Fios de ouro e outros fios permanentes no rosto: o que acontece com o material que não se absorve
Fio de ouro, polipropileno e nylon não têm hidrólise prevista: ficam. Às vezes ficam quietos por décadas; às vezes viram extrusão pela pele, granuloma, infecção tardia ou remoção cirúrgica. Esta página separa o que a literatura documenta do que o marketing promete — e explica a diferença entre fio permanente e fio absorvível.
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O que é fio permanente e por que ele ainda é oferecido
Fios de sustentação são permanentes? Na maior parte, não — o fio usado hoje é predominantemente absorvível. Permanente é a minoria: polipropileno, nylon e fio de ouro 24k. E é justamente essa minoria que concentra a complicação documentada: extrusão em 7,6% contra 1,6% dos absorvíveis e parestesia em 11,7% contra 3,1%1. A palavra "fio" cobre as duas categorias, o que faz muito paciente sair da consulta sem saber qual dos dois recebeu. A pergunta que separa uma coisa da outra não é a marca — é se o material se absorve.
Fios permanentes são materiais não absorvíveis implantados nos planos subdérmico ou subcutâneo para tracionar tecidos faciais, sem hidrólise prevista. Diferente dos fios absorvíveis — o PDO (polidioxanona), mesmo polímero do fio de sutura cirúrgica absorvível, com hidrólise completa em cerca de 6 a 8 meses, ou o copolímero de poli-L-lactídeo com ε-caprolactona, o P(LA/CL) da linha absorvível Aptos, que sustenta de 18 a 36 meses — os fios de polipropileno, nylon e ouro 24k permanecem no local de implantação indefinidamente.
Eles viralizaram nos anos 1990 e 2000 porque entregavam lifting visível sem cirurgia e sem recuperação prolongada. O problema é que o rosto não é uma estrutura estática: contrai, distende, envelhece, perde e ganha volume. Um material que não acompanha essas mudanças entra progressivamente em conflito com os tecidos ao redor.
Por que ainda são oferecidos? Porque o custo de produção é baixo, o efeito imediato é visível e o paciente sai da sala satisfeito. A conta chega depois — e não em prazo previsível: há relato publicado de migração e expulsão parcial de fio de polipropileno 28 dias após a aplicação3, e há complicação que aparece anos mais tarde, quando o profissional que aplicou muitas vezes já não tem vínculo com o paciente. Qualquer número redondo do tipo "aparece entre o terceiro e o sétimo ano" é invenção: o que a literatura mostra é dispersão, de semanas a anos.
O ponto não é declarar o material proibido — é comparar risco. A meta-análise de 26 estudos de Niu e colaboradores encontrou incidência agrupada de extrusão do fio de 7,6% nos fios não absorvíveis contra 1,6% nos absorvíveis, e de parestesia de 11,7% contra 3,1%, e os próprios autores recomendam uso criterioso de fios não absorvíveis1. Do outro lado da balança, a revisão sistemática de Gülbitti e colaboradores concluiu que, em mais de uma década, pouca ou nenhuma evidência substancial foi acrescentada à literatura revisada por pares sobre eficácia ou segurança de fios de sustentação — e que praticamente todos os trabalhos incluídos mostraram durabilidade muito limitada do efeito, com as duas exceções positivas patrocinadas pelos próprios fabricantes2. Risco maior, evidência menor: é essa assimetria que tira o fio permanente da mesa numa indicação estética.
Em quem o risco se materializa — anatomia das complicações
A musculatura mímica facial contrai o tempo todo — a cada palavra, cada sorriso, cada piscada — e não descansa nem no sono. Um fio inerte ancorado na derme ou no tecido subcutâneo sofre tração contínua, assimétrica e imprevisível. Esse estresse mecânico crônico desencadeia uma cascata de eventos que explica cada uma das complicações documentadas:
- Fibrose perene: o organismo encapsula o fio em tecido fibroso como resposta a corpo estranho. Esse tecido contrai com o tempo, criando cordões palpáveis e, eventualmente, visíveis à expressão.
