Estética masculina

Preenchimento malar masculino: como projetar sem feminilizar o rosto

No homem, a proeminência do zigoma é lateral e posterior — não ântero-medial como no rosto feminino. Errar esse vetor é o que produz a "maçã do rosto" que denuncia o procedimento. O resultado correto é invisível: estrutura preservada, sem que ninguém saiba o que foi feito.

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Preenchimento malar masculino em Brasília — Dr. Thiago Perfeito, CRM-DF 23199

Preenchimento malar masculino: por que o vetor é lateral, e não ântero-medial

Resposta direta: no rosto masculino o preenchimento malar vai para a vertente lateral do zigoma e para o arco zigomático, em plano profundo, com projeção lateral e posterior — nunca para a bochecha ântero-medial, que é justamente o compartimento responsável pela leitura feminina do terço médio. A faixa de referência em Brasília para preenchimento malar com duas seringas é de R$ 3.800 a R$ 5.600, e o número real de seringas só se define na avaliação presencial.

Preenchimento facial masculino bem feito é invisível — e isso não é coincidência, é planejamento anatômico. O rosto masculino adulto difere do feminino em estrutura óssea, espessura de tecido mole, padrão de envelhecimento e proporção entre terços. Ignorar essas diferenças é o caminho direto para um resultado que parece feito.

As principais diferenças estruturais que definem a abordagem clínica:

  • Malar mais lateral e menos proeminente medialmente — nos homens, a proeminência zigomática está deslocada para a lateral, não para cima e para frente como no rosto feminino. A gordura do terço médio não é uma massa única: ela se organiza em compartimentos discretos, separados por barreiras fasciais, que perdem volume de forma desigual — bochecha medial profunda, nasogeniano, compartimento médio superficial e compartimento lateral são unidades independentes, e é possível preencher uma sem preencher as outras5. Essa é a base técnica da regra masculina: trata-se o compartimento lateral e se deixa o medial profundo em paz. Preenchimento malar centralizado, em plano alto e anterior, cria o efeito de "maçã do rosto" que é tipicamente feminino.
  • Mandíbula mais angulosa e projetada lateralmente — o ângulo gonial masculino é, em média, mais fechado que o feminino, o que contribui para o "quadrado" lateral característico. Vale a ressalva de que a diferença é pequena e não serve como marcador isolado de sexo: em série tomográfica de 300 adultos, os homens apresentaram ângulo gonial ligeiramente menor que as mulheres em todas as faixas etárias, mas a diferença só alcançou significância estatística no grupo de 60 a 80 anos7. Ou seja, a masculinidade da linha mandibular não está num número de ângulo — está no conjunto: largura do ramo, projeção do mento e transição entre mandíbula e pescoço. Qualquer preenchimento que suavize esse conjunto — volume excessivo ou posicionado na região central do ramo — feminiliza o contorno.
  • Lábio menor proporcionalmente ao terço inferior — o lábio masculino tem menor proporção entre vermelhão e total. Aumentar volume labial em homem costuma criar resultado inconsistente com a estrutura mandibular.
  • Fronte mais projetada e com sulcos mais profundos — a fronte masculina tem cristas supraorbitais mais proeminentes e rugosidades mais marcadas. A glabela masculina tem angulação diferente da feminina, o que influencia a abordagem de toxina botulínica na área — mas também a relação proporcional que o preenchimento mandibular deve criar com o restante do rosto.

A literatura clínica dedicada ao paciente masculino documenta essas diferenças anatômicas e biológicas e as implicações diretas sobre técnica e dose — com ênfase explícita na distinção entre os sexos, e não apenas na transposição do protocolo feminino1. Revisões sobre preenchedores de ácido hialurônico em homens descrevem que as áreas de tratamento demandadas são diferentes das femininas e exigem um arsenal distinto de produtos para cada objetivo — atenuação de rugas, volumização e escultura de contorno facial2.

A diferença mais determinante não é nenhuma dessas isoladamente — é a ordem do planejamento. Na paciente mulher, o roteiro habitual parte do terço médio e deixa o inferior como consequência. No homem, a sequência com melhor previsibilidade é a inversa: primeiro o ponto de sustentação ósseo do terço inferior — ângulo gonial e mento — e só então a decisão sobre se o terço médio precisa de alguma coisa. Na maioria dos casos não precisa. O perfil mais frequente na estética masculina é o homem de 35 a 60 anos convencido de que o problema é "o rosto caindo", quando o exame mostra que o volume do terço médio está razoavelmente preservado e o que se perdeu foi a definição da moldura mandibular.

