Comparativo preenchedor

Restylane vs Juvéderm no lábio: qual tem melhor resultado?

A pergunta tem resposta medida, e ela não coroa marca: o ensaio randomizado de registro que comparou os dois no lábio, em 225 adultos acompanhados por um ano, foi desenhado para testar não inferioridade — e o desfecho foi atingido. O que separa resultado natural de resultado artificial é a propriedade do gel escolhido para aquela anatomia, o plano de injeção e a dose.

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Aplicação de preenchedor de ácido hialurônico em Brasília — Dr. Thiago Perfeito, CRM-DF 23199

A diferença real entre Restylane e Juvéderm: reologia antes de marca

Resposta direta: nenhum dos dois tem "melhor resultado" no lábio. O ensaio randomizado de registro que comparou o Juvéderm Volbella XC com um Restylane de partícula estabilizada, no lábio e na região perioral, em 225 adultos acompanhados por um ano, foi desenhado com desfecho primário de não inferioridade — e o desfecho foi atingido, com melhora mantida ao longo dos doze meses.1 A pergunta que muda o resultado não é "qual marca", é "qual gel, em qual plano, para qual lábio".

Nem "Juvéderm" nem "Restylane" descreve um produto único. Juvéderm é o portfólio de preenchedores de ácido hialurônico reticulado da Allergan Aesthetics (AbbVie); Restylane é o portfólio equivalente da Galderma. Dentro de cada um convivem géis de comportamento físico bem diferente. Na Allergan, a linha Juvéderm Ultra é produzida por Hylacross e os produtos da série Vol- — Voluma, Vollure, Volbella, Volux — por Vycross. Na Galderma, os géis de partícula estabilizada (Restylane, Restylane Lyft) usam NASHA, enquanto os géis desenhados para flexibilidade (Refyne, Defyne, Kysse, Contour) usam XpresHAn, também chamada OBT. Dizer "Restylane é NASHA" ou "Juvéderm é Vycross" descreve mal os dois portfólios — e é esse atalho que sustenta boa parte das comparações que circulam na internet. Para lábio, os produtos que cada fabricante posiciona são o Volbella XC e o Volift de um lado, o Kysse do outro.

O que separa um gel do outro é medido em bancada — e o resultado costuma inverter o senso comum. Um ensaio laboratorial brasileiro mediu as propriedades reológicas de três preenchedores indicados para volumização labial — Belotero Intense (Merz), Kysse (Galderma) e Volift (Allergan) — em 24 seringas, oito de cada produto, com reômetro de placas paralelas. O Volift apresentou maior resistência à deformação, e foi o Kysse que apresentou maior coesividade.2 É o contrário do que se repete em consultório, onde o gel da Allergan costuma ser descrito como "o coesivo" e o da Galderma como "o firme". O aviso que fica: firmeza e coesividade são parâmetros distintos, cada gel lidera num deles e nenhum lidera em todos. Vale registrar o limite do estudo — é ensaio de bancada, sem paciente, com nível de evidência V; descreve como o gel se comporta no reômetro, não quanto tempo ele dura numa boca que fala o dia inteiro. Os autores declaram ausência de conflito de interesse.

A composição de base é a mesma dos dois lados: ácido hialurônico não animal reticulado, na maioria das referências já com lidocaína incorporada à seringa. Os dois são preenchedores de ácido hialurônico — nenhum é bioestimulador de colágeno, e nenhum é permanente. A diferença entre eles é de reologia e de indicação, não de classe.

Esta página não tem relação comercial, patrocínio, contrato de consultoria ou qualquer contrapartida da Allergan Aesthetics/AbbVie, da Galderma ou de qualquer outro fabricante de preenchedores. Marcas e produtos são citados porque são o vocabulário que o paciente encontra na consulta; o que a página premia é a indicação — qual gel para qual lábio —, nunca uma marca vencedora. Boa parte da literatura comparativa de preenchedores é financiada pelo próprio fabricante do produto testado; quando esse é o caso de um estudo citado aqui, o vínculo está declarado na referência.

