Ledterapia (LED terapia) funciona na pele? O que é e o que diz a evidência
A ledterapia tem ensaio clínico sustentando efeito real — e tem também um efeito de tamanho modesto, protocolos heterogêneos e uma literatura em boa parte construída com laser, não com LED. O que esta página faz é separar o que os estudos mostram do que o mercado afirma, incluindo os números de irradiância que circulam sem lastro.
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O que é ledterapia (LED terapia facial)
Ledterapia é o tratamento da pele com luz de LED — diodo emissor de luz — de baixa intensidade, aplicada sobre a superfície sem calor destrutivo e sem corte. O efeito biológico que ela busca tem nome próprio: fotobiomodulação.
Ledterapia, LED terapia, LED facial e fotobiomodulação com LED são nomes para a mesma coisa; a grafia colada é apenas uma forma de escrever. O princípio não é aquecer nem remover tecido, e sim entregar luz em faixas espectrais definidas — vermelho, infravermelho próximo ou azul — para que ela seja absorvida pelas células e module a atividade delas.
Muita gente chega a este tema buscando "laser LED facial", e a expressão junta duas tecnologias diferentes. O LED emite luz incoerente, numa banda mais larga; o laser emite luz coerente e monocromática — a distinção está detalhada mais abaixo, na seção sobre LED, laser e ILIB. Ela importa porque boa parte da literatura de melhor qualidade em fotobiomodulação foi feita com laser, e a revisão publicada no Aesthetic Surgery Journal registra que permanece indefinido se fontes de LED produzem efeitos comparáveis.1
Para que serve, com o nível de evidência de cada uso:
- Rugas periorbitais: em ensaio randomizado, duplo-cego e comparativo com 52 participantes, o vermelho de 660 nm e uma fonte de 411 a 777 nm, com irradiação facial diária por 12 semanas, produziram melhora significativa em relação ao baseline, sem diferença estatística entre os dois grupos.2
- Vermelhidão após laser fracionado: num estudo de meia-face com 20 pacientes, um painel de LED de 590 nm aplicado logo após o procedimento deixou menos eritema no lado tratado às 24 horas; às 96 horas, a diferença já não era perceptível.4
- Acne inflamatória, com luz azul: revisão sistemática de oito ensaios clínicos randomizados com luz azul, de fontes variadas e nem todas de LED, mostrou melhora significativa do quadro geral de acne, e conclui que ainda são necessários ensaios mais detalhados.5
No conjunto, a revisão do Aesthetic Surgery Journal descreve corpo razoável de evidência de ensaios clínicos em rejuvenescimento, acne, alopecia e contorno corporal — com falhas metodológicas, coortes pequenas e financiamento pela indústria.1 É um recurso de efeito real e modesto, não uma tecnologia de transformação.
Na aplicação, um painel ou uma máscara de LED é posicionado sobre o rosto limpo, com proteção ocular. Não dói, não exige anestesia e não obriga a afastamento das atividades. Quem quer entender as diferenças entre equipamentos encontra uma comparação dos tipos de aparelho de LED facial em página própria.
Fotobiomodulação LED tem evidência clínica — com condições
Sim, LED terapia funciona — com efeito real, mas de magnitude modesta e restrito a algumas indicações. A resposta honesta não é o "sim" entusiasmado do marketing nem o "não" do ceticismo de bancada: existe ensaio clínico randomizado sustentando benefício, e existe também um conjunto de limitações metodológicas que impede transformar esse benefício em promessa.
O mecanismo é a fotobiomodulação (PBM), também chamada de ledterapia quando a fonte é um diodo emissor de luz. A luz vermelha e infravermelha próxima é absorvida por cromóforos celulares — a citocromo c oxidase mitocondrial e canais de cálcio, possivelmente mediados por opsinas. A absorção eleva a produção de ATP, gera um pulso breve de espécies reativas de oxigênio, aumenta óxido nítrico e ativa fatores de transcrição ligados a sobrevivência, proliferação e migração celular. Um traço central e frequentemente omitido na comunicação comercial: a resposta é bifásica — doses baixas estimulam, doses altas inibem. Mais luz não é mais resultado.3
A descrição desses mecanismos vem em boa parte do trabalho de Michael Hamblin, do Wellman Center for Photomedicine do Massachusetts General Hospital, com afiliação à Harvard Medical School. Cabe uma precisão que costuma ser distorcida: a revisão dele de 2017 no AIMS Biophysics é uma revisão de mecanismos moleculares do efeito anti-inflamatório, não uma revisão sistemática de desfechos clínicos e não um mapa de parâmetros de dose para uso estético.3 Ela explica por que a luz pode agir; não define quanto de luz produz qual resultado na pele.
