Pós-procedimento e segurança

Sintomas depois de harmonização glútea: o que é normal e o que é sinal de alarme?

Dor parecida com a de treino, inchaço e roxo fazem parte do curso esperado e melhoram a cada dia. Sintoma que inverte a direção e piora muda de categoria — e tem hora e caminho certos para ser avaliado.

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Camadas da região glútea e planos de aplicação de ácido hialurônico corporal e bioestimulador em Brasília — Dr. Thiago Perfeito, CRM-DF 23199

O que o corpo sinaliza nos primeiros dias — e o que isso significa

Sim, dói — e a dor esperada é do tipo muscular, parecida com a de um treino intenso de glúteo, com pico nas primeiras 24 a 48 horas e melhora dia após dia até o fim da primeira semana. Inchaço, roxo, sensação de peso ao sentar e calor discreto na área também entram no curso normal e são autorresolutivos. O que não entra: dor que piora depois das 48 horas em vez de melhorar, palidez, manchas em padrão marmóreo, escurecimento ou esfriamento da pele, febre, vermelhidão que se espalha para fora da área tratada e qualquer secreção. Diante desses últimos, o contato com o médico é imediato — e, se ele não for alcançado na hora, o caminho é o pronto-socorro no mesmo momento.

Uma observação de vocabulário antes de tudo, porque ela muda a conduta: "harmonização glútea" é o nome popular de um conjunto de procedimentos diferentes, não de um único. Sob esse guarda-chuva cabem o ácido hialurônico corporal (UPmax, Sofiderm), que entrega volume imediato, é reabsorvível e pode ser degradado com hialuronidase quando necessário; os bioestimuladores de colágeno, como Radiesse (hidroxiapatita de cálcio) e Sculptra (ácido poli-L-láctico), que não dão volume imediato, agem por indução progressiva de colágeno e não têm agente dissolvente equivalente à hialuronidase; a enxertia de gordura autóloga, que é cirurgia de transferência de tecido e tem risco próprio de embolia gordurosa; e, fora de qualquer conduta médica, PMMA, biopolímeros, silicone líquido industrial e hidrogel, que não são reabsorvíveis. O perfil de intercorrência e o que se pode fazer diante dela mudam conforme o material — por isso a primeira informação útil em qualquer atendimento de urgência é o que foi aplicado, em que quantidade e por quem. Vale guardar a etiqueta, a nota ou a foto da caixa do produto.

O edema é a resposta inflamatória fisiológica ao trauma da agulha ou cânula e ao volume introduzido. Ele costuma ser mais evidente nas primeiras 24 a 48 horas e se resolve progressivamente até 72 horas na maior parte dos casos. Durante esse período, a região pode parecer assimétrica — o que gera ansiedade desnecessária: a assimetria temporária é quase sempre reflexo do edema diferencial entre os lados, não do resultado final.

A equimose, o roxo visível sob a pele, ocorre quando pequenos vasos são atravessados durante a aplicação. Não indica erro de técnica; é uma variação anatômica individual. Resolve em 7 a 14 dias com o metabolismo normal do hematoma.

A sensibilidade local — descrita por muitas pacientes como uma dor muscular de treino intenso — também é esperada. A região glútea tem musculatura volumosa e densa inervação, e o tecido responde ao procedimento com essa sensação de peso e pressão, que cede à medida que o edema recua. Na prática, o incômodo costuma ser mais evidente ao sentar em superfície dura, ao subir escada e ao pressionar a área com o dedo; tende a ser máximo nas primeiras 48 horas, cai de forma perceptível entre o terceiro e o quinto dia e costuma estar residual ou ausente ao fim da primeira semana. Dor que ainda incomoda no décimo dia, sem tendência de queda, já não cabe nesse roteiro e é motivo de avaliação, mesmo sem febre e sem alteração de cor da pele. Calor discreto nas primeiras horas, restrito à área tratada e sem vermelhidão que avança, também faz parte do quadro inflamatório inicial — o que tira o calor da categoria "normal" não é a temperatura em si, e sim a companhia: vermelhidão que se expande, secreção ou febre.

Alguns fatores individuais deslocam esse roteiro e vale conhecê-los antes, não depois. Uso de anticoagulante, antiagregante plaquetário ou mesmo de anti-inflamatório e de suplementos que interferem na coagulação torna a equimose mais extensa e mais demorada — o que muda a expectativa, não a segurança. Diabetes, imunossupressão e tabagismo baixam o limiar para infecção e para dificuldade de cicatrização, o que significa procurar avaliação mais cedo diante de vermelhidão ou dor, não mais tarde. Nada disso é motivo para vigilância ansiosa: é motivo para ter um critério escrito e um telefone que atende. O acompanhamento próximo com o médico é o que permite diferenciar o esperado do que requer conduta.

