Volumização facial

Preenchimento facial dói muito? O que esperar na prática

O medo da dor adia mais preenchimentos do que qualquer outra dúvida. A resposta honesta: dói, em faixa baixa e por pouco tempo — 1 a 2 em 10 no terço médio, 3 a 4 em 10 no lábio, com anestésico tópico em uso. O que muda essa leitura é o preparo, não o limiar de cada um.

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Aplicação de preenchimento labial com ácido hialurônico em Brasília — Dr. Thiago Perfeito

Preenchimento facial dói: quanto, em que escala e por quanto tempo

Dói — em faixa baixa e por pouco tempo. A faixa usada como referência de expectativa, com anestésico tópico em uso, é de 1 a 2 em 10 no terço médio, na mandíbula e na têmpora, e de 3 a 4 em 10 no lábio e na região perioral. O que a maioria descreve é ardência rápida no momento da entrada da agulha e, depois, pressão — não dor aguda mantida. Esses números são referência de conversa, não medida individual: a mesma técnica na mesma região gera leituras diferentes entre duas pessoas, e a literatura clínica mede dor de injeção em escala visual analógica (EVA/VAS) justamente porque não existe valor objetivo a aferir.

O que a literatura mede com precisão não é o valor absoluto da dor, é o quanto cada recurso a reduz. Num estudo multicêntrico, duplo-cego, randomizado, de face dividida, no qual o mesmo gel de ácido hialurônico foi injetado no sulco nasogeniano com e sem lidocaína incorporada, 95,2% dos participantes relataram menos dor no lado com lidocaína imediatamente após a aplicação, com diferença média de 38,6 mm numa escala de 100 mm.1 Uma metanálise reunindo 908 pacientes de 12 ensaios randomizados chegou ao mesmo lugar por outro caminho: EVA cerca de 28,8 mm menor nos primeiros 30 minutos com o gel que já traz o anestésico, sem diferença de eficácia aos 24 meses nem de eventos adversos.2 Uma comparação de face dividida anterior, entre um gel com lidocaína pré-incorporada e o mesmo gel sem ela, já apontava na mesma direção.3

Duas leituras nascem daí, e a segunda interessa mais a quem chega com medo. A primeira: a redução é real e mensurável. A segunda: o efeito de cada recurso isolado é da ordem de um ponto na escala, não de dez. Numa revisão sistemática de injeção facial de toxina botulínica, gel ou spray anestésico, resfriamento e estímulo vibratório reduziram a EVA em relação a nada aplicado, com efeito agrupado de 1,20 ponto (IC 95% 0,70 a 1,69) e evidência de qualidade baixa a moderada.5 Ou seja: nenhuma combinação de creme, gelo e produto com lidocaína transforma o procedimento em algo que não se sente. Material que promete "sem dor nenhuma" está descrevendo uma expectativa que não se sustenta — e é justamente essa promessa que produz a sensação de ter sido enganado quando a primeira picada chega.

Vale também separar duas sensações que costumam ser somadas numa só. A primeira é a punctura: a entrada da agulha ou da cânula na pele, breve e aguda, e a única que o anestésico tópico de fato cobre. A segunda é a distensão do tecido pelo gel — o produto ocupa espaço num plano que estava fechado, e isso é percebido como pressão, peso ou sensação de "cheio", às vezes irradiando para dente ou nariz quando a área é perioral. O tópico não elimina a segunda, porque ela não é estímulo cutâneo: é estiramento de tecido profundo. Saber disso antes muda a leitura da sessão inteira, porque o que se sente na maior parte do tempo não é o furo — é o volume entrando.

O que eleva o desconforto acima dessa faixa é previsível: agulha usada onde a cânula serviria, velocidade de injeção alta, anestésico tópico com tempo ou oclusão insuficientes, e regiões de maior densidade de terminações nervosas livres. Para quem está decidindo, a variável que mais governa o conforto não é o próprio limiar de dor — é o preparo: tempo de anestésico respeitado, instrumento escolhido por região, ritmo de injeção controlado.