Em medicina estética, a faixa com melhor lastro é a do vermelho e do infravermelho próximo. O dado mais sólido para rugas vem de um ensaio randomizado, duplo-cego e comparativo com 52 participantes, no qual o vermelho de 660 nm e uma fonte branca de 411 a 777 nm produziram melhora significativa das rugas periorbitais em relação ao baseline após 12 semanas de irradiação diária, com discreta vantagem numérica do vermelho e sem diferença estatística entre os dois.2 A luz azul tem outra lógica: age sobre porfirinas produzidas pela bactéria implicada na acne inflamatória, e sua evidência está concentrada nesse quadro.5
Vale desfazer aqui um vício de linguagem do setor. Números redondos de comprimento de onda, irradiância e "sessões necessárias" circulam em material de venda como se fossem consenso — não são. A literatura de fotobiomodulação é reconhecidamente heterogênea em parâmetros, e a própria revisão clínica publicada no Aesthetic Surgery Journal resume o quadro sem eufemismo: existe corpo razoável de evidência de ensaios clínicos sustentando segurança e efeito em rejuvenescimento, acne, alopecia e contorno corporal, mas com falhas metodológicas, coortes pequenas e financiamento pela indústria.1 Uma faixa espectral fora do vermelho, infravermelho e azul não é automaticamente inútil — o único estudo comparativo de LED em eritema pós-laser, discutido adiante, usou justamente um painel de 590 nm.4 O que não existe é base para tratar qualquer número específico como parâmetro validado.
O enquadramento clínico defensável, portanto, é o de coadjuvante com respaldo científico — não o de tecnologia isolada de transformação. A pergunta útil na avaliação não é se o LED "funciona", e sim se ele acrescenta algo ao protocolo daquela pele específica: quase sempre como acelerador de recuperação e ganho de qualidade tecidual, raramente como resposta única.
Aparelho de consultório vs máscara caseira: a comparação que ninguém consegue fazer direito
A resposta honesta é que, na maioria das vezes, não dá para saber — e o motivo desse "não dá para saber" é o achado mais útil desta página. Os dois parâmetros que decidiriam a comparação são a irradiância (potência por área, em mW/cm²) e a dose acumulada (energia por área, em J/cm²). Nenhum dos dois costuma ser publicado de forma verificável e comparável — nem pelo fabricante da máscara de venda livre, nem, com frequência, pelo do equipamento de consultório.
Números de irradiância circulam com naturalidade em material comercial e em textos de clínica, quase sempre desenhados para produzir a mesma conclusão: o aparelho profissional entrega ordens de grandeza a mais. A conclusão pode até estar certa em muitos casos, mas ela é afirmada, não demonstrada — e um número de irradiância sem medição independente não é dado técnico, é argumento de venda com aparência de dado. Esta página não reproduz esses números.
O que existe de sólido sobre a distância entre os dois mundos é de outra ordem. A revisão clínica do Aesthetic Surgery Journal descreve a fotobiomodulação como um campo hoje altamente comercializado, com dispositivos vendidos diretamente ao consumidor, e situa exatamente na zona cinzenta entre o setor comercial e o terapêutico a dificuldade de extrair o potencial clínico de forma reprodutível e mensurável.1 Traduzindo para a decisão de compra: o problema não é só a máscara ser mais fraca, é o mercado inteiro operar com parâmetros que ninguém está obrigado a declarar.
Isso não condena o aparelho doméstico. Em acne inflamatória, a revisão sistemática de ensaios randomizados com luz azul encontrou melhora significativa do quadro geral, ao mesmo tempo em que concluiu haver necessidade de ensaios mais detalhados sobre o efeito.5 Uso constante e prolongado é o que aparece nesses estudos; uso esporádico não. O que não se sustenta é o salto seguinte — supor que a mesma máscara reproduza os desfechos de recuperação pós-procedimento obtidos em consultório, porque nenhum aparelho de venda livre foi testado nesse cenário.