Quase toda a ansiedade do pós-procedimento nasce da falta de uma referência temporal: a paciente sente algo, não sabe se aquilo cabe no curso previsto e passa dias adiando o contato para não parecer exagerada. Por isso a linha do tempo deve ser entregue antes da aplicação, e não depois. O edema tem pico entre 24 e 48 horas e curva descendente a partir daí. A equimose escurece antes de clarear — o que costuma assustar por volta do terceiro dia é exatamente o sinal de que o hematoma está sendo reabsorvido. A sensação de peso ao sentar cede ao longo da primeira semana. O critério prático, portanto, não é a intensidade isolada do sintoma, e sim a direção dele: sintoma que melhora a cada dia segue no roteiro; sintoma que inverte a direção e piora quando já deveria estar recuando muda de categoria e deixa de ser observação domiciliar.

Vale um enquadramento honesto sobre magnitude: eventos adversos graves com preenchedores injetáveis são infrequentes, mas não são inexistentes. Uma análise retrospectiva de 7.659 pacientes que receberam 18.013 mL de preenchedor ao longo de onze anos em um serviço ambulatorial identificou quatro eventos adversos sérios no período — três nódulos cutâneos de início tardio e um comprometimento vascular com necrose cutânea —, todos resolvidos com o tratamento adequado e sem sequela relevante a longo prazo2. A ordem de grandeza é essa: evento raro, mas com nome, com quadro clínico reconhecível e com conduta definida. Nem a leitura de que "não acontece", nem a de que "acontece o tempo todo" ajudam a paciente. O que ajuda é saber reconhecer e saber a quem ligar — e o dado da própria casuística é que o desfecho bom depende do tratamento ter sido feito, não de o evento não ter ocorrido.

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O que é normal e o que pede retorno: a distinção que importa

A linha entre o curso normal e o sinal de alerta existe e é identificável. A confusão entre eles é o que leva algumas pacientes a ignorar sintomas relevantes ou, no outro extremo, a se preocupar com o que é fisiológico. Abaixo, a distinção clínica objetiva.

  • Normal e esperado (resolve sem intervenção):
    • Edema moderado nas primeiras 48 a 72 horas, com redução progressiva;
    • Equimose (manchas roxas) localizada, sem expansão;
    • Sensibilidade tipo dor muscular, tolerável, que melhora com o tempo;
    • Leve assimetria aparente nos primeiros dias por edema diferencial;
    • Calor local discreto nas primeiras horas, restrito à área aplicada.
  • Sinais de alarme — contato ou retorno urgente:
    • Dor intensa, desproporcional ao procedimento, ou que piora progressivamente após 48 horas em vez de melhorar;
    • Palidez súbita, manchas arroxeadas em padrão marmóreo (livedo reticular), escurecimento da pele ou uma área que fica visivelmente mais fria que o restante do glúteo — sinais que podem indicar comprometimento vascular e exigem avaliação imediata, não no dia seguinte. Esses sinais podem surgir durante a aplicação ou nos minutos e horas seguintes, e não apenas no dia seguinte;
    • Dor de instalação súbita e muito intensa durante a própria aplicação, desproporcional ao que vinha sendo sentido até ali — motivo para interromper e reavaliar no ato;
    • Vermelhidão quente que se expande além da área tratada, qualquer tipo de secreção ou febre — sinais clássicos de processo infeccioso. O valor de 37,8 °C costuma ser usado como referência de febre, mas vermelhidão expansiva ou secreção pedem contato no mesmo dia mesmo sem febre alguma: esperar a temperatura subir para ligar atrasa a conduta;
    • Área endurecida que cresce em vez de regredir, ou nódulo doloroso que aparece depois de a recuperação já ter se estabilizado;
    • Falta de ar, dor no peito, tosse com sangue ou alteração do nível de consciência — quadro raro, mas que configura emergência e exige serviço de urgência imediatamente;
    • Qualquer sintoma que fuja do padrão descrito acima e gere dúvida.