Há base anatômica para essa leitura. Estudo tomográfico comparando cabeças de cadáver de faixas etárias distintas demonstrou que o envelhecimento do terço médio se dá principalmente por migração inferior dos compartimentos de gordura e por deslocamento do volume dentro de cada compartimento — não por deflação uniforme6. A consequência prática é direta: repor volume alto e anterior no terço médio para tratar tecido que desceu não devolve a posição perdida; adiciona projeção onde ela não faltava. Tratar a queixa pelo terço médio é o erro clássico — resolve o mapa errado e entrega justamente a leitura arredondada que o paciente veio evitar.

Três parâmetros de avaliação mudam a conduta mais do que a escolha da marca: ângulo (quanto do gonial ainda existe e se a perda é óssea ou de tecido mole), densidade do produto no plano certo (na mandíbula, gel firme direto no osso — produto macio ou superficial vira contorno mole, exatamente o oposto do objetivo) e ponto de sustentação (o vetor tem de projetar para lateral e para trás, nunca para frente e para cima). Quatro condutas são desaconselhadas no rosto masculino como regra: preencher sulco nasogeniano isoladamente, elevar a cauda da sobrancelha, arredondar têmpora e adicionar volume anterior à linha da pupila. Cada uma delas, sozinha, já é suficiente para feminilizar um rosto masculino sem que o paciente saiba explicar o que ficou estranho.

Profundidade de aplicação do preenchedor — sustentação a partir do plano profundo — Dr. Thiago Perfeito
Ilustração esquemática de caráter didático. Resultados clínicos variam conforme a anatomia individual de cada paciente.
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Maçã do rosto, ângulo gonial, mento e têmporas: os volumes que o fabricante declara

"Quantas seringas" é a pergunta que mais aparece antes da consulta, e é também onde circula mais número inventado. Os valores abaixo não são opinião de consultório: são volumes publicados pelos próprios fabricantes nas Instruções de Uso e nos estudos pivotais registrados junto às agências reguladoras. Uma ressalva antes da tabela, porque ela muda a leitura: quase todos esses números são medianas observadas em estudo clínico, não posologia prescrita. Servem como referência de ordem de grandeza — e como parâmetro para reconhecer um orçamento fora da curva —, jamais como plano de tratamento à distância.

Volumes declarados pelo fabricante, por região. Medianas de estudo, salvo indicação de teto.
Região Volume declarado Produto / fonte
Região zigomaticomalar (a "maçã do rosto" propriamente dita) Mediana de 2,0 mL Juvéderm Voluma XC (Allergan) — bula/DFU
Bochecha ântero-medial Mediana de 2,0 mL Juvéderm Voluma XC — bula/DFU
Região submalar Mediana de 2,1 mL Juvéderm Voluma XC — bula/DFU
Terço médio — total das três sub-regiões somadas Mediana de 6,6 mL (faixa de 1,2 a 13,9 mL); 4,8 mL na sessão inicial Juvéderm Voluma XC — dossiê do estudo pivotal
Bochecha / terço médio Mediana de 3,80 a 4,00 mL no total (cerca de 1,9 seringa por lado) Restylane Contour (Galderma) — bula/IFU
Contorno mandibular Mediana de 4,35 mL na sessão inicial; 6,8 mL somando inicial e retoque; 3,0 mL na manutenção. Acima de 9 mL não foi estudado Juvéderm Volux XC (Allergan) — bula/DFU
Mento e região do queixo Mediana total de 2,4 mL (faixa de 0,7 a 4,0 mL): 1,0 mL no pogônio, 0,5 mL no mento e 1,0 mL nos sulcos pré-jowl somados. Teto de protocolo: 4 mL Juvéderm Voluma XC — bula/DFU
Têmporas (as duas somadas) Mediana de 3,65 mL; máximo de 3 bolus por lado por consulta, em plano supraperiostal Juvéderm Voluma XC — bula/DFU
Teto anual, somando produtos e sessões 20 mL de qualquer gel da linha por 60 kg de massa corporal por ano Juvéderm (linha completa) — bula/DFU

Duas leituras clínicas saem dessa tabela, e nenhuma delas é óbvia à primeira vista.