Para a paciente entre 45 e 60 anos que busca ganho consistente em qualidade de pele — menos eritema residual, manutenção após Fotona ou Morpheus8, recuperação mais curta depois de laser —, o critério prático é outro: o LED entra como parte de uma sequência clínica, com indicação e momento definidos, e não como produto de autocuidado comprado para resolver sozinho. A escolha da faixa espectral segue o alvo — vermelho e infravermelho quando a questão é recuperação e qualidade tecidual, azul quando há componente inflamatório de acne ativo.
Por que esta página não exibe um "antes e depois" de ledterapia
Porque um par de fotos não consegue provar o que a ledterapia faz. É uma das buscas mais frequentes de quem chega até aqui, e a resposta merece ser dada de frente em vez de contornada com uma imagem bonita.
O efeito documentado do LED em pele é de magnitude modesta e, em boa parte dos cenários, transitório. Isso o torna especialmente vulnerável às variáveis que fazem um "antes e depois" parecer impressionante sem que nada tenha mudado: ângulo, distância da câmera, temperatura e direção da luz, hidratação da pele no dia, maquiagem, expressão facial, horário. Uma diferença sutil e real de textura e a diferença produzida por dois setups fotográficos distintos são indistinguíveis para quem olha o resultado final — e a segunda é muito mais fácil de obter.
Há um problema adicional, específico deste tratamento. O LED quase nunca é usado isolado: ele entra depois de um laser, de um microagulhamento, de uma radiofrequência fracionada, ou em paralelo a um protocolo domiciliar. Um par de fotos separado por semanas de um protocolo combinado não isola a contribuição da luz — atribuir a ela o resultado do conjunto seria simplesmente falso. Não por acaso, os desfechos dos estudos citados nesta página não são fotografias soltas: são medida de réplica de pele, avaliação por examinadores cegos e comparação de meia-face, em que cada paciente é o próprio controle.24
O que se pode dizer com honestidade sobre o resultado esperado está nas seções acima e vale repetir em uma frase: menos eritema nas primeiras 24 a 48 horas depois de um procedimento que inflama a pele, ganho mensurável — porém discreto — de rugas finas sob irradiação frequente e prolongada, e melhora do quadro em acne inflamatória leve. Nada disso costuma render a foto de impacto que o formato "antes e depois" promete, e é justamente essa distância entre a imagem e o efeito real que torna o formato enganoso aqui.
LED, laser e ILIB não são a mesma coisa — e isso muda a leitura da evidência
Não são sinônimos, e a confusão entre eles é o ponto cego mais consequente de tudo o que se lê sobre ledterapia. Boa parte do prestígio científico que o LED carrega hoje foi construída em estudos que não foram feitos com LED.
A diferença física é direta. O laser emite luz coerente, colimada e essencialmente monocromática: as ondas viajam em fase, o feixe se mantém estreito e a energia se concentra num comprimento de onda único. O LED emite luz incoerente e divergente, distribuída numa banda espectral mais larga. Os dois foram agrupados sob o mesmo guarda-chuva terminológico — terapia com luz de baixa intensidade, LLLT, fotobiomodulação —, e essa fusão de rótulo é justamente o que permite transferir credibilidade de um para o outro sem que ninguém precise justificar a transferência.
A ressalva mais importante desta página está formulada na própria revisão clínica de referência do campo: permanece indefinido se fontes de LED induzem efeitos fisiológicos de natureza e magnitude comparáveis aos das fontes baseadas em laser, usadas na maior parte dos estudos de melhor qualidade metodológica.1 Isso não é uma objeção de detalhe. Significa que, quando um material promocional de LED cita "décadas de literatura em fotobiomodulação", parte relevante dessa literatura foi produzida com equipamento diferente do que está sendo vendido — e a equivalência entre os dois é uma suposição, não um achado.
Duas consequências práticas. A primeira: as evidências mais específicas de LED em pele devem ser lidas nos estudos que realmente usaram LED — como o ensaio randomizado de 660 nm em rugas periorbitais2 e o estudo de meia-face em eritema pós-laser4 —, e não no volume agregado de trabalhos com laser de baixa potência. A segunda: um aparelho não fica melhor por ser chamado de "laser LED" ou "laser facial de LED" em material de venda. Ou a fonte é diodo emissor de luz, ou é laser; o termo híbrido descreve marketing, não tecnologia.
