XERF ou Coolfase: o que muda entre as duas radiofrequências monopolares?
O XERF entrega duas frequências e resfria com criogênio; o Coolfase usa uma e resfria por contato, sem gás. Veja o que muda e o que os estudos mostram.
Agendar ConsultaA diferença entre XERF e Coolfase em uma frase
XERF e Coolfase são radiofrequências monopolares sul-coreanas para flacidez sem agulha. O XERF, da Cynosure Lutronic, entrega duas frequências — 6,78 MHz e 2 MHz — em sequência no mesmo disparo e resfria com criogênio; o Coolfase, da Asterasys, usa só 6,78 MHz e resfria por contato direto na ponteira, sem gás. Nenhum estudo comparou os dois. A clínica INTI, em Brasília, tem o XERF e o Oligio X; não tem o Coolfase.
| XERF | Coolfase | |
|---|---|---|
| Fabricante | Cynosure Lutronic (Coreia do Sul) | Asterasys (Coreia do Sul) |
| Tipo | Radiofrequência monopolar | Radiofrequência monopolar |
| Frequência | 6,78 MHz + 2 MHz, em sequência no mesmo disparo | 6,78 MHz |
| Resfriamento | Criogênio, em sistema integrado de liberação | Contato direto na ponteira, sem gás refrigerante |
| Controle | 3 ajustes de profundidade × 10 níveis de energia, segundo o fabricante; monitoramento de impedância | 10 níveis de energia; sensor de temperatura na ponteira (segundo o fabricante) |
| Ponteiras | 12 tipos compatíveis, de pequenas (região dos olhos) a cerca de 2,8 × 1,8 cm, o maior tamanho declarado ao FDA | Nos EUA, 0,25, 4,0 e 16 cm²; na Coreia, cinco tamanhos |
| Potência máxima (FDA) | 400 W (6,78 MHz) e 300 W (2 MHz) | 140 W |
| FDA | 510(k) K251327, 2025 | 510(k) K250852, 2025 |
| Estudos publicados | 2 clínicos (pequenos, sem controle) e 1 de simulação e em animal | 1 estudo em animal; nenhum clínico no PubMed |
| Na clínica INTI | Disponível — R$ 2.900 a R$ 12.000 por sessão, conforme a área | Não disponível |
As liberações 510(k) do FDA dos dois são para eletrocoagulação e hemostasia, por equivalência a outro aparelho — não aprovação específica para flacidez. O Coolfase é comercializado no Brasil por distribuidor nacional; para confirmar o registro, a consulta é pública no site da Anvisa.
Frequência e profundidade
O Coolfase trabalha com frequência única de 6,78 MHz, como a maior parte da categoria; o XERF acrescenta 2 MHz para distribuir o calor em mais de uma profundidade.
O XERF entrega 6,78 MHz e 2 MHz em sequência, dentro do mesmo pulso (Erlich et al., 2026). Num modelo computacional, a frequência de 2 MHz aqueceu de forma mais profunda e mais ampla o tecido gorduroso, e a de 6,78 MHz se concentrou ao longo dos septos fibrosos; combinadas, produziram reação térmica marcada na junção entre derme e subcutâneo. Em pele de porco, a combinação remodelou colágeno e elastina na derme e nos septos, sem sinal de morte programada de células de gordura (Ko et al., 2025). É estudo de simulação e em animal, assinado por autores ligados ao fabricante: explica por que a segunda frequência existe, mas não prova, sozinho, resultado melhor no rosto.
O fabricante do Coolfase não declara seletor de profundidade: descreve dez níveis estáveis de energia e ponteiras de tamanhos diferentes para áreas pequenas e extensas. A lógica de tratamento é a da radiofrequência monopolar clássica — aquecimento volumétrico da derme para contrair colágeno e estimular colágeno novo nas semanas seguintes.
Resfriamento sem gás: o diferencial do Coolfase
O Coolfase dispensa gás refrigerante: resfria a pele por contato direto com a ponteira. O XERF usa criogênio integrado. Os dois buscam o mesmo objetivo — proteger a superfície enquanto a camada de baixo aquece.
O fabricante do Coolfase apresenta o resfriamento por contato direto como forma de controlar a dor sem consumir gás separado, e o distribuidor brasileiro divulga temperatura de contato baixa na ponteira. No único estudo publicado com o sistema, em minipig e com coautores da própria fabricante, o aquecimento da derme foi alcançado sem elevação excessiva da temperatura da epiderme, com aumento de colágeno e de fibras elásticas em 30 dias e sem reação adversa (Goo et al., 2026). É estudo animal, e não mede conforto nem resultado em pessoas.