A primeira: no estudo pivotal do Voluma XC as três sub-regiões do terço médio foram injetadas em proporções equivalentes — cerca de 2 mL em cada uma. Esse desenho é adequado para demonstrar eficácia de produto, mas é exatamente o oposto do que a anatomia masculina pede. Somar 2 mL na zigomaticomalar, 2 mL na bochecha ântero-medial e 2 mL na submalar em um homem entrega os 6,6 mL da mediana do estudo e, junto, a leitura arredondada de terço médio que a página inteira descreve como resultado indesejado. Em rosto masculino a distribuição é assimétrica por princípio: peso na vertente lateral e no arco zigomático, quase nada na porção ântero-medial. O total costuma cair bem abaixo da mediana do estudo — o que também explica por que a faixa canônica de duas seringas, de R$ 3.800 a R$ 5.600, cobre a maioria dos casos masculinos de malar isolado.

A segunda: a própria bula do Voluma XC registra um sinal de segurança dependente de volume — eventos adversos foram observados com mais frequência em quem recebeu volumes acima de 9 mL e em pacientes acima dos 60 anos. Combinado com o teto anual de 20 mL por 60 kg, isso desloca a conversa de "quanto dá para colocar" para "quanto ainda cabe com segurança neste paciente, neste ano". A instrução técnica que acompanha esses números vale ser dita ao paciente, porque explica a técnica: o fabricante recomenda distribuir o produto do terço médio em pequenas alíquotas de 0,1 a 0,2 mL sobre uma área ampla, justamente para reduzir o risco de irregularidade palpável persistente. Preenchimento malar não é um bolus grande num ponto — é volume pequeno em muitos pontos, no plano certo.

Áreas de risco: onde o volume excessivo feminiliza o rosto masculino

Conhecer onde não exagerar é tão importante quanto saber onde aplicar. Em homens, três regiões concentram o maior risco de resultado inadequado:

  • Terço médio medial (malar central e infra-orbital medial) — volume nessa área cria a "barriga" característica do malar feminino. Em homens, o produto deve ir para a região lateral do zigoma, não para cima. A regra prática: produto posicionado antes da pupila, no plano frontal, é produto no vetor errado para a maioria dos pacientes masculinos.
  • Lábios com volume excessivo — lábios volumosos são incompatíveis com a proporção labial masculina na maioria dos casos. Em homem, o preenchimento labial, quando indicado, serve para correção de volume perdido com envelhecimento (deflação do tubérculo) ou de assimetria — não para aumento de volume. A escala ajuda a dimensionar o risco: as medianas declaradas pelos fabricantes para aumento labial ficam em torno de 2,2 mL (Juvéderm Ultra XC) e 2,6 mL no conjunto lábios e perioral (Juvéderm Volbella XC), e o limite de segurança da linha Restylane é de 1,5 mL por lábio. Esses são números de aumento estético e de teto regulatório, não alvo de correção masculina — a indicação corretiva em homem trabalha numa ordem de grandeza bem inferior, definida caso a caso no exame.
  • Têmporas com excesso de volume — têmporas muito preenchidas arredondam o contorno lateral do crânio, aproximando o perfil do rosto feminino. A indicação em homens é pontual: perda de volume temporal significativa com depressão visível. A dose deve ser conservadora e o produto colocado em plano profundo (supra-periostal), nunca superficial.
  • Nariz com superponta projetada — rinomodelação masculina segue vetores diferentes: a ponta nasal masculina não deve ser excessivamente projetada ou refinada; o perfil nasal masculino aceita leve giba e maior largura de base alar do que o feminino. Quem não lê essa proporção produz nariz feminilizado no homem.

A regra clínica geral: em homens, o resultado natural vem de estrutura, não de volume. O objetivo é restaurar ou preservar angulação, não adicionar curvas suaves.

Quase nenhum desses casos chega como "quero preencher a bochecha". Chega como frase indireta — "estou parecendo cansado", "nas fotos de trabalho eu pareço mais velho que meus colegas", "meu queixo sumiu". O trabalho da avaliação é traduzir a queixa em anatomia antes de encostar em qualquer seringa, porque a tradução errada é a origem da maior parte dos resultados feminilizados que chegam para segunda opinião. "Cansado" quase nunca significa falta de volume no malar: costuma ser projeção da crista supraorbital com sombra na pálpebra superior, ou perda de definição na transição entre mandíbula e pescoço. Preencher malar nesses dois cenários não corrige a queixa e ainda cria a proeminência arredondada que denuncia o procedimento.