Cabe ainda separar uma terceira coisa que aparece na mesma conversa. O ILIB — irradiação intravascular de sangue por laser — não é ledterapia. A via de aplicação é outra, a fonte é laser, o alvo é o sangue circulante e não a pele, e sua literatura é discutida separadamente, com desenho, desfechos e nível de controvérsia próprios. Comparar ILIB com um painel de LED aplicado sobre o rosto, como se fossem graus diferentes do mesmo tratamento, é um erro de categoria — e nada do que este texto afirma sobre LED tópico se estende ao ILIB.
Como o LED se integra ao protocolo clínico e quando não é suficiente sozinho
Na prática clínica, a fotobiomodulação LED entra em três cenários principais: pós-procedimento imediato, depois de laser, microagulhamento, peeling ou radiofrequência fracionada; manutenção entre sessões de tratamentos maiores; e tratamento adjuvante em acne inflamatória leve, quando a conduta definida em consulta comporta uma medida de baixo risco somada às demais.
O cenário de pós-procedimento é o que tem a demonstração mais limpa — e também a mais reveladora quanto ao tamanho do efeito. Em um estudo comparativo de meia-face com 20 pacientes submetidos a laser fracionado de fibra dopada com érbio de 1.550 nm em face inteira, um painel de LED foi aplicado imediatamente após o procedimento em uma das metades, sorteada. Às 24 horas, a metade tratada estava menos eritematosa em todos os 20 pacientes. Às 48 horas, a diferença persistia apenas nos seis que haviam recebido as maiores densidades de energia no laser. Às 96 horas, nenhuma diferença perceptível entre os dois lados em nenhum paciente.4
Vale ler esse resultado inteiro, e não só a primeira metade dele. Ele confirma o benefício — consistente, em todos os pacientes, no momento em que o eritema mais incomoda. E delimita esse benefício: o LED antecipou uma recuperação que aconteceria de qualquer forma em poucos dias, não produziu uma cicatrização que não existiria sem ele. Duas outras precisões desse mesmo estudo derrubam clichês repetidos no setor: o painel usado emitia em 590 nm, e não no infravermelho de 800 a 850 nm que costuma ser citado como padrão de pós-procedimento; e uma única aplicação bastou para o efeito observado, sem série de sessões.
O LED não substitui bioestimuladores, laser, radiofrequência fracionada ou enxertia de gordura para perda volumétrica, flacidez ou lassidão estrutural. Esses problemas têm mecanismos diferentes — perda de colágeno e elastina estrutural, deflação de compartimentos de gordura, reabsorção óssea — que demandam estímulo de maior profundidade ou deposição de volume. O LED atua na camada superficial e no ambiente inflamatório celular, não na arquitetura estrutural da face.
O posicionamento correto, portanto, é o de coadjuvante que encurta e suaviza a recuperação, não o de tratamento substituto. Para quem já faz Fotona 4D ou Morpheus8 em intervalos definidos, acrescentar LED logo após a sessão tende a tornar os primeiros dias menos visíveis. Para quem chega buscando corrigir flacidez ou repor volume, a expectativa precisa ser alinhada antes da primeira sessão: isolado, nesse objetivo, o LED entrega pouco — e alinhar isso na avaliação é preferível a sustentar uma promessa que a biologia não confirma.
Sobre a ledterapia capilar, que é a outra pergunta frequente: a alopecia androgenética aparece entre as indicações em que a revisão do Aesthetic Surgery Journal reconhece corpo razoável de evidência de ensaios clínicos para luz vermelha e infravermelha de baixa intensidade — sempre com a mesma ressalva de falhas metodológicas, coortes pequenas e financiamento pela indústria.1 A lógica de uso é a mesma do rosto: adjuvante que soma a uma conduta definida depois do diagnóstico da causa da queda, e que não substitui essa conduta. Antes de investir em qualquer dispositivo capilar, o passo com maior retorno é a consulta que estabelece por que o cabelo está caindo — o médico responsável pode ser conferido pelo CRM ativo em cfm.org.br.
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Dr. Thiago Perfeito
CRM-DF 23199 · Medicina Estética e Regenerativa
Médico com mais de 10 anos de prática em medicina estética e regenerativa. Mestre em Medicina Estética (2024). Formação internacional em Harvard Medical School e Mayo Clinic. Membro da ASLMS, A4M, AMS e NYAS. Atendimento em Brasília, Lago Sul.