Profundidade de aplicação do preenchedor — sustentação a partir do plano profundo — Dr. Thiago Perfeito
Ilustração esquemática de caráter didático. Resultados clínicos variam conforme a anatomia individual de cada paciente.
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Melhor opção por indicação: o que cada lábio exige do gel

A decisão clínica segue a leitura anatômica do lábio, não a preferência de marca. O que se premia abaixo é a indicação, e em cada cenário o critério de escolha vem declarado — para que o raciocínio possa ser conferido em vez de aceito como veredicto. Onde as duas famílias atendem ao mesmo critério, as duas aparecem.

Cenário 1 — hidratação perdida e linha labial difusa. Lábio ressecado, perda de brilho, linhas peribucais finas e borda de vermelhão que se apagou com o tempo, sem queixa de volume ou de contorno. Critério declarado: gel de baixa resistência à deformação, com difusão controlada em plano superficial — precisa acompanhar a mucosa sem formar cordão palpável. Do lado Juvéderm, o produto posicionado para esse perfil é o Volbella XC; do lado Restylane, o Refyne. O quadro é frequente a partir dos 45 anos, quando a retração da mucosa labial e a perda progressiva de colágeno dérmico se somam ao ressecamento cronológico — e é justamente o perfil em que dose excessiva aparece mais rápido, porque o tecido já não tem folga para acomodar volume.

Cenário 2 — filtrum apagado, arco de cupido sem desenho, borda irregular. Critério declarado: gel capaz de sustentar a arquitetura da borda sem migrar para fora da linha, e ainda assim deformável sob mímica. Do lado Restylane, o produto que o fabricante posiciona para essa chave é o Kysse; do lado Juvéderm, as referências da série Vol- de maior resistência à deformação, entre elas o Volift. Volume puro não resolve definição de contorno: o que redesenha o arco é onde o gel é depositado e em que plano, não quanto gel entra.

Cenário 3 — volume sem redesenho. Lábio proporcionado, porém hipovolumétrico, com pedido de projeção no corpo do lábio — tubérculo central e pilares laterais — sem mexer no contorno. Critério declarado: aqui as duas famílias entregam, e a variável decisiva deixa de ser o produto. Dose, número de pontos e plano de aplicação pesam mais do que a escolha entre uma referência e outra. É o cenário em que "qual marca?" é a pergunta menos útil da consulta.

Onde a decisão costuma dar errado. O erro mais comum inverte a ordem dos fatores: o paciente chega pedindo a marca que viu em rede social, e o gel acaba aplicado numa região que não pede aquele comportamento. Gel de alta resistência à deformação em plano superficial de lábio produz irregularidade palpável e borda endurecida; gel de baixa resistência convocado para sustentar arquitetura consome seringas sem entregar o desenho, encarecendo o tratamento sem resolver a queixa. O segundo erro é julgar o resultado cedo demais — assunto da seção seguinte. Antes de decidir por preço ou por marca, cabe verificar o registro ativo do médico em cfm.org.br e conferir a embalagem lacrada do produto na própria sessão.

Contraindicações absolutas independentemente do produto escolhido: gestação e lactação; herpes labial ativo na área; doenças autoimunes em fase ativa; hipersensibilidade ao ácido hialurônico ou à lidocaína. E uma contraindicação que merece destaque separado: pacientes com PMMA, silicone líquido, biopolímero ou metacrilato previamente aplicados nos lábios não são candidatos a preenchimento adicional com ácido hialurônico. Esses materiais não são reabsorvíveis, criam planos de fibrose imprevisíveis e elevam de forma significativa o risco de granuloma crônico e infecção tardia — quadros irreversíveis que exigem manejo cirúrgico. A avaliação clínica prévia mapeia o histórico completo de procedimentos antes de qualquer aplicação.

Antes e depois de preenchimento labial com ácido hialurônico em Brasília — Dr. Thiago Perfeito
Cada caso é individual e os resultados variam de pessoa para pessoa.

Durabilidade, preço e o que esperar na prática

Durabilidade. Não existe dado que sustente vantagem de duração de uma marca sobre a outra no lábio. No ensaio randomizado de um ano com o Volbella XC, a taxa de resposta na escala validada de volume labial permaneceu acima de 60% ao longo dos doze meses, e a melhora das linhas periorais se manteve na avaliação de um ano.1 As faixas de duração que cada fabricante divulga vêm dos estudos de registro do próprio produto, com escala e critério de avaliação próprios, e descrevem a média do grupo estudado — não são promessa transferível para um lábio específico. O que mais desloca a duração é o plano de aplicação, o volume aplicado, a intensidade da mímica e o metabolismo individual. O lábio é a região de maior movimentação da face e, por isso, a que consome o gel mais rápido: o mesmo produto rende mais em plano profundo de malar, onde a musculatura trabalha pouco, do que na boca.