Duas frentes práticas estreitam a margem de erro no paciente masculino, e as duas merecem ser alinhadas já na primeira consulta. A primeira é a equimose: a pele masculina é mais vascularizada e o homem em geral não conta com maquiagem para disfarçar, o que torna prudente programar o procedimento com sete a dez dias de janela social — não com a expectativa de "volta ao trabalho no mesmo dia". A segunda é a dose acumulada. O rosto masculino tolera mal a soma de sessões pequenas e frequentes: o que na mulher se dissolve na leitura geral, no homem aparece como face que "engrossou". Aqui o dado do fabricante ajuda a fixar o critério — o teto anual declarado é de 20 mL de gel por 60 kg de massa corporal, somando todos os produtos e todas as sessões do ano, e não uma cota por consulta. A conduta com melhor previsibilidade, portanto, é uma sessão bem planejada, com produto adequado no plano certo, em vez de quatro retoques distribuídos ao longo do ano.

Produtos, frequência de manutenção e o que esperar do resultado

A escolha do produto é parte da abordagem clínica — não é detalhe técnico.

Para a região mandibular e mento, o produto de eleição é ácido hialurônico de alta G' (rigidez). A propriedade reológica G' (módulo de elasticidade) define a capacidade do gel de resistir à deformação mecânica — fundamental em áreas com força muscular intensa como o masseter e o mentalis3. Os produtos de referência para essa região são o Juvéderm Volux (Allergan), formulado especificamente para contorno mandibular e mento, e o Restylane Lyft (Galderma); o Restylane Defyne, da mesma fabricante, tem perfil mais flexível e cabe quando a mímica local é muito intensa. Esses géis sustentam estrutura — não são produtos de hidratação.

Para a região malar lateral, o produto indicado tem G' mais baixo — gel que se integra ao tecido mole sem criar nódulo ou enrijecimento palpável. A região malar tem menos demanda mecânica que a mandíbula, e gel muito firme nessa área pode criar resultado palpável e de aspecto não natural. Juvéderm Voluma (Allergan) e Belotero Volume (Merz) atendem bem esse perfil. Vale a ressalva de que G' é apenas um dos parâmetros reológicos que descrevem um gel — coesividade e força de projeção pesam tanto quanto ele na escolha, e nenhuma dessas propriedades substitui o plano de aplicação correto3.

Para correção de perda volumétrica difusa — envelhecimento com deflação generalizada do terço médio —, a alternativa frequentemente superior ao ácido hialurônico em homens é o bioestimulador de colágeno: o Sculptra, à base de ácido poli-L-láctico (Galderma), e o Radiesse, à base de hidroxiapatita de cálcio (Merz). Os dois produzem volume gradual, homogêneo e sem o efeito de "enchimento pontual" — o Sculptra sem qualquer volume imediato, por definição de classe. O HArmonyCa (Allergan) costuma aparecer na mesma lista, mas pertence a outra categoria e merece ser dito com precisão: é um híbrido, com microesferas de hidroxiapatita de cálcio dispersas em gel de ácido hialurônico reticulado, e por isso entrega volume imediato e estímulo de colágeno na mesma aplicação. Não é bioestimulador puro. A distinção importa no rosto masculino porque a parcela de volume imediato do híbrido responde à mesma regra de vetor que qualquer preenchedor — mal posicionada, feminiliza igual. O protocolo bioestimulador é especialmente adequado a homens após os 50, com perda volumétrica difusa e pele espessa.

Frequência de manutenção: a referência de trabalho para preenchedor de ácido hialurônico na face é de 6 a 12 meses. Géis de alto G' colocados em plano supraperiostal na mandíbula tendem a ficar na parte alta dessa faixa, porque estão apoiados no osso e sofrem menos deslocamento; no malar lateral, com produto mais macio e mais mobilidade tecidual, a reabsorção costuma ser percebida antes. O intervalo real depende do metabolismo individual, e em homens com bruxismo ou grande demanda mastigatória a degradação tende a ser mais rápida na região mandibular.

Uma observação que vale alinhar já na consulta: o resultado não desaparece de um mês para o outro. Ele se desfaz devagar, e o paciente quase sempre percebe a perda comparando fotografias — não olhando o espelho. Daí a documentação fotográfica em posição padronizada desde a primeira sessão: sem esse registro, a conversa sobre "ainda tem produto?" vira impressão, e impressão em estética costuma levar a retoque desnecessário. Vale notar que o próprio desenho dos estudos de registro trabalha com essa lógica — sessão inicial, retoque em quatro semanas e reavaliação de manutenção meses depois —, o que confirma que a leitura do resultado é feita em série, e não numa única visita.