Conheça o Dr. Thiago →Referências bibliográficas
- Glass GE. Photobiomodulation: The Clinical Applications of Low-Level Light Therapy. Aesthetic Surgery Journal. 2021 May 18;41(6):723–738. PMID: 33471046 · DOI: 10.1093/asj/sjab025. Revisão da literatura clínica de LLLT em rejuvenescimento cutâneo, acne vulgar, cicatrização, contorno corporal e alopecia androgenética. Conclui haver corpo razoável de evidência de ensaios clínicos sustentando segurança e eficácia, com a ressalva de falhas metodológicas, coortes pequenas e financiamento pela indústria; registra ainda permanecer indefinido se fontes de LED produzem efeitos comparáveis aos das fontes laser usadas nos estudos de melhor qualidade. Errata publicada em Aesthet Surg J. 2022;42(5):566.
- Nam CH, Park BC, Kim MH, Choi EH, Hong SP. The Efficacy and Safety of 660 nm and 411 to 777 nm Light-Emitting Devices for Treating Wrinkles. Dermatologic Surgery. 2017 Mar;43(3):371–380. PMID: 28195844 · DOI: 10.1097/DSS.0000000000000981. Ensaio clínico prospectivo, randomizado, duplo-cego e comparativo com 52 participantes adultas, com irradiação facial diária por 12 semanas: melhora significativa das rugas periorbitais em relação ao baseline nos dois grupos, com vantagem numérica discreta do vermelho de 660 nm e sem diferença estatística entre eles.
- Hamblin MR. Mechanisms and applications of the anti-inflammatory effects of photobiomodulation. AIMS Biophysics. 2017;4(3):337–361. PMID: 28748217 · DOI: 10.3934/biophy.2017.3.337. Revisão dos mecanismos moleculares do efeito anti-inflamatório da fotobiomodulação: cromóforos primários (citocromo c oxidase e canais de cálcio), efeitos secundários sobre ATP, espécies reativas de oxigênio e óxido nítrico, e a resposta bifásica de dose — níveis baixos de luz estimulam, níveis altos inibem.
- Alster TS, Wanitphakdeedecha R. Improvement of postfractional laser erythema with light-emitting diode photomodulation. Dermatologic Surgery. 2009 May;35(5):813–815. PMID: 19397672 · DOI: 10.1111/j.1524-4725.2009.01137.x. Estudo de meia-face em 20 pacientes submetidos a laser fracionado de fibra dopada com érbio de 1.550 nm: painel de LED de 590 nm aplicado imediatamente após o procedimento em metade sorteada da face. Menos eritema no lado tratado às 24 horas em todos os 20 pacientes; diferença mantida às 48 horas apenas nos seis com maiores densidades de energia; nenhuma diferença perceptível às 96 horas.
- Diogo MLG, Campos TM, Fonseca ESR, et al. Effect of Blue Light on Acne Vulgaris: A Systematic Review. Sensors (Basel). 2021 Oct 19;21(20):6943. PMID: 34696155 · DOI: 10.3390/s21206943. Revisão sistemática conduzida segundo o PRISMA, com oito ensaios clínicos randomizados que compararam luz azul a outra intervenção como controle: os estudos mostraram melhora significativa do quadro geral de acne, mas a revisão conclui haver necessidade de ensaios mais detalhados sobre o efeito da luz azul na acne inflamatória.
As faixas espectrais, doses e números de sessões citados nesta página são os relatados nos estudos acima. Parâmetros de irradiância e dose de aparelhos comerciais específicos não são informados aqui por não haver medição independente publicada que os sustente.
Perguntas frequentes sobre Fotobiomodulação LED
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O que é ledterapia?
Ledterapia (ou LED terapia) é o tratamento da pele com luz de LED de baixa intensidade, aplicada sobre o rosto sem calor destrutivo e sem corte. O efeito biológico buscado se chama fotobiomodulação: a luz, em faixas definidas como vermelho, infravermelho próximo ou azul, é absorvida pelas células e modula a atividade delas. Há ensaio clínico randomizado para rugas periorbitais, estudo de meia-face no eritema após laser fracionado e revisão sistemática da luz azul em acne inflamatória — efeitos reais, de magnitude modesta, que não substituem a avaliação clínica.
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Quais comprimentos de onda de LED realmente funcionam para a pele?