Diante de qualquer sinal vascular ou infeccioso, a conduta correta é contato imediato com o médico que aplicou — não observação domiciliar. E aqui vale explicitar o passo que costuma faltar nas orientações de alta: se o médico não for alcançado de imediato, o caminho não é esperar a resposta da mensagem — é procurar um pronto-socorro no mesmo momento. Isso vale de madrugada, no fim de semana, com o consultório fechado e também para quem foi tratada em outro serviço ou em outra cidade. Nenhum sinal vascular deve ficar em espera porque o telefone não foi atendido; leve consigo a informação de qual produto foi aplicado, em que volume e há quanto tempo. O intervalo entre o início do sinal e a avaliação clínica é clinicamente relevante.

A razão anatômica para esse rigor é objetiva: a região glútea é ricamente vascularizada, e um estudo cadavérico com injeção de látex em vinte regiões glúteas mapeou a distribuição tridimensional desses vasos, mostrando que os planos mais profundos e mais mediais abrigam vasos maiores e mais calibrosos — os ramos glúteos superior e inferior chegam a diâmetros de milímetros, contra vasos submilimétricos no plano subcutâneo —, o que sustenta a recomendação de manter a aplicação no plano subcutâneo, acima da fáscia profunda e do músculo, e não dentro dele4. Esse trabalho foi conduzido no contexto da enxertia de gordura, procedimento em que a embolia gordurosa pulmonar é a complicação temida; a anatomia vascular que ele descreve, no entanto, é a mesma para qualquer injeção na região, e é por isso que plano de aplicação, instrumento e técnica não são detalhes de preferência de quem aplica.

Linha do tempo do pós-procedimento: o que costuma acontecer, o que nunca é esperado e o que fazer em cada janela. Referência geral — não substitui a orientação individual do médico que aplicou.
Quando Esperado Não é esperado Conduta
Durante a aplicação e primeiras 24 a 48 horas Edema com pico, calor discreto restrito à área, sensibilidade parecida com dor muscular, leve assimetria por edema. Dor desproporcional ao procedimento ou de instalação súbita na própria aplicação, palidez súbita, livedo reticular, escurecimento ou esfriamento da pele na área tratada. Contato imediato com o médico que aplicou. Sinal vascular se avalia no mesmo momento — não no dia seguinte, não por mensagem sem resposta. Se ele não atender de imediato, pronto-socorro na hora.
Do 2º ao 7º dia Equimose que escurece e depois clareia, edema em redução progressiva, desconforto ao sentar diminuindo a cada dia. Dor que piora depois das 48 horas, eritema que se expande para fora da área tratada, qualquer secreção, febre (referência usual: acima de 37,8 °C). Contato com o médico no mesmo dia — vermelhidão expansiva ou secreção já bastam, sem esperar febre. Se não for possível falar com ele, procurar pronto-socorro no mesmo dia.
De 2 a 6 semanas Edema resolvido e resultado se estabilizando; com bioestimulador, ganho de firmeza progressivo, e não imediato. Nódulo doloroso, endurecimento que cresce, área quente e amolecida ao toque, drenagem espontânea. Retorno para avaliação. Infecção de instalação tardia e reação inflamatória exigem diagnóstico diferencial antes de qualquer tratamento.
Meses depois Textura estável; com ácido hialurônico, redução gradual do volume conforme o produto é reabsorvido. Nódulo novo, inflamação que vai e volta, endurecimento surgindo após um quadro infeccioso ou outro estímulo imunológico. Avaliação médica. Nódulos de início tardio estão descritos na literatura de preenchedores e têm manejo próprio.
A qualquer momento Falta de ar, dor no peito, tosse com sangue, alteração do nível de consciência. Emergência: serviço de urgência imediatamente ou SAMU 192, informando qual substância foi aplicada, quando e por quem.

Manter o canal aberto com o médico é parte do protocolo

O pós-procedimento bem conduzido não termina na sala de aplicação. Ele se estende pelos dias seguintes, com a paciente atenta ao próprio corpo e com acesso direto ao médico para tirar dúvidas ou reportar qualquer alteração.

