Tecnologia (ultrassom microfocado)

Ultraformer ou Sofwave: qual ultrassom é melhor?

Dois ultrassons que estimulam colágeno sem corte — com mecanismos diferentes e indicações que dependem do que a sua pele realmente precisa.

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Ultrassom microfocado para flacidez (Ultraformer MPT e Sofwave) em Brasília — Dr. Thiago Perfeito, CRM-DF 23199

O que Ultraformer e Sofwave têm em comum — e por que ambos são ultrassom, não laser nem radiofrequência

Tanto o Ultraformer MPT quanto o Sofwave usam ultrassom para aquecer pontos específicos da pele em profundidade controlada, provocando uma contração imediata do colágeno existente e disparando a síntese de colágeno novo nas semanas seguintes — tudo isso sem cortar, sem ablação de superfície e sem agulhas. A energia atravessa a camada mais superficial da pele sem danificá-la e deposita calor em zonas focais precisas, onde a temperatura atinge a faixa que desnatura parcialmente as fibras de colágeno e recruta os fibroblastos para reconstruir a malha de sustentação.

É importante separar o mecanismo do ultrassom focado do de outras tecnologias com que ele costuma ser confundido. O laser ablativo trabalha removendo camadas da superfície da pele e age sobretudo na textura e nas manchas. A radiofrequência microagulhada — como o Morpheus8 — entrega calor por corrente elétrica através de microagulhas que perfuram a derme. Já o ultrassom microfocado não perfura nem remove nada: ele entrega energia mecânica que vira calor em planos profundos, preservando a epiderme intacta. Por isso a recuperação é praticamente nula nos dois aparelhos — não há ferida aberta, não há descamação obrigatória.

O efeito clínico depende de um princípio biológico simples: a pele responde ao calor controlado reconstruindo colágeno. Estudos com ultrassom microfocado demonstram melhora objetiva da elasticidade cutânea. Em uma investigação publicada na literatura, a aplicação de ultrassom microfocado mostrou ganho mensurável de elasticidade da pele tanto na avaliação de 12 semanas quanto na de 24 semanas após o procedimento (Kerscher et al., 2019), o que confirma que o estímulo não é imediato nem efêmero — ele se constrói ao longo de meses e se mantém por um período relevante.

A diferença entre os dois aparelhos não está em se estimulam colágeno, mas em onde e como distribuem esse estímulo. E é exatamente essa diferença de arquitetura que define para qual paciente cada um faz mais sentido.

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Ultraformer MPT e Sofwave: a diferença de arquitetura que muda a indicação

O Ultraformer MPT é um ultrassom microfocado tradicional de múltiplas profundidades, enquanto o Sofwave entrega ultrassom por feixe paralelo síncrono concentrado em uma profundidade média — e essa distinção técnica define o que cada um alcança melhor. Não se trata de um ser superior ao outro de forma absoluta: são desenhos diferentes para problemas que se sobrepõem em parte e divergem em parte.

O Ultraformer MPT, da Classys, trabalha com cartuchos intercambiáveis que entregam energia em diferentes profundidades — tipicamente das camadas mais superficiais da derme até o plano do SMAS, a camada músculo-aponeurótica que dá sustentação ao rosto, em torno de 4,5 mm de profundidade em face. Essa versatilidade de profundidades permite tratar desde a textura e o viço da pele até a camada de sustentação responsável pela definição do contorno mandibular e pela papada. Além disso, o equipamento dispõe de cartuchos para corpo, o que o torna aplicável em abdome, braços, coxas e flacidez corporal em geral. A modulação de disparo do MPT — que combina pontos térmicos contínuos e fracionados — busca conforto durante a aplicação mantendo a densidade de energia.

O Sofwave opera com a tecnologia SUPERB, na qual transdutores emitem feixes de ultrassom paralelos e sincronizados que se concentram em uma profundidade média da derme, em torno de 1,5 mm. Por concentrar a energia nessa faixa intermediária — e não no plano profundo do SMAS —, o Sofwave é desenhado com foco facial e de colo: firmeza da pele, suavização de linhas finas e melhora da qualidade dérmica. A geometria de feixe paralelo cobre a área de forma uniforme e o sistema integra um mecanismo de resfriamento de superfície que protege a epiderme durante a entrega de calor em profundidade.

