Cirurgia de pálpebra

Blefaroplastia em Brasília: como funciona e quando é indicada

Blefaroplastia é a cirurgia que remove o excesso de pele e as bolsas de gordura das pálpebras, devolvendo clareza ao olhar sem alterar a identidade. A incisão superior segue o sulco natural e, depois de cicatrizada, costuma ficar escondida na dobra da pálpebra. A abordagem inferior pode ser feita por dentro da pálpebra, sem nenhuma cicatriz externa.

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O que é blefaroplastia e como a cirurgia é realizada

Blefaroplastia é a cirurgia de pálpebras que remove excesso de pele e, quando indicado, reposiciona ou reduz bolsas de gordura herniada na pálpebra superior e inferior. É um dos procedimentos cirúrgicos mais realizados em medicina estética no mundo, com indicação tanto estética — olhar cansado ou envelhecido — quanto funcional, quando o excesso cutâneo compromete o campo visual superior.

A anatomia da pálpebra superior permite uma abordagem tecnicamente elegante: a incisão é feita exatamente no sulco palpebral natural, a dobra que já existe na pele. O resultado, depois de cicatrizado, é uma linha que se confunde com a anatomia própria e, em geral, fica escondida na dobra com os olhos abertos. A gordura orbital, quando herniada, é reposicionada ou ressecada em quantidade calibrada — o excesso produz bolsa, a falta produz olheira côncava. O equilíbrio é cirúrgico.

A pálpebra inferior tem duas abordagens principais. Quando o problema é bolsa de gordura sem excesso de pele significativo — cenário mais comum em pacientes mais jovens — a técnica transconjuntival acessa os compartimentos de gordura pela face interna da pálpebra, sem nenhuma incisão cutânea externa e sem cicatriz visível. Quando há excesso de pele associado, usa-se a incisão subciliar, logo abaixo dos cílios, em linha que mimetiza o relevo natural da pálpebra. Ambas são realizadas em regime ambulatorial; o tipo de anestesia é definido na avaliação pré-operatória (em geral, local com sedação), e a duração depende da extensão do que é feito. Como referência publicada, em série retrospectiva de 386 blefaroplastias superiores de um hospital universitário na Finlândia, o tempo operatório médio foi de cerca de 60 minutos quando se retirou só pele e de cerca de 72 minutos quando músculo orbicular e bolsas de gordura também foram ressecados.9

A avaliação clínica pré-operatória é o determinante mais importante do resultado. Artigo de revisão publicado em 2025 na Clinics in Plastic Surgery por Lara, Janssen e Sinclair (Cleveland Clinic) propõe uma abordagem sistemática para avaliar o candidato à blefaroplastia superior e inferior, com o objetivo declarado de otimizar o resultado e reduzir complicações.1 Na prática, esse exame passa pela função do músculo elevador da pálpebra superior, pela posição da margem palpebral e do globo ocular, pelo histórico de olho seco e pela documentação fotográfica padronizada. É essa avaliação que permite antecipar riscos como ptose pós-operatória ou ectrópio (eversão da pálpebra inferior), em vez de descobri-los depois.

Há um detalhe técnico que separa o resultado bom do resultado sofrível e quase nunca aparece na conversa com o paciente: o quanto se remove de músculo, e não de pele. A retirada conjunta de pele e de uma faixa do músculo orbicular parece produzir uma pálpebra mais "limpa" na mesa, mas metanálise de 2025 reunindo 12 ensaios clínicos randomizados e 450 pacientes encontrou incidência maior de lagoftalmo — dificuldade de fechar completamente o olho — quando o orbicular é ressecado junto (razão de chances 7,98, com intervalo de confiança largo, de 1,41 a 45,21), sem diferença de satisfação nem de incidência de olho seco entre as duas técnicas.2 A mesma metanálise mostrou que a blefaroplastia superior, bem indicada, reduz sintomas de olho seco em vez de criá-los. A leitura prática é direta: técnica poupadora de músculo é o padrão defensável, e proposta que promete remover "tudo o que sobra" merece uma segunda opinião.

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Quem é candidato — e quando a blefaroplastia não resolve sozinha

É candidato à blefaroplastia quem tem excesso de pele na pálpebra superior, bolsa de gordura na inferior ou campo visual reduzido pela pálpebra; olheira pigmentada, olheira vascular, perda de volume e sobrancelha caída não se resolvem só com ela.

A indicação clínica correta começa com um diagnóstico diferencial rigoroso. O olhar cansado ou triste tem pelo menos quatro causas estruturais distintas, e cada uma tem tratamento específico.