Não se julga o resultado na cadeira — nem na primeira semana. Um ensaio randomizado com 20 voluntárias, que comparou um gel NASHA com um gel OBT medindo volume labial por estereofotogrametria 3D, mostra por quê: o grupo NASHA teve aumento de volume imediato significativo, que recuou em 30 dias; o grupo OBT não teve ganho imediato significativo, mas teve ganho significativo aos 30 dias. Ao fim dos 30 dias, não havia diferença de volume nem de satisfação entre os grupos.3 A amostra é pequena e o seguimento curto — o estudo não serve para afirmar duração —, mas o ponto que ele ilustra é sólido: o que se vê na saída do consultório não é o resultado, é o edema somado ao gel. Decidir por retoque ou por dissolução antes da acomodação leva a intervenção desnecessária sobre um resultado que ainda estava se organizando. Por isso a reavaliação é agendada, e não improvisada.

O pós-imediato pode diferir entre produtos; o resultado final tende a não diferir. Um ensaio randomizado com 40 participantes, financiado pela Galderma, comparou um Restylane Kysse com um Juvéderm no lábio, com volume e técnica padronizados, e acompanhou por 24 semanas: a intensidade de edema precoce, eritema e dor foi menor no braço do Kysse, mas melhora estética, satisfação e perfil de eventos adversos após o 14º dia foram semelhantes entre os dois.4 O vínculo do patrocinador com o produto que saiu melhor no desfecho precoce está declarado no próprio artigo e precisa ser lido junto com o achado. Do outro lado da comparação, o ensaio de um ano citado acima traz coautores vinculados à Allergan.1 Em comparação de marcas, quase toda a literatura é patrocinada por quem fabrica; o que se faz com isso não é ignorá-la, é lê-la sabendo quem pagou — em ambos os lados.

Custo. Em Brasília, a faixa praticada para preenchimento labial com ácido hialurônico de marca premium é de R$ 1.900 a R$ 2.800 por sessão, com valores comparáveis entre os dois portfólios. O que faz o valor variar é o número de seringas e a complexidade do planejamento, não a marca: a diferença de preço entre clínicas para o mesmo produto costuma ser maior do que a diferença entre Juvéderm e Restylane. Valor muito abaixo dessa faixa merece cautela — costuma sinalizar diluição além do recomendado pelo fabricante, fracionamento do frasco entre pacientes ou pouca experiência de quem aplica. Na avaliação, o paciente recebe orçamento com indicação, produto, plano e dose antes de qualquer aplicação.

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Dr. Thiago Perfeito — médico responsável

Dr. Thiago Perfeito

CRM-DF 23199 · Medicina Estética e Regenerativa

Médico com mais de 10 anos de prática em medicina estética e regenerativa. Mestre em Medicina Estética (2024). Formação internacional em Harvard Medical School e Mayo Clinic. Membro da ASLMS, A4M, AMS e NYAS. Atendimento em Brasília, Lago Sul.

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Perguntas frequentes sobre Comparativo Juvéderm vs Restylane

  • Diferença prática entre Juvéderm e Restylane para lábio?

    Nenhum dos dois nomes descreve um produto único. Juvéderm (Allergan Aesthetics/AbbVie) e Restylane (Galderma) são portfólios de ácido hialurônico reticulado, e cada um reúne mais de uma tecnologia de gel. Do lado Juvéderm, os produtos posicionados para lábio são os da série Vol- (Volbella XC, Volift), feitos com Vycross; do lado Restylane, é o Kysse, da linha flexível XpresHAn (também chamada OBT). A diferença prática está na propriedade física que a região exige do gel — não na marca impressa na caixa.

  • Qual dá mais volume — Juvéderm ou Restylane?

    Nenhum é categoricamente mais volumizador, e a intuição de mercado sobre isso costuma estar invertida. Em ensaio de bancada que mediu as propriedades reológicas de três preenchedores indicados para lábio, o Volift (Allergan) apresentou maior resistência à deformação e o Kysse (Galderma) apresentou maior coesividade — cada gel lidera num parâmetro diferente, nenhum lidera em todos.2 No paciente, o volume final depende muito mais da dose, da distribuição dos pontos e do plano de aplicação do que da marca.