Vale conhecer o tamanho real da evidência disponível. A revisão sistemática de Mortada e colaboradores reuniu dez estudos publicados entre 2013 e 2022 sobre ácido hialurônico para aumento glúteo, somando apenas 168 pacientes, com volume médio injetado de cerca de 207 mL e duração estimada de efeito em torno de 16 meses. As complicações relatadas foram majoritariamente menores — equimose, eritema, coleção e inflamação no local da injeção, deslocamento do gel, irregularidade de contorno —, mas dois dos estudos incluídos relataram complicações maiores, e os autores concluem explicitamente que, apesar da taxa modesta de complicações, o procedimento ainda pode envolver eventos graves, incluindo hemorragia alveolar difusa e óbito1. Duas leituras erradas cabem nesse achado e nenhuma serve: tratar o dado como prova de que "não acontece nada" ignora a conclusão dos próprios autores; tratá-lo como prova de que o procedimento é perigoso ignora a raridade. A leitura útil é que a base de evidência ainda é pequena, que o desfecho grave existe e é raro, e que a vigilância pós-procedimento não é cortesia — é parte do procedimento.

Na prática clínica, isso se traduz em uma regra simples: diante de qualquer dúvida sobre um sintoma, o contato com o médico é sempre a decisão certa. A lógica de "esperar para ver" faz sentido para o edema que regride — nunca para dor que piora, alteração de coloração ou febre. Nesses casos, a velocidade da avaliação é o que determina o desfecho.

Há ainda uma janela que costuma escapar das orientações de alta: a das semanas e dos meses seguintes. Nódulos de início tardio estão descritos na literatura de preenchedores e podem aparecer quando a paciente já considerava o assunto encerrado, às vezes desencadeados por um quadro infeccioso ou por outro estímulo imunológico. A discussão clínica relevante é o diagnóstico diferencial entre reação inflamatória e infecção de baixa virulência associada a biofilme — colônias bacterianas aderidas ao material implantado, de crescimento lento e cultura frequentemente negativa, que se manifestam como nódulo ou granuloma tardio3. Essa distinção não é acadêmica: antibiótico, anti-inflamatório, hialuronidase e drenagem têm indicações diferentes, e tratar como inflamação o que é infecção pode agravar o quadro. Por isso nódulo tardio é caso de avaliação, nunca de automedicação ou de massagem por conta própria.

Aqui o material aplicado volta a pesar. O ácido hialurônico tem uma via de correção que os demais não têm: a hialuronidase degrada o produto e permite reverter volume mal distribuído, aliviar compressão e reduzir a carga de material diante de uma reação — motivo pelo qual conhecer a marca e o volume aplicados deixa de ser curiosidade e vira dado clínico. Bioestimuladores de colágeno como Radiesse e Sculptra não têm agente dissolvente equivalente: o manejo de um nódulo nesses casos é clínico e leva tempo. Materiais não reabsorvíveis não têm nem uma coisa nem outra. Isso não torna o bioestimulador inseguro nem o ácido hialurônico livre de risco — ambos têm perfil de segurança estabelecido dentro de indicação e técnica corretas. Torna, sim, a escolha do material uma decisão que já embute o cenário de intercorrência, e não apenas o resultado desejado.

Nessa avaliação, a ultrassonografia deixou de ser recurso de exceção. A anatomia ultrassonográfica da região glútea e o padrão de imagem dos diferentes materiais injetáveis já foram descritos e mapeados na literatura — um estudo descritivo brasileiro com 110 pacientes propôs uma divisão sistemática da região em quadrantes para essa leitura e caracterizou o aspecto dos principais preenchedores exógenos5 —, o que permite responder em consultório perguntas que antes dependiam de suposição: em que plano o produto está, se existe coleção, se o nódulo é fibrose ou processo ativo. Quando a paciente não sabe exatamente o que recebeu — situação comum em quem foi tratada em outro lugar —, é a imagem que organiza a conduta.

O preenchimento glúteo com materiais reabsorvíveis — ácido hialurônico corporal (UPmax, Sofiderm), que devolve volume de forma imediata, ou bioestimuladores de colágeno como Radiesse (CaHA) e Sculptra (PLLA), que atuam por indução progressiva de colágeno — é um procedimento com perfil de segurança estabelecido quando realizado com indicação precisa, material adequado e acompanhamento ativo. PMMA, biopolímeros, silicone líquido industrial e hidrogel não integram a conduta do consultório: são materiais não reabsorvíveis, cuja aplicação na região glútea — em geral fora de ambiente médico e sem registro sanitário — está associada a complicações graves: há relato de paciente que evoluiu para insuficiência respiratória logo após injeção glútea bilateral de silicone por aplicador não habilitado, com pneumonite por silicone, hemorragia alveolar difusa e síndrome do desconforto respiratório agudo — quadro que pode progredir em horas6. Quem já recebeu esse tipo de substância e hoje convive com endurecimento, deformidade ou inflamação recorrente merece avaliação com imagem e encaminhamento ao serviço adequado para discutir as opções — não improviso. Antes de qualquer procedimento, vale a checagem básica de que o médico tem CRM ativo, verificável em cfm.org.br.