Quem se beneficia da blefaroplastia:

  • Dermatocálase — pele frouxa na pálpebra superior, que pesa sobre o sulco e encobre parcialmente a íris. É a indicação mais clássica e progride com a idade.
  • Bolsas palpebrais inferiores — herniação da gordura orbital inferior, criando proeminências sob os olhos. Pode aparecer mesmo em pacientes jovens por predisposição anatômica.
  • Olhar persistentemente cansado ou triste por excesso cutâneo, sem resposta adequada a bioestimuladores ou preenchimento periorbitário.
  • Indicação funcional — campo visual superior obstruído pelo excesso de pele. Existe critério objetivo para isso, e ele é medido, não estimado: o relatório da American Academy of Ophthalmology sobre indicações funcionais adota como referência a distância margem-reflexo de 2 mm ou menos e a perda de pelo menos 12 graus ou 24% do campo visual superior, além de sinais como a inclinação da cabeça para trás (queixo para cima) para compensar a obstrução do eixo visual e a dificuldade de leitura com o olhar para baixo — parâmetros que o relatório aponta como preditores de melhora funcional após a cirurgia.3 Nesse cenário, a cirurgia pode ser analisada para cobertura de plano de saúde mediante laudo oftalmológico.

Quando a blefaroplastia isolada não é suficiente ou não é indicada:

  • Ptose verdadeira de sobrancelha — quando a sobrancelha está descida pelo envelhecimento do terço superior da face, ela empurra a pele para baixo. Blefaroplastia superior isolada não corrige a causa raiz; o resultado tende a ser incompleto. O correto é lifting de fronte ou lifting endoscópico associado.
  • Olheira pigmentada — coloração escura por depósito de melanina na pele periorbicular. Não é gordura, não é volume. Blefaroplastia não trata pigmento. O tratamento inclui inibidores de melanogênese tópicos, peelings calibrados e eventualmente laser.
  • Olheira vascular — tonalidade azulada por transparência da pele fina sobre a vasculatura periorbicular. Também não é gordura. Preenchimento com ácido hialurônico de baixa viscoelasticidade ou PDRN estão entre as opções consideradas.
  • Olheira côncava por perda de volume — sulco palpebrojugal profundo em paciente sem excesso de pele. Cirurgia de remoção agravaria o problema. Indicação de preenchimento ou enxertia de gordura.

Com o envelhecimento, é frequente haver mais de uma dessas condições ao mesmo tempo. A avaliação clínica identifica a combinação e planeja o tratamento integrado — cirúrgico e não cirúrgico — na sequência correta.

Recuperação, resultado e protocolos combinados

A recuperação da blefaroplastia é progressiva: edema e roxo são maiores nos primeiros dias, o primeiro retorno é em torno de 7 dias e o resultado final só é avaliado depois de meses, com a cicatriz madura.

A blefaroplastia é cirurgia ambulatorial: o paciente vai para casa no mesmo dia. O pós-operatório imediato inclui edema e equimose periorbitários — esperados, proporcionais à extensão do procedimento e à predisposição individual. Os cuidados principais nos primeiros dias são compressas frias intermitentes, elevação da cabeceira durante o sono e proteção solar rigorosa desde o primeiro dia. A compressa fria é medida de conforto, não de prazo: em ensaio randomizado com 38 pacientes, em que uma pálpebra foi resfriada com bolsa de gelo e a outra não, o resfriamento reduziu pouco a dor no dia seguinte (dor já baixa nos dois lados) e não mudou edema, vermelhidão nem hematoma em nenhum dos momentos avaliados, de 1 hora a 2 meses.7 Exercício físico, lente de contato e maquiagem nos olhos voltam conforme a liberação feita no retorno, de acordo com a cicatrização.

Linha de tempo esperada:

  • Primeiros dias — fase de maior edema, especialmente pela manhã, e de equimose mais evidente. A visão pode parecer embaçada pelo inchaço e pela pomada. Dor intensa, pressão crescente atrás do olho, olho muito saltado ou queda de visão nas primeiras horas não são esperados: são sinal de alerta para contato imediato com a equipe (ver riscos, abaixo).
  • Em torno de 7 dias — primeiro retorno, com avaliação da cicatrização e remoção dos pontos da pálpebra superior quando aplicável — em ensaio sobre cicatriz de blefaroplastia superior com 37 pacientes, os pontos foram retirados no 7º dia.10 O edema já está em regressão; o retorno social com maquiagem leve depende do quanto ainda há de inchaço e roxo, o que varia de pessoa para pessoa. O roxo não some em uma semana: em ensaio randomizado com 325 pacientes de blefaroplastia superior, a equimose do grupo que não recebeu medicação antissangramento, graduada em fotografia por avaliadores numa escala de 0 a 10, tinha nota média de 5,8 no 8º dia, e a tabela do estudo mostra notas em torno de 4 ainda entre o 13º e o 18º dia.8 Na série finlandesa citada acima, entre os pacientes que trabalhavam, a volta ao trabalho levou em média 8 dias quando se retirou só pele e 11 dias quando músculo e gordura também foram ressecados.9
  • Semanas seguintes — cicatriz ainda rosada no sulco superior, já em boa parte coberta pela dobra palpebral. O resultado preliminar fica visível; nova avaliação em torno de 30 dias.
  • Meses seguintes — a cicatriz amadurece e clareia, e o edema residual termina de assentar. O resultado final é avaliado na revisão de 6 meses. A aparência da primeira semana não é a definitiva: em ensaio com 50 pacientes operados dos dois lados, a vantagem que um dos avaliadores via no 7º dia para uma das técnicas de sutura desapareceu aos 6 meses, quando as duas cicatrizes ficaram comparáveis.11

O planejamento para eventos importantes — compromisso social, viagem, gravação — deve deixar folga de algumas semanas depois da cirurgia; o prazo individual é combinado na consulta, conforme a extensão do que será feito.

Protocolos combinados no pré e pós-operatório:

A blefaroplastia não é um procedimento isolado no plano terapêutico. No pré-operatório, Fotona ou Morpheus8 periorbitário podem ser usados para trabalhar a qualidade da pele — textura e flacidez fina, que a cirurgia por si só não trata. Bioestimulador de colágeno, ao contrário, não é indicado nos 6 meses que antecedem a cirurgia facial: a fibrose que ele induz pode interferir no descolamento e na cicatrização. No pós-operatório, depois da estabilização completa da cicatriz, bioestimuladores de colágeno no tecido periorbitário complementam o resultado cirúrgico com regeneração volumétrica e qualidade de pele. Toxina botulínica no pé de galinha e nas linhas do canto externo completa o conjunto do olhar.

A combinação inteligente entre cirurgia e medicina estética minimamente invasiva é o que distingue um resultado natural de um resultado que "parece que foi feito". A régua não é o quanto foi removido — é o quanto o olhar parece descansado e coerente com o rosto inteiro.

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Dr. Thiago Perfeito — médico responsável

Dr. Thiago Perfeito

CRM-DF 23199 · Medicina Estética e Regenerativa

Médico com mais de 10 anos de prática em medicina estética e regenerativa. Mestre em Medicina Estética (2024). Formação internacional em Harvard Medical School e Mayo Clinic. Membro da ASLMS, A4M, AMS e NYAS. Atendimento em Brasília, Lago Sul.

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Blefaroplastia no Distrito Federal: custo, plano de saúde e risco real

No Distrito Federal, a faixa de referência de mercado para blefaroplastia é de R$ 15.000 a R$ 50.000 por cirurgia bilateral — superior dos dois olhos ou inferior dos dois olhos —, e só o caso de indicação funcional pode ser analisado para cobertura de plano de saúde. Os dois assuntos costumam ser tratados como detalhe administrativo, mas são exatamente o que define se a cirurgia sai do papel.

Quanto custa — e por que o número varia tanto

A amplitude da faixa não é imprecisão de pesquisa: o valor apresentado ao paciente no DF soma três cobranças distintas — honorário cirúrgico, centro cirúrgico e equipe de anestesia. Um caso de pálpebra superior isolada, feito em sala ambulatorial com anestesia local e sedação leve, tende a ficar na parte baixa da faixa. Superior e inferior na mesma cirurgia, com reposicionamento de gordura e sedação em centro cirúrgico credenciado, somam duas abordagens e são orçadas na avaliação. Orçamento que apresenta só o honorário e omite sala e anestesia não é mais barato — é incompleto, e a diferença aparece na véspera. A pergunta útil na consulta é "este valor inclui sala e anestesista?", não "quanto custa a blefaroplastia".