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5 fatores que reduzem a dor no preenchimento facial

A experiência de dor no preenchimento facial é amplamente modulável pela técnica. Esses são os cinco determinantes principais:

  1. Anestésico tópico com tempo de ação adequado: creme de lidocaína em concentração para uso tópico aplicado cerca de 30 minutos antes, sob oclusão com filme plástico — não 10 minutos, não sem oclusão. Tempo e oclusão determinam a profundidade que o anestésico alcança na pele. Com o protocolo respeitado, a pele fica bem menos reativa à entrada da agulha; menos reativa, não insensível.
  2. Cânula romba onde a região permite: a cânula tem ponta arredondada, não corta o tecido e desliza entre as fibras, de modo que uma única entrada cutânea cobre uma área extensa. Em ensaio randomizado duplo-cego de face dividida no sulco nasogeniano, o lado tratado com cânula metálica apresentou menos dor, menos edema, menos hematoma e menos eritema no dia da aplicação que o lado tratado com agulha padrão, com correção da ruga equivalente entre os dois.4 O ganho é regional, não universal: em borda de vermelhão do lábio e em pontos que exigem depósito muito preciso, a agulha continua sendo o instrumento adequado — e a decisão se toma por região e objetivo, não como regra de rotina.
  3. Gel com lidocaína já incorporada à seringa: parte das formulações de ácido hialurônico traz lidocaína 0,3% na própria seringa. À medida que o gel é injetado, o anestésico vai atuando no plano de aplicação, o que faz as últimas passagens na mesma área incomodarem menos que a primeira — efeito confirmado em comparações diretas entre o mesmo gel com e sem lidocaína pré-incorporada.3 Não é característica de toda seringa: qual produto disponível para a indicação já traz o anestésico é informação de bula, e vale perguntar em vez de supor.
  4. Velocidade de injeção lenta e controlada: injeção rápida em bolus aumenta a pressão tecidual e, com ela, a percepção de dor. Injeção lenta, em retroinjeção e em leque, distribui o produto de forma uniforme e não gera pico de pressão local — é também o que permite parar no meio do trajeto quando o paciente sinaliza.
  5. Conhecimento anatômico e respeito a zonas de risco: quem conhece a anatomia de cada área deposita o produto no plano correto, sem comprimir estruturas nervosas e sem entrar em zona vascular de alto risco. Técnica inadequada, além de perigosa, dói mais.

Com os cinco fatores aplicados em conjunto, o desconforto em sulcos e terço médio costuma ficar na faixa de 1 a 2 em 10; no lábio, de 3 a 4 em 10.

Fora da lista, dois recursos aparecem com frequência e merecem dimensionamento honesto. Resfriamento local e estímulo vibratório reduzem a pontuação de dor em injeção facial quando comparados a nada aplicado5, mas um ensaio randomizado que comparou vibração, bolsa de gelo e nenhuma intervenção em injeção facial não encontrou diferença significativa entre as três leituras de EVA — e concluiu que a consistência de técnica pesa mais que o recurso tópico escolhido.6 A conduta usual, portanto, é somar recursos simples sem vendê-los como anestesia: tempo de creme respeitado, instrumento escolhido por região, injeção lenta, pausa quando o paciente pede, e conversa durante a aplicação — a antecipação responde por uma parte considerável do que se interpreta como dor.

Há um pedido comum na recepção — "faz o que precisar para eu não sentir nada" — que costuma sair caro justamente no lábio. O bloqueio regional com anestésico injetável reduz de forma marcada a sensação da região e é recurso legítimo em quem tem limiar muito baixo. Só que ele altera temporariamente o tônus da musculatura perioral: o lábio fica pesado e assimétrico durante a sessão, o que atrapalha exatamente a checagem dinâmica que se faz pedindo ao paciente que sorria, franza e pronuncie — a leitura que revela desequilíbrio de projeção antes de a seringa esvaziar. Num procedimento cujo resultado depende de ajuste fino em milímetros, trocar leitura estética por conforto máximo raramente é bom negócio. A régua usual é anestesia suficiente para tolerar bem, não a maior anestesia possível.

Preenchimento labial antes e depois em Brasília — Dr. Thiago Perfeito
Cada caso é individual e os resultados variam de pessoa para pessoa.

Mapa de sensibilidade por área: onde dói mais e onde dói menos

A sensibilidade varia por região anatômica de forma previsível, e é isso que permite avisar o paciente antes de começar. As faixas abaixo são referência de expectativa com anestésico tópico em uso — não medida aferida, e não promessa: servem para que ninguém seja surpreendido pela diferença entre uma área e outra dentro da mesma sessão.

