Guia por indicação

Qual o procedimento estético mais feito do mundo?

O ranking global da ISAPS revela quais procedimentos têm maior adoção mundial — e por que o volume reflete perfil de segurança e versatilidade clínica, não necessariamente a melhor indicação para o seu caso específico.

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Procedimentos — dados globais em Brasília — Dr. Thiago Perfeito, CRM-DF 23199

O procedimento mais feito do mundo em 2024 — e o que o número revela

O procedimento estético não cirúrgico mais realizado do mundo é a toxina botulínica, com cerca de 7,8 milhões de procedimentos registrados em 2024, segundo o ISAPS Global Survey 2024 (International Society of Aesthetic Plastic Surgery), divulgado em 2025. Em segundo lugar, também com folga, aparece o ácido hialurônico — preenchedor dérmico — com aproximadamente 6,3 milhões de procedimentos no mesmo período, alta de 5,2% em relação ao levantamento anterior. Juntos, os dois maiores não cirúrgicos somam cerca de 14 milhões de procedimentos em um único ano — um dado que revela o tamanho e a consistência da demanda global por abordagens minimamente invasivas.

O que esse volume sinaliza clinicamente? Não que toxina botulínica seja o melhor procedimento em termos absolutos — nenhum levantamento epidemiológico afirma isso. O que o dado reflete é uma combinação de fatores objetivos: perfil de segurança extensamente documentado, tempo de procedimento curto, reversibilidade e recuperação mínima, indicação ampla (linhas de expressão, hiperidrose, bruxismo, masseter), e curva de aprendizado acessível para médicos com formação em anatomia facial. O volume é consequência de uma proposta de valor clínica bem calibrada — não de marketing.

O ácido hialurônico ocupa o segundo lugar pelos mesmos motivos estruturais: é absorvível, reversível com hialuronidase, tem formulações específicas para cada área anatômica (labial, malar, temporal, orbital, mandibular) e entrega resultado imediato mensurável. A alta de 5,2% no volume global indica que a adoção segue crescendo, especialmente em mercados com acesso crescente a procedimentos de medicina estética.

Os Estados Unidos lideram o volume total com 6,1 milhões de procedimentos em 2024. O Brasil ocupa a segunda posição mundial em volume total — 3,1 milhões de procedimentos — e a primeira em procedimentos cirúrgicos, posição que reflete tanto a densidade de formação técnica em cirurgia plástica quanto a consolidação de um mercado que exige padrão internacional de resultado.

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Volume global não é indicação clínica — o pivô que muda a decisão

Saber que a toxina botulínica é o procedimento mais realizado no mundo é útil como dado de contexto — confirma segurança em escala, amadurecimento técnico e disponibilidade de evidência de longo prazo. Mas volume de procedimentos e indicação clínica são variáveis completamente distintas, e confundir as duas é o ponto de partida de grande parte dos resultados insatisfatórios em medicina estética.

A toxina botulínica é indicada para linhas de expressão dinâmica — rugas que aparecem com o movimento muscular. Se o problema é perda volumétrica, flacidez de pele ou sulcos estáticos, o procedimento mais feito do mundo não é o mais indicado para aquele caso. O preenchedor de ácido hialurônico, segundo no ranking global, é indicado para reposição de volume e estruturação facial — mas não corrige qualidade de pele nem flacidez de tecido mole avançada. Cada modalidade tem uma função clínica precisa.

Esse desalinhamento entre demanda popular e indicação técnica produz um padrão recorrente na consulta: pacientes que chegam pedindo o procedimento que viram em mais lugares, não o que a avaliação clínica indica. O papel do médico é orientar a decisão com base em:

  • Diagnóstico anatômico — qual estrutura está comprometida: músculo, gordura, osso, pele ou combinação
  • Estágio de envelhecimento — o mesmo sintoma (sulco nasolabial, por exemplo) tem causas diferentes aos 38 e aos 55 anos
  • Compatibilidade de modalidades — toxina, preenchedor, bioestimulador e tecnologia têm indicações que se sobrepõem e se complementam, mas também se contradizem em alguns cenários
  • Expectativa realista — o resultado possível de cada procedimento tem limites biológicos que independem da popularidade do método

Para mulheres a partir dos 45 anos — faixa em que a perda volumétrica começa a se tornar o principal driver do envelhecimento facial —, o procedimento mais indicado quase nunca é o mais feito no mundo. A toxina resolve as linhas dinâmicas, mas não repõe o volume perdido nas maçãs do rosto, nos sulcos temporais e no contorno mandibular. Para isso, preenchimento estrutural com ácido hialurônico ou bioestimuladores de colágeno costumam ser a prioridade clínica.