A orientação contida nesta página é de caráter educativo e não substitui a avaliação individual. Cada paciente tem um curso próprio de recuperação, e a conduta deve ser sempre definida em conjunto com o médico responsável pelo procedimento.

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Dr. Thiago Perfeito — médico responsável

Dr. Thiago Perfeito

CRM-DF 23199 · Medicina Estética e Regenerativa

Médico com mais de 10 anos de prática em medicina estética e regenerativa. Mestre em Medicina Estética (2024). Formação internacional em Harvard Medical School e Mayo Clinic. Membro da ASLMS, A4M, AMS e NYAS. Atendimento em Brasília, Lago Sul.

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Cada caso é individual e os resultados variam de pessoa para pessoa.

Perguntas frequentes sobre Sinais de alarme glúteo

  • Harmonização glútea dói? Por quanto tempo?

    Dói, e a dor esperada tem um padrão reconhecível: sensação de dor muscular, parecida com a de um treino intenso de glúteo, mais evidente ao sentar em superfície dura, ao subir escada e ao pressionar a área. O pico costuma ficar nas primeiras 48 horas, a queda é perceptível entre o terceiro e o quinto dia, e ao fim da primeira semana o desconforto costuma estar residual ou ausente. Analgésico comum pode ser usado quando indicado pelo médico que aplicou. O que muda a leitura não é a intensidade isolada, é a direção: dor que piora depois das 48 horas, ou que ainda incomoda no décimo dia sem tendência de queda, sai do curso esperado e pede avaliação, mesmo sem febre e sem alteração de cor da pele.

  • Inchaço prolongado é normal após o preenchimento glúteo?

    Edema moderado nas primeiras 48 a 72 horas é esperado e faz parte da resposta inflamatória ao procedimento. Se o inchaço for intenso, crescente ou persistir além de 5 a 7 dias sem qualquer redução, o retorno para avaliação é indicado. O edema inicial também pode criar aparência de assimetria temporária, que se desfaz à medida que o volume inflamatório recua.

  • Dor intensa após o procedimento requer retorno ao médico?

    Sim. Uma sensibilidade tipo dor muscular é esperada e tende a melhorar progressivamente. O que pede avaliação urgente é dor de intensidade desproporcional ao procedimento, ou que piora após 48 horas em vez de regredir. Dor crescente é o principal sinal de alerta clínico, pois pode indicar complicação vascular ou infecciosa que exige conduta precoce.

  • Febre depois do preenchimento glúteo é sinal de alerta?

    Sim. Febre — 37,8 °C é a referência usual — sugere processo infeccioso e requer contato imediato com o médico, ainda mais quando vem acompanhada de vermelhidão que se expande além da área tratada ou de qualquer secreção. Um ponto importante: vermelhidão expansiva e secreção pedem contato no mesmo dia mesmo sem febre nenhuma. Esperar a temperatura subir para ligar só atrasa a conduta. Não aguarde o próximo dia nem uma consulta de rotina nesses casos; se não conseguir falar com o médico que aplicou, procure um pronto-socorro no mesmo dia. A avaliação precoce é determinante para o desfecho de qualquer infecção pós-procedimento.

  • Vermelhidão e calor local até quando são esperados?

    Calor discreto e leve eritema restritos à área de aplicação nas primeiras horas são reações inflamatórias normais. O que não é esperado: vermelhidão que se expande progressivamente para além da área tratada, que piora com o tempo ou que aparece acompanhada de febre. Esse padrão expansivo é sinal de infecção e deve ser avaliado sem demora.

  • Quando devo ligar urgente para o médico após o preenchimento glúteo?

    Entre em contato imediatamente diante de: dor que piora após 48 horas; palidez súbita, manchas em padrão marmóreo ou escurecimento da pele na região tratada (possível sinal vascular); vermelhidão expansiva, secreção ou febre (sinais de infecção); área endurecida que cresce. Sinais vasculares podem aparecer durante a própria aplicação ou nas horas seguintes, não só no dia seguinte. E se o médico que aplicou não for alcançado de imediato, não espere a resposta da mensagem: procure um pronto-socorro no mesmo momento, informando qual produto foi aplicado, em que volume e há quanto tempo. Em eventos vasculares, o tempo entre o reconhecimento do sinal e a avaliação clínica é clinicamente determinante.