- Puckering e denting (franzido e depressão): a tração irregular puxa a pele de forma pontual em vez de uniforme, criando depressões ou franzidos ao sorrir, falar ou piscar — especialmente evidentes sob luz lateral. É a segunda complicação mais frequente na meta-análise de Niu e colaboradores, com incidência agrupada de 10% no conjunto de fios; entre pacientes acima de 50 anos, sobe para 16% contra 5,6% nos mais jovens1. Vale reter esse dado: é justamente na faixa que mais procura sustentação facial que o desenho da pele perdoa menos.
- Extrusão transdérmica: o fio migra em direção à superfície, atravessa a derme e emerge pela pele, geralmente em áreas de menor espessura (temporal, preauricular, malar inferior). Não existe prazo confiável: o relato de Silva-Siwady e colaboradores descreve migração e expulsão parcial de um entre dez fios de polipropileno já 28 dias após a aplicação, com necessidade de retirada e antibioticoterapia3. Na incidência agrupada, a extrusão fica em 7,6% nos fios não absorvíveis contra 1,6% nos absorvíveis1.
- Infecção: o trajeto do fio funciona como caminho de colonização bacteriana e o biofilme se organiza ao longo de todo o material, o que dificulta a erradicação apenas com antibiótico sistêmico. A incidência agrupada de infecção é de 2% no conjunto, mas em pacientes acima de 50 anos chega a 5,9% contra 0,7% nos mais jovens1.
- Granuloma por corpo estranho: reação inflamatória crônica de baixo grau, palpável como nódulo firme. Pode doer à pressão e progredir. Aqui a imagem faz diferença: ultrassom, tomografia e ressonância permitem identificar que tipo de procedimento foi realizado e caracterizar complicações como granuloma de corpo estranho, migração do material e infecção4 — informação que muda a conduta antes de qualquer intervenção.
- Fios de ouro: permanecem indefinidamente e ficam sujeitos à mesma reação de corpo estranho — há granuloma de corpo estranho descrito após implante de fio de ouro na pele7. Em pele fina, o fio pode se tornar palpável ou perceptível no relevo cutâneo. O tema tem seção própria mais abaixo, porque o fio de ouro é o material permanente que mais aparece na dúvida de quem procura informação.
Pacientes que já possuem fios permanentes e ainda estão sem complicação devem ser monitorados. A ausência de sintoma hoje não é atestado de segurança futura — é apenas a informação de que, até aqui, o tecido está tolerando o material.
Como o quadro se apresenta na avaliação. O paciente com fio permanente raramente chega dizendo que tem fio permanente. A queixa costuma ser vaga: um carocinho que não sai, um lado que enruga diferente ao sorrir, um "lifting sem cirurgia feito há uns anos e nunca mais mexido". A primeira parte da consulta, por isso, é reconstruir a história — que ano, quem aplicou, quantos fios, se sobrou nota fiscal ou nome de produto —, porque é essa informação que define tudo o que vem depois e, em geral, ninguém guardou. Vem então a palpação sistemática, região por região, com o paciente em repouso e em expressão: fio encapsulado costuma se apresentar como cordão firme que se desloca em bloco com a pele, e o franzido de tração aparece no movimento, não na foto estática. Persistindo dúvida sobre o trajeto ou sobre a natureza do nódulo, a ultrassonografia resolve muito mais do que uma segunda opinião a olho nu4.