ÁreaEscala (0–10)O que o paciente sente
Malar / zigomático1–2Pressão leve; a punctura raramente é a queixa
Sulco nasogeniano2–3Desconforto leve, tolerável sem bloqueio
Terço inferior / mandíbula1–2Pressão, sem ardor
Lábios (corpo e vermelhão)3–4Ardência moderada — área mais sensível da face
Periorbital / sulco lacrimal2–3Pressão próxima ao olho — mais incômodo que doloroso
Têmpora1–2Pressão discreta; entrada única de cânula

Por que a diferença entre lábio e malar é tão marcada tem duas causas somadas. A primeira é a inervação: lábio e região perioral concentram densidade altíssima de terminações sensitivas, com representação cortical desproporcional ao tamanho da área — é o mesmo motivo pelo qual um corte pequeno no lábio incomoda mais que um arranhão maior na bochecha. A segunda é o plano de injeção. No malar e na têmpora o produto é depositado profundamente, sobre o periósteo ou sob o músculo, onde há poucas terminações nervosas livres e o tecido acomoda volume com folga; no lábio o depósito é superficial, submucoso, num tecido com pouca complacência, e a distensão é imediata e concentrada. Densidade nervosa alta somada a plano superficial explica o salto de 1–2 para 3–4 na escala sem que nada tenha sido feito de errado — e é por isso que quem só fez malar e depois faz lábio na sessão seguinte sente que "dessa vez doeu".

Em quem tem baixa tolerância ou ansiedade elevada, é possível complementar com bloqueio regional usando anestésico injetável em ponto anatômico definido, o que reduz de forma marcada a sensação em lábio superior e área nasal — reduz, sem zerar, e com o custo de alterar temporariamente o tônus perioral e prejudicar a checagem de simetria durante a própria aplicação.

As primeiras 24 a 48 horas trazem edema, sensibilidade ao toque e, com alguma frequência, hematoma — mais evidente em lábio e em região periorbital, onde o tecido é fino. É desconforto de outra natureza: não é a ardência da aplicação, é tecido reagindo a volume novo e à manipulação. Quando a área foi o lábio, costuma incomodar ao falar, comer e escovar os dentes, e tende a ceder de forma clara a partir do terceiro dia. Descrever isso como "não é dor" seria confortável e impreciso: é dor leve, previsível e autolimitada. Compressa fria, sem pressão, ajuda nas primeiras horas. O que distingue esse desconforto esperado de um sinal de alarme é o comportamento — dor que aumenta em vez de diminuir, dor desproporcional ao que foi feito, palidez da pele, mancha rendilhada ou alteração visual pedem contato imediato com o médico que aplicou, em qualquer horário.

Uma dúvida costuma vir junto com o medo da dor: se o protocolo de conforto é cobrado à parte. Anestésico tópico, escolha de instrumento e tempo de sessão integram a aplicação, que em Brasília fica na faixa de R$ 1.900 a R$ 2.800 por seringa conforme a região tratada e o volume necessário — o mesmo valor com ou sem bloqueio regional. Se aparecer "taxa de anestesia" cobrada separadamente, vale perguntar exatamente o que ela cobre.

Dr. Thiago Perfeito — médico responsável

Dr. Thiago Perfeito

CRM-DF 23199 · Medicina Estética e Regenerativa

Médico com mais de 10 anos de prática em medicina estética e regenerativa. Mestre em Medicina Estética (2024). Formação internacional em Harvard Medical School e Mayo Clinic. Membro da ASLMS, A4M, AMS e NYAS. Atendimento em Brasília, Lago Sul.

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Perguntas frequentes sobre Preenchimento facial com ácido hialurônico

  • O preenchimento facial dói muito?

    Dói pouco e por pouco tempo — mas dói. Com anestésico tópico aplicado cerca de 30 minutos antes sob oclusão, gel com lidocaína incorporada à seringa e cânula nas regiões em que ela serve, a faixa usada como referência de expectativa é 1 a 2 em 10 no terço médio, na mandíbula e na têmpora, e 3 a 4 em 10 no lábio. A maior parte do que se sente não é a agulha: é a pressão do gel distendendo o tecido. Nenhum protocolo entrega ausência total de sensação, e material que promete isso está descrevendo expectativa que não se sustenta.

  • Como a anestesia tópica funciona no preenchimento?

    Creme de lidocaína em concentração para uso tópico é aplicado na área a ser tratada cerca de 30 minutos antes, coberto com filme plástico (oclusão). O tempo e a cobertura determinam a profundidade que o anestésico alcança; sem oclusão ou com tempo insuficiente, o efeito é parcial. O que o tópico cobre é a entrada da agulha na pele — não a distensão do tecido pelo gel, que é estímulo profundo. Em revisão sistemática de injeção facial de toxina botulínica, gel ou spray anestésico, resfriamento e estímulo vibratório reduziram a pontuação de dor em cerca de 1,2 ponto na escala em relação a nenhuma medida.

  • Cânula dói menos que agulha no preenchimento?