  • Qual tem resultado mais natural no lábio?

    Os dois entregam resultado natural quando a indicação, o plano de injeção e a dose estão corretos. O ensaio randomizado de registro que comparou o Juvéderm Volbella XC com um Restylane de partícula estabilizada no lábio e no perioral, em 225 adultos acompanhados por um ano, tinha como desfecho primário a não inferioridade — e ela foi atingida.1 Naturalidade é consequência da leitura clínica e da dose conservadora, não atributo de marca.

  • Qual dura mais tempo no lábio?

    Não existe dado que sustente vantagem de duração de uma marca sobre a outra no lábio. No ensaio randomizado de um ano com o Volbella XC, a taxa de resposta na escala de volume labial permaneceu acima de 60% ao longo dos doze meses.1 As faixas de duração divulgadas por cada fabricante vêm dos estudos de registro do próprio produto, com critério de avaliação próprio, e descrevem a média do grupo estudado — não são promessa transferível para um lábio específico. O que mais desloca a duração é o plano de aplicação, o volume aplicado, a intensidade da mímica e o metabolismo individual: o lábio é a região de maior movimentação da face e, por isso, a que consome o gel mais rápido.

  • Qual o preço do Juvéderm e do Restylane para lábio em Brasília?

    Em Brasília, a faixa praticada para preenchimento labial com ácido hialurônico de marca premium é de R$ 1.900 a R$ 2.800 por sessão, com valores comparáveis entre os dois portfólios. O que varia é o número de seringas e a complexidade do planejamento, não a marca. Valor muito abaixo dessa faixa merece cautela: costuma sinalizar diluição além do recomendado pelo fabricante, fracionamento do frasco entre pacientes ou pouca experiência de quem aplica.

Referências bibliográficas

  1. Geronemus RG, Bank DE, Hardas B, Shamban A, Weichman BM, Murphy DK. Safety and Effectiveness of VYC-15L, a Hyaluronic Acid Filler for Lip and Perioral Enhancement: One-Year Results From a Randomized, Controlled Study. Dermatol Surg. 2017;43(3):396-404. Ensaio clínico randomizado e controlado, 225 adultos, seguimento de 1 ano; VYC-15L (Juvéderm Volbella XC) versus Restylane-L (NASHA); desfecho primário de não inferioridade. Coautores vinculados à Allergan plc, fabricante do produto testado. PMID: 28157728
  2. Nogueira PMS, de Lima Romeiro R, Cortelli SC. Rheological Properties of Hyaluronic Acid Fillers for Lip Volumization. Aesthetic Plast Surg. 2025;49(21):5877-5883. Ensaio laboratorial in vitro (sem pacientes), 24 seringas de Belotero Intense, Kysse e Volift em reômetro de placas paralelas; nível de evidência V. Autores declaram ausência de conflito de interesse. PMID: 40770500
  3. Germani M, Miranda de Souza Almeida CC, Muñoz-Lora VRM. Comparison of 2 Fillers for Lip Injection — A Randomized-Controlled Clinical Trial Assessed by 3D Imaging. Aesthet Surg J Open Forum. 2024;6:ojae003. Ensaio randomizado e controlado com 20 voluntárias, gel OBT versus gel NASHA, volume labial por estereofotogrametria 3D; seguimento de 30 dias — amostra pequena e seguimento curto, não permite conclusão sobre durabilidade. PMID: 38938925
  4. Hilton S, Frank K, Alfertshofer M, Cotofana S. Clinical outcomes after lip injection procedures — Comparison of two hyaluronic acid gel fillers with different product properties. J Cosmet Dermatol. 2023;22(1):119-127. Ensaio clínico randomizado, 40 participantes, volume e técnica padronizados, seguimento de 24 semanas. Financiamento declarado: Galderma, fabricante de um dos dois produtos comparados. PMID: 36459413

Avalie qual preenchedor é indicado para o seu lábio em Brasília

A escolha entre Restylane e Juvéderm começa pela leitura da anatomia do seu lábio — volume, contorno, hidratação e proporção com o restante do rosto. Avaliação clínica antes de qualquer aplicação, com o produto e a dose definidos na consulta.