  • Um nódulo que aparece semanas ou meses depois ainda tem relação com o preenchimento?

    Pode ter. Nódulos de início tardio são descritos na literatura de preenchedores e podem surgir de semanas a meses após a aplicação, às vezes desencadeados por um quadro infeccioso ou por outro estímulo imunológico. O diagnóstico diferencial mais importante é entre reação inflamatória e infecção de baixa virulência associada a biofilme, porque a conduta muda: antibiótico, anti-inflamatório, hialuronidase e drenagem têm indicações distintas. A ultrassonografia da região glútea ajuda a caracterizar o achado. O caminho correto é retornar ao médico para avaliação, e não tratar por conta própria.

  • Falta de ar ou dor no peito depois de uma aplicação no glúteo é emergência?

    Sim, e não deve ser observado em casa. Dispneia, dor torácica, tosse com sangue ou alteração do nível de consciência após qualquer injeção na região glútea configuram emergência médica: procure um serviço de urgência imediatamente ou acione o SAMU (192), informando qual substância foi aplicada, quando e por quem. Esse quadro é raro e está descrito sobretudo após injeção de grandes volumes de gordura ou de substâncias não reabsorvíveis aplicadas fora de ambiente médico, como silicone líquido industrial. Isso não isenta o ácido hialurônico: a revisão sistemática sobre aumento glúteo com esse material registra, entre os eventos graves possíveis, hemorragia alveolar difusa e óbito. Ou seja, a conduta diante de sintoma respiratório é a mesma, qualquer que tenha sido o produto aplicado — urgência, não observação domiciliar.

  • Quanto tempo dura o resultado da harmonização glútea?

    Depende do material. Nos estudos reunidos pela revisão sistemática sobre ácido hialurônico para aumento glúteo, a duração estimada do efeito ficou em torno de 16 meses; linhas corporais de ácido hialurônico de alta coesividade têm durabilidade citada pelo fabricante de até cerca de 24 meses. Bioestimuladores de colágeno seguem outra lógica: não entregam volume imediato e o ganho de firmeza aparece de forma progressiva ao longo de semanas a meses. Isso importa para a leitura de sintomas tardios: a redução gradual e simétrica do volume, à medida que o produto reabsorve, é esperada. Nódulo novo, endurecimento que cresce ou inflamação que vai e volta não são parte da reabsorção e pedem avaliação com exame de imagem.

Referências bibliográficas

  1. Mortada H, Alkadi D, Saqr H, Sultan F, Alturaiki B, Alrobaiea S, et al. Effectiveness and Role of Using Hyaluronic Acid Injections for Gluteal Augmentation: A Comprehensive Systematic Review of Techniques and Outcomes. Aesthetic Plast Surg. 2023;47(6):2719-2733. doi:10.1007/s00266-023-03458-0 · PMID: 37407710
  2. Kern JA, Kollipara R, Hoss E, Boen M, Wu DC, Groff W, et al. Serious Adverse Events With Injectable Fillers: Retrospective Analysis of 7,659 Patient Outcomes. Dermatol Surg. 2022;48(5):551-555. doi:10.1097/DSS.0000000000003409 · PMID: 35170541
  3. Ibrahim O, Overman J, Arndt KA, Dover JS. Filler Nodules: Inflammatory or Infectious? A Review of Biofilms and Their Implications on Clinical Practice. Dermatol Surg. 2018;44(1):53-60. doi:10.1097/DSS.0000000000001202 · PMID: 28538034
  4. Ordenana C, Dallapozza E, Said S, Zins JE. Objectifying the Risk of Vascular Complications in Gluteal Augmentation With Fat Grafting: A Latex Casted Cadaveric Study. Aesthet Surg J. 2020;40(4):402-409. doi:10.1093/asj/sjz237 · PMID: 31665218
  5. Ducati EPJ, Magacho-Vieira FN, Câmara CBF, de Sousa Lima G, de Araujo Guarinello CS. Reviewing the Ultrasound Anatomy of the Gluteal Region and the Mapping of Fillers. J Cosmet Dermatol. 2025;24(10):e70499. doi:10.1111/jocd.70499 · PMID: 41097881
  6. Blanco J, Gaines S, Arshad J, Sheele JM. Silicone pneumonitis, diffuse alveolar hemorrhage and acute respiratory distress syndrome from gluteal silicone injections. Am J Emerg Med. 2018;36(12):2340.e3-2340.e4. doi:10.1016/j.ajem.2018.09.022 · PMID: 30224271

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