Pacientes que fazem manutenção dentro do intervalo tendem a estabilizar com doses menores ao longo do tempo. Existe base para isso: preenchedores de ácido hialurônico reticulado induzem produção de colágeno novo na pele injetada, provavelmente por estiramento mecânico dos fibroblastos, e não apenas por ocupar espaço4. Isso é diferente de acumular produto — cada sessão repõe o volume degradado, não empilha camadas novas.

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Dr. Thiago Perfeito — médico responsável

Dr. Thiago Perfeito

CRM-DF 23199 · Medicina Estética e Regenerativa

Médico com mais de 10 anos de prática em medicina estética e regenerativa. Mestre em Medicina Estética (2024). Formação internacional em Harvard Medical School e Mayo Clinic. Membro da ASLMS, A4M, AMS e NYAS. Atendimento em Brasília, Lago Sul.

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Perguntas frequentes sobre preenchimento malar e facial masculino

  • Quais diferenças anatômicas do rosto masculino mudam o resultado do preenchimento?

    Mandíbula mais angulosa, malar com proeminência deslocada para lateral, lábio proporcionalmente menor e fronte mais projetada são as principais diferenças. Cada uma exige vetor e dose distintos. Ignorar esses pontos é o caminho para resultado feminilizado. A abordagem correta preserva a angulação e estrutura do rosto masculino — não suaviza nem arredonda.

  • Quais áreas não devem receber volume em excesso em homens?

    Terço médio medial (malar central), lábios com volume exagerado, têmporas com excesso de volume e nariz com superponta feminilizada são as áreas de maior risco. Nesses pontos, volume excessivo ou mal posicionado transforma a leitura do rosto de masculino para feminino. A dose conservadora e o vetor correto são mais importantes que a quantidade aplicada.

  • Qual produto é preferido para preenchimento masculino na mandíbula?

    Ácido hialurônico de alto G' (alto módulo de elasticidade) — como o Juvéderm Volux (Allergan), formulado para contorno mandibular, ou o Restylane Lyft (Galderma). O Restylane Defyne, também da Galderma, tem perfil mais flexível e é uma alternativa quando a mímica da região é muito intensa. Essa propriedade reológica sustenta estrutura em área de alta demanda mecânica (masseter, mentalis) sem deformar com o movimento. Para o malar lateral, produto de G' mais baixo integra melhor ao tecido mole sem criar enrijecimento palpável.

  • Com que frequência é necessária a manutenção do preenchimento facial masculino?

    A referência de trabalho para preenchedor de ácido hialurônico na face é de 6 a 12 meses. Géis de alto G' aplicados em plano supraperiostal na mandíbula tendem a ficar na parte alta dessa faixa; no malar lateral, com produto mais macio e mais mobilidade tecidual, a reabsorção costuma ser percebida antes. Homens com bruxismo ou grande demanda mastigatória degradam o produto mais rápido na área mandibular. A perda é gradual, não súbita — o paciente costuma percebê-la comparando fotos, não olhando o espelho. Quem mantém o intervalo geralmente precisa de menos produto na segunda sessão do que na primeira.

  • Existe risco real de o preenchimento masculino feminilizar o rosto?

    Sim, e é o principal risco em mãos sem leitura anatômica diferenciada para homens. Volume no malar medial, lábios aumentados além do natural e têmporas arredondadas deslocam a leitura do rosto para o feminino. A prevenção está na escolha correta de área, produto, dose e vetor — não no produto em si. Avaliação clínica prévia é obrigatória para mapear essas proporções individualmente.

  • Quantas seringas são necessárias no preenchimento malar masculino?

    Não existe número fixo, e quem informa um sem examinar está chutando. O que existe é referência declarada pelo fabricante: no estudo pivotal do Juvéderm Voluma XC a mediana foi de 2,0 mL na região zigomaticomalar, 2,0 mL na bochecha ântero-medial e 2,1 mL na submalar, somando mediana de 6,6 mL para o terço médio inteiro. Esse desenho injetou as três sub-regiões em proporções equivalentes — o que serve para demonstrar eficácia, mas não corresponde à distribuição masculina. No homem o produto se concentra na vertente lateral e no arco zigomático, poupando a porção ântero-medial, e o total costuma ficar bem abaixo dessa mediana: duas seringas cobrem a maioria dos casos de malar isolado. A técnica declarada em bula reforça o ponto — pequenas alíquotas de 0,1 a 0,2 mL distribuídas sobre área ampla, para reduzir o risco de irregularidade palpável. O número final só se define na avaliação presencial.