Fio de ouro no rosto: o que ele faz enquanto está lá e o que muda depois
O fio de ouro 24k é o fio permanente mais perguntado e o menos entendido: ele não se absorve, não "sai sozinho" e não garante lifting duradouro — mas também não é sinônimo automático de complicação. A técnica clássica implantava vários segmentos curtos de ouro no plano subdérmico, distribuídos em malha sobre a área a tratar: na série prospectiva de Shin e colaboradores, seis fios de cerca de 4 cm por paciente, inseridos a intervalos de aproximadamente 0,5 cm na região periorbital5. Não é um fio longo de tração, como o fio farpado moderno — é uma trama de fragmentos metálicos espalhados pelo tecido. Guardar essa geometria ajuda a entender tudo o que vem depois, inclusive por que a remoção é difícil.
O que a evidência favorável realmente diz — e onde ela para. A mesma série de Shin acompanhou 78 pacientes (69 mulheres e 9 homens, de 31 a 59 anos) e concluiu que o implante subdérmico de fio de ouro melhorou as rugas periorbitais sem efeitos adversos graves: as intercorrências relatadas foram sensação de corpo estranho no olho (2,63%) e dor ocular (1,32%), ambas resolvidas espontaneamente5. O detalhe que muda a leitura é o seguimento: as avaliações foram feitas em 1, 4 e 12 semanas. Doze semanas é um horizonte razoável para medir efeito estético e absolutamente insuficiente para testar um implante que ficará no rosto por décadas. Nenhum estudo com esse desenho poderia detectar extrusão tardia, granuloma tardio ou interferência com procedimentos futuros — não porque os autores erraram, mas porque não era isso que estavam medindo. Grande parte da confiança comercial no fio de ouro se apoia em evidência curta lida como se fosse longa.
Como o fio de ouro se comporta dez anos depois. Existe descrição histopatológica direta disso. Moulonguet e colaboradores relataram fios de ouro implantados no subcutâneo da bochecha de uma mulher de 77 anos dez anos antes, encontrados por acaso pelo cirurgião durante um lifting: o material não havia provocado nenhuma reação adversa, e a histologia mostrou estruturas ovais escuras envoltas por cápsula de fibrose com reação inflamatória discreta e algumas células gigantes — em certos pontos, apenas um longo trajeto fibroso com infiltrado moderado6. Há duas leituras honestas nesse achado, e as duas importam. A primeira: material permanente na face não significa complicação inevitável — pode ficar silencioso por uma década. A segunda: o silêncio clínico não é ausência de consequência. O que estava lá era uma malha de metal encapsulada em fibrose atravessando o campo cirúrgico de um lifting — e foi assim que o cirurgião a encontrou.
Quando não fica quieto. A reação de corpo estranho pode se organizar como granuloma, descrito na literatura após implante de fio de ouro na pele7. E há um efeito de segunda ordem que quase nunca entra na conversa antes do implante: o fio permanente muda o terreno para os procedimentos que vierem depois. Oh e colaboradores descreveram pigmentação macular na face surgida exclusivamente nos pontos de implantação prévia de fio de ouro após uma sessão de laser Nd:YAG de baixa fluência (3 J/cm²) — a biópsia mostrou material estranho em bastonete e grânulos dourados cercados de infiltrado inflamatório discreto, e o mecanismo permanece desconhecido8. Um laser de rotina, num rosto sem fio, é procedimento banal. No mesmo rosto com fio de ouro, deixou de ser. Daí a regra prática que vale mais que qualquer estatística nesta página: quem tem fio de ouro precisa informar isso antes de qualquer laser, radiofrequência, ultrassom microfocado, microagulhamento ou exame de imagem da face — e não presumir que o profissional vai adivinhar. Metal é radiopaco, e ultrassom, tomografia e ressonância identificam tanto o tipo de procedimento realizado quanto complicações como granuloma de corpo estranho, migração do material e infecção4.
Quanto tempo dura, afinal. A resposta tem duas metades que nunca coincidem. O material dura indefinidamente — não há hidrólise programada para o ouro. O efeito de lifting segue a curva de todos os fios de sustentação, e essa curva é curta: a revisão sistemática de Gülbitti e colaboradores encontrou, em praticamente toda a literatura revisada, durabilidade muito limitada do efeito2. Quem implantou fio de ouro nos anos 1980 e 1990 tem hoje, em regra, entre 55 e 75 anos: já não conserva nada do resultado estético original e conserva integralmente o material. É essa assimetria — e não um prognóstico catastrófico — que responde à pergunta se vale a pena.