O que a posição do Brasil no ranking global significa para você

O fato de o Brasil ser o segundo maior mercado mundial em volume de procedimentos estéticos — e líder em cirurgias plásticas segundo o ISAPS Global Survey 2024 — tem uma consequência prática concreta: a escola brasileira de medicina estética é uma das mais desenvolvidas do mundo, com produção técnica reconhecida internacionalmente e densidade de profissionais bem treinados superior à maioria dos países.

Isso não significa que qualquer procedimento feito no Brasil seja bem feito. Significa que o país tem profissionais de referência em harmonização facial, volumização corporal, bioestimulação e tecnologia — e que a variedade técnica disponível aqui é ampla. Para o paciente, isso abre um leque real de opções. Mas também aumenta a responsabilidade de escolha: quanto mais técnicas disponíveis, mais importante é a avaliação clínica que decide qual usar.

A toxina botulínica lidera o ranking global porque tem o perfil ideal de adoção em escala: procedimento minimamente invasivo, recuperação imediata, efeito reversível com o tempo e indicação ampla para linhas de expressão. Nenhum outro produto combina essas quatro características ao mesmo tempo. Mas esse perfil de adoção em massa coexiste com sua limitação clínica mais importante: a toxina atua exclusivamente no músculo, não no volume, não na pele, não na gordura subcutânea. Para a mulher de 50 anos que quer resultado abrangente, a toxina é parte de um protocolo — não o protocolo inteiro.

A indicação correta começa com uma avaliação que considera o que o ranking global não mede: a anatomia individual, o histórico de procedimentos, as expectativas reais e o estágio específico de envelhecimento de cada rosto. O procedimento mais feito no mundo pode ser exatamente o que você precisa — ou pode ser apenas um dado, não uma resposta.

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Dr. Thiago Perfeito — médico responsável

Dr. Thiago Perfeito

CRM-DF 23199 · Medicina Estética e Regenerativa

Médico com mais de 10 anos de prática em medicina estética e regenerativa. Mestre em Medicina Estética (2024). Formação internacional em Harvard Medical School e Mayo Clinic. Membro da ASLMS, A4M, AMS e NYAS. Atendimento em Brasília, Lago Sul.

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Perguntas frequentes sobre Procedimentos — dados globais

  • Qual lidera o ranking mundial?

    A toxina botulínica é o procedimento estético não cirúrgico mais realizado do mundo, com cerca de 7,8 milhões de procedimentos em 2024, segundo o ISAPS Global Survey 2024 (International Society of Aesthetic Plastic Surgery). Em segundo lugar, com aproximadamente 6,3 milhões, aparece o ácido hialurônico. O volume reflete perfil de segurança consolidado, reversibilidade e indicação ampla — não superioridade universal de resultado para qualquer caso específico.

  • Toxina ou preenchimento: quem vence?

    Em volume global, a toxina botulínica lidera com cerca de 7,8 milhões de procedimentos, contra aproximadamente 6,3 milhões de ácido hialurônico em 2024 (ISAPS). Em indicação clínica, a pergunta não tem resposta única: os dois atuam em estruturas diferentes. A toxina age no músculo, corrigindo linhas de expressão dinâmicas. O preenchedor repõe volume nas gorduras faciais e na estrutura óssea. Para envelhecimento moderado a avançado, as duas modalidades costumam ser complementares, não concorrentes.

  • O Brasil está em que posição no mundo?

    De acordo com o ISAPS Global Survey 2024, o Brasil é o segundo maior mercado do mundo em volume total de procedimentos estéticos, com 3,1 milhões de procedimentos — atrás dos Estados Unidos (6,1 milhões). Em procedimentos cirúrgicos, o Brasil ocupa o primeiro lugar. Essa posição reflete densidade de formação técnica, exigência do mercado e sofisticação de resultado consolidada ao longo de décadas.

  • Os mais feitos são os mais seguros?

    Volume alto é um indicador de maturidade técnica, não de ausência de risco. A toxina botulínica acumula décadas de uso clínico e evidência de segurança robusta quando aplicada por médico com formação adequada em doses corretas. Mas nenhum procedimento é isento de risco quando realizado fora das indicações, em doses erradas ou por profissional sem treinamento específico. Segurança está na indicação correta e na execução técnica — não no ranking de popularidade.

  • O que isso diz para a sua escolha?

    O ranking global é um dado contextual útil — confirma quais procedimentos têm evidência acumulada em escala e amadurecimento técnico consolidado. Não é um guia de indicação. A decisão de qual procedimento realizar deve ser baseada em avaliação clínica individualizada: qual estrutura está comprometida, qual é o estágio de envelhecimento, quais modalidades são compatíveis entre si e qual é o resultado realista esperado. O procedimento mais feito no mundo pode ou não ser o mais adequado para o seu caso.

Avaliação clínica individualizada em Brasília

O volume global de um procedimento é contexto — não substitui a avaliação da sua anatomia, estágio de envelhecimento e objetivo clínico. Dr. Thiago Perfeito, CRM-DF 23199.