No XERF, o fabricante descreve um sistema integrado de liberação de criogênio e afirma que o tratamento dispensa anestesia — no lançamento europeu, a empresa fala em reduzir a necessidade de anestesia prévia em muitos pacientes. Não há estudo comparando o desconforto dos dois; nos dois casos, a rotina costuma ser retomada no mesmo dia.
O que os estudos mostram
O XERF tem dois estudos clínicos recentes, pequenos e ligados ao fabricante. Até setembro de 2026, não havia no PubMed estudo clínico que identifique o Coolfase — só um estudo em animal com o sistema de resfriamento por contato da fabricante. Não existe estudo comparando os dois.
O XERF tem dois estudos clínicos publicados. O maior é prospectivo, em quatro centros nos Estados Unidos: 39 pacientes fizeram duas sessões com quatro semanas de intervalo; pela avaliação dos próprios investigadores, sem cegamento descrito, 84,6% aos 30 dias e 92,3% aos 90 dias alcançaram nota 3 ou mais na escala de melhora estética GAIS, de 5 pontos, sem evento adverso duradouro — sem grupo controle, com seguimento de três meses e com aparelho, consumíveis e verba fornecidos pelo fabricante (Weiss et al., 2026). O outro é retrospectivo, com 16 mulheres após sessão única: a fotogrametria tridimensional mostrou redistribuição de volume, e a análise morfométrica, elevação progressiva de sobrancelhas e pálpebras superiores em até 3 meses; os autores chamam os achados de preliminares, e o primeiro autor é treinador do fabricante (Erlich et al., 2026).
Do Coolfase, o estudo publicado é o de minipig com resfriamento por contato direto, citado acima (Goo et al., 2026). Sem estudo clínico, a evidência que sustenta o aparelho em pessoas é a da categoria.
Para a categoria da radiofrequência monopolar como um todo, há mais tempo de uso: num ensaio aberto com 40 pacientes com flacidez leve a moderada de face e pescoço, 73% foram classificados como melhorados aos 6 meses — com analgesia injetável antes do tratamento (Angra et al., 2021); numa coorte de 30 pacientes asiáticos, uma sessão única produziu melhora progressiva até 6 meses, avaliada por dois médicos cegos, com dor média de 3,13 em 10 (Wanitphakdeedecha et al., 2022). Esses estudos valem para a família de aparelhos, não para um modelo específico.
Leitura correta: são aparelhos da mesma família, com desenhos diferentes. Em número de estudos clínicos publicados, o XERF tem dois e o Coolfase nenhum, mas estudos pequenos, sem controle e ligados ao fabricante não provam superioridade.
Procurei Coolfase em Brasília: qual a alternativa na INTI?
Quem procura Coolfase está procurando radiofrequência monopolar sem agulha — e a INTI trabalha essa categoria com o XERF e o Oligio X.
O Oligio X é o mais próximo do Coolfase em frequência única de 6,78 MHz, potência de 140 W e ponteiras de 0,25 e 4,0 cm², mas resfria com spray de criogênio; o XERF acrescenta a segunda frequência e, segundo o fabricante, três ajustes de profundidade. Na clínica, a sessão de XERF fica entre R$ 2.900 e R$ 12.000 e a de Oligio X entre R$ 1.900 e R$ 9.000, sempre conforme o tamanho da área: regiões pequenas, como as pálpebras, perto do piso; face completa ou abdome, perto do teto.
O número de sessões é definido na avaliação: nenhum dos dois fabricantes publica protocolo fixo; no Oligio X, o plano inicial adotado na INTI costuma ter de 1 a 3 sessões com 4 a 6 semanas de intervalo, e no XERF o principal estudo clínico usou duas sessões com quatro semanas de intervalo. Para ver as outras comparações da categoria, leia XERF ou Oligio X e XERF ou Volnewmer.
Para quem a radiofrequência monopolar é — e não é — indicada
Qualquer que seja o aparelho, a radiofrequência monopolar trata pele que perdeu tensão. Não repõe volume e não retira pele sobrando.
Responde bem a flacidez leve a moderada de rosto, pescoço e corpo, em pele que ainda tem espessura e elasticidade. Quando a aparência de flacidez vem de perda de volume, o caminho é reposição ou bioestimulador; quando há excesso real de pele, a indicação é sustentação ou cirurgia, como o mini lifting. Marca-passo ou implante eletrônico ativo, gestação e infecção ativa na área afastam a indicação.