Por que a remoção do fio de ouro é o cenário mais trabalhoso. Volte à geometria do início. Um fio farpado moderno é uma peça única, com trajeto previsível e ponto de entrada conhecido; um implante de ouro é uma malha de vários segmentos curtos distribuídos em intervalos milimétricos5, cada um encapsulado em seu próprio manguito de fibrose6, tipicamente sem registro de quantos foram nem exatamente onde. Retirar não é puxar: é mapear por imagem, acessar, dissecar e recuperar fragmento a fragmento, com o custo cicatricial somando a cada acesso — e sem garantia de retirada completa. Por isso, em fio de ouro assintomático, a decisão de intervir merece critério ainda maior do que em fio farpado: a cirurgia pode custar mais do que o problema que se propõe a resolver. A conduta se define caso a caso, com médico habilitado, e não por regra geral de internet.
Alternativas seguras, remoção e quando procurar avaliação
Uma das perguntas mais frequentes de quem já tem fio implantado é se dá para "colocar algo por cima". A resposta é: depende do estado atual dos fios, mas o risco de interação é real. Qualquer injetável — ácido hialurônico, bioestimulador, toxina — aplicado sobre fios permanentes pode acentuar fibrose local ou interferir no rastreamento de complicações. A avaliação precisa vir antes da decisão.
Alternativas absorvíveis que entregam objetivo semelhante:
- Fios PDO absorvíveis: tração mecânica imediata mais bioestimulação de colágeno. A polidioxanona é o mesmo polímero do fio de sutura cirúrgica absorvível, com hidrólise completa em cerca de 6 a 8 meses e sustentação clínica média de 12 a 18 meses nas versões com farpas. Indicação preferencial em lassidão inicial, com pele que ainda tem elasticidade residual.
- Fios Aptos absorvíveis — copolímero P(LA/CL): sustentação mecânica imediata mais bioestímulo progressivo, com absorção completa sem resíduo permanente e durabilidade de 18 a 36 meses, variável por metabolismo, qualidade da pele e número de fios. É a linha adotada neste consultório quando a indicação é de fio, com faixa de investimento de R$ 10.000 a R$ 20.000 por área tratada (mandíbula, bochechas, pescoço, sobrancelhas ou colo), definida em avaliação presencial conforme o número de fios e a extensão. Valores muito abaixo dessa faixa costumam indicar fios alternativos não-APTOS®, número insuficiente de fios para sustentação real ou aplicação sem treinamento certificado pela APTOS International — o custo do produto importado já compromete grande parte da faixa. Ressalva que vale mais que o preço: a mesma marca também fabrica uma linha de polipropileno não absorvível, que é outra categoria de indicação e de risco. Perguntar qual linha vai ser usada é obrigação do paciente.
- Bioestimuladores de colágeno (Sculptra, Radiesse, Ellansé): firmeza dérmica progressiva, sem tração mecânica e sem material permanente. Entregam melhora difusa de qualidade de pele por reorganização do colágeno próprio.
- Ultraformer MPT (ultrassom microfocado): retração tecidual por coagulação em pontos profundos, incluindo o plano do SMAS, sem implantar nada. Durabilidade em torno de 12 a 18 meses.
Como a remoção de fios permanentes funciona: é um procedimento cirúrgico, não uma tração simples. O fio encapsulado em fibrose não sai pela ponta — a retirada exige acesso, identificação do trajeto fibroso, dissecção e remoção sem lesar estruturas adjacentes (ramos do nervo facial, vasos). Em fios extensos ou múltiplos pode ser necessária anestesia geral, e a cicatriz depende da localização e da extensão do material. Quem conduz essa retirada precisa ser médico habilitado com experiência documentada nesse tipo de reintervenção — o CRM ativo é verificável em cfm.org.br.