Blefaroplastia pelo plano de saúde: a fronteira é documental

A separação entre cirurgia estética e cirurgia funcional não é retórica nem depende de como o pedido é redigido — ela é medida. O caso funcional é aquele em que o excesso de pele da pálpebra superior invade o campo visual, e a comprovação exige exame oftalmológico: campo visual computadorizado com e sem elevação manual da pele, medida da distância margem-reflexo e documentação fotográfica padronizada. Os parâmetros de referência do relatório da American Academy of Ophthalmology — margem-reflexo de 2 mm ou menos, perda de 12 graus ou 24% do campo superior — são o que dá objetividade ao laudo.3 A decisão final é da operadora, e o mesmo paciente pode ter a pálpebra superior enquadrada como funcional e a inferior não: bolsa de gordura inferior é queixa estética, não obstrui visão. Quem chega à consulta já com campo visual em mãos encurta o processo.

O risco que quase ninguém menciona antes de marcar

A conversa sobre blefaroplastia costuma girar em torno de cicatriz, e o desconforto mais provável é outro. Série retrospectiva de 892 blefaroplastias de um único cirurgião, com sintomas medidos por questionário autorrelatado, registrou olho seco em 26,5% dos casos e quemose — edema da conjuntiva, que deixa o branco do olho com aspecto gelatinoso — em 26,3%, com incidência significativamente maior quando pálpebra superior e inferior foram operadas na mesma sessão e quando se usou retalho de pele com músculo; cantopexia durante a cirurgia e lagoftalmo no pós-operatório também aumentaram o risco.4 Não é complicação rara: foi relatado por cerca de um a cada quatro pacientes, e precisa estar dito antes e não depois. Histórico prévio de olho seco, frouxidão palpebral, exposição escleral e terapia hormonal em uso se associaram a mais olho seco ou quemose no mesmo estudo4 — são justamente itens que a avaliação pré-operatória sistematizada procura.1 As complicações estruturais que exigem reoperação são bem mais raras. A retração da pálpebra inferior é descrita como risco associado à via transcutânea (subciliar), e evitá-la é o argumento que revisão de técnica usa para preferir a transconjuntival quando não há excesso de pele6 — um dos motivos pelos quais a escolha da via não é preferência de estilo.

O evento grave é raro, mas tem de ser conhecido: o hematoma orbital (retrobulbar), sangramento atrás do olho que comprime o nervo óptico. Levantamento entre membros da sociedade americana de cirurgia plástica oftálmica, reunindo cerca de 269 mil cirurgias estéticas de pálpebra, estimou hemorragia orbital em 0,055% (1 em 2.000) e perda visual permanente em 0,0045% (1 em 22.000); a maioria começou nas primeiras 3 horas, o risco caiu de forma importante depois de 24 horas, e hipertensão, uso de aspirina no perioperatório, vômito e esforço físico apareceram entre as comorbidades frequentes.5 O próprio estudo reconhece viés de memória, por depender de questionário respondido pelos cirurgiões. A consequência prática é objetiva: pressão arterial controlada, revisão das medicações em uso na consulta pré-operatória (a orientação é individual) e repouso nas primeiras horas — e dor forte, olho saltado ou queda de visão após a cirurgia são urgência, não algo para esperar o retorno.

Como avaliar quem vai operar

Vale conferir o registro do médico no CRM ativo, pela consulta pública do cfm.org.br, e observar o que a consulta produz. Avaliação que termina sem documentação fotográfica padronizada, sem teste da função do elevador e sem pergunta sobre olho seco deixou de fora etapas que a literatura de avaliação pré-operatória descreve.1 Também é razoável saber de antemão onde a cirurgia acontece, quem faz a sedação e quantos retornos estão incluídos — o primeiro é em torno de sete dias, o que importa para quem vem do Entorno ou de outro estado e precisa planejar permanência em Brasília.

Resultados — Antes e Depois

Cada caso é individual e os resultados variam de pessoa para pessoa.

Perguntas frequentes sobre Blefaroplastia

  • O que é blefaroplastia?

    Blefaroplastia é a cirurgia que remove o excesso de pele e reposiciona ou reduz as bolsas de gordura das pálpebras superior e inferior. É indicada para dermatocálase (pele frouxa), bolsas palpebrais e olhar persistentemente cansado ou triste por causa estrutural, não tratável com procedimentos não cirúrgicos.

  • Quanto custa a blefaroplastia em Brasília?

    A faixa de referência em Brasília é de R$ 15.000 a R$ 50.000 por cirurgia bilateral (blefaroplastia superior dos dois olhos, ou inferior dos dois olhos). Superior e inferior na mesma cirurgia somam duas abordagens e são orçadas na avaliação. O valor varia conforme a extensão do procedimento, a técnica empregada (transconjuntival, subciliar ou combinada), o centro cirúrgico e a anestesia. O planejamento completo é definido em avaliação clínica presencial.