    Na maioria das regiões, sim — mas não em todas. A cânula tem ponta arredondada, não corta o tecido e permite cobrir uma área extensa a partir de uma única entrada cutânea. Em ensaio randomizado duplo-cego de face dividida no sulco nasogeniano, o lado injetado com cânula metálica teve menos dor, edema, hematoma e eritema no dia da aplicação que o lado injetado com agulha padrão, com correção equivalente. O ganho, porém, é regional: em borda de vermelhão do lábio e em pontos que exigem depósito muito preciso, a agulha continua sendo o instrumento adequado. A escolha se faz por região e objetivo, não como regra fixa.

  • Qual área do rosto dói mais no preenchimento?

    O lábio e a região perioral. A faixa de referência ali é 3 a 4 em 10, contra 1 a 2 em 10 em malar, mandíbula e têmpora. Duas causas somadas explicam a diferença: densidade muito alta de terminações sensitivas na região e plano de injeção superficial, num tecido com pouca complacência, em que a distensão é imediata. Em quem tem limiar muito baixo, o bloqueio regional com anestésico injetável reduz de forma marcada a sensação da área — sem prometer ausência dela — e tem um custo a considerar: altera temporariamente o tônus perioral e atrapalha a checagem dinâmica de simetria durante a própria sessão.

  • O que sentir no pós-procedimento do preenchimento facial?

    Edema, sensibilidade ao toque e, com alguma frequência, hematoma nas primeiras 24 a 48 horas — mais evidente em lábio e em região periorbital, onde o tecido é fino. É desconforto de outra natureza: não é a ardência da aplicação, é tecido reagindo a volume novo. Quando a área foi o lábio, costuma incomodar ao falar, comer e escovar os dentes, e tende a ceder de forma clara a partir do terceiro dia. Compressa fria sem pressão ajuda nas primeiras horas. O que distingue esse desconforto esperado de sinal de alarme é o comportamento: dor que aumenta em vez de diminuir, dor desproporcional, palidez, mancha rendilhada na pele ou alteração visual pedem contato imediato com o médico que aplicou, em qualquer horário. O resultado se estabiliza por volta de 14 dias.

Referências bibliográficas

  1. Choi SY, Han HS, Yoo KH, Lee JS, Kim BJ, Lee YW. Reduced pain with injection of hyaluronic acid with pre-incorporated lidocaine for nasolabial fold correction: a multicenter, double-blind, randomized, active-controlled, split-face designed, clinical study. J Cosmet Dermatol. 2020;19(12):3229-3233. PMID 32416026 · doi:10.1111/jocd.13421
  2. Wang C, Luan S, Panayi AC, Xin M, Mi B, Luan J. Effectiveness and safety of hyaluronic acid gel with lidocaine for the treatment of nasolabial folds: a systematic review and meta-analysis. Aesthetic Plast Surg. 2018;42(4):1104-1110. PMID 29740661 · doi:10.1007/s00266-018-1149-3
  3. Levy PM, De Boulle K, Raspaldo H. A split-face comparison of a new hyaluronic acid facial filler containing pre-incorporated lidocaine versus a standard hyaluronic acid facial filler. J Cosmet Laser Ther. 2009;11(3):169-173. PMID 19337944 · doi:10.1080/14764170902833142
  4. Hexsel D, Soirefmann M, Porto MD, Siega C, Schilling-Souza J, Brum C. Double-blind, randomized, controlled clinical trial to compare safety and efficacy of a metallic cannula with that of a standard needle for soft tissue augmentation of the nasolabial folds. Dermatol Surg. 2012;38(2):207-214. PMID 22092962 · doi:10.1111/j.1524-4725.2011.02195.x
  5. Van Hout G, Vissers G, Tondu T, Thiessen F, Verhoeven V. Impact of topical analgesia on injection pain perception in facial botulinum toxin injections: a systematic review and meta-analysis. J Plast Reconstr Aesthet Surg. 2025;110:130-143. PMID 41043339 · doi:10.1016/j.bjps.2025.08.024
  6. Chorney SR, Villwock JA, Suryadevara AC. Vibration versus ice to reduce cosmetic botulinum toxin injection pain — a randomized controlled trial. Ear Nose Throat J. 2019;98(6):351-355. PMID 31072196 · doi:10.1177/0145561319839839

As referências 5 e 6 avaliaram dor de injeção facial de toxina botulínica, não de preenchedor: valem como medida do efeito dos recursos tópicos e de resfriamento sobre a dor da punctura na face, e estão citadas nesse limite.

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