Tira ou deixa: como a decisão se estrutura. A resposta honesta é que depende do que o fio está fazendo. Fio assintomático — sem nódulo, sem franzido, sem sinal inflamatório, em paciente informado do risco — comporta acompanhamento, com reavaliação programada e orientação explícita de retornar antes se algo mudar: retirar material silencioso pela via cirúrgica pode custar mais cicatriz do que o problema que resolve, e o achado de fios de ouro tolerados por dez anos sem reação adversa6 é justamente o argumento contra a remoção reflexa. Fio que já se manifestou — extrusão, nódulo doloroso, infecção de repetição, deformidade dinâmica que incomoda — entra em plano de remoção, e a conversa passa a ser sobre onde e com quem, porque a retirada tem indicação cirúrgica e exige quem faça esse tipo de reintervenção com regularidade. O que não se faz, em nenhuma das duas rotas, é colocar produto novo por cima de um problema não mapeado: qualquer injetável aplicado sobre fio permanente pode acentuar fibrose local e embaralhar o rastreamento da complicação. Mapeia primeiro, decide depois.
Quando procurar avaliação clínica: qualquer paciente com fios permanentes que notar nódulo novo, dor à palpação, vermelhidão localizada, secreção, franzido ou depressão que antes não existia deve buscar avaliação antes que a complicação progrida. Tratamento precoce é mais simples que tratamento tardio — e isso vale sobretudo para infecção, em que o biofilme organizado ao longo do fio torna a resolução mais difícil quanto mais tempo passa.
Bandeiras vermelhas na consulta: se o profissional oferecer fio permanente sem nomear o material, sem mencionar o risco de extrusão, sem explicar as alternativas absorvíveis, sem mostrar o produto aberto e lacrado na frente do paciente, ou com preço muito abaixo da faixa praticada para fios absorvíveis — a decisão está sendo tomada sem o contexto clínico completo. E se a resposta a "esse fio é absorvível ou permanente?" vier vaga, essa é a única informação que você precisava.

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Dr. Thiago Perfeito
CRM-DF 23199 · Medicina Estética e Regenerativa
Médico com mais de 10 anos de prática em medicina estética e regenerativa. Mestre em Medicina Estética (2024). Formação internacional em Harvard Medical School e Mayo Clinic. Membro da ASLMS, A4M, AMS e NYAS. Atendimento em Brasília, Lago Sul.
Conheça o Dr. Thiago →Perguntas frequentes sobre Fios de sustentação permanentes não absorvíveis no rosto
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Fios de sustentação são permanentes?
Na maior parte, não. O fio de sustentação usado hoje é predominantemente absorvível: PDO (polidioxanona) ou o copolímero de poli-L-lactídeo com ε-caprolactona, P(LA/CL), da linha absorvível Aptos. Permanente é a minoria — polipropileno, nylon e fio de ouro 24k — e é a categoria com mais complicação documentada. Na meta-análise de 26 estudos de Niu e colaboradores, os fios não absorvíveis tiveram extrusão agrupada de 7,6% contra 1,6% dos absorvíveis e parestesia de 11,7% contra 3,1%1. Como a mesma palavra "fio" cobre as duas categorias, a pergunta a fazer na consulta é qual material será usado e se ele se absorve — não apenas a marca.
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Quanto tempo dura o fio de ouro no rosto?
O material dura indefinidamente; o efeito de lifting, não. O ouro 24k não sofre hidrólise e permanece no tecido — há descrição histopatológica de fios de ouro recuperados do subcutâneo da bochecha dez anos após o implante, encapsulados em fibrose6. O efeito estético segue a mesma curva dos demais fios de sustentação: a revisão sistemática de Gülbitti e colaboradores mostrou durabilidade muito limitada do efeito de lifting em praticamente toda a literatura revisada2, e a série prospectiva que sustenta o fio de ouro em rugas periorbitais acompanhou os pacientes por apenas 12 semanas5 — tempo insuficiente para testar um implante que fica para sempre. Ou seja: o risco é permanente, o resultado não.