  • Quanto tempo dura a recuperação da blefaroplastia?

    O retorno social acontece ao longo das primeiras semanas, conforme o edema e a equimose regridem — o ritmo varia com a extensão da cirurgia e com a predisposição individual. Em ensaio randomizado com 325 pacientes de blefaroplastia superior, o roxo do grupo sem medicação antissangramento ainda tinha nota média de 5,8 numa escala de 0 a 10 no 8º dia; em série de 386 pacientes, quem trabalhava voltou ao trabalho em média em 8 a 11 dias, conforme a extensão da cirurgia. O primeiro retorno é em torno de 7 dias, para avaliar a cicatrização e retirar pontos quando aplicável. O resultado final só é avaliado depois de meses, quando a cicatriz do sulco palpebral superior amadurece; o seguimento prevê revisão em 6 meses. Eventos importantes pedem folga de algumas semanas, e o prazo individual é definido na consulta.

  • A blefaroplastia usa anestesia local ou geral?

    O tipo de anestesia é definido na avaliação pré-operatória, conforme a extensão da cirurgia e o perfil de saúde; nos casos ambulatoriais, em geral é anestesia local com sedação — o paciente fica confortável e não sente dor. A duração também varia com a extensão: em série de 386 blefaroplastias superiores, o tempo operatório médio foi de cerca de 60 minutos quando se retirou só pele e de cerca de 72 minutos quando músculo e gordura também foram ressecados. A cirurgia é ambulatorial, e o paciente vai para casa no mesmo dia.

  • A blefaroplastia é coberta pelo plano de saúde?

    Só o caso funcional pode ser analisado para cobertura — quando o excesso de pele da pálpebra superior obstrui o campo visual. A blefaroplastia puramente estética não é. A distinção é documental: exige exame oftalmológico com campo visual computadorizado, medida da distância margem-reflexo e documentação fotográfica padronizada. O relatório da American Academy of Ophthalmology usa como referência de comprometimento funcional a distância margem-reflexo de 2 mm ou menos e a perda de pelo menos 12 graus ou 24% do campo visual superior. A análise final é da operadora, com base nesse laudo.

  • Quais são os riscos e as complicações mais comuns da blefaroplastia?

    Os mais frequentes não são os mais graves: em série retrospectiva de 892 blefaroplastias de um único cirurgião, com questionário autorrelatado, sintomas de olho seco apareceram em 26,5% dos casos e quemose (edema da conjuntiva) em 26,3%, com incidência significativamente maior quando pálpebra superior e inferior foram operadas na mesma sessão. Lagoftalmo (dificuldade de fechar o olho por completo) é mais frequente quando se remove músculo junto com a pele. As complicações estruturais que exigem revisão são mais raras — ptose residual, assimetria, retração da pálpebra inferior e ectrópio; a retração é descrita como associada à via transcutânea (subciliar), e é um dos motivos para preferir a transconjuntival quando não há excesso de pele. O evento grave e raro é o hematoma orbital (retrobulbar): em levantamento com cerca de 269 mil cirurgias, a hemorragia orbital ocorreu em 0,055% (1 em 2.000) e a perda visual permanente em 0,0045% (1 em 22.000), na maioria nas primeiras horas após a cirurgia. Histórico prévio de olho seco, frouxidão palpebral, exposição escleral e terapia hormonal em uso aumentam o risco de olho seco e quemose e precisam ser levantados antes da cirurgia.

  • Quando a blefaroplastia não resolve — quando é preciso outro procedimento?

    Quando a sobrancelha está descida (ptose de sobrancelha), a blefaroplastia superior isolada não é suficiente — o lifting de fronte precisa ser associado. Quando a olheira é pigmentada (melanina) ou vascular (transparência da pele fina), a cirurgia não trata a causa. Nesses casos, as opções passam por preenchimento periorbitário, PDRN ou inibidores de melanogênese, dependendo do diagnóstico. A avaliação diferencial é o primeiro passo.

  • A blefaroplastia pode causar perda de visão?

    É raro, mas existe. A causa principal é o hematoma orbital (retrobulbar), sangramento atrás do olho. Em levantamento com cerca de 269 mil cirurgias estéticas de pálpebra, a hemorragia orbital ocorreu em 0,055% (1 em 2.000) e a perda visual permanente em 0,0045% (1 em 22.000), na maioria nas primeiras horas após a cirurgia. Pressão arterial controlada e revisão das medicações na consulta pré-operatória reduzem o risco; dor forte, olho saltado ou queda de visão depois da cirurgia exigem contato imediato com a equipe.