A faixa com melhor lastro em pele é a do vermelho e do infravermelho próximo, e o comprimento de onda com ensaio clínico randomizado e duplo-cego específico para rugas é o vermelho de 660 nm. A luz azul concentra a evidência em acne inflamatória, por absorção nas porfirinas produzidas pela bactéria. Fora dessas faixas, o que existe em pele é evidência preliminar — o que não significa ausência de efeito: o único ensaio comparativo de LED no eritema pós-laser fracionado usou um painel de 590 nm.
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Com que frequência devo fazer sessões de LED terapia?
Não existe protocolo único validado, e essa é uma das limitações reconhecidas da literatura: os estudos usam esquemas heterogêneos. O ensaio randomizado que mostrou melhora de rugas periorbitais irradiou a face diariamente por 12 semanas — regime bem mais intenso do que a sessão semanal vendida como padrão. Em pós-procedimento, o benefício documentado aparece na aplicação imediata e se dilui em poucos dias. Frequência e número de sessões devem ser definidos na avaliação clínica, não copiados de tabela.
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Máscara de LED caseira funciona ou é dinheiro perdido?
A resposta honesta é que raramente dá para saber, porque o dado que decidiria a questão — irradiância e dose entregues na pele — quase nunca é publicado de forma comparável, nem pelo fabricante do aparelho doméstico nem pelo do equipamento de consultório. A revisão publicada no Aesthetic Surgery Journal registra justamente essa zona cinzenta entre o setor comercial e o terapêutico. Máscaras domésticas não são inúteis, sobretudo em acne inflamatória leve com uso constante, mas nenhum aparelho de venda livre tem ensaio próprio que autorize equipará-lo ao de consultório.
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Quais resultados são realistas com LED terapia profissional?
Efeitos reais, mas de magnitude modesta. No pós-laser fracionado, o estudo comparativo de meia-face mostrou menos eritema no lado tratado às 24 horas em todos os pacientes, diferença que já não era perceptível às 96 horas. Em rugas periorbitais, houve melhora mensurável após 12 semanas de irradiação diária. Em acne inflamatória, a revisão sistemática de luz azul aponta melhora do quadro geral, com ressalva de que faltam ensaios mais detalhados. LED não trata flacidez estrutural, perda de volume nem rugas dinâmicas.
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LED terapia pode ser combinado com outros tratamentos estéticos?
Sim, e é aí que ele rende mais. O uso associado mais estudado é a aplicação logo após um procedimento que deixa a pele eritematosa — laser fracionado, microagulhamento, radiofrequência fracionada —, com o objetivo de encurtar a fase mais visível da recuperação. Também pode acompanhar bioestimuladores, preenchimento e toxina botulínica. Medicamentos em uso e condições que alterem a resposta da pele à luz precisam ser avaliados pelo médico assistente antes de qualquer sessão.
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LED terapia é a mesma coisa que laser?
Não, e a distinção tem consequência prática. O laser emite luz coerente, colimada e num comprimento de onda único; o LED emite luz incoerente, divergente e numa banda mais larga. As duas coisas são agrupadas sob o rótulo de terapia com luz de baixa intensidade, mas a revisão do Aesthetic Surgery Journal é explícita ao registrar que permanece indefinido se fontes de LED produzem efeitos de natureza e magnitude comparáveis aos das fontes laser usadas na maior parte dos estudos de melhor qualidade. Ou seja: parte da credibilidade do LED é emprestada de estudos que não foram feitos com LED. O ILIB, laser intravascular, é ainda outra coisa — outra via de aplicação e outra discussão, que não se confunde com o LED aplicado sobre a pele. Por isso a expressão “laser LED facial”, comum nas buscas, mistura duas tecnologias distintas: o aparelho de LED facial não é um laser, e o que se sabe de um não se transfere automaticamente para o outro.
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LED terapia capilar funciona para queda de cabelo?
A alopecia androgenética está entre as indicações em que a revisão do Aesthetic Surgery Journal considera existir corpo razoável de evidência de ensaios clínicos para a luz vermelha e infravermelha de baixa intensidade — com a mesma ressalva de falhas metodológicas, amostras pequenas e financiamento pela indústria que vale para o resto do campo. Na prática, é tratamento adjuvante: entra somando a uma conduta definida em consulta, depois do diagnóstico da causa da queda, e não substitui essa conduta.
Avalie se LED terapia faz parte do seu protocolo em Brasília
A indicação correta depende da sua pele, dos procedimentos que já faz e dos objetivos clínicos. Avaliação clínica individualizada com Dr. Thiago Perfeito.