Traduzindo para a prática clínica: quando o objetivo principal é trabalhar a camada profunda de sustentação — reposicionar o contorno mandibular, atuar sobre papada e sobre a flacidez do terço inferior do rosto, ou tratar áreas corporais —, a arquitetura de múltiplas profundidades do Ultraformer MPT tende a ser a escolha mais coerente. Quando o foco é qualidade e firmeza da pele facial e do colo, com tratamento concentrado na derme média e protocolo de aplicação rápido, o Sofwave responde bem. Há ampla zona de sobreposição entre os dois — e é por isso que a definição correta nasce de uma avaliação presencial que mapeia o plano anatômico em que a flacidez se manifesta, e não de uma preferência de marca.

Quem é candidata, quantas sessões, quanto dura — e onde o ultrassom não substitui a cirurgia

O ultrassom microfocado — em qualquer das duas plataformas — é indicado para flacidez leve a moderada em pele que ainda preserva espessura e elasticidade residual; não é tratamento para excesso de pele pendente, que continua sendo território cirúrgico. Reconhecer essa fronteira é o que separa uma indicação honesta de uma expectativa que será frustrada.

A candidata ideal é a pessoa que percebe o início da perda de definição do contorno do rosto, uma papada discreta, frouxidão leve no pescoço ou no colo, ou perda de firmeza geral da pele — sem dobras de pele redundante. Esse perfil se encontra com frequência na mulher entre 45 e 60 anos, fase em que a queda estrogênica da perimenopausa e da pós-menopausa acelera a degradação de colágeno e a pele passa a parecer menos densa e menos tensionada do que era. Nesse contexto, o ultrassom microfocado oferece um caminho de refinamento progressivo, sem afastamento das atividades e sem a recuperação de uma cirurgia — desde que a pele ainda tenha matéria-prima biológica para responder ao estímulo. Pacientes mais jovens com flacidez incipiente também respondem bem, assim como homens com perda de definição mandibular.

Quanto ao número de sessões: o ultrassom microfocado costuma ser planejado como sessão única anual por região tratada, com possibilidade de uma sessão complementar conforme a resposta individual. Diferente de tecnologias que exigem múltiplas aplicações seriadas, o protocolo aqui é mais espaçado. A durabilidade média gira em torno de 12 a 18 meses, porque a flacidez é um processo contínuo — o colágeno novo formado se soma ao envelhecimento que segue acontecendo, e a manutenção anual preserva o ganho conquistado. O resultado não é imediato: há um discreto efeito de contração logo após, mas a melhora estrutural se constrói ao longo de 2 a 6 meses, com pico em torno de 90 dias, à medida que a neocolagênese amadurece.

O limite precisa ficar explícito. Quando há excesso de pele pendente, sulcos profundos estabelecidos ou ptose acentuada de tecidos, nenhum ultrassom microfocado reposiciona o que já desabou — esse é o cenário do lifting cirúrgico, da blefaroplastia ou de procedimentos correlatos. O ultrassom atua antecipando, retardando e refinando; não reverte estágios avançados de flacidez. Um plano clínico bem conduzido frequentemente combina o ultrassom microfocado com bioestimuladores injetáveis e preenchedores estruturais, porque firmeza, volume e contorno são variáveis distintas que se somam — e raramente uma única tecnologia resolve o quadro inteiro. A escolha entre Ultraformer, Sofwave ou a combinação com outras abordagens é definida na avaliação presencial, a partir do plano anatômico da flacidez e do objetivo realista de cada caso.

Dr. Thiago Perfeito — médico responsável

Dr. Thiago Perfeito

CRM-DF 23199 · Medicina Estética e Regenerativa

Médico com mais de 10 anos de prática em medicina estética e regenerativa. Mestre em Medicina Estética (2024). Formação internacional em Harvard Medical School e Mayo Clinic. Membro da ASLMS, A4M, AMS e NYAS. Atendimento em Brasília, Lago Sul.