Ao comparar clínicas, pergunte qual aparelho será usado, quantos disparos estão previstos por área e com qual ponteira, e confirme o registro ativo do médico em cfm.org.br.
Declaração: o Dr. Thiago Perfeito não tem relação comercial com nenhum dos fabricantes citados nesta página. Os dados técnicos vêm dos documentos 510(k) do FDA, da base de produtos da Anvisa e das páginas oficiais dos fabricantes, consultados em setembro de 2026.
Perguntas frequentes sobre XERF ou Coolfase
Qual a diferença entre XERF e Coolfase?
Os dois são radiofrequência monopolar. O XERF entrega 6,78 MHz e 2 MHz em sequência no mesmo disparo e resfria com criogênio; o Coolfase usa só 6,78 MHz e resfria por contato direto na ponteira, sem gás.
XERF ou Coolfase: qual vale mais a pena?
Não há estudo comparando os dois. O XERF tem dois estudos clínicos próprios, pequenos; o Coolfase tem só estudo em animal. A indicação depende do caso, da área e da energia entregue.
Quem fabrica o Coolfase?
O Coolfase é fabricado pela Asterasys, empresa sul-coreana. Recebeu liberação 510(k) do FDA em 2025 (K250852), para eletrocoagulação e hemostasia.
Coolfase dói menos que XERF?
Não há estudo comparando o desconforto dos dois. O Coolfase resfria por contato na ponteira e o XERF com criogênio; o fabricante do XERF diz que o tratamento dispensa anestesia, e o do Coolfase fala em controle eficiente da dor, sem afirmar que dispensa anestesia.
Tem Coolfase na clínica INTI em Brasília?
Não. A INTI trabalha com XERF e Oligio X, as duas plataformas de radiofrequência monopolar da clínica.
Quanto custa o XERF em Brasília?
Na clínica INTI, a sessão de XERF fica entre R$ 2.900 e R$ 12.000, conforme o tamanho da área tratada; a de Oligio X, entre R$ 1.900 e R$ 9.000.
Coolfase e XERF servem para o corpo?
O Coolfase tem ponteira de 16 cm² para áreas extensas; no XERF, os tamanhos de ponteira declarados ao FDA vão até cerca de 2,8 × 1,8 cm, e o tratamento de áreas do corpo é definido na avaliação. Em qualquer área, a indicação é flacidez leve a moderada de pele; excesso de pele e gordura localizada pedem outras abordagens.
Referências bibliográficas
- Erlich G, Dahan E, Wolf Y. Objective and subjective retrospective evaluation of XERF, a novel single-shot dual-frequency non-invasive monopolar radiofrequency. Lasers Med Sci. 2026;41(1):194. PMID: 42611100 · doi:10.1007/s10103-026-04996-0
- Ko K, Ryu HG, Park J et al. Computational modeling and histologic analysis of 6.78- and 2-MHz monopolar radiofrequency-induced thermal reactions. Lasers Med Sci. 2025;40(1):501. PMID: 41315066 · doi:10.1007/s10103-025-04746-8
- Weiss RA, Wang J, DiBernardo B et al. Clinical Outcomes Following Dual-Frequency Noninvasive Monopolar Radiofrequency Treatment for Facial Laxity and Lower Face Lifting: A Prospective Multicenter Study. Cureus. 2026;18(3):e104546. PMID: 41930066 · doi:10.7759/cureus.104546
- Goo H, Kim C, Hong N et al. Enhancement of Collagen and Elastic Fibers by Direct Contact Cooling-Based Monopolar Radiofrequency in a Minipig Model. Clin Cosmet Investig Dermatol. 2026;19:600858. PMID: 42445669 · doi:10.2147/CCID.S600858
- Angra K, Alhaddad M, Boen M et al. Prospective Clinical Trial of the Latest Generation of Noninvasive Monopolar Radiofrequency for the Treatment of Facial and Upper Neck Skin Laxity. Dermatol Surg. 2021;47(6):762-766. PMID: 33899795 · doi:10.1097/DSS.0000000000003005
- Wanitphakdeedecha R, Yogya Y, Yan C et al. Efficacy and Safety of Monopolar Radiofrequency for Treatment of Lower Facial Laxity in Asians. Dermatol Ther (Heidelb). 2022;12(11):2563-2573. PMID: 36166188 · doi:10.1007/s13555-022-00817-8
Conteúdo de responsabilidade de Dr. Thiago Perfeito — Medicina Estética e Regenerativa, CRM-DF 23199. Atualizado em .
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