Referências bibliográficas

  1. Lara DO, Janssen PL, Sinclair NR. Evaluation of the Blepharoplasty Patient. Clin Plast Surg. 2025;52(1):7-12. PMID 39505480. DOI 10.1016/j.cps.2024.08.009
  2. Todorov D, Mitchell S, Al-Hashimi M, Dajani Z, Sunn Hoah Yap K, et al. Functional and Aesthetic Outcomes After Upper Blepharoplasty: A Systematic Review and Meta-analysis of Randomized Control Trials. Aesthet Surg J. 2025;45(6):554-562. PMID 40152471. DOI 10.1093/asj/sjaf022
  3. Cahill KV, Bradley EA, Meyer DR, Custer PL, Holck DE, et al. Functional indications for upper eyelid ptosis and blepharoplasty surgery: a report by the American Academy of Ophthalmology. Ophthalmology. 2011;118(12):2510-2517. PMID 22019388. DOI 10.1016/j.ophtha.2011.09.029
  4. Prischmann J, Sufyan A, Ting JY, Ruffin C, Perkins SW. Dry eye symptoms and chemosis following blepharoplasty: a 10-year retrospective review of 892 cases in a single-surgeon series. JAMA Facial Plast Surg. 2013;15(1):39-46. PMID 23329270. DOI 10.1001/2013.jamafacial.1
  5. Hass AN, Penne RB, Stefanyszyn MA, Flanagan JC. Incidence of postblepharoplasty orbital hemorrhage and associated visual loss. Ophthalmic Plast Reconstr Surg. 2004;20(6):426-432. PMID 15599241. DOI 10.1097/01.iop.0000143711.48389.c5 (levantamento por questionário entre cirurgiões; sujeito a viés de memória)
  6. Jacono AA, Moskowitz B. Transconjunctival versus transcutaneous approach in upper and lower blepharoplasty. Facial Plast Surg. 2001;17(1):21-28. PMID 11518974. DOI 10.1055/s-2001-16366 (revisão de técnica; posição dos autores, sem comparação controlada)
  7. Pool SMW, van Exsel DCE, Melenhorst WBWH, Cromheecke M, van der Lei B. The effect of eyelid cooling on pain, edema, erythema, and hematoma after upper blepharoplasty: a randomized, controlled, observer-blinded evaluation study. Plast Reconstr Surg. 2015;135(2):277e-281e. PMID 25626811. DOI 10.1097/PRS.0000000000000919 (ensaio randomizado intraindividual, n=38)
  8. Vogt AZ, Kivanany PB, De Niear MA, Vrcek IM, Homer NA. The Effect of Intravenous Tranexamic Acid on Postoperative Ecchymoses after Upper Blepharoplasty. Plast Reconstr Surg Glob Open. 2024;12(8):e6089. PMID 39188959. DOI 10.1097/GOX.0000000000006089 (ensaio randomizado, n=325; notas por intervalo de dias na tabela 2 do texto completo, PMC11346880)
  9. Viscardi JA, Giordano S. Upper Blepharoplasty for Dermatochalasis With or Without Resection of the Orbicularis Oculi Muscle, Preaponeurotic and Nasal Fat Pads: A Comparative Study. Aesthetic Plast Surg. 2025;49(6):1689-1696. PMID 39856176. DOI 10.1007/s00266-025-04657-7 (série retrospectiva, n=386, hospital universitário de Turku; volta ao trabalho só entre não aposentados)
  10. Owji N, Khalili MR, Khademi B, Shirvani M, Sadati MS. Comparison of the Effectiveness of Onion Extract, Topical Steroid, and Petrolatum Emollient in Cosmetic Appearance of Upper Blepharoplasty Scar. J Curr Ophthalmol. 2020;32(4):408-413. PMID 33553845. DOI 10.4103/JOCO.JOCO_39_20 (estudo comparativo, n=37)
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Avalie sua indicação de blefaroplastia em Brasília

O Dr. Thiago Perfeito, CRM-DF 23199, realiza a blefaroplastia na INTI, em Brasília. A avaliação clínica faz o diagnóstico diferencial do olhar cansado — separa o que é excesso de pele do que é olheira pigmentada, vascular ou por perda de volume —, identifica se o caso é cirúrgico e organiza o que pode ser tratado antes ou no lugar da cirurgia.