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Quais fios são permanentes e quais são absorvíveis?
Permanentes (não absorvíveis): polipropileno, nylon e fios de ouro 24k — não têm hidrólise prevista e permanecem no corpo indefinidamente. Absorvíveis: PDO (polidioxanona), com hidrólise completa em cerca de 6 a 8 meses, e o copolímero de poli-L-lactídeo com ε-caprolactona — P(LA/CL) — da linha absorvível Aptos, que sustenta de 18 a 36 meses e desaparece sem resíduo permanente. Detalhe que confunde muita gente: a marca Aptos tem linha absorvível e linha de polipropileno não absorvível. Perguntar qual linha está sendo usada é o que separa as duas categorias de risco.
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Fios de ouro causam complicação?
Nem sempre — e essa é a resposta honesta. Há relato de fios de ouro implantados na bochecha encontrados por acaso dez anos depois, durante uma cirurgia de lifting, sem nenhuma reação adversa: à histopatologia, estruturas ovais escuras envoltas por cápsula de fibrose e reação inflamatória discreta com poucas células gigantes6. Mas há também granuloma de corpo estranho descrito após implante de fio de ouro na pele7, e um relato de pigmentação macular na face surgida exatamente nos pontos de implante do fio de ouro após uma sessão de laser Nd:YAG de baixa fluência8 — um procedimento banal que, naquele terreno, deixou de ser banal. Ou seja: o fio de ouro pode ficar quieto por décadas, mas continua sendo material permanente, encapsulado em fibrose e capaz de interferir no que vier depois. É isso que precisa entrar na conta antes de implantar metal permanente na face por motivo estético.
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Como remover fios permanentes do rosto?
A remoção é um procedimento cirúrgico, não uma tração simples. O fio está encapsulado em tecido fibroso: é preciso localizar o trajeto, abrir acesso, dissecar e retirar o material sem lesar estruturas vizinhas. Não se puxa o fio pela ponta. Exige médico habilitado com experiência nesse tipo de reintervenção (CRM ativo, verificável em cfm.org.br), anestesia local ou geral conforme a extensão, e envolve risco de cicatriz. Quanto mais tempo o fio está in situ, mais organizada é a fibrose e mais trabalhosa é a retirada.
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Quanto tempo dura um fio absorvível?
Depende do polímero e do desenho da ancoragem. O PDO é polidioxanona — o mesmo polímero do fio de sutura cirúrgica absorvível — com hidrólise completa em cerca de 6 a 8 meses e sustentação clínica média de 12 a 18 meses nas versões com farpas. A linha absorvível Aptos, de copolímero P(LA/CL), sustenta de 18 a 36 meses, com variação individual por metabolismo, qualidade da pele e número de fios. Em ambos, o que sobrevive à absorção não é o fio: é a fibrose organizada ao longo do trajeto.
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Existe fio permanente seguro para uso estético no rosto?
A pergunta útil não é "é seguro?", é "qual o risco comparado?". Na meta-análise de 26 estudos de Niu e colaboradores (Aesthetic Plastic Surgery, 2021), fios não absorvíveis tiveram incidência agrupada de extrusão do fio de 7,6% contra 1,6% dos absorvíveis, e de parestesia de 11,7% contra 3,1% — e os próprios autores recomendam uso criterioso de fios não absorvíveis1. Para sustentação facial estética não é a escolha deste consultório: existe caminho absorvível com risco documentado menor e sem material permanente na face. Isso não é o mesmo que dizer que o material está proibido — é dizer que a relação risco-benefício não fecha para uma indicação estética.
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O fio permanente pelo menos garante resultado permanente?
