhida por lipoaspiração e processada por emulsificação e filtragem até virar uma suspensão fina, na qual o estudo de laboratório que descreveu a técnica, em 2013, não observou adipócito (célula de gordura) viável na amostra analisada. É vocabulário técnico da cirurgia plástica para uma forma de processar gordura autóloga, não uma marca ou produto.
Nanofat preenche olheira?
Depende da causa da olheira. O artigo original incluiu 'pálpebra inferior escura' entre as indicações tratadas, ao lado de rugas superficiais e cicatrizes, com melhora descrita como de qualidade de pele. Quando a olheira é por sulco visível e perda de volume (estrutural), a queixa é de volume, que, pelo raciocínio desta página, o nanofat não repõe; essa queixa é discutida caso a caso na avaliação e pode pedir outra conduta.
Quanto custa nanofat no Brasil?
O valor é definido na avaliação clínica. Todo preparo de gordura do próprio paciente começa por uma colheita por lipoaspiração, com anestesia e área doadora, e o orçamento depende da extensão e do objetivo do tratamento. No consultório, esse preparo é feito pelo Lipocube, descrito na página dedicada a ele.
Nanofat e microfat são a mesma coisa?
Não. Segundo uma revisão de 2017 sobre gordura e células regenerativas em cirurgia facial, microfat e nanofat são tipos de enxerto com tamanho de parcela diferente — microfat é uma parcela intermediária, e nanofat é a parcela mais fina (400–600 μm). No artigo de 2013 que descreveu a técnica, o nanofat é obtido a partir da microfat, por emulsificação e filtragem, e nenhum adipócito viável foi observado na amostra de nanofat. O comparativo completo está na página dedicada a microfat vs. nanofat.
Nanofat é a mesma coisa que Lipocube?
Não. Lipocube é o sistema usado no consultório para a enxertia de gordura do próprio paciente, que permite preparar a gordura como microfat ou nanofat conforme o objetivo; ele é descrito na página dedicada a ele. Nanofat e microfat são termos da literatura científica para formas específicas de processar a gordura, e não nomes do sistema.
Nanofat tem risco?
Sim, como todo procedimento que envolve colheita de gordura por lipoaspiração, com anestesia e área doadora. No artigo que descreveu a técnica, os autores registram que não foram observados infecção, cisto de gordura, granuloma ou outro efeito colateral indesejado nas aplicações clínicas. Na série de casos de 2020, com 50 pacientes, sem grupo controle e com nanofat associado a PRP, os autores registraram complicações menores em todos os pacientes — vermelhidão e inchaço entre 2 e 4 dias, alguns hematomas e dor na área doadora — e um paciente teve nódulos na pálpebra inferior, que regrediram espontaneamente após um mês.
Em quanto tempo o nanofat faz efeito?
Numa série de casos de 2020 com 50 pacientes, tratados com nanofat associado a PRP, o resultado clínico ficou aparente entre duas e quatro semanas após a aplicação, com melhora observada continuamente até seis meses. No artigo original de 2013, a melhora de qualidade de pele foi registrada aos seis meses nas aplicações clínicas. A série de 2020 não teve grupo controle, e seus autores afirmam que são necessários estudos adicionais.
Referências bibliográficas
- Tonnard P, Verpaele A, Peeters G et al. Nanofat grafting: basic research and clinical applications. Plast Reconstr Surg. 2013;132(4):1017-1026. PMID: 23783059 · doi:10.1097/PRS.0b013e31829fe1b0
- Menkes S, Luca M, Soldati G et al. Subcutaneous Injections of Nanofat Adipose-derived Stem Cell Grafting in Facial Rejuvenation. Plast Reconstr Surg Glob Open. 2020;8(1):e2550. PMID: 32095390 · doi:10.1097/GOX.0000000000002550
- Cohen SR, Hewett S, Ross L et al. Regenerative Cells For Facial Surgery: Biofilling and Biocontouring. Aesthet Surg J. 2017;37(suppl_3):S16-S32. PMID: 29025218 · doi:10.1093/asj/sjx078
Conteúdo revisado por Dr. Thiago Perfeito — Medicina Estética e Regenerativa, CRM-DF 23199. Atualizado em .
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