  • O ângulo gonial masculino é realmente diferente do feminino?

    Em média sim, mas a diferença é menor do que a estética popular sugere. Em série tomográfica com 300 adultos, os homens apresentaram ângulo gonial ligeiramente mais fechado que as mulheres em todas as faixas etárias, porém a diferença só alcançou significância estatística entre 60 e 80 anos — e os autores concluem que o ângulo gonial isolado não é bom indicador de sexo. A consequência clínica é útil: a leitura masculina da linha mandibular não depende de atingir um valor de ângulo, e sim do conjunto formado por largura do ramo, projeção do mento e nitidez da transição entre mandíbula e pescoço. Preenchimento não altera o ângulo ósseo — ele redefine o contorno de tecido mole que se projeta sobre esse ângulo. Prometer "fechar o gonial" com seringa é impreciso.

  • Quanto custa um preenchimento malar ou facial masculino em Brasília?

    A faixa de referência em Brasília é de R$ 1.900 a R$ 2.800 por seringa de ácido hialurônico facial. Para o preenchimento malar com duas seringas — o cenário mais frequente no homem, já que a distribuição masculina concentra produto na vertente lateral do zigoma e poupa a porção ântero-medial —, a faixa é de R$ 3.800 a R$ 5.600. Para a jawline masculina, a faixa é de R$ 1.900 a R$ 3.800 por sessão; um contorno mandibular completo, que costuma consumir de uma a cinco seringas conforme a estrutura óssea, fica entre R$ 1.900 e R$ 10.000. O número de seringas só é definido na avaliação presencial. Valor muito abaixo dessa faixa é sinal técnico de alerta, não oportunidade: costuma indicar produto fora da primeira linha, seringa fracionada entre pacientes ou dose insuficiente para sustentar estrutura em área de alta demanda mecânica — e é justamente na mandíbula masculina que a dose insuficiente aparece mais rápido.

Referências bibliográficas

  1. Wieczorek IT, Hibler BP, Rossi AM. Injectable Cosmetic Procedures for the Male Patient. J Drugs Dermatol. 2015;14(9):1043–1051. PMID: 26355626
  2. Monheit GD, Prather CL. Hyaluronic acid fillers for the male patient. Dermatol Ther. 2007;20(6):394–406. PMID: 18093013 · doi:10.1111/j.1529-8019.2007.00155.x
  3. Pierre S, Liew S, Bernardin A. Basics of dermal filler rheology. Dermatol Surg. 2015;41 Suppl 1:S120–S126. PMID: 25828036 · doi:10.1097/DSS.0000000000000334
  4. Wang F, Garza LA, Kang S, Varani J, Orringer JS, Fisher GJ, Voorhees JJ. In vivo stimulation of de novo collagen production caused by cross-linked hyaluronic acid dermal filler injections in photodamaged human skin. Arch Dermatol. 2007;143(2):155–163. PMID: 17309996 · doi:10.1001/archderm.143.2.155
  5. Ramanadham SR, Rohrich RJ. Newer understanding of specific anatomic targets in the aging face as applied to injectables: superficial and deep facial fat compartments — an evolving target for site-specific facial augmentation. Plast Reconstr Surg. 2015;136(5 Suppl):49S–55S. PMID: 26441111 · doi:10.1097/PRS.0000000000001730
  6. Gierloff M, Stöhring C, Buder T, Gassling V, Açil Y, Wiltfang J. Aging changes of the midfacial fat compartments: a computed tomographic study. Plast Reconstr Surg. 2012;129(1):263–273. PMID: 21915077 · doi:10.1097/PRS.0b013e3182362b96
  7. Bulut O, Freudenstein N, Hekimoglu B, Gurcan S. Dilemma of gonial angle in sex determination: sexually dimorphic or not? Am J Forensic Med Pathol. 2019;40(4):361–365. PMID: 31306169 · doi:10.1097/PAF.0000000000000500

Os volumes por região citados nesta página vêm das Instruções de Uso e dos dossiês de estudo pivotal publicados pelos próprios fabricantes (Allergan Aesthetics/AbbVie e Galderma) e são, em sua maioria, medianas observadas em estudo clínico — não posologia prescrita. Esta página não tem vínculo comercial com nenhum fabricante de preenchedor ou bioestimulador.

Avaliação de preenchimento malar masculino em Brasília

Leitura anatômica individualizada — vetor, plano e volume definidos no exame, não por tabela. O objetivo é resultado que ninguém percebe ter sido feito: estrutura preservada, masculinidade intacta.