Não. O material é permanente; o resultado, não. A revisão sistemática de Gülbitti e colaboradores (Plastic and Reconstructive Surgery, 2018) concluiu que, em mais de uma década, pouca ou nenhuma evidência substancial foi acrescentada à literatura revisada por pares sobre eficácia ou segurança de fios de sustentação, e que praticamente toda a literatura incluída mostrou durabilidade muito limitada do efeito de lifting — os dois trabalhos positivos eram patrocinados pelos fabricantes dos fios2. Na meta-análise de Niu e colaboradores, a satisfação agrupada caiu de 98% imediatamente após o procedimento para 88% em seis meses1. Ou seja: o paciente fica com o risco permanente e sem o resultado permanente.
Referências bibliográficas
Todos os percentuais, prazos e achados descritos nesta página vêm dos trabalhos abaixo, verificados um a um no PubMed. Onde o texto não traz número, é porque a literatura não fornece um — e não porque ele foi estimado.
- Niu Z, Zhang K, Yao W, Li Y, Jiang W, Zhang Q, et al. A Meta-Analysis and Systematic Review of the Incidences of Complications Following Facial Thread-Lifting. Aesthetic Plast Surg. 2021 Oct;45(5):2148–2158. PMID: 33821308. DOI: 10.1007/s00266-021-02256-w.
- Gülbitti HA, Colebunders B, Pirayesh A, Bertossi D, van der Lei B. Thread-Lift Sutures: Still in the Lift? A Systematic Review of the Literature. Plast Reconstr Surg. 2018 Mar;141(3):341e–347e. PMID: 29481392. DOI: 10.1097/PRS.0000000000004101.
- Silva-Siwady JG, Díaz-Garza C, Ocampo-Candiani J. A case of Aptos thread migration and partial expulsion. Dermatol Surg. 2005 Mar;31(3):356–8. PMID: 15841642. DOI: 10.1111/j.1524-4725.2005.31089.
- de Sousa AMS, Duarte AC, Decnop M, Guimarães DF, Coelho Neto CAF, Sarpi MO, et al. Imaging Features and Complications of Facial Cosmetic Procedures. Radiographics. 2023 Dec;43(12):e230060. PMID: 37943699. DOI: 10.1148/rg.230060.
- Shin KC, Bae TH, Kim WS, Kim HK. Usefulness of Gold Thread Implantation for Crow's Feet. Arch Plast Surg. 2012 Jan;39(1):42–45. PMID: 22783490. DOI: 10.5999/aps.2012.39.1.42.
- Moulonguet I, Arnaud E, Plantier F, da Costa P, Zaleski S. Histopathologic and Ultrastructural Features of Gold Thread Implanted in the Skin for Facial Rejuvenation. Am J Dermatopathol. 2015 Oct;37(10):773–777. PMID: 25321089. DOI: 10.1097/DAD.0000000000000220.
- Yook H, Kim YH, Han JH, Lee JH, Park YM, Bang CH. A case of foreign body granuloma developing after gold thread acupuncture. Indian J Dermatol Venereol Leprol. 2022 Mar–Apr;88(2):222–224. PMID: 35138066. DOI: 10.25259/IJDVL_258_2021.
- Oh DY, Jung KE, Lee JS, Koo DW. Macular Pigmentation Following Low Fluence Nd:YAG Laser Procedure at Sites of Gold Thread Implantation. Ann Dermatol. 2019 Feb;31(1):78–80. PMID: 33911544. DOI: 10.5021/ad.2019.31.1.78.
Nota sobre a referência 3: o caso descrito por Silva-Siwady e colaboradores envolve o fio Aptos de polipropileno, material não absorvível da geração de 2005 — não a linha absorvível de copolímero P(LA/CL) comercializada hoje sob a mesma marca. A distinção é a mesma que esta página faz do início ao fim: o que define a categoria de risco é o material, não o nome comercial.
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