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Perguntas frequentes sobre Ultrassom microfocado para flacidez (Ultraformer MPT e Sofwave)

  • Ultraformer ou Sofwave: afinal, qual é o melhor?

    Não existe um melhor de forma absoluta — depende do que a sua pele precisa e de em qual plano anatômico a flacidez se manifesta. O Ultraformer MPT trabalha múltiplas profundidades, incluindo a camada profunda de sustentação (SMAS), e tem cartuchos para face e corpo, o que o torna mais versátil para contorno mandibular, papada e flacidez corporal. O Sofwave concentra a energia na derme média, em torno de 1,5 mm, com foco em firmeza e qualidade da pele facial e do colo. Ambos estimulam colágeno por calor controlado, sem corte. A definição correta vem da avaliação presencial, que mapeia onde está a flacidez — não de uma preferência de marca.

  • Qual a diferença de tecnologia entre os dois aparelhos?

    O Ultraformer MPT é um ultrassom microfocado tradicional: entrega energia em pontos térmicos focais em várias profundidades, conforme o cartucho usado, alcançando da derme superficial ao plano do SMAS. O Sofwave usa a tecnologia SUPERB, com feixes de ultrassom paralelos e sincronizados que se concentram em uma profundidade média da derme, com resfriamento de superfície integrado. Na prática, o Ultraformer chega mais fundo e cobre mais regiões; o Sofwave é mais concentrado na camada intermediária da pele facial e do colo.

  • Quantas sessões preciso fazer e quanto tempo o resultado dura?

    O ultrassom microfocado costuma ser planejado como uma sessão anual por região, eventualmente com uma sessão complementar conforme a resposta. O resultado não é imediato: além de um discreto efeito de contração logo após, a melhora estrutural se constrói ao longo de 2 a 6 meses, com pico de neocolagênese em torno de 90 dias. A durabilidade média fica entre 12 e 18 meses, e a manutenção anual preserva o ganho, já que o envelhecimento da pele segue acontecendo. Estudos com ultrassom microfocado mostram melhora mensurável da elasticidade da pele em 12 e em 24 semanas (Kerscher et al., 2019).

  • Quem é candidata ao ultrassom microfocado e quem não é?

    A candidata ideal tem flacidez leve a moderada — início de perda de definição do contorno, papada discreta, frouxidão de pescoço ou colo — em pele que ainda preserva espessura e elasticidade, perfil frequente na mulher entre 45 e 60 anos. Não é indicado para quem tem excesso de pele pendente, sulcos profundos estabelecidos ou ptose acentuada de tecidos: esse quadro é território cirúrgico, e nenhum ultrassom reposiciona o que já desabou. Doença autoimune ativa, gestação e infecção na área a ser tratada são pontos a avaliar na consulta.

  • Quanto custa o Ultraformer e o Sofwave em Brasília?

    No consultório do Dr. Thiago Perfeito, a sessão de Ultraformer MPT fica na faixa de R$ 1.900 a R$ 9.000, conforme a área tratada e o número de disparos necessários — face inteira, contorno, papada, colo ou corpo demandam densidades de energia muito diferentes. O Sofwave, na faixa de mercado em clínicas no Brasil, costuma variar de R$ 1.500 a R$ 4.000 por área. Atenção a um sinal de alerta: valores muito abaixo da faixa costumam indicar diluição além do recomendado, fracionamento de frasco entre pacientes ou aplicação por profissional sem experiência consolidada. No ultrassom microfocado especificamente, o ponto crítico é a quantidade de disparos efetivamente entregue — protocolos com energia muito reduzida para baratear a sessão simplesmente não geram estímulo suficiente para um resultado real.

Referências bibliográficas

O ultrassom microfocado melhora a elasticidade da pele em 12 e 24 semanas, com bom perfil de segurança (Clin Cosmet Investig Dermatol e demais fontes abaixo).

  1. Kerscher M, Nurrisyanti AT, Eiben-Nielson C, Hartmann S, Lambert-Baumann J. Skin physiology and safety of microfocused ultrasound with visualization for improving skin laxity. Clin Cosmet Investig Dermatol. 2019. PMID: 30666145. DOI: 10.2147